{"id":19572,"date":"2025-12-16T11:00:13","date_gmt":"2025-12-16T14:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=19572"},"modified":"2025-12-16T11:00:14","modified_gmt":"2025-12-16T14:00:14","slug":"um-cafe-com-a-morte","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/um-cafe-com-a-morte\/","title":{"rendered":"Um caf\u00e9 com a morte"},"content":{"rendered":"\n<h3><strong>Pergunta norteadora<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>De que forma pacientes em cuidados paliativos lidam com o tempo que ainda h\u00e1?<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Enfoque selecionado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A reportagem busca compreender como pessoas em est\u00e1gios terminais percebem e vivenciam seus momentos finais. A ideia \u00e9 observar recursos e iniciativas que buscam trazer dignidade e qualidade de morte a pacientes em cuidados paliativos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Contextualiza\u00e7\u00e3o do tema<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de cuidados paliativos foi cunhada pela m\u00e9dica brit\u00e2nica Cicely Saunders, que criou o primeiro centro de tratamento e cuidado para pacientes terminais em 1967. Muito difundida nos Estados Unidos na d\u00e9cada de 1970, a pr\u00e1tica ganhou tra\u00e7\u00e3o no final do s\u00e9culo XX, quando passou a ser recomendada oficialmente pela <a href=\"https:\/\/www.who.int\/europe\/news-room\/fact-sheets\/item\/palliative-care\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7ou no Brasil o primeiro<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/guias-e-manuais\/2023\/manual-de-cuidados-paliativos-2a-edicao\/view\"> manual de cuidados paliativos<\/a>, que em 2023 foi revisado e ampliado. Al\u00e9m de responder o que s\u00e3o os cuidados paliativos, o livro tamb\u00e9m explica princ\u00edpios jur\u00eddicos, de comunica\u00e7\u00e3o e de tratamento relacionados a pacientes terminais. Uma das abordagens apresentadas pelo manual \u00e9 o Diagrama de Abordagem Multidimensional, um instrumento de avalia\u00e7\u00e3o do sofrimento do paciente. Esse m\u00e9todo elenca quatro esferas de cuidado: aspectos f\u00edsicos, aspectos sociais e familiares, aspectos emocionais e psicol\u00f3gicos e aspectos religiosos e espirituais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a Academia Nacional de Cuidados Paliativos trabalha na quarta edi\u00e7\u00e3o do Atlas de Cuidados Paliativos no Brasil, outra pe\u00e7a informativa desenvolvida com o objetivo de orientar profissionais da sa\u00fade na condu\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica. Da mesma forma, em 2024, o governo federal lan\u00e7ou a Pol\u00edtica Nacional de Cuidados Paliativos no \u00e2mbito do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/s\/sus\">Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS)<\/a>, programa in\u00e9dito que prev\u00ea um investimento substancial na \u00e1rea de cuidados com pacientes em est\u00e1gio terminal. A ideia \u00e9 que sejam implantadas 1,3 mil equipes ao longo de toda a extens\u00e3o do pa\u00eds, al\u00e9m da disponibiliza\u00e7\u00e3o de medicamentos, assist\u00eancia em rede e atendimentos domiciliares para aqueles que necessitarem.<\/p>\n\n\n\n<p>A opini\u00e3o sobre o trato com pacientes terminais n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. Ainda ecoa a ideia de que os cuidados paliativos s\u00e3o sin\u00f4nimo de desist\u00eancia do paciente, pois \u201cviver sempre vale a pena\u201d. Assim, o m\u00e9dico que n\u00e3o cura ou o paciente que decide sair do hospital acabam por ser vistos como fracassados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir disso, a reportagem tem como objetivo desmistificar o processo de cuidados paliativos e observar a\u00e7\u00f5es que trazem bem estar ao fim da vida de pacientes.&nbsp; Pretendemos iniciar o texto descrevendo uma consulta entre paciente, m\u00e9dico e familiar. A situa\u00e7\u00e3o introduz o tema: o paciente \u00e9 uma das 625 mil pessoas que, segundo o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/composicao\/saes\/cuidados-paliativos\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, precisam de cuidados paliativos no Brasil. A partir disso, trazer os dados de Porto Alegre e do Hospital em que trabalha a fonte (Cl\u00ednicas).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do <em>case<\/em>, na parte central da reportagem, \u00e9 poss\u00edvel apresentar a abordagem desenvolvida pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, em parceria com o Hospital Albert Einstein, para o tratamento de pacientes terminais. Com isso, a reportagem mostra que os \u00faltimos momentos n\u00e3o s\u00e3o responsabilidade apenas da medicina, apresentando iniciativas que visam colaborar com os aspectos f\u00edsicos, sociais\/familiares, emocionais\/psicol\u00f3gicos e religiosos\/espirituais, como os death caf\u00e9s e as doulas da morte. Tudo isso \u00e9 amarrado por pareceres e relatos de experi\u00eancia de uma psic\u00f3loga e pelo conhecimento de uma assistente social.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As fotos da reportagem podem subverter os signos que pautas voltadas \u00e0 sa\u00fade geralmente carregam. Em vez da densidade trazida por materiais hospitalares, talvez fotos em fam\u00edlia, m\u00e9dico sem jaleco, atividades de rotina, bonecos das fontes, a reuni\u00e3o em um death caf\u00e9.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Fontes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Luciane Slomka \u2013 psicanalista que, por dez anos, atuou como psic\u00f3loga cl\u00ednica de pacientes terminais do Hospital Moinhos de Vento<\/p>\n\n\n\n<p>Wolnei Caumo \u2013 professor na \u00e1rea de anestesiologia e dor da Faculdade de Medicina da UFRGS e chefe do servi\u00e7o de dor e medicina paliativa no <a href=\"https:\/\/www.hcpa.edu.br\/assistencia-servicos-medicos-tratamento-da-dor-e-medicina-paliativa\">Hospital de Cl\u00ednicas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Paciente(s) que se encontra(m) em est\u00e1gio terminal e\/ou familiares que acompanham a trajet\u00f3ria nos cuidados paliativos (verificar a possibilidade de uma conversa mais informal com o Wolnei e um paciente)<\/p>\n\n\n\n<p>Cristiane Moro \u2013 fisioterapeuta especialista em cuidados paliativos e participante do projeto <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/deathcafeportoalegre\/#:~:text=Death%20Caf%C3%A9%20Porto%20Alegre%20(%40deathcafeportoalegre)%20%E2%80%A2%20Instagram%20photos%20and%20videos\">Death Caf\u00e9<\/a>, que promove encontros mensais para discutir a tem\u00e1tica da morte e desenvolver um espa\u00e7o de escuta entre, especialmente, pessoas no fim da vida (idosos, pacientes terminais, etc.)<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Drumond Ferreira \u2013 m\u00e9dico especialista em cuidados paliativos e presidente da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aecp.rs\/\">Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Cuidados Paliativos<\/a> (D\u00e9bora Marchetti \u2013 diretora de comunica\u00e7\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p>Michelle Clos \u2013 Assistente Social especialista em Morte e integrante conselho editorial da Sextante 66<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Propostas multim\u00eddia<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Podcast de entrevista com Ana Cl\u00e1udia Quintana, autora do livro <em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/morte-dia-vale-pena-viver\/dp\/8543107202\">A Morte \u00e9 um dia que Vale a Pena Viver<\/a><\/em> ou mais\/outros entrevistados da reportagem. (\u201cAcesse o QR Code para conferir uma conversa exclusiva com Ana Cl\u00e1udia Quintana\u201d)<\/p>\n\n\n\n<p>Infogr\u00e1fico categorizando a\u00e7\u00f5es de cuidado paliativo em cada uma das quatro esferas elencadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n\n\n\n<p>Mapa mostrando a distribui\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de cuidados paliativos pelo Brasil (dados do manual de cuidados paliativos)<\/p>\n\n\n\n<p>Galeria de fotos de pacientes em cuidados paliativos no Hospital de Cl\u00ednicas, com legenda que conta a hist\u00f3ria de cada um&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Redes sociais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>11\/10 &#8211; Postagem sobre o Dia Mundial de Cuidados Paliativos, comemorado sempre no segundo s\u00e1bado de outubro<\/p>\n\n\n\n<p>02\/11 &#8211; Reels: <em>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar de um death caf\u00e9?<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.espiritismo.net\/node\/16357\/\">A enfermaria entre a vida e a morte<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/paliativo.org.br\/ancp-inicia-coleta-de-dados-para-atlas-dos-cuidados-paliativos-no-brasil\/\">ANCP inicia coleta de dados para Atlas dos Cuidados Paliativos no Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/guias-e-manuais\/2023\/manual-de-cuidados-paliativos-2a-edicao\/view\">Manual de Cuidados Paliativos &#8211; 2\u00aa Edi\u00e7\u00e3o \u2014 Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/hospicenews.com\/2024\/09\/11\/key-research-trends-end-of-life-disparities-across-the-globe\/\">Key Research Trends: End-of-Life Disparities Across the Globe &#8211; Hospice News<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/maio\/ministerio-da-saude-lanca-politica-inedita-no-sus-para-cuidados-paliativos\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lan\u00e7a pol\u00edtica in\u00e9dita no SUS para cuidados paliativos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/cbn.globo.com\/mundo\/noticia\/2025\/06\/20\/parlamento-britanico-aprova-direito-a-morte-assistida-para-pacientes-terminais-e-projeto-avanca.ghtml\">Parlamento brit\u00e2nico aprova direito \u00e0 morte assistida para pacientes terminais e projeto avan\u00e7a | Mundo | cbn<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/testamentovitalbrasil.com.br\/arquivos\/a_morte_e_um_dia_que_vale_a_pena.pdf\">A morte \u00e9 um dia que vale a pena viver<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Da pauta \u00e0 reportagem<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A primeira quest\u00e3o que se colocou na nossa apura\u00e7\u00e3o foi o inc\u00f4modo em falar sobre a morte. N\u00e3o sab\u00edamos como abordar o assunto, principalmente em um tema t\u00e3o complexo quanto os cuidados paliativos. Por\u00e9m, \u00e0 medida que come\u00e7amos a investigar o assunto, vimos que o entrave era mais nosso do que das fontes, pois uma gama expressiva de portas se abriram em diversas dire\u00e7\u00f5es. H\u00e1 muita gente que fala sobre morte, e com naturalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Das fontes com quem planejamos falar, conseguimos entrevistas com quase todas, salvo com o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Cuidados Paliativos, Gabriel Ferreira. Em contrapartida, pudemos conversar com a paciente em cuidados paliativos In\u00eas Berti, que n\u00e3o estava prevista na pauta mas se tornou o fio condutor de toda a reportagem. Encontramos In\u00eas no Death Caf\u00e9, projeto que descobrimos na reuni\u00e3o de pauta com o conselho editorial, e tamb\u00e9m foi a for\u00e7a motriz para o texto.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que terminamos a produ\u00e7\u00e3o, o desafio final foi de reunir e transpor as informa\u00e7\u00f5es coletadas para um texto corrido. Al\u00e9m de construir uma reportagem balanceada, que cumprisse com os objetivos de informar e emocionar na mesma medida, tamb\u00e9m enfrentamos o desafio de encontrar o tom da narrativa: buscavamos transpor ao texto toda a naturalidade no trato com a morte que encontramos na apura\u00e7\u00e3o. No final, alcan\u00e7amos nosso desejo de falar sobre o assunto de forma s\u00e9ria, mas sem o pesar exagerado que normalmente acompanha essas hist\u00f3rias.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":19576,"template":"","categories":[139,491],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Um caf\u00e9 com a morte &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/um-cafe-com-a-morte\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um caf\u00e9 com a morte &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Pergunta norteadora De que forma pacientes em cuidados paliativos lidam com o tempo que ainda h\u00e1? 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