{"id":15964,"date":"2024-09-03T01:43:02","date_gmt":"2024-09-03T04:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=15964"},"modified":"2024-09-03T01:43:03","modified_gmt":"2024-09-03T04:43:03","slug":"quando-eu-cheguei-ja-tinha-gente-aqui","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/quando-eu-cheguei-ja-tinha-gente-aqui\/","title":{"rendered":"Quando eu cheguei j\u00e1 tinha gente aqui"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quais as diferen\u00e7as que permeiam a rela\u00e7\u00e3o com um segundo filho?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contexto:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chegada de uma outra crian\u00e7a para a vida de uma fam\u00edlia mexe nas estruturas que outrora foram constru\u00eddas. A m\u00e3e que antes maternava um filho, agora tem dois no seu balaio. O pai que podia destinar aten\u00e7\u00e3o somente a uma crian\u00e7a, precisa dividir o olhar para os dois. E o primog\u00eanito? V\u00ea a sua exclusividade ser levada para longe e, de repente, precisa dividir a aten\u00e7\u00e3o com um beb\u00ea cheio de necessidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como esses segundos filhos entram na rotina de fam\u00edlias j\u00e1 constitu\u00eddas? \u00c9 diferente, afinal, quando o primeiro chegou o que havia era um casal, ou uma m\u00e3e\/um pai solo que viu sua vida mudar por inteiro. Mas quando o segundo chega, as rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 foram constitu\u00eddas&nbsp; \u2013 agora, \u00e9 preciso repens\u00e1-las. Como fica o primog\u00eanito em toda essa hist\u00f3ria? Quais sentimentos o permeiam? \u00c9 sempre amor \u00e0 primeira vista? E existem diferen\u00e7as nas duas gesta\u00e7\u00f5es da mesma mulher?<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psicologia, a chegada do segundo filho, apesar de celebrada, tamb\u00e9m altera uma din\u00e2mica familiar relativamente est\u00e1vel, que envolve a tr\u00edade pai-m\u00e3e-primog\u00eanito. Como ficam os pap\u00e9is que j\u00e1 haviam sido assumidos na rela\u00e7\u00e3o com o primeiro filho?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Enfoque:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o IBGE, na m\u00e9dia, em 2020, cada mulher brasileira tinha <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\">1,76<\/a> filhos. Em 1990, o n\u00famero chegava a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/navegue-por-temas\/observatorio-nacional-da-familia\/fatos-e-numeros\/familias-e-filhos-no-brasil.pdf\">2,85<\/a> filhos por mulher. A m\u00e9dia brasileira, assim como a m\u00e9dia mundial, diminuiu. S\u00e3o muitas as fam\u00edlias com filhos \u00fanicos, mas ainda existem as que escolhem, ou recebem, uma dupla.&nbsp; Encontrar pessoas com experi\u00eancia de ser o primog\u00eanito ou o segundo filho, portanto, \u00e9 relativamente comum nas fam\u00edlias brasileiras. No entanto, dentro desse universo que inclui muita gente, existem milh\u00f5es de realidades poss\u00edveis. Os desejados, os n\u00e3o desejados, os planejados, os n\u00e3o planejados, os que encontram um ambiente pronto e aqueles que precisam desbravar uma vida inteira, etc. As configura\u00e7\u00f5es familiares refletem a diversidade da sociedade brasileira como um todo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando nisso, a dupla gostaria de explorar os sentimentos envolvidos na chegada de um segundo filho. Afinal, h\u00e1 uma quebra da tr\u00edade pai-m\u00e3e-primog\u00eanito. H\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ptp\/a\/KPW338hxWphXxr5nHhdy5QH\/#\">pesquisas<\/a> que indicam que o mais velho pode ter uma regress\u00e3o no desenvolvimento pela chegada de um\/a irm\u00e3\/o. Para os pais, a coisa tamb\u00e9m muda: o que antes podia ser direcionado para s\u00f3 um ser humano, agora precisa ser dividido. A mesma psicologia que indica a regress\u00e3o prov\u00e1vel do segundo filho, tamb\u00e9m explica que o momento \u00e9 passageiro, e as fam\u00edlias tendem a se adaptar. Mas que adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Como ela se encaixa?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAn\u00e1lise de conte\u00fado qualitativa revelou o esfor\u00e7o de cada membro das fam\u00edlias para lidar com as ambig\u00fcidades dessa situa\u00e7\u00e3o, <\/em><strong><em>pois ao mesmo tempo que o segundo filho \u00e9 celebrado, ele tamb\u00e9m altera uma din\u00e2mica familiar relativamente est\u00e1vel envolvendo a tr\u00edade pai-m\u00e3e-primog\u00eanito.<\/em><\/strong><em> Embora as mudan\u00e7as tenham sido acompanhadas de ansiedade e instabilidade nas rela\u00e7\u00f5es, <\/em><strong><em>os resultados destacam a capacidade adaptativa dos membros dessas fam\u00edlias<\/em><\/strong><em>.\u201d&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ptp\/a\/KPW338hxWphXxr5nHhdy5QH\/#\"><em>O nascimento do segundo filho e as rela\u00e7\u00f5es familiares<\/em><\/a><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 explorar os significados da chegada de um segundo filho nas rela\u00e7\u00f5es familiares: no relacionamento m\u00e3e-filho, m\u00e3e-pai, filho-filho, enfim, em toda a fam\u00edlia. Como os maiores relatam a chegada dos menores? Como os menores ocupam a din\u00e2mica familiar? Cada fam\u00edlia \u00e9 uma e, por isso, cada din\u00e2mica e processo adaptativo tamb\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m queremos entender de que forma a experi\u00eancia da chegada do segundo filho difere em fam\u00edlias de classes sociais diferentes. Como \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o quando a maior preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas amar os dois filhos da mesma forma? Qual o impacto financeiro de um segundo filho? De que forma se estabelecem as redes de apoio nas diferentes realidades familiares brasileiras? Vamos ouvir essas fam\u00edlias e ver o que \u00e9 diferente e o que \u00e9 igual. Vamos ouvir esses filhos (crian\u00e7as e adolescentes). E vamos ouvir quem entende do assunto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fontes:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Pai\/m\u00e3e de dois com o filho mais velho com idade entre 4-7 anos (a ideia \u00e9 entrevistar a fam\u00edlia, pai ou m\u00e3e + filhos\/as).<\/li><li>Pai\/m\u00e3e de dois filhos com idade entre 15-25 anos (a ideia \u00e9 entrevistar a fam\u00edlia, pai ou m\u00e3e + filho\/a).<\/li><li>Psic\u00f3logo\/a estudioso das rela\u00e7\u00f5es familiares.&nbsp;<\/li><li>Prof. \u00c2ngela Helena Marin &#8211; Coordenadora do N\u00facleo de Estudos sobre Fam\u00edlias e Institui\u00e7\u00f5es Educativas e Sociais (NEFIES) da UFRGS. <\/li><li>Caroline Rubim Rossato Pereira &#8211; Doutoranda do PPGPSICO, servidora da UFSM, autora de estudo sobre gesta\u00e7\u00e3o do segundo filho.<\/li><li>Antrop\u00f3logo\/a que estude as culturas familiares<\/li><li>Claudia Lee Williams Fonseca, professora aposentada da antropologia da UFRGS.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Perguntas<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ol><li><strong>Pai\/m\u00e3e&nbsp;<\/strong><\/li><li>Como foi a chegada do seu primeiro filho?<\/li><li>Como foi quando voc\u00ea descobriu que o segundo filho estava chegando?<\/li><li>O que voc\u00ea percebeu de mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es dentro de casa?<\/li><li>\u00c9 poss\u00edvel dizer que as rela\u00e7\u00f5es mudaram? De que forma?&nbsp;<\/li><li>Como o\/a irm\u00e3\/o mais velho\/a recebeu esse novo beb\u00ea?&nbsp;<\/li><li>Voc\u00ea se sentiu cobrado\/a a amar a segunda crian\u00e7a tanto quanto a primeira? Teve medo que isso acontecesse?<\/li><\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"2\"><li><strong>Filhos<\/strong><\/li><li>Como voc\u00ea recebeu o seu\/sua irm\u00e3\/o?&nbsp;<\/li><li>Como voc\u00ea se sentiu com a chegada de um beb\u00ea na sua casa?<\/li><li>Voc\u00ea j\u00e1 se perguntou ou j\u00e1 se sentiu mais ou menos amada pelos seus pais do que o seu\/sua irm\u00e3\/o?<\/li><li>Voc\u00ea teve ci\u00fames<\/li><\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\"><li><strong>Psic\u00f3logo<\/strong><\/li><li>O que muda com a chegada de um segundo filho?<\/li><li>\u00c9 comum que os filhos se sintam amados de formas d\u00edspares? Por qu\u00ea?&nbsp;<\/li><li>Quais s\u00e3o os desafios colocados aos pais nessa rela\u00e7\u00e3o?&nbsp;<\/li><li>Como os irm\u00e3os se reconhecem? O que pode acontecer com o mais velho com a chegada de um beb\u00ea?&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><strong>Imagens:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Da fam\u00edlia toda;<\/li><li>Dos\/das irm\u00e3os\/\u00e3s;<\/li><li>Fotos de arquivo pessoal do nascimento do (a) segundo (a) filho (a).&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fados para as redes sociais:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Indica\u00e7\u00e3o de livros infantis que abordam o assunto;<\/li><li>Conversa com especialista \u2013 como falar sobre irm\u00e3os com os filhos? Ser\u00e1 gravado junto com a psic\u00f3loga no podcast, e tamb\u00e9m pode ser um corte do pr\u00f3prio podcast, mais ou menos assim: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C3gExTUglra\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==\">exemplo 1<\/a>&nbsp; ou assim <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C3yREvYAF_P\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==\">exemplo 2<\/a>;<\/li><li>V\u00eddeo conversando com crian\u00e7as: como foi receber o irm\u00e3o? Qual sua rela\u00e7\u00e3o com seu\/sua irm\u00e3\/o? A ideia \u00e9 que as crian\u00e7as sejam o foco. Seja um v\u00eddeo divertido, l\u00fadico;<\/li><li>Cards: dicas de especialistas vs. dicas de m\u00e3es sobre como lidar com a chegada do segundo filho.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fados multim\u00eddia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul><li>Podcast com algu\u00e9m da psicologia (pensamos na Lu\u00edsa Canfield, que trouxe insights bem positivos para a reuni\u00e3o de pauta). Abordar a teoria dos pap\u00e9is, a constru\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is sociais \u2014 a forma\u00e7\u00e3o do pai\/m\u00e3e e dos filhos. Como um \u201cquadro\u201d do podcast, trazer relatos de casos\/experi\u00eancias dos <em>ouvintes<\/em> (n\u00e3o necessariamente dos cases escolhidos para a reportagem);<\/li><li>V\u00eddeo mostrando as fam\u00edlias e os seus relatos, explorando as entrevistas com as crian\u00e7as.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2><strong>Da pauta \u00e0 reportagem<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de precisarmos conciliar as opini\u00f5es de uma turma inteira na decis\u00e3o do tema central, tamb\u00e9m tivemos que pensar nas reportagens em dupla. Apesar da novidade \u2013 n\u00e3o t\u00e3o bem recebida inicialmente\u2013, escolher a nossa pauta para a Sextante foi mais f\u00e1cil do que o esperado. Possivelmente por sermos uma dupla de duas filhas mais novas com irm\u00e3os mais velhos, abordar o tema do <strong>segundo filho <\/strong>pareceu interessante de cara.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o inicial era falar sobre as mudan\u00e7as na din\u00e2mica familiar com a chegada de um novo beb\u00ea em fam\u00edlias que tivessem somente dois\/duas filhos\/as. Para a constru\u00e7\u00e3o da reportagem, compreendemos que seria importante contar com as entrevistas de duas fam\u00edlias. Somado a esse desejo, entendemos que as hist\u00f3rias deveriam ser diversas e representar as diferentes configura\u00e7\u00f5es familiares da sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, encontramos duas fam\u00edlias dispostas a conversar e contar as sua hist\u00f3rias, tarefa que se mostrou mais f\u00e1cil do que o esperado. A vontade, no entanto, era de que as crianas estivessem inclu\u00eddas na conversas. No primeiro caso, a tarefa foi bem sucedida. Na segunda fam\u00edlia, a visita presencial a sua casa, que estava planejada para a \u00faltima semana de abril, precisou ser cancelada devido ao avan\u00e7o das \u00e1guas. Nos restou, ent\u00e3o, fazer uma entrevista por v\u00eddeo chamada, o que reduziu a participa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p>Entrevistamos uma fam\u00edlia com pai, m\u00e3e e duas filhas e outra de uma m\u00e3e solo com dois filhos de pais diferentes. Mesmo tendo configura\u00e7\u00f5es distintas, uma das surpresas durante o processo foi ouvir experi\u00eancias muito semelhantes relatadas pelas m\u00e3es. A culpa e o medo se revelaram comum entre as duas experi\u00eancias, assim como o ci\u00fame dos irm\u00e3os. Al\u00e9m disso, uma parte essencial da constru\u00e7\u00e3o do texto foi a entrevista com a psic\u00f3loga Caroline Rossato, que nos ajudou a entender quais eram os pontos principais de disputa e discuss\u00e3o nessa rela\u00e7\u00e3o. A entrevista com algum especialista da \u00e1rea da antropologia tamb\u00e9m foi cancelada devido \u00e0s enchentes e \u00e0s dificuldades log\u00edsticas vivenciadas pelos ga\u00fachos. Ao fim, isso se mostrou menos relevante do que imagin\u00e1vamos. As fam\u00edlias e a psic\u00f3loga compuseram bem a ordem das informa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Quando est\u00e1vamos montando a primeira vers\u00e3o do texto, fomos interrompidadas pela enchente hist\u00f3rica de maio de 2024: paramos tudo e somente dois meses depois voltamos a escrever o texto. O desafio, nesse momento, era se reconectar com as hist\u00f3rias e depoimentos que hav\u00edamos acompanhado. Escrever um texto curto entre duas pessoas foi uma tarefa complexa, mesmo que j\u00e1 estiv\u00e9ssemos acostumadas a trabalhar juntas. Ainda assim, discutindo os trechos das entrevistas considerados mais interessantes por cada uma, as coisas flu\u00edram. Ao final do processo, entregamos uma reportagem da qual ambas se orgulharam e, talvez, at\u00e9 tenhamos nos entendido mais enquanto segundas filhas.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":15720,"template":"","categories":[139,336],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Quando eu cheguei j\u00e1 tinha gente aqui &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/quando-eu-cheguei-ja-tinha-gente-aqui\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Quando eu cheguei j\u00e1 tinha gente aqui &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Quais as diferen\u00e7as que permeiam a rela\u00e7\u00e3o com um segundo filho? 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