{"id":1133,"date":"2021-05-12T15:21:29","date_gmt":"2021-05-12T18:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=1133"},"modified":"2021-11-22T13:39:41","modified_gmt":"2021-11-22T16:39:41","slug":"cyberpunk-e-a-pilula-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/cyberpunk-e-a-pilula-vermelha\/","title":{"rendered":"Cyberpunk e a p\u00edlula vermelha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Como voc\u00ea se sente em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da humanidade? Est\u00e1 otimista e acredita que a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica pode nos proporcionar ferramentas para a coopera\u00e7\u00e3o e solu\u00e7\u00e3o de problemas coletivos? Ou acha que esses avan\u00e7os podem nos dividir ainda mais ao concentrar tamanho poder sobre a sociedade nas m\u00e3os de poucos? Se voc\u00ea se identificou mais com a vis\u00e3o pessimista, talvez se sinta representado pelo g\u00eanero de fic\u00e7\u00e3o cyberpunk.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As obras cyberpunk se passam num futuro dist\u00f3pico onde, apesar do evolu\u00eddo est\u00e1gio de desenvolvimento tecnol\u00f3gico, aprofundaram-se muito a desigualdade social e a explora\u00e7\u00e3o \u2014 e a qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 p\u00e9ssima. Nesse universo, a tecnologia n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolveu problemas sociais, como inclusive potencializou alguns deles.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNesse subg\u00eanero, encontramos sociedades onde as fronteiras entre o real e o virtual possuem limites fr\u00e1geis e h\u00e1 diferen\u00e7as sociais que marcam as maiores preocupa\u00e7\u00f5es do que seria o \u2018avan\u00e7o\u2019 \u2014 posto que muitas das tecnologias apresentadas coexistem em cen\u00e1rios de destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e pobreza extrema. Desse modo, as hist\u00f3rias com tem\u00e1tica cyberpunk incitam as percep\u00e7\u00f5es sobre as promessas fant\u00e1sticas de um futuro tecnol\u00f3gico\u201d, define a escritora e pesquisadora <a href=\"https:\/\/www.cartolaeditora.com.br\/usuario\/juliane-vicente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Juliane Vicente<\/strong><\/a>, mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<\/p>\n\n\n\n<p>Ultraglobaliza\u00e7\u00e3o, protagonistas anti-sistema, o isolamento de um indiv\u00edduo impotente frente a um inimigo muito maior do que ele pr\u00f3prio, dilemas filos\u00f3ficos, submundos urbanos e finais nem t\u00e3o felizes tamb\u00e9m s\u00e3o elementos quase sempre presentes nas obras dist\u00f3picas do cyberpunk. A premissa do g\u00eanero vai de encontro \u00e0 filosofia do \u201ctranshumanismo\u201d, vertente que acredita na melhora da condi\u00e7\u00e3o humana a partir do uso da tecnologia para aumentar as nossas capacidades f\u00edsicas e cognitivas. No cyberpunk, a tecnologia apenas altera as circunst\u00e2ncias, s\u00f3 que acaba por evidenciar ainda mais os males de uma sociedade que passa a ser controlada por grandes corpora\u00e7\u00f5es. Mas de onde saiu esse pessimismo todo?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Cyberpunk_BrunaKL-1.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1230\" width=\"666\" height=\"1000\"\/><figcaption>Arte: <strong>Bruna Klein Lummertz<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3><strong>De onde saiu esse pessimismo todo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p><em>High tech, low life<\/em>, [ou alta tecnologia, baixa qualidade de vida], \u00e9 um lema que pode expressar tanto o universo cyberpunk como o descompasso hist\u00f3rico entre o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a fal\u00eancia do Estado de Bem-Estar Social<\/p><cite><strong>RODOLFO RORATO LONDERO<\/strong>, doutor em Estudos Liter\u00e1rios<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social dos Estados Unidos da d\u00e9cada de 1980 nos ajuda a entender como a fic\u00e7\u00e3o cyberpunk decolou logo ap\u00f3s o <em>boom<\/em> de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u201clight\u201d encabe\u00e7ado pelo estrondoso sucesso de <em>Star Wars<\/em>, lan\u00e7ado em 1977. A constante ansiedade gerada pela Guerra Fria, os recordes de \u00edndices de criminalidade e o aumento do desemprego e da infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que ajudam a explicar o crescimento do g\u00eanero durante a d\u00e9cada. Al\u00e9m disso, com a elei\u00e7\u00e3o de Ronald Reagan em 1980, existia um receio sobre quais poderiam ser os efeitos de um capitalismo desregulado. \u00c9 nesse contexto que surgem os t\u00edtulos que s\u00e3o considerados os precursores do cyberpunk: o filme <em><strong><a href=\"https:\/\/www.omelete.com.br\/blade-runner\/blade-runner-o-cacador-de-androides\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blade Runner<\/a><\/strong><\/em> (1982), do diretor Ridley Scott, e o livro <em>Neuromancer<\/em> (1984), de William Gibson. Influenciado pelo caos da \u00e9poca, e por um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico j\u00e1 vertiginoso fomentado pela disputa entre EUA e URSS, o g\u00eanero adiciona realismo e cr\u00edtica social a uma fic\u00e7\u00e3o que j\u00e1 fazia sucesso.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1-683x1024.png\" alt=\"Capa do livro Neuromancer, de 1984. Homem com o rosto machucado e implantes cibern\u00e9ticos fuma cigarro. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver seus olhos, cobertos pelo aparelho.\" class=\"wp-image-1235\" width=\"342\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1-683x1024.png 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1-200x300.png 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1-768x1151.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1-1025x1536.png 1025w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img1.png 1334w\" sizes=\"(max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><figcaption>O romance de 1984 foi o primeiro livro a ganhar a \u201ctr\u00edplice coroa\u201d da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: os pr\u00eamios Hugo, Nebula e Philip K. Dick | Foto: Editora Aleph \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201c<em>High tech<\/em>, <em>low life<\/em>, [ou alta tecnologia, baixa qualidade de vida], \u00e9 um lema que pode expressar tanto o universo cyberpunk como o descompasso hist\u00f3rico entre o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a fal\u00eancia do Estado de Bem-Estar Social: enquanto viv\u00edamos \u2014 e ainda vivemos \u2014 a terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial, trazendo a automa\u00e7\u00e3o para o trabalho intelectual gra\u00e7as aos avan\u00e7os da inform\u00e1tica, as garantias sociais desapareciam \u2014 e ainda desaparecem \u2014 no mesmo passo, devido \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de pol\u00edticas neoliberais\u201d, explica <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/2843394057903577\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Rodolfo Londero<\/strong><\/a>, professor na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em Estudos Liter\u00e1rios pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). \u201cOcupando o vazio deixado por esses estados, que antes alimentavam a imagina\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica de um governo controlador, a fic\u00e7\u00e3o cyberpunk aponta para as empresas multinacionais e suas redes financeiras, em conson\u00e2ncia com o debate da globaliza\u00e7\u00e3o\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3><strong>A arte imita a vida<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os n\u00facleos urbanos polu\u00eddos e perigosos caracter\u00edsticos do g\u00eanero s\u00e3o reflexo de um abandono dos centros das cidades que estava em curso desde o fim da Segunda Guerra. Com o fortalecimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica, ganhou for\u00e7a, nos Estados Unidos, uma vis\u00e3o de planejamento urbano que priorizava a abertura de largas avenidas e constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios cada vez mais altos para fins comerciais, enquanto as resid\u00eancias foram se afastando para os sub\u00farbios. Essa tend\u00eancia fez com que os centros fossem gradualmente sendo deixados de lado pelo poder p\u00fablico, o que causou um aumento na criminalidade e no n\u00famero de moradores de rua, tornando os centros das cidades norte-americanas lugares temer\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"374\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img2-1024x374.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1236\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img2-1024x374.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img2-300x110.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img2-768x281.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img2.png 1516w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fonte: FBI<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A ambienta\u00e7\u00e3o das cidades cyberpunk tamb\u00e9m inclui elementos do planejamento urbano japon\u00eas, e a decad\u00eancia urbana tem influ\u00eancia da fic\u00e7\u00e3o policial da d\u00e9cada de 1920. Ela retratava detetives anti-her\u00f3is, que muitas vezes agiam mais por interesses pessoais do que pelo senso de justi\u00e7a, combatendo um crescente crime organizado em cidades estilo \u201cGotham City\u201d, do Batman. O contexto social dos Estados Unidos na d\u00e9cada de 1920, com crise econ\u00f4mica, proibi\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas e criminalidade em alta, responde por que a fic\u00e7\u00e3o escrita na \u00e9poca tinha essa cara. Foi uma mudan\u00e7a significativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fic\u00e7\u00e3o policial do s\u00e9culo 19, que falava sobre detetives \u201cgentlemans\u201d e com interesses puramente intelectuais em seus casos, do tipo Sherlock Holmes. Essa literatura da d\u00e9cada de 1920, chamada de <em>hard-boiled,<\/em> inspirou o cinema <em>Noir<\/em> das d\u00e9cadas de 1940 e 1950, que retrata cidades escuras, misteriosas, perigosas e com o tempo quase sempre chuvoso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-block-embed-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Blade Runner 2049 Official Trailer\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/393937611?dnt=1&amp;app_id=122963\" width=\"750\" height=\"422\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O cyberpunk tamb\u00e9m est\u00e1 profundamente ligado \u00e0 escola <em>New Wave<\/em> das d\u00e9cadas de 1960 e 1970, tend\u00eancia que marcou o cinema e a m\u00fasica, al\u00e9m da literatura. Na fic\u00e7\u00e3o, ela adicionou elementos das ci\u00eancias humanas \u00e0s narrativas, em conson\u00e2ncia com as pautas de subvers\u00e3o e contracultura que cresciam na \u00e9poca, como o movimento pelos direitos civis dos negros, feminista, LGBT e hippie: todas elas \u201cpunks\u201d no sentido de questionar o sistema estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa virada para os anos 1980, essa gera\u00e7\u00e3o punk, ou mesmo aquela herdeira da <a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/mundo-estranho\/o-que-foi-a-geracao-beat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Gera\u00e7\u00e3o Beat<\/strong><\/a>, e toda aquela gera\u00e7\u00e3o de jovens contestadores nascentes nas contraculturas de d\u00e9cadas precedentes, parecem ter descoberto e se identificado com a ci\u00eancia dos sistemas cibern\u00e9ticos e midi\u00e1ticos, a ponto de se estabelecerem neles e fazerem deles um l\u00f3cus de a\u00e7\u00f5es neocontraculturais apoiadas na coletividade e no anonimato, como aquelas que podemos ver nos quadrinhos e sua tradu\u00e7\u00e3o para o cinema de <em>V de Vingan\u00e7a<\/em>\u201d, explica&nbsp;<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8557686846656848\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Lucas Moreira de Souza<\/strong><\/a>, professor de Letras e doutor em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da influ\u00eancia do cinema <em>Noir<\/em> e do movimento <em>New Wave<\/em>, os autores cyberpunk incorporaram \u00e0s obras aspectos de seu pr\u00f3prio tempo, numa d\u00e9cada de 1980 onde o futuro n\u00e3o parecia nada promissor, e os adaptaram para suas cidades fict\u00edcias num futuro (nem t\u00e3o distante) que ainda sofre com os mesmos problemas, mas que \u00e9 altamente tecnol\u00f3gico. Seus habitantes vivem sob imponentes arranha-c\u00e9us de megacorpora\u00e7\u00f5es sem escr\u00fapulos, numa megal\u00f3pole ca\u00f3tica cuja principal fonte de luz \u00e9 o brilho de opressivos neons publicit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery alignfull columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"984\" height=\"554\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/cyberpunk-2077-release-date.jpg\" alt=\"\" data-id=\"1252\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/cyberpunk-2077-release-date.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=1252\" class=\"wp-image-1252\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/cyberpunk-2077-release-date.jpg 984w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/cyberpunk-2077-release-date-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/cyberpunk-2077-release-date-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3-1024x576.png\" alt=\"Homem com tatuagens brilhantes, moicano punk azul e \u00f3culos futurista ataca com uma espada o jogador, que se v\u00ea em primeira pessoa.\" data-id=\"1237\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3.png\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=1237\" class=\"wp-image-1237\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img3.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-1024x576.png\" alt=\"Em primeiro plano, homem escorado em carro futurista. No horizonte, as luzes neon e os arranha-c\u00e9us da cidade cyberpunk.\" data-id=\"1238\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4.png\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=1238\" class=\"wp-image-1238\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4-1568x882.png 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img4.png 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">O game Cyberpunk 2077, de setembro de 2020, agradou pelo visual, mas seu lan\u00e7amento foi um fracasso devido \u00e0 quantidade de bugs (falhas) | Fotos: CD Projekt Red \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>A p\u00edlula vermelha<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A est\u00e9tica nos ajuda a identificar e representar, mas o que define realmente um g\u00eanero liter\u00e1rio s\u00e3o as suas caracter\u00edsticas em rela\u00e7\u00e3o ao enredo. Vejamos dois exemplos mais recentes de narrativas cyberpunk: o filme <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=2KnZac176Hs\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em><strong>Matrix<\/strong><\/em><\/a> (1999), das diretoras Lana e Lilly Wachowski, e a s\u00e9rie<em> <\/em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8qZYW_1hj2g\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em><strong>Mr. Robot<\/strong><\/em><\/a> (2015-2019), do roteirista Sam Esmail.<\/p>\n\n\n\n<p>O personagem principal de <em>Mr. Robot<\/em> \u00e9 o programador Eliott, que trabalha para uma megacorpora\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria como engenheiro de seguran\u00e7a e ao mesmo tempo age por conta pr\u00f3pria como um justiceiro virtual. Assim como Case, o protagonista de <em>Neuromancer<\/em>, ele \u00e9 abordado por um grupo que o deixa sem escolha sen\u00e3o cometer crimes. Eliott ajuda o coletivo<em> hacker<\/em> \u201cfsociety\u201d a sabotar a empresa onde ele mesmo trabalhava, usando seu conhecimento interno para perdoar as d\u00edvidas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito de toda popula\u00e7\u00e3o. Apesar de esteticamente <em>Mr. Robot<\/em> n\u00e3o remeter ao retrofuturismo inaugurado por <em>Blade Runner,<\/em> que marca o g\u00eanero, e mesmo n\u00e3o tendo elementos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tecnol\u00f3gica, a s\u00e9rie se caracteriza como cyberpunk por retratar uma grande corpora\u00e7\u00e3o como o inimigo a ser enfrentado, um grupo de <em>hackers<\/em> (punks) rebeldes contra o capitalismo e temas como isolamento e a batalha pessoal de Eliott para conseguir controlar a sua pr\u00f3pria mente frente ao caos mundano e tecnol\u00f3gico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie ainda consegue atualizar o g\u00eanero ao trazer para ele as preocupa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas relacionadas ao mundo virtual: privacidade, desinforma\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental. \u201cEm Mr. Robot n\u00e3o h\u00e1 futuro arquitet\u00f4nico, tecnol\u00f3gico, urbano e t\u00f3xico que esteja desenraizado da contemporaneidade do s\u00e9culo XXI, onde as corpora\u00e7\u00f5es det\u00e9m os aparelhos de vigil\u00e2ncia que o Estado detinha\u201d, explica Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>Matrix<\/em>, aparece novamente a subcultura <em>hacker<\/em>, representada por Morpheus e sua tripula\u00e7\u00e3o, desta vez lutando contra for\u00e7as maiores representadas pelas m\u00e1quinas que cultivam humanos numa realidade simulada. O filme tamb\u00e9m traz uma s\u00e9rie de conceitos filos\u00f3ficos ao questionar o real, sendo mais conhecido o da escolha entre a p\u00edlula vermelha ou a azul, uma analogia \u00e0 <a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/mito-caverna.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>alegoria da caverna<\/strong><\/a>, de Plat\u00e3o. A p\u00edlula azul representa a escolha pela ignor\u00e2ncia aben\u00e7oada, pela continuidade da vida na simula\u00e7\u00e3o da Matrix, enquanto a vermelha representa a op\u00e7\u00e3o por encarar a realidade, por mais dif\u00edcil que ela seja.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o pesquisador Lucas Moreira, o fato de <em>Matrix<\/em> ser uma trilogia representa uma \u201cguerra cont\u00ednua\u201d: \u201cNunca atingiremos um tempo futuro no qual o estado de nirvana global reinar\u00e1 em absoluto. S\u00e3o as euforias niilistas da subcultura punk que ir\u00e3o detonar quaisquer inclina\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas de representar otimismos futuristas no discurso religioso, pol\u00edtico ou ficcional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No cyberpunk, s\u00e3o recorrentes os debates quanto aos limites da intelig\u00eancia artificial e sobre o que exatamente nos torna humanos, o que nos diferencia de uma m\u00e1quina. <em>Blade Runner<\/em>, por exemplo, conta a hist\u00f3ria de replicantes (clones de humanos) que se tornam rebeldes ap\u00f3s sentirem emo\u00e7\u00f5es, ultrapassando um limite para o qual eles n\u00e3o haviam sido programados. Al\u00e9m dos elementos realistas, portanto, questionamentos filos\u00f3ficos sobre a rela\u00e7\u00e3o homem-m\u00e1quina e sobre a defini\u00e7\u00e3o de vida e de indiv\u00edduo s\u00e3o muito presentes no g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"780\" height=\"884\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/gif2.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1232\"\/><figcaption>Arte: Yhasmin Selena<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/muito-mais-do-que-simples-robos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Muito mais do que simples rob\u00f4s:<\/a> <\/strong>o avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial deveria nos empolgar ou preocupar?<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Doen\u00e7a do s\u00e9culo? <\/a><\/strong>Porque haver\u00e1 cada vez mais pessoas deprimidas<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3><strong>Deriva\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O cyberpunk tamb\u00e9m cresce no Oriente, representado pelo mang\u00e1 <em>Akira<\/em> e pelo filme <em>Ghost in The Shell<\/em>. As obras japonesas t\u00eam maior foco em temas filos\u00f3ficos e existencialistas, como os efeitos da tecnologia em personagens alterados por ela f\u00edsica ou psicologicamente por meio de biomodifica\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo, t\u00eam como plano de fundo as metr\u00f3poles sujas e ca\u00f3ticas que caracterizam a distopia, al\u00e9m de conflitos entre fac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em paralelo, surgiram tamb\u00e9m outros subg\u00eaneros derivados do pr\u00f3prio cyberpunk. O steampunk, por exemplo, viaja ao passado para recriar um cen\u00e1rio alternativo onde dominava a tecnologia das m\u00e1quinas a vapor: \u201cO steampunk volta-se para o futuro do pret\u00e9rito, reimaginando um passado em que tecnologias fora do tempo s\u00e3o inseridas, buscando refletir sobre o \u2018e se\u2019 de tais ucronias, em termos de consequ\u00eancias sociais, culturais, pol\u00edticas\u201d, define a professora e pesquisadora <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/9340856019120479\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>\u00c9verly Pegoraro<\/strong><\/a>, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Uma ucronia \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de forma especulativa, imaginando uma hipot\u00e9tica exist\u00eancia em realidades alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o tupinipunk traz \u00e0s hist\u00f3rias temas locais e ainda adota um tom que resiste ao dom\u00ednio das grandes corpora\u00e7\u00f5es. \u201cA fic\u00e7\u00e3o cyberpunk brasileira \u2014 e latino-americana em geral \u2014 explora os lugares fora do capitalismo tardio como elementos ut\u00f3picos\u201d, explica Rodolfo. O pesquisador aponta o filme <em>Bacurau<\/em> (2019), de Kleber Mendon\u00e7a Filho e Juliano Dornelles, como um expoente do g\u00eanero cyberpunk no Brasil: \u201cOs lugares fora do capitalismo tardio est\u00e3o muito bem representados nesse filme, desde o lugar geogr\u00e1fico \u2014 sert\u00e3o nordestino \u2014 at\u00e9 o lugar da tecnologia \u2014 adaptada \u00e0s necessidades locais. E eles tamb\u00e9m carregam elementos ut\u00f3picos, como, por exemplo, repensar a tecnologia para al\u00e9m do ciberespa\u00e7o onipresente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, o projeto \u201cQueerpunk: contos de um Brasil plural\u201d reuniu sete escritores de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds para produzir contos que trabalhassem com estilos punk. \u201cNesse livro digital, todos os escritores s\u00e3o pessoas LGBTQ+, e as narrativas possuem personagens LGBTQ+ partindo da necessidade de protagonismo tanto na autoria quanto nas tramas\u201d, explica a pesquisadora Juliane, uma das autoras da antologia. O dinheiro arrecadado pelo projeto via financiamento coletivo foi doado para a Casa Florescer, uma institui\u00e7\u00e3o que acolhe mulheres transexuais e travestis em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-1024x683.jpg\" alt=\"Homem branco vestindo chap\u00e9u de cowboy aponta fuzil. Ao fundo, uma vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica da regi\u00e3o do agreste.\" class=\"wp-image-1234\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5-1568x1046.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/img5.jpg 1999w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O invasor imperialista (Udo Kier) em cena do sucesso de bilheteria <em>Bacurau<\/em> | Foto: Victor Juc\u00e1 \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>A vida imita a arte<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 o objetivo da literatura prever como ser\u00e1 o futuro, mas, ainda assim, a fic\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/cinema\/noticia\/2019\/11\/04\/blade-runner-7-previsoes-para-2019-que-o-filme-acertou-errou-ou-se-antecipou.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>antecipou<\/strong><\/a> e inclusive inspirou a chegada de v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es. Realidade virtual, chamadas de v\u00eddeo, internet, reconhecimento facial, USBs, telas planas, superf\u00edcies <em>touch screen<\/em>\u2026 S\u00e3o in\u00fameros dispositivos e conceitos que foram retratados no <em>Sci-Fi<\/em> antes de se tornarem realidade, e com o cyberpunk n\u00e3o \u00e9 diferente. Neste caso, para al\u00e9m das previs\u00f5es t\u00e9cnicas, a pr\u00f3pria premissa do g\u00eanero parece estar se tornando cada vez mais real:&nbsp;muitas profiss\u00f5es est\u00e3o sumindo ou <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=BEstp3s-Imk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>sendo precarizadas<\/strong><\/a> devido \u00e0 tecnologia; as &#8220;<a href=\"https:\/\/www.politize.com.br\/big-techs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Big Techs<\/strong><\/a>&#8221; Google e Facebook registram cada movimento dos usu\u00e1rios e t\u00eam o poder de influenciar elei\u00e7\u00f5es; bilion\u00e1rios <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/economia\/2021-01-01\/pandemia-faz-as-maiores-fortunas-do-planeta-dispararem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>ampliaram suas fortunas<\/strong><\/a> durante uma pandemia; o sistema de <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-56230536\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>blockchain<\/strong><\/a> consome mais energia  \u2014 logo, recursos naturais \u2014 do que na\u00e7\u00f5es inteiras; enquanto os 1% mais ricos concentram metade da riqueza do planeta, planeja-se a <a href=\"https:\/\/www.tecmundo.com.br\/ciencia\/211229-bill-gates-cutuca-elon-musk-diz-bobagem-colonizar-marte.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>coloniza\u00e7\u00e3o de Marte<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column is-vertically-aligned-top\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter wp-block-embed-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"550\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"en\" dir=\"ltr\">A truly astounding image. A street in Macau with the Grand Lisboa Casino looming in the background. Photograph by Paul Tsui, National Geographic travel photographer of the year.\u2019 The future is now. <a href=\"https:\/\/t.co\/xTcu7eRkD2\">pic.twitter.com\/xTcu7eRkD2<\/a><\/p>&mdash; Michael Moran (@TheMichaelMoran) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/TheMichaelMoran\/status\/1044931037887975425?ref_src=twsrc%5Etfw\">September 26, 2018<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>\u201cSe pensar no pr\u00f3prio termo quando cunhado por Bruce Bethke nos anos 1980, dizia respeito \u00e0 r\u00e1pida mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica, imbu\u00edda de uma atmosfera de informa\u00e7\u00f5es amb\u00edguas e conflitantes. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o relacionar tais caracter\u00edsticas com o panorama que se apresenta a n\u00edvel mundial sobre fake news e p\u00f3s-verdade\u201d, afirma Juliane. N\u00e3o s\u00e3o poucas as evid\u00eancias que levam a crer que a fic\u00e7\u00e3o cyberpunk pode estar se tornando uma verdade dura, mas inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">leia mais<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/mudanca-climatica-no-rio-grande-do-sul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rio Grande do Sul, 40 graus:<\/a> <\/strong>como a mudan\u00e7a clim\u00e1tica pode afetar o futuro do estado<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/transporte-do-futuro-e-sustentavel-eletrico-e-coletivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Velozes e cautelosos:<\/strong> <\/a>os meios de transporte do futuro buscam unir efici\u00eancia e sustentabilidade<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carros voadores e rob\u00f4s sobrehumanos convivem com crime, desigualdade social e explora\u00e7\u00e3o. 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