{"id":4002,"date":"2021-11-12T07:51:47","date_gmt":"2021-11-12T10:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?post_type=pauta&#038;p=4002"},"modified":"2021-11-22T12:48:27","modified_gmt":"2021-11-22T15:48:27","slug":"o-brasil-deixou-de-ser-uma-colonia","status":"publish","type":"pauta","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/o-brasil-deixou-de-ser-uma-colonia\/","title":{"rendered":"O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Tema:<\/strong> Resqu\u00edcios e efeitos do Brasil colonial na composi\u00e7\u00e3o social de hoje, a partir do trip\u00e9 origin\u00e1rio: latif\u00fandio, monocultura e escravid\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p><strong>T\u00edtulo provis\u00f3rio:<\/strong> O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5>hist\u00f3rico <\/h5>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica brasileira de coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou efetivamente com a vinda de D. Jo\u00e3o VI para o Brasil e culminou em um processo que modificou profundamente a forma organizacional que a sociedade vigente conhecia. Pela proposta governamental da \u00e9poca, havia a pretens\u00e3o de criar novas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, desenvolvendo uma mentalidade que permitisse ao pa\u00eds superar todos os obst\u00e1culos de sua forma\u00e7\u00e3o inicial, alicer\u00e7ada pelo trip\u00e9 latif\u00fandio, monocultura e escravocrata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de incentivo governamental para a imigra\u00e7\u00e3o de povos ao Brasil, majoritariamente composta de europeus, tinha objetivos claros elencados. A ocupa\u00e7\u00e3o de terras desabrigadas, para o desenvolvimento da agricultura, com\u00e9rcio e ind\u00fastria, costuma ser a finalidade central apontada. Havia, no entanto, a exist\u00eancia de pr\u00e1ticas racistas com a pol\u00edtica de embranquecimento defendida pela elite intelectual da \u00e9poca, ao defender a substitui\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra escrava por trabalhadores livres e brancos; com efeito desta condu\u00e7\u00e3o, houve a cria\u00e7\u00e3o de classes sociais intermedi\u00e1rias entre os senhores de terras e os escravos.<\/p>\n\n\n\n<h5>enfoque<\/h5>\n\n\n\n<p>Irei explorar o trip\u00e9 origin\u00e1rio do Brasil colonial (latif\u00fandio, monocultura e escravid\u00e3o) em compara\u00e7\u00e3o a estas \u00e1reas na sociedade brasileira vigente, levantando quest\u00f5es como: ap\u00f3s s\u00e9culos da primeira imigra\u00e7\u00e3o efetiva ao pa\u00eds, superamos a mentalidade colonial e conseguimos criar uma pr\u00f3pria identidade? Quais os efeitos podemos observar na nossa sociedade de hoje como heran\u00e7a de um per\u00edodo explorat\u00f3rio e escravocrata?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quest\u00f5es a serem levantadas:<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul><li>O Brasil conseguiu superar a mentalidade colonial e criar a sua pr\u00f3pria identidade?<\/li><li>Quais os efeitos da implanta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de produ\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria do solo brasileiro para a economia?<\/li><li>Como a pol\u00edtica do latif\u00fandio e monocultura auxiliaram na desigualdade econ\u00f4mica e social de hoje?<\/li><li>De que forma o trabalho escravo e a pol\u00edtica de embranquecimento repercute nas nossas rela\u00e7\u00f5es hoje?<\/li><li>Como o Brasil se relaciona com o mundo? Qual a nossa posi\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio internacional?<\/li><li>Somo colonizados e tamb\u00e9m colonizadores hoje?&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h5>fontes<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>F\u00e1bio K\u00fchn,<\/strong> tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Hist\u00f3ria Social, com \u00eanfase em Hist\u00f3ria do Brasil colonial. Entre as principais publica\u00e7\u00f5es est\u00e3o os livros<em> Breve Hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Helen Os\u00f3rio,<\/strong> especialista em hist\u00f3ria do Brasil colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: hist\u00f3ria econ\u00f4mica e social, hist\u00f3ria agr\u00e1ria, brasil col\u00f4nia, estrutura agr\u00e1ria, fronteira, imp\u00e9rio portugu\u00eas, hierarquias sociais e escravid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernanda Oliveira da Silva<\/strong>, especialista em teoria da Hist\u00f3ria e Hist\u00f3ria do Brasil, com \u00eanfase em p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, racializa\u00e7\u00e3o, fronteira Brasil-Uruguai, clubes negros, ra\u00e7a, escrita da hist\u00f3ria e pensamento de mulheres negras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regina C\u00e9lia Lima Xavier<\/strong>, tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Hist\u00f3ria, atuando principalmente nos seguintes temas: escravid\u00e3o e liberdade, hist\u00f3ria do trabalho, hist\u00f3ria da medicina, hist\u00f3ria dos africanos e seus descendentes no Brasil, hist\u00f3ria da ra\u00e7a e do racismo. Autora de <em>A conquista da liberdade: libertos em Campinas na segunda metade do s\u00e9culo XIX<\/em> (CMU\/Unicamp, 1996) e <em>Religiosidade e escravid\u00e3o, s\u00e9culo XIX: mestre Tito<\/em> (UFRGS, 2008). Tamb\u00e9m organizou, entre outros livros, <em>Escravid\u00e3o e liberdade: temas, problemas e perspectivas de an\u00e1lise <\/em>(Alameda, 2012) e <em>Do tr\u00e1fico ao p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o: trabalho compuls\u00f3rio e livre e a luta por direitos sociais no Brasil <\/em>(Oikos, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cesar Augusto Barcellos Guazzelli,<\/strong> professor de Hist\u00f3ria da UFRGS e especialista em Hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marcus Vinicius de Freitas Rosa,<\/strong> tem experi\u00eancia de pesquisa na \u00e1rea de Hist\u00f3ria do Brasil Imp\u00e9rio e Rep\u00fablica, atuando principalmente nos seguintes temas: ra\u00e7a, racismo, racializa\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es raciais; branquitude; p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o; territ\u00f3rios negros urbanos; processo de desagrega\u00e7\u00e3o da sociedade escravista; clubes sociais negros; carnavais e culturas populares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adolar Koch,<\/strong> professor de Hist\u00f3ria da UFRGS e especialista em Hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Clarice Gontarski Speranza,<\/strong> especialista em hist\u00f3ria social do trabalho e hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ant\u00f4nio da Luz,<\/strong> economista chefe da FARSUL<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sugest\u00f5es de perguntas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol><li>Hoje o Brasil apresenta dados que indicam uma grande concentra\u00e7\u00e3o de terras sob posse de poucas pessoas. De acordo com o Atlas Fundi\u00e1rio do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), cerca de 3% do total das propriedades rurais do pa\u00eds s\u00e3o latif\u00fandios, ou seja, tem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agricultur\u00e1veis. Como o modelo latifundi\u00e1rio colonial ajudou a moldar a distribui\u00e7\u00e3o de terras como vemos hoje?<\/li><li>Atualmente, a balan\u00e7a comercial brasileira \u00e9 altamente dependende de exporta\u00e7\u00f5es de commodities agr\u00edcolas, como a soja. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que investe de forma significativa na monocultura e no setor prim\u00e1rio ainda hoje, em detrimento de produtos com valor agregado da ind\u00fastria, como vemos em pa\u00edses desenvolvidos. Essa escolha \u00e9 um resqu\u00edcio do per\u00edodo colonial?&nbsp;<\/li><li>A Reforma Agr\u00e1ria seria um caminho para amenizarmos as desigualdes sociais e econ\u00f4micas no Brasil?&nbsp;<\/li><li>A escravid\u00e3o foi um per\u00edodo de longa dura\u00e7\u00e3o no mundo, em especial no Brasil, \u00faltimo pa\u00eds a decretar a proibi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s seu fim, n\u00e3o tivemos uma pol\u00edtica d eacolhimento e de trabalho para estas pessoas. Quais s\u00e3o os efeitos deste processo?<\/li><li>A pol\u00edtica de embranquecimento era claramente defendida no processo de imigra\u00e7\u00e3o europeia para o Brasil. Como isso pode ter afetado a nossa identidade como indiv\u00edduos e pertencentes desta cultura?<\/li><li>Podemos afirmar que o rascimo estrutural \u00e9 uma realidade no Brasil? Como a nossa hist\u00f3ria contribuiu com este cen\u00e1rio?<\/li><li>Na sua opini\u00e3o, o Brasil superou a mentalidade de col\u00f4nia de explora\u00e7\u00e3o que viveu? Como isso afeta a nossa identidade hoje?&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<h5>imagens<\/h5>\n\n\n\n<p>Mapa do Brasil sinalizando as imigra\u00e7\u00f5es em suas respectivas regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Gr\u00e1fico demostrando os n\u00fameros totais de escravos registrados do in\u00edcio ao fim do per\u00edodo escravocrata.<\/p>\n\n\n\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de capa uma mistura entre imagens do Brasil colonial com um campo e um Brasil urbano remetendo a atualidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5>refer\u00eancias<\/h5>\n\n\n\n<p>A IMIGRA\u00c7\u00c3O EUROP\u00c9IA NO S\u00c9CULO PASSADO: O PROGRAMA DE COLONIZA\u00c7\u00c3O NO RIO GRANDE DO SUL<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.ub.edu\/geocrit\/sn-94-10.htm\"><strong>http:\/\/www.ub.edu\/geocrit\/sn-94-10.htm<\/strong><\/a><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>T<strong>ese do branqueamento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiadobrasil\/tese-branqueamento.htm\">https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiadobrasil\/tese-branqueamento.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>ESTADO, MOVIMENTOS E REFORMA AGR\u00c1RIA NO BRASIL: REFLEX\u00d5ES A PARTIR DO INCRA<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ln\/a\/8CWq6rS9tTqfFk9x4m7Hz3z\/?format=pdf&amp;lang=pt\"><strong>https:\/\/www.scielo.br\/j\/ln\/a\/8CWq6rS9tTqfFk9x4m7Hz3z\/?format=pdf&amp;lang=pt<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-foreground-background-color has-foreground-color is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<div style=\"height:30px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2><strong>Da pauta \u00e0 reportagem<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para a produ\u00e7\u00e3o da reportagem, conversei com tr\u00eas especialistas sobre a tem\u00e1tica. Durante as entrevistas, a tese central que embasou a reportagem sobre o trip\u00e9 estrutural do Brasil Colonial (latif\u00fandio, monocultura e escravid\u00e3o) foi apontado com efeitos na sociedade que conhecemos hoje. Al\u00e9m disso, outras caracter\u00edsticas da \u00e9poca e da forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds tamb\u00e9m foram discutidas, tais como a corrup\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Pinturas e raras fotografias da \u00e9poca foram escolhidas para retratar o cen\u00e1rio do per\u00edodo em conjunto com o texto. Tamb\u00e9m foi utilizado material sonoro para ilustrar a reportagem, como m\u00fasicas pr\u00f3prias da \u00e9poca ou que remetem ao per\u00edodo. Para trazer a contemporaneidade da pauta, as ilustra\u00e7\u00f5es criadas mesclam o passado e o presente.<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem final serviu como um estudo sobre o comportamento da sociedade vigente. Ainda que as a\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00f5es passadas possam ter desenvolvido um modelo de sociedade, \u00e9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social perpetu\u00e1-lo ou n\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"featured_media":3728,"template":"pauta-post-template.php","categories":[139,109],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Pauta da reportagem &quot;O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?&quot; &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/pauta\/o-brasil-deixou-de-ser-uma-colonia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Pauta da reportagem &quot;O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?&quot; &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tema: Resqu\u00edcios e efeitos do Brasil colonial na composi\u00e7\u00e3o social de hoje, a partir do trip\u00e9 origin\u00e1rio: latif\u00fandio, monocultura e escravid\u00e3o T\u00edtulo provis\u00f3rio: O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?&nbsp; hist\u00f3rico A pol\u00edtica brasileira de coloniza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou efetivamente com a vinda de D. 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