{"id":19633,"date":"2025-12-16T10:56:45","date_gmt":"2025-12-16T13:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=19633"},"modified":"2025-12-16T11:24:05","modified_gmt":"2025-12-16T14:24:05","slug":"a-rotina-na-incerteza","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/a-rotina-na-incerteza\/","title":{"rendered":"A rotina na incerteza"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Qual o papel do tempo na vida dos trabalhadores informais?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao pensar no tema \u201ctempo\u201d e no que poderia ser esse \u201ctempo\u201d na nossa reportagem, lembramos daquele velho ditado: tempo \u00e9 dinheiro. Essa express\u00e3o \u00e9 bastante utilizada como uma forma de dizer que, ao utilizar o tempo, ou seja, nossas 24 horas di\u00e1rias, para fazer qualquer atividade que n\u00e3o envolva a gera\u00e7\u00e3o de capital, estamos sendo ineficientes e desperdi\u00e7ando este bem t\u00e3o valioso, de acordo com a l\u00f3gica capitalista. Mas para uma categoria de trabalhadores pode-se dizer que, com certeza, \u201ctempo \u00e9 dinheiro\u201d! S\u00e3o esses os trabalhadores informais.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Contextualiza\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Cerca de 32,5 milh\u00f5es de trabalhadores brasileiros atuam como aut\u00f4nomos de modo informal (ou seja, sem CNPJ) ou s\u00e3o empregados sem carteira assinada no setor privado, segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), atrav\u00e9s da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua. Isso representa 31,7% dos 102,5 milh\u00f5es de empregados no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, dados de 2018 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) mostram que o trabalho informal representa 42% dos empregos femininos no mundo. As mulheres s\u00e3o maioria no mercado de trabalho informal e geralmente tamb\u00e9m s\u00e3o pobres, negras e perif\u00e9ricas. Segundo dados do IBGE, em 2022, 49,1% dos lares brasileiros tinham como respons\u00e1veis mulheres. Essa informalidade se caracteriza pela falta de carteira assinada e direitos trabalhistas, como Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), seguro-desemprego, d\u00e9cimo terceiro, f\u00e9rias e aposentadoria. O trabalho informal pode incluir aut\u00f4nomos sem CNPJ, trabalhadores por conta pr\u00f3pria e a &#8220;plataformiza\u00e7\u00e3o&#8221; de m\u00e3o de obra por aplicativos, como motoboys e entregadores, que sofrem com a precariza\u00e7\u00e3o e a falta de v\u00ednculo trabalhista. Essa condi\u00e7\u00e3o redefine a rela\u00e7\u00e3o desses trabalhadores com o tempo, seja pela necessidade de longas ou duplas\/triplas jornadas para garantir renda m\u00ednima, pela aus\u00eancia de rotina fixa ou pela incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, afetando a sa\u00fade, a vida familiar e as possibilidades de planejamento. E \u00e9 exatamente isso que vamos abordar na nossa reportagem, como essa condi\u00e7\u00e3o de incerteza afeta diretamente a vida e a rela\u00e7\u00e3o destes trabalhadores com o tempo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Fontes:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ainda n\u00e3o temos cases concretos, mas iremos at\u00e9 uma feira para falar com feirantes, pois eles s\u00e3o trabalhadores informais. Tamb\u00e9m vamos entrevistar uma diarista e um motorista por aplicativo. A princ\u00edpio ser\u00e3o estes tr\u00eas&nbsp;trabalhadores informais para serem os cases da reportagem.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Perguntas para os cases:&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ol><li>Quantas horas por dia voc\u00ea costuma trabalhar? E quantos dias por semana?<\/li><li>No teu trabalho tu costuma ficar ocupado todos os dias ou \u00e9 necess\u00e1rio ter uma demanda espec\u00edfica?<\/li><li>Como voc\u00ea avalia o futuro nesse momento?<\/li><li>Se trabalha por aplicativo, por que escolheu esta fun\u00e7\u00e3o?<\/li><li>O seu trabalho \u00e9 sua \u00fanica fonte de renda?<\/li><li>\u00c9 uma escolha tempor\u00e1ria ou voc\u00ea pretende seguir neste trabalho?<\/li><li>Voc\u00ea sente que existe alguma barreira para conseguir emprego em outras \u00e1reas hoje?<\/li><li>Voc\u00ea possui tempo livre?<\/li><li>Na sua perspectiva, de que forma o tempo tem rela\u00e7\u00e3o com o seu trabalho?<\/li><li>&nbsp;Voc\u00ea acredita que, quando n\u00e3o est\u00e1 trabalhando, est\u00e1 perdendo tempo?<\/li><\/ol>\n\n\n\n<ul><li>Um profissional da psicologia, para falar sobre as particularidades e desafios psicossociais que afetam esses trabalhadores<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3><strong>Perguntas para o profissional:&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ol><li>Voc\u00ea atende muitas pessoas que sentem que est\u00e3o perdendo seus tempos por causa do trabalho?&nbsp;<\/li><li>Quais os poss\u00edveis efeitos psicol\u00f3gicos que a instabilidade do trabalho informal pode provocar em uma pessoa?<\/li><li>A falta de estabilidade trabalhista afeta a forma como o indiv\u00edduo administra suas rela\u00e7\u00f5es?<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h3><strong>Sugest\u00f5es de fotos da reportagem:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul><li>Case trabalhador informal com a sua ferramenta de trabalho<\/li><li>Motoboys e motoristas de aplicativos cases da reportagem<\/li><li>Interior do carro com o aplicativo aberto, tempo de espera, manifesta\u00e7\u00e3o ou encontro de coletivos de motoristas\/entregadores em Porto Alegre&nbsp;<\/li><li>Entregador descansando em uma cal\u00e7ada ou pra\u00e7a, celular na m\u00e3o, aguardando chamada.<\/li><li>Carrinheiros coletando material recicl\u00e1vel<\/li><li>Feirantes trabalhando nas feiras ecol\u00f3gicas da capital<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3><strong>Sugest\u00f5es de ilustra\u00e7\u00f5es da reportagem:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ul><li>Uma fileira de trabalhadores informais, com o rel\u00f3gio rodando atr\u00e1s, e eles correndo atr\u00e1s da carteira de trabalho<\/li><li>Ferramentas de trabalho ao longo dos anos, a tecnologia e o tempo<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3><strong>Propostas multim\u00eddia:&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ol><li>Entrevista em \u00e1udio, como um podcast, com a soci\u00f3loga Thays Wolfarth Mossi, abordando o tema do trabalho informal no Brasil.<\/li><li>Infogr\u00e1fico explicando o que \u00e9 trabalho informal, quais as caracter\u00edsticas, o que define um trabalhador informal, exemplos de tipos de trabalho informal<\/li><li>Gr\u00e1fico de dados mostrando o aumento do n\u00famero de trabalhadores informais nos \u00faltimos anos no RS<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h3><strong>Conte\u00fado para as redes sociais da Sextante:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<ol><li>Card explicando as diferentes categorias de trabalho;&nbsp;<\/li><li>Reels com mini entrevistas: trabalhadores informais respondendo a pergunta \u201cO que o tempo significa para voc\u00ea?\u201d e \u201cPara voc\u00ea, tempo \u00e9 dinheiro? Por qu\u00ea?\u201d&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center\">Da pauta \u00e0 reportagem<\/h2>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o da pauta come\u00e7ou com uma pergunta e um ditado simples, mas que pudesse tratar de uma quest\u00e3o atual: <em>qual \u00e9 o papel do tempo na vida dos trabalhadores informais? <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando pensamos no tema \u201ctempo\u201d, lembramos daquele ditado muito repetido, \u201ctempo \u00e9 dinheiro\u201d. Ele costuma ser usado para dizer que, se n\u00e3o estamos usando nossas horas para produzir ou ganhar algo, estamos desperdi\u00e7ando um recurso valioso dentro da l\u00f3gica capitalista. E, para quem vive da informalidade, essa frase n\u00e3o \u00e9 exagero. Ela descreve o dia a dia dessas pessoas de forma quase literal. Com isso, buscamos entender esse cen\u00e1rio de forma mais ampla. Os dados mais recentes do IBGE mostram que cerca de 32,5 milh\u00f5es de brasileiros trabalham de maneira informal, seja como aut\u00f4nomos sem CNPJ ou como empregados sem carteira assinada. Quer\u00edamos saber como isso se traduz na rotina e no tempo de cada trabalhador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o, tivemos certa dificuldade para encontrar quem topasse falar. A ideia inicial foi ir at\u00e9 uma feira, j\u00e1 que ela concentra muitos trabalhadores informais. A inten\u00e7\u00e3o era conversar com feirantes e entender como lidam com tempo, renda e rotina. Tamb\u00e9m decidimos procurar algu\u00e9m que trabalhasse como ambulante. Pegamos o Trensurb e encontramos um vendedor que aceitou participar. Assim chegamos ao Douglas Mello, que se tornou um dos nossos cases. A diarista Patr\u00edcia Pereira entrou na pauta por outro caminho. Conhecemos sua hist\u00f3ria depois de not\u00edcias de que ela havia sofrido um ataque de pitbulls, fazendo com que ela n\u00e3o pudesse trabalhar e, por consequ\u00eancia, sem renda. A situa\u00e7\u00e3o dela exp\u00f5e de forma clara como, para quem vive da informalidade, perder um dia, uma semana ou um m\u00eas de trabalho n\u00e3o \u00e9 apenas um contratempo, mas um impacto direto no sustento. O motorista de aplicativo Thomaz foi uma escolha natural desde o in\u00edcio. Ele representa uma das formas mais conhecidas de informalidade hoje. Sua rotina de longas horas ao volante, com rendimentos vari\u00e1veis e a press\u00e3o constante de aproveitar cada minuto, se encaixa exatamente na discuss\u00e3o sobre tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para conseguir tratar de forma profunda, pensamos na psicologia para falar dos impactos emocionais e sociais da informalidade. Mas enfrentamos dificuldades para achar uma especialista que pudesse participar dentro do nosso prazo. Com isso, o caminho mudou um pouco. Decidimos ouvir uma historiadora para entender como o trabalho no Brasil foi se formando ao longo do tempo, por que a informalidade cresceu tanto e como a rela\u00e7\u00e3o entre tempo e trabalho se transformou historicamente. Com pesquisa, mudan\u00e7as de planos e encontros, a pauta foi tomando forma.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":20102,"template":"","categories":[139,491],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A rotina na incerteza &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/a-rotina-na-incerteza\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A rotina na incerteza &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Qual o papel do tempo na vida dos trabalhadores informais? 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