{"id":12829,"date":"2024-02-05T23:57:00","date_gmt":"2024-02-06T02:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=12829"},"modified":"2024-08-12T20:14:19","modified_gmt":"2024-08-12T23:14:19","slug":"corpo-tem-sotaque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/corpo-tem-sotaque\/","title":{"rendered":"Corpo tem sotaque"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/LETICIA.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Iara Deodoro, de 63 anos, \u00e9 mestra de dan\u00e7a afro-ga\u00facha no Grupo de M\u00fasica e Dan\u00e7a Afro-Sul. O coletivo faz parte do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomod\u00ea, um dos principais espa\u00e7os de refer\u00eancia da cultura negra em Porto Alegre. Quando Iara se interessou pela dan\u00e7a, ainda jovem, teve dificuldade de encontrar caracter\u00edsticas espec\u00edficas da negritude nessa express\u00e3o art\u00edstica. A pr\u00f3pria coreografia da dan\u00e7a afro tinha elementos embranquecidos e, com o passar dos anos, foi criando suas ra\u00edzes particulares. &#8220;A minha dan\u00e7a era uma dan\u00e7a branca&#8221;, relata Iara, que, por meio de contato com africanos, foi conhecendo melhor a dan\u00e7a negra. Foi a\u00ed que ela come\u00e7ou a prestar aten\u00e7\u00e3o no seu corpo enquanto dan\u00e7ava. &#8220;O que eu tinha mais dificuldade em fazer nas outras dan\u00e7as era o meu alerta para dizer &#8216;n\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 teu, isso n\u00e3o \u00e9 para o teu corpo&#8217;.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dan\u00e7a afro-brasileira ocupa, no contexto cultural do pa\u00eds, um protagonismo que carrega sentidos pol\u00edtico, art\u00edstico e pedag\u00f3gico. Por meio da linguagem corporal, a manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica pode ser uma forma de resist\u00eancia e cultivo da ancestralidade. Iara conduz, hoje, o curso de metodologias de dan\u00e7a afro-ga\u00facha, que surgiu pelo incentivo de bailarinas do grupo do Odomod\u00ea. Elas perceberam que a dan\u00e7a afro tinha um formato reconhecido em outros estados como Bahia, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, mas ainda n\u00e3o existia uma coreografia afro com ra\u00edzes do Rio Grande do Sul. Iara entende esses formatos como &#8220;sotaques&#8221;. &#8220;Tu identifica no corpo da pessoa de que lugar ela \u00e9&#8221;, explica a mestra. Hoje, o sotaque da dan\u00e7a afro-ga\u00facha, desenvolvido por ela, se baseia em tr\u00eas pilares: a contra\u00e7\u00e3o, o contratempo e o forte-suave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A contra\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento comum nas coreografias criadas por ela, feito com o tronco. O contratempo \u00e9 um gesto usado em qualquer dan\u00e7a de forma sutil, mas na dan\u00e7a afro-ga\u00facha \u00e9 obrigat\u00f3rio. Por fim, o&nbsp; forte-suave \u00e9 um movimento identificador da dan\u00e7a afro-ga\u00facha. Iara exemplifica esse terceiro pilar falando dos passos que se faz em refer\u00eancia aos Orix\u00e1s. Uma coreografia que fale de Ogum, por exemplo, normalmente tem o movimento de espada, forte. Por\u00e9m, na dan\u00e7a afro-ga\u00facha, ele deve ter tamb\u00e9m uma suavidade. \u201cPorque tu est\u00e1s dentro de uma coreografia, ent\u00e3o tem que manter aquela pl\u00e1stica&#8221;, explica a mestra. A uni\u00e3o da for\u00e7a com a suavidade mostra a inten\u00e7\u00e3o do movimento. &#8220;Eu tenho a for\u00e7a das minhas pernas, mas tenho a suavidade do meu tronco&#8221;, resume.<\/p>\n\n\n\n<p>Na coreografia de um de seus espet\u00e1culos, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=to6PiV3A2t8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Feminino Sagrado: um olhar descendente da Mitologia Africana<\/a>\u201d, o grupo trabalhou com Yab\u00e1s, as Orix\u00e1s femininas. &#8220;A Oxum \u00e9 leve, mas ela \u00e9 forte. Ela tem a inten\u00e7\u00e3o\u201d, diz Iara. Ou seja, ela pode ser representada na dan\u00e7a com for\u00e7a sem perder sua leveza. \u201cIemanj\u00e1 \u00e9 aquela coisa mais suave, mais onda, mais mar. E a Nan\u00e3 vem o tempo inteiro na suavidade&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Iara reflete sobre o significado da dan\u00e7a como a\u00e7\u00e3o. &#8220;Dan\u00e7a \u00e9 movimento, todo mundo concorda com isso. Mas o caminhar \u00e9 movimento, n\u00e9? Por que tu achas que tu n\u00e3o est\u00e1s dan\u00e7ando quando est\u00e1s caminhando?\u201d, questiona a mestra. Ela explica que, entre um passo e outro, existe um vazio de mil\u00e9simos de segundos. \u201cA dan\u00e7a est\u00e1 exatamente ali, naquele espa\u00e7o vazio&#8221;, define. Para ela, esse vazio \u00e9 preenchido com a subjetividade do bailarino, com a sua express\u00e3o facial e at\u00e9 com o seu sentimento no momento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg\" alt=\"Uma senhora negra, de \u00f3culos, veste um vestido vermelho com estampa, est\u00e1 olhando para cima com o bra\u00e7o esquerdo levantado para cima. Atr\u00e1s dela, um desenho com a escrita &quot;Projeto Cultural&quot;\" class=\"wp-image-12853\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/2_Caroline-Guarnieri-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Iara explica que, entre um movimento em outro, existe a dan\u00e7a e ela n\u00e3o pode ser restrita apenas ao corpo, pois inclui sentimentos | Foto: Caroline Guarnieri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>Identidade da mulher preta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Afro-Sul e a dan\u00e7a de Iara tornaram-se refer\u00eancia para outros grupos. O coletivo Corpo Negra, criado em 2015 por estudantes mulheres de dan\u00e7a da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e que tornou-se projeto de extens\u00e3o, \u00e9 um deles. &#8220;A gente tem muito da mestra Iara nas nossas dan\u00e7as&#8221;, diz Karine Guedes, de 23 anos, que participa tanto do Afro-Sul quanto do Corpo Negra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O coletivo ensaia na Escola de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Fisioterapia e Dan\u00e7a (Esefid) da UFRGS. Al\u00e9m de apresentar espet\u00e1culos, as participantes tamb\u00e9m d\u00e3o aula em escolas p\u00fablicas de Porto Alegre e da regi\u00e3o metropolitana. No projeto, s\u00e3o abordados diversos estilos \u2013 por exemplo, o tango branco colonizado e o tango afrocentrado, que inclui ritmos afrodescendentes como o candombe \u2013&nbsp; ritmo musical, calcado sobretudo nos tambores, que mistura de m\u00fasica, dan\u00e7a e a fus\u00e3o dos Bantu e a religi\u00e3o cat\u00f3lica, desenvolvida por escravos angolanos e congoleses. Especula-se que o tango tenha origem negra e esteja vinculado \u00e0 milonga cubana, que era uma express\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que vivia nos sub\u00farbios e tinha que dan\u00e7ar em espa\u00e7os pequenos. Enquanto no tango hoje chamado de cl\u00e1ssico os movimentos s\u00e3o feitos principalmente a partir do quadril, o tango afro exige a movimenta\u00e7\u00e3o do corpo inteiro. O quadril e as articula\u00e7\u00f5es soltas fazem o corpo dan\u00e7ar livremente ao som do tambor, mas os p\u00e9s devem estar aterrados, como ra\u00edzes.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>&#8220;<\/em>A dan\u00e7a afro irradia o movimento. O movimento precisa ter os p\u00e9s no ch\u00e3o bem enraizados, e \u00e9 uma conex\u00e3o que vem da raiz do ch\u00e3o at\u00e9 o topo da cabe\u00e7a<em>&#8220;<\/em><\/p><cite><strong>KARINE GUEDES<\/strong>, graduada em dan\u00e7a pela UFRGS<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Video_Corpo_tem_sotaque.mp4.mp4\"><\/video><figcaption>Registro de um dos ensaios do Grupo de M\u00fasica e Dan\u00e7a Afro-Sul | V\u00eddeo: Caroline Guarnieri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Corpo Negra prioriza as particularidades de cada bailarina nas cria\u00e7\u00f5es coreogr\u00e1ficas, levando em conta a diversidade de personalidades e de corpos. Karine explica que todas as participantes fazem reflex\u00f5es e sugest\u00f5es no momento de criar as coreografias. \u201cQual irm\u00e3 tem o jazz no corpo para passar para n\u00f3s?&#8221;, exemplifica ela sobre os sotaques das bailarinas, que v\u00eam de cantos diferentes da cidade e do estado e trazem na dan\u00e7a as suas viv\u00eancias. Diversos estilos s\u00e3o trabalhados, cada um com a sua singularidade. \u201cO que a gente mais quer \u00e9 transmitir essa nossa identidade enquanto mulher preta\u201d, diz Karine. A bailarina ensina que as dan\u00e7as afro-diasp\u00f3ricas \u2013 que representam a dispers\u00e3o do povo negro \u2013 evocam uma conex\u00e3o com as ra\u00edzes ancestrais. &#8220;A dan\u00e7a afro irradia o movimento. O movimento precisa ter os p\u00e9s no ch\u00e3o bem enraizados, e \u00e9 uma conex\u00e3o que vem da raiz do ch\u00e3o at\u00e9 o topo da cabe\u00e7a&#8221;, diz Karine.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg\" alt=\"Na foto, tr\u00eas mulheres negras sorrindo e abra\u00e7adas. Elas vestem uma camiseta laranja. Atr\u00e1s delas, uma parede branca com tr\u00eas quadros pendurados.\" class=\"wp-image-12907\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/3_Caroline-Guarnieri-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>As bailarinas do Coletivo Corpo Negra buscam, por meio da dan\u00e7a, transmitir a identidade enquanto mulher preta e evocar a conex\u00e3o com as ra\u00edzes ancestrais | Foto: Caroline Guarnieri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>As diferentes linguagens corporais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A dan\u00e7arina Alessandra Souza, de 34 anos, considera fundamental aprender a dan\u00e7a afro com os mestres. \u201cDireto na fonte&#8221;, como diz. Ela faz parte do grupo Brincantes do Paralelo 30, outro projeto de extens\u00e3o do curso de Dan\u00e7a da UFRGS. O grupo tamb\u00e9m aborda v\u00e1rias linguagens da dan\u00e7a t\u00edpicas do norte ao sul do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alessandra destaca a pr\u00e1tica do ma\u00e7ambique, manifesta\u00e7\u00e3o negra da cidade de Os\u00f3rio, tamb\u00e9m uma express\u00e3o afro-ga\u00facha da congada, que \u00e9 resultado da mistura de express\u00f5es art\u00edsticas trazidas pelos negros escravizados com as da religiosidade crist\u00e3. Ela explica que em Salvador a dan\u00e7a afro \u00e9 voltada aos Orix\u00e1s e tem os movimentos fren\u00e9ticos do bra\u00e7o. J\u00e1 no Rio de Janeiro, o gingado \u00e9 diferente, com o foco no rebolado do quadril por influ\u00eancia do samba. No sul, as manifesta\u00e7\u00f5es exigem os p\u00e9s no ch\u00e3o, joelhos flexionados e a ondula\u00e7\u00e3o na coluna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, o jongo: outra manifesta\u00e7\u00e3o da dan\u00e7a afro, que honra os antepassados e tem ra\u00edzes em Guaratinguet\u00e1, em S\u00e3o Paulo, na regi\u00e3o Sudeste do Brasil. A&nbsp;express\u00e3o veio do povo ubuntu, que se instalou na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba. Os escravizados nas fazendas usavam os cantos do jongo como uma estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o, por meio de c\u00f3digos para que os seus \u201cdonos\u201d n\u00e3o compreendessem.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Audio_Entrevista_Corpo_tem_sotaque.mp3.m4a\"><\/audio><figcaption>Trecho de entrevista com Alessandra Souza<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Alessandra enfatiza que \u00e9 necess\u00e1rio entender a pluralidade das dan\u00e7as afro e n\u00e3o coloc\u00e1-las em uma caixa s\u00f3. \u201cQuando a gente pensa em dan\u00e7a afro, nossa cabe\u00e7a vai direto para Salvador, por exemplo. \u00c9 importante a gente ter as nossas refer\u00eancias [<em>ga\u00fachas<\/em>] e saber que existem, n\u00e9? Para n\u00f3s mesmos n\u00e3o acabarmos apagando a nossa hist\u00f3ria\u201d, enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg\" alt=\"Na foto, uma mulher negra, de \u00f3culos, cabelos cacheados um pouco abaixo do ombro, e com um vestido preto. Ela sorri para a foto. Atr\u00e1s dela, uma estante com livros. \" class=\"wp-image-12943\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/4_Caroline-Guarnieri-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Para Alessandra, a dan\u00e7a afro tem uma imensa pluralidade, sendo imposs\u00edvel coloc\u00e1-la em uma caixa s\u00f3 | Foto: Caroline Guarnieri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quem pensa da mesma forma \u00e9 Mano Amaro, de 55 anos, core\u00f3grafo especializado na cultura afro-brasileira. Ele defende o desenvolvimento de uma metodologia de dan\u00e7a negra pr\u00f3pria do Rio Grande do Sul. \u201cO que caracteriza, por exemplo, o negro do Rio Grande do Sul? Podemos pegar pelo lado religioso, ou pelo lado profano, que seriam as festas <em>blacks<\/em>, que foram fortes.\u201d A dan\u00e7a afro entrou na vida de Amaro por meio de festas ritual\u00edsticas de religi\u00e3o de matriz africana. No final dos anos 1980, come\u00e7ou a ministrar cursos e atuar como core\u00f3grafo. Para pesquisar sobre essa cultura, viajou \u00e0 Europa e passou a atuar como professor nessa express\u00e3o de dan\u00e7a, morando l\u00e1 at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando eu praticava a dan\u00e7a afro no Rio Grande do Sul, ela n\u00e3o era considerada dan\u00e7a. Era muito discriminada. Hoje, com o passar do tempo, volto ao Brasil e percebo uma outra vis\u00e3o de conota\u00e7\u00e3o para a dan\u00e7a afro que acho interessante&#8221;, analisa Amaro, que acredita que essa manifesta\u00e7\u00e3o cultural ganhou mais visibilidade, mas lembra que \u00e9 uma cultura, n\u00e3o um modismo. Alessandra, no entanto, considera as manifesta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7as negras ainda desconhecidas por muitos no estado, o que tamb\u00e9m caracteriza a maneira de ela ser expressada. Iara defende que \u00e9 preciso levar a dan\u00e7a afro-ga\u00facha adiante, pois h\u00e1 lugares no pr\u00f3prio estado que as pessoas nem sabem que tem negros: \u201cN\u00e3o s\u00f3 tem, como tem cultura. A gente precisa disseminar isso, fazer com que as pessoas entendam e falem que tem. Porque, se n\u00e3o, a gente acaba caindo no esquecimento.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13180\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri-1568x882.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/1_Caroline-Guarneri.jpg 1836w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: Caroline Guarnieri<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<h2><strong>LEIA MAIS<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/quantos-educadores-negros-voce-teve\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A escadaria do samba<\/a>: A hist\u00f3ria do grupo Puro Asthral, que h\u00e1 mais de 10 anos leva o samba aonde o povo est\u00e1<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/mais-antigo-do-que-a-liberdade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mais antigo que a liberdade<\/a>: Clube social negro mais velho do pa\u00eds guarda hist\u00f3rias de resist\u00eancia e afeto. Espa\u00e7o tamb\u00e9m uniu idealizadores do Dia da Consci\u00eancia Negra<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iara Deodoro, de 63 anos, \u00e9 mestra de dan\u00e7a afro-ga\u00facha no Grupo de M\u00fasica e Dan\u00e7a Afro-Sul. O coletivo faz parte do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomod\u00ea, um dos principais espa\u00e7os de refer\u00eancia da cultura negra em Porto Alegre. 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