{"id":14353,"date":"2024-08-29T17:46:12","date_gmt":"2024-08-29T20:46:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=14353"},"modified":"2024-08-29T17:46:16","modified_gmt":"2024-08-29T20:46:16","slug":"meio-a-meio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/meio-a-meio\/","title":{"rendered":"Meio a Meio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Narracao-sextante-completa.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A primeira ideia que pode vir \u00e0 cabe\u00e7a quando se ouve a palavra bissexualidade \u00e9 o prefixo carregado de duplicidade. Representa a atra\u00e7\u00e3o sexual ou afetiva por mais de um g\u00eanero ou, ainda, a atra\u00e7\u00e3o independentemente do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/002-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14506\" width=\"329\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/002-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/002-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><figcaption>Soraya Bertoncello faz parte dos 0,7% da popula\u00e7\u00e3o bissexual do Brasil | Foto: Vit\u00f3ria Garcia<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No Brasil, segundo dados publicados em 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), da <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/33785-em-pesquisa-inedita-do-ibge-2-9-milhoes-de-adultos-se-declararam-homossexuais-ou-bissexuais-em-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS)<\/a>, 0,7% da popula\u00e7\u00e3o se declarou como bissexual em 2019, o que corresponde a pouco mais de 1 milh\u00e3o de pessoas acima de 18 anos. Dos entrevistados, 1,1% (1,7 milh\u00e3o) n\u00e3o sabiam sua orienta\u00e7\u00e3o, enquanto outros 2,3% (3,6 milh\u00f5es) se recusaram a responder.<\/p>\n\n\n\n<p>A jornalista e publicit\u00e1ria de Porto Alegre Soraya Bertoncello, de 36 anos, trilha um caminho de autodescoberta. Faz apenas seis anos que um estalo durante a terapia acendeu uma nova fase de sua vida: descobriu-se bissexual. \u201cEu sempre me entendi como h\u00e9tero, porque a maioria das pessoas com quem eu ficava eram homens\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, nunca sentiu que n\u00e3o gostava de mulheres. Pelo contr\u00e1rio, sentia carinho. N\u00e3o via problema em ficar com um homem e depois ignor\u00e1-lo, mas jamais faria isso com uma mulher. \u201cMeu afeto era para mulheres, e a minha vida sexual, para homens\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse carinho, Soraya fez amizade com Juliana Marques, de 39 anos, uma colega de trabalho. Quando a amiga foi injustamente demitida, entristeceu-se. Com outro emprego \u00e0 vista e sem Juliana na equipe, achou melhor sair daquele ambiente. As duas se reencontraram no <em>r\u00e9veillon <\/em>de 2023, quando a emo\u00e7\u00e3o do novo ano levou a um beijo inesperado e ao in\u00edcio de um novo caminho para trilhar. Desde fevereiro de 2024, Ju \u00e9 a primeira namorada de Soraya.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO bissexual est\u00e1 nesse \u2018n\u00e3o-lugar\u2019, porque ele \u00e9 tudo e n\u00e3o \u00e9 nada. Eu acho que \u00e9 uma descoberta de todos os dias para quem n\u00e3o tem esse lugar marcado\u201d<\/p><cite><strong>SORAYA BERTONCELLO<\/strong>, jornalista e publicit\u00e1ria<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Soraya, a vida \u00e9 um aprendizado cont\u00ednuo, desde voltar a namorar ap\u00f3s mais de dez anos solteira at\u00e9 redescobrir sua sexualidade. \u201cEu me encontro feliz. \u00c9 a pessoa que eu gosto, que eu amo. Aprendo sobre mim e sobre ela\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Soraya descobriu mais tarde, Gabriel Bandeira sabia desde sempre. \u201cAcho que eu me descobri ainda sem saber qual era a palavra para bissexualidade\u201d, explica o jornalista porto-alegrense de 25 anos, hoje morador de Bras\u00edlia. A primeira mem\u00f3ria de saber que gostava de homens e de mulheres \u00e9 dos 11 anos. Apesar disso, em 2016 passou a se reconhecer como um homem gay.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se questionava a respeito da admira\u00e7\u00e3o que sentia pelas mulheres. Afinal, se seus relacionamentos com homens eram mais frequentes, poderia se considerar bi? A sociedade tem como estere\u00f3tipo uma divis\u00e3o de meio a meio para cada sexo, sem considerar a possibilidade de algu\u00e9m n\u00e3o ter uma prefer\u00eancia, o que atrapalhava o racioc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA sexualidade \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e3o ampla para ficar impondo suas caixinhas\u201d, diz Gabriel, que reencontrou a bissexualidade em 2022 e explora suas possibilidades desde ent\u00e3o. \u201cToda mudan\u00e7a gera desconforto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>O preconceito dentro do n\u00e3o-lugar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Gabriel e Soraya mencionam o \u201cn\u00e3o-lugar\u201d que o bissexual ocupa. \u201cEle pode estar em todos os lugares, pode n\u00e3o estar em nenhum\u201d, diz ela, refletindo sobre a dificuldade na representa\u00e7\u00e3o. Cita uma propaganda com duas mulheres de m\u00e3os dadas, sem poder saber se retrata duas mulheres l\u00e9sbicas, bissexuais ou uma de cada orienta\u00e7\u00e3o: \u201cO bissexual est\u00e1 nesse \u2018n\u00e3o-lugar\u2019, porque ele \u00e9 tudo e n\u00e3o \u00e9 nada. Eu acho que \u00e9 uma descoberta de todos os dias para quem n\u00e3o tem esse lugar marcado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a partir da falta de pertencimento que surge a bifobia, o preconceito contra a orienta\u00e7\u00e3o sexual e a nega\u00e7\u00e3o da sua exist\u00eancia. \u201cEspera-se que um cara bi seja um homem h\u00e9tero que fica com homens de vez em quando. Um cara bi \u00e9 um cara que n\u00e3o pode dar pinta\u201d, explica Gabriel.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003-766x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14509\" width=\"269\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003-766x1024.jpg 766w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003-224x300.jpg 224w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003-768x1027.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003-1149x1536.jpg 1149w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/003.jpg 1197w\" sizes=\"(max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><figcaption>Gabriel tinha convic\u00e7\u00e3o de sua sexualidade j\u00e1 aos 11 anos, mas a vida o fez question\u00e1-la | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>A troca de olhares durante uma festa diz muito mais do que as palavras conseguem exprimir no meio da m\u00fasica alta. Gabriel e uma mulher se entreolhavam enquanto ele dan\u00e7ava. A m\u00fasica que tocava o fez assumir uma postura masculina, mas s\u00f3 at\u00e9 que outra, estilo <em>vogue,<\/em> sa\u00edsse da caixa de som. O estilo de dan\u00e7a <em>vogue<\/em> foi criado em clubes gays dos Estados Unidos e popularizado no mundo todo pelo videoclipe hom\u00f4nimo de Madonna. Acostumado com a liberdade, Gabriel dan\u00e7ou como queria. Fez caras e bocas. Deu pinta. Depois, quando tudo estava certo para os olhos se encontrarem, quando Gabriel chegou na mulher que havia se interessado por ele, foi negado. N\u00e3o se incomodou, acontece. Enquanto sa\u00eda de perto, foi puxado de volta e ela lhe gritou no ouvido: \u201cMas tu n\u00e3o \u00e9 viado?\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os estere\u00f3tipos negativos que atingem uma pessoa bissexual, est\u00e1 a ideia de que a trai\u00e7\u00e3o no relacionamento \u00e9 certeira, como comenta Mariana Schubert Lemos, pesquisadora sobre bissexualidade e doutoranda em Psicologia Social e Institucional na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ela diz que o monossexismo \u00e9 a l\u00f3gica de mundo centrada em pessoas que sentem atra\u00e7\u00e3o sexual ou afetiva por apenas um g\u00eanero e que exclui dele outras possibilidades e bissexualidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutro mito \u00e9 de que pessoas bissexuais, quando est\u00e3o em um relacionamento, deixam de ser bissexuais. Como se a hist\u00f3ria e a identidade de uma pessoa se fechasse ao ter uma rela\u00e7\u00e3o com outro\u201d, lembra a pesquisadora. A no\u00e7\u00e3o do sujeito bissexual como imaturo, em cima do muro ou como algu\u00e9m que eventualmente ir\u00e1 pender para algum lado refor\u00e7a essa vis\u00e3o equivocada.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista hist\u00f3rico, Mariana traz a bifobia como proeminente nos anos 1980, durante a epidemia da aids. \u201cA bissexualidade foi muito vista como uma ponte para o  HIV por pessoas heterossexuais\u201d, ressalta. A ideia da bissexualidade como algo prom\u00edscuo era difundida, inclusive, pelo jornalismo da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>As cren\u00e7as e os valores da sociedade mudam com o tempo. A pesquisadora comenta sobre o nascimento de grupos de pesquisa e semin\u00e1rios voltados \u00e0 bissexualidade, viabilizando dados nacionais sobre essa popula\u00e7\u00e3o. O campo da psicologia d\u00e1 passos para se manter atualizado sobre essa tem\u00e1tica. A <a href=\"https:\/\/atosoficiais.com.br\/cfp\/resolucao-do-exercicio-profissional-n-8-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 8 de 2022 do Conselho Federal de Psicologia<\/a> disp\u00f5e sobre a atua\u00e7\u00e3o de profissionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s bissexualidades e orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o monossexuais. O psic\u00f3logo deve reconhecer a orienta\u00e7\u00e3o como leg\u00edtima e fica vedado de considerar a bissexualidade como uma doen\u00e7a, dist\u00farbio, ou de conduzir processos de reorienta\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14517\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia--1568x882.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Bissexualidade-ilustra-do-meio-da-materia-.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>As tentativas de visibilidade&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora ainda existam preconceitos, a discuss\u00e3o da bissexualidade \u00e9 cada vez mais comum. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bi__blioteca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O perfil Bi__Blioteca<\/a> foi criado em 2021 no Instagram pelas cientistas sociais Helena Monaco e Danieli Klidzio e re\u00fane o conhecimento cient\u00edfico produzido acerca da sexualidade. \u201cA gente percebeu que as pesquisas sobre bissexualidade n\u00e3o estavam chegando nas pessoas que eram as mais interessadas nela. N\u00e3o chegavam no movimento, nem em quem tamb\u00e9m queria pesquisar\u201d, diz Helena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Podcast-Sextante.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a entrevista com as pesquisadoras Helena Monaco e Danieli Klidzio, a dupla por tr\u00e1s do perfil @Bi_Blioteca<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Fundado em Porto Alegre no ano de 2018, o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/amoracoletivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coletivo Amora<\/a> \u00e9 outra iniciativa que tenta visibilizar a tem\u00e1tica da bissexualidade, composto exclusivamente por pessoas bi. O grupo faz parte da Frente Brasileira Bissexual e ajuda a organizar a Parada Livre de Porto Alegre, evento voltado \u00e0 conscientiza\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas LGBTQIA+.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando em outras pessoas que possam se sentir \u00e0 margem, <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1tqDZ45DMquEpzRt9Odo09BTpNy0aV55z\/view?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR28qFAPQA-gV_6S_3Y80i9Hy48bL4_cZTvHkvmvAxxNTztety7bJKCGZOY_aem_PXwHvRQBm69zZfjuzyS6Wg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o grupo criou uma cartilha<\/a> esperan\u00e7osa. \u201cUma forma que vemos de transformar essa realidade \u00e9 nos afirmando presentes\u201d, escrevem no documento. Contra o preconceito, a bifobia e enaltecendo a liberdade das amarras que uma sociedade monossexista quer impor, a cartilha parece escrita por pessoas cansadas de terem de se encaixar no padr\u00e3o alheio. \u201cA maneira certa de ser bissexual \u00e9 simplesmente sendo\u201d, diz a cartilha.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Encontrando seu lugar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Coletivo Amora, o perfil Bi__blioteca, a pesquisadora Mariana, Gabriel e Soraya reivindicam \u2013 direta ou indiretamente \u2013 um \u201cn\u00e3o-lugar\u201d para chamar de seu. Atrav\u00e9s da divulga\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia, essas pessoas resistem em um meio ainda \u00e1spero mas que aos poucos se abranda. \u201cEu n\u00e3o convivo com pessoas que me invalidam\u201d, diz Gabriel, enf\u00e1tico ao enaltecer suas amizades. Soraya tamb\u00e9m v\u00ea seu grupo como acolhedor para ela e sua namorada: \u201cTodos os meus amigos, sem exce\u00e7\u00e3o, ficaram felizes por mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A sexualidade pode estar nesse n\u00e3o-lugar, mas, como pessoas, os e as bissexuais n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. Soraya mostra um pin de dinossauro que comprou para o anivers\u00e1rio da Ju, segurando a bandeira do orgulho bissexual \u2013 listras rosa e azul, cortadas por uma linha roxa. \u00c9 o s\u00edmbolo do seu compromisso, a representa\u00e7\u00e3o de que podem enfrentar as adversidades da vida e encontrar, uma na outra, o seu lugar nos momentos em que parecem n\u00e3o pertencer a lugar algum.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/transgredindo-a-idade\/\">Transgredindo a idade:<\/a><\/strong> Visto como algo negativo, envelhecimento \u00e9 privil\u00e9gio entre pessoas trans e travestis. Para as que ultrapassam a expectativa de vida, a perspectiva \u00e9 de um futuro gentil e afetuoso<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-que-e-pajuba\/\">Do oi da poc \u00e0 chuia:<\/a><\/strong> Pajub\u00e1 \u00e9 uma linguagem usada pela comunidade LGBTQIA+ no Brasil como forma de resist\u00eancia<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornada de pessoas bissexuais atrav\u00e9s do preconceito e do sentimento de n\u00e3o pertencimento.<\/p>\n","protected":false},"author":155,"featured_media":14516,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[336],"tags":[342,340,359,360,377,361],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Meio a Meio &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/meio-a-meio\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Meio a Meio &mdash; 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