{"id":12828,"date":"2024-02-01T09:13:47","date_gmt":"2024-02-01T12:13:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=12828"},"modified":"2024-02-06T08:06:46","modified_gmt":"2024-02-06T11:06:46","slug":"de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho\/","title":{"rendered":"De letra em letra, se escreve um sonho\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/ANA-JULIA.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitas as coisas que distanciam Ilce e Sueli: 200 quil\u00f4metros, 20 anos e duas trajet\u00f3rias completamente diferentes. Mas as suas hist\u00f3rias t\u00eam um ponto em comum: as palavras. Ou melhor, a vontade de compreend\u00ea-las.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ilce Iara Leal Paz, de 57 anos, natural de Porto Alegre, e Sueli Magnante, de 76, moradora de Nova Prata, ambos munic\u00edpios do Rio Grande do Sul, foram privadas da educa\u00e7\u00e3o quando eram crian\u00e7as. N\u00e3o puderam frequentar escolas e nunca foram alfabetizadas. Suas hist\u00f3rias se aproximam das de outras 9,6 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais que n\u00e3o sabem ler e escrever no Brasil. Os <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/37089-em-2022-analfabetismo-cai-mas-continua-mais-alto-entre-idosos-pretos-e-pardos-e-no-nordeste#:~:text=A%20taxa%20de%20analfabetismo%20das,da%20s%C3%A9rie%2C%20iniciada%20em%202016.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/a>, coletados no Censo Demogr\u00e1fico de 2022, mostram, ainda, que 5,2 milh\u00f5es, cerca de 54,1% dessa popula\u00e7\u00e3o, t\u00eam 60 anos ou mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Viver em contato com uma sociedade letrada \u00e9 uma das grandes dificuldades de <a href=\"https:\/\/sbgg.org.br\/analfabetismo-e-a-pessoa-idosa-a-realidade-do-pais\/#:~:text=A%20taxa%20de%20analfabetismo%20entre%20pessoas%20idosas%20%C3%A9,compara%C3%A7%C3%A3o%20a%2010%25%20das%20regi%C3%B5es%20Sul%20e%20Sudeste\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pessoas n\u00e3o alfabetizadas<\/a>. Seja em placas e letreiros do transporte p\u00fablico, seja em r\u00f3tulos e medicamentos, as palavras est\u00e3o por toda a parte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo da alfabetiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 somos inseridos no mundo das letras e dos seus significados. Quem afirma isso \u00e9 o professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Evandro Alves, especialista na Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA). \u201cA alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo mais individual, mas que est\u00e1 indissociavelmente ligado a um processo social que diz para que serve o ler e o escrever.\u201d Em outras palavras, o letramento antecede a alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os <a href=\"http:\/\/download.inep.gov.br\/areas_de_atuacao\/notas_estatisticas_censo_da_educacao_basica_2022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dados do Censo Escolar de 2022<\/a> mostram que aproximadamente 900 mil adultos com mais de 40 anos est\u00e3o na escola. Mas o retorno \u00e0 sala de aula ou o in\u00edcio da vida escolar na idade adulta \u00e9, na maioria das vezes, um desafio. \u201cA demanda potencial \u00e9 imensa, mas parte dessas pessoas teve o seu processo de fracasso escolar t\u00e3o bem produzido pela sociedade brasileira que n\u00e3o quer voltar para a escola\u201d, explica Evandro. A vergonha e o receio de assumir que n\u00e3o sabe ler e escrever s\u00e3o fatores importantes na vida dessa popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEu nunca falei pra ningu\u00e9m que eu n\u00e3o sabia [<em>ler e escrever<\/em>], depois que eu comecei a vir na escola, sim, mas nem minhas irm\u00e3s sabiam\u201d&nbsp;<\/p><cite><strong>ILCE IARA LEAL PAZ<\/strong>, estudante de anos iniciais&nbsp; <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Quando crian\u00e7a, Ilce n\u00e3o frequentou a escola. Ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o dos pais, ela e os irm\u00e3os foram afastados e deixados com os tios, que ficaram respons\u00e1veis pela escolariza\u00e7\u00e3o dos sobrinhos. \u201cMas n\u00e3o foi [<em>assim<\/em>], a gente foi pra cuidar dos filhos dos meus tios, e hoje eles s\u00e3o formados\u201d, relata. Por conta da vergonha que sentia por n\u00e3o saber ler e escrever, Ilce nunca contou isso aos familiares. \u201cEu nunca falei pra ningu\u00e9m que eu n\u00e3o sabia, depois que eu comecei a vir na escola, sim, mas nem minhas irm\u00e3s sabiam\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>A busca pela alfabetiza\u00e7\u00e3o iniciou h\u00e1 cerca de 12 anos, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Carmo, no bairro Restinga, em Porto Alegre, mas a trajet\u00f3ria nem sempre foi linear. J\u00e1 com uma fam\u00edlia constitu\u00edda e a responsabilidade de cuidar do neto, al\u00e9m das demandas do trabalho em servi\u00e7os gerais e outras ocupa\u00e7\u00f5es para implementar a renda, Ilce teve dificuldades em dar sequ\u00eancia aos estudos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o neto crescido, h\u00e1 aproximadamente seis anos Ilce retornou \u00e0 escola. Por\u00e9m, em 2020, por conta da pandemia de covid-19, ela foi afastada, mais uma vez, da sala de aula. Somente ap\u00f3s a flexibiliza\u00e7\u00e3o das medidas preventivas ao v\u00edrus que Ilce voltou a ser aluna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Perla Gon\u00e7alves, professora de anos iniciais da EJA na escola da Restinga, trabalha na institui\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de seis anos e vem acompanhando Ilce na tentativa mais recente de alfabetiza\u00e7\u00e3o. \u201cQuando cheguei, ela era uma aluna que a gente considera, na escrita, como pr\u00e9-sil\u00e1bica\u201d, explica. \u201cFoi um processo lento, mas me parecia tamb\u00e9m um pouco de inseguran\u00e7a, receio de errar, ent\u00e3o acho que primeiro foi um processo de confian\u00e7a.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando come\u00e7ou a aprender, Ilce sabia pouca coisa. Conhecia as letras, mas n\u00e3o conseguia juntar as palavras. \u201cEu at\u00e9 encho os olhos de \u00e1gua, porque eu n\u00e3o sabia e agora eu aprendi. E eu quero ir pro IF [<em>Instituto Federal do Rio Grande do Sul<\/em>], tirar a carteira, tem bastante coisa que eu quero fazer ainda.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"13215\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-scaled.jpg\" alt=\"M\u00e3os de Ilce segurando lapiseira e escrevendo em um caderno.\" class=\"wp-image-13215\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Ana_Julia_Zanotto-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"13216\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-scaled.jpg\" alt=\"Em foco, m\u00e3o segurando caneta. Ao fundo, alunas conversando em sala de aula.\" class=\"wp-image-13216\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1225-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"13218\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-scaled.jpg\" alt=\"Ilce escrevendo no caderno, sentada em uma classe.\" class=\"wp-image-13218\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1138-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"13237\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-scaled.jpg\" alt=\"Estudante Ilce e professora Perla sentadas, lado a lado, em banco colorido da escola.\" class=\"wp-image-13237\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/DSC_1048-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">A professora Perla (\u00e0 direita) incentiva Ilce a seguir com os estudos e sente-se orgulhosa com o avan\u00e7o da aluna | Foto: Ana Julia Zanotto <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Outra forma de aprender&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o professor Evandro, a <a href=\"https:\/\/educacao.rs.gov.br\/eja-educacao-de-jovens-e-adultos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos<\/a> n\u00e3o se restringe somente \u00e0 escolariza\u00e7\u00e3o. Todas as a\u00e7\u00f5es que acontecem fora do espa\u00e7o escolar tamb\u00e9m s\u00e3o objeto da EJA. \u201cOs movimentos de alfabetiza\u00e7\u00e3o que acontecem, por exemplo, em associa\u00e7\u00f5es de educadores populares, em terreiros, em igrejas, em organiza\u00e7\u00f5es do movimento social, tudo isso \u00e9 de aten\u00e7\u00e3o da EJA\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A alfabetiza\u00e7\u00e3o fora da escola diferencia-se de uma educa\u00e7\u00e3o informal em raz\u00e3o da intencionalidade do educador ou do grupo em organizar e sistematizar tal processo. \u201cDo ponto de vista da legisla\u00e7\u00e3o educacional, o primeiro segmento da escolaridade inicial para a EJA pode ser realizado&nbsp;fora do ambiente escolar, o que refor\u00e7a a caracteriza\u00e7\u00e3o dos processos educativos n\u00e3o escolares como manifesta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o al\u00e9m nem aqu\u00e9m, da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diferentemente de Ilce, Sueli n\u00e3o foi alfabetizada em uma escola, mas por uma professora particular, contratada pelos filhos para que ela pudesse realizar esse desejo antigo. \u201cEu queria muito aprender, porque n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sem ler e escrever\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na juventude, a trajet\u00f3ria educativa de Sueli foi interrompida pela dificuldade de acesso \u00e0 escola e pela necessidade de trabalhar com a fam\u00edlia na agricultura. \u201cEram seis quil\u00f4metros pra ir pra aula, ent\u00e3o eu s\u00f3 estudei as primeiras letras e aprendi o meu nome, e a\u00ed depois comecei a trabalhar pra sustentar os filhos, n\u00e3o era f\u00e1cil.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando decidiu voltar a estudar, Sueli queria frequentar o ambiente escolar, mas o trabalho dom\u00e9stico e a rotina de cuidados com os netos impossibilitaram essa tentativa. Ent\u00e3o, h\u00e1 cerca de quatro anos, incentivada pelos filhos, ela iniciou o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Em um ano, com aula uma vez por semana com a professora particular, Sueli aprendeu a ler e a escrever. Ainda enfrenta dificuldades, mas em nenhum momento deixou de praticar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-4 wp-block-gallery-3 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"12873\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--scaled.jpeg\" alt=\"Sueli, sentada em um sof\u00e1, segurando os cadernos que utilizava para transcrever textos.\" class=\"wp-image-12873\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--scaled.jpeg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--300x201.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--1024x685.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--768x514.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--1536x1028.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--2048x1371.jpeg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Ana_Julia_Zanotto--1568x1050.jpeg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1714\" data-id=\"12932\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--scaled.jpeg\" alt=\"Cadernos de Sueli preenchidos com textos.\" class=\"wp-image-12932\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--scaled.jpeg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--300x201.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--1024x685.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--768x514.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--1536x1028.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--2048x1371.jpeg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Ana_Julia_Zanotto--1568x1050.jpeg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Para estudar, Sueli transcrevia os textos de livros e jornais em seus cadernos | Foto: Ana Julia Zanotto<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para a professora de Sueli, Jaqueline Modelski, os maiores obst\u00e1culos da aluna eram a leitura e a escrita espont\u00e2nea. \u201cDona Sueli lia pausadamente, juntando as s\u00edlabas vagarosamente e, na escrita, gostava muito de copiar par\u00e1grafos e textos prontos, mas tinha dificuldade de escrever frases por conta pr\u00f3pria.\u201d Orgulhosa com o seu avan\u00e7o, Sueli ainda guarda os cadernos repletos de textos copiados de livros e jornais, utilizados para praticar a leitura e a escrita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cUma crian\u00e7a e um adolescente escrevendo \u2018f\u00e1brica\u2019 \u00e9 muito diferente de um adulto com uma hist\u00f3ria de f\u00e1brica\u201d<\/p><cite><strong>EVANDRO ALVES<\/strong>, professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da UFRGS&nbsp;<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo Jaqueline, uma das dificuldades como professora foi encontrar materiais dispon\u00edveis para trabalhar com essa faixa et\u00e1ria, uma vez que os livros de alfabetiza\u00e7\u00e3o abordam assuntos mais relacionados \u00e0s crian\u00e7as. Esse relato vai ao encontro do que o especialista em EJA exp\u00f5e como fator de afastamento de adultos da educa\u00e7\u00e3o em anos iniciais. \u201cEle volta para escola, e aquela escola fala de coisas que n\u00e3o fecham com a vida dele\u201d, pontua Evandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor, a principal diferen\u00e7a entre a alfabetiza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e de adultos \u00e9 a hist\u00f3ria de vida de cada um. \u201cUma crian\u00e7a ou um adolescente escrevendo \u2018f\u00e1brica\u2019 \u00e9 muito diferente de um adulto com uma hist\u00f3ria de f\u00e1brica\u201d, ressalta. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma <a href=\"https:\/\/alfabetizacao.mec.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">idade correta para a alfabetiza\u00e7\u00e3o infantil<\/a>, que, de acordo com o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), deve ser finalizada, no m\u00e1ximo, aos oito anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, as dificuldades apresentadas por cada indiv\u00edduo s\u00e3o ultrapassadas por outros fatores. \u201c\u00c9 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de g\u00eanero. Para os homens, decidir voltar a estudar \u00e9 quase uma decis\u00e3o individual, enquanto, para as mulheres, a rotina de cuidado com a casa e com os familiares dificulta o retorno\u201d, complementa Evandro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Alfabetizacaodeletraemletraescrevesonho2_Alycia..png\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de mulher jovem auxiliando mulher idosa a estudar. 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Ambas almejam aprender cada vez mais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ilce conta que, antes, dependia de outras pessoas para entender r\u00f3tulos, letreiros de \u00f4nibus e placas, mas que hoje j\u00e1 consegue compreender por conta pr\u00f3pria. \u201cE, agora, minha meta ainda \u00e9 ler um livro para a professora na frente da turma, para todo mundo, sem gaguejar\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Jaqueline destaca que o apoio da fam\u00edlia \u00e9 imprescind\u00edvel, assim como a celebra\u00e7\u00e3o de cada conquista. \u201cCada palavra aprendida, cada frase escrita corretamente s\u00e3o vit\u00f3rias\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos \u00e9 um <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/fnde\/pt-br\/acesso-a-informacao\/acoes-e-programas\/programas\/programas_suplementares\/eja\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">direito gratuito assegurado por lei<\/a> e pode ser acessado por pessoas com no m\u00ednimo 15 anos para o Ensino Fundamental e 18 para o M\u00e9dio, em escolas municipais e estaduais. \u201cA dica \u00e9 buscar, deixar o medo de lado e vir para a escola\u201d, acrescenta a professora Perla.<\/p>\n\n\n\n<h5>Ou\u00e7a o podcast com entrevistas desta reportagem:<\/h5>\n\n\n\n<iframe style=\"border-radius:12px\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3bViyjp2x0l5xwQoe0VIZu?utm_source=generator\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\" allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\"><\/iframe>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-11 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\">\n<h2><strong>LEIA MAIS<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=11577\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/quantos-educadores-negros-voce-teve\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quantos educadores negros voc\u00ea j\u00e1 teve?<\/a> Os desafios enfrentados pelas professoras negras dentro e fora da sala de aula<\/li><\/ul>\n\n\n<p class=\"fonts-plugin-block \" style=\"font-weight: normal\"><\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o muitas as coisas que distanciam Ilce e Sueli: 200 quil\u00f4metros, 20 anos e duas trajet\u00f3rias completamente diferentes. Mas as suas hist\u00f3rias t\u00eam um ponto em comum: as palavras. Ou melhor, a vontade de compreend\u00ea-las.&nbsp; Ilce Iara Leal Paz, de 57 anos, natural de Porto Alegre, e Sueli Magnante, de 76, moradora de Nova Prata,<a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho\/\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">&#8220;De letra em letra, se escreve um sonho\u00a0\u00a0&#8220;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":121,"featured_media":13379,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[283],"tags":[303,309,306,291,49],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos e idosos &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"No Brasil, mais de nove milh\u00f5es de jovens e adultos n\u00e3o sabem ler e escrever e, ao retornar ou iniciar a vida escolar, enfrentam dificuldades e preconceito\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/de-letra-em-letra-se-escreve-um-sonho\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos e idosos &mdash; 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