{"id":377,"date":"2011-05-13T10:09:50","date_gmt":"2011-05-13T13:09:50","guid":{"rendered":"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/?p=377"},"modified":"2024-08-23T00:11:07","modified_gmt":"2024-08-23T03:11:07","slug":"broadcast-yourself-that-really-hurt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2011\/05\/13\/broadcast-yourself-that-really-hurt\/","title":{"rendered":"Broadcast yourself: that really hurt"},"content":{"rendered":"<p>Como \u00e9 t\u00edpico das redes sociais, o @<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/tellesjornal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tellesjorna<\/a>l me disse que a @<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/ace_of_hearts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ace_of_hearts<\/a> disse que viu um <a href=\"http:\/\/www.brainstorm9.com.br\/web-video\/charlie-bit-my-finger-nas-versoes-terror-musical-e-humor-negro\/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+brainstorm9+%28Brainstorm+%239%29\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">post do Brainstorm9 do Carlos Merigo<\/a> que diz que um festival de filmes de curta-metragem canadense criou tr\u00eas pe\u00e7as audiovisuais para promover-se. Os v\u00eddeos, publicados no YouTube, apresentam &#8220;vers\u00f5es&#8221; do j\u00e1 cl\u00e1ssico &#8220;<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_OBlgSz8sSM&amp;feature=related\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Charlie Bit My Finger<\/a>&#8220;. Cada pe\u00e7a representa elementos aleat\u00f3rios do original embrulhando-os com elementos da linguagem cinematogr\u00e1fica e cobrindo tudo com tr\u00eas g\u00eaneros: terror, musical e humor negro(?). Embedei o musical abaixo, mas n\u00e3o porque achei o melhor:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LrYI4ma6aNc]<\/p>\n<p>A proposta at\u00e9 que \u00e9 interessante, embora eu tenha achado os tr\u00eas bem sem gra\u00e7a. No entanto, me parece fraco mesmo o <em>slogan<\/em>\u00a0do festival, que assina os tr\u00eas v\u00eddeos: <em>anyone can upload few can direct<\/em>. Aparentemente quer impor a ideia de que um diretor de cinema consegue fazer um v\u00eddeo se tornar mais interessante do que uma pessoa com uma c\u00e2mera na m\u00e3o no lugar certo na hora certa.<\/p>\n<p>De acordo com o site\u00a0<a href=\"http:\/\/worldwideshortfilmfest.com\/charlie-bit-my-finger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Worldwide Short Film Festival<\/a>\u00a0(tradu\u00e7\u00e3o minha),<\/p>\n<p style=\"padding-left:60px;\"><em>Na cultura ligeira <\/em>[snack]<em>\u00a0atual, n\u00e3o h\u00e1 falta de v\u00eddeos caseiros circulando online, acumulando milh\u00f5es de views ao redor do mundo. Para demonstrar a diferen\u00e7a de qualidade entre um curta-metragem de cinema e um v\u00eddeo <\/em>[estudem e elevem-se, produtores caseiros]<em>, convidamos tr\u00eas diretores de v\u00eddeo para transformar o popular v\u00eddeo viral &#8220;Charlie Bit My Finger&#8221; em um curta. Acabamos com tr\u00eas inusitadas interpreta\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas, mas todas elas dividem algo em comum: um grande diretor faz toda a diferen\u00e7a <\/em>[isso \u00e9 bullying com o Charlie! Ouch!]<em>. Venha ver os melhores curtas do mundo no Worldwide Short Film Festival.<\/em><\/p>\n<p>Pra mim s\u00f3 provou que tem coisas que o cinema n\u00e3o consegue imaginar t\u00e3o bem quanto o v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Me fez lembrar de uma sess\u00e3o de debate que participei com diretores no <a href=\"http:\/\/www.cineesquemanovo.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CineEsquemaNovo <\/a>em 2008. Na \u00e9poca, representava a <a href=\"http:\/\/musicalamizade.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Musical Amizade<\/a> com o v\u00eddeo <em><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jFRA4OHOfs4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Entrevistando Massimo Canevacci<\/a><\/em>. N\u00e3o lembro porque, mas o debate caiu nos v\u00eddeos da web. Uma das diretoras falou que n\u00e3o conseguia conceber como um v\u00eddeo rid\u00edculo como o abaixo podia ter tantos views (j\u00e1 passam dos 170 milh\u00f5es) enquanto a produ\u00e7\u00e3o videogr\u00e1fica que n\u00f3s, &#8220;experts&#8221;, produz\u00edamos, ficava \u00e0s margens:<\/p>\n<p>[youtube=http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5P6UU6m3cqk]<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca eu j\u00e1 vinha me vacinando desse olhar (que \u00e9 o mesmo de Adorno na d\u00e9cada de 1940), gra\u00e7as ao <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/lucas_diniz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucas Diniz<\/a>, que foi a \u00fanica pessoa que conseguiu me apresentar o Funk Carioca, o Rap, o Hip Hop e outros sons verdadeiramente marginai e fazer com que eu entendesse a proposta e n\u00e3o os enxergasse como algo <em>low brow<\/em>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu respondi (n\u00e3o com a mesma clareza que fa\u00e7o aqui, hehe) que no primeiro CineEsquemaNovo, em 2003, exibiram um v\u00eddeo em que uma menina filmou um plano detalhe\/sequ\u00eancia de um sorvete, enquanto caminhava com ele por uma praia. O filme durava o exato tempo do sorvete derreter. Como \u00e9 que n\u00f3s, &#8220;experts&#8221;, vamos dizer que v\u00eddeo as pessoas deviam assistir, se nossa produ\u00e7\u00e3o em geral \u00e9 t\u00e3o desqualificada quanto o v\u00eddeo do beb\u00ea que ri?<\/p>\n<p>Me parece que a ind\u00fastria (e os produtores\/diretores dela) tem problemas em compreender a for\u00e7a desses fen\u00f4menos do YouTube. N\u00e3o falo de &#8220;dar valor&#8221;, porque isso automaticamente polarizaria o conte\u00fado novamente entre belo e feio, entre <em>high <\/em>e <em>low brow<\/em>. Pro olhar frankfurtiano, n\u00f3s ter\u00edamos que &#8220;melhorar&#8221; o conte\u00fado da &#8220;m\u00fasica ligeira&#8221;, aproximando-a da m\u00fasica de alta cultura, at\u00e9 que n\u00e3o houvesse mais distin\u00e7\u00e3o de classe. Ou seja, n\u00e3o seriam os burgueses que teriam que entender as pr\u00e1ticas da baixa cultura, mas estas \u00e9 que teriam que se &#8220;elevar&#8221;. Aham, Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>No fim das contas, o que aconteceu, \u00e9 que o som da baixa cultura da \u00e9poca, hoje, \u00e9 o som que toca nos est\u00e9reos da burguesia: o <em>jazz<\/em>. Ao analisar os v\u00eddeos da web\u00a0com os termos do cinema, especialmente esses que realmente machucam (<em>that really hurt, Charlie!<\/em>) o olhar polarizado, \u00e9 \u00f3bvio que eles v\u00e3o parecer <em>lixo cultural<\/em>. Despreocupa\u00e7\u00e3o com enquadramento, montagem mal feita, cr\u00e9ditos elaborados no <em>Windows Movie Maker<\/em>, &#8220;atores&#8221; que intrepretam mal&#8230; Mas quem disse que a proposta desses v\u00eddeos \u00e9 essa? Ningu\u00e9m que posta a hist\u00f3ria de um cara que <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yVKk5AmbI0E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apostou o toba num jogo de Truco<\/a> tem &#8220;nobres&#8221; inten\u00e7\u00f5es! Tampouco inten\u00e7\u00f5es &#8220;plebes&#8221; \u2013 acho que o cara s\u00f3 quer dar risada, e o humor n\u00e3o tem classe (nos dois sentidos do termo).<\/p>\n<p>Por isso eu gostaria por fim de propor a quem estuda estes v\u00eddeos n\u00e3o cham\u00e1-los nunca mais de <em>lixo cultural<\/em>, pois algo que est\u00e1 efetivamente mudando o cen\u00e1rio audiovisual atual n\u00e3o pode ser considerado dejeto (a n\u00e3o ser que esteja se acumulando por cima da produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, o que seria ainda mais legal).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 t\u00edpico das redes sociais, o @tellesjornal me disse que a @ace_of_hearts disse que viu um post do Brainstorm9 do Carlos Merigo que diz que um festival de filmes de curta-metragem canadense criou tr\u00eas pe\u00e7as audiovisuais para promover-se. 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