{"id":1549,"date":"2025-11-26T20:33:45","date_gmt":"2025-11-26T23:33:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1549"},"modified":"2025-12-10T18:22:49","modified_gmt":"2025-12-10T21:22:49","slug":"entre-o-rebolado-e-a-coreografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/11\/26\/entre-o-rebolado-e-a-coreografia\/","title":{"rendered":"Entre o rebolado e a coreografia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Z: Zonas Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de Coisas\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400;\">por Guilherme Vivan, Linda Schwarz, Luiza Weiler, Nicoly Ram\u00e3o e Raquel Bruhn<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O cen\u00e1rio musical nacional contempor\u00e2neo se expandiu muito al\u00e9m das m\u00fasicas brasileiras e angl\u00f3fonas, abrindo espa\u00e7o para que sonoridades de diversos continentes circulem e criem novas comunidades de escuta. Nossa inten\u00e7\u00e3o inicial era observar esse fen\u00f4meno na festa de K-pop Black Cherry, mas, ao ampliar o olhar, percebemos que din\u00e2micas semelhantes acontecem tamb\u00e9m no funk, no reggaeton e em outras express\u00f5es musicais que ressoam territorialidades, afetos e disputas. Para Proto (2019):<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">A complexidade e discrep\u00e2ncia s\u00f3cio-cultural que se instaura no Brasil \u00e9\u00a0 o que dita o caosmo destas polifonias territoriais, que organizam-se no\u00a0 fluxo das linhas de escape, atrav\u00e9s da arte e da insurg\u00eancia, em busca de estabelecer uma resist\u00eancia pol\u00edtica, cultural e emergencial. (PROTO, 2019. p. 122)<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, decidimos analisar n\u00e3o apenas a festa de K-pop, mas tamb\u00e9m uma festa de reggaeton, a fim de compreender como se d\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o de consumo e afeto dos f\u00e3s com esses g\u00eaneros musicais dentro do fen\u00f4meno da festa aqui em Porto Alegre. Quer\u00edamos compreender como o p\u00fablico interage com esses g\u00eaneros musicais estrangeiros, relativamente novos, e que tem feito bastante sucesso. Tamb\u00e9m t\u00ednhamos o desejo de observar a forma como a m\u00fasica se manifestava em cada um dos eventos: entender como o som, no lugar de institui\u00e7\u00e3o social, cultural e pol\u00edtica, aproximava e distanciava cada um desses estilos e dessas comunidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dia 24 de outubro, fomos em uma festa de m\u00fasica latina, a Caliente, edi\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Noche de Los Muertos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, que aconteceu no bar Ocidente. A festa era dividida entre a pista \u201clatina\u201d, onde tocavam m\u00fasicas majoritariamente em espanhol, enquanto a pista do segundo andar tocava m\u00fasica brasileira. E, no pr\u00f3ximo dia, depois de n\u00e3o tanto sono, mas bastante caf\u00e9, fomos numa festa de K-pop, a Black Cherry. Tamb\u00e9m era uma edi\u00e7\u00e3o de Halloween, desta vez na Workroom.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os locais das duas festas s\u00e3o bem diferentes. Fundado em 1980 no cora\u00e7\u00e3o do Bom Fim, o bar Ocidente \u00e9 uma das casas de festa mais antigas da cidade de Porto Alegre, com um p\u00fablico fiel frequentador do espa\u00e7o. \u00c9 t\u00e3o tradicional que sequer precisa de um letreiro, se destacando apenas como um pr\u00e9dio amarelo na esquina da Osvaldo Aranha. <\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1647\" style=\"width: 729px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1647\" class=\"wp-image-1647 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1-Latina-print-google-maps-ocidente.png\" alt=\"\" width=\"719\" height=\"547\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1-Latina-print-google-maps-ocidente.png 719w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1-Latina-print-google-maps-ocidente-300x228.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1-Latina-print-google-maps-ocidente-394x300.png 394w\" sizes=\"auto, (max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><p id=\"caption-attachment-1647\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-weight: 400;\">A fachada leva apenas um discreto s\u00edmbolo gr\u00e1fico do ocidente na grade da janela, o c\u00edrculo preto com um ponto vermelho. Foto: Google Maps<\/span><\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em contrapartida, o Workroom \u00e9 um local de refer\u00eancia entre a comunidade alternativa de Porto Alegre. Bar de drag, o espa\u00e7o \u00e9 recheado de cores vibrantes por todos os lados, manifestos pol\u00edticos que decoram as paredes e luzes multicoloridas que contribuem para criar uma ambienta\u00e7\u00e3o intensa. Infelizmente, o bar estava se preparando para encerrar suas atividades s\u00f3 uma semana depois da Black Cherry de Halloween, no dia 1\u00b0 de novembro. De acordo com a DJ da Black Cherry \u00c1gatha Souza, \u201c\u00c9 um espa\u00e7o que era muito necess\u00e1rio, principalmente para a comunidade drag. Foi meio inesperado, ainda mais nesse meio pol\u00edtico atual de Porto Alegre. \u00c9 um ponto de resist\u00eancia a menos.\u201d<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1646\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1646\" class=\"wp-image-1646 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan-450x300.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2-Kpop-Guilherme-Vivan.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1646\" class=\"wp-caption-text\">Letreiro luminoso da Workrooom era um farol no meio da rua deserta e at\u00e9 na frente da boate enchia de gente, que sa\u00eda para fumar e conversar. Foto: Guilherme Vivan<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar disso, J\u00falia Rocha, uma das organizadoras e tamb\u00e9m DJ da festa, destaca que a Black Cherry \u00e9 uma festa itinerante, e deve continuar ocupando espa\u00e7os de express\u00e3o alternativa na Capital e na regi\u00e3o metropolitana. De acordo com ela, o desenvolvimento da festa acompanha as mudan\u00e7as no mundo do K-pop h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. \u201cA Black Cherry existe desde 2011 e ela era l\u00e1 em S\u00e3o Leopoldo na \u00e9poca. A gente alugava vanzinhas para fazer caravana pra ir juntos. Ela iniciou com uma festa de J-rock e K-pop, as duas coisas juntas, e depois evoluiu para uma festa s\u00f3 de K-pop\u201d, conta ela.<\/span><\/p>\n<h2><b>O que a galera quer escutar\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um dos melhores lugares para entender quem \u00e9 o p\u00fablico de uma festa \u00e9 na fila. Na Caliente, a primeira a chegar foi a Raquel, que p\u00f4de observar as pessoas chegando, bebendo, fumando, e entrando na casa. A idade do p\u00fablico chamava a aten\u00e7\u00e3o, a maioria com mais de 30 anos, mais velhos que a gente. Ainda do lado de fora, algumas pessoas um pouco mais jovens falavam em espanhol, as mesmas que horas depois dariam seus depoimentos em uma entrevista no fum\u00f3dromo da festa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quanto \u00e0 sexualidade, na Black Cherry, o p\u00fablico majoritariamente LGBTQIAP+ fortalecia o senso de comunidade. Na Caliente, a configura\u00e7\u00e3o heteronormativa era respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de uma tens\u00e3o entre os frequentadores dos dois g\u00eaneros. De acordo com Trotta (2023), todas as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, quando s\u00e3o permeadas pela m\u00fasica, abrem margem para a cria\u00e7\u00e3o de inc\u00f4modos e ang\u00fastias:<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Proponho aqui pensar o gosto musical no sentido inverso. N\u00e3o apenas como um elemento que agrega sensibilidades convergentes ou divergentes (como os \u201chaters\u201d), mas como um contexto norteador de movimentos de recha\u00e7o a determinadas experi\u00eancias musicais que funciona como potencializador de inc\u00f4modos. (TROTTA, 2023, p. 26)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, na festa no Ocidente, pudemos observar a manifesta\u00e7\u00e3o desse inc\u00f4modo na proximidade e frequ\u00eancia com a qual os homens abordam as mulheres, causando um ambiente por vezes desconfort\u00e1vel para as participantes do g\u00eanero feminino. Naquele ambiente, a m\u00fasica com letras e dan\u00e7as marcadas pela sensualidade parecia atuar como um potencializador para mais express\u00f5es do cunho do desejo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Caliente, havia muitos casais em ambas as pistas, mas os da pista brasileira pareciam mais animados. Entre si, compartilhavam mais beijos, mais abra\u00e7os, mais dan\u00e7a \u201cagarradinha\u201d. Christian, um colombiano de Bogot\u00e1 que mora em Porto Alegre h\u00e1 oito meses, acredita que essa caracter\u00edstica seja uma diferen\u00e7a cultural. \u201cEm termos de festa, diria que o relacionamento com as pessoas \u00e9 bem diferente aqui [no Brasil]\u201d, conta, \u201cN\u00e3o quero ser expl\u00edcito, mas aqui as quest\u00f5es interpessoais s\u00e3o de muito mais confian\u00e7a do que como acontece em Bogot\u00e1. Esses relacionamentos n\u00e3o se d\u00e3o em um primeiro encontro como acontece muitas vezes aqui no Brasil. Essa \u00e9 uma grande diferen\u00e7a para mim\u201d.<\/span><\/p>\n<h2><strong>Festa Morta-Viva<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #ff00ff;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">T\u00f4 me preparando para festa latina e pensando na roupa. Ser\u00e1 que vou com a camiseta de turista escrito Machu Picchu, alguma do brasil ou aquela que acabei de comprar da URSAL (Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas da Am\u00e9rica Latina). N\u00e3o que eu tenha ido pro Peru ou conhecido a URSAL kkkkk, comprei todas no brech\u00f3 mesmo. Decido ir com a da URSAL. Talvez algu\u00e9m ache engra\u00e7ado e queira falar com a gente. Chamo meu motot\u00e1xi e vou pro Ocidente sentindo o vento forte ao som de Tropicoqueta da Karol G no fone pra entrar no clima.<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chegamos l\u00e1, no<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\"> D\u00eda de los Muertos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do Ocidente. Uma sexta-feira \u00e0 noite perfeita: clima ameno, ar prop\u00edcio e c\u00e9u limpo. Aquele tipo de noite que parece feita pra coisas boas acontecerem. Em Porto Alegre, o Ocidente \u00e9 quase um mito bo\u00eamio da cidade. Mas pra maioria de n\u00f3s, era a primeira vez.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Est\u00e1vamos animados e, quando entramos mais ou menos \u00e0s 23h30 esper\u00e1vamos uma pista fervendo e encontramos meia d\u00fazia de pessoas mais velhas, uns casais desanimados, uma galera perdidos. Ser\u00e1 que chegamos cedo demais? A gente olhava uns pros outros com aquela cara de \u201c\u00e9 isso?\u201d. Faz\u00edamos anota\u00e7\u00f5es, n\u00e3o dan\u00e7\u00e1vamos. O corpo parado, o olhar anal\u00edtico. E isso j\u00e1 era um sinal. Est\u00e1vamos buscando por algo, sem ter nenhuma pista de energia, acontecimento ou frenesi.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Resolvemos ent\u00e3o fazer a maquiagem do dia de los muertos. Por que n\u00e3o? Era gratuito, chegar e fazer. Na fila, vemos algumas pessoas sentadas, que pareceriam ser do Chile ou Col\u00f4mbia. Sentimos alguns olhares, especialmente de homens. Com um grupo majoritariamente de mulheres, est\u00e1vamos nos sentindo desconfort\u00e1veis. Decidimos ver se a maquiagem nos animaria.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"La Fiesta Latina\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hRKjbnFLNIo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maaaas, depois de um tempinho na fila o espa\u00e7o come\u00e7ou a ficar um pouco mais recheado de gente e de dan\u00e7a e nos surpreendemos com o quanto deu pra aproveitar a pista de m\u00fasica latina. As m\u00fasicas foram muito envolventes e o cora\u00e7\u00e3o latino se rendeu. Os sons eram de t\u00e3o longe geograficamente, e ao mesmo tempo t\u00e3o perto culturalmente. Fic\u00e1vamos procurando identifica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1549-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Voz-017.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Voz-017.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Voz-017.mp3<\/a><\/audio>\n<div id=\"attachment_1666\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1666\" class=\"size-large wp-image-1666\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda-450x300.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/7-Latina-Linda.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1666\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esse divo que esperava conosco na fila de maquiagem mais tarde iria distribuir uns shots de tequila direto da garrafa aompanhados de uma sacudida na cabe\u00e7a de quem tomava. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Linda Esperanza <\/span><\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando vimos que uma das integrantes do grupo chegou com uma blusa bem curta, falamos \u201c\u00a1Ui que latina!\u201d. Cada pe\u00e7a de roupa, gesto e fala eram um sinal da nossa pr\u00f3pria latinidade que nos orgulha. Mesmo assim, n\u00e3o foi uma festa t\u00e3o boa. Sentimos que est\u00e1vamos nos esfor\u00e7ando para curtir, trocamos de pista e de lugar constantemente, \u00e0 procura de algo que n\u00e3o estava l\u00e1.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fora do Brasil, ser latino \u00e9 motivo de orgulho. Na Caliente, sentimos o que \u00e9 ser latino no restante da Am\u00e9rica Latina. Dentro do Brasil, nem entendemos direito nossas diferen\u00e7as, principalmente na palavra latino. Essa festa parecia mais nos diferenciar do que unir-nos. Os brasileiros para c\u00e1 num andar, o resto para l\u00e1, noutro andar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parece que a festa n\u00e3o teve uma conex\u00e3o identit\u00e1ria entre os participantes t\u00e3o grande, como ver\u00edamos na Black Cherry, no dia seguinte. Faz sentido, afinal n\u00e3o era uma festa para um g\u00eanero, como reggaeton, era s\u00f3 uma festa \u201clatina\u201d &#8211; conceito bastante amplo. No p\u00fablico, n\u00e3o v\u00edamos uma riqueza de s\u00edmbolos ou semelhan\u00e7as indicando comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pista brasileira tocou bastante forr\u00f3, e algumas coisas mais tradicionais, em vez de pop, funk e rap, g\u00eaneros brasileiros mais exportados para outros pa\u00edses. Era uma playlist com mais complexidade do que o estere\u00f3tipo estrangeiro de m\u00fasica brasileira. Ao contr\u00e1rio da festa latina, que tocou apenas o reggaeton e salsa. Isso se confirmou a partir da nossa entrevista com C\u00e9sar, um mexicano de 34 anos que mora h\u00e1 um pouco mais de um ano em Porto Alegre.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho que o povo brasileiro acredita muito que o neg\u00f3cio da m\u00fasica hispana \u00e9 muito reggaeton. Mas nem sempre. Tipo, reggaeton foi bem da Col\u00f4mbia, do Caribe. Mas, no M\u00e9xico, na real, a gente tem m\u00fasica muito diferente. M\u00fasica que at\u00e9 certo ponto \u00e9 muito mais parecida que sertanejo e forr\u00f3, sabe? [&#8230;] Ent\u00e3o, \u00e9 bem diferente, pelo menos aqui agora no ocidente, t\u00e1 rolando um neg\u00f3cio de m\u00fasica latina hisp\u00e2nica ser reggaeton e salsa. Ok. Mas isso n\u00e3o envolve todos os pa\u00edses que falam espanhol, entendeu? [&#8230;] At\u00e9 certo ponto, eu consigo me identificar um pouco tamb\u00e9m com essa m\u00fasica, principalmente porque a letra \u00e9 em espanhol.\u201d<\/span><\/i><\/p>\n<div id=\"metaslider-id-1766\" style=\"width: 100%;\" class=\"ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-1766 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base\" role=\"region\" aria-label=\"Caliente OK\" data-height=\"1080\" data-width=\"1920\">\n    <div id=\"metaslider_container_1766\">\n        <div id=\"metaslider_1766\">\n            <ul aria-live='off' class='slides'>\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-1772 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"4.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/4.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1772 msDefaultImage\" title=\"4.-Latina\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Linda Esperanza<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1771 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"3.-Latina-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/3.-Latina-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1771 msDefaultImage\" title=\"3.-Latina\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Linda Esperanza<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1768 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"1.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1768 msDefaultImage\" title=\"1.-Latina\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Linza Esperanza<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1774 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:28\" data-filename=\"6.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1774 msDefaultImage\" title=\"6.-Latina\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Linda Esperanza<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1769 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"20251025_022204-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/20251025_022204-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1769 msDefaultImage\" title=\"20251025_022204\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Linda Esperanza<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1773 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"5.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5.-Latina-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1773 msDefaultImage\" title=\"5.-Latina\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1770 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:29:27\" data-filename=\"20251025_023448-scaled-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/20251025_023448-scaled-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1766 slide-1770 msDefaultImage\" title=\"20251025_023448\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Raquel Bruhn<\/div><\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><b>Na festa de k-pop, q<\/b><b>ual o seu idol favorito?\u00a0<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes mesmo da festa, j\u00e1 t\u00ednhamos expectativas positivas. Conversamos previamente com a J\u00falia Rocha e a \u00c1gatha Souza, DJs envolvidas na Black Cherry. Ambas exalaram uma real paix\u00e3o por m\u00fasica, por performance e por criar um espa\u00e7o seguro e acolhedor para quem ama o K-pop.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #ff00ff;\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Combinei de uma amiga minha de vir na minha casa para nos arrumarmos e irmos juntas para a festa. Tomei banho, me vesti e quando ela chegou fomos para o meu quarto. Mostrei para ela minha cole\u00e7\u00e3o de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">photocards<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Come\u00e7amos a nos maquiar enquanto convers\u00e1vamos sobre o mundo do K-pop, sobre m\u00fasicas novas, m\u00fasicas velhas, fofocas de grupos e etc. Comentei com ela que eu passei algum tempo meio distante do K-pop e por isso estava escutando uma playlist com os lan\u00e7amentos mais novos para me \u201cinteirar\u201d sobre o assunto. Ningu\u00e9m quer parecer uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">poser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, certo? Conversamos tanto que sa\u00edmos de casa \u00e0s 23h30.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo sem todos conhecermos muito sobre o K-pop, pudemos perceber como essa comunidade funciona como um grupo extremamente diverso e, ao mesmo tempo, unido. Nas entrevistas que fizemos durante a festa, chamou aten\u00e7\u00e3o a variedade demogr\u00e1fica do p\u00fablico, pessoas completamente diferentes convivendo num mesmo espa\u00e7o sem estranheza, uma heterogeneidade que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o natural em outras festas e que costuma criar tens\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Perguntamos sobre fantasias, m\u00fasicas esperadas e percep\u00e7\u00f5es sobre a noite. As respostas mostraram uma expectativa forte t\u00edpica da comunidade K-pop: anima\u00e7\u00e3o, energia, coreografias e identifica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. Percebemos o preparo dos f\u00e3s. Para eles, n\u00e3o era simplesmente uma balada, houve um planejamento pr\u00e9vio, gastando tempo preparando as fantasias e aprendendo coreografias. Entre o p\u00fablico leigo, percebemos curiosidade, um certo estranhamento positivo e admira\u00e7\u00e3o pela dedica\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1645\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1645\" class=\"wp-image-1645 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian-450x300.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/3-Kpop-Guilherme-Vivian.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1645\" class=\"wp-caption-text\">O p\u00fablico vibrava em unidade, como uma onda que varria a pista de dan\u00e7a. Foto: Guilherme Vivan<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse sentimento tamb\u00e9m foi compartilhado pelas organizadoras, que ainda ficam impressionadas com o engajamento dos frequentadores. \u201cPara mim, o grande diferencial da Black Cherry \u00e9 o p\u00fablico. O pessoal sempre fala que o nosso p\u00fablico dan\u00e7a muito, porque o K-pop tem essa coisa da coreografia, n\u00e9? Ele \u00e9 um estilo musical muito visual, na minha percep\u00e7\u00e3o. Porque n\u00e3o \u00e9 um estilo que tu s\u00f3 escuta, o neg\u00f3cio \u00e9 tu assistir enquanto t\u00e1 escutando. Ele tem todo um neg\u00f3cio visual do conceito da roupa, da dan\u00e7a, de tudo\u201d, comenta J\u00falia. \u201cE a gente bota m\u00fasicas que o pessoal sabe dan\u00e7ar, porque o neg\u00f3cio mesmo \u00e9 que o pessoal vai pra festa pra dan\u00e7ar. N\u00e3o \u00e9 \u2018vou ir pra pegar gente, pra ficar b\u00eabado\u2019, n\u00e3o. O pessoal vai dan\u00e7ar mesmo\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma festa de K-pop, que envolve uma performance muito mais coreografada, pensada e simb\u00f3lica, contrastava com a Caliente que teve muito mais sensualidade, improviso, rebolado e intera\u00e7\u00e3o. Na Black Cherry, tudo parecia ensaiado, mesmo quando n\u00e3o era. A anima\u00e7\u00e3o surgia naturalmente, mas ao mesmo tempo havia um qu\u00ea perform\u00e1tico, algo que faz parte da cultura: dan\u00e7ar do jeito certo importa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse objetivo, de participar e fazer dan\u00e7as coreografadas, exp\u00f5e uma l\u00f3gica na constru\u00e7\u00e3o dos set radicalmente diferente entre as duas festas. Os DJs da Black Cherry precisam tocar m\u00fasicas que sejam bastante conhecidas e amplamente consumidas pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fandom <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">a ponto de decorarem a coreografia. Na festa latina, o objetivo \u00e9 muito mais de criar uma \u201cvibe\u201d. O p\u00fablico desconhecer a m\u00fasica tem um impacto menor porque n\u00e3o precisam ter preparado uma coreografia para serem afetados por ela do jeito desejado. As transi\u00e7\u00f5es mais longas e interven\u00e7\u00f5es dos DJs nas faixas tamb\u00e9m eram mais frequentes na Caliente do que na Black Cherry pelo mesmo motivo. Intervir demais nas m\u00fasicas de K-pop podia atrapalhar a coreografia, algo que n\u00e3o era um problema na festa latina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando subimos no palco para fotografar a DJ \u00c1gatha, conseguimos ver a pista toda. Na frente, todos dan\u00e7avam perfeitamente sincronizados. Sabiam cada passo, cada quebra e refr\u00e3o. \u00c9 assombroso ver algumas dezenas de pessoas se movimentando em sincronia sem qualquer ensaio conjunto pr\u00e9vio. Mais pra longe do palco a sincronia ia se diluindo em tentativas de acompanhar a coreografia.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vi\u0301deo K-Pop\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D6NUmd2ptq0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A make verde da DJ (pintada de Elphaba de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Wicked<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) derretia com o calor da casa cheia, mas ela seguia tocando com a energia contagiante e eventualmente se abanando com o leque. \u00c0s vezes uma ou duas pessoas subiam com ela no palco e dan\u00e7avam coreografias perfeitas, mas n\u00e3o era algo invasivo, era natural e respeitoso.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1643\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1643\" class=\"wp-image-1643 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian-450x300.jpg 450w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5-Kpop-Guilherme-Vivian.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1643\" class=\"wp-caption-text\">A DJ \u00c1gatha Souza ferveu e suou tanto que at\u00e9 retocamos a maquiagem verde na foto, que j\u00e1 tava derretendo. Foto: Guilherme Vivan<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso tamb\u00e9m despertou reflex\u00f5es sobre ambienta\u00e7\u00e3o: enquanto muitas festas ocidentais (trocadilho intencional) seguem uma l\u00f3gica mais hier\u00e1rquica (seguran\u00e7as r\u00edgidos, pouca intera\u00e7\u00e3o, receio com c\u00e2meras), o clima da Workroom era completamente diferente, \u00edntimo e participativo, quase familiar. Os seguran\u00e7as se mostraram tranquilos e acostumados com a pista mais perform\u00e1tica, fantasias, c\u00e2meras e grava\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O p\u00fablico, ent\u00e3o, amou as c\u00e2meras, algo que nem sempre acontece nas festas. \u00c0s vezes o ser registrado pode gerar inc\u00f4modo. Na Black Cherry, ao contr\u00e1rio, muita gente pedia pra aparecer, queria registrar, queria mostrar sua fantasia. Fomos confundidos com fot\u00f3grafos oficiais e tiramos fotos de um monte de gente\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1834\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1834\" class=\"wp-image-1834 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"876\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389-768x1151.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMG_5389.jpg 1366w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1834\" class=\"wp-caption-text\">O p\u00fablico veio em sua maioria fantasiado e alguns traziam elementos da comunidade K-pop. Na cal\u00e7a de uma delas podemos ver um photocard, um pequeno cart\u00e3o colecion\u00e1vel com a foto de um idol(artista de K-pop). Foto: Guilherme Vivan<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a pista realmente estava quente \u2014 MUITO quente. Quando fomos para o meio dela, a energia era ainda maior: mais apertado, mais calor, mais anima\u00e7\u00e3o. Distribu\u00edram pirulitos, todo mundo pegou, e isso virou outro s\u00edmbolo da festa, pequenos elementos que fortalecem ainda mais o senso de comunidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff00ff;\">&#8220;Em certos momentos eu senti vergonha de dan\u00e7ar, mas ao mesmo tempo me senti inspirada, ent\u00e3o fui observando e replicando como dava. E tudo isso sendo mulher: algo que, em outras festas, sempre vem acompanhado de inc\u00f4modos como olhares insistentes, cantadas ou falta de respeito. Aqui, ao contr\u00e1rio, me senti muito segura. As pessoas estavam focadas na m\u00fasica, na dan\u00e7a, nos grupos, e n\u00e3o em sexualizar corpos.&#8221;<\/span><\/p>\n<div id=\"metaslider-id-1750\" style=\"width: 100%;\" class=\"ml-slider-3-110-0 metaslider metaslider-flex metaslider-1750 ml-slider has-dots-nav ms-theme-default-base\" role=\"region\" aria-label=\"Black Cherry\" data-height=\"1080\" data-width=\"1920\">\n    <div id=\"metaslider_container_1750\">\n        <div id=\"metaslider_1750\">\n            <ul aria-live='off' class='slides'>\n                <li style=\"display: block; width: 100%;\" class=\"slide-1755 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:54\" data-filename=\"5.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/5.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1755 msDefaultImage\" title=\"5.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1751 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:54\" data-filename=\"9.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/9.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1751 msDefaultImage\" title=\"9.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1752 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:54\" data-filename=\"8.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/8.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1752 msDefaultImage\" title=\"8.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1753 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:54\" data-filename=\"7.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/7.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1753 msDefaultImage\" title=\"7.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1754 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:54\" data-filename=\"6.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/6.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1754 msDefaultImage\" title=\"6.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1760 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"14.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/14.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1760 msDefaultImage\" title=\"14.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1759 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"15.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/15.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1759 msDefaultImage\" title=\"15.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1763 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"11.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/11.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1763 msDefaultImage\" title=\"11.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1762 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"12.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/12.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1762 msDefaultImage\" title=\"12.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1764 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"10.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/10.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1764 msDefaultImage\" title=\"10.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n                <li style=\"display: none; width: 100%;\" class=\"slide-1765 ms-image \" aria-roledescription=\"slide\" data-date=\"2025-12-02 13:20:55\" data-filename=\"1.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" data-slide-type=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1.-Kpop-1-1920x1080.jpg\" height=\"1080\" width=\"1920\" alt=\"\" class=\"slider-1750 slide-1765 msDefaultImage\" title=\"1.-Kpop-1\" \/><div class=\"caption-wrap\"><div class=\"caption\"><div>Foto: Guilherme Vivan<\/div><\/div><\/div><\/li>\n            <\/ul>\n        <\/div>\n        \n    <\/div>\n<\/div>\n<h2><b>Dif\u00edcil caber a express\u00e3o musical de um pa\u00eds num set, n\u00e9?<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O som nas duas festas visitadas \u00e9 o que transforma o local em territ\u00f3rio, o grupo em comunidade. E para n\u00f3s, a maior diferen\u00e7a entre as festas foi justamente a rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com o g\u00eanero musical de outro pa\u00eds, fora do \u201cmainstream\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAo analisarmos estas manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais, percebemos estar diante de processos performativos de ordem ef\u00eamera que, atrav\u00e9s de agentes sonoros expressivos capazes de produzir um territ\u00f3rio mut\u00e1vel, questionam o complexo arte-cultura legitimado institucional e socialmente.\u201d (PROTO, 2019. p. 121)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na festa latina, a m\u00fasica era um plano de fundo, era apenas o tema da festa, j\u00e1 na de K-pop, o g\u00eanero \u00e9 algo celebrado, comemorado, compartilhado. Com isso, podemos pensar a festa latina como uma balb\u00fardia, pessoas conversando, flertando, bebendo enquanto uma m\u00fasica toca e poucos sabem a letra. J\u00e1 na festa de K-pop, o que escutamos \u00e9 o un\u00edssono dos f\u00e3s cantando palavra por palavra, em ingl\u00eas ou, mesmo, em coreano, e dos p\u00e9s batendo ch\u00e3o de forma sincronizada enquanto a maioria dan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Caliente, as m\u00fasicas eram parecidas, bem animadas, com um ritmo r\u00e1pido. Era imposs\u00edvel ficar parado, mesmo n\u00e3o conhecendo a m\u00fasica. \u00c0s vezes tinham remix de m\u00fasicas com um toque de m\u00fasica eletr\u00f4nica. O que faz sentido, considerando o ritmo e a velocidade das batidas do reggaeton. Enquanto isso, na pista das brasilidades estava tocando m\u00fasicas de g\u00eaneros como o forr\u00f3 e mpb, com um ritmo mais embalado, mais rom\u00e2ntico. J\u00e1 na festa de K-pop, em meio \u00e0s performances, existia uma troca de ritmos. O K-pop consegue misturar estilos diferentes em apenas uma m\u00fasica, com partes mais puxadas para o hip hop, outras partes mais pop e outras mais eletr\u00f4nicas. A m\u00fasica \u00e9 t\u00e3o bem trabalhada e constru\u00edda que essas mudan\u00e7as podem nem ser percebidas por algu\u00e9m de fora da comunidade. Na festa de K-pop tamb\u00e9m ouvimos remix, mas dessa vez era de K-pop com funk dos anos 2000, um momento muito esperado e especial tanto para os frequentadores como para a DJ. Quando o Brasil se conecta com a Coreia, quando dois g\u00eaneros se tornam um.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Caliente tamb\u00e9m ouvimos funk. Isso chamou aten\u00e7\u00e3o porque foi um g\u00eanero musical brasileiro que apareceu nas duas festas com bastante destaque. E causou nos p\u00fablicos de ambas um \u00eaxtase, acendendo uma explos\u00e3o de rebolado pela pista e deixando a dan\u00e7a mais fren\u00e9tica ainda. \u00c9 como se, para esses p\u00fablicos, fosse uma necessidade dan\u00e7ar esse ritmo. Parece que o g\u00eanero \u00e9 uma exig\u00eancia para atingirmos um estado org\u00e1smico de movimentos que buscamos quando vamos a uma balada, at\u00e9 dan\u00e7ar sem ter mais qualquer pensamento na cabe\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No p\u00f3s-festa, revisitando as fotos e lembrando da vibe, percebemos o quanto essa experi\u00eancia foi marcante. A Black Cherry apresentou muitos de n\u00f3s a uma cultura musical que n\u00e3o conhec\u00edamos, mas que nos recebeu de bra\u00e7os abertos. A Caliente deveria ser uma orgia. E demorou, mas no final encontramos o frenesi que busc\u00e1vamos. Mas existe maior orgia do que rever amigos antigos, conhecer novas pessoas, entrevistar pessoas com ideias, sentimentos e culturas diferentes, analisar festas, e se conectar com amigos da faculdade? Que tes\u00e3o transformar uma festa flopada e uma festa desconhecida em um acontecimento marcante. E ainda dan\u00e7ar por entre linhas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembra um verso da Marina Lima que ouvimos na primeira festa \u201cA felicidade n\u00e3o est\u00e1 escondida nem no passado e nem no futuro\u201d. Temos capacidade de criar momentos de alegria. Se fantasiando, comungando, aglomerando, dan\u00e7ando, cantando. Expressando nossos sentimentos e tamb\u00e9m pertencendo a uma identidade cultural ou a uma tribo, um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fandom.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entramos nas festas com o intuito de observar a rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico brasileiro com dois\u00a0 g\u00eaneros musicais n\u00e3o-angl\u00f3fonos que foram submetidos a um processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Sa\u00edmos dos dois eventos, no entanto, com uma pilha de impress\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es que resultaram em uma an\u00e1lise bem mais complexa e \u00edntima do que hav\u00edamos antecipado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar das diferencia\u00e7\u00f5es apontadas anteriormente sobre o ambiente e o p\u00fablico, h\u00e1 pontos de converg\u00eancia entre as duas noites. As experi\u00eancias vivenciadas na Caliente e na Black Cherry revelam um movimento singular sobre o envolvimento do p\u00fablico brasileiro com os g\u00eaneros escutados (reggaeton, salsa, K-pop): um fluxo de afastamentos e fric\u00e7\u00f5es que dialogam entre si e, eventualmente, produzem conflito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa tens\u00e3o e atrito que atravessam toda a cena se manifestam de maneiras distintas conforme as circunst\u00e2ncias do ambiente e a subjetividade de cada um dos frequentadores. Ainda \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, apreender um senso de comunidade nos dois casos, que \u00e9 constru\u00eddo sobre os princ\u00edpios mais fundamentais de qualquer <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">rol\u00ea <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 a m\u00fasica, a pista e as pessoas dan\u00e7ando. S\u00e3o essas caracter\u00edsticas que permitem uma forma de \u201cinterven\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, e que transformam a participa\u00e7\u00e3o nas festas num ato de resist\u00eancia por si s\u00f3. De acordo com Fernandes:<\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 120px;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPodemos pensar como a ideia de cont\u00e1gio \u00e9 negociada entre as pessoas: a transmiss\u00e3o, muito al\u00e9m do car\u00e1ter f\u00edsico, \u00e9 um mecanismo social, que atua no controle do que \u00e9 permitido, na manuten\u00e7\u00e3o dos tabus, diferenciando o que \u00e9 sagrado do que \u00e9 profano. O risco da contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 a desordem, o risco de uma ruptura do que est\u00e1 estabelecido. Mudan\u00e7a. Perigo.\u201d (FERNANDES, 2025. p. 60)<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sob essa l\u00f3gica, \u00e9 poss\u00edvel perceber que, apesar das evidentes e marcantes diferen\u00e7as entre os sons apresentados, a m\u00fasica cumpre um papel similar na Caliente e a Black Cherry: o do cont\u00e1gio. Na viv\u00eancia de ambas as noites, passamos a entender o som e a sonoridade n\u00e3o como um elemento secund\u00e1rio que reside no plano de fundo das festas, mas como um mecanismo dominante que possibilita, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a cria\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia comunit\u00e1ria e social do rol\u00ea, transmitida e propagada entre todos os envolvidos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acompanhamos de perto o esfor\u00e7o dos organizadores, a dedica\u00e7\u00e3o dos f\u00e3s, a diversidade da comunidade e como o Brasil responde ao K-pop e ao reggaeton: com intensidade, criatividade e uma pitada daquela energia brasileira que transforma qualquer evento em algo maior do que s\u00f3 uma festa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acima de tudo, foi legal ver como esses ritmos n\u00e3o angl\u00f3fonos produziram nos corpos dos participantes consequ\u00eancias distintas, que uma festa de rock, por exemplo, n\u00e3o conseguiria. Junto das letras e da identidade das festas, a Caliente instiga no p\u00fablico um sentimento de identifica\u00e7\u00e3o regional intr\u00ednseco. J\u00e1 na Black Cherry, motivava nos participantes um esfor\u00e7o ativo de pertencimento \u00e0 tribo.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1642\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1642\" class=\"wp-image-1642 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"876\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian-768x1151.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian-1025x1536.jpg 1025w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6-Kpop-Guilherme-Vivian.jpg 1366w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1642\" class=\"wp-caption-text\">O grupo estava se divertindo na festa. Na bolsa da Raquel (esquerda), um photocard. Foto: Guilherme Vivan<\/p><\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pre\u0301-festa K-Pop\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0hQ72M3-Bs8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2><b>Refer\u00eancias<\/b><\/h2>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">TROTTA, Felipe da Costa. Gosto musical, moral e inc\u00f4modos. MATRIZes, S\u00e3o Paulo, Brasil, v. 17, n. 2, p. 25\u201348, 2023.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">FERNANDES, Eduarda Heineck. Cont\u00e1gio: pista de dan\u00e7a e interven\u00e7\u00e3o coletiva. \u00a0 BERNARDO, Gabriel (org.). Margin\u00e1lia Metropolitana. Porto Alegre: Margin\u00e1lia Metropolitana, 2025.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">PROTO, Camila. Territ\u00f3rios resistentes: arte, som e sociedade. In: CASTANHEIRA, J. C. S; et al. (Orgs.). Poderes do som: pol\u00edticas, escutas e identidades. Florian\u00f3polis: Insular, 2019. p. 107-126.<\/span><\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter e mestrando Gabriel Guedes Gil. Publicada na edi\u00e7\u00e3o #2 da revista digital Z: Zonas Zumbidos e um Zilh\u00e3o de Coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2025.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Z: Zonas Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de Coisas\u00a0 por Guilherme Vivan, Linda Schwarz, Luiza Weiler, Nicoly Ram\u00e3o e Raquel Bruhn O cen\u00e1rio musical nacional contempor\u00e2neo se expandiu muito al\u00e9m das m\u00fasicas brasileiras e angl\u00f3fonas, abrindo espa\u00e7o para que sonoridades de &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/11\/26\/entre-o-rebolado-e-a-coreografia\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":1837,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,547],"tags":[563,551,550,565,8,561,562,569,570,566,552,186,556,553,548,557,549,564,299,558,371,568,554,560,555,567,477,559],"class_list":["post-1549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","category-seminario-de-cultura-e-comunicacao","tag-america-latina","tag-black-cherry","tag-caliente","tag-colombia","tag-comunicacao","tag-coreia","tag-coreia-do-sul","tag-coreo","tag-coreografia","tag-danca","tag-dia-de-los-muertos","tag-fabico","tag-girl-generation","tag-halloween","tag-k-pop","tag-karol-g","tag-latina","tag-mexico","tag-musica","tag-ocidente","tag-porto-alegre","tag-rebolado","tag-reggaeton","tag-rio-grande-do-sul","tag-salsa","tag-set","tag-ufrgs","tag-workroom"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1549"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1549\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1907,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1549\/revisions\/1907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}