{"id":14362,"date":"2024-08-29T17:46:30","date_gmt":"2024-08-29T20:46:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=14362"},"modified":"2024-08-29T17:46:32","modified_gmt":"2024-08-29T20:46:32","slug":"quando-eu-cheguei-ja-tinha-gente-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/quando-eu-cheguei-ja-tinha-gente-aqui\/","title":{"rendered":"Quando eu cheguei j\u00e1 tinha gente aqui"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/AUDIO-DESCRICAO-SEXTANTE.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Sobre o dia em que Alice Guidolin Rodrigues, de um ano, chegou em casa, rec\u00e9m vinda da maternidade, Sofia Guidolin Rodrigues, de seis anos, tem uma s\u00f3 lembran\u00e7a. \u201cEu tava assoando o nariz, assim\u201d, fala enquanto reproduz a cena. Todos que est\u00e3o na sala se olham desconfiados. \u201c\u00c9 que ela estava gripada, n\u00e9, filha? Ent\u00e3o, ela foi assoando o nariz pra n\u00e3o passar para a mana\u201d, explica Patr\u00edcia Guidolin, de 39 anos, m\u00e3e das duas meninas. A lembran\u00e7a de Sofia pela chegada da \u00fanica irm\u00e3 \u2013 quase cinco anos mais nova \u2013 fala sobre um tra\u00e7o que se repete at\u00e9 hoje: o cuidado da mais velha com a ca\u00e7ula. Quando a m\u00e3e anunciou que estava gr\u00e1vida, dentro de uma loja de shopping, a menina perguntou se a irm\u00e3 j\u00e1 nasceria no dia seguinte.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14562\" width=\"665\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-3.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 665px) 100vw, 665px\" \/><figcaption>Sofia Guidolin Rodrigues com a almofada que leva como estampa um desenho feito pela menina quando esperava a chegada da irm\u00e3 Alice Guidolin Rodrigues | Foto: Ana Terra Firmino<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Moradores de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Patr\u00edcia e Fagner Rodrigues, de 40 anos, pais de Sofia e Alice, pensaram muito antes de decidir ter uma segunda filha. \u201cEu achava que a gente tinha feito o poss\u00edvel e o imposs\u00edvel pra dar toda a aten\u00e7\u00e3o para a primeira filha. E eu ficava me questionando se teria a mesma paci\u00eancia e disposi\u00e7\u00e3o pro segundo. E n\u00e3o, realmente n\u00e3o conseguimos fazer o mesmo\u201d, assume Patr\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cNa gravidez dele eu tive tempo pra me apavorar e na dela n\u00e3o, porque eu tinha que cuidar dele\u201d<\/p><cite><strong>PAOLA DIAS<\/strong>, m\u00e3e de Ca\u00edque e L\u00edvia<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-1-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14563\" width=\"-155\" height=\"-275\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-1-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-1-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-1.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption>Paola, 27 anos, com os filhos Ca\u00edque, 9 anos, e L\u00edvia, 7 anos | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Com Paola Dias, de 27 anos, n\u00e3o foi o mesmo. Quando o filho Ca\u00edque Dias, de nove anos, tinha pouco mais de um ano, ela descobriu que estava gr\u00e1vida de L\u00edvia Dias, sete anos. A segunda gravidez chegou no mesmo momento em que Paola se reestruturava depois da chegada do primeiro filho. Al\u00e9m disso, estava passando por um t\u00e9rmino de relacionamento e se mudando para Viam\u00e3o, onde mora atualmente com a fam\u00edlia. \u201cEu acredito muito que na gravidez dele eu tive tempo pra me apavorar e na dela n\u00e3o, porque eu tinha que cuidar dele\u201d, relata a m\u00e3e. Junto com a surpresa veio a culpa. Com filhos de idades t\u00e3o pr\u00f3ximas, alguns processos ainda n\u00e3o tinham se encerrado antes de come\u00e7ar de novo. A m\u00e3e ainda estava amamentando o mais velho quando optou por parar em fun\u00e7\u00e3o da segunda gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Caroline Rossato, coordenadora do N\u00facleo de Estudos Fam\u00edlias e suas Rela\u00e7\u00f5es (Nefre) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), afirma que a chegada do segundo filho pode ser considerada um acontecimento nodal para as fam\u00edlias. Acontecimentos nodais s\u00e3o definidos como eventos capazes de criar instabilidades no funcionamento do sistema familiar. \u201cOs pais v\u00e3o sentir, o filho vai sentir, porque os padr\u00f5es de funcionamento, aquilo que ele sabiam como viver, como se relacionar, n\u00e3o funcionam do mesmo jeito, ent\u00e3o vai ter que acontecer um ajuste\u201d, argumenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora ressalta que \u00e9 comum que pais e m\u00e3es subestimem as mudan\u00e7as trazidas pelo segundo filho para as fam\u00edlias. Por j\u00e1 se conhecerem como pai e m\u00e3e, a expectativa \u00e9 de que ocorra uma amplia\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 desenvolvidas anteriormente. Mas a experi\u00eancia pr\u00e9via tamb\u00e9m traz seguran\u00e7a na hora de desempenhar as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de cuidado com os filhos. \u201cEu comecei a me atualizar, e na gravidez da Alice eu j\u00e1 tinha toda essa bagagem do que tinha feito com a Sofia\u201d, conta Patr\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira gravidez de Paola, ela ainda morava com a m\u00e3e, ent\u00e3o o apoio era constante e nem todas as decis\u00f5es eram tomadas sozinha. J\u00e1 na gesta\u00e7\u00e3o de L\u00edvia, ela escolheu viver o momento apenas com o ex-marido, na busca da autoridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolhas sobre a cria\u00e7\u00e3o dos filhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2>A aldeia de cada fam\u00edlia<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de quase nenhuma experi\u00eancia humana ser totalmente individual, cada fam\u00edlia tem a sua pr\u00f3pria colcha de retalhos para montar. Na din\u00e2mica familiar de Paola, cujos filhos t\u00eam pais diferentes, foi montado um esquema em que \u201cos dois s\u00e3o pais dos dois\u201d, explica a m\u00e3e. Nos fins de semana, o ex-marido, pai biol\u00f3gico da filha mais nova, L\u00edvia, fica com os dois filhos. Nas f\u00e9rias, ele leva as crian\u00e7as para a casa do pai biol\u00f3gico de Ca\u00edque, que vive em Santa Catarina. Apesar de cuidar dos filhos sozinha no dia a dia, Paola considera que os dois pais s\u00e3o presentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-2-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14564\" width=\"-57\" height=\"-101\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-2-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-2-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-DIAS-FOTO-2.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><figcaption>Quando L\u00edvia nasceu, Ca\u00edque ainda n\u00e3o tinha completado dois anos | Foto: Arquivo Pessoal<br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Fagner, pai de Sofia e Alice, conta que, com a chegada da segunda filha, a participa\u00e7\u00e3o paterna, muitas vezes entendida como facultativa, se tornou obrigat\u00f3ria. \u201cA gente se revezava [<em>no nascimento da primeira filha<\/em>], mas se eu quisesse correr \u00e0s 6 horas da manh\u00e3, estava tudo bem\u201d, lembra. No nascimento da primeira filha, Sofia, ele considera ter demorado mais tempo para assumir a responsabilidade das tarefas. Com a chegada de Alice, n\u00e3o havia escolha: era dividir ou dividir. Os turnos, os hor\u00e1rios de trabalho, os banhos, a comida, as mamadas. \u201cO machismo faz com que as m\u00e3es se sintam respons\u00e1veis por tudo. Elas n\u00e3o podem errar\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14565\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Patr\u00edcia, Alice, Fagner e Sofia na cozinha de casa. Com a chegada da segunda filha, as tarefas passaram a ser mais divididas entre os pais |&nbsp;Foto: Ana Terra Firmino<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, a participa\u00e7\u00e3o ativa dos pais na cria\u00e7\u00e3o dos filhos ainda n\u00e3o \u00e9 uma cena t\u00e3o comum nos lares brasileiros. Uma pesquisa da <a href=\"https:\/\/portal.fgv.br\/artigos\/maes-solo-mercado-trabalho-crescem-17-milhao-dez-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas<\/a>, de 2023, mostra que o n\u00famero de m\u00e3es solo no pa\u00eds cresceu 17,8% entre 2012 e 2022. O termo se refere aos domic\u00edlios chefiados por uma \u00fanica mulher, em que todas as responsabilidades recaem sobre ela. A desigualdade, no entanto, tem recorte de ra\u00e7a e de regi\u00e3o. Das 11,3 milh\u00f5es de m\u00e3es solo no pa\u00eds em 2022, 6,9 milh\u00f5es eram pretas ou pardas \u2013 cerca de 61% do total. A desigualdade tamb\u00e9m se apresenta quando se analisam os estados brasileiros. Enquanto o Rio Grande do Sul tem um dos menores percentuais, com 11,8% de domic\u00edlios de m\u00e3es solo, na outra ponta do pa\u00eds, no Sergipe, o percentual chega a 19,9%. Mais da metade dessas mulheres, 54,3%, possui apenas o ensino fundamental completo ou menos. Somente 13,8% concluiu o ensino superior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4>N\u00famero de m\u00e3es-solo no Brasil entre 2012 e 2022<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-wp-embed is-provider-flourish wp-block-embed-flourish\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/19104033\/embed#?secret=nl2BWEB6QU\" data-secret=\"nl2BWEB6QU\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" height=\"575\" width=\"700\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Gr\u00e1fico que mostra a propor\u00e7\u00e3o de mulheres negras e brancas em compara\u00e7\u00e3o ao total de m\u00e3es-solo no Brasil | Fonte: Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>Onde come um, comem dois<\/h2>\n\n\n\n<p>E como ficam os irm\u00e3os mais velhos ao verem a aten\u00e7\u00e3o ser dividida com um rec\u00e9m-nascido? Sofia \u00e9 certeira e n\u00e3o tem medo de assumir. \u201cEu senti ci\u00fames porque a Lili estava mais doente uma \u00e9poca, e ela ficava ganhando muita aten\u00e7\u00e3o. Mas da\u00ed, passou. Da\u00ed agora ela tem ci\u00fames de mim. Eu vou pro colo da mam\u00e3e e ela quer ir junto ou me empurra\u201d, fala a menina de seis anos sobre a irm\u00e3 de um ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&nbsp;\u201cA gente acha maravilhoso a chegada de um segundo filho, mas v\u00e3o ter coisas ruins. Voltamos a n\u00e3o dormir direito, toda aquela fun\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o por que esperamos que o filho mais velho entenda tudo aquilo como perfeito?\u201d<\/p><cite><strong>PATR\u00cdCIA GUIDOLIN<\/strong>, m\u00e3e de Sofia e Alice<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e conta que houve um momento em que a mais velha reclamou sobre receber menos aten\u00e7\u00e3o com a chegada da irm\u00e3. \u201cEu falei pra ela que \u00e9 verdade, ela ganhou menos aten\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m agora ela est\u00e1 crescendo e a gente espera que ela comece a brincar mais sozinha\u201d, conta a m\u00e3e das duas meninas. Preparar o primog\u00eanito para a chegada de um irm\u00e3o ou uma irm\u00e3 \u00e9 parte importante do processo. \u201cA gente acha maravilhoso a chegada de um segundo filho, mas v\u00e3o ter coisas ruins. Voltamos a n\u00e3o dormir direito, toda aquela fun\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o por que esperamos que o filho mais velho entenda tudo aquilo como perfeito?\u201d, questiona Patr\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14566\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/FAMILIA-GUIDON-FOTO-2.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Sofia e Alice no quarto que dividem | Foto: Ana Terra Firmino<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>No escopo de responsabilidade dos pais, tamb\u00e9m est\u00e1 a media\u00e7\u00e3o de conflitos entre os filhos. Apesar de dif\u00edcil, \u00e9 preciso suportar e acolher o ci\u00fame, orientando as crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas de express\u00e1-lo. Afinal, n\u00e3o h\u00e1 sentimento mais humano do que esse. \u201cO ci\u00fame \u00e9 parte natural dos relacionamentos, ele acontece sempre dentro de um tri\u00e2ngulo. Existe uma rela\u00e7\u00e3o e ela \u00e9 amea\u00e7ada por um terceiro\u201d, argumenta Caroline.&nbsp; <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><strong>&nbsp;<\/strong>\u201cO relacionamento entre irm\u00e3os, em paralelo \u00e0 amizade, ao companheirismo e \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o, traz tamb\u00e9m aspectos de conflito, de ci\u00fames, de rivalidade\u201d<\/p><cite><strong>CAROLINE ROSSATO<\/strong>, psic\u00f3loga e especialista em rela\u00e7\u00f5es familiares em diferentes contextos sociais<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na casa dos Dias, os medos, as inseguran\u00e7as e os conflitos v\u00e3o para a \u201cassembleia\u201d, como brinca a m\u00e3e. Em um per\u00edodo em que as crian\u00e7as brigavam muito, ela sentou com os filhos para que eles pudessem reclamar de tudo que precisavam. Foi na escuta que Paola percebeu que por vezes exigia uma responsabilidade maior de Ca\u00edque, como se os dois filhos tivessem uma grande diferen\u00e7a de idade, quando na verdade somente dois anos os separam<strong>.<\/strong> \u201cEu me culpei, porque ele era t\u00e3o pequeno quanto ela. Foi um processo entender que, apesar de ele ser o mais velho, ele n\u00e3o \u00e9 muito maior do que ela e que eles t\u00eam que ter a mesma aten\u00e7\u00e3o\u201d, conta a m\u00e3e sobre as demandas em rela\u00e7\u00e3o aos filhos. Se por um lado o primog\u00eanito bradava dizendo que preferia ter continuado como filho \u00fanico, para a ca\u00e7ula n\u00e3o fazia tanta diferen\u00e7a, pois ela j\u00e1 nasceu dividindo. \u201cO relacionamento entre irm\u00e3os, em paralelo \u00e0 amizade, ao companheirismo e \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o, traz tamb\u00e9m aspectos de conflito, de ci\u00fames, de rivalidade\u201d, explica Caroline.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 cena rara ouvir discuss\u00f5es sobre quem \u00e9 o favorito das m\u00e3es e dos pais. Em geral, os filhos nunca se enxergam como os preferidos. Para Paola, mais do que preferir um filho em rela\u00e7\u00e3o ao outro, h\u00e1 uma quest\u00e3o de identifica\u00e7\u00e3o. \u201cAmar, a gente ama igual, mas vai ter um que tu vais te adaptar mais\u201d, \u00e9 como a m\u00e3e explica para os filhos uma poss\u00edvel diferen\u00e7a no tratamento. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es nunca v\u00e3o ser iguais, os filhos possuem demandas e personalidades diferentes. \u00c9 importante reconhecer e validar essas singularidades, mas sem compar\u00e1-los. Rela\u00e7\u00f5es diferentes n\u00e3o significam menos amor\u201d, finaliza Caroline.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4><strong>Conhe\u00e7a livros que podem ajudar na hora de falar com as crian\u00e7as sobre a chegada <\/strong>de um\/a irm\u00e3\/o<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-id=\"14578\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14578\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1-768x768.png 768w, 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frutos de rela\u00e7\u00f5es inter-raciais relatam a troca constante de experi\u00eancias ao longo do crescimento das crian\u00e7as<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/nao-se-escolhe-amar\/\">N\u00e3o se escolhe amar:<\/a><\/strong> O sonho de construir uma fam\u00edlia leva m\u00e3es e pais \u00e0 fila da ado\u00e7\u00e3o. O que ningu\u00e9m espera s\u00e3o os encontros que fogem da idealiza\u00e7\u00e3o<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o dia em que Alice Guidolin Rodrigues, de um ano, chegou em casa, rec\u00e9m vinda da maternidade, Sofia Guidolin Rodrigues, de seis anos, tem uma s\u00f3 lembran\u00e7a. \u201cEu tava assoando o nariz, assim\u201d, fala enquanto reproduz a cena. Todos que est\u00e3o na sala se olham desconfiados. \u201c\u00c9 que ela estava gripada, n\u00e9, filha? 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