{"id":1547,"date":"2025-12-10T18:21:18","date_gmt":"2025-12-10T21:21:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1547"},"modified":"2025-12-10T18:35:40","modified_gmt":"2025-12-10T21:35:40","slug":"andar-na-linha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/andar-na-linha\/","title":{"rendered":"Andar na linha"},"content":{"rendered":"<p><em>Z: Zonas, Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de Coisas<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por Arthur Mezzacasa, Augusto Schu e Manu Couto<\/p>\n<div id=\"attachment_1598\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1598\" class=\"wp-image-1598 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM11-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1598\" class=\"wp-caption-text\">Foto 1: Janela do Trensurb. No fundo, uma rua em movimento.<\/p><\/div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1547-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/audio-editado.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/audio-editado.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/audio-editado.mp3<\/a><\/audio>\n<p><em>(\u00c1udio criado a partir de viagens dos integrantes no Trensurb entre 25 de outubro e 09 de novembro de 2025. <\/em><em>Recomendamos que escutem o \u00e1udio enquanto leem o texto, utilizando de fones de ouvido para melhor experi\u00eancia com os efeitos que buscamos criar na equaliza\u00e7\u00e3o do som.)<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma conven\u00e7\u00e3o de regras em torno do Trensurb, um <em>ethos<\/em>. Boa parte delas \u00e9 aprendida por osmose. Perguntar \u201co que fazer\u201d \u00e9 uma quebra dessa estrutura, um conjunto de normas n\u00e3o-ditas que criam um curioso un\u00edssono. O ethos \u00e9 um conjunto de cren\u00e7as e princ\u00edpios que guiam as a\u00e7\u00f5es de algu\u00e9m ou um grupo. N\u00e3o se fala sobre como agir no trem, \u00e9 como se voc\u00ea tivesse que nascer sabendo. Talvez por isso seja t\u00e3o potente. \u00c9 um cen\u00e1rio onde todas as rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o t\u00e3o bem estabelecidas que o verbo n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nenhum de n\u00f3s frequenta o Trensurb. Pode ser essa justamente a raz\u00e3o pela qual a viagem possa ser vista como um passeio, com um certo deslumbramento pelo o que se passa dentro dos vag\u00f5es. Para quem mora na regi\u00e3o metropolitana, o Trensurb pode ser, al\u00e9m de cotidiano, um fardo &#8211; assim como o \u00f4nibus que pegamos todo dia pra ir e voltar do centro, que tamb\u00e9m demora uma hora at\u00e9 chegar em casa. Ent\u00e3o, para quem n\u00e3o tem costume de frequentar as esta\u00e7\u00f5es ou trafegar pela linha, a presen\u00e7a pedag\u00f3gica de outras pessoas acaba sendo um salvamento.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1609\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1609\" class=\"wp-image-1609 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM8-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1609\" class=\"wp-caption-text\">Foto 02: Foto tirada logo ap\u00f3s passageiros sa\u00edrem do trem na Esta\u00e7\u00e3o Canoas durante hor\u00e1rio de pico.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em nossa viagem, nos apoiamos no conhecimento fragmentado de cada um sobre o que \u00e9 o <em>ethos Trensurb<\/em>. Afinal, n\u00e3o quer\u00edamos parecer estrangeiros &#8211; por mais que fossemos &#8211; para poder circular de forma n\u00e3o disruptiva, sem dar a pinta de peixe fora d\u2019\u00e1gua. Chegamos no trem com um objetivo principal: entreouvir conversas de passageiros, para enfim criar uma colagem cacof\u00f4nica que n\u00e3o separa indiv\u00edduo do coletivo. Parecia uma boa ideia, at\u00e9 nos depararmos com a realidade. N\u00e3o era poss\u00edvel escutar ningu\u00e9m, n\u00e3o havia como deixar de ouvir as m\u00e1quinas falarem. Passamos o tempo nessa esp\u00e9cie de vale da estranheza s\u00f4nico, em que a imposi\u00e7\u00e3o sonora do trem exercia um dom\u00ednio em nossos corpos, a voz dos outros roubada por essa entidade maqu\u00ednica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Curioso que at\u00e9 em alguns momentos conversar parecia j\u00e1 ser uma quebra do un\u00edssono, mesmo que o sil\u00eancio de vozes n\u00e3o configurasse sil\u00eancio algum. A m\u00e1quina, mais uma vez com seu car\u00e1ter impositivo, submetia a n\u00f3s todos ao seu som estridente e ao seu \u201cplec-plec\u201d de a\u00e7o. O fasc\u00ednio pelo o que se passa dentro dos vag\u00f5es n\u00e3o foi suficiente para evitar a dor de cabe\u00e7a que o barulho constante do trem causava.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sons como esse, mesmo que n\u00e3o decodific\u00e1veis por n\u00f3s, geram uma paisagem sonora un\u00edssona dos trens. A sonoridade aponta para\u00a0 o\u00a0 som\u00a0 como elemento\u00a0 fundamental \u2013 e\u00a0 n\u00e3o\u00a0 s\u00f3\u00a0 como\u00a0 ve\u00edculo \u2013 para\u00a0 o\u00a0 funcionamento\u00a0 de\u00a0 sistemas culturais e sociais ao ligar pr\u00e1ticas de escuta e de soar (Marra, Vale, 2020). Ou seja, as sonoridades comp\u00f5em parte da atmosfera que a modernidade busca construir.\u00a0<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h2><b>TRILHAR CAMINHOS PELO TRENSURB<\/b><\/h2>\n<div id=\"attachment_1601\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1601\" class=\"wp-image-1601 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM10-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1601\" class=\"wp-caption-text\">Foto 03: Foto tirada durante a chegada do trem na Esta\u00e7\u00e3o Canoas.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Trensurb \u00e9 elemento da paisagem f\u00edsica e sonora da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre desde 1985. Foi criado para conectar alguns dos munic\u00edpios mais populosos do Rio Grande do Sul de forma eficiente e desafogar o tr\u00e2nsito de ve\u00edculos rodovi\u00e1rios, que j\u00e1 naquele tempo configurava um problema para as grandes cidades do Brasil. Em 2025, o sistema conta com 43 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e 22 esta\u00e7\u00f5es em linha \u00fanica, ligando cinco cidades: Novo Hamburgo, S\u00e3o Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas e Porto Alegre.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existem dois tipos de trem que viajam pelos trilhos do Trensurb: o trem velho, fabricado no Jap\u00e3o em 1984, com 25 ve\u00edculos em ativa, e o trem novo, fabricado no Brasil em 2014, com 15 ve\u00edculos em ativa. Saber em qual voc\u00ea vai entrar \u00e9 uma roleta russa. Como \u00e9 de se esperar, as sonoridades presentes em cada modelo s\u00e3o radicalmente diferentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 at\u00e9 mesmo engra\u00e7ado ir no trem velho &#8211; \u00e9 como entrar em uma m\u00e1quina do tempo, onde nem tudo tinha uma cor branca chapada e a arquitetura dos lugares ainda podia sonhar em se diferenciar uma das outras. Existe tamb\u00e9m um qu\u00ea de falha mec\u00e2nica iminente. A cada curva, nossos ouvidos s\u00e3o agraciados com um som agudo estridente, que toda vez causa o susto de imaginar que o trem vai se desintegrar. O vento que entra pelas pequenas frestas das janelas, os carros que correm nas avenidas ou rodovias adjacentes, acompanhados do som met\u00e1lico dos trilhos e das articula\u00e7\u00f5es entre os vag\u00f5es, formam a experi\u00eancia do Trensurb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No trem antigo, a parada \u00e0s vezes \u00e9 anunciada pelo microfone do motorista. J\u00e1 em outras, \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o. As duas s\u00e3o, contudo, sempre inaud\u00edveis. No trem novo, no entanto, n\u00e3o existe contato algum com o motorista, sendo uma voz feminina, dessa vez l\u00edmpida e rob\u00f3tica, que informa a chegada nas esta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m se produz um outro som, dessa vez grave, que acompanha todo o trajeto, como um companheiro de viagem. De certa forma, essa imagem consegue acalmar o cora\u00e7\u00e3o de uma primeira vez no Trensurb, como foi o caso da maioria do grupo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Talvez esses sons nem apare\u00e7am mais para quem j\u00e1 est\u00e1 acostumado. \u00c9 a\u00ed que entra a peculiaridade desta movimenta\u00e7\u00e3o. Entrar no Trensurb enquanto estranho, aquele que n\u00e3o se encontra dentro da mec\u00e2nica cotidiana do fluxo de transporte das pessoas que tem sua vida atravessada pela capital ga\u00facha e sua regi\u00e3o metropolitana, provoca tamb\u00e9m uma outra rela\u00e7\u00e3o com esse espa\u00e7o urbano, transformando-o em uma paisagem sem limites.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1608\" style=\"width: 344px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1608\" class=\"wp-image-1608\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM4-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"443\" \/><p id=\"caption-attachment-1608\" class=\"wp-caption-text\">Foto 04: Foto tirada no interior da Esta\u00e7\u00e3o Novo Hamburgo.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos inserimos como andarilhos de Michel de Certeau, \u201cinteragindo na proximidade, buscando fazer emergir certas singularidades, para dar \u00e0 cidade e ao Trensurb uma vis\u00e3o a partir do ch\u00e3o. Emprestamos nosso anonimato, nosso lado transit\u00f3rio, ou seja, trabalhamos no n\u00edvel de mobilidade que somos proporcionados\u201d (Fraser, 2010, p. 229). Nos apropriamos do dia-a-dia comum de algu\u00e9m, tornando esse deslocamento, para n\u00f3s, uma coisa vivida.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><\/h2>\n<hr \/>\n<h2><b>DESLOCAR PARA OUTRO LUGAR<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certeau, assim como os desdobramentos de seu trabalho por Marc Aug\u00e9, partem da geografia humanista e da antropologia para definir o que \u00e9 lugar. Esse espa\u00e7o vivido, do cotidiano, e que carrega consigo a afetividade e a mem\u00f3ria, quando mesclado com o conceito de espa\u00e7o antropol\u00f3gico, gera fortes v\u00ednculos sociais e culturais, de profunda rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com o mundo que o cerca; apresentando caracter\u00edsticas identit\u00e1rias, relacionais e hist\u00f3ricas. O espa\u00e7o tamb\u00e9m sup\u00f5e por si mesmo um lugar animado por um deslocamento (Fraser, 2010, p. 229), um lugar praticado. Sem essa mobilidade nos restariam apenas lugares fixos e imut\u00e1veis. O andarilho transforma a rua, lugar para o urbanismo, em espa\u00e7o.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1603\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1603\" class=\"wp-image-1603 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM9-400x300.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1603\" class=\"wp-caption-text\">Foto 05: Foto tirada na esta\u00e7\u00e3o Canoas. Um muro vazado na frente e uma parada grande de \u00f4nibus com pessoas atr\u00e1s.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Aug\u00e9, por\u00e9m, esse mesmo tensionamento trazido pela mobilidade transforma lugares em n\u00e3o-lugares, paradigma da supermodernidade, caracterizado pela superabund\u00e2ncia factual, espacial e individualiza\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias. N\u00e3o-lugares s\u00e3o constru\u00eddos com determinadas finalidades objetivas (como o com\u00e9rcio, transporte ou lazer); transit\u00f3rios, sup\u00e9rfluos; criados e esvaziados do princ\u00edpio de sentido para aqueles que o ocupam ou habitam. Quando assimilados pela sociedade moderna, n\u00e3o promovem rela\u00e7\u00f5es sociais aut\u00eanticas e genu\u00ednas, homogeneizando as experi\u00eancias sociais e fazendo com que as for\u00e7as e a signific\u00e2ncia pr\u00f3pria dos lugares sejam desconsideradas. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As sonoridades que temos contato di\u00e1rio expressam enquanto opress\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. As pessoas lidam de maneiras diferentes com essa agressividade sonora do dia-a-dia na cidade grande &#8211; as ilhas de sanidade (s\u00f4nica) e, ao mesmo, no mar de viol\u00eancia corp\u00f3rea, s\u00f4nica e simb\u00f3lica. Como Felipe Trotta traz no artigo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Gosto musical, moral e inc\u00f4modos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><span style=\"color: #0000ff;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Os deslocamentos populacionais nas cidades s\u00e3o marcados por sentimentos de solid\u00e3o, t\u00e9dio, irrita\u00e7\u00e3o e desalento, ao mesmo tempo em que s\u00e3o atravessados por pequenos conflitos latentes, provocados pelo cansa\u00e7o de corpos e mentes, pelo ritmo intenso do ir e vir do trabalho, pelas agressividades do tr\u00e2nsito e dos ve\u00edculos e pelos tempos mortos da espera por \u00f4nibus, vans e trens (Trotta, 2023, p. 03)<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um sistema com estas caracter\u00edsticas acaba se tornando um pequeno recorte dos tensionamentos e fen\u00f4menos pol\u00edticos e sociais de nosso tempo. Henri Lefebvre, em O Direito \u00e0 Cidade, categorizava o urbano como um \u201cum horizonte de possibilidades, um objetivo do ser humano, que \u00e9, por sua vez, freado ou delimitado pelo urbanismo, entendido aqui como uma s\u00e9rie de representa\u00e7\u00f5es institucionais e ideol\u00f3gicas que norteiam as a\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o ao urbano\u201d (Lefebvre, 1968). O Trensurb, portanto, configura um ambiente que ao mesmo tempo possibilita a pluralidade, mas tamb\u00e9m a cerceia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos espa\u00e7os do Trensurb, o pr\u00f3prio ato de circular \u00e9 posto em tensionamento. O movimento dos passageiros \u00e9 delimitado por catracas, portas, linhas, muros, cercas, configurando um espa\u00e7o de controle que \u00e9 povoado pela superposi\u00e7\u00e3o de discursos dominantes e subversivos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pedro Marra e Ana Beatriz Moreto do Vale discorrem sobre unidade sonora, um espa\u00e7o de un\u00edssono e balb\u00fardia &#8211; um un\u00edssono que \u00e9 substitu\u00eddo pela balb\u00fardia nos poucos segundos que o trem fica parado na esta\u00e7\u00e3o, e vice-versa quando o trem come\u00e7a a andar. Uma massa de pessoas num entra-sai, novos passageiros, vendedores, pedintes:<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #333399;\"><em>A balb\u00fardia \u00e9 uma t\u00e9cnica s\u00f4nica de transi\u00e7\u00e3o entre un\u00edssonos e por isso apresenta-se de forma muito inst\u00e1vel e, por vezes, ef\u00eamera. Ela se caracteriza por um alto grau de abertura \u00e0 disputa, e, se por um lado n\u00e3o apaga hierarquias entre agentes que a comp\u00f5em, por outro abre brechas\u00a0 para\u00a0 que agentes menores e com menos poder sonoro \u2013 seja porque em menor n\u00famero, seja pela menor capacidade de produzir grandes intensidades sonoras \u2013 se imponham e fa\u00e7am alastrar, entre um grande\u00a0 n\u00famero\u00a0 de\u00a0 pessoas, suas pr\u00f3prias sonoridades.<\/em> (Marra, Vale, Op. cit, p. 335)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A balb\u00fardia \u00e9 produ\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a. O jogo de som unificado ou cacof\u00f4nico no Trensurb n\u00e3o pode ser reduzido a dois polos completamente dominantes e que monopolizam a experi\u00eancia. Existe um revezamento, quase uma dan\u00e7a, onde ora a m\u00e1quina se imp\u00f5e, ora o som \u00e9 org\u00e2nico. Ora \u00e9 mon\u00f3tono, ora \u00e9 pontual.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h2><b>EMBARCAR NOS GESTOS POL\u00cdTICOS<\/b><\/h2>\n<div id=\"attachment_1604\" style=\"width: 501px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1604\" class=\"wp-image-1604\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM6-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"491\" height=\"651\" \/><p id=\"caption-attachment-1604\" class=\"wp-caption-text\">Foto 06: Trem chegando em uma das esta\u00e7\u00f5es.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O nosso percurso iniciou-se em uma Esta\u00e7\u00e3o Mercado movimentada. Algumas das entradas para a parte subterr\u00e2nea, onde ficam os guich\u00eas de passagens e o acesso \u00e0s plataformas, est\u00e3o fechadas &#8211; cicatrizes da enchente de maio de 2024, que paralisou o sistema completamente por v\u00e1rias semanas. Assim que pusemos os p\u00e9s na plataforma, logo chegou o trem.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pressa era o esp\u00edrito geral da massa de pessoas. Mesmo no subterr\u00e2neo, \u00e9 poss\u00edvel ouvir o pesado ve\u00edculo se aproximando da \u00e1rea de embarque. A vibra\u00e7\u00e3o faz press\u00e3o sobre o concreto do t\u00fanel de acesso \u00e0s plataformas e este ru\u00eddo, por sua vez, pressiona os passageiros, como se dissesse \u201cvenha, estou te esperando\u201d. J\u00e1 neste in\u00edcio de viagem era poss\u00edvel presenciar alguns tensionamentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Onde nos sent\u00e1vamos? Dentro dos vag\u00f5es do trem mais novo, assentos com cor azul s\u00e3o preferenciais \u2013 para idosos, gestantes, PCD&#8217;s \u2013 estando os demais, em cor laranja, livres para todos. As placas avisam: na aus\u00eancia de pessoas com prefer\u00eancia, est\u00e1 liberado o uso para todos. Claro, a ideia da regra \u00e9 criar um espa\u00e7o de conviv\u00eancia pac\u00edfico e permitir o quanto seja poss\u00edvel uma experi\u00eancia ison\u00f4mica de viagem a todos os passageiros. Entramos e sentamos ocupando um dos assentos regulares e dois preferenciais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desconforto com o policiamento constante da placa foi sentido. Mas n\u00e3o percebemos outros usu\u00e1rios com prefer\u00eancia para que precis\u00e1ssemos ceder lugar. Al\u00e9m disso, o conforto vinha em perceber que outros assentos preferenciais, em outros pontos do vag\u00e3o, tamb\u00e9m estavam ocupados por pessoas aparentemente t\u00e3o regulares quanto n\u00f3s tr\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No acesso \u00e0s plataformas, mais um desses pequenos inc\u00f4modos. Precis\u00e1vamos deixar um dos lados da escada-rolante livre para aqueles que desejarem percorr\u00ea-la caminhando? Apesar do hor\u00e1rio movimentado, a densidade de pessoas n\u00e3o era o suficiente para ocupar totalmente os degraus m\u00f3veis. Permanecemos parados no meio do equipamento, subindo conforme seu movimento. Ali n\u00e3o havia placas para indicar o \u201ccorreto\u201d. Que nem o som, esse parece ser tamb\u00e9m o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">modus operandi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do Trensurb. As regras s\u00e3o feitas atrav\u00e9s do que n\u00e3o \u00e9 dito.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1610\" style=\"width: 269px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1610\" class=\"wp-image-1610\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM1-CERTO-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"342\" \/><p id=\"caption-attachment-1610\" class=\"wp-caption-text\">Foto 07: Parte da esta\u00e7\u00e3o Canoas. Na frente, temos uma placa de sinaliza\u00e7\u00e3o com a escrita &#8220;Nunca ultrapassar. \u00c1rea Restrita&#8221;. No fundo, temos um espelho, um sem\u00e1foro e outra placa, com o aviso de &#8220;Homens Trabalhando&#8221;. Um muro vazado de concreto e a paisagem da cidade com \u00e1rvores e pr\u00e9dios ao fundo.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trem se imp\u00f5e sobre os passageiros. O ve\u00edculo, as esta\u00e7\u00f5es, os pant\u00f3grafos que distribuem a eletricidade que faz o comboio andar, se unem para formar uma entidade que nos domina enquanto passageiros. \u00c9 um sistema tecnocr\u00e1tico que delimita as nossas possibilidades. Se, para Lefebvre, \u201co urbanismo transforma nosso espa\u00e7o de vida em um habitat, uma m\u00e1quina de viver\u201d (LEFEBVRE, 1999 apud ABREU, 2018), o Trensurb transforma as cidades por ele ligadas em uma linha. O seu percurso \u00e9 um grande tra\u00e7ado que vai se dobrando por entre bairros, vias, corpos d\u2019\u00e1gua\u2026 O seu som \u00e9 mon\u00f3tono e remete ao tinnitus, o zumbido chato e incessante no ouvido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel perceber essas pequenas \u201cquebras\u201d nos tratos n\u00e3o codificados. Nos trechos de trens lotados, passageiros se escoram nas portas, uma pr\u00e1tica desencorajada oficialmente pela operadora do sistema em cartazes e adesivos, mas que, de forma geral, n\u00e3o apresenta maiores riscos ou disrup\u00e7\u00f5es na experi\u00eancia daqueles \u00e0 sua volta. A maior parte das esta\u00e7\u00f5es tem desembarque por um mesmo lado do ve\u00edculo, ajudando na dissemina\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesses pequenos gestos, que n\u00e3o influenciam fortemente o fluxo unidirecional e impositivo das regras e infraestruturas estabelecidas, os passageiros configuram aquilo que Certeau chama de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">lendas <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(legendas). S\u00e3o as oportunidades de criar a pr\u00f3pria narrativa numa realidade que as suprime. O autor indica que \u201cpela possibilidade que oferecem de esconder ricos sil\u00eancios e desafiar hist\u00f3rias sem palavras (&#8230;) as legendas locais permitem sa\u00eddas, meios de sair e de entrar e, portanto, espa\u00e7os de habitabilidade\u201d, e posteriormente que \u201ca viagem substitui as legendas que abriam o espa\u00e7o para o outro\u201d. Mesmo no Trensurb, \u00e9 poss\u00edvel ignorar o barulho. Seja por ouvir uma m\u00fasica, assistir a v\u00eddeos curtos de rede social ou televis\u00e3o em streaming, a subjetividade individual do som se configura como resist\u00eancia a obstina\u00e7\u00e3o tecnocr\u00e1tica do ru\u00eddo e das regras.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1606\" style=\"width: 304px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1606\" class=\"wp-image-1606\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/TREM2-768x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"294\" height=\"387\" \/><p id=\"caption-attachment-1606\" class=\"wp-caption-text\">Foto 08: Esta\u00e7\u00e3o Novo Hamburgo, final da linha do Trensurb, durante a noite.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 bom admitir que um dos colegas, ao final da viagem de volta, recusou-se a continuar o trabalho e colocou seus fones de ouvido, a fim de distrair-se da dor de cabe\u00e7a que come\u00e7ava a incomodar. Do mesmo modo que Marra e Vale (2020) apontam, a balb\u00fardia \u201c\u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o entre un\u00edssonos\u201d e que ela \u201cabre brechas para que agentes menores se imponham\u201d, fazendo com que esses pequenos gestos sejam tentativas dos passageiros de fazerem valer a sua vontade sobre o barulho dos trilhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o estamos falando de a\u00e7\u00f5es politizadas por si s\u00f3, mas sim do espa\u00e7o politizante que \u00e9 o Trensurb, suas esta\u00e7\u00f5es e consequentes mobilidades. Assim como Certeau declara, podemos fazer essas pr\u00e1ticas microbianas. A\u00e7\u00f5es singulares, plurais, ileg\u00edveis, imposs\u00edveis de serem controladas. Lutar contra essa racionalidade imposta pela modernidade, seja pela transgress\u00e3o ou driblando e reinventando o cotidiano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem sabe seja essa a pot\u00eancia de escrever sobre um espa\u00e7o do qual n\u00e3o sabemos muito sobre, no qual a rotina \u00e9 coisa nova. Perceber a agita\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o como fen\u00f4meno, deixar-se seduzir pelo mar de pessoas, pelas cacofonia de barulhos que se mesclam, espantar-se com a velocidade do trem. Entramos no Trensurb com o intuito de ocupar esse cotidiano, que costumamos frequentar de maneira passiva, e o deslocar para uma viv\u00eancia atenta, atra\u00edda pelo charme do banal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ANDAR NA LINHA: O barulho do Trensurb enquanto cria\u00e7\u00e3o urbana sonora\" width=\"584\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bu1gjjwP1Vs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<pre><em>V\u00eddeo 01: Pequeno trecho de nossa viagem no Trensurb. \r\nAparece uma parte da janela do trem, e o v\u00eddeo treme \r\nconforme o vag\u00e3o passa pelos trilhos. Ao fundo, uma \r\npaisagem de cidade.<\/em><\/pre>\n<hr \/>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ABREU, Miriam Santini. <\/span><b>Cr\u00edtica da cobertura jornal\u00edstica sobre a luta por moradia na perspectiva do urbanismo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Joinville, SC: Intercom 2018. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.portalintercom.org.br\/anais\/nacional2018\/indiceautor.htm#M. Acesso em 15 nov. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">AUG\u00c9, Marc. <strong>N\u00e3o-lugares: Introdu\u00e7\u00e3o a uma antropologia da supermodernidade<\/strong>. Campinas, SP: Papirus, 1994.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CERTEAU, Michel de. <strong>A inven\u00e7\u00e3o do cotidiano: Artes de fazer<\/strong>. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1994.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">FRASER, Marie. <strong>Do lugar ao n\u00e3o-lugar: da mobilidade \u00e0 imobilidade<\/strong>. (2010). REVISTA POI\u00c9SIS, 11(15), 229-241. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.22409\/poiesis.1115.229-241\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/doi.org\/10.22409\/poiesis.1115.229-241<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/p>\n<p>MARRA, P. S.; DO VALE, A. B. M.\u00a0<strong>Un\u00edssono e Balb\u00fardia: Sonoridades de protestos e manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de rua no Brasil<\/strong>. Revista Eco-P\u00f3s;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SCHNEIDER, Luiz C. <strong>Lugar e n\u00e3o-lugar: espa\u00e7os da complexidade<\/strong>. (2015). \u00c1gora, 17(1), 65-74. <\/span><a href=\"https:\/\/doi.org\/10.17058\/agora.v17i1.5311\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/doi.org\/10.17058\/agora.v17i1.5311<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">;<\/span><\/p>\n<p>TROTTA, Felipe da Costa.\u00a0<strong>Gosto musical, moral e inc\u00f4modos<\/strong>. MATRIZes, S\u00e3o Paulo, Brasil, v. 17, n. 2, p. 25\u201348, 2023. DOI: 10.11606\/issn.1982-8160.v17i2p25-48.<\/p>\n<p><em>Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter e mestrando Gabriel Guedes Gil. Publicada na edi\u00e7\u00e3o #2 da revista digital Z: Zonas Zumbidos e um Zilh\u00e3o de Coisas. <\/em><i><em>Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2025.<\/em><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Z: Zonas, Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de Coisas Por Arthur Mezzacasa, Augusto Schu e Manu Couto (\u00c1udio criado a partir de viagens dos integrantes no Trensurb entre 25 de outubro e 09 de novembro de 2025. Recomendamos que escutem o &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/andar-na-linha\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[545],"tags":[544,371,405,543,542],"class_list":["post-1547","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-z-zonas","tag-nao-lugar","tag-porto-alegre","tag-ruido","tag-sonoridades","tag-trensurb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1547"}],"version-history":[{"count":32,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1547\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1892,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1547\/revisions\/1892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}