{"id":319,"date":"2011-04-14T20:04:53","date_gmt":"2011-04-14T23:04:53","guid":{"rendered":"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/?p=319"},"modified":"2024-08-23T00:13:02","modified_gmt":"2024-08-23T03:13:02","slug":"gilles-deleuze-e-as-imagem-movimento-e-imagem-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2011\/04\/14\/gilles-deleuze-e-as-imagem-movimento-e-imagem-tempo\/","title":{"rendered":"Gilles Deleuze e as imagem-movimento e imagem-tempo"},"content":{"rendered":"<p>Gilles completa seu doutorado no final da d\u00e9cada de sessenta com a tese Diferen\u00e7a e Repeti\u00e7\u00e3o e eis que nasce o autor Deleuze, um pensador franc\u00eas \u201cfilho de maio de 68\u201d. Com uma extensa bibliografia que envolve artes, psicologia e filosofia, em meados da d\u00e9cada de oitenta publica dois livros sobre o cinema. S\u00f3 de modo introdut\u00f3rio, vamos dar conta bem por cima de dois conceitos que aparecem no livro.<\/p>\n<p>Os livros s\u00e3o irm\u00e3os e se chamam Imagem-movimento e Imagem-tempo. Neles, Deleuze faz uma extensa an\u00e1lise de novas imagens que o cinema apresenta, derivados do pensamento moderno. O t\u00edtulo de cada livro corresponde a um conceito que neles s\u00e3o desenvolvidos.<\/p>\n<p>No primeiro, o autor descreve a montagem no cinema cl\u00e1ssico (filmes antigos como Ben-Hur, mas tamb\u00e9m novos como Titanic). Ele destaca que o modo como os planos eram sequenciados buscavam criar uma sensa\u00e7\u00e3o natural de movimento. Por exemplo, se filmamos um di\u00e1logo entre duas pessoas e usamos dois planos diferentes, um enquadramento para cada ator, podemos tomar a fala de cada um em dias diferentes, mas restituir o fluxo desse di\u00e1logo ao montar os planos de modo sequencial e que aparente ser um fluxo natural, veross\u00edmil. O cinema n\u00e3o nos d\u00e1 o movimento das coisas tal como elas s\u00e3o, no entanto \u00e9 capaz de criar uma imagem desse movimento. Esse tipo de montagem vemos o tempo todo nas novelas, nas sitcoms etc.<\/p>\n<p>Por exemplo, veja o v\u00eddeo abaixo. Entre 0:16 e 0:21 h\u00e1 uma troca de plano exatamente quando o ator senta ao piano. No entanto, se assistirmos com aten\u00e7\u00e3o, o primeiro plano termina quando ele coloca a m\u00e3o direita sobre as teclas, e o segundo come\u00e7a um pouco antes disso. N\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o do diretor que isso ocorresse, mas s\u00e3o falhas que ocorrem quando se filma uma tomada por vez, dificultando o encaixe. Isso n\u00e3o atrapalha o desenvolvimento: por vezes esse tipo de coisa ocorre diante dos nossos olhos no cinema e na TV mas n\u00e3o nos damos conta, porque nos interessa o enredo:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FW02c5UNGl0]<\/p>\n<p>No segundo livro, Deleuze parte para os m\u00e9todos de montagem no cinema moderno. O que acontece? No filme Acossado, de Godard, por exemplo, acontecem v\u00e1rias cenas como a seguinte:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=nonxxwfedIY]<\/p>\n<p>O que aconteceu? O diretor suprimiu parte do rolo de filme de um mesmo plano, ou ao menos quis passar esta sensa\u00e7\u00e3o. Isso rompe com a nossa l\u00f3gica de linearidade temporal. Na troca de planos, acaba evidenciando que o tempo passou (imagem-tempo), e n\u00e3o tenta disfar\u00e7ar isso, como no cinema cl\u00e1ssico. Ele evidencia o m\u00e9todo de montagem, faz ver o modo como o cinema \u00e9 feito, como ele entra em choque com a nossa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilles completa seu doutorado no final da d\u00e9cada de sessenta com a tese Diferen\u00e7a e Repeti\u00e7\u00e3o e eis que nasce o autor Deleuze, um pensador franc\u00eas \u201cfilho de maio de 68\u201d. 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