{"id":1558,"date":"2025-12-10T18:22:04","date_gmt":"2025-12-10T21:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1558"},"modified":"2025-12-10T18:35:01","modified_gmt":"2025-12-10T21:35:01","slug":"clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee\/","title":{"rendered":"Clubbing Sessions: Do acid techno ao iced coffee"},"content":{"rendered":"<p><em>Z: Zonas, zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de coisas #2<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">por Clarissa Chaves, Gezebel Bender e Jo\u00e3o Guilherme Gomes<\/p>\n<p>Por volta de setembro ou outubro deste ano, enquanto scrollava a aba de Reels do Instagram, me deparei com um <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DOeyy_RkoLw\/\">v\u00eddeo<\/a> que me apresentou algo que ainda n\u00e3o conhecia: o soft clubbing. Eugene Healy, mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e criador de conte\u00fado, descasca a pr\u00e1tica de maneira sagaz, amparado por autores como Mark Fisher, e j\u00e1 na sua fala de abertura, ele descreve o soft clubbing como mais um produto de controle da psique no capitalismo tardio. Sem que pulemos precipitadamente para \u00e0s conclus\u00f5es e deixando o aparato acad\u00eamico em segundo plano por um momento, o soft clubbing foi uma descoberta que instigou a curiosidade, porque seu pr\u00f3prio conceito era para mim inexistente antes do momento em que vi aquele v\u00eddeo. O que ser\u00e1 que toca em uma festa assim? As pessoas bebem? As pessoas dan\u00e7am como em uma pista de dan\u00e7a mais usual? Que tipo de pessoa que vai ouvir um set de DJ pela manh\u00e3?<\/p>\n<p>J\u00e1 sabia que existiam pessoas que n\u00e3o gostam muito de sair e preferem ficar em casa assistindo a uma s\u00e9rie em algum streaming, em vez de dividir o ambiente com centenas de pessoas entorpecidas ouvindo m\u00fasica. Por\u00e9m, propostas como o soft clubbing nos levaram a pensar qual seria o motivo pelo qual este movimento existe. Pois, se existe o soft, fica subentendido que tamb\u00e9m existe o hard. Se o soft \u00e9 ouvir house em um caf\u00e9, o hard \u00e9 ouvir um acid em um galp\u00e3o abandonado.<\/p>\n<p>O soft clubbing se prop\u00f5e como uma balada diurna; consiste em festas acompanhadas de DJ sets que ocorrem majoritariamente em cafeterias durante o final da manh\u00e3 e in\u00edcio da tarde. A bebida alco\u00f3lica, o combust\u00edvel mais comum e mais fortemente consumido na vida noturna, pode estar presente ou n\u00e3o, \u00e0 depender da demanda. A partir dos dados de pesquisa de comportamento da gera\u00e7\u00e3o Z consultados pela Eventbrite \u2014 que corresponde, creio eu, sobre os h\u00e1bitos do norte global, n\u00e3o \u00e9 especificado \u2014, site estadunidense de marketplace de eventos, a VICE bate o martelo sobre soft clubbing: <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/soft-clubbing-is-the-new-rave-literally\/\">\u00e9 literalmente a nova rave<\/a>. Seu car\u00e1ter de novidade mostrou que o cen\u00e1rio porto alegrense ainda n\u00e3o disp\u00f5e de uma grande variedade de eventos soft, mas a demanda \u00e9 preenchida principalmente pelo projeto Torra Sessions, promovido pela empresa de comunica\u00e7\u00e3o FeedMe, al\u00e9m de ter se tornado uma estrat\u00e9gia ligada \u00e0 identidade de marca dos estabelecimentos, como no caso da XOX Coffeeclub, cafeteria localizada no bairro Floresta.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a cena musical de Porto Alegre, em especial a cena de m\u00fasica eletr\u00f4nica tem buscado conectar o p\u00fablico com as experi\u00eancias sonoras que atravessam a cidade de forma cada vez mais frequente. Considerando como a pandemia de coronav\u00edrus afetou diretamente as pr\u00e1ticas e eventos que aconteciam antes de 2020, o ano de 2025 prova que o fazer coletivo da cultura p\u00f4de se reestruturar com o decorrer do tempo e agora expande, com novos coletivos art\u00edsticos conquistando seu espa\u00e7o e diversificando ainda mais as sonoridades das pistas. Por exemplo, Batukbaile e Afrojams, estabelecidos respectivamente em 2024 e 2025, s\u00e3o coletivos que v\u00e3o colocar diversos ritmos negros no centro do seu som; Boiler Baile, de 2023, vai borrar ainda mais a barreira imagin\u00e1ria entre a eletr\u00f4nica e o funk. J\u00e1 Sensi, de 2025, nos convida a explorar as pontes entre o Brasil e a Jamaica atrav\u00e9s do ragga. \u00c9 claro, estamos falando de um nicho espec\u00edfico dentro da m\u00fasica local e que apesar da sensa\u00e7\u00e3o de uma virada cultural protagonizada pelas CDJs e DDJs, seus sons plurais e muitas vezes ruidosos, Gabriel Bernardo (Margin\u00e1lia Metropolitana, 2025) n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o otimista quando aponta que a relev\u00e2ncia desta cena apesar de indiscut\u00edvel pelo vi\u00e9s da cultura, ainda n\u00e3o atingiu o rompimento da barreira do mainstream que permitiria um alcance em escalas maiores do que a regional e maior retorno financeiro por parte dos artistas, que at\u00e9 o momento, n\u00e3o \u00e9 expressivo. Na plataforma Substack, o <a href=\"https:\/\/substack.com\/home\/post\/p-173369899\">ensaio<\/a> de t\u00edtulo infame everyone wants to be a DJ, no one wants to dance ganhou grande repercuss\u00e3o nas esferas musicais ao tratar sobre o aumento da cena n\u00e3o somente como um fortalecimento da express\u00e3o art\u00edstica difuso como no conceito de cont\u00e1gio que Eduarda Fernandes trabalha no seu cap\u00edtulo na Margin\u00e1lia Metropolitana, mas como este processo de expans\u00e3o tamb\u00e9m acontece em raz\u00e3o da necessidade de comodifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Se vivemos em um momento da hipervaloriza\u00e7\u00e3o da produtividade, da otimiza\u00e7\u00e3o do tempo, da busca por capitaliza\u00e7\u00e3o do lazer, o criador (neste caso, o DJ) \u00e9 um empreendedor e ocupa uma posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica maior do que o contemplador (a pista), porque dentro desta l\u00f3gica neoliberal, sua habilidade se converte em produto com valor social e financeiro agregado, enquanto o ato participativo de estar em contato com a m\u00fasica como atividade de lazer, por sua vez, torna-se um ato de consumo. E adivinha? Isso por si s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 produtivo, a n\u00e3o ser que se converta em em um novo produto (como conte\u00fado para redes sociais). A autora Dani Offline coloca, \u201cAs creation gets conflated with entrepreneurship, making art becomes an experience, a lifestyle, to be bought and sold.\u201d De modo geral, a classe art\u00edstica \u2014 que vale ressaltar, \u00e9 historicamente e sistematicamente desvalorizada\u00a0 \u2014 estar em uma efervescente prolifera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apontada por ela como um problema, mas como uma consequ\u00eancia do modelo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Coletivos de arte e m\u00fasica fazem parte de uma economia participativa e que, ao analisarmos os exemplos citados anteriormente, s\u00e3o compostos por corpos plurais que realizam o trabalho de potencializa\u00e7\u00e3o e protagonismo de vozes advindas de grupos sociais marginalizados atrav\u00e9s das atividades por eles propostas. Um dos diferenciais de eventos promovidos por coletivos \u00e9 a lista afirmativa que funciona de maneira a facilitar a participa\u00e7\u00e3o de pessoas sistematicamente oprimidas, como pessoas trans e dissidentes de g\u00eanero e pessoas pretas e pardas, iniciativa que se mant\u00e9m incomum para casas de festas mais tradicionais e populares. Outro diferencial \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os n\u00e3o convencionais, como pra\u00e7as e pr\u00e9dios hist\u00f3ricos negligenciados pelo \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico. Atrav\u00e9s da m\u00fasica, da pista, da dan\u00e7a, esses espa\u00e7os s\u00e3o ressignificados e adquirem novos prop\u00f3sitos antes sequer considerados. Festas em espa\u00e7os p\u00fablicos prop\u00f5em uma inclus\u00e3o ainda mais abrangente de pessoas com maiores dificuldades de exercer o seu direito ao lazer, como pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, por exemplo. Essas estrat\u00e9gias de democratiza\u00e7\u00e3o cumprem o papel de dissolu\u00e7\u00e3o da hierarquia DJ e pista promovida pelos ideais neoliberais e de hierarquias sociais; a pista n\u00e3o \u00e9 uma simples consumidora com poder aquisitivo para o acesso \u00e0quele espa\u00e7o, sua identidade \u00e9 valorizada e assim torna-se participante ativa das experi\u00eancias s\u00f4nicas em conjunto com quem est\u00e1 do outro lado da controladora. Em uma passagem do livro, Fernandes explica: \u201cPara al\u00e9m de uma mera &#8220;importa\u00e7\u00e3o&#8221; das refer\u00eancias globais, a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u2014 ou melhor, as festas de m\u00fasica eletr\u00f4nica \u2014 tamb\u00e9m podem ser pensadas como transgressoras de muitas din\u00e2micas e hierarquias. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o existam sacraliza\u00e7\u00f5es ou diferencia\u00e7\u00f5es; mas, nesses momentos espec\u00edficos de comunh\u00e3o de pista, as fronteiras ficam nebulosas, e as pr\u00e1ticas que s\u00e3o convencionalmente estigmatizadas e impuras ganham um qu\u00ea subversivo.\u201d<\/p>\n<p>Assim, este ensaio busca compreender onde estas duas maneiras de experienciar a m\u00fasica num ambiente social convergem e divergem uma da outra, em outras palavras, o que faz o soft ser soft e o hard ser hard. Tomando como inspira\u00e7\u00e3o a trajet\u00f3ria metodol\u00f3gica que os pesquisadores por tr\u00e1s do artigo acad\u00eamico Inimigos do fim: apontamento sobre o circuito de \u201cafters\u201d no Recife<strong> (MONTEIRO, Gabriel et al. Inimigos do fim: apontamentos sobre o circuito de \u201cafters\u201d no<br \/>\nRecife. 33\u00ba Encontro Anual da Comp\u00f3s. Anais. UFF. Niter\u00f3i &#8211; RJ. 23 a 26 de julho de 2024)<\/strong> nossa proposta seria que essas experi\u00eancias fossem o mais cont\u00ednuas poss\u00edvel, considerando o bem prov\u00e1vel desgaste f\u00edsico como parte da experi\u00eancia emp\u00edrica. Para arquitetar nosso roteiro, foi realizado um mapeamento de eventos de hard e soft clubbing que houvessem datas compat\u00edveis com os membros do grupo, se poss\u00edvel com a proposta de continuidade, e sobretudo, que o valor dos ingressos dos eventos coubessem em nossos bolsos. Tendo em mente o \u00faltimo crit\u00e9rio, o primeiro evento soft a ser considerado foi rapidamente descartado de forma c\u00f4mica, devido ao valor de R$350,00 por ingresso. Um c\u00e1lculo de porcentagem simples evidencia que esse pre\u00e7o corresponde \u00e0 23% do sal\u00e1rio m\u00ednimo atual. No mais, a estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do evento n\u00e3o foi transparente \u2014 o post no Instagram informava que o evento era aberto ao p\u00fablico e referenciava um link de compra na bio que n\u00e3o encontramos l\u00e1. Somente um dia antes do evento, atrav\u00e9s de um conte\u00fado de influenciador publicado como stories, conseguimos nos informar onde esses ingressos estavam sendo vendidos e qual era o valor. De forma alguma esse acontecimento foi considerado um obst\u00e1culo para nossa explora\u00e7\u00e3o, na verdade, tornou-se um pr\u00f3prio objeto sujeito \u00e0 observa\u00e7\u00e3o: um delimitador de p\u00fablico bem estabelecido e dif\u00edcil de ignorar. Por fim, a proposta se concretizou na festa do \u201cNa boca do sol\u201d do Coletivo Plano e na coffee party da XOX Coffeeclub nos dias 15 (s\u00e1bado) e 16 (domingo) de novembro, o que totalizou em por volta de 12 horas de pista. Dois autores do presente texto estavam presentes na etapa de rua da festa durante o per\u00edodo da tarde, seguindo para o grupo completo navegando a etapa de after e soft clubbing nas horas subsequentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Na boca do sol, literalmente<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"plano de rua\" width=\"493\" height=\"876\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uwaaWCua_bc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Coletan\u00eaa de momentos da Plano de rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>V\u00eddeo por Clarissa Chaves.<\/em><\/p>\n<p><strong>Clarissa &#8211; relato da Plano de rua<\/strong><\/p>\n<p>A ansiedade para conhecer o Coletivo Plano j\u00e1 come\u00e7ou na semana que antecedeu o evento. Como a minha \u00fanica experi\u00eancia com festas eletr\u00f4nicas n\u00e3o tinha sido das melhores, e esse seria o primeiro contato com um lugar novo, estava pensando em tudo: o que vou vestir? Que bolsa eu levo? Ser\u00e1 que eu vou beber? E se me der mal-estar? Mas ent\u00e3o n\u00f3s chegamos \u00e0 nossa primeira parada: Plano de Rua. Ela aconteceu no meio do Parque Marinha, o que me chocou. Sabia que seria ao ar livre, n\u00e3o que seria ao lado de uma pracinha com crian\u00e7as brincando. Logo de cara vi a mesa dos dj&#8217;s, o tel\u00e3o com imagens passando, as luzes coloridas se espalhando com o gelo seco. As pessoas, cada uma no seu mundo, curtindo como bem entendiam. Acho que o que mais me encantou foram as diversas particularidades presentes em um s\u00f3 espa\u00e7o. Tinham fam\u00edlias, grupos de amigos que estavam aproveitando o dia na volta e, ao ouvir o som, resolveram se aproximar, al\u00e9m, claro, das pessoas que se organizaram para atender o evento.<\/p>\n<p>Logo de cara avisei o Jo\u00e3o Guilherme, meu amigo, tamb\u00e9m autor desse texto, que sou uma pessoa que ama observar o ambiente, gosto de ficar &#8220;viajando&#8221;, o que se provou ao longo da noite quando nos desencontr\u00e1vamos no espa\u00e7o porque eu havia parado para tirar alguma foto, ou o abandonado para fazer carinho em uma cachorra, chamada KUSH ( KUSH \u00e9 um subtipo da <em>Cannabis)<\/em>, que, segundo o dono, foi levada para ser ponto de reabastecimento de serotonina, algo que eu posso confirmar a efic\u00e1cia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"clarissa e kvsh\" width=\"493\" height=\"876\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eHIQQIROaxw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eu, Clarissa, e minha mais nova amiga, Kush<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>V\u00eddeo por: Jo\u00e3o Guilherme Gomes.<\/em><\/p>\n<p>Eu queria me sentir livre para aproveitar do meu jeito, mas como uma fiel overthinker fiquei pensando sem parar &#8220;ser\u00e1 que \u00e9 \u00f3bvio que \u00e9 a minha primeira festa assim? Como que dan\u00e7a? Acho que eu estou meio esquisita dan\u00e7ando assim&#8221;. Entretanto, quando o \u00e1lcool entrou no meu corpo, tudo isso sumiu da minha cabe\u00e7a, e eu percebi que ningu\u00e9m estaria prestando aten\u00e7\u00e3o em mim, porque cada um est\u00e1 aproveitando o pr\u00f3prio rol\u00ea, assim como eu. Eu estava em um lugar com uma m\u00fasica incr\u00edvel, luzes lindas, pessoas t\u00e3o unicamente peculiares, me preocupando com o que os outros v\u00e3o pensar de mim? Acho que n\u00e3o!<\/p>\n<p>Acredito que, se a Plano de Rua acontecesse pelo resto da noite, eu gostaria de ficar noite adentro. Como chegamos \u00e0s 18h, e a festa \u2014 teoricamente \u2014 acabava \u00e0s 22h, me arrependi de n\u00e3o ter ido antes, assistir o p\u00f4r do sol e aproveitar mais aquele ambiente. Mesmo assim, consegui curtir bastante cada segundo. Acho que a m\u00fasica &#8220;libertou\u201d a minha inner clubber.<\/p>\n<p>Em certo momento fomos ao Front, grudados ao DJ, sentindo a m\u00fasica at\u00e9 a \u00faltima c\u00e9lula do corpo, parecia que tudo ficava mais leve, o que \u00e9 um tanto contradit\u00f3rio, visto que a m\u00fasica \u00e9 mais &#8220;pesada&#8221;, por assim dizer. \u00c9 um conjunto de barulhos que separados s\u00e3o ca\u00f3ticos e at\u00e9 &#8220;bagun\u00e7ados&#8221;, mas juntos formam algo harm\u00f4nico e energizante, como se fosse uma tela de arte abstrata. Durante a troca de artista, houve uma curta fala, na qual ele disse \u201cIsso \u00e9 de n\u00f3s para n\u00f3s&#8221;, o que ficou na minha cabe\u00e7a a noite toda, porque isso \u00e9 Coletivo, coletivo de pessoas, sons, vidas.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Guilherme &#8211; relato da Plano de rua<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A expectativa j\u00e1 se instalou no s\u00e1bado de manh\u00e3, logo ao acordar. A empolga\u00e7\u00e3o em levar uma pessoa nova para conhecer algo que eu admiro, e depois ela poder me devolver a mesma experi\u00eancia, parecia ser algo incr\u00edvel. Parecia que est\u00e1vamos montando um briefing, pois a Clarissa tinha muitas perguntas a fazer e eu, como amigo e guia particular dela nessa miss\u00e3o, respondia a tudo com muita empolga\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 normal que haja uma curiosidade ao estar prestes a conhecer algo in\u00e9dito. Eu n\u00e3o poderia ficar mais feliz pelo fato da Clarissa ter tantas d\u00favidas, afinal isso mostra que ela estava interessada em realmente viver a nova experi\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assim com ela eu tamb\u00e9m tinha as minhas d\u00favidas, e elas eram muitas como: &#8220;Ser\u00e1 que ela vai gostar?&#8221;, &#8220;Ser\u00e1 que ela vai aguentar at\u00e9 o final?&#8221;, &#8220;Ser\u00e1 que ela vai gostar das pessoas que v\u00e3o estar l\u00e1?&#8221;. S\u00f3 que, diferentemente das d\u00favidas dela, eu n\u00e3o tinha ningu\u00e9m para me respond\u00ea-las de prontid\u00e3o; o que eu podia fazer era apenas esperar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois de tudo estar devidamente alinhado, partimos ent\u00e3o para o local onde tudo aconteceria. Quando chegamos ao local, j\u00e1 era por volta das 19h, ent\u00e3o j\u00e1 havia bastante gente, tendo em vista que o evento come\u00e7ava \u00e0s 16h. Nossa primeira preocupa\u00e7\u00e3o ao chegar foi procurar algo para beber, pois \u00e9 humanamente imposs\u00edvel ir a uma festa que toque s\u00f3 m\u00fasica eletr\u00f4nica e n\u00e3o estar ao menos um pouco b\u00eabado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com isso resolvido, eu quis levar a Clarissa para o front, logo de cara, para ela ver de perto como a qualidade do som era boa \u2014 e eu nem digo do g\u00eanero, mas sim das caixas mesmo. Queria que ela visse o pessoal tocando e a performance que estava tendo tamb\u00e9m. Quanto mais detalhes eu conseguisse mostrar para ela, melhor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>After<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1777 size-large\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-576x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-AFTER-1-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Globo em formato de Mickey acima da mesa do DJ no after da Plano<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Foto: Clarissa Chaves.<\/em><\/p>\n<p><strong>Clarissa &#8211; relato do after da Plano<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s um primeiro contato incr\u00edvel com a Plano de Rua, estava com as expectativas l\u00e1 no alto \u2013 algo que eu n\u00e3o costumo fazer para evitar decep\u00e7\u00f5es. O \u00e1lcool j\u00e1 havia evaporado do corpo no intervalo de quase duas horas que se deu entre a parte inicial da noite e o After, o que eu considero o principal culpado pela percep\u00e7\u00e3o que tive do evento. Chegamos l\u00e1 e ficamos um tempo no fum\u00f3dromo, iluminado com luzes verdes e decorado com bancos, cadeiras e plantas. Pod\u00edamos escutar a m\u00fasica, o <i>tuts tuts <\/i>vindo do lado de dentro, misturado com o burburinho das diversas vozes do lado aberto. O ar estava quente, abafado, meio pesado, mas, do lado de dentro, a energia era um tanto diferente, mesmo que n\u00e3o muito. As luzes coloridas refletindo em um globo de espelhos acima do dj era o charme, mudando de acordo com a m\u00fasica &#8211; que, por sinal, estava meio morta ao meu ver. O p\u00fablico tamb\u00e9m era completamente diferente: n\u00e3o tinham fam\u00edlias ou pessoas que estavam passando e se interessaram pela cena, mas haviam jovens el\u00e9tricos, que planejaram a ida \u00e0 festa, que se programaram. O m\u00e1ximo que se via eram pessoas que, ap\u00f3s a Plano de Rua, resolveram atender o <i>after<\/i>, mas seguiam o certo padr\u00e3o do pessoal.<\/p>\n<p>Acredito que em lugares cuja cena \u00e9 conhecida por ser mais alternativa, espera-se que as pessoas sejam muito diferentes entre si, mas eu n\u00e3o percebi tanta diferen\u00e7a assim. Obviamente, n\u00e3o existe um padr\u00e3o imediatamente identific\u00e1vel, mas, ao prestar aten\u00e7\u00e3o de verdade, todos &#8211; ou quase todos &#8211; t\u00eam v\u00e1rias caracter\u00edsticas em comum: o jeito de dan\u00e7ar e balan\u00e7ar a cabe\u00e7a, o \u00f3culos escuro, os olhos fechados que passam a impress\u00e3o de que o indiv\u00edduo estava prestes a atingir o seu buddha.<\/p>\n<p>Observar essas novas perspectivas foi interessante, e, mesmo querendo ficar mais tempo, n\u00e3o consegui. N\u00e3o sei dizer se o problema era eu, mas realmente n\u00e3o me senti confort\u00e1vel naquele lugar. A energia estava pesada, o cheiro, inexplicavelmente, era esquisito, vazio. Tinham v\u00e1rias pessoas, mas, ao mesmo tempo, parecia n\u00e3o ter ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Com certeza daria uma segunda chance, mas, como primeira impress\u00e3o, n\u00e3o foi a melhor.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Guilherme &#8211; relato do after da Plano<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Chegamos ao after relativamente cedo, por volta das 23h, depois que a etapa da rua havia se encerrado. Dirigimo-nos a um lugar para comer, a fim de nos preparar para o que estava por vir. Ao chegarmos, repliquei o mesmo esquema com a Clarissa: mostrei-lhe todo o ambiente, falei sobre os DJs e apresentei-a a pessoas que conhe\u00e7o e s\u00e3o ass\u00edduas na cena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por conta de o ambiente ser fechado e as chances de desencontro serem menores, fiquei mais tranquilo em n\u00e3o estar a todo momento ao lado dela, afinal Gezebel tamb\u00e9m estava l\u00e1, junto a pessoas que s\u00e3o da FABICO. Contudo, diferentemente da rua, o after estava estranho; n\u00e3o era a mesma energia do pessoal que estava antes. Eu j\u00e1 havia alertado Clarissa para prestar aten\u00e7\u00e3o na diferen\u00e7a entre o p\u00fablico da rua e o do after, pois ela \u00e9 not\u00e1vel. O pessoal que frequenta a rua nem sempre vai ao after, pelo simples fato de o evento ser gratuito, o que atrai muita gente que deseja apenas ouvir um som legal em um lugar p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 o p\u00fablico do after tinha uma energia mais forte, mais presente, como \u00e9 de se esperar de um ambiente que toca hard e acid techno a noite toda. Algo que considerei uma atitude legal por parte do coletivo: na semana do evento, eles enviaram mensagens na comunidade do Instagram chamando a galera para ir, mesmo quem n\u00e3o estava com dinheiro para o after (provavelmente oferecendo ingressos cortesia), para que pudessem curtir o evento com eles, pois faziam quest\u00e3o de que todos pudessem fazer parte desse coletivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo j\u00e1 conhecendo o evento, os DJs, o espa\u00e7o e as pessoas, fazia um certo tempo que eu n\u00e3o frequentava; ent\u00e3o, desta vez, eu tamb\u00e9m estava ali com uma sensa\u00e7\u00e3o de primeira vez, ainda que moment\u00e2nea. O espa\u00e7o, de fato, estava com uma disposi\u00e7\u00e3o diferente, e as pessoas tamb\u00e9m eram outras. Creio que a Plano vem se popularizando tanto que est\u00e1 atingindo novos p\u00fablicos; era not\u00e1vel que era a primeira vez de muita gente ali. Isso \u00e9 bom, pois Porto Alegre quase nunca apresenta algo novo e, quando apresenta, muitas vezes dura pouco tempo, j\u00e1 que n\u00e3o existe demanda suficiente para manter aquilo vivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi bom poder levar meus amigos para conhecer algo novo dentro de uma cidade t\u00e3o limitada, onde tudo \u00e9 o mais do mesmo e nada mais proporciona aquele frio na barriga de antecipa\u00e7\u00e3o e ansiedade pelo que pode acontecer.<\/span><\/p>\n<p><strong>Gezebel &#8211; relato do after da Plano<\/strong><\/p>\n<p>Ir para festas de eletr\u00f4nica \u00e9 uma pr\u00e1tica de encontrar conhecidos. Seja na entrada, na pista ou no fum\u00f3dromo \u2014 mas especialmente no fum\u00f3dromo \u2014 encontros e desencontros s\u00e3o mais recorrentes do que parecem. A primeira pessoa que vi ao chegar l\u00e1 foi um familiar meu que trabalha com seguran\u00e7a de eventos, quase sempre presente nos fritos da cidade. Quando encontro outras pessoas conhecidas nestes espa\u00e7os, compreendo que o motivo de n\u00f3s estarmos ali \u00e9, sobretudo, a m\u00fasica. Mas por encontr\u00e1-lo com mais frequ\u00eancia em casar\u00f5es aleat\u00f3rios do que em festas de fam\u00edlia, me pergunto se a m\u00fasica eletr\u00f4nica \u00e9 um fator diferencial ou n\u00e3o, se \u00e9 do agrado dele e se, talvez se n\u00e3o estivesse \u00e0 trabalho, fosse estar na pista dan\u00e7ando com todo mundo. Ser\u00e1 que existe um appeal?<\/p>\n<p>O after da festa Plano aconteceu no Garden, casa noturna no bairro Navegantes. Dada a dist\u00e2ncia de 9km entre os locais que aconteceram as duas etapas da festa, o pr\u00f3prio coletivo apresentou uma solu\u00e7\u00e3o para os clubbers diurnos, oferecendo tr\u00eas viagens gratuitas em uma van fretada para facilitar o deslocamento.<\/p>\n<p>A pista estava cheia e se manteve cheia at\u00e9 o momento que parti. Os corpos l\u00e1 presente se moviam e dan\u00e7avam com a batida do som alto, cada um da sua forma, e quando me permiti apenas sentir essas vibra\u00e7\u00f5es, fui engolida pela batida. Por um momento, meu corpo tamb\u00e9m fez parte daqueles tantos outros, e a pista deixou de ser uma aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas para se tornar um \u00fanico corpo vivo, conduzido pelo DJ e em sintonia com o ritmo. O calor escaldante \u00e9 comum em espa\u00e7os de pista, j\u00e1 que corpos grudados e suados est\u00e3o em movimento; quando ocupo o front, o ar pesado dificulta minha respira\u00e7\u00e3o, mas vejo isso como uma das consequ\u00eancias desse espa\u00e7o de disputa. Diferente de outras experi\u00eancias pr\u00e9vias de pista, o ar condicionado gelado que refrescava o espa\u00e7o garantiu um conforto maior para a atividade de dan\u00e7a. Naquela noite, com o volume de pessoas que preenchiam a pista, n\u00e3o investiguei o front, assim, n\u00e3o posso concluir se a experi\u00eancia agrad\u00e1vel de quem estava mais ao fundo era a mesma de quem estava coladinho no DJ.<\/p>\n<p>Por fim, percebi que apesar do trabalho visual lindo para compor o espa\u00e7o \u2014 um \u201cglobo\u201d espelhado no formato da cabe\u00e7a do Mickey Mouse refletia a luz dos fortes e coloridos holofotes \u2014 as pessoas \u00e0 minha volta n\u00e3o estavam tirando fotos. Me senti at\u00e9 um pouco constrangido com essa observa\u00e7\u00e3o, agora ciente de que era o \u00fanico ali com uma c\u00e2mera erguida enquanto todo mundo dan\u00e7ava. Esse reality check me p\u00f4s no lugar e me disse: vai curtir \u00e0 noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Do acid ao a\u00e7\u00facar, XOX Coffeeclub<\/strong><\/p>\n\n\t\t<style>\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-1558 gallery-columns-3 gallery-size-large'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee\/clubbing-sessions-soft-1\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-576x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-1-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee\/clubbing-sessions-soft-2\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-576x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-2-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee\/clubbing-sessions-soft-3\/'><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-576x1024.jpg\" class=\"attachment-large size-large\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-768x1365.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-1152x2048.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/CLUBBING-SESSIONS-SOFT-3-scaled.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p style=\"text-align: center;\">Fotos do ambiente interno da coffe club<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Fotos: Clarissa Chaves<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Gezebel &#8211; relato do XOX Coffeeclub<\/strong><\/p>\n<p>Sa\u00edda diretamente do Pinterest, a cafeteria XOX Coffeeclub nos recebeu com um ambiente aconchegante e pronto para ser fotografado. Jogo de luzes interessante e coloridas, as paredes azuis, letreiros legais.\u00a0 O espa\u00e7o era preenchido por um DJ set leve de ambient house enla\u00e7ado \u00e0 m\u00fasicas pop, muitos decib\u00e9is mais baixo do que na noite anterior; com cadeiras, mesas e sof\u00e1s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e um card\u00e1pio repleto de op\u00e7\u00f5es de caf\u00e9s, bebidas alco\u00f3licas e comidas. Aquela manh\u00e3 em espec\u00edfico n\u00e3o contava com um p\u00fablico total maior do que 20 pessoas. Com o movimento reduzido, as mesas que ficam em frente a pista n\u00e3o foram retiradas como em outras vezes em que houveram coffee parties, visto em registros presentes no Instagram da cafeteria. Dentre o p\u00fablico, a observa\u00e7\u00e3o curiosa foi de que o espa\u00e7o n\u00e3o era muito diversificado. Por exce\u00e7\u00e3o de um, todos os clientes eram pessoas brancas. A rela\u00e7\u00e3o das pessoas com o espa\u00e7o e com a m\u00fasica tamb\u00e9m aconteceu de um modo diferente \u2014 capta\u00e7\u00f5es de v\u00eddeos e fotos atrav\u00e9s dos smartphones eram mais frequentes e usuais. Fosse um curto story do set, fosse uma selfie no bel\u00edssimo espelho do banheiro, fosse um click da comida disposta de uma maneira harm\u00f4nica pro dump, estar neste espa\u00e7o ia al\u00e9m da experi\u00eancia material e sensorial, ela clamava por registros que pudessem a confirmar. E eu tamb\u00e9m n\u00e3o agi diferente; captei imagens para compor este ensaio como tamb\u00e9m postei algo quando adentrei no espa\u00e7o. Me parece sua funcionalidade prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o concordo com a frase \u201cCome for the coffee, stay for the vibe\u201d presente em um dos letreiros, mas ela possui, sim, um fundo de verdade. Por um lado, visitar a XOX foi revigorante. O caf\u00e9 que pedi estava uma del\u00edcia, a m\u00fasica era ok, com algumas decis\u00f5es do DJ sendo melhores do que outras, no geral, uma atividade tranquila e agrad\u00e1vel para come\u00e7ar o dia de domingo tentando se livrar da ressaca. Por outro lado, um dos maiores pontos negativos da cafeteria \u00e9 a sua localiza\u00e7\u00e3o, que fica h\u00e1 10km de dist\u00e2ncia de mim, somado ao dif\u00edcil acesso via transporte p\u00fablico. Mas talvez isso n\u00e3o seja um dos pontos considerados por empreendedores que abrem novos com\u00e9rcios na regi\u00e3o do 4\u00ba Distrito. No entanto, as ruas compridas e vazias repletas de galp\u00f5es fechados, terrenos \u00e0 venda e, vez que outra, um outro com\u00e9rcio s\u00e3o o oposto de um ambiente convidativo. Caf\u00e9s, restaurantes e minimercados s\u00e3o estabelecimentos que desempenham fun\u00e7\u00f5es pra al\u00e9m do consumo, funcionando como uma express\u00e3o da comunidade do bairro e como ela socializa. Se eu pudesse cruzar com a XOX Coffeeclub no meu caminho, com certeza ela desempenharia o trabalho de me cativar \u00e0 adentrar o seu espa\u00e7o para consumir, mas ela acaba sendo um pontinho azul no mapa, o perfil que eu vejo no meu Instagram e o \u201cLocal de destino\u201d do meu Uber.<\/p>\n<p>Acredito que soft e hard clubbing s\u00e3o experi\u00eancias sonoras consideravelmente diferentes, em suas propostas, seus aspectos de execu\u00e7\u00e3o, nos g\u00eaneros musicais que abrangem e seus p\u00fablicos-alvo. De tudo, posso dizer que a VICE me fez superestimar o que tal tipo de evento poderia ser \u2014 se o p\u00fablico frequentador de festas de eletr\u00f4nica j\u00e1 existe dentro de um nicho que n\u00e3o corresponde necessariamente com a totalidade de pessoas que saem de casa buscando o lazer em ouvir m\u00fasica, o soft clubbing prop\u00f5e n\u00e3o uma segmenta\u00e7\u00e3o financeira pra este nicho, mas um novo nicho completamente novo, produzido por e para um p\u00fablico de maior poder aquisitivo, e assim, higieniza a potencialidade subversiva, ruidosa e suja do clubbing.<\/p>\n<p><strong>Clarissa &#8211; relato do XOX Coffeeclub<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Logo de cara o XOX Coffee Club d\u00e1 um sentimento de \u201cuou&#8221;. \u00c9 um ambiente meio futurista, com uma proposta contr\u00e1ria aos lugares que visitamos na noite anterior. Como cafeteria, \u00e9 um espa\u00e7o incr\u00edvel, bonito, superinteressante. Agora no quesito coffee party deixou a desejar. Eu j\u00e1 fui em outras coffee parties, ent\u00e3o imaginava que seria minimamente parecido, mas n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O \u00fanico fator em comum \u00e0 experi\u00eancia que j\u00e1 tive era a m\u00fasica, fora isso, nada. O Torra Sessions apresenta a proposta de um ambiente para networking entre criativos, um lugar com comidas, m\u00fasica, caf\u00e9 e criatividade. Enquanto isso, o XOX tem uma proposta mais simples: aproveitar um caf\u00e9 com amigos escutando um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">house. <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito eu que, por ser mais novo e menos consolidado, a coffee party que atendemos n\u00e3o tinha muitas pessoas, era meio morta, meio sem energia. Parecia que as pessoas iam l\u00e1 apenas para fazer a m\u00eddia do instagram e pronto. Ningu\u00e9m conversava com outras mesas (outra coisa que difere do Torra, no qual todos ficam em p\u00e9, rodando e conversando), apenas permanecia na pr\u00f3pria bolha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inclusive, que bolha! Enquanto a Plano apresentava uma diversidade enorme entre os indiv\u00edduos, a XOX n\u00e3o tinha nenhuma. Ningu\u00e9m parecia estar l\u00e1 para compartilhar experi\u00eancias e ver pessoas diferentes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Acredito que a inten\u00e7\u00e3o fa\u00e7a toda a diferen\u00e7a nessa experi\u00eancia. Ao visitar um caf\u00e9 cuja proposta \u00e9 &#8220;come for the coffee, stay for the vibe&#8221;, eu espero que a tal vibe seja inexplic\u00e1vel, que tenham v\u00e1rias pessoas e seja um evento! Provavelmente foi inesperado estar com um p\u00fablico t\u00e3o pequeno nesta edi\u00e7\u00e3o, visto que em registros de outras vezes havia mais audi\u00eancia, por isso estranhei tanto esse quesito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com certeza frequentaria novamente o caf\u00e9, com um grupo maior, de repente, com uma <\/span><b>inten\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> diferente. Inclusive, j\u00e1 vi no instagram que haver\u00e1 uma outra coffee party com uma doceria que amo, ent\u00e3o estou pensando em ir.<\/span><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Guilherme &#8211; relato do XOX Coffeeclub<\/strong><\/p>\n<p>Diferente das minhas duas colegas, que foram para casa e descansaram p\u00f3s-Plano, eu fui para a casa de outras amigas e fiquei o resto da noite\/manh\u00e3 l\u00e1. Ou seja, fui virado para o caf\u00e9. Realmente, fui o inimigo do fim. Quando cheguei no XOX, a m\u00fasica estava alta. Logo ao lado da porta, havia uma mesa com quatro pessoas, e elas estavam bem animadas. De come\u00e7o, prestei aten\u00e7\u00e3o na m\u00fasica: eram remixes house de m\u00fasicas pop. Lembro que todas as pessoas que estavam l\u00e1 estavam em grupos de, no m\u00ednimo, tr\u00eas. Todos estavam muito animados. Mesmo com a m\u00fasica alta, ainda era poss\u00edvel ouvir as vozes das pessoas, que precisavam falar mais alto do que o som presente no ambiente.<\/p>\n<p>Fiquei com uma sensa\u00e7\u00e3o de vergonha, pois eu estava com cara de quem ainda n\u00e3o tinha dormido e, por conta disso, fui obrigado a usar \u00f3culos em um ambiente fechado, onde as pessoas v\u00e3o para tomar caf\u00e9. Mas percebi que ali havia outras pessoas usando \u00f3culos tamb\u00e9m, ent\u00e3o logo desapeguei da vergonha. O espa\u00e7o era muito bonito; seguia uma est\u00e9tica cool, com v\u00e1rias placas iluminadas com frases que, com certeza, algu\u00e9m iria fotografar para postar nos stories. Dentro das cabines dos banheiros, era tudo vermelho \u2014 desde o vaso at\u00e9 os azulejos da parede. O corredor tinha espelhos que iam do ch\u00e3o at\u00e9 o teto. O ambiente parecia todo planejado com um objetivo: entre aqui, fa\u00e7a sua foto e nos marque no Instagram.<\/p>\n<p>O instagram\u00e1vel se estendia \u00e0s comidas e aos caf\u00e9s tamb\u00e9m; todos tinham apresenta\u00e7\u00f5es muito bonitas. Ao contr\u00e1rio do que pensei, n\u00e3o havia ningu\u00e9m na \u201cpista de dan\u00e7a\u201d. Mesmo o ambiente contendo cadeiras, ainda havia um espa\u00e7o grande para que as pessoas pudessem ficar em p\u00e9 e dan\u00e7ar, caso quisessem, o que me fez pensar por qual motivo as pessoas iriam a um lugar onde toca m\u00fasica se estavam apenas sentadas, bebendo e comendo. Ainda assim, gostei de ir l\u00e1, mas acho que n\u00e3o seja o tipo de ambiente em que as pessoas v\u00e3o para dan\u00e7ar e conversar, pois elas est\u00e3o em suas \u201cbolhas coletivas\u201d, e, mesmo em um espa\u00e7o social, preferem se manter dentro do pr\u00f3prio mundo.<\/p>\n<p>Em contraste com a Plano, onde todo mundo performa intensidade e suor, o XOX parece funcionar como o avesso dessa experi\u00eancia: um lugar pensado milimetricamente para ser visto, mas n\u00e3o necessariamente vivido. No fim, a diferen\u00e7a mais gritante entre os dois espa\u00e7os n\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica nem o cansa\u00e7o; \u00e9 a maneira como cada ambiente revela como a gente consome o social hoje. Na Plano, a gente vive o momento; no XOX, a gente fabrica o momento para postar depois.<\/p>\n<p>E talvez a verdadeira reflex\u00e3o esteja a\u00ed: no fato de que estamos cada vez mais cercados de gente, mas nem sempre de presen\u00e7a.<\/p>\n<p><b><i>REFER\u00caNCIAS:\u00a0<\/i><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MONTEIRO, Gabriel et al. Inimigos do fim: apontamentos sobre o circuito de \u201cafters\u201d no Recife. 33\u00ba Encontro Anual da Comp\u00f3s. Anais. UFF. Niter\u00f3i &#8211; RJ. 23 a 26 de julho de 2024. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/proceedings.science\/compos\/compos-2024\/trabalhos\/inimigos-do-fim-apontamentos-sobre-o-circuitode-afters-no-recife\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/proceedings.science\/compos\/compos-2024\/trabalhos\/inimigos-do-fim-apontamentos-sobre-o-circuitode-afters-no-recife<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em 22 jul 2025<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">BERNARDO, Gabriel (org.). Margin\u00e1lia Metropolitana. Porto Alegre: Margin\u00e1lia Metropolitana, 2025. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/marginaliametropolitana.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marginalia_pdf_19abr.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/marginaliametropolitana.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/marginalia_pdf_19abr.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0 Acesso em 17 jun 2025.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><em>Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter e Estagi\u00e1rio docente Gabriel Guedes Gil.\u00a0<\/em><em>Publicada na edi\u00e7\u00e3o #2 da revista digital Z: Zonas, zumbidos e um zilh\u00e3o de coisas.\u00a0<\/em><i><em>Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2025.<\/em><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Z: Zonas, zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de coisas #2 por Clarissa Chaves, Gezebel Bender e Jo\u00e3o Guilherme Gomes Por volta de setembro ou outubro deste ano, enquanto scrollava a aba de Reels do Instagram, me deparei com um v\u00eddeo que &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/clubbing-sessions-do-acid-techno-ao-iced-coffee\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[545],"tags":[588,590,589,587],"class_list":["post-1558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-z-zonas","tag-coletivos","tag-dj-sets","tag-musica-eletronica","tag-soft-clubbing"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1558"}],"version-history":[{"count":18,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1890,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1558\/revisions\/1890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}