{"id":19573,"date":"2025-12-16T11:00:31","date_gmt":"2025-12-16T14:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=19573"},"modified":"2025-12-16T11:00:33","modified_gmt":"2025-12-16T14:00:33","slug":"uma-narrativa-montada","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/uma-narrativa-montada\/","title":{"rendered":"Uma narrativa montada"},"content":{"rendered":"\n<h3><strong>Como funciona a ilus\u00e3o de tempo criada pelo cinema?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A reportagem vai investigar as ilus\u00f5es temporais que o cinema \u00e9 capaz de produzir. O enfoque estar\u00e1 em tr\u00eas dimens\u00f5es principais: filmes que se passam em outros tempos (passado ou futuro); a passagem de tempo ao longo da narrativa; e a montagem, principal elemento de constru\u00e7\u00e3o do tempo narrativo, e respons\u00e1vel por criar a continuidade e a sensa\u00e7\u00e3o de tempo linear mesmo em cenas filmadas em momentos diferentes. O objetivo \u00e9 compreender os processos t\u00e9cnicos e criativos que sustentam essas ilus\u00f5es e como elas afetam a experi\u00eancia do espectador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Filmes que se passam em outro tempo: <\/strong>Roteiro, maquiagem, cabelo, figurino, cen\u00e1rio, luz, som. Todos esses elementos participam juntos para teletransportar o espectador a um tempo diferente do tempo hist\u00f3rico de sua grava\u00e7\u00e3o. Esses elementos podem ser elaborados a partir de uma pesquisa hist\u00f3rica, como em \u201c1917\u201d (2019) e \u201cLincoln\u201d (2012), da cabe\u00e7a do criador, como em \u201cDe Volta Para o Futuro 2\u201d (1989) ou \u201cBlade Runner (1982), ou uma mistura dos dois, como em \u201cNosferatu\u201d (2024) e \u201cMaria Antonieta\u201d (2006). Para que a ilus\u00e3o seja bem sucedida, \u00e9 preciso equilibrar a fidelidade hist\u00f3rica com escolhas narrativas que mantenham a narrativa envolvente, al\u00e9m de prestar aten\u00e7\u00e3o em pequenos erros que possam quebrar a imers\u00e3o do espectador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O passar de tempo durante o filme:<\/strong> \u00c9 comum que o cinema exprima uma longa passagem de tempo em um filme de uma hora e meia de dura\u00e7\u00e3o. Para que o espectador se iluda com essa passagem, alguns recursos s\u00e3o utilizados, como maquiagem, figurino e colora\u00e7\u00e3o. Em \u201cO Curioso Caso de Benjamin Button\u201d (2008), o personagem de Brad Pitt passa de idoso a beb\u00ea, com muita maquiagem e uma pitada de efeitos gr\u00e1ficos. J\u00e1 em \u201cBoyhood\u201d (2014) as filmagens foram feitas ao longo de 12 anos, para acompanhar o crescimento real dos personagens. \u201cInterstellar\u201d (2014) utiliza dos mais diversos recursos para demonstrar que o tempo est\u00e1 passando, seja pelo som de bipe ao fundo ou pela grava\u00e7\u00e3o de mensagens de personagens envelhecendo fora da narrativa dos personagens principais. At\u00e9 mesmo um pequeno rel\u00f3gio no fundo das cenas pode demonstrar a passagem de tempo, como em \u201cSynecdoche, New York\u201d (2008). \u00c0s vezes \u00f3bvia, e \u00e0s vezes um dos principais plot twists da narrativa, a passagem de tempo pode ser demonstrada de muitas maneiras atrav\u00e9s do audiovisual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Montagem:<\/strong> A montagem \u00e9 o que define como o espectador enxerga o tempo na narrativa. \u00c9 poss\u00edvel consider\u00e1-la a maior ilus\u00e3o do processo cinematogr\u00e1fico, pois est\u00e1 presente em praticamente todo filme \u2013 \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de filmes como &#8220;Ainda Orangotangos&#8221; (2007), que s\u00e3o gravados em plano sequ\u00eancia, onde a dura\u00e7\u00e3o do filme representa seu tempo exato de grava\u00e7\u00e3o. A montagem controla o ritmo e a sequ\u00eancia de eventos, e \u00e9 a ilus\u00e3o menos percept\u00edvel pelo p\u00fablico. Ao assistir um filme de \u00e9poca, o espectador tem consci\u00eancia de que aquelas imagens n\u00e3o foram gravadas naquele per\u00edodo hist\u00f3rico. Ao assistir um filme em que um ator envelhece drasticamente, o espectador tem consci\u00eancia de que fora das telas ele n\u00e3o tem aquela idade. Nesses casos, o espectador se permite cair na ilus\u00e3o, mesmo tendo consci\u00eancia exata de sua exist\u00eancia. A montagem, por outro lado, \u00e9 uma ilus\u00e3o discreta. O espectador m\u00e9dio tem a no\u00e7\u00e3o de que aquele filme foi gravado num tempo maior que seu tempo final, e de que houve um processo de edi\u00e7\u00e3o e montagem, mas ele n\u00e3o sabe dizer onde exatamente isso aconteceu. Uma troca de c\u00e2mera pode representar duas falas gravadas com horas de diferen\u00e7a entre elas, e \u00e9 papel da montagem iludir o p\u00fablico de que essa diferen\u00e7a nunca existiu. Essa ilus\u00e3o discreta e t\u00e3o essencial para a narrativa cinematogr\u00e1fica torna a montagem o principal foco desta reportagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ilus\u00e3o da sequ\u00eancia de fatos narrativos provocada pela montagem n\u00e3o est\u00e1 apenas na jun\u00e7\u00e3o de cenas, mas tamb\u00e9m no intervalo entre elas. Te\u00f3ricos como Eisenstein e Vertov enxergam que a ess\u00eancia do cinema est\u00e1 na passagem, no que se passa entre os planos. \u00c9 papel da montagem n\u00e3o apenas juntar cenas distintas e as tornar \u00fanicas, mas demonstrar que entre cenas o tempo passou, permitindo que a narrativa siga. O montador s\u00f3 \u00e9 capaz de elaborar esse jogo de cenas e tempos se as cenas forem gravadas levando em conta essa futura montagem. O continu\u00edsta \u00e9 figura essencial dentro do set para garantir que nenhum erro impe\u00e7a a montagem de provocar sua ilus\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Fontes e sugest\u00f5es de perguntas:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h6><strong><em>Giba Assis Brasil &#8211; <\/em>Montador<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Sobre ele: Diretor, roteirista e montador, foi um dos fundadores da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre, em 1987. \u00c9 formado em Jornalismo pela UFRGS. \u00c9 dele a montagem de praticamente todos os filmes de Jorge Furtado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Qual o papel da montagem em um filme? O que faz um montador?<\/li><li>Pesquisando sobre montagem, percebemos duas principais fun\u00e7\u00f5es: de conectar cenas, dar sequ\u00eancia para algo que n\u00e3o necessariamente estava em sequ\u00eancia, mas tamb\u00e9m trabalhar o entre, as passagens da narrativa. Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as de abordagem nesses processos?&nbsp;<\/li><li>Em <em>Deu Pra Ti Anos 70<\/em>, por exemplo, a hist\u00f3ria se passa em um per\u00edodo mais estendido de tempo, e tem momentos de n\u00e3o linearidade. Como que demonstra ao espectador que o tempo est\u00e1 passando, que ele \u00e9 diferente?&nbsp;<\/li><li>Quais os truques para o espectador comprar que aquele material, filmado ao longo de dias ou at\u00e9 meses, representa uma cena e uma hist\u00f3ria cont\u00ednua?<\/li><li>Voc\u00ea acha que a montagem n\u00e3o ser percept\u00edvel ao espectador torna o filme melhor? O que \u00e9 uma boa montagem?&nbsp;<\/li><li>De que maneiras voc\u00ea roteirista, voc\u00ea diretor, e voc\u00ea montador, enxerga o tempo?&nbsp;<\/li><li>Em que momento surge a necessidade de se montar um filme?&nbsp;<\/li><li>Que figuras foram mais importantes para a montagem, e quais voc\u00ea tem&nbsp;<\/li><li>De onde surge a vontade de montar filmes?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h6><strong>Bernardo Zanotta &#8211; Diretor&nbsp;<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Sobre ele: Diretor formado pela Gerrit Rietveld Academie, na Holanda. Seus curtas exploram o di\u00e1logo entre o familiar e o fant\u00e1stico e j\u00e1 foram exibidos em festivais como Locarno, Rotterdam, FID Marseille, BAFICI e Berlin Critics\u2019 Week. Em 2018, venceu o Pardino d\u2019Argento em Locarno com Heart of Hunger. Atualmente, trabalha em seu primeiro longa-metragem.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>O filme sobre a vida de seu pai tem trechos de reconstru\u00e7\u00e3o do passado. Voc\u00ea fez tamb\u00e9m Wild Fruits que se passa no s\u00e9culo 16. Como \u00e9 trabalhar com esses elementos de reconstru\u00e7\u00e3o de um passado real, e cria\u00e7\u00e3o de um passado fant\u00e1stico?&nbsp;<\/li><li>Que elementos o diretor precisa prestar aten\u00e7\u00e3o, tanto num sentido est\u00e9tico quanto na constru\u00e7\u00e3o de narrativa, para garantir que o espectador compre a ilus\u00e3o do filme?&nbsp;<\/li><li>Como \u00e9 a pesquisa para fazer um filme como Wild Fruits, por exemplo? \u2013 vamos cortar essa ok finalizo?&nbsp;<\/li><li>Quais as diferen\u00e7as entre dirigir um curta e um longa-metragem? Como a dura\u00e7\u00e3o final do filme impacta a forma que a hist\u00f3ria ser\u00e1 contada, e como percebemos o tempo dessa hist\u00f3ria?&nbsp;<\/li><li>Como se faz para o espectador compreender a passagem do tempo, especialmente dentro de um cinema mais fant\u00e1stico?&nbsp;<\/li><li>Em uma entrevista para o JC, falando sobre o curta Trag\u00e9dia e a perda do seu pai, voc\u00ea fala: \u201cTalvez, ao mat\u00e1-lo na fic\u00e7\u00e3o, eu pudesse encontrar uma maneira de mant\u00ea-lo vivo\u201d. Como, atrav\u00e9s do cinema, a gente pode alterar nossa percep\u00e7\u00e3o temporal da realidade?&nbsp;<\/li><li>Voc\u00ea tem refer\u00eancias dentro e fora do cinema (literatura, artes visuais, m\u00fasica) que influenciam sua rela\u00e7\u00e3o com o tempo nas obras?&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h6><strong><em>Joana Bernardes<\/em><\/strong><strong><em> &#8211; <\/em><\/strong><strong>Continu\u00edsta e montadora<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Sobre ela: Continu\u00edsta e montadora ga\u00facha, vencedora do Kikito de Melhor Montagem pelo filme <em>Uma em Mil<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Qual a fun\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia de um continu\u00edsta num set?<\/li><li>Como um erro de continuidade pode afetar o resultado final de um filme?&nbsp;<\/li><li>O tempo de produ\u00e7\u00e3o e o tempo final do filme s\u00e3o muito diferentes. Pode nos explicar qual \u00e9 essa diferen\u00e7a?<\/li><li>Qual a parte mais dif\u00edcil de se trabalhar com continuidade?&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h6><strong><em>Tha\u00eds Costa <\/em><\/strong><strong><em>&#8211; <\/em><\/strong><strong>Continu\u00edsta<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Sobre ela: Continu\u00edsta com experi\u00eancia em grandes produ\u00e7\u00f5es audiovisuais, incluindo trabalhos para a HBO e a Rede Globo.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Como um erro de continuidade pode afetar o resultado final de um filme? \u00c9 apenas uma quest\u00e3o est\u00e9tica?<\/li><li>Como voc\u00ea lida com essa diferen\u00e7a entre o tempo real da filmagem e o tempo da narrativa?<\/li><li>Como voc\u00ea observa a cena para garantir a continuidade?<\/li><li>Qual \u00e9 a parte mais dif\u00edcil de trabalhar como continu\u00edsta?<\/li><li>Como \u00e9 o trabalho com os atores?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h6><strong>Daniel Lion &#8211; Figurinista<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Sobre ele: Premiado figurinista teatral de Porto Alegre, atuando tamb\u00e9m como ator e produtor.<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Para criar um figurino que transporte o p\u00fablico para um tempo espec\u00edfico (passado ou futuro), por onde come\u00e7a o teu processo?<\/li><li>A pesquisa se limita a arquivos hist\u00f3ricos e pinturas, ou tu buscas inspira\u00e7\u00e3o em outras artes, como literatura e cinema?<\/li><li>Quando n\u00e3o existem registros visuais claros de uma \u00e9poca (ou quando se trata de um futuro imaginado), em que materiais ou conceitos tu te baseias para criar essa &#8216;ilus\u00e3o de tempo&#8217; para o espectador?<\/li><li>Quais os maiores desafios da produ\u00e7\u00e3o de figurinos de \u00e9poca?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3>Multim\u00eddia<\/h3>\n\n\n\n<h6>Fotos<\/h6>\n\n\n\n<ol><li>Set de filmagens (se poss\u00edvel acompanhar o diretor Bernardo Zanotta em grava\u00e7\u00e3o).<\/li><li>Figurinos de \u00e9poca produzidos por Daniel Lion.<\/li><li>Detalhes de bastidores \u2013 c\u00e2meras, claquete, making of (na Casa de Cinema)&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h6>Site<\/h6>\n\n\n\n<ol><li>Galeria de fotos: \u201cPor tr\u00e1s das c\u00e2meras\u201d \u2013 Se conseguirmos acompanhar o Bernardo durante um dia de grava\u00e7\u00e3o;&nbsp;<\/li><li>Entrevista com Giba Assis Brasil \u2013 Com certeza n\u00e3o conseguiremos colocar todas as informa\u00e7\u00f5es da entrevista na reportagem, ent\u00e3o vamos tentar fazer uma filmagem (e se n\u00e3o for poss\u00edvel, gravamos apenas o \u00e1udio) para post\u00e1-la na \u00edntegra junto da reportagem;<\/li><li>V\u00eddeo fala povo: quando voc\u00ea pensa em tempo, que filme te vem \u00e0 cabe\u00e7a?<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h6>Redes sociais<\/h6>\n\n\n\n<ol><li>Recomenda\u00e7\u00e3o de filmes: um carrossel com filmes de \u00e9poca, filmes com longas passagens de tempo, e um filme do Giba;<\/li><li>V\u00eddeo sobre \u201cerros de continuidade\u201d famosos no cinema ou sobre descaracteriza\u00e7\u00e3o temporal (ex: copo do Starbucks em Game of Thrones);<\/li><li>Reels explicando o que \u00e9 montagem<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h2><strong>DA PAUTA \u00c0 REPORTAGEM<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Desde antes da decis\u00e3o do tema, j\u00e1 t\u00ednhamos interesse em produzir algo no campo da cultura. A ideia de relacionar o cinema com o tempo surgiu de uma conversa com nosso chefe da bolsa, Fernando, que sugeriu que abord\u00e1ssemos a reconstru\u00e7\u00e3o visual de diferentes tempos no cinema, e nos passou o contato do figurinista Daniel Lion, que trabalha com figurinos de \u00e9poca, para iniciar nossa pauta.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos, a partir da\u00ed, a refletir como o cinema \u00e9, talvez, a \u00fanica ferramenta capaz de subverter a l\u00f3gica implac\u00e1vel do rel\u00f3gio. Na vida real, o tempo s\u00f3 anda para a frente, mas na tela, podemos saltar d\u00e9cadas em um corte, revisitar o passado ou suspender um instante. Percebemos ali que a rela\u00e7\u00e3o entre cinema e tempo ia muito al\u00e9m da est\u00e9tica ou do figurino; ela estava na pr\u00f3pria ess\u00eancia da linguagem cinematogr\u00e1fica, na capacidade m\u00e1gica de manipular a nossa percep\u00e7\u00e3o e criar uma nova realidade temporal. Discutimos, ent\u00e3o, as diversas maneiras que poder\u00edamos expressar essa conex\u00e3o. Apresentamos a proposta para o conselho editorial, que sugeriu outros nomes essenciais, como o de Giba Assis Brasil e Bernardo Zanotta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o contato com as fontes, tivemos um imprevisto que mudou consideravelmente a estrutura de nossa reportagem. Daniel, com a correira de sua rotina de figurinista, n\u00e3o conseguiu encaixar nossa entrevista no seu calend\u00e1rio, e tamb\u00e9m n\u00e3o nos recomendou outra fonte que poderia falar sobre figurinos hist\u00f3ricos. O que inicialmente se apresentou com problema, acabou sendo essencial para repensarmos a forma como est\u00e1vamos tratando a temporalidade do cinema, e em que pontos dever\u00edamos de fato focar na reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidimos, ent\u00e3o, entrar em contato com duas continu\u00edstas \u2014 Tha\u00eds Costa e Joana Bernardes&nbsp; \u2014 para, junto de Giba e Bernardo, nos contar as diferentes formas que o tempo perpassa a narrativa cinematogr\u00e1fica, em sua montagem, produ\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo em sua materialidade. O foco, que era antes dividido entre t\u00e9cnica e est\u00e9tica, passou a tratar apenas de t\u00e9cnica. Essa mudan\u00e7a de perspectiva nos fez perceber e descobrir camadas do cinema que, at\u00e9 ent\u00e3o, nos eram invis\u00edveis. Aprendemos, na pr\u00e1tica, a fun\u00e7\u00e3o vital de cada pe\u00e7a dessa engrenagem: a continu\u00edsta que protege a coer\u00eancia no caos do set, o diretor que usa a c\u00e2mera para desafiar a finitude e o montador que costura tudo isso na ilha de edi\u00e7\u00e3o. Foi um belo processo onde redescobrimos coisas que ach\u00e1vamos que j\u00e1 conhec\u00edamos e passamos a apreciar a arte do cinema pelos olhos de quem o faz.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":19604,"template":"","categories":[139,491],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Uma narrativa montada &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/uma-narrativa-montada\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Uma narrativa montada &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como funciona a ilus\u00e3o de tempo criada pelo cinema? 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