{"id":7739,"date":"2022-05-02T12:28:35","date_gmt":"2022-05-02T15:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?page_id=7739"},"modified":"2022-05-15T20:36:30","modified_gmt":"2022-05-15T23:36:30","slug":"58-editoriais","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/58-editoriais\/","title":{"rendered":"58 Editoriais"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"padding-top:24px;padding-right:24px;padding-bottom:24px;padding-left:24px;flex-basis:54%\">\n<h3 style=\"font-size:30px\">comiss\u00e3o editorial<\/h3>\n\n\n\n<h2><strong>pela mem\u00f3ria<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:27px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Em clima de retomada das atividades presenciais na Universidade e depois de duas edi\u00e7\u00f5es da revista Sextante em Ensino Remoto Emergencial, decidimos olhar para o passado e perguntar: o que foi esquecido? Falar sobre esquecimento na era da informa\u00e7\u00e3o, em que todos os acontecimentos s\u00e3o registrados por milhares de pessoas diariamente, \u00e9 um desafio. Ao passo que tudo \u00e9 registrado, nada \u00e9 realmente lembrado e tende a cair no esquecimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem diga que o esquecimento \u00e9 saud\u00e1vel para o c\u00e9rebro, pois abre espa\u00e7o para outras mem\u00f3rias e evita o cansa\u00e7o. O esquecimento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o oposto da lembran\u00e7a, tamb\u00e9m \u00e9 o seu complemento. Afinal, todo ser humano \u00e9 formado por experi\u00eancias, pelas lembran\u00e7as do que viveu, mas tamb\u00e9m por aquilo que esqueceu, voluntariamente ou n\u00e3o. Como luz e escurid\u00e3o, a lembran\u00e7a \u00e9 o esfor\u00e7o inerente \u00e0 vida. Lembramos enquanto vivemos. Portanto, se a morte \u00e9 inevit\u00e1vel, tamb\u00e9m \u00e9 o esquecimento.&nbsp; Esta edi\u00e7\u00e3o da Sextante um dia ser\u00e1 esquecida. Todos n\u00f3s seremos esquecidos. Independente do sacrif\u00edcio empregado para lembrar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a origem da humanidade na pr\u00e9-hist\u00f3ria, n\u00f3s lutamos contra o esquecimento. A escrita, a fotografia e as belas artes s\u00e3o instrumentos para registrar e relatar o que acontece no mundo e uma tentativa de frear o que \u00e9 passageiro. O passado glorioso e digno de um filme, o jeans favorito de um jovem rebelde, que agora \u00e9 pai de fam\u00edlia, e um vereador que vira nome de rua e hoje ningu\u00e9m sabe qual a profiss\u00e3o que tem. O que todos eles t\u00eam em comum? O esquecimento. Os rep\u00f3rteres da Sextante s\u00e3o os arautos medievais que viajam centenas de quil\u00f4metros e rompem com as limita\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas para entregar uma mensagem. Mas, dessa vez, a viagem n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica, \u00e9 temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolvemos a 58\u00aa edi\u00e7\u00e3o da revista Sextante a partir de reportagens que investigam a concep\u00e7\u00e3o de esquecimento. As abordagens refletem a ampla perplexidade e as peculiaridades dessa tem\u00e1tica, que est\u00e3o expressas com dilig\u00eancia em 23 reportagens. Seria o esquecimento um direito de todos os cidad\u00e3os? Quem s\u00e3o os esquecidos na capital do Rio Grande do Sul? Como lidar com o esquecimento de entes queridos depois da morte e por que esquecemos depois de sofrer um trauma? Essas s\u00e3o apenas algumas quest\u00f5es levantadas por esta edi\u00e7\u00e3o. Embarque conosco nessa jornada de investiga\u00e7\u00e3o ao esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comiss\u00e3o editorial<\/strong><br><em>editorialsextante@ufrgs.br<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"padding-top:25px;padding-right:25px;padding-bottom:25px;padding-left:25px;flex-basis:49%\">\n<h3 style=\"font-size:30px\">professora-editora<\/h3>\n\n\n\n<h2><strong>para lembrar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div style=\"height:27px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Por qual raz\u00e3o alunos e alunas de Jornalismo, ainda t\u00e3o jovens, resolveram falar sobre esquecimento nesta edi\u00e7\u00e3o da Sextante? Algumas vezes, durante este semestre, me fiz essa pergunta. Em quatro anos, um estudante pode se formar em Jornalismo. Para os rep\u00f3rteres da Sextante que conseguiram passar por todas as disciplinas e agora est\u00e3o chegando ao final do curso, metade dele foi realizado em frente a uma tela, longe dos colegas, sem entrevistar ningu\u00e9m pessoalmente, sem cheiros, quase sem sons, sem imagens por completo. Foram muitos caf\u00e9s que n\u00e3o foram compartilhados, muitos sorrisos desfocados, muitas conversas sufocadas. Tudo isso acompanhado de n\u00fameros assombrosos da pandemia, de dor e de perda. A tenta\u00e7\u00e3o de esquecer o que ocorreu nos \u00faltimos anos no Brasil e no mundo \u00e9 grande, e esse poderia ser um bom motivo para falar de esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 que esta Sextante n\u00e3o busca esquecer, mas sim lembrar. Percorrendo cada uma das reportagens, \u00e9 poss\u00edvel ver que a principal provoca\u00e7\u00e3o desses futuros jornalistas foi falar do que n\u00e3o pode ser apagado da mem\u00f3ria. Foi contar hist\u00f3rias de pessoas e de lugares que n\u00e3o devem ser esquecidos. Essa parece ter sido a motiva\u00e7\u00e3o mais forte para constru\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta revista foi feita com os primeiros passos dados nas ruas depois de um longo per\u00edodo de isolamento. Ela ainda traz o medo da aproxima\u00e7\u00e3o com as fontes, a inseguran\u00e7a do olhar, mas tamb\u00e9m \u00e9 marcada pela esperan\u00e7a da retomada. Se esses jovens rep\u00f3rteres j\u00e1 conseguem enxergar um futuro menos sombrio, eles tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de perceber a import\u00e2ncia do passado, esse tempo que quase n\u00e3o faz sentido para o jornalismo. Mas, mais do que tudo, eles conseguiram ressignificar o presente. \u00c9 com este olhar que as reportagens da 58\u00ba edi\u00e7\u00e3o da Sextante chegam at\u00e9 voc\u00ea. Com a dedica\u00e7\u00e3o de quem vive e fala sobre o hoje intensamente, sabendo que \u00e9 poss\u00edvel aprender com o que j\u00e1 passou para que o mundo e o Brasil que ainda est\u00e3o por vir sejam mais felizes, mais justos e mais doces. E esse \u00e9 um \u00f3timo motivo para fazer uma revista, enfim, para fazer jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tha\u00eds Furtado<br><\/strong><em>thais.furtado@ufrgs.br<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>comiss\u00e3o editorial pela mem\u00f3ria Em clima de retomada das atividades presenciais na Universidade e depois de duas edi\u00e7\u00f5es da revista Sextante em Ensino Remoto Emergencial, decidimos olhar para o passado e perguntar: o que foi esquecido? 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