{"id":498,"date":"2011-07-18T20:28:09","date_gmt":"2011-07-18T23:28:09","guid":{"rendered":"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/?p=498"},"modified":"2011-07-18T20:28:09","modified_gmt":"2011-07-18T23:28:09","slug":"a-producao-musical-nos-canais-do-youtube-55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/semsono\/2011\/07\/18\/a-producao-musical-nos-canais-do-youtube-55\/","title":{"rendered":"A produ\u00e7\u00e3o musical nos canais do YouTube (5\/5)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imagemusica.wordpress.com\/category\/a-producao-musical-nos-canais-do-youtube\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nos v\u00eddeos que estamos aqui analisando<\/a>, muitas estrat\u00e9gias permanecem as mesmas: tanto Julia Nunes quanto a Pomplamoose fazem v\u00e1rias vers\u00f5es de m\u00fasicas famosas. E se quando vamos a um show de uma banda desconhecida, as vers\u00f5es ajudam a entender as influ\u00eancias e propostas est\u00e9ticas da banda, no YouTube o que acontece \u00e9 que descobrimos a banda ao buscar pelo v\u00eddeo original, e a vers\u00e3o deles acaba aparecendo. Muitos conheceram Julia Nunes porque procuravam pelos Beach Boys. Da\u00ed para assistir as m\u00fasicas pr\u00f3prias dela nos v\u00eddeos relacionados \u00e9 um pulo. Os m\u00fasicos tamb\u00e9m t\u00eam a no\u00e7\u00e3o de que os canais servem mais para quem realmente se interessou no seu trabalho. A aten\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada primeiro via palavras-chave. Depois, o m\u00fasico tenta convencer, no final do v\u00eddeo, ao falar com o espectador, que assine seu canal e veja outros v\u00eddeos. O que Boyd fala sobre a busca na web tamb\u00e9m se aplica neste caso:<\/p>\n<p style=\"padding-left:90px;\"><em>No mundo digital, costumamos usar a busca para procurar estranhos com concep\u00e7\u00f5es similares do mundo. N\u00f3s decoramos nossos blogs e vagamos por outros blogs como flaneurs digitais. A blogosfera \u00e9 a esfera p\u00fablica imaginada, o lugar habitado por todos os corpos p\u00fablicos digitais (2006, p. 19, tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/em><\/p>\n<p>Assim como \u00e9 comum em blogs os autores adotarem uma postura firme e manter um estilo de escrita, em boa parte dos trabalhos dos m\u00fasicos citados neste artigo, podemos encontrar na totalidade de seus v\u00eddeos est\u00e9ticas e t\u00e9cnicas que se repetem. No Pomplamoose, \u00e9 o <em>VideoSong<\/em>; no Songs From a Hat, \u00e9 o desafio de fazer uma m\u00fasica em cima de uma ideia absurda; nos v\u00eddeos da Julia Nunes, um primeiro plano tomado da <em>web cam<\/em> de seu notebook em que ela aparece cantando e tocando seu ukulele. Todos eles repetem a ideia desenvolvida por Lasse Gjerten em <em>Amateur<\/em>, de montar as can\u00e7\u00f5es no software de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo, sem fazer playback. Essas propostas se repetem incessantemente em cada v\u00eddeo, e por fim o que parece mudar efetivamente s\u00e3o apenas as can\u00e7\u00f5es. \u201cO que o p\u00fablico aprecia nessa esp\u00e9cie de consumo n\u00e3o \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o fator &#8216;originalidade&#8217;, mas sim, talvez, &#8216;a repeti\u00e7\u00e3o e suas m\u00ednimas varia\u00e7\u00f5es&#8217;\u201d (ECO apud FELINTO, 2008, p. 39).<\/p>\n<p>\u00c9 comum na web a explora\u00e7\u00e3o intensa de memes (eventos que s\u00e3o rapidamente disseminados pela rede). Em 2007, um v\u00eddeo em que aparece o personagem <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SmJ2eBP-IKM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Seu Madruga<\/a> do seriado Chaves cantando, mas com o \u00e1udio da m\u00fasica Florentina do artista brasileiro Tiririca desencadeou n\u00e3o s\u00f3 milh\u00f5es de exibi\u00e7\u00f5es, mas estimulou que muitos outros usu\u00e1rios usassem as mesmas imagens para fazer Seu Madruga cantar dezenas de outras can\u00e7\u00f5es. E este \u00e9 s\u00f3 um exemplo; o mesmo ocorreu e continua ocorrendo com v\u00e1rios outros memes. Mais recentemente, um videoclipe novo da banda Radiohead em que o vocalista Thom Yorke aparece dan\u00e7ando freneticamente foi utilizado da mesma forma que com o Seu Madruga, resultando em v\u00eddeos nos quais o m\u00fasico aparece dan\u00e7ando ao som de <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KujlXtH20l8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Single Ladies<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-43geT-qnwI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dancing Queen<\/a> e at\u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=c1WpkT1_r-s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tema de carnaval da Globo<\/a>.<\/p>\n<p>Como podemos notar, estamos diante de um cen\u00e1rio que abre novos caminhos para a m\u00fasica se manifestar, sofrendo irrita\u00e7\u00f5es principalmente dos modelos de blog e rede social. Caminhos abertos por artistas ing\u00eanuos, que talvez pouco tenham estudado m\u00fasica ou audiovisual, mas est\u00e3o na ponta da vanguarda, invertendo os tradicionais valores culturais. S\u00e3o tend\u00eancias nestes v\u00eddeos o amadorismo, a agilidade, a baixa defini\u00e7\u00e3o, o representar a si mesmo ao inv\u00e9s de representar o mundo. Sem d\u00favida estas s\u00e3o caracter\u00edsticas compartilhadas com v\u00eddeo blogs e blogs escritos.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BOYD, Danah. A blogger&#8217;s blog: exploring the definition of a medium. IN:\u00a0<strong>Reconstruction: studies in contemporary culture<\/strong>, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/reconstruction.eserver.org\/064\/boyd.shtml\">http:\/\/reconstruction.eserver.org\/064\/boyd.shtml<\/a>&gt;. Acesso em 11 abr. 2011.<\/p>\n<p>FELINTO, Erick. Videotrash: o YouTube e a cultura do \u201cspoof\u201d na internet.\u00a0<strong>Revista Gal\u00e1xia<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 16, p. 33-42, dez. 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos v\u00eddeos que estamos aqui analisando, muitas estrat\u00e9gias permanecem as mesmas: tanto Julia Nunes quanto a Pomplamoose fazem v\u00e1rias vers\u00f5es de m\u00fasicas famosas. 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