{"id":188,"date":"2010-08-04T13:33:02","date_gmt":"2010-08-04T16:33:02","guid":{"rendered":"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/?p=188"},"modified":"2024-08-23T00:06:58","modified_gmt":"2024-08-23T03:06:58","slug":"fritando-o-sistema-tonal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2010\/08\/04\/fritando-o-sistema-tonal\/","title":{"rendered":"Fritando o sistema tonal"},"content":{"rendered":"<p>Foi por volta da d\u00e9cada de 1980 em que alguns guitarristas aparentemente (ou infelizmente) influenciados por Paganini desenvolveram t\u00e9cnicas de tocar guitarra mais r\u00e1pido. S\u00e3o aquelas famosas t\u00e9cnicas que fazem as revistas de guitarra serem vendidas feito \u00e1gua: hammer on\/of, sweep picking, e v\u00e1rias outras que at\u00e9 hoje n\u00e3o possuem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas. \u00c9 TUDO CULPA DO VAN HALEN!<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, o termo para esse estudo de tocar r\u00e1pido (pra mim um estudo mais anat\u00f4mico do que musical) se chama <em>Shred<\/em>. Aqui no Brasil, os malandros chamam de fritar, os veneradores de virtuose, e eu chamo de punhetea\u00e7\u00e3o. Agora que j\u00e1 explicitei minha parcialidade sobre o assunto, vamos avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>O YouTube \u00e9 um espa\u00e7o legal para fazer exatamente o oposto que eu sempre quis: separar esses solos gigantescos da m\u00fasica e public\u00e1-los em v\u00eddeo. A compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que algumas pessoas resolveram fazer esse momento narcisista ficar ao menos engra\u00e7ado. Apresento-vos mestre da anti-virtuose, StSanders:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2BrLEuzVCVQ&amp;feature=related]<\/p>\n<p>StSanders criou outros v\u00eddeos desse tipo, uma s\u00e9rie de overdubs em cima de guitarristas famosos. O processo \u00e9 simples, s\u00f3 requer equipamentos b\u00e1sicos (guitarra, microfone e um computador) e muita paci\u00eancia. O destaque para mim neste dub do Santana \u00e9 que em boa parte do tempo os instrumentos s\u00f3 soam quando entram em plano. Afinal, est\u00e1 \u00e9 a l\u00f3gica do v\u00eddeo, \u00e9 tocar algo muito tosco imitando o que os m\u00fasicos fazem em v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Abaixo est\u00e1 meu shred preferido, talvez por n\u00e3o ser de nenhum virtuose metaleiro.<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=89zM9pZzt0U]<\/p>\n<p>Essa sacada de StSanders extrapolou o \u00e2mbito do shred e j\u00e1 lida com outras tem\u00e1ticas. Repare como ele faz o Metallica se transformar em uma bandinha de garagem:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=q5Ffj5vMFM4]<\/p>\n<p>Atualmente ele avacalha um clipe cl\u00e1ssico tocando outra m\u00fasica no lugar da original. Agora j\u00e1 n\u00e3o tem mais nada de shred:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=L8CtWUY7nvg]<\/p>\n<p>Estou escrevendo um artigo sobre esses v\u00eddeos, focando na ideia de que eles irritam a M\u00fasica, e de alguma forma fazem aos poucos inchar sua mem\u00f3ria, se neutralizando como algo propriamente musical. Quando falo de M\u00fasica, estou falando em sua totalidade, tudo aquilo que pode ser entendido por m\u00fasica, todas as suas poss\u00edveis defini\u00e7\u00f5es. Eu trato disso mais adiante. Divirtam-se com as fritadas por enquanto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi por volta da d\u00e9cada de 1980 em que alguns guitarristas aparentemente (ou infelizmente) influenciados por Paganini desenvolveram t\u00e9cnicas de tocar guitarra mais r\u00e1pido. 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