{"id":11600,"date":"2023-09-01T11:10:00","date_gmt":"2023-09-01T14:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=11600"},"modified":"2023-09-13T23:15:15","modified_gmt":"2023-09-14T02:15:15","slug":"as-cores-entre-as-letras","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/as-cores-entre-as-letras\/","title":{"rendered":"As cores entre as letras"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Qual o papel da literatura negra na manuten\u00e7\u00e3o da identidade do seu povo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem ser\u00e1 sobre <strong>o papel da literatura, enquanto ferramenta, na manuten\u00e7\u00e3o da identidade de pessoas pretas<\/strong>. Buscar\u00e1 se aprofundar na import\u00e2ncia da representatividade entre as linhas, da fuga dos estere\u00f3tipos e da amplifica\u00e7\u00e3o das vozes e experi\u00eancias de pessoas negras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/literatura-reflete-desigualdade-racial-no-brasil\/\">pesquisa realizada pela Universidade de Bras\u00edlia<\/a> (UNB), que analisou os livros publicados pelas principais editoras do Brasil entre 1965 e 2014, a maioria das pessoas autoras publicadas no Brasil s\u00e3o homens (70%) e brancos (90%). Al\u00e9m disso, os personagens retratados tamb\u00e9m seguem o mesmo perfil: homens (60%), brancos (80%), heterossexuais (90%). Quando o negro \u00e9 personagem (6,2% dos romances publicados entre 2004 e 2014), 4,5% deles protagonizaram as hist\u00f3rias e a maioria (obras de 1990 a 2014) desenvolvia ocupa\u00e7\u00e3o de bandido, empregado dom\u00e9stico, escravo, profissional do sexo e dona de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o racismo segrega pessoas negras de espa\u00e7os de poder (simb\u00f3licos e concretos), a falta de representa\u00e7\u00e3o significativa desse povo na literatura pode ser considerada uma das faces do racismo estrutural. Ao mesmo tempo, \u00e9 not\u00e1vel que h\u00e1 um esfor\u00e7o coletivo entre membros da comunidade para que essa realidade se transforme e deixe de ser t\u00e3o hegem\u00f4nica. S\u00e3o pessoas que acreditam na literatura negra enquanto forma de resist\u00eancia, e s\u00e3o com elas que busco dialogar na reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Stefano Volp &#8211; escritor, roteirista, tradutor e jornalista. Autor de <em>O beijo do rio<\/em>, <em>Homens pretos (n\u00e3o) choram<\/em> e <em>Nunca vi a chuva<\/em>. Fundador da editora Escureceu e do Clube da Caixa Preta, uma sociedade de leitura que resgata contos cl\u00e1ssicos escritos por autores negros por meio do Catarse, plataforma de financiamento coletivo.<ul><li>Poss\u00edveis perguntas:<ul><li>Qual o objetivo da editora Escureceu e do Clube da Caixa Preta?<\/li><li>Seus trabalhos costumam contar com boas doses de representatividade. Qual voc\u00ea acredita ser a import\u00e2ncia disso?<\/li><li>Poderia compartilhar um pouco da experi\u00eancia de sobreviver de literatura em um pa\u00eds que publica livros majoritariamente brancos?<\/li><li>Voc\u00ea acha que a literatura pode servir para a identidade do povo negro?<\/li><li>Imagino que voc\u00ea deva receber bastantes relatos de pessoas que foram tocadas pelos seus escritos. Poderia compartilhar alguns comigo?<\/li><li>Qual foi o momento mais desafiador da sua carreira?<\/li><li>Qual foi o momento mais feliz da sua carreira?<\/li><li>Qual o seu livro favorito e por que?<\/li><\/ul><\/li><\/ul><\/li><li>Adriele Regine e Evelyn Sacramento &#8211; fundadoras do <em>Lendo mulheres negras<\/em>, cujo objetivo \u00e9 conhecer, estudar e incentivar o trabalho de mulheres negras em diversas \u00e1reas, dentro e fora da literatura. O verbo \u201cLER\u201d foi ampliado e hoje o LMN fala sobre muitos aspectos da cria\u00e7\u00e3o e arte produzida pelo seu p\u00fablico alvo e tamb\u00e9m objetivo de pesquisa.<ul><li>Poss\u00edveis perguntas:<ul><li>Como nasceu o LMN?<\/li><li>Hoje, como voc\u00eas enxergam o objetivo do projeto?<\/li><li>Qual voc\u00eas acreditam ser a import\u00e2ncia de manter esse grupo de mulheres que debatem literatura negra?<\/li><li>Voc\u00eas acreditam que a literatura possa servir para fortalecer a identidade do povo negro?<\/li><li>O grupo j\u00e1 sofreu algum ataque?<\/li><li>Quais s\u00e3o os livros favoritos de voc\u00eas? E por qu\u00ea?<\/li><\/ul><\/li><\/ul><\/li><li>Maria Carolina Casati &#8211; Pesquisadora na \u00e1rea da literatura, se projetou no cen\u00e1rio nacional atrav\u00e9s de seu projeto no Instagram, o encruzilinhas. Por l\u00e1, compartilha seus estudos, leituras e narrativas.&nbsp;<ul><li>Poss\u00edveis perguntas:<ul><li>Como nasceu o projeto encruzilinhas?<\/li><li>Voc\u00ea acredita que a literatura possa servir para fortalecer a identidade do povo negro?<\/li><li>Voc\u00ea fala bastante sobre a escreviv\u00eancia. Voc\u00ea acha que essa &#8220;obriga\u00e7\u00e3o&#8221; de coletividade pode limitar as pessoas escritoras?<\/li><li>Como voc\u00ea acredita que isso atravesse quem escreve e quem l\u00ea?<\/li><li>Qual o seu livro favorito e por qu\u00ea?<\/li><\/ul><\/li><\/ul><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Recursos multim\u00eddia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Fotos:<strong> <\/strong>fotografias dos entrevistados e fotografias de pessoas negras lendo.<\/li><li>Infogr\u00e1ficos com dados do mercado editorial no Brasil<\/li><li>Talvez v\u00eddeos\/\u00e1udios dos entrevistados lendo trechos de leituras que os marcaram<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fados para redes sociais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conte\u00fado 1 (pr\u00e9): carrossel com indica\u00e7\u00e3o de livros cl\u00e1ssicos escritos por pessoas negras<\/p>\n\n\n\n<p>Conte\u00fado 2 (p\u00f3s): conhe\u00e7a iniciativas que buscam dar mais visibilidade \u00e0 literatura negra no Brasil<\/p>\n\n\n\n<h2>Da pauta \u00e0 reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Trabalhar com literatura \u00e9 sempre uma alegria para mim. Quando definimos que o tema da revista seria <em>Negritudes<\/em>, logo pensei em trabalhar com a literatura negra considerando a minha pr\u00f3pria hist\u00f3ria quando fui tocada por ela. Tive autores que me fizeram enxergar situa\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas, mas que nunca tinha me dado conta, e mais: que tinham me contado coisas sobre eu mesma que eu n\u00e3o sabia. Pensando nisso, cheguei \u00e0 pauta: qual o papel da literatura negra na manuten\u00e7\u00e3o da identidade do seu povo?<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei muito empolgada para as entrevistas, mas conversando com a Tha\u00eds, colegas e conselho editorial, pensei que as minhas fontes estavam todas longes demais (no sentido geogr\u00e1fico) de mim. Principalmente pensando nas imagens, acabei reformulando e trocando a fonte especialista para uma escritora ga\u00facha; e substituir um dos cases de incentivo \u00e0 literatura negra, por um coletivo de escritores negros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os entrevistados foram muito sol\u00edcitos e ficaram felizes de poder compartilhar suas experi\u00eancias e viv\u00eancias. Apesar de ter feito todas as entrevistas de forma remota, n\u00e3o senti que a conversa foi afetada pela din\u00e2mica escolhida. Tamb\u00e9m pude entender mais dos dados do mercado editorial brasileiro e confirmar o que eu j\u00e1 sabia: que os supostos interesses do p\u00fablico s\u00e3o permeados pelo que a sociedade atribui ao bom ou ao ruim (ou o padr\u00e3o ou desviante).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o da reportagem, pude perceber um comportamento em comum entre as pessoas que conversei: todos os entrevistados acreditavam que a uni\u00e3o de pessoas negras \u2013 nesse caso, no ambiente liter\u00e1rio \u2013 era muito importante para que, individualmente, essas pessoas pudessem al\u00e7ar voos maiores. Foi um processo muito gostoso e espero que, a partir das nossas reportagens, mais e mais pessoas, projetos e iniciativas pretas sejam conhecidos e reconhecidos.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":11607,"template":"pauta-post-template.php","categories":[139,240],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>As cores entre as letras &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/as-cores-entre-as-letras\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"As cores entre as letras &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Qual o papel da literatura negra na manuten\u00e7\u00e3o da identidade do seu povo? 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