{"id":13064,"date":"2024-01-31T23:47:15","date_gmt":"2024-02-01T02:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=13064"},"modified":"2024-02-07T21:34:02","modified_gmt":"2024-02-08T00:34:02","slug":"maos-em-cena","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/maos-em-cena\/","title":{"rendered":"M\u00e3os em cena"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Como a Libras pode se fazer presente em artes perform\u00e1ticas? Como podemos pensar a arte a partir da L\u00edngua Brasileira de Sinais?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras) <\/strong>\u00e9 reconhecida como uma l\u00edngua, utilizada pela maioria das pessoas surdas brasileiras para se comunicar. Ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, ela n\u00e3o se baseia apenas nas m\u00e3os. Na verdade, as express\u00f5es faciais e os movimentos corporais tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais para a comunica\u00e7\u00e3o, o que a torna uma l\u00edngua <strong>espa\u00e7o-visual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a tem\u00e1tica da 62\u00ba edi\u00e7\u00e3o da Revista Sextante, a ideia da reportagem ser\u00e1 explorar a <strong>L\u00edngua Brasileira de Sinais <\/strong>atrav\u00e9s de artes como teatro e cinema. <strong>Ou seja, diferentes artes como forma de pensar a l\u00edngua.<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem, portanto, ir\u00e1 procurar contextualizar a forma\u00e7\u00e3o de atores e como se d\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o e a apresenta\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a\/filme\/performance em Libras. O objetivo \u00e9 procurar discutir os potenciais c\u00eanicos da l\u00edngua, considerando que na cultura surda a express\u00e3o corporal vai al\u00e9m de uma forma de comunica\u00e7\u00e3o, ela faz parte da constru\u00e7\u00e3o gramatical. Dessa forma, a pesquisa ir\u00e1 trazer aspectos sobre a constru\u00e7\u00e3o do texto e da cena, a adapta\u00e7\u00e3o do texto verbal em gestos e a contextualiza\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es, entrelinhas, figuras de linguagem presentes no universo falado.<\/p>\n\n\n\n<p>A arte \u00e9 uma forma de comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o, sendo fundamental para a constru\u00e7\u00e3o da identidade individual e coletiva. As diferentes manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas tamb\u00e9m s\u00e3o instrumento de inclus\u00e3o social, de forma\u00e7\u00e3o cultural e social dos indiv\u00edduos. Entretanto, a falta de espa\u00e7os e eventos culturais com acessibilidade, int\u00e9rprete de Libras, boas iniciativas p\u00fablicas e privadas, e a desinforma\u00e7\u00e3o dificultam o acesso e a produ\u00e7\u00e3o por parte dessa popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, ainda \u00e9 pouco comum vermos esses corpos ocupando n\u00e3o s\u00f3 as plateias, mas os palcos, as telas, as assinaturas das obras.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de pessoas com algum n\u00edvel de defici\u00eancia auditiva, no Brasil, passa dos 10,7 milh\u00f5es, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A partir disso, outro ponto que a reportagem ir\u00e1 buscar entender \u00e9 como est\u00e1 o acesso da popula\u00e7\u00e3o surda ao setor art\u00edstico, n\u00e3o apenas como consumidores, mas como produtores de arte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es importantes:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Em 24 de abril de 2002, a Lei 10.436, intitulada como Lei de Libras, reconheceu a L\u00edngua Brasileira de Sinais como meio legal de comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o no Brasil<\/li><li>A Libras \u00e9 considerada uma <strong>l\u00edngua<\/strong>, n\u00e3o uma linguagem, uma vez que \u00e9 falado por um povo, possui sintaxe, sem\u00e2ntica, alfabeto e estrutura lingu\u00edstica e gramatical pr\u00f3pria. Assim, <strong>n\u00e3o \u00e9 a L\u00edngua Portuguesa sinalizada<\/strong><\/li><li>A Libras n\u00e3o \u00e9 universal, \u00e9 utilizada no Brasil e h\u00e1 diferen\u00e7as regionais<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2>Da pauta \u00e0 reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Assim que o tema da 62\u00aa edi\u00e7\u00e3o da revista Sextante foi definido como \u201cL\u00edngua\u201d, logo pensei em explorar a L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras). Refletindo sobre as possibilidades, lembrei de uma entrevista que realizei com a professora M\u00e1rcia Berselli, do Departamento de Artes C\u00eanicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), l\u00edder do grupo de pesquisa Teatro Flex\u00edvel, que investiga pr\u00e1ticas de cria\u00e7\u00e3o c\u00eanica com pessoas com e sem defici\u00eancia. Na ocasi\u00e3o, produzia uma reportagem para o portal Humanista, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e, durante o bate-papo, M\u00e1rcia comentou sobre a exist\u00eancia do Grupo Signatores. A mat\u00e9ria jornal\u00edstica em quest\u00e3o tinha uma abordagem um pouco mais ampla sobre acessibilidade nas artes e n\u00e3o consegui desenvolver um aprofundamento sobre a cultura surda.<\/p>\n\n\n\n<p>A indica\u00e7\u00e3o ficou em minha mente. Com o in\u00edcio dos trabalhos da Sextante, decidi discutir a Libras<strong> <\/strong>atrav\u00e9s de artes como teatro e cinema, procurando contextualizar a forma\u00e7\u00e3o de atores surdos e como se d\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o e a apresenta\u00e7\u00e3o de uma performance na l\u00edngua. Ao longo da pesquisa, estendi a abrang\u00eancia e decidi explorar como a Libras se insere na literatura surda e na arte<em> drag queen<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da primeira apura\u00e7\u00e3o, encontrei a exist\u00eancia de diferentes grupos com trabalhos e artistas que fomentam a cultura surda. Entre eles, conheci o professor Cl\u00e1udio Mour\u00e3o, do curso de Letras Libras\/Portugu\u00eas da UFRGS e o seu projeto Arte de Sinalizar. Fiz o primeiro contato e ele recomendou que eu participasse do sarau liter\u00e1rio Arte de Sinalizar, a\u00e7\u00e3o pela qual \u00e9 respons\u00e1vel. Cl\u00e1udio queria que eu tivesse um panorama sobre a literatura surda antes da conversa, e, assim, segui sua sugest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegar no sarau me deparei com um contexto que eu nunca havia experienciado antes: eu era uma das \u00fanicas ouvintes no local e uma das poucas que n\u00e3o sabia me comunicar em Libras. Comecei a sentir uma certa ang\u00fastia ao pensar como iria informar meu nome, pedir informa\u00e7\u00f5es, conversar com o Cl\u00e1udio, comprimentar os atores. O al\u00edvio surgiu quando uma int\u00e9rprete observou a minha inquieta\u00e7\u00e3o e foi at\u00e9 mim. Pedi para que ela me acompanhasse para que eu pudesse me apresentar para as pessoas. No entanto, nas performances, a proposta era que n\u00e3o houvesse int\u00e9rpretes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, quem precisou da acessibilidade fui eu.&nbsp; A experi\u00eancia me tocou e pude ter empatia ao imaginar a sensa\u00e7\u00e3o que pessoas surdas devem sentir em uma sociedade que parece n\u00e3o se importar com a L\u00edngua Brasileira de Sinais. A ocasi\u00e3o me sensibilizou para a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o e da valoriza\u00e7\u00e3o de diferentes formas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pauta em si se desenvolveu da forma como planejei, considerando a coleta de informa\u00e7\u00f5es e a apura\u00e7\u00e3o. Pude conhecer o trabalho do Grupo Signatores, coordenado pela professora Adriana Somacal e com a participa\u00e7\u00e3o dos atores Umberto da Rosa e Lucas Bourscheid. Tamb\u00e9m pude ampliar a tem\u00e1tica ao abordar a literatura surda ap\u00f3s conhecer o projeto Arte Sinalizar, conversando com o professor Cl\u00e1udio Mour\u00e3o e com a atriz Alessandra Rithieli, que participou do sarau. Conversei tamb\u00e9m com uma especialista em teatro surdo, Priscila Lourenzo. Al\u00e9m disso, para a reportagem digital, explorei a arte <em>drag queen<\/em> em Libras, ao conversar com Rita D&#8217;Libra, a primeira <em>drag queen<\/em> int\u00e9rprete, em uma perspectiva de que a l\u00edngua gestual n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para pessoas surdas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica dificuldade durante o desenvolvimento da mat\u00e9ria girou em torno da comunica\u00e7\u00e3o. Por eu n\u00e3o saber me comunicar na L\u00edngua Brasileira de Sinais e por priorizar conversar com atores surdos, precisei da presen\u00e7a&nbsp;de int\u00e9rpretes de Libras para fazer as entrevistas. Tendo isso em vista, esta reportagem s\u00f3 foi poss\u00edvel de ser executada devido ao trabalho realizado por estes profissionais. \u00c2ngela Russo, tradutora e int\u00e9rprete de Libras do Grupo Signatores e do Incluir (N\u00facleo de Inclus\u00e3o e Acessibilidade da UFRGS), foi quem se fez presente na chamada de v\u00eddeo online com Lucas, Umberto e Adriana e na sess\u00e3o de fotos na Sala Qorpo Santo. Jana\u00edna Viegas, tradutora e int\u00e9rprete de Libras do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), me acompanhou na entrevista com Alessandra no Teatro de Arena. J\u00e1 Mait\u00ea Maus e Celina Xavier, tradutoras e int\u00e9rpretes de Libras do Instituto de Letras da UFRGS, estiveram comigo na conversa com o professor Cl\u00e1udio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, acredito que consegui abordar a import\u00e2ncia da arte e da Libras para a popula\u00e7\u00e3o surda. Trocar ideias e conhecer essas pessoas e projetos foi enriquecedor, deixando-me convicta sobre o quanto \u00e9 preciso estar atento \u00e0 diversidade e \u00e0 inclus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":13837,"template":"pauta-post-template.php","categories":[139,283],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>M\u00e3os em cena &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/maos-em-cena\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"M\u00e3os em cena &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como a Libras pode se fazer presente em artes perform\u00e1ticas? 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