{"id":139,"date":"2010-05-31T21:23:26","date_gmt":"2010-06-01T00:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/?p=139"},"modified":"2024-08-23T00:02:48","modified_gmt":"2024-08-23T03:02:48","slug":"si-bemol-e-o-tom-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2010\/05\/31\/si-bemol-e-o-tom-do-mundo\/","title":{"rendered":"Si bemol \u00e9 o tom do mundo."},"content":{"rendered":"<p>Calma, a afirma\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo deste post n\u00e3o tem nada a ver com seitas sat\u00e2nicas ou suicidas. Tem rela\u00e7\u00e3o com um livro do\u00a0Schafer, <em>A afina\u00e7\u00e3o do mundo<\/em> (2001), no qual o autor realiza um apanhado hist\u00f3rico dos sons que reverberavam nas principais civiliza\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria humana, do chiado do mar ao chiado do avi\u00e3o a jato.<\/p>\n<p>Em determinado trecho (que eu n\u00e3o fichei ainda), ele fala da eletricidade. Ela \u00e9 distribu\u00edda em duas frequ\u00eancias, 50 ou 60 hertz, dependendo do pa\u00eds. Aqui no Brasil, como voc\u00ea pode ver no cabo de for\u00e7a do seu PC, usamos 60hz, o que \u00e9 muito pr\u00f3ximo da frequ\u00eancia que um baixo el\u00e9trico faz ao soar seu mais grave si bemol, se estiver afinado seu l\u00e1 no padr\u00e3o de 440hz, claro. O l\u00e1 mais grave do baixo \u00e9 oito vezes mais lento que a frequ\u00eancia de afina\u00e7\u00e3o, ou seja, 55hz.<\/p>\n<p>Confuso, n\u00e9? Mas n\u00e3o precisa se ater a isso. Melhor que entender esta teoria \u00e9 ouvir o som. Boa parte dos aparelhos eletr\u00f4nicos &#8220;vazam&#8221; este ru\u00eddo. Geladeiras, condicionadores de ar de parede, estabilizadores, ventiladores de teto, e at\u00e9 os amplificadores de guitarra e baixo (especialmente quando distorcidos)&#8230; escute cada um deles e voc\u00ea notar\u00e1 que sua cabe\u00e7a j\u00e1 estava afinada nos 60hz.<\/p>\n<p>Pretendo relacionar o estado atual da paisagem sonora das metr\u00f3poles com os audiovisuais musicais que ser\u00e3o analisados pela minha pesquisa, pois, como o Schafer constata: \u201cHoje, todos os sons fazem parte de um campo cont\u00ednuo de possibilidades, que pertence ao dom\u00ednio compreensivo da m\u00fasica. Eis a nova orquestra: o universo sonoro! E os m\u00fasicos: qualquer coisa que soe!\u201d (2001:20).<\/p>\n<p>Pra quem n\u00e3o sabe, <em>paisagem sonora<\/em> \u00e9 qualquer campo de estudo ac\u00fastico. Podemos referir-nos a uma composi\u00e7\u00e3o musical, a um programa de r\u00e1dio ou mesmo a um ambiente ac\u00fastico como paisagens sonoras. (Schafer, 2001:23)<\/p>\n<p>E o melhor \u00e9 quando a gente consegue extrair dessa paisagem sonora uma experi\u00eancia est\u00e9tica. Acontece quando a gente deixa de se preocupar com nosso bolso: n\u00e3o se perguntar o tempo todo para que as coisas servem, mas simplesmente deleitar-se com elas. Cuidado para n\u00e3o tomar um tapa na cara do mestre budista.<\/p>\n<p>Eis uma dupla de dois m\u00fasicos que conseguirem esse feito; do hospital tiraram belos sons de uma m\u00e1quina de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=idHDfsONJLM]<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. S\u00e3o Paulo: UNESP, 1991.<\/p>\n<p>______. A afina\u00e7\u00e3o do mundo. S\u00e3o Paulo: UNESP, 2001.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Calma, a afirma\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo deste post n\u00e3o tem nada a ver com seitas sat\u00e2nicas ou suicidas. 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