{"id":12831,"date":"2024-02-05T10:44:00","date_gmt":"2024-02-05T13:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=12831"},"modified":"2024-02-06T08:13:02","modified_gmt":"2024-02-06T11:13:02","slug":"traducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/traducao\/","title":{"rendered":"Quando o mesmo \u00e9 outro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/TABATA.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a essa reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>A Revolu\u00e7\u00e3o dos Bichos<\/em> ou <em>A Fazenda dos Animais<\/em>? \u201c\u00c9 algu\u00e9m que me bate \u00e0 porta de mansinho\u201d ou \u201c\u2018Uma visita\u2019, eu me disse, \u2018est\u00e1 batendo a meus umbrais\u2019\u201d? A obra de George Orwell, com dois t\u00edtulos brasileiros em uso, e o trecho do poema <em>O Corvo<\/em>, de Edgar Allan Poe, nas tradu\u00e7\u00f5es de Machado de Assis e de Fernando Pessoa, s\u00e3o exemplos dos resultados poss\u00edveis para a tradu\u00e7\u00e3o de uma mesma obra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, o <em>ranking<\/em> da revista <a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/ranking\/anual\/0\/2023\/0\/0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Publish News<\/em><\/a> aponta que 12 dos 20 livros mais vendidos em 2023 t\u00eam autores estrangeiros, e o da plataforma <a href=\"https:\/\/bookinfo.com.br\/listas-de-vendas\/Geral\/2023\/53,51,50,49,48,47,46,45,44,43,42,41,40,39,38,37,36,35,34,33,32,31,30,29,28,27,26,25,24,23,22,21,20,19,18,16,15,14,13,6,5,4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Bookinfo<\/em><\/a> aponta 11 entre os 20. No audiovisual, segundo dados da Ag\u00eancia Nacional do Cinema (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ancine<\/a>), 97% do p\u00fablico que foi ao <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/Paineis%20Interativos\/painel-indicadores\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cinema<\/a> em 2023 assistiu a um filme de outro pa\u00eds. Na <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/televisao\/conteudos\/informe-trimestral-de-tv-paga-jan-set-2023c.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TV paga<\/a>, de janeiro a setembro do mesmo ano, 68% da programa\u00e7\u00e3o veio do exterior, e no <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/publicacoes\/arquivos.pdf\/panorama-vod-2023-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>streaming<\/em><\/a>, em 2023, &nbsp;91% dos conte\u00fados dispon\u00edveis eram estrangeiros ou de origem n\u00e3o identificada. Na <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ancine\/pt-br\/oca\/publicacoes\/arquivos.pdf\/informe_tvaberta_2016.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TV aberta<\/a>, em 2016, \u00faltimo ano em que a pesquisa foi realizada, 15% do conte\u00fado tinha origem estrangeira.<\/p>\n\n\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"2fafcf68-4dac-4299-bba9-8970226402a7\" data-type=\"interactive\"><\/div><script>!function(e,t,s,i){var n=\"InfogramEmbeds\",o=e.getElementsByTagName(\"script\"),d=o[0],r=\/^http:\/.test(e.location)?\"http:\":\"https:\";if(\/^\\\/{2}\/.test(i)&&(i=r+i),window[n]&&window[n].initialized)window[n].process&&window[n].process();else if(!e.getElementById(s)){var a=e.createElement(\"script\");a.async=1,a.id=s,a.src=i,d.parentNode.insertBefore(a,d)}}(document,0,\"infogram-async\",\"\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js\");<\/script>\n\n\n\n<p>Esses conte\u00fados possuem diversas origens, e sua tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para o consumo no pa\u00eds. \u201cCada projeto editorial vai solucionar aquele texto de uma maneira\u201d, destaca Denise Sales, tradutora e pesquisadora de russo do <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">N\u00facleo de Estudos de Tradu\u00e7\u00e3o Olga Fedossejeva (NET)<\/a> da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esse trabalho afetar\u00e1 na inclus\u00e3o ou n\u00e3o de notas de rodap\u00e9, na linguagem utilizada e em outros aspectos. Por isso, ler diferentes tradu\u00e7\u00f5es da mesma obra \u00e9 uma forma de ampliar a compreens\u00e3o sobre ela.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c\u00c9 mais ou menos tentar se colocar no lugar do autor ou da autora e pensar: como essa pessoa escreveria essa obra se ela estivesse escrevendo na minha l\u00edngua?\u201d<\/p><cite><strong>AUGUSTO PAIM<\/strong>, tradutor do alem\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tanto a l\u00edngua do texto de partida, na qual foi escrito originalmente, quanto a do texto de chegada, para a qual \u00e9 traduzido, carregam consigo aspectos culturais. Preservar essas diferen\u00e7as mantendo a tradu\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel para quem far\u00e1 a leitura no Brasil pode ser um desafio. \u201cO Brasil \u00e9 um pa\u00eds multicultural que tem muitos sotaques, muitas variantes da l\u00edngua, ent\u00e3o a gente precisa ter uma defini\u00e7\u00e3o. A gente quer aproximar mais de um portugu\u00eas aqui do Sul, por exemplo, e utilizar a pessoa tu? Ou a gente vai pensar numa tradu\u00e7\u00e3o mais geral e pensar no voc\u00ea?\u201d , explica Liliam Ramos da Silva, tradutora e pesquisadora de espanhol do mesmo n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Escolhas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Tradutor do alem\u00e3o e jornalista, <a href=\"https:\/\/augustopaim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Augusto Paim<\/a>, que morou por oito anos na Alemanha antes de retornar a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, define seu modo de traduzir: \u201c\u00c9 mais ou menos tentar se colocar no lugar do autor ou da autora e pensar: como essa pessoa escreveria essa obra se ela estivesse escrevendo na minha l\u00edngua?\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-1024x683.jpg\" alt=\"A tradutora e pesquisadora Denise Sales aparece sentada em um banco pr\u00f3xima a algumas \u00e1rvores\" class=\"wp-image-13186\" width=\"451\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-5_Tabata_Kolling-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><figcaption>A tradutora Denise recomenda a leitura de diferentes tradu\u00e7\u00f5es da mesma obra como forma de aumentar a compreens\u00e3o sobre a mesma | Foto: T\u00e1bata Kolling<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>O conhecimento da cultura de ambos os pa\u00edses \u00e9 essencial no momento da tradu\u00e7\u00e3o. Denise cita como exemplo um prov\u00e9rbio russo em uma novela de Tchekhov. Apesar de haver um equivalente parecido em portugu\u00eas, ela optou pela tradu\u00e7\u00e3o literal de \u201ccuspir no po\u00e7o em que bebeu\u201d, mantendo a imagem russa e gerando um estranhamento no leitor, um lembrete de que o texto que est\u00e1 lendo foi escrito em outro lugar, mas sem prejudicar o entendimento da obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Sotaques e diferen\u00e7as no modo de falar entre personagens tamb\u00e9m representam escolhas. A pesquisadora explica que traduzir utilizando um modo de falar de uma regi\u00e3o espec\u00edfica do Brasil \u00e9 a op\u00e7\u00e3o defendida por alguns tradutores, mas isso pode localizar aquele personagem, dentro do imagin\u00e1rio do leitor, naquela regi\u00e3o brasileira. Tamb\u00e9m podem ser usadas marcas para diferenciar a fala do personagem dos demais da trama sem se aproximar de uma varia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Quando-o-mesmo-e-um-outro_Pietro.-1.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o com refer\u00eancia ao processo de tradu\u00e7\u00e3o e ao poema Atabaques, de Oliveira Silveira. Na parte superior, duas pessoas se comunicam, e na parte inferior aparece um livro com escritos no formato dos tambores do candombl\u00e9\" class=\"wp-image-12994\" width=\"599\" height=\"844\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Quando-o-mesmo-e-um-outro_Pietro.-1.jpg 726w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Quando-o-mesmo-e-um-outro_Pietro.-1-213x300.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Algumas vezes, especialmente quando h\u00e1 pouco tempo para elaborar uma solu\u00e7\u00e3o, essas marcas s\u00e3o apagadas. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/carlosfreires\/\">Carlos Freires<\/a>, paulista especializado na tradu\u00e7\u00e3o para dublagens, conta que nos audiovisuais essa situa\u00e7\u00e3o geralmente acontece, pois h\u00e1 o medo de que a substitui\u00e7\u00e3o de dois ou mais sotaques estrangeiros por sotaques brasileiros seja considerada ofensiva, apesar de ser uma solu\u00e7\u00e3o aceita em casos espec\u00edficos, em que h\u00e1 maior uso do humor e da ironia, como na anima\u00e7\u00e3o <em>Rick &amp; Morty<\/em>. Por\u00e9m, mesmo nos casos de apagamento, podem ser inclu\u00eddas refer\u00eancias \u00e0 origem do personagem ou seus costumes nos di\u00e1logos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cA poesia se vale de jogos de linguagem, sonoridade e rela\u00e7\u00f5es minuciosas entre coisas que, muitas vezes, s\u00e3o peculiar\u00edssimas a uma \u00fanica l\u00edngua\u201d<\/p><cite><strong>LEONARDO ANTUNES<\/strong>, tradutor e pesquisador da l\u00edngua grega<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No caso das poesias, o tradutor do grego e pesquisador do NET-UFRGS Leonardo Antunes explica: \u201c\u00c9 um terreno ainda mais complicado, pois a poesia se vale de jogos de linguagem, sonoridade e rela\u00e7\u00f5es minuciosas entre coisas que, muitas vezes, s\u00e3o peculiar\u00edssimas a uma \u00fanica l\u00edngua\u201d. O objetivo principal da tradu\u00e7\u00e3o, nesses textos, pode ser a preserva\u00e7\u00e3o da parte est\u00e9tica, ou manter o sentido da informa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda a op\u00e7\u00e3o de buscar equival\u00eancias que permitam manter a est\u00e9tica adaptando o texto sem que o sentido original seja perdido, mas \u00e9 necess\u00e1rio ter cuidado para n\u00e3o se afastar demais do texto de partida. Em geral, essas tr\u00eas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o usadas em conjunto e adequadas a cada situa\u00e7\u00e3o. Liliam, que trabalha em um projeto de tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol das obras do poeta ga\u00facho <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/oliveirasilveira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Oliveira Silveira<\/a>, cita como exemplo de desafio o poema <em>Atabaques<\/em>, escrito no formato dos instrumentos usados no Candombl\u00e9 e com v\u00e1rias onomatop\u00e9ias. \u201cTodo texto tem tradu\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel encontrar tradu\u00e7\u00f5es, agora as onomatop\u00e9ias v\u00e3o permanecer. E a\u00ed a gente s\u00f3 vai traduzir verbos e outras partes gramaticais aqui, mas muita coisa a gente vai ter que manter\u201d, ressalta.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-1024x683.jpg\" alt=\"Foto do poema &quot;Atabaques&quot;, de Oliveira Silveira, escrito no formato dos tambores do candombl\u00e9\" class=\"wp-image-13004\" width=\"713\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-3_Tabata_Kolling-1-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 713px) 100vw, 713px\" \/><figcaption>O poema <em>Atabaques<\/em>, de Oliveira Silveira, \u00e9 um dos desafios citados pela pesquisadora e tradutora do espanhol Liliam | Foto: T\u00e1bata Kolling<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>As quest\u00f5es culturais tamb\u00e9m influenciam nas tradu\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas. Cristina Kahl, gerente comercial de uma empresa de tradu\u00e7\u00f5es em Porto Alegre, explica que no momento do trabalho \u00e9 levada em conta a regi\u00e3o dos falantes: \u201cO espanhol da Argentina, o espanhol da Col\u00f4mbia, o espanhol da Bol\u00edvia, eles t\u00eam diferen\u00e7as sutis entre eles. Ent\u00e3o a gente pede para um tradutor experiente que fa\u00e7a. &#8216;Olha, isso \u00e9 para a Argentina, vai ter algum tipo de nomenclatura que ser\u00e1 usada que talvez n\u00e3o fosse usada se fosse para o Peru ou para a Col\u00f4mbia&#8217;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Na tela e no som<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na tradu\u00e7\u00e3o para a dublagem, a isocronia, ou seja, os tamanhos e ritmo das falas, devem ser considerados. Al\u00e9m disso, as palavras bilabiais, que come\u00e7am com m, p e b, recebem aten\u00e7\u00e3o especial, pois o movimento bucal dos atores ao pronunci\u00e1-las pode ser percebido em closes. Risos, respira\u00e7\u00f5es e gritos precisam ser marcados, pois tamb\u00e9m ser\u00e3o dublados. Esses detalhes garantem a sincronia entre a imagem e a voz do dublador.<\/p>\n\n\n\n<p>As adapta\u00e7\u00f5es feitas no texto dependem das diretrizes de cada est\u00fadio. No caso de filmes e s\u00e9ries para o p\u00fablico infantil ou para a TV aberta, podem haver restri\u00e7\u00f5es no uso de algumas palavras e express\u00f5es, mesmo que estejam presentes no idioma original. No caso dos <em>streamings<\/em> direcionados ao p\u00fablico adulto, a regra \u00e9 manter o mesmo peso do original, apesar de haver exce\u00e7\u00f5es \u2013 quando se busca diminuir a classifica\u00e7\u00e3o indicativa, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-1024x683.jpg\" alt=\"O dublador Jos\u00e9 aparece sentado em meio aos equipamentos de seu est\u00fadio.\" class=\"wp-image-12972\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-2_Tabata_Kolling-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jos\u00e9 tenta manter a inten\u00e7\u00e3o do ator original ao fazer dublagens em portugu\u00eas | Foto: T\u00e1bata Kolling<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No momento da dublagem, o dublador recebe apenas o texto referente ao seu personagem e tem em m\u00e9dia uma hora para concluir a grava\u00e7\u00e3o de oito minutos de voz. Esse tempo inclui a leitura e a prepara\u00e7\u00e3o para a cena assistindo o material no idioma original, sem conhecer a hist\u00f3ria completa. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/joseflorencio227\">Jos\u00e9 Flor\u00eancio<\/a>, dublador e professor de dublagem em um curso em Porto Alegre, explica que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 passar o m\u00e1ximo de realidade na cena, mas em portugu\u00eas. \u201cA gente vai escutar o tempo de fala, a gente vai escutar a tonalidade da voz daquela pessoa, a inten\u00e7\u00e3o dela, e repetir em portugu\u00eas.\u201d Tamb\u00e9m podem ser feitas pequenas adapta\u00e7\u00f5es no texto, para que se encaixe melhor no tempo e movimentos dos atores, mas sem que haja mudan\u00e7a de sentido.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Igual ou diferente?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Liliam e Denise concordam que o texto traduzido \u00e9 uma obra aut\u00f4noma, apesar de manter sua rela\u00e7\u00e3o com aquele na l\u00edngua original. \u201cSe eu pego um texto e traduzo, e eu te dou para traduzir, cada uma de n\u00f3s vai fazer uma tradu\u00e7\u00e3o diferente\u201d, explica Liliam. \u201cO que tu produzir vai ser um original, o que eu produzir vai ser um original, e nunca os nossos dois textos v\u00e3o ser iguais\u201d, sintetiza. Essa vis\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. Leonardo entende que a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma obra aut\u00f4noma quando h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obra de partida, a ponto de o tradutor ser admirado tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/docs.google.com\/presentation\/d\/e\/2PACX-1vS30saI48_aaodCYdvmR9Bm4dSM0RmA-OjRMqwikFS0ywYnBt0CFXzHpdmIQnOHmNkCDUvy4P47bgVZ\/embed?start=false&amp;loop=false&amp;delayms=10000\" frameborder=\"0\" width=\"924\" height=\"549\" allowfullscreen=\"true\" mozallowfullscreen=\"true\" webkitallowfullscreen=\"true\"><\/iframe><\/p>\n\n\n\n<p>Os tradutores concordam que, apesar do avan\u00e7o das intelig\u00eancias artificiais, ser\u00e1 muito dif\u00edcil substituir o papel humano na tradu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da necessidade de repert\u00f3rio cultural, a capacidade de perceber sutilezas tamb\u00e9m \u00e9 importante. No caso da tradu\u00e7\u00e3o para dublagem, \u00e9 preciso considerar ainda a imagem junto ao som: \u201cComo ela vai saber como um personagem est\u00e1 gesticulando, se ele t\u00e1 franzindo a testa, se ele t\u00e1 com cara de bravo, n\u00e9? Porque tudo isso pode mudar o que voc\u00ea vai usar ali na hora, na tradu\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Carlos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-300x200.jpg\" alt=\"Funcion\u00e1rios de uma empresa de tradu\u00e7\u00f5es trabalham no escrit\u00f3rio em Porto Alegre\" class=\"wp-image-13179\" width=\"405\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Copia-de-4_Tabata_Kolling-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption>As quest\u00f5es culturais tamb\u00e9m afetam as tradu\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas e juramentadas realizadas por uma empresa especializada em Porto Alegre | Foto: T\u00e1bata Kolling<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Cristina considera dif\u00edcil que o contato pessoal seja substitu\u00eddo nas tradu\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas: \u201cO tradutor chega l\u00e1 no evento uns minutos antes e ele vai at\u00e9 o palestrante se apresentar, &#8216;olha eu t\u00f4 aqui, vou ser o seu tradutor. Tem alguma palavra que o senhor quer que eu traduza de algum jeito?\u2019\u201d. Perguntas como essa, ao menos por enquanto, somente podem ser feitas por um humano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<h2><strong>LEIA MAIS<\/strong><\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/esquecidos-entre-as-paginas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Esquecidos entre as p\u00e1ginas:<\/a> Achados em livros usados contam hist\u00f3rias e estimulam a imagina\u00e7\u00e3o dos leitores<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/ha-futuro-para-a-leitura-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">H\u00e1 futuro para a leitura no Brasil?:<\/a> Em meio ao aumento do uso de internet e das redes sociais, os livros perderam a atratividade entre os brasileiros. 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