{"id":1559,"date":"2025-12-10T18:21:32","date_gmt":"2025-12-10T21:21:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1559"},"modified":"2025-12-10T18:21:32","modified_gmt":"2025-12-10T21:21:32","slug":"beira-rio-eu-sou-e-o-som-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/beira-rio-eu-sou-e-o-som-tambem\/","title":{"rendered":"Beira-Rio Eu Sou, E o Som Tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Z: Zonas, Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de coisas<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Por <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ana Paula Mendon\u00e7a, Laura Copelli, L\u00edvia Dinnebier e Martina Kipper<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>45&#8242; antes<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e1bado \u00e0 tarde, sol entre <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">entre nuvens, enquanto vozes, passos e o barulho do tr\u00e2nsito ecoam no ar e nos guiam pela orla morna do Gua\u00edba at\u00e9 um dos cart\u00f5es-postais da capital ga\u00facha, o Beira-Rio. Ao se locomover na sua dire\u00e7\u00e3o, os pontos vermelhos que v\u00e3o se acumulando como um rastro de formigas retornando ao ninho n\u00e3o escondem que hoje \u00e9 dia de jogo do Inter.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A tarde come\u00e7a serena. O trajeto, seja ele de carro, \u00f4nibus ou a p\u00e9, at\u00e9 o ponto de encontro que s\u00e3o os lugares j\u00e1 tradicionais para os colorados, como a Padre Cacique e o Parque Marinha, vai ganhando vida aos poucos. A partida, pela 33\u00aa rodada do Brasileir\u00e3o, entre o Inter e o Bahia \u00e9 vista como uma corda bamba para os colorados, que est\u00e3o em risco de rebaixamento para s\u00e9rie B,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0enquanto o Bahia vive um momento mais est\u00e1vel, mas ainda busca melhores resultados fora de casa.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nos bares em frente ao est\u00e1dio grupos de amigos que se reencontram e conversas se misturam ao burburinho. Nesse som todo, percebem-se as especula\u00e7\u00f5es ansiosas, a tens\u00e3o, a esperan\u00e7a por uma vit\u00f3ria e at\u00e9 o pragm\u00e1tico \u201cse a gente empatar, j\u00e1 t\u00e1 bom\u201d, que circula entre os torcedores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 medida que nos aproximamos, as vozes se unem em um chamado, um clamor que vibra no ar, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">criando a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos prestes a entrar em um show que j\u00e1 iniciou. N\u00e3o deixa de ser um show, mas \u00e9 na verdade o aquecimento da \u201cGuarda Popular\u201d, uma das torcidas organizadas do Sport Club Internacional, que se re\u00fane para ir ao encontro do \u00f4nibus do Internacional chegando para a partida. Os integrantes tocam os instrumentos de percuss\u00e3o como se acendessem o cora\u00e7\u00e3o da torcida, cada acorde tocado cria um som pulsante e junto com os clamores, entoam o canto que demonstra amor ao clube. A m\u00fasica cantada durante o percurso afirma que a derrota n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, al\u00e9m referenciar e homenagear Fernand\u00e3o, \u00eddolo do time campe\u00e3o da Libertadores e do Mundial em 2006, que faleceu em 2014.<\/span><\/span><\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\">\u201cColorado, hoje eu vim te ver<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\">Ponha ra\u00e7a, n\u00e3o podemos perder<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\">Te levamos dentro do cora\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #ff0000;\">Essa barra que honra o Fernand\u00e3o.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Em meio \u00e0 vibra\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es tem-se a sensa\u00e7\u00e3o de que o jogo j\u00e1 come\u00e7ou antes do apito inicial. As m\u00fasicas ocupam o espa\u00e7o p\u00fablico, neste caso o est\u00e1dio, e transformam em um territ\u00f3rio afetivo, onde diferentes torcidas organizadas, cada uma com suas pr\u00f3prias sonoridades, se unem em uma harmonia sonora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma converg\u00eancia de estilos musicais em cada \u00e1rea das proximidades do Beira-Rio, cada grupo com seus pr\u00f3prios gostos musicais, mas com um \u00fanico prop\u00f3sito de estar ali em um s\u00e1bado de sol. A disputa do espa\u00e7o p\u00fablico e suas diferentes sonoridades, ali, enfrentam poucos desafios. Al\u00e9m da simpatia dos torcedores entre si pelo amor em comum pelo time, o Beira-Rio possui arredores amplos e organizados, possibilitando que cada um dos grupos aproveite o momento com suas pr\u00f3prias express\u00f5es sonoras. A entrada e os arredores do est\u00e1dio s\u00e3o de uma serenidade imensa, talvez o \u00faltimo suspiro dos torcedores frustrados com a situa\u00e7\u00e3o atual de seu clube.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>10&#8242; antes<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Ao entrar no est\u00e1dio pelo Port\u00e3o 9, que leva \u00e0 cadeira superior ao lado da torcida advers\u00e1ria, aquela alegria el\u00e9trica transcorre no corpo. O gramado surge como um enorme tapete verde, e a expectativa pelo que est\u00e1 prestes a come\u00e7ar se intensifica. Dali, observamos as diferentes torcidas quase como espectadores de um teatro: estamos acima da organizada do Inter, a Camisa 12, e no lado oposto da Popular. Nessa se\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio, o ambiente \u00e9 mais calmo. Na sua maioria, s\u00e3o fam\u00edlias e torcedores mais velhos, que acompanham o jogo de forma mais contida, sentados, em contraste com a energia mais vibrante das arquibancadas do outro lado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Pelas caixas de som, toca o hino do Internacional, anunciando que a partida se aproxima, enquanto o p\u00fablico vai ocupando seus lugares. Quando come\u00e7a o an\u00fancio da escala\u00e7\u00e3o, o est\u00e1dio se transforma em um espa\u00e7o onde a opini\u00e3o coletiva se manifesta. Cada nome provoca uma resposta: vaias secas para alguns, aplausos calorosos para outros, criando um mosaico sonoro que revela o humor da torcida antes mesmo da bola rolar. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Com o in\u00edcio do Hino Nacional, alguns se levantam, poucos cantam, e logo em seguida o foco se torna definitivamente coletivo, fixando-se nos jogadores que entram em campo.<\/span><\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1559-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-3.m4a?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-3.m4a\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-3.m4a<\/a><\/audio>\n<p><em><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">(\u00c1udio com a apresenta\u00e7\u00e3o dos jogadores do Internacional no in\u00edcio da partida)<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Quando a bola come\u00e7a a rolar a sensa\u00e7\u00e3o no Port\u00e3o 9 \u00e9 que estamos em um jogo de t\u00eanis, visto que os sons que mais ressoam no setor s\u00e3o as <span style=\"font-weight: 400;\">palmas quando um jogador realiza uma jogada boa ou o goleiro defende os chutes a gol do Bahia. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo estando pr\u00f3ximo da Camisa 12 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reconhecer as m\u00fasicas cantadas pelo grupo, uma vez que o som se dispersa e as can\u00e7\u00f5es da Guarda Popular ressoam mais alto.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">A entrada pelo port\u00e3o 7 \u00e9 menos amig\u00e1vel, torcedores com pressa buscam passar r\u00e1pido pelas catracas e se integrarem a torcida no setor mais democr\u00e1tico do est\u00e1dio. Sem assentos, apenas amparado pelas barras cl\u00e1ssicas de um est\u00e1dio de futebol, \u00e9 ali que a banda da Popular se estabelece. Entre faixas, bandeir\u00f5es e bateria, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de euforia. Neste jogo em espec\u00edfico, grandes hastes com a bandeiras nas cores do Rio Grande do Sul est\u00e3o espalhadas pelo setor.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1820\" style=\"width: 413px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1820\" class=\"wp-image-1820\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG_0372-576x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"710\" \/><p id=\"caption-attachment-1820\" class=\"wp-caption-text\">Torcida colorada leva bandeiras do RS para est\u00e1dio<\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>0&#8242; &#8211; 25&#8242;<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Antes mesmo de o apito soar, a banda da Guarda Popular j\u00e1 inicia a torcida. O som do tambor reverbera pelo est\u00e1dio e \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas daquele setor, mas de todo o Beira-Rio. O canto da torcida demora a esquentar e a tens\u00e3o presente no ar \u00e9 palp\u00e1vel na falta de disposi\u00e7\u00e3o dos torcedores de se envolver com o alento. At\u00e9 o primeiro gol, o canto e as rea\u00e7\u00f5es tem gosto de uma expectativa frustrada que o torcedor n\u00e3o deseja experimentar de novo em uma nova partida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00c9 gol de Carbonero, e a torcida vibra: ser\u00e1 que hoje sai os tr\u00eas pontos? O al\u00edvio foi passageiro, o VAR anulou o gol. Aqui, a torcida fica &#8211; se \u00e9 que era poss\u00edvel &#8211; ainda mais tensa. Aquele gostinho de esperan\u00e7a frustra um torcedor j\u00e1 exausto e isso reflete nas reclama\u00e7\u00f5es e gritos da torcida.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"V\u00eddeo torcedores bravos com o VAR\" width=\"493\" height=\"876\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QvI0zEmlPng?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>25&#8242; &#8211; 52&#8242;<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Logo, essa linha t\u00eanue, tensionada ao m\u00e1ximo que \u00e9 a insatisfa\u00e7\u00e3o da torcida, relaxa quando Inter garante um gol ainda no primeiro tempo. O torcedor se permite comemorar, mas com cautela, e os cantos vibram ainda mais atrav\u00e9s do Beira-Rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Ao se aproximar da \u00e1rea superior pr\u00f3xima \u00e0 Popular, instantes antes do gol marcado pelo Vitinho, parece que entramos em outro est\u00e1dio. Agora n\u00e3o mais de uma partida de t\u00eanis e sim do verdadeiro futebol. Uma vez que as sonoridades emitidas pelos torcedores tornam-se mais n\u00edtidas, pois os colorados deste setor entram em um ritmo, aumentam o volume do canto e deixam que as m\u00e3os subam e des\u00e7am ou batam as palmas, criando uma coreografia coletiva. Gritos de \u201cvaiii\u201d \u201cvamo inter\u201d \u201cchuta\u201d \u201cuuuuuh\u201d se misturam aos cantos e tambores. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">E cada gesto e som parece incentivar o time a buscar mais gols ao mesmo tempo em que transforma o ambiente em uma atmosfera vibrante e descontra\u00edda.\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Coreografia da torcida\" width=\"493\" height=\"876\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DkFF94BFgEU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Felipe Trotta afirma que &#8220;as m\u00fasicas t\u00eam um papel importante de compartilhar pensamentos morais e desafi\u00e1-los&#8221; (Trotta, 2023, p. 29) e entendemos que seus significados s\u00e3o resultados de avalia\u00e7\u00e3o e expectativas morais do ouvinte e a forma que ele interpreta as mensagens presentes. No contexto das torcidas do Internacional, os cantos v\u00e3o al\u00e9m dos ritmos, eles refor\u00e7am identidades coletivas e compartilham cren\u00e7as.\u00a0<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1559-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-7.mp3?_=2\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-7.mp3\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Midia-7.mp3<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\"><em>(\u00c1udio com os cantos da torcida)<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">E falando em cantos de torcida, n\u00e3o tem como ir a um jogo do Inter e n\u00e3o se deparar com as provoca\u00e7\u00f5es dirigidas ao rival (mesmo quando ele n\u00e3o est\u00e1 presente). Um dos cantos mais ic\u00f4nicos da torcida se espalha atr\u00e1s do gol, com um ritmo pulsante, carregado com um sorriso debochado de quem o canta. Ouvimos:\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #ff0000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSempre louco atr\u00e1s do gol<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Acendendo um do bom<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu voou<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Matar um puto tricolor<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">E depois de me chapar<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">A cerveja acabar<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Eu voou<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Matar um puto tricolor<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Vaamo Inter<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje temos que vencer<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Vaamo Inter<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje temos que vencer<\/span><\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><i><span style=\"font-weight: 400;\">Dale dale dale \u00f4\u00f4\u00f4\u201d<\/span><\/i><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Essa rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica entre os times chama a aten\u00e7\u00e3o, e chega a ser engra\u00e7ada. Afinal, muitos podem admitir que a gra\u00e7a de ser do Inter est\u00e1 em zoar o Gr\u00eamio, e que ser do Gr\u00eamio s\u00f3 faz sentido porque existe o Inter para provocar. A rivalidade \u00e9, assim, parte essencial da identidade ga\u00facha e do espet\u00e1culo do futebol local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>Intervalo<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Com o primeiro gol garantido, o clima melhorou entre os colorados. Ap\u00f3s o apito e o in\u00edcio do intervalo, \u00e9 poss\u00edvel escutar uma coisa quando a banda da Popular para por um instante: tem mais bandas no est\u00e1dio. Isso adiciona mais uma perspectiva a an\u00e1lise dessa tal linha tensionada que relaxa e estressa conforme o torcedor reage ao jogo, em momentos de insatisfa\u00e7\u00e3o ou vibra\u00e7\u00e3o coletiva e momentos de canto motivados pela banda da Popular.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Acionando os conceitos do artigo de Marra e do Vale (2020), <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">un\u00edssono<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> refere-se aos momentos em que uma coletividade se expressa como uma s\u00f3 voz, uma sonoridade homog\u00eanea, sincronizada, que simboliza coes\u00e3o e alinhamento entre os participantes. J\u00e1 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">balb\u00fardia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> diz respeito ao oposto: \u00e0 multiplicidade sonora, \u00e0 desordem produtiva formada por diferentes vozes, ritmos e inten\u00e7\u00f5es que coexistem no mesmo espa\u00e7o, gerando um ambiente complexo, heterog\u00eaneo e nem sempre harm\u00f4nico.<\/span>\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Idealmente, os momentos de un\u00edssono em um est\u00e1dio seriam aqueles em que toda a torcida se re\u00fane a cantar em uma s\u00f3 voz uma m\u00fasica durante o jogo, mostrando sua for\u00e7a em volume sonoro. Entre os colorados, no entanto e inclusive neste dia, existe mais de uma torcida organizada, e portanto mais de uma m\u00fasica sendo cantada e mais de uma banda tocando durante o jogo. Os momentos de uni\u00e3o nos cantos costuma acontecer em grandes partidas, decisivas ou finais, o que n\u00e3o vemos neste dia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">A reflex\u00e3o que cabe ser feita \u00e9 que talvez os verdadeiros momentos de un\u00edssono, frente a esse cen\u00e1rio, foram aqueles em que a torcida reagiu como uma s\u00f3 durante o jogo, vibrando com o gol ou xingando e resmungando durante a an\u00e1lise do VAR. Esses foram os momentos que verdadeiramente a torcida mostrou sua for\u00e7a como uma s\u00f3. Existe uma invers\u00e3o, ent\u00e3o, do que a balb\u00fardia representa nesse caso. Aqui, a balb\u00fardia existe nas manifesta\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas das torcidas, que geram menos impacto como um todo comparado com os momentos de comemora\u00e7\u00e3o e reclama\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1559-3\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-10.m4a?_=3\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-10.m4a\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-10.m4a<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b><em><span style=\"color: #000000;\">(\u00c1udio com um dos famosos c\u00e2nticos da torcida do Internacional)<br \/>\n<\/span><\/em><br \/>\n52&#8242; &#8211; 60\u2019<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">O segundo tempo iniciou com a domin\u00e2ncia do colorado e um gol aos 49\u2019, e \u00e9 poss\u00edvel ouvir um suspiro de al\u00edvio ecoar pelo est\u00e1dio. O n\u00f3 que estava bloqueando o f\u00f4lego do colorado ao cantar as m\u00fasicas \u00e9 retirado. Nesse momento, a banda toca as m\u00fasicas mais conhecidas pelo p\u00fablico e a manifesta\u00e7\u00e3o sonora fica ainda mais forte. O time brilha com a vibra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e tamb\u00e9m parece espelhar o \u00e2nimo das arquibancadas. Parece que \u00e9 a press\u00e3o do canto vibrando e impactando os corpos, que por vezes submete os jogadores do time advers\u00e1rio a falha em frente a goleira. Com o canto ecoando e a sensa\u00e7\u00e3o de ter todos os olhos em seus movimentos, o Bahia perdeu in\u00fameras oportunidades de gol neste meio tempo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>60\u2019 &#8211; 106&#8242;<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">O futebol como qualquer outro esporte \u00e9 uma caixa de surpresa e a qualquer momento pode ter uma reviravolta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">No port\u00e3o 7, ao lado da Popular, o clima \u00e9 tenso, diferente de outras partidas, n\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7as correndo pelos n\u00edveis da arquibancada ou sobre as barras para balan\u00e7ar as faixas no ritmo do canto. O momento de revolta com o desempenho do time dispersa os presentes e diminui a presen\u00e7a de muitos frequentadores ao est\u00e1dio. Com a baixa densidade, o clima \u00e9 tenso e o odor de cigarro toma conta do espa\u00e7o, o tempo chuvoso colabora com pingos eventuais sobre nossas cabe\u00e7as, que est\u00e3o descobertas por conta do setor escolhido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">\u00c9 neste clima, com o sabor da vit\u00f3ria na boca da torcida colorada que, nos seis minutos de acr\u00e9scimos finais do jogo, aos 94\u2019 o Bahia conquista a bola e faz o gol final da partida, transformando o sabor alegre em tristeza e nervosismo pela fase do time que piora a cada derrota e empate no campeonato.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com o placar 2 x 2 o Internacional e os colorados que pensavam que os 3 pontos na tabela do Campeonato Brasileiro estavam garantidos. O que, minutos antes era festa, se transforma e se apaga como uma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">vela<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, as palmas param e o coro se transforma em gritos de revolta. O que demonstra a capacidade de reconfigurar coletivamente os discursos musicais conforme o decorrer da partida, reafirmando expectativas e julgamentos sobre o time e o desempenho em campo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000;\"><b>Apito final<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O som do apito final explode em todos os cantos do est\u00e1dio quebrando a expectativa de mais um gol dos colorados. Aos poucos, em meio ao sil\u00eancio e passos lentos surgem murmurinhos que expressam descontentamento com o desempenho do time. <\/span>Sair de um jogo em que a vit\u00f3ria parecia t\u00e3o perto e empatar t\u00e3o pr\u00f3ximo do fim deixa um gosto amargo dif\u00edcil de engolir. Deixar o est\u00e1dio vira quase uma caminhada da vergonha, como pegar o trem de manh\u00e3, ainda com roupa de festa, enquanto todo mundo ao redor est\u00e1 a caminho do trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Para a despedida do time, n\u00e3o ouvimos aplausos ou felicita\u00e7\u00f5es. Na verdade, \u00e9 entoado o hino \u201cVergonha, vergonha; Time sem vergonha\u201d, um dos cantos de protesto mais gen\u00e9ricos do pa\u00eds, visto que \u00e9 usado por todos os torcedores insatisfeitos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vergonha! Time Sem vergonha!\" width=\"493\" height=\"876\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0AZ92YeqE6o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No setor 7 o clima de insatisfa\u00e7\u00e3o esvazia a arquibancada em minutos, as faixas s\u00e3o retiradas com rapidez e os corredores internos s\u00e3o reflexo do resultado insatisfat\u00f3rio. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ao passarmos pela parte externa do est\u00e1dio, onde dirigentes est\u00e3o presentes, parte da torcida protesta contra a administra\u00e7\u00e3o do clube, com palavras de \u00f3dio e xingamentos, e o presidente, Alexandre Barcellos, \u00e9 cobrado pelo desempenho e baixa nas vit\u00f3rias do time, que come\u00e7ou a temporada de 2025 como nunca antes. Assim como afirma Marra e Do Vale (2020, p. 320)<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">&#8221; A rua emerge como o espa\u00e7o no qual agentes vivenciam, enfrentam e questionam os fluxos de informa\u00e7\u00e3o, imagens, sons e slogans pol\u00edticos que circulam nas m\u00eddias tradicionais e novas, bem como onde aparecem e disputam a visibilidade p\u00fablica que dissemina suas pautas e garante a legitimidade de suas reivindica\u00e7\u00f5es.&#8221;\u00a0<\/span><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1559-4\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-13.m4a?_=4\" \/><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-13.m4a\">https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sport-Club-Internacional-13.m4a<\/a><\/audio>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"color: #000000;\"><em>(\u00c1udio com protesto dos torcedores contra os dirigentes do Sport Club Internacional)<\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p>Nos arredores, nada convida para que a festa continue. As ruas esvaziam r\u00e1pido e os sons da torcida viraram lembran\u00e7a, os bares n\u00e3o enchem e o torcedor quer ir para casa.\u00a0<span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Tal qual a noite termina silenciosa nos arredores do Beira-Rio, assim como come\u00e7ou, tamb\u00e9m se recolhem os sons que, por algumas horas, deram forma a um territ\u00f3rio vivo. Ao longo do jogo, a torcida desenhou no espa\u00e7o aquilo que podemos associar com o texto de Proto (2019), que apresenta o conceito de um territ\u00f3rio resistente: um lugar criado e sustentado pelo som, onde corpos, vozes e rela\u00e7\u00f5es humanas constroem uma comunidade em movimento, <span class=\"a_GcMg font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">\u201cO som parece existir, desta forma, como vetor pol\u00edtico, agenciador abstrato de uma micropol\u00edtica da escuta e da fala, produtor de lugares-a-ser.\u201d (Proto, 2019, p. 112)<\/span>. No est\u00e1dio, essa paisagem sonora \u00e9 a express\u00e3o da identidade de quem \u00e9 colorado, da m\u00edstica de um dia de jogo, formada desde os cl\u00e1ssicos cantos, os gritos, risadas, e brigas, do batuque que marca o passo da massa, at\u00e9 do sil\u00eancio atento que antecede um gol.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400; color: #000000;\">Entendemos assim, que os sons que atravessam o Beira-Rio n\u00e3o s\u00e3o apenas ru\u00eddos do futebol: s\u00e3o s\u00edmbolos culturais. A camisa vermelha, o copo na m\u00e3o, o \u00f3dio ritualizado ao rival e o pr\u00f3prio Gigante que hospeda a festa se tornam parte de um mesmo repert\u00f3rio sonoro-afetivo. \u00c9 uma cartografia sonora que desenha o que significa ser colorado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-weight: 400;\">De tal forma, essas sonoridades se traduzem como gostos, origens, hist\u00f3rias, valores e inc\u00f4modos. Se condensam em corpos e vozes que afirmam pertencimento, mas tamb\u00e9m marcam fronteiras: quem canta, de onde canta e para quem canta. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">E quando o est\u00e1dio se esvazia e o barulho se desfaz no ar, o territ\u00f3rio permanece na identidade coletiva. A paix\u00e3o colorada tem como parte de si o som como forma de exist\u00eancia compartilhada, como gesto de resist\u00eancia e celebra\u00e7\u00e3o, como uma festa que o Gigante abriga e que renasce, inteira, a cada novo jogo.<\/span><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\">REFER\u00caNCIAS<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">PROTO, Camila. Territ\u00f3rios resistentes: arte, som e sociedade. In: CASTANHEIRA, J. C. S; et al. (Orgs.). <strong>Poderes do som: pol\u00edticas, escutas e identidades.<\/strong> Florian\u00f3polis: Insular, 2019. p. 107-126.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">TROTTA, Felipe da Costa. <strong>Gosto musical, moral e inc\u00f4modos.<\/strong> MATRIZes, S\u00e3o Paulo, Brasil, v. 17, n. 2, p. 25\u201348, 2023. DOI: 10.11606\/issn.1982-8160.v17i2p25-48.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">MARRA, P. S.; DO VALE, A. B. M. Un\u00edssono e Balb\u00fardia: Sonoridades de protestos e manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de rua no Brasil. <strong data-start=\"190\" data-end=\"209\">Revista Eco-P\u00f3s<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 23, n. 1, p. 317\u2013339, 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistaecopos.eco.ufrj.br\/eco_pos\/article\/view\/27445. Acesso em: 26 nov. 2025.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Texto realizado como atividade final para a disciplina Semin\u00e1rio de Cultura e Comunica\u00e7\u00e3o, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter e pelo mestrando Gabriel Gil. Publicada na edi\u00e7\u00e3o #2 da revista digital Z: Zonas Zumbidos e um Zilh\u00e3o de coisas.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o (Fabico), UFRGS, dezembro de 2025.<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Z: Zonas, Zumbidos e um Zzzzilh\u00e3o de coisas Por Ana Paula Mendon\u00e7a, Laura Copelli, L\u00edvia Dinnebier e Martina Kipper 45&#8242; antes S\u00e1bado \u00e0 tarde, sol entre entre nuvens, enquanto vozes, passos e o barulho do tr\u00e2nsito ecoam no ar e &hellip; <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2025\/12\/10\/beira-rio-eu-sou-e-o-som-tambem\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[545],"tags":[],"class_list":["post-1559","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-z-zonas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1559"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1882,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1559\/revisions\/1882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}