{"id":10082,"date":"2023-03-20T10:42:59","date_gmt":"2023-03-20T13:42:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=10082"},"modified":"2023-04-02T22:19:12","modified_gmt":"2023-04-03T01:19:12","slug":"o-vazio-da-sepultura","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/o-vazio-da-sepultura\/","title":{"rendered":"O vazio da sepultura"},"content":{"rendered":"\n<p>Como familiares de pessoas desaparecidas durante a ditadura lidaram e lidam com a falta de um reencontro com seus entes queridos?<\/p>\n\n\n\n<p>Institu\u00eddo em 09 de abril de 1964 atrav\u00e9s de um golpe, com o apoio do grande empresariado brasileiro, por latifundi\u00e1rios, por empresas estrangeiras instaladas no pa\u00eds e pelo governo dos EUA, o per\u00edodo da Ditadura Militar foi um dos momentos mais sombrios da hist\u00f3ria brasileira. Conforme levantado pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e divulgado em seu relat\u00f3rio final, 434 pessoas morreram ou desapareceram nesse per\u00edodo por conta da repress\u00e3o provocada pelos militares. Nomes como Carlos Marighella e Vladimir Herzog s\u00e3o exemplos de v\u00edtimas cujas fam\u00edlias tiveram que tentar lidar com a perda, mas est\u00e3o longe de serem os \u00fanicos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, a Comiss\u00e3o de Cidadania e Direitos Humanos e a Subcomiss\u00e3o da Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a, no Rio Grande do Sul, publicou um relat\u00f3rio final ap\u00f3s meses de levantamento de informa\u00e7\u00f5es sobre os atos praticados pelos militares durante seu tempo no poder. O grupo ouviu v\u00edtimas e organizou o documento com uma ampla contextualiza\u00e7\u00e3o, com os relatos, e com uma rela\u00e7\u00e3o de ga\u00fachos e pessoas de outras naturalidades e nacionalidades, mortos ou desaparecidos no Rio Grande do Sul, em outros estados da federa\u00e7\u00e3o ou no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem, ent\u00e3o, vai falar sobre a falta do reencontro dos familiares de desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<h3>Fontes<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Carla Simone Rodeghero<\/strong> &#8211; Professora de Hist\u00f3ria no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da UFRGS. Possui como principais focos de estudo a ditadura, anistia, historiografia, hist\u00f3ria oral e mem\u00f3ria. Foi coordenadora do projeto Marcas da Mem\u00f3ria: Hist\u00f3ria Oral da Anistia no Brasil, que realizou entrevistas com pessoas que foram v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o depois de 1964, para a constitui\u00e7\u00e3o do acervo do Memorial da Anistia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liniane Haag Brum<\/strong> &#8211; Sobrinha de Cilon da Cunha Brum, participante ativo de movimentos estudantis e visto pela \u00faltima vez pela fam\u00edlia em junho de 1971. Liniane lan\u00e7ou o livro Antes do Passado \u2013 o sil\u00eancio que vem do Araguaia em 2012, refazendo o percurso do padrinho, revirando arquivos e entrevistando pessoas que o conheceram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Suzana Lisboa<\/strong> &#8211; Participou durante 10 anos da Comiss\u00e3o Especial sobre Mortos e Desaparecidos Pol\u00edticos. Teve o marido, Luiz Eurico Lisboa, preso e morto durante a ditadura. Com o desaparecimento registrado oficialmente em 1972, Suzana conseguiu encontrar o corpo do marido em 1979, enterrado como indigente e com nome falso. Os restos mortais, presumidamente de Luiz Eurico, foram entregues \u00e0 Suzana em 1982.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carlos Guazzelli<\/strong> &#8211; Advogado e coordenador da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade (CEV\/RS).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00f4nia Haas<\/strong> &#8211; Publicit\u00e1ria, irm\u00e3 de Jo\u00e3o Carlos Haas Sobrinho, morto na ditadura e cujo corpo nunca foi devolvido para fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h3>Perguntas<\/h3>\n\n\n\n<p>Historiadora:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Quais eram os principais motivos dados pelos militares para a pris\u00e3o de um indiv\u00edduo?<\/li><li>Que per\u00edodos ao longo dos 21 anos de ditadura militar foram mais marcados pelas atua\u00e7\u00f5es violentas?<\/li><li>Com que frequ\u00eancia eram pegas pessoas sem nenhum ativismo ou liga\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/li><li>O que se tem de percep\u00e7\u00e3o e registros a respeito do que era feito com essas pessoas?<\/li><li>A falta de julgamentos para os militares trouxe preju\u00edzos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria do per\u00edodo?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Familiares:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Quem era XXXXXX?<\/li><li>Qual a \u00faltima mem\u00f3ria que voc\u00ea possui dele?<\/li><li>Como foi o processo de entender que estava desaparecido?<\/li><li>A partir dessa percep\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea se mobilizou?<\/li><li>Como \u00e9 o sentimento de lidar com uma situa\u00e7\u00e3o assim?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3>Fotos e conte\u00fado multim\u00eddia<\/h3>\n\n\n\n<p>Entre as fotos, al\u00e9m daquelas com os entrevistados, pretende-se realizar algo que remeta \u00e0s quest\u00f5es debatidas na reportagem de uma forma n\u00e3o literal, buscando-se uma licen\u00e7a po\u00e9tica na abordagem. Para o site, \u00e9 poss\u00edvel organizar uma playlist espec\u00edfica para a reportagem, que acompanhe a leitura, com obras realizadas no per\u00edodo da ditadura e que referenciam as a\u00e7\u00f5es dos militares e a resist\u00eancia das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<h3>Redes sociais<\/h3>\n\n\n\n<p>Uma publica\u00e7\u00e3o a ser feita para as redes \u00e9 a recomenda\u00e7\u00e3o de obras brasileiras que abordem o per\u00edodo, como o livro Feliz Ano Velho. Al\u00e9m disso, destacar o trecho de uma fala de algum dos entrevistados como forma de chamar para a reportagem \u00e9 uma outra ideia de post.<\/p>\n\n\n\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-normal-font-size\">1: <a href=\"https:\/\/memoriasdaditadura.org.br\/\">https:\/\/memoriasdaditadura.org.br\/<\/a><br><br>2: <a href=\"http:\/\/www.al.rs.gov.br\/FileRepository\/repdcp_m505\/ccdh\/Relat%C3%B3rio%20Subcomissao%20Verdade,%20Mem%C3%B3ria%20e%20Justi%C3%A7a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.al.rs.gov.br\/FileRepository\/repdcp_m505\/ccdh\/Relat%C3%B3rio%20Subcomissao%20Verdade,%20Mem%C3%B3ria%20e%20Justi%C3%A7a.pdf<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>3: <a href=\"http:\/\/www.dhnet.org.br\/dados\/dossiers\/dh\/br\/dossie64\/br\/dossmdp.pdf\">http:\/\/www.dhnet.org.br\/dados\/dossiers\/dh\/br\/dossie64\/br\/dossmdp.pdf<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>4: <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2021\/06\/26\/sonia-haas-lutar-pelos-desaparecidos-e-uma-forma-de-resistencia?fbclid=PAAaYcoIF__6wixkBNMBgCYbEB9WaV-P9xDPvtultc1osyRZL8YABILNvEwj8\">https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2021\/06\/26\/sonia-haas-lutar-pelos-desaparecidos-e-uma-forma-de-resistencia?fbclid=PAAaYcoIF__6wixkBNMBgCYbEB9WaV-P9xDPvtultc1osyRZL8YABILNvEwj8<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2>Da pauta \u00e0 reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Ao escolher a pauta para a minha reportagem, eu tinha no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o seria o assunto mais f\u00e1cil de ser abordado. Assim como havia previsto, o contato com as fontes que eu precisava teve seus obst\u00e1culos. Como estava tentando encontrar fam\u00edlias de v\u00edtimas da ditadura que fossem do Rio Grande do Sul, o n\u00famero de pessoas que se enquadrava no objetivo diminuiu. Ademais, conseguir meios de contato tamb\u00e9m era mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas hist\u00f3rias que entraram no texto, uma a menos do que havia previsto, me fizeram perceber que aqueles relatos eram muito ricos para serem contados em um espa\u00e7o m\u00ednimo. Assim, conforme ia colocando as palavras na reportagem, se tornava mais complicado resumir detalhes e situa\u00e7\u00f5es que haviam sido compartilhadas comigo. Al\u00e9m disso, a terceira pessoa que eu pretendia entrevistar, e a \u00fanica que seria pessoalmente, acabou marcando comigo e, quando cheguei na sua casa, n\u00e3o me atendeu por estar dormindo, mesmo sendo no hor\u00e1rio que havia escolhido. Essa situa\u00e7\u00e3o e a no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o teria espa\u00e7o suficiente para aprofundar nenhum dos casos fez com que eu mantivesse apenas os relatos da S\u00f4nia e da Suzana, al\u00e9m do complemento da professora Deusa. Mesmo com as dificuldades, n\u00e3o me arrependo em nada em ter feito essa pauta, pois ela me permitiu ter contato com hist\u00f3rias que n\u00e3o conheceria de outra forma. Ouvir os relatos das fontes apenas me motivou mais a escrever e dar mais espa\u00e7o \u00e0 voz de cada uma.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":9834,"template":"pauta-post-template.php","categories":[139,181],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O vazio da sepultura &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/o-vazio-da-sepultura\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O vazio da sepultura &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como familiares de pessoas desaparecidas durante a ditadura lidaram e lidam com a falta de um reencontro com seus entes queridos? 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