{"id":11577,"date":"2023-09-04T11:47:43","date_gmt":"2023-09-04T14:47:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=11577"},"modified":"2023-09-13T23:22:00","modified_gmt":"2023-09-14T02:22:00","slug":"maternidade-alem-da-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/maternidade-alem-da-pele\/","title":{"rendered":"Maternidade al\u00e9m da pele \u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Camile Pasqualotto, de 45 anos, branca, loira de olhos claros, nunca havia se dado conta de que algumas situa\u00e7\u00f5es vivenciadas ao lado de sua filha poderiam ser consideradas racismo. Tampouco as que presenciou ao longo do seu casamento de quase tr\u00eas d\u00e9cadas com o ex-jogador de futebol e atualmente t\u00e9cnico Roger Machado. Foi quando teve sua primog\u00eanita, J\u00falia Marques, hoje com 17 anos, autodeclarada negra, que o letramento racial passou a fazer parte de sua vida. A partir daquele momento, Camile, formada em Psicologia, se deu conta de que deveria estar atenta a quest\u00f5es culturais, raciais e \u00e9tnicas para poder transmitir tais assuntos na educa\u00e7\u00e3o da filha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A maternidade inter-racial traz desafios e experi\u00eancias \u00fanicas para as m\u00e3es que se deparam com a quest\u00e3o de como refor\u00e7ar sua pr\u00f3pria identidade racial e cultural para seus filhos, enquanto tamb\u00e9m transmitem uma compreens\u00e3o da heran\u00e7a hist\u00f3rica de seus pais, por exemplo. No entanto, a inter-racialidade tamb\u00e9m traz \u00e0 tona estere\u00f3tipos e preconceitos raciais que perpassam a vida dessas m\u00e3es e, consequentemente, dos filhos. \u201cQuando ela nasceu, as pessoas na rua achavam que era uma menina adotada, que n\u00e3o era minha filha biol\u00f3gica\u201d, conta Camile. At\u00e9 hoje ela se depara com olhares de surpresa para J\u00falia quando est\u00e3o juntas. \u201cMe olham com ar de admira\u00e7\u00e3o, como quem diz \u2018nossa, pegou uma menina negra para criar\u2019\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEu sempre elogiei muito os cabelos, o tom de pele, falava em como ela era linda. Sempre falei que ela tinha um jeitinho que era s\u00f3 dela\u201d<\/p><cite><strong>CAMILE PASQUALOTTO<\/strong>, psic\u00f3loga <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao longo do crescimento de J\u00falia, Camile foi se dando conta da falta de representatividade de personagens negros na inf\u00e2ncia da filha. O padr\u00e3o conhecido por ela desde crian\u00e7a era o da maioria dos filmes e revistas na \u00e9poca: branco e loiro. Quando a menina nasceu, em 2005, a psic\u00f3loga precisou pensar em um ambiente inclusivo, onde a pequena pudesse se sentir acolhida, al\u00e9m de estar sempre afirmando como sua heran\u00e7a racial e \u00e9tnica era importante tamb\u00e9m. Al\u00e9m disso, precisou aprender sobre como cuidar de um cabelo crespo, porque, at\u00e9 ent\u00e3o, todos da sua fam\u00edlia tinham cabelo liso. Tudo para construir a autoestima de J\u00falia. \u201cEu sempre elogiei muito os cabelos, o tom de pele, falava em como ela era linda. Sempre falei que tinha um jeitinho que era s\u00f3 dela\u201d, diz Camile Pasqualotto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11641\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto3_ArquivoPessoal_VictoriaRodrigues-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Camile relembra com carinho a inf\u00e2ncia da pequena J\u00falia&nbsp;| Foto: Arquivo pessoal <br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>Afeto que ultrapassa v\u00ednculos sangu\u00edneos\u00a0<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de pessoas que desejam adotar filhos no Brasil \u00e9 quase cinco vezes maior do que o de crian\u00e7as e adolescentes dispon\u00edveis, de acordo com um levantamento feito pelo <a href=\"http:\/\/chrome-extension:\/\/efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj\/https:\/\/www.cnj.jus.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/pesq_adocao_brasil.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ)<\/a>. No entanto, os dados tamb\u00e9m mostram que pretos e pardos representam cerca de 70% dos abrigos do pa\u00eds, isso porque 30% dos pretendentes em adotar optam por um filho branco. Mesmo assim, a inter-racialidade tamb\u00e9m est\u00e1 presente em grupos familiares n\u00e3o-biol\u00f3gicos e faz com que o processo de adapta\u00e7\u00e3o tenha suas especificidades e particularidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como o v\u00ednculo nem sempre se constr\u00f3i desde o nascimento, a conex\u00e3o dessa nova fam\u00edlia se desenvolve praticamente do zero, algo que demanda tempo e paci\u00eancia. A doutoranda do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora sobre ado\u00e7\u00e3o inter-racial Liziane Guedes diz que se um dos tutores for uma pessoa negra, a crian\u00e7a negra adotada provavelmente vai ter mais facilidade para se adaptar no contexto familiar. A psic\u00f3loga ainda complementa falando sobre a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o da subjetividade dessa crian\u00e7a. \u201cA fun\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e branca quando tem um filho negro, seja por ado\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, passa por ajudar essa crian\u00e7a a entender, por exemplo, que a hist\u00f3ria das pessoas negras no mundo \u00e9 muito maior do que a hist\u00f3ria de escravid\u00e3o africana\u201d, afirma Liziane. Isso ultrapassa um processo de afirma\u00e7\u00e3o da identidade e passa a ser tamb\u00e9m um processo de prote\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que o racismo coloca na vida de pessoas negras desde muito cedo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante que esses pais estejam sempre dispon\u00edveis para enfrentar qualquer contexto junto com a crian\u00e7a. Al\u00e9m disso, precisam traduzir essas situa\u00e7\u00f5es para ela de maneira aberta, sem diminuir o fen\u00f4meno do racismo e da viol\u00eancia racial como se fossem casos a serem ignorados ou&nbsp; na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Constru\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de muito di\u00e1logo&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As preocupa\u00e7\u00f5es acerca de identidade, autoestima e medo do preconceito racial fazem com que as m\u00e3es brancas que t\u00eam filhos negros ou pardos introduzam em suas conversas quest\u00f5es sociais e raciais logo na inf\u00e2ncia. Muitas vezes surgem d\u00favidas sobre a melhor maneira de conversar acerca de assuntos t\u00e3o sens\u00edveis. \u201cEndere\u00e7ar perguntas para o real que est\u00e1 posto e fazer uso de livros infantis que abordem o tema\u201d, \u00e9 o que sugere Maria Ribeiro, cientista social e professora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cJamais tratando do assunto como se fosse coisa de adulto\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: #6 \u2013 Maternidade negra\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3Sk8q7wgUA99i4DoQYFtoo?si=zAdzAENiQfmA85q4TrSk4A&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>No caso de Maria, mulher negra, m\u00e3e de uma crian\u00e7a branca de oito anos, uma das lembran\u00e7as mais marcantes com Ant\u00f4nio, foi quando o menino recebeu o famoso jogo \u201cCara a Cara\u201d. Ao ser questionado se havia mais pessoas negras ou mais pessoas brancas representadas no jogo, ele, espontaneamente, pegou um papel, uma caneta, fez as contas e percebeu que a maior parte das representa\u00e7\u00f5es eram brancas. \u201cEu lembro que ele respondeu: \u2018acho que \u00e9 por causa do racismo e porque as pessoas brancas \u00e9 que decidem que figuras v\u00e3o aparecer no jogo\u2019\u201d, relata Maria. Desnaturalizar as posi\u00e7\u00f5es sociais e dar nome aos elementos que comp\u00f5em nossa paisagem social \u00e9 v\u00e1lido tanto para crian\u00e7as brancas quanto para n\u00e3o brancas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ao tutor propor o debate racial desde cedo, respeitando o grau de entendimento do pequeno. Endere\u00e7ar perguntas do mundo real, nomear todos os elementos, motivar a curiosidade e convidar essas crian\u00e7as a respond\u00ea-las s\u00e3o boas medidas. \u00c0s vezes a constru\u00e7\u00e3o da forma de educar um filho fruto de um relacionamento inter-racial come\u00e7a antes mesmo da gravidez. Foi o caso de Camila Silva, de 27 anos, jornalista e m\u00e3e do Joaquim de um ano, seu primeiro filho. Quando conheceu Benhur, pai do menino, j\u00e1 come\u00e7ou a refletir sobre como seria formar essa rela\u00e7\u00e3o familiar inter-racial com um homem branco.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEu acho que meu papel \u00e9 fazer com que ele seja um cidad\u00e3o melhor, um aliado dessas pautas&#8221;<\/p><cite><strong>CAMILA SILVA<\/strong>, jornalista  <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao longo de sua vida, Camila foi, mesmo que involuntariamente, influenciada atrav\u00e9s das pessoas que convivia, a criar uma crian\u00e7a negra e, com isso, introduzir mecanismos de defesa para ela enfrentar uma sociedade racista. \u201cS\u00f3 que eu n\u00e3o estou nesse lugar porque eu tenho um filho branco\u201d, pondera. \u201cEu acho que meu papel \u00e9 fazer com que ele seja um cidad\u00e3o melhor, um aliado dessas pautas.\u201d Mesmo que hoje se considere uma mulher muito consciente racialmente, Camila conta que nem sempre foi assim. Apesar de ter vindo de uma fam\u00edlia majoritariamente negra, a jornalista foi construindo essa consci\u00eancia com o passar dos anos, porque o assunto n\u00e3o era discutido na sua fam\u00edlia. \u201cCom o Joaquim j\u00e1 \u00e9 diferente, desde antes dele nascer isso \u00e9 discutido no seio da nossa casa, da nossa fam\u00edlia, no lar que ele est\u00e1 inserido\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais de Benhur, esposo de Camila, tamb\u00e9m s\u00e3o um casal inter-racial, o que faz  Joaquim ser uma crian\u00e7a ainda mais exposta a quest\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o antirracista, al\u00e9m de conviver com as identidades dos dois lados da fam\u00edlia. Uma das formas de Camila transmitir um pouco de si para o pequeno \u00e9 atrav\u00e9s da f\u00e9, algo muito presente na vida da jornalista desde a inf\u00e2ncia. Joaquim \u00e9 uma crian\u00e7a de terreiro, ou seja, frequenta o ambiente praticamente desde o nascimento, o que Camila considera muito simb\u00f3lico, porque fortalece ainda mais a conex\u00e3o entre eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Viv\u00eancias de um amor incondicional&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Independente das diferen\u00e7as de cor e ra\u00e7a, os la\u00e7os de afeto e cuidado de m\u00e3es e filhos s\u00e3o incomensur\u00e1veis. Os constantes aprendizados, a troca de experi\u00eancias, a evolu\u00e7\u00e3o dos dois lados dia ap\u00f3s dia, o levantamento de di\u00e1logos e a constru\u00e7\u00e3o de um v\u00ednculo \u00fanico s\u00e3o apenas alguns dos momentos mais bonitos da maternidade. Ao longo do crescimento dos pequenos, cada m\u00e3e guarda com carinho algum ponto marcante da cria\u00e7\u00e3o de seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Camile, esse momento aconteceu quando ela e sua filha mais velha, J\u00falia, conversavam sobre o sistema de cotas pela primeira vez. \u201cEla sabe da import\u00e2ncia para o processo de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, por ela ter toda essa consci\u00eancia\u201d, diz. O acesso precoce de J\u00falia aos debates sobre quest\u00f5es como ra\u00e7a, g\u00eanero e cor evidencia a import\u00e2ncia dos pequenos dialogarem acerca de tais temas logo na inf\u00e2ncia. Isso mostra que a maternidade inter-racial \u00e9 uma oportunidade para o enriquecimento cultural e o aprendizado m\u00fatuo entre m\u00e3e e filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe nenhuma f\u00f3rmula exata de como exercer a maternidade, cada mulher vai aprendendo a cada dia a melhor forma de construir essa rela\u00e7\u00e3o com seu filho. \u00c9 o que acontece com Camila, que est\u00e1 descobrindo ao lado do pequeno Joaquim como criar um cidad\u00e3o melhor para o mundo. Para ela, para que ele tenha essa compreens\u00e3o da hist\u00f3ria, as rela\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia e de entender que ele \u00e9 uma pessoa branca em um lugar de privil\u00e9gio precisam estar muito elucidadas. \u201cEle vem de uma fam\u00edlia majoritariamente negra do meu lado, uma fam\u00edlia matriarcal, onde as mulheres negras t\u00eam um papel crucial na estrutura dessa fam\u00edlia, uma fam\u00edlia de terreiro, uma fam\u00edlia de Carnaval, uma fam\u00edlia de samba\u201d, pontua. \u201cIsso j\u00e1 vai fazer com que ele entenda essa hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"819\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues-819x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11633\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues-819x1024.jpg 819w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues-768x960.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues-1229x1536.jpg 1229w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Foto2_Axeoriente_Divulgacao-_VictoriaRodrigues.jpg 1365w\" sizes=\"(max-width: 819px) 100vw, 819px\" \/><figcaption>Camila se esfor\u00e7a para que Joaquim seja racialmente consciente | Foto: Ax\u00e9 Oriente\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/entrevista.ogg\"><\/audio><figcaption>Trecho da entrevista com Camila Silva<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Camila tamb\u00e9m guarda com muito carinho o momento mais simb\u00f3lico que vivenciou ao lado de Joaquim, quando realizou uma obriga\u00e7\u00e3o religiosa e recebeu seus ax\u00e9s de<em> if\u00e1<\/em> e de <em>ob\u00e9<\/em>. A jornalista faz parte da na\u00e7\u00e3o <em>Oy\u00f3<\/em> e <em>Ijex\u00e1<\/em> e procura passar para ele essa paix\u00e3o, essa f\u00e9 e esses valores t\u00e3o importantes para o filho. \u201cO Joaquim foi para o ch\u00e3o comigo <em>[ritual inicia\u00e7\u00e3o]<\/em>. Ele ficou todo o per\u00edodo que eu estava resguardada do meu lado, ele participou de todos os processos, \u2018se sujou\u2019 de <em>axor\u00f4<\/em> <em>[sangue de animais]<\/em>, foi aben\u00e7oado pelos orix\u00e1s e foi muito simb\u00f3lico para mim\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<h3><br>LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-admin\/post.php?post=11360&amp;action=edit\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um respiro de vida<\/a> &#8211; Como o acompanhamento de doulas para m\u00e3es negras pode impactar para uma maternidade saud\u00e1vel<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/nao-se-escolhe-amar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">N\u00e3o se escolhe amar<\/a> &#8211; O sonho de construir uma fam\u00edlia leva m\u00e3es e pais \u00e0 fila da ado\u00e7\u00e3o.<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camile Pasqualotto, de 45 anos, branca, loira de olhos claros, nunca havia se dado conta de que algumas situa\u00e7\u00f5es vivenciadas ao lado de sua filha poderiam ser consideradas racismo. 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