{"id":1978,"date":"2026-07-09T17:38:57","date_gmt":"2026-07-09T20:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/?p=1978"},"modified":"2026-07-09T17:38:57","modified_gmt":"2026-07-09T20:38:57","slug":"samples-como-tecnologia-de-ressignificacao-e-reapropriacao-para-a-voz-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2026\/07\/09\/samples-como-tecnologia-de-ressignificacao-e-reapropriacao-para-a-voz-negra\/","title":{"rendered":"Samples como tecnologia de ressignifica\u00e7\u00e3o e reapropria\u00e7\u00e3o para a voz negra"},"content":{"rendered":"<p>Carolina Picetti, Eliana Vargas e Emilly Oliveira<\/p>\n<div id=\"attachment_1979\" style=\"width: 711px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-image-1979 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/imagem-para-o-inicio-do-texto.jpg\" alt=\"\" width=\"701\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/imagem-para-o-inicio-do-texto.jpg 701w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/imagem-para-o-inicio-do-texto-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/imagem-para-o-inicio-do-texto-500x300.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 701px) 100vw, 701px\" \/><p id=\"caption-attachment-1979\" class=\"wp-caption-text\">Block Party no Bronx, NY, em meados dos anos 70 (Cr\u00e9dito: Rick Flores)<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Imagine que voc\u00ea est\u00e1 agora em uma festa suburbana do Bronx, Estados Unidos, nos anos 70. O hip-hop gravita por todo o lugar, latas de cerveja e coca-cola preenchem os espa\u00e7os n\u00e3o ocupados pelos corpos negros dan\u00e7ando. Um ponto seguro em meio a uma realidade social racista e excludente. Um local de cria\u00e7\u00e3o e express\u00e3o da cultura e da identidade da comunidade negra. O que entra pelos ouvidos \u00e9 puro <\/span><b>sample<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Sugarhill Gang - Rapper&amp;apos;s Delight (Official Video)\" width=\"584\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mcCK99wHrk0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se voc\u00ea clicou no play da m\u00fasica anexada acima, voc\u00ea est\u00e1 experienciando agora Rapper\u2019s Delight de The Sugar Hill Gang, lan\u00e7ada em 79 e um dos primeiros hits de grande sucesso do g\u00eanero de rhythm and poetry (rap), que em seus prim\u00f3rdios, era baseado na t\u00e9cnica de <\/span><b>sample<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> de mixar as batidas de m\u00fasicas pr\u00e9-existentes para criar sonoridades novas onde o rapper poderia fazer as suas rimas por cima. Esta t\u00e9cnica surgiu de forma experimental algumas d\u00e9cadas antes da grava\u00e7\u00e3o desta m\u00fasica em quest\u00e3o, com o compositor franc\u00eas Pierre Schaeffer, em 1940, que utilizando da tecnologia da \u00e9poca, come\u00e7ou a fazer experimentos, manipulando os sons que gravava na cidade de Paris. Mas foi nas festas e com o movimento hip-hop surgido nos anos 70 que buscava a reafirma\u00e7\u00e3o cultural das comunidades afro-americanas (como j\u00e1 situamos), que o sample tomou popularidade e as caracter\u00edsticas que conhecemos atualmente. Aqui, samplear n\u00e3o \u00e9 mais usar um peda\u00e7o de um \u201coriginal\u201d para produzir uma \u201cc\u00f3pia\u201d, a t\u00e9cnica \u00e9 ressignificada como forma de express\u00e3o pol\u00edtico-social como exploraremos mais a fundo ao decorrer do texto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obviamente o rap enfrentou in\u00fameras cr\u00edticas, ancoradas nas ideologias racistas de setores conservadores da ind\u00fastria musical, que utilizava do argumento de que os m\u00fasicos deste estilo serviam-se de m\u00fasicas j\u00e1 existentes, para menosprezar o movimento e o estilo musical. A quest\u00e3o \u00e9 que a partir de discos j\u00e1 gravados, (grava\u00e7\u00e3o esta que envolve custos altos de produ\u00e7\u00e3o e equipamentos), eles eram capazes de comunicar seus pensamentos mesmo com baixo or\u00e7amento.\u00a0 Mas n\u00e3o por isto esta produ\u00e7\u00e3o era menos elaborada, os DJs analisavam as partes que mais engajavam as multid\u00f5es nas festas, combinavam beats e manipulavam discos, modificando os samples que serviriam de base para as vozes dos MCs.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Falando da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do sampleamento no movimento, podemos ver como esta t\u00e9cnica passou de um processo manual, fruto de adapta\u00e7\u00e3o aos poucos recursos, para ent\u00e3o transformar-se em um processo sofisticado e caracter\u00edstico. Kool Herc, um dos primeiros famosos nomes do movimento hip-hop, comprava discos de vinil id\u00eanticos para poder exercer suas manipula\u00e7\u00f5es nas festas do seu bairro Bronx. J\u00e1 nos anos 80, com o lan\u00e7amento do <\/span><b>E-mu SP-12<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (1985) e do ic\u00f4nico <\/span><b>Akai MPC60<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (1988), criado por Roger Linn, os produtores ganharam samplers com sequenciadores integrados. Hoje a maioria destas fun\u00e7\u00f5es foram transferidas para softwares que podem ser baixados no computador e celular.<\/span><\/p>\n<h1><b>DUAS BASES: REAFIRMA\u00c7\u00c3O E RESSIGNIFICA\u00c7\u00c3O<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A partir deste local, ou melhor, desta t\u00e9cnica, o sample serviu como ferramenta importante na forma\u00e7\u00e3o de identidade das comunidades negras, atuando em duas principais bases: a reafirma\u00e7\u00e3o e a ressignifica\u00e7\u00e3o. No surgimento do rap, era muito comum o sampleamento de discos de jazz, funk, soul e R&amp;B, estilos musicais j\u00e1 bastante produzidos e ouvidos por pessoas negras. Ao reutilizar das produ\u00e7\u00f5es de artistas negros que vieram primeiro e ajudaram a formar a base das vozes negras no mundo da m\u00fasica e da cultura, estes novos produtores e cantores reafirmavam seu espa\u00e7o em um ambiente ainda hostil, denunciavam as injusti\u00e7as, o preconceito e o racismo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o raras vezes, vimos artistas brancos roubarem e lucrarem em cima de vozes negras, como exemplificaremos mais adiante. A vis\u00e3o colonialista imperial n\u00e3o ficou restrita aos s\u00e9culos passados, assim como explicita muito bem a autora Ariella Azoulay: \u201cA reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 entendida nesse contexto como um procedimento neutro, pronto para ser usado por aqueles que disp\u00f5em dos meios, \u00e0 revelia do desejo dos donos dos objetos expropriados.\u201d (2019, pg. 120). As a\u00e7\u00f5es que muitos chamam de liberdade, por vezes feriram as outras formas de viver, deixando marcas profundas nas mais diferentes esferas sociais e culturais,\u00a0 como na fotografia, tema explorado em seu texto, mas tamb\u00e9m em outras formas de express\u00e3o que v\u00e3o al\u00e9m do visual, na m\u00fasica por exemplo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por isto, a ressignifica\u00e7\u00e3o \u00e9 outra das principais bases do sample como tecnologia para as vozes negras, os DJs tamb\u00e9m passaram a utilizar discos de artistas brancos que por anos se apropriaram das produ\u00e7\u00f5es negras, para dar novo sentido, reconquistando uma hist\u00f3ria que foi interrompida pelas inten\u00e7\u00f5es imperialistas e unilaterais. Este texto explora a import\u00e2ncia desta tecnologia para a popula\u00e7\u00e3o negra e a necess\u00e1ria compreens\u00e3o das constantes expropria\u00e7\u00f5es \u00e0s quais foram submetidos.\u00a0 Patricia Hill Collins, importante soci\u00f3loga defensora do feminismo negro contempor\u00e2neo, descreve a relev\u00e2ncia das pr\u00e1ticas de resist\u00eancia, onde aqui podemos inserir o sample e o hip hop, para a reafirma\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia, assim desobjetificando as vozes negras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essas mesmas ferramentas de interseccionalidade tamb\u00e9m podem ser usadas para examinar a resistencia contra a desigualdade social. O movimento das mulheres negras no Brasil, o hip-hop como forma de pol\u00edtica cultural e o ativismo digital sugerem que a resposta \u00e0 desigualdade social n\u00e3o precisa ser uma capitula\u00e7\u00e3o. (COLLINS, 2020, pg. 277)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente o sample \u00e9 amplamente utilizado na ind\u00fastria da m\u00fasica e como \u00e9 um processo que envolve inevitavelmente utilizar algo que j\u00e1 foi produzido por algu\u00e9m, entra em discuss\u00e3o os direitos autorais e a moralidade. Apesar disto, esta \u00e9 uma pr\u00e1tica que ainda hoje desempenha pap\u00e9is sociais fundamentais como veremos em exemplos mais adiante.<\/span><\/p>\n<h1><b>ARQUEOLOGIA DA M\u00cdDIA E O SAMPLE<\/b><\/h1>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para o te\u00f3rico alem\u00e3o Siegfried Zielinski (2006), um modo de descrever a arqueologia das m\u00eddias seria a escava\u00e7\u00e3o das ideias perdidas, das hist\u00f3rias alternativas e das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia das m\u00eddias. A seguir, estabelecemos uma uni\u00e3o entre esse conceito apresentado e o ato de samplear. <span style=\"font-weight: 400;\">Em um artigo sobre o tema, \u00a0Jussi Parikka nos provoca a pensar sobre o fato de na sociedade p\u00f3s-Segunda Guerra, existir uma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">aprecia\u00e7\u00e3o pelo obsoleto, pelo velho e pelo anal\u00f3gico. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Neste mesmo artigo h\u00e1 um complemento interessante a ser citado: \u201co novo \u00e9 potencialmente menos interessante que as maneiras como o velho \u00e9 adaptado, reciclado e representado de maneira recorrente.\u201d (PARIKKA, 2017). Foi ao sermos impactadas por essas cita\u00e7\u00f5es que escolhemos construir um pensamento cr\u00edtico acerca de como samplear oportuniza a ascens\u00e3o na cena musical e na m\u00eddia para outros artistas a partir do aproveitamento de um material sonoro j\u00e1 consumido anteriormente pelos ouvintes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora uma quest\u00e3o: samples s\u00e3o c\u00f3pias ou pl\u00e1gios? Essa declara\u00e7\u00e3o parece simples, mas origina um debate muito mais complexo. Mesmo que exista, em uma perspectiva legal, uma forma de definir isto, tamb\u00e9m existem diversos fatores que dificultam esta an\u00e1lise. Na realidade, a cultura e seus bens n\u00e3o seguem um modelo progressivo linear. Se questionar sobre que obra teria vindo primeiro \u00e9 como criar um paradoxo, onde talvez nunca haja uma resposta definitiva. De nenhum modo poder\u00edamos conseguir separar o \u201cantigo\u201d e o \u201cmoderno&#8221;, sempre encontraremos o \u201cvelho no novo\u201d e o \u201cnovo no velho\u201d. No meio musical tamb\u00e9m funciona dessa maneira, j\u00e1 que novos artistas se inspiram em outros que vieram antes, e estes mesmos j\u00e1 se inspiraram em outros mais antigos ainda. Usar obras j\u00e1 existentes como material de apoio para criar uma nova obra \u00e9 um \u00f3timo meio de se inserir, e isso vale muito para um artista iniciante. Mas como isso afeta artistas negros iniciantes?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo da hist\u00f3ria, as pessoas negras sempre precisaram mostrar o seu valor para a sociedade, como se o tom da sua pele te fizesse menos merecedor de algo. Por isso, essas pessoas sempre precisaram estudar o dobro, trabalhar o dobro, se esfor\u00e7ar o dobro em compara\u00e7\u00e3o a uma pessoa branca. Isto \u00e9 algo internalizado, um pensamento que, mesmo n\u00e3o intencional, move quem nasce negro. Na m\u00fasica, quando se imagina artistas brancos, eles t\u00eam a liberdade po\u00e9tica de errar, aprender e tentar de novo, caso a carreira musical n\u00e3o tenha sucesso, e muitos podem encar\u00e1-la como uma esp\u00e9cie de hobbie, algo que, se n\u00e3o der certo, n\u00e3o afetar\u00e1 sua vida privilegiada. Para uma pessoa negra, o peso \u00e9 bem diferente. Nunca existe a possibilidade de falhar, fracassar n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, pois isso resulta em perda de tempo, algo precioso que quem n\u00e3o tem muitos privil\u00e9gios n\u00e3o consegue usufruir. O artista negro, ainda mais se for independente, tem o dever de se mostrar como o melhor, logo de \u00ednicio. Por mais que come\u00e7ar no meio musical seja dif\u00edcil para todos, ainda mais sem os equipamentos de qualidade necess\u00e1rios, o peso de avalia\u00e7\u00e3o continua sendo desigual. Se um artista branco independente criar uma m\u00fasica na garagem de sua casa, sem aux\u00edlio de equipamentos, ser\u00e1 considerado algo experimental, uma tentativa que poder\u00e1 ser aprimorada. Agora esta mesma situa\u00e7\u00e3o, sendo um artista negro independente, n\u00e3o ser\u00e1 vista da mesma forma. Ir\u00e3o enxergar o som produzido como algo inferior. Negros n\u00e3o t\u00eam a oportunidade de experimentar. Logo, alcan\u00e7ar o estrelato e viver da arte n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o simples.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Retomando o aspecto de senso de pertencimento, na cena musical os artistas negros tendem a se apoiar, criando uma rede de amparo entre eles, e \u00e9 por conta desse apoio que aqueles que j\u00e1 alcan\u00e7aram o sucesso levam junto artistas pequenos. Como uma pessoa negra que nasceu em uma regi\u00e3o perif\u00e9rica, \u00e9 f\u00e1cil notar como existem diversos incentivos ao consumo da cultura em bairros de classe mais baixa, e mesmo na universidade me sinto mais pr\u00f3xima de outros estudantes que compartilham de viv\u00eancias similares por aspectos raciais e geogr\u00e1ficos. Eu vivo a experi\u00eancia do senso de comunidade diariamente, e ao consumir m\u00fasicas de artistas negros esta arte se conecta em mim num lugar mais profundo. Por isso me considero um exemplo de como se sentir pertencido no ambito musical \u00e9 muito importante e fazer com que cada vez mais artistas negros tenham reconhecimento \u00e9 uma vit\u00f3ria para a nossa comunidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E para que esses novos artistas tenham mais reconhecimento, o uso dos samples \u00e9 uma porta de entrada. Para explicar melhor, uso como exemplo a cena de rap feminino brasileiro, composta por mulheres negras, atravessadas pela interseccionalidade. Artistas como Ajuliacosta, Duquesa, Ebony, Nanda Tsunami, Tasha &amp; Tracie participam de projetos juntas, sobem no mesmo palco e demonstram apoio umas \u00e0s outras sempre que podem. Estas e outras artistas j\u00e1 participaram do projeto da produtora Pineapple Storm, intitulado \u201cPoetisas no topo\u201d, uma edi\u00e7\u00e3o composta apenas por mulheres criada ap\u00f3s o surgimento e sucesso do \u201cPoetas no topo\u201d. O projeto segue o formato de cypher, que seria uma roda de improviso onde v\u00e1rios MCs ou cantores rimam ou cantam em sequ\u00eancia, sobre a mesma batida. Mas nesse caso, o cypher sofre algumas altera\u00e7\u00f5es. Aqui o improviso sai de cena e d\u00e1 lugar a letras previamente elaboradas e beats de produ\u00e7\u00e3o de extrema qualidade. Curiosamente, a primeira edi\u00e7\u00e3o, que lan\u00e7ou o projeto de maneira oficial, fez uso de um sample. A m\u00fasica que leva o mesmo nome do projeto, composta por <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mariana Mello, Karol de Souza, Drik Barbosa, Azzy, Nabrisa, Souto e Bivolt<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> usou o sample da m\u00fasica \u2018Diamonds Are Forever\u2019 da cantora brit\u00e2nica, Shirley Bassey.\u00a0<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Poetisas no Topo\u2019 \u2013 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">(part. Mariana Mello, Karol de Souza, Azzy, Souto, Bivolt e Drik Barbosa)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Poetisas no Topo - Mariana Mello | Nabrisa | Karol de Souza | Azzy | Souto | Bivolt | Drik Barbosa\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oZYIIPPLfjY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Diamonds Are Forever\u2019 \u2013 Shirley Bassey<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Diamonds Are Forever\" width=\"584\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jboEolwHIIA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esta m\u00fasica cria uma hist\u00f3ria alternativa em cima de uma batida j\u00e1 existente. O fundamento segue o mesmo, mas a narrativa criada em cima, ou seja, a letra, contam coisas diferentes. \u00c9 um casamento perfeito entre a inova\u00e7\u00e3o da nova letra e a nostalgia da batida, mostrando que o novo e o antigo n\u00e3o precisam se opor e se separar, mas podem caminhar juntos na cria\u00e7\u00e3o de algo nunca visto. As rappers, ao se inspirarem na can\u00e7\u00e3o de Bassey, utilizam a sonoridade j\u00e1 conhecida por uma parcela do p\u00fablico como oportunidade de transmitir uma nova mensagem e criar uma conex\u00e3o com os consumidores do seu g\u00eanero musical. O projeto por si s\u00f3 poderia ter feito sucesso, j\u00e1 que a proposta dele \u00e9 inovadora no cen\u00e1rio nacional, mas sem d\u00favidas, a utiliza\u00e7\u00e3o do sample \u00e9 um fator importante a ser considerado. As cantoras n\u00e3o apenas beneficiam a si mesmas, mas tamb\u00e9m o legado da cantora Shirley Bassey, difundindo o talento dela para um novo p\u00fablico que poderia n\u00e3o a ter conhecido antes.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estas \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam como costume resgatar itens do passado e glorific\u00e1-los, e isso torna a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas tecnologias e formas de express\u00e3o art\u00edsticas um processo lento. Tudo que surge de novidade estoura na m\u00eddia e some na mesma velocidade. \u00c9 necess\u00e1rio estar sempre se reinventando e criando novas f\u00f3rmulas para se manter no topo. Mas o ato de samplear se torna quase um respiro na atualidade. Mostra como a reciclagem do velho pode ser t\u00e3o interessante quanto a inova\u00e7\u00e3o \u201cpura\u201d. Mas os samples n\u00e3o agem apenas como uma base para a cria\u00e7\u00e3o de algo novo. H\u00e1 aspectos importantes sobre samples que ser\u00e3o vistos a seguir. <\/span><\/p>\n<h1><b>O QUE \u00c9 A RESSIGNIFICA\u00c7\u00c3O, A REAPROPRIA\u00c7\u00c3O E SUA IMPORT\u00c2NCIA<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a escravid\u00e3o, a m\u00fasica compunha uma parte importante da rotina dos escravizados, era por meio dela que eles fortaleciam seus la\u00e7os familiares e expressavam suas emo\u00e7\u00f5es. Assim, a m\u00fasica foi um dos bens culturais mais importantes para a constru\u00e7\u00e3o de comunidades afro-americanas. Atrav\u00e9s dela, os escravizados conseguiam se comunicar entre si e com seus opressores, as m\u00fasicas cantadas durante as horas de labuta e \u00e0 noite, quando finalmente conseguiam descansar, deixavam uma mensagem clara \u00e0queles que se achavam no direito de ter controle sobre os corpos de pessoas negras: de que eles estavam l\u00e1 e que iriam lembrar seus opressores disso, de que poderiam tir\u00e1-los de suas fam\u00edlias e seu continente, mas que iriam se reerguer e criar novas comunidades, apesar de tudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, mesmo ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, o povo negro continuou passando por uma insistentente exclus\u00e3o de corpos e invisibilidade sociocultural. Eram livres, mas n\u00e3o possu\u00edam um lugar para reivindicar para si. Que espa\u00e7o ocupam quando nunca lhes foi dado um espa\u00e7o para chamar de seu? A m\u00fasica continuava sendo uma de suas principais formas de express\u00e3o, mas mesmo assim, a sua entrada e perman\u00eancia na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica era dificultada tanto pelos produtores quanto pelo p\u00fablico branco racista. Com o passar das d\u00e9cadas, pessoas pretas conseguiram se instalar na ind\u00fastria musical devido a popularidade que o soul, rock n\u2019roll, R&amp;B e o jazz (g\u00eaneros musicais nascidos dentro de sua comunidade) ganharam. Infelizmente, esses g\u00eaneros s\u00f3 conseguiram ter notoriedade na medida em que foram apropriados por produtores e artistas brancos, com o rock n\u2019roll sendo um dos maiores exemplos: voc\u00ea consegue se lembrar de alguma banda de rock mainstream que tenha algum integrante negro, que dir\u00e1 uma formada apenas por pessoas negras? Pessoas negras ao longo do tempo tiveram que se reinventar, criar algo pr\u00f3prio. Mas mesmo assim essas propriedades eram tomadas. N\u00e3o era incomum nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960 que uma m\u00fasica de um artista negro fosse regravada por um cantor branco e, assim, ficasse mais popular que a original (como veremos em um exemplo a seguir). \u00c9 aqui que o sample entra, ap\u00f3s tanto tempo sendo esquecidos e apagados, v\u00e1rios artistas negros agora recebiam a sua devida aten\u00e7\u00e3o ao serem sampleados por outros m\u00fasicos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O sampleamento nasceu no movimento hip-hop e usou de base m\u00fasicas de soul, jazz e R&amp;B do come\u00e7o do s\u00e9culo XX, que foram extremamente marginalizadas em sua \u00e9poca. A partir do sample, come\u00e7a o processo de ressignifica\u00e7\u00e3o e reapropria\u00e7\u00e3o. Ressignificar e reapropriar se referem a oportunidade que artistas negros tiveram de ressignificar o padr\u00e3o de m\u00fasica imposto na ind\u00fastria e criar algo pr\u00f3prio e, ao mesmo tempo, introduzir ao p\u00fablico m\u00fasicas e artistas menos conhecidos\/esquecidos ao se reapropriar do seu legado musical enquanto comunidade. Samplear \u00e9 uma forma de resgatar a m\u00fasica e fazer com que a mem\u00f3ria de artistas de eras passadas continue viva, mantendo suas obras ainda no imagin\u00e1rio coletivo. \u00c9 por meio dele que a espa\u00e7o musical negro consegue se fortalecer: artistas v\u00e3o referenciando uns aos outros, mostrando que mesmo que a grande ind\u00fastria fonogr\u00e1fica se esque\u00e7a ou n\u00e3o preste aten\u00e7\u00e3o neles, sua comunidade os ir\u00e1 dar a devida aten\u00e7\u00e3o. Um exemplo de resgate musical e preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de artistas esquecidos pela ind\u00fastria \u00e9 \u2018Vegas\u2019 de Doja Cat, a m\u00fasica foi feita pela rapper para o filme biogr\u00e1fico de Elvis Presley de 2022, onde ela usa a m\u00fasica \u2018Hound Dog\u2019 de sample. Por\u00e9m, a vers\u00e3o da m\u00fasica que Doja usou de sample n\u00e3o \u00e9 a de Elvis, mas sim a de Big Mama Thornton, uma cantora negra de blues e R&amp;B dos anos 50. Ela foi regravada por Elvis alguns anos depois de seu lan\u00e7amento. Ao ouvir essa m\u00fasica pela primeira vez, \u00e9 f\u00e1cil de se identificar o sample, afinal, \u2018Hound Dog\u2019 se tornou uma das m\u00fasicas mais famosas do s\u00e9culo XX devido a regrava\u00e7\u00e3o de Elvis, mas pelo fato de p\u00fablico associar muito essa m\u00fasica a ele \u2013 e muitas vezes, n\u00e3o saber que sua vers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a original \u2013, n\u00e3o \u00e9 de se admirar que existam questionamentos em meio aos ouvintes sobre quem \u00e9 a mulher que est\u00e1 cantando (uma vez que \u00e9 bem identific\u00e1vel o fato de n\u00e3o ser a Doja Cat, suas vozes s\u00e3o bem diferentes). Por isso, ao samplear a vers\u00e3o original de \u2018Hound Dog\u2019, sentimos que Doja n\u00e3o s\u00f3 reapropria a m\u00fasica original para a comunidade negra dando voz para Big Mama depois de tantos anos, e ressignifica a vers\u00e3o regravada ao montar uma cr\u00edtica sobre a apropria\u00e7\u00e3o de artistas brancos da m\u00fasica e voz negra, como tamb\u00e9m instiga a curiosidade do p\u00fablico sobre quem \u00e9 Big Mama, fazendo com que mais pessoas conhe\u00e7am sua carreira e legado.<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Vegas\u2019 \u2013 Doja Cat<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Doja Cat - Vegas (From the Original Motion Picture Soundtrack ELVIS) (Official Video)\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QZp2biJul1c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Hound Dog\u2019 \u2013 Big Mama Thornton<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Big Mama Thornton   Hound Dog\" width=\"584\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BmpwvxW0gW0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Hound Dog\u2019 \u2013 Elvis Presley<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elvis Presley - Hound Dog (Official Audio)\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-eHJ12Vhpyc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ademais, o sampleamento tamb\u00e9m ressignifica o padr\u00e3o musical imposto na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica ao desafiar as normas convencionais de cria\u00e7\u00e3o musical e o conceito de originalidade. Nos prim\u00f3rdios do sample, DJs amadores usavam discos e fitas cassetes para gravar uma parte da m\u00fasica que achavam interessante e depois as usavam em seus remixes e m\u00fasicas autorais. Como o m\u00fasico e produtor\u00a0 Jason O\u2019Brian coloca em uma entrevista ao Abbey Road Institute:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que a era de ouro do sampleamento deixou um legado massivo para os produtores de hoje em dia, principalmente por sua \u00e9tica DIY (do it yourself), uma atitude punk rock de que tudo \u00e9 poss\u00edvel, a sua natureza rebelde e ilegal e sua disposi\u00e7\u00e3o a explorar, apreciar e reimaginar artistas obscuros. Ele demanda que voc\u00ea mixe e misture g\u00eaneros e incentiva voc\u00ea a ser independente e liberto musicalmente. (O\u2019Bryan, 2020)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A t\u00e9cnica de samplear fez muitos pensarem sobre o que \u00e9 original ou n\u00e3o na esfera musical. Por mais que usassem diversas m\u00fasicas de outros artistas (na maioria das vezes sem autoriza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que eram DJs amadores) os precursores do sampleamento dentro do movimento Hip-Hop criavam novas obras a partir daquelas usadas de base. N\u00e3o s\u00f3 novas m\u00fasicas eram criadas, como um novo g\u00eanero musical inteiro foi criado a partir de samples: o rap. Acaba que a t\u00e3o debatida \u201cn\u00e3o originalidade\u201d do sample originou todo um g\u00eanero musical que se tornaria um dos maiores s\u00edmbolos da cultura negra em todo o continente americano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m disso, o sampleamento \u00e9 importante para a conex\u00e3o da comunidade art\u00edstica negra em geral, n\u00e3o apenas \u00e0 estadunidense. Por mais que a t\u00e9cnica e os g\u00eaneros relacionados a ela (jazz, soul, R&amp;B, blues, rap e etc.) tenham surgido nas periferias norte-americanas, o uso de samples e seu papel na resigna\u00e7\u00e3o ainda s\u00e3o extremamente importantes para outros g\u00eaneros musicais de origem negra e perif\u00e9rica do resto do continente americano, como \u00e9 no caso do funk brasileiro. O funk tem o sampleamento como sua base, assim como o rap, por\u00e9m, eles se diferem nos quesitos de batidas, tem\u00e1ticas e focos: \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O rap tradicional sempre foi sobre versos conscientes, rimas afiadas e hist\u00f3rias da quebrada.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> [&#8230;] O funk, por sua vez, tem aquele rebolado, batida dan\u00e7ante e letras que falam de relacionamentos, festas e cotidiano da favela.\u201d (Mendes, 2025)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ressignifica\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas atrav\u00e9s do sample no funk \u00e9 bem diferente da que o rap possui. Isso se d\u00e1 em virtude das origens s\u00f3cio-culturais divergentes de cada um desses g\u00eaneros. O rap \u00e9 um g\u00eanero musical que foi muito marginalizado durante a \u00e9poca de sua cria\u00e7\u00e3o \u2013 como falamos no in\u00edcio do texto \u2013, mas que conseguiu obter sucesso internacionalmente muito mais r\u00e1pido do que o funk, por conta da ind\u00fastria musical estadunidense ser mais forte e consolidada que a brasileira. O funk tamb\u00e9m come\u00e7ou com o uso de samples de soul e R&amp;B, fazendo com que o uso de m\u00fasicas norte-americanas no sampleamento seja o mais comum dentro do g\u00eanero. Assim, um artista negro brasileiro sampleiar a m\u00fasica de um artista negro estadunidense mostra que mesmo que n\u00e3o possuam a mesma fama e reconhecimento internacional, ainda fazem parte da mesma comunidade art\u00edstica. Por meio das refer\u00eancias musicais, m\u00fasicos ressignificam a produ\u00e7\u00e3o estadunidense trazendo ela para um contexto totalmente latinoamericano. Um bom exemplo desse tipo de ressignifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica \u2018Sou M\u00e1\u2019, de Ludmilla com participa\u00e7\u00e3o da dupla Tasha e Tracie, um Funk que sampleia \u2018Nice\u2019 de Beyonc\u00e9 e Jay-Z. Conseguir a aprova\u00e7\u00e3o para o uso de uma faixa de uma artista t\u00e3o grande quanto Beyonc\u00e9 n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil. Esse sampleamento \u00e9 fruto do \u00e1rduo trabalho que as artistas brasileiras fizeram durante seus anos de carreira. E, tamb\u00e9m, s\u00edmbolo da admira\u00e7\u00e3o de Ludmilla pela cantora estadunidense (que no come\u00e7o da carreira tinha o nome art\u00edstico de MC Beyonc\u00e9) e prova concreta de que mesmo ap\u00f3s tanta luta e opress\u00e3o em todo o continente, a comunidade art\u00edstica negra consegue ser unida e passar a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento para todos, mesmo que estejam geograficamente distantes.\u00a0<\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Sou M\u00e1\u2019 \u2013 Ludmilla feat. Tasha e Tracie<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ludmilla feat. Tasha e Tracie - Sou M\u00e1 (Official Music Video)\" width=\"584\" height=\"329\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QRfSiCkdeuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<ul>\n<li style=\"font-weight: 400;\" aria-level=\"1\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u2018Nice\u2019 \u2013 The Carters (Beyonc\u00e9 e Jay-Z)<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NICE\" width=\"584\" height=\"438\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sFr9kfq4zLw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/h1>\n<p><b>CONTER, Marcelo Bergamin. Lo-fi: m\u00fasica pop em baixa defini\u00e7\u00e3o. 1a edi\u00e7\u00e3o. Curitiba, PR: Appris Editora, 2016. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">(Cole\u00e7\u00e3o Ci\u00eancias da comunica\u00e7\u00e3o).<\/span><\/p>\n<p><b>Ariella Azoulay Na Zum 2020 | PDF. Scribd. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/695944342\/ariella-azoulay-na-zum-2020\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/pt.scribd.com\/document\/695944342\/ariella-azoulay-na-zum-2020<\/span><\/a><b>&gt;. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Acesso em: 11 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>COLLINS, Patricia Hill. Interseccionalidade. S\u00e3o Paulo, SP: Boitempo, 2021.<\/b><\/p>\n<p><b>PARIKKA, Jussi. Arqueologia da m\u00eddia: interrogando o novo na artem\u00eddia.<\/b> <b>Intexto<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><b>Porto Alegre, n. 39, p. 201\u2013214, 2017.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> DOI: 10.19132\/1807-8583201739.201-214. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/intexto\/article\/view\/71569\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/intexto\/article\/view\/71569<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 11 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>A(na)rqueologias das m\u00eddias<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. [s.l.]: Appris Editora e Livraria Eireli &#8211; ME, 2021.<\/span><\/p>\n<p><b>Music and Monticello\u2019s Enslaved Community<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Monticello. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.monticello.org\/stories\/music-and-monticellos-enslaved-community\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.monticello.org\/stories\/music-and-monticellos-enslaved-community<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 5 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>Black Music: Often Appropriated Can\u2019t Be Duplicated<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 The Bay State Banner. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/baystatebanner.com\/2014\/01\/08\/black-music-often-appropriated-cant-be-duplicated\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/baystatebanner.com\/2014\/01\/08\/black-music-often-appropriated-cant-be-duplicated\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 6 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>Sampling: Its Role In Hip Hop And Its Legacy In Music Production Today<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/abbeyroadinstitute.co.uk\/blog\/sampling-role-in-hip-hop-and-its-legacy-in-music-production\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/abbeyroadinstitute.co.uk\/blog\/sampling-role-in-hip-hop-and-its-legacy-in-music-production\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 7 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>Como o funk surgiu no Brasil e quais s\u00e3o suas principais pol\u00eamicas? | Politize!<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.politize.com.br\/funk-no-brasil-e-polemicas\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.politize.com.br\/funk-no-brasil-e-polemicas\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 11 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>JACK PEARSON.<\/b> <b>The History of Sampling in Music<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. [s.l.: s.n.], 2023. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IjVRAf97Pac\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IjVRAf97Pac<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 26 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>Hip-Hop, Cultura &#8211; Portal Contempor\u00e2neo da Am\u00e9rica Latina e Caribe<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-hip-hop-cultura\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/sites.usp.br\/portalatinoamericano\/espanol-hip-hop-cultura<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 27 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>H\u00e1 50 anos, jovens do Bronx inventavam o hip-hop<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. dw.com. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/h%C3%A1-50-anos-jovens-do-bronx-inventavam-o-hip-hop\/a-66505788\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/h%C3%A1-50-anos-jovens-do-bronx-inventavam-o-hip-hop\/a-66505788<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 28 jun. 2026.<\/span><\/p>\n<p><b>MENDES, Yhago. Voc\u00ea consegue diferenciar um artista de rap, trap e funk hoje?<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"https:\/\/murbbrasil.com\/voce-consegue-diferenciar-um-artista-de-rap-trap-e-funk-hoje\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/murbbrasil.com\/voce-consegue-diferenciar-um-artista-de-rap-trap-e-funk-hoje\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">&gt;. Acesso em: 28 jun. 2026.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carolina Picetti, Eliana Vargas e Emilly Oliveira Imagine que voc\u00ea est\u00e1 agora em uma festa suburbana do Bronx, Estados Unidos, nos anos 70. 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