{"id":13063,"date":"2024-01-16T11:19:27","date_gmt":"2024-01-16T14:19:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=13063"},"modified":"2024-02-02T14:55:53","modified_gmt":"2024-02-02T17:55:53","slug":"de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho\/","title":{"rendered":"De letra em letra, se escreve um sonho"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Como e por que aprender a ler e escrever depois dos 60?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>T\u00edtulo Provis\u00f3rio: <\/strong>O a, b, c depois dos 60<\/p>\n\n\n\n<p>Constantemente estamos rodeados por letras, palavras, frases e ora\u00e7\u00f5es. Os sentidos constru\u00eddos por esses elementos nos guiam no dia a dia e nos incluem em uma sociedade alfabetizada. Pode nos parecer natural ler uma mensagem de texto, escrever uma lista de supermercado e ler o letreiro de um \u00f4nibus, mas para mais de 11 milh\u00f5es de brasileiros, esta n\u00e3o \u00e9 uma realidade. Desse total de pessoas analfabetas no Brasil, mais da metade t\u00eam 60 anos ou mais, somando uma m\u00e9dia de seis milh\u00f5es de idosos que n\u00e3o sabem ler e nem escrever. Nesta reportagem, o foco \u00e9 a alfabetiza\u00e7\u00e3o e o letramento de pessoas com mais de 60 anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), \u00e9 ideal que crian\u00e7as do 2\u00ba ano do Ensino Fundamental estejam alfabetizadas. Isto \u00e9, que aos 7 anos, aproximadamente, j\u00e1 saibam ler e escrever. Mas nem sempre o ideal \u00e9 a realidade. Para Sueli Magnante, de 76 anos, fonte que irei entrevistar, o ideal para aprender a ler e escrever foi depois dos 60. Privada do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o quando jovem, Sueli foi incentivada pelos filhos a retomar os estudos e foi alfabetizada, pela professora Jaqueline Modelski, em 6 meses. Ambas residem em Nova Prata, ent\u00e3o conseguirei incluir um case do interior. Tamb\u00e9m irei conversar com a professora para compreender os detalhes desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Sueli, aluna exitosa na alfabetiza\u00e7\u00e3o, pretendo entrevistar alguma fonte que tente aprender a ler e a escrever, mas enfrente dificuldades, pois considero necess\u00e1rio mostrar que esse caminho pode n\u00e3o ser f\u00e1cil. Al\u00e9m disso, conversarei com uma especialista em alfabetiza\u00e7\u00e3o, para abordar o lado t\u00e9cnico, os desafios e a relev\u00e2ncia desse processo para o indiv\u00edduo. Irei abordar tamb\u00e9m a forma com que as palavras impactam a nossa vida e a nossa rotina. Precisamos dominar a linguagem escrita para compreender placas de tr\u00e2nsito, bulas de rem\u00e9dio, r\u00f3tulos de alimentos e manuais de instru\u00e7\u00f5es, por exemplo. Ainda, buscarei entender quais estrat\u00e9gias s\u00e3o utilizadas por pessoas analfabetas para dominar os significados, sem ser atrav\u00e9s da palavra escrita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro t\u00f3pico a ser abordado \u00e9 a vergonha e o sentimento de exclus\u00e3o dos idosos por n\u00e3o saber ler e escrever. Por fim, tamb\u00e9m irei informar iniciativas, projetos e locais que oferecem servi\u00e7os de alfabetiza\u00e7\u00e3o para pessoas com mais de 60 anos. Acho importante que a reportagem tamb\u00e9m possa servir de incentivo, j\u00e1 que teremos audiodescri\u00e7\u00e3o, permitindo que o p\u00fablico abordado na minha mat\u00e9ria tamb\u00e9m possa consumir o conte\u00fado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Especialista: <\/strong>Evandro Alves<\/p>\n\n\n\n<p>Professor na Faced &#8211; Trabalha com concep\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas na educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, pr\u00e1ticas alfabetizadoras e de letramento, educa\u00e7\u00e3o musical, tecnologias digitais a servi\u00e7o da inclus\u00e3o social. Tamb\u00e9m pesquisa a\u00e7\u00f5es da Agenda Territorial da EJA no RS.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntas:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>De que maneiras a alfabetiza\u00e7\u00e3o depois dos 60 anos pode ser incentivada?<\/li><li>Quais estrat\u00e9gias podem ser utilizadas para facilitar o processo?<\/li><li>Quais as maiores dificuldades de aprendizado de idosos?<\/li><li>Qual a diferen\u00e7a entre alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento?<\/li><li>O Processamento Auditivo Central (PAC) pode influenciar nos desafios enfrentados pelos idosos?<\/li><li>Por que aprender a ler e escrever depois dos 60?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Case 1:<\/strong> Sueli Magnante, 76 anos&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca teve a oportunidade de estudar enquanto nova, ent\u00e3o, depois de muito tempo, j\u00e1 aposentada e incentivada pelos filhos, decidiu aprender a ler e a escrever. Hoje ela j\u00e1 \u00e9 alfabetizada &#8211; foram seis meses de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Professora que a alfabetizou: Jaqueline Modelski<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntas para Sueli:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>O que aconteceu para que n\u00e3o aprendesse a ler e escrever quando nova? (Conhecer a hist\u00f3ria de Sueli com a educa\u00e7\u00e3o)<\/li><li>Qual a sensa\u00e7\u00e3o de ter aprendido e conseguir hoje?<\/li><li>Por que se alfabetizar agora?<\/li><li>Qual foi a primeira coisa que ela conseguiu escrever e ler?<\/li><li>Quando percebeu que realmente sabia ler e escrever?<\/li><li>O que mudou para ela?&nbsp;<\/li><li>Quais os desafios desse processo?<\/li><li>Que sentimento ela tinha quando n\u00e3o era alfabetizada?<\/li><li>Quais as estrat\u00e9gias que ela usava para identificar recursos\/servi\u00e7os baseados em palavras, como placas, bulas e r\u00f3tulos?&nbsp;<\/li><li>Algo que n\u00e3o conseguia fazer e hoje n\u00e3o se imagina sem?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Perguntas para Jaqueline:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Como foi o processo?<\/li><li>Por que investir nesse processo?<\/li><li>O que aprendeu com isso?<\/li><li>Quais os desafios enfrentados?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Case 2: <\/strong>Perla Gon\u00e7alves, professora dos anos iniciais do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) na escola Emef Nossa Senhora do Carmo, no bairro Restinga, em Porto Alegre. Pretendo conversar com algu\u00e9m do EJA, pois esse servi\u00e7o \u00e9 uma forma de buscar o ensino da leitura e da escrita por meios institucionais \u2014 e n\u00e3o particulares, como foi o caso de Sueli.<\/p>\n\n\n\n<p>Professora de Ilce Paz, de 57 anos, aluna do EJA. Em conversa durante pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, ela conta que se preocupou com a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, mas \u201cacabou ficando para tr\u00e1s\u201d, e, agora, busca aprender a ler e a escrever. Conta que j\u00e1 est\u00e1 aprendendo, mas que ainda falta para que domine a linguagem escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntas Perla:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Desde quando acompanha Ilce?<\/li><li>Quais s\u00e3o os desafios que ela enfrenta?<\/li><li>Que estrat\u00e9gias s\u00e3o empregadas no EJA para a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos, especialmente de pessoas com mais de 60 anos?<\/li><li>Como \u00e9 trabalhar na alfabetiza\u00e7\u00e3o de pessoas com mais de 60 anos?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Perguntas para Ilce:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Por que decidiu aprender a ler e a escrever?<\/li><li>Quais os desafios enfrentados?<\/li><li>O que j\u00e1 aprendeu at\u00e9 o momento?<\/li><li>Em qual tipo de atividade sente que mais aprende?<\/li><li>O que as palavras significam para ela?<\/li><li>Quais as estrat\u00e9gias que usa para identificar recursos\/servi\u00e7os baseados em palavras, como placas, bulas e r\u00f3tulos?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Fotos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Fotos dos cases;<\/li><li>Carteiras de identidade com a identifica\u00e7\u00e3o de \u201cN\u00e3o Alfabetizado\u201d;<\/li><li>Sueli escrevendo e\/ou lendo;<\/li><li>Ilce na sala de aula;<\/li><li>Fotos de elementos utilizados para a identifica\u00e7\u00e3o de caixas de rem\u00e9dio ou outros objetos como este;<\/li><li>Cadernos utilizados nos estudos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Recursos Multim\u00eddia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>V\u00eddeo de fonte escrevendo\/lendo algo + trecho da entrevista;<\/li><li>Box com estrat\u00e9gias para facilitar a alfabetiza\u00e7\u00e3o + onde buscar servi\u00e7os;<\/li><li>\u00c1udios com depoimentos dos cases.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Redes Sociais:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Post com indica\u00e7\u00e3o do filme \u201c<a href=\"https:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-176055\/\">Uma li\u00e7\u00e3o de vida<\/a>\u201d;<\/li><li>V\u00eddeo de fonte escrevendo um convite para lerem a sextante;<\/li><li>Foto de fonte segurando a carteira de identidade com o carimbo \u201cN\u00e3o Alfabetizado\u201d.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"https:\/\/alfabetizacao.mec.gov.br\/#ancora\">Pol\u00edtica Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/sbgg.org.br\/analfabetismo-e-a-pessoa-idosa-a-realidade-do-pais\/#:~:text=A%20taxa%20de%20analfabetismo%20entre%20pessoas%20idosas%20%C3%A9,compara%C3%A7%C3%A3o%20a%2010%25%20das%20regi%C3%B5es%20Sul%20e%20Sudeste\">Analfabetismo e a pessoa idosa: a realidade do pa\u00eds &#8211; SBGG<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-51682664\">Quanto mais cedo, melhor? O debate sobre a idade certa, os m\u00e9todos e a avalia\u00e7\u00e3o na alfabetiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as &#8211; BBC News Brasil<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/educacao.rs.gov.br\/alfabetiza-tche\">Alfabetiza Tch\u00ea &#8211; Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/saudedapessoaidosa.fiocruz.br\/alfabetiza%C3%A7%C3%A3o-para-idosos-ferramenta-na-constru%C3%A7%C3%A3o-do-processo-de-sa%C3%BAde\">Alfabetiza\u00e7\u00e3o para idosos: ferramenta na constru\u00e7\u00e3o do processo de sa\u00fade<\/a><\/li><li><a href=\"https:\/\/oasisbr.ibict.br\/vufind\/Record\/UEPG-31_0b8cd2759065c9681eb66daf95a4afee\">Metadados do item: A IMPORT\u00c2NCIA DE ALFABETIZAR LETRANDO O IDOSO<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2>Da pauta \u00e0 reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia dessa reportagem surgiu a partir da sugest\u00e3o de uma colega da Sextante durante uma reuni\u00e3o de pauta. Logo me interessei pelo assunto e decidi escrever, inicialmente, sobre a alfabetiza\u00e7\u00e3o de pessoas com mais de 60 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro passo foi encontrar cases para a reportagem. Por conta do curto prazo para produ\u00e7\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o, optei por fontes de Porto Alegre e de Nova Prata, cidade onde meus pais residem. A partir dessas duas localidades, consegui coletar um material vasto, com relatos e experi\u00eancias completamente distintos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para conversar com os meus cases, percorri aqueles \u201c200 quil\u00f4metros\u201d que cito em meu texto. Sueli, em Nova Prata, me recebeu em sua casa, de bra\u00e7os (e cadernos) abertos. Me mostrou os materiais utilizados em seus estudos, e, com os olhos brilhando, falou do orgulho da sua evolu\u00e7\u00e3o \u2014 do n\u00e3o saber ao ser capaz de ler e escrever.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para conversar com Ilce, fui at\u00e9 a escola onde ela estuda, em Porto Alegre. Consegui o contato dela por indica\u00e7\u00e3o de uma das integrantes do Conselho Editorial da Sextante, a Fancy Borges, que \u00e9 coordenadora da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) da escola que Ilce frequenta. Foi uma experi\u00eancia diferente do que estou acostumada, pois entrevistei a aluna e a professora Perla ao mesmo tempo. Foi importante para que eu pudesse perceber a integra\u00e7\u00e3o e a cumplicidade da dupla. A partir dessa entrevista, mudei o recorte da pauta, que passou para a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos (e n\u00e3o mais de idosos), visto que Ilce tem 57 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As conversas com a professora de Sueli e com o especialista em alfabetiza\u00e7\u00e3o foram remotas, mas, ainda assim, cumpriram com o prop\u00f3sito. Pude compreender, principalmente com o professor Evandro, as implica\u00e7\u00f5es de alfabetizar um adulto. Aprendi muita coisa falando com cada um dos entrevistados, mas destaco uma fala que ouvi de todos: \u201cnunca \u00e9 tarde para aprender\u201d. E Ilce e Sueli provam isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Fiquei satisfeita com o resultado final da reportagem e senti que consegui cumprir com o planejamento da minha pauta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":12893,"template":"pauta-post-template.php","categories":[139,283],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>De letra em letra, se escreve um sonho &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"De letra em letra, se escreve um sonho &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como e por que aprender a ler e escrever depois dos 60? 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