{"id":14364,"date":"2024-08-29T17:46:10","date_gmt":"2024-08-29T20:46:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=14364"},"modified":"2024-08-29T17:46:14","modified_gmt":"2024-08-29T20:46:14","slug":"um-mais-um-e-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/um-mais-um-e-um\/","title":{"rendered":"Um mais um \u00e9 um"},"content":{"rendered":"\n<p>Sob o olhar atento da torcida e dos jurados, o mestre-sala e a porta-bandeira entram no samb\u00f3dromo abrindo o desfile. Com sorriso no rosto e indument\u00e1ria primorosa, eles dan\u00e7am como se fossem um \u00fanico organismo: em sincronia e ritmados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para alcan\u00e7ar esse n\u00edvel de excel\u00eancia, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio muito treinamento. A porta-bandeira H\u00e9lida Freitas, de 40 anos, e o mestre-sala Luiz Marcelo Rodrigues, 52, moradores de Porto Alegre, s\u00e3o representantes da escola de samba Estado Maior da Restinga. Eles costumam iniciar os ensaios cerca de um ano antes da apresenta\u00e7\u00e3o oficial. Come\u00e7am devagar: somente um encontro por semana. Depois, passam para dois, tr\u00eas, quatro, at\u00e9 que acabam praticando quase todos os dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O esfor\u00e7o para apresentar uma coreografia perfeita possui um motivo: a harmonia e a integra\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois dos principais crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o do casal no processo de julgamento do Carnaval. Os dados fazem parte do <a href=\"https:\/\/liesa.globo.com\/downloads\/carnaval\/manual-do-julgador-2024.pdf\">Manual do Julgador de 2024<\/a> desenvolvido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). \u201cN\u00f3s fazemos um trabalho que \u00e9 para ser assistido por algu\u00e9m e esse algu\u00e9m vai nos avaliar. Ent\u00e3o, al\u00e9m de pensar como eu penso e como ele pensa, a gente tem que pensar como os outros v\u00e3o pensar\u201d, conta H\u00e9lida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"669\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-1024x669.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14594\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-1024x669.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-768x502.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-1536x1004.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-2048x1339.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Samba-1568x1025.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A porta-bandeira H\u00e9lida e o mestre-sala Marcelinho representam a escola de samba Estado Maior da Restinga e dan\u00e7am em par h\u00e1 cinco anos | Foto: B\u00e1rbara Bertoncini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Embora nem todas sejam, necessariamente, avaliadas por jurados, as demais dan\u00e7as em pares, conhecidas como dan\u00e7as de sal\u00e3o, tamb\u00e9m exigem que o casal as executem de modo a formar uma unidade. Para transmitir a ess\u00eancia de cada dan\u00e7a, al\u00e9m de conhecer as t\u00e9cnicas, a dupla precisa estar em equil\u00edbrio e ter muita intimidade, uma vez que s\u00e3o ritmos que n\u00e3o podem ser realizados de outra maneira a n\u00e3o ser a dois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista em dan\u00e7a de sal\u00e3o pela Faculdade Metropolitana de Curitiba (Famec) e autora do artigo <a href=\"https:\/\/tupa.claec.org\/index.php\/culturas\/2021-1\/paper\/download\/2737\/1415\">O di\u00e1logo atrav\u00e9s dos movimentos das dan\u00e7as em pares, um contato de representa\u00e7\u00f5es e sentidos<\/a>, Daiane Oliveira, explica que isso acontece porque a tentativa de suprimir um dos indiv\u00edduos ou acrescentar outros acarreta na mudan\u00e7a de identidade desses estilos de dan\u00e7a. \u201cQuando voc\u00ea tira do forr\u00f3, por exemplo, a dan\u00e7a de par, voc\u00ea tamb\u00e9m tira um pouquinho da identidade dele\u201d, afirma. Tentar dan\u00e7\u00e1-los de maneira diferente, portanto, seria como modificar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. O desafio \u00e9 fazer com que cada indiv\u00edduo consiga se conectar consigo mesmo e com o outro, de tal forma que, juntos, possam funcionar como um s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Trecho-Daiane.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a entrevista com a pesquisadora Daiane Oliveira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>Mais do que ritmo nos p\u00e9s, \u00e9 preciso ter troca<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Valentin Cruz, de 57 anos, natural de Buenos Aires, e sua esposa, Marlise Machado, 53, nascida em Porto Alegre, dan\u00e7am tango em conjunto desde 2005. Apesar de possu\u00edrem uma longa trajet\u00f3ria como dupla, o in\u00edcio deles n\u00e3o foi f\u00e1cil: enquanto Marlise estava acostumada \u00e0 cultura coreogr\u00e1fica oriunda do bal\u00e9 cl\u00e1ssico, Valentin preferia dan\u00e7ar improvisadamente, como fazia nos bailes populares argentinos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Encontrar um equil\u00edbrio entre os conhecimentos t\u00e9cnicos dos dois exigiu muito di\u00e1logo. Hoje, eles adotam um meio-termo quando se apresentam, na tentativa de priorizar ambas as prefer\u00eancias. \u201cMas, se eu tenho que escolher, eu sempre improviso. Sempre. E se ela tem que escolher, ela sempre escuta a m\u00fasica e trabalha uma coreografia. Juntos, temos que lidar com essas diferen\u00e7as\u201d, reflete Valentin.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Quando voc\u00ea encontra os dois corpos, eles est\u00e3o conversando, est\u00e3o tendo trocas. O acolhimento, o sorriso, a alegria. Ent\u00e3o, a import\u00e2ncia de se dan\u00e7ar junto \u00e9 fazer a conex\u00e3o, \u00e9 trazer esse contato com o outro&#8221;<\/p><cite><strong>DAIANE OLIVEIRA<\/strong>, pesquisadora de dan\u00e7a de sal\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O di\u00e1logo ativo praticado pelo casal de tangueiros aponta que eles est\u00e3o no caminho certo em rela\u00e7\u00e3o ao que prop\u00f5em as dan\u00e7as em pares. Segundo a pesquisadora Daiane, por tamb\u00e9m serem conhecidas como dan\u00e7as sociais, a principal finalidade delas \u00e9 o conv\u00edvio e a conex\u00e3o genu\u00edna entre os indiv\u00edduos dan\u00e7antes. \u201cQuando a gente pensa a dan\u00e7a social, a gente pensa em dan\u00e7as entre indiv\u00edduos que se comunicam, o termo social pressup\u00f5e essa comunica\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Ela tamb\u00e9m acrescenta que o resultado da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 o surgimento gradual da intimidade do casal. \u201cQuando voc\u00ea encontra os dois corpos, eles est\u00e3o conversando, est\u00e3o tendo trocas. O acolhimento, o sorriso, a alegria. Ent\u00e3o, a import\u00e2ncia de se dan\u00e7ar junto \u00e9 fazer a conex\u00e3o, \u00e9 trazer esse contato com o outro\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"745\" data-id=\"14600\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-1024x745.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-1024x745.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-300x218.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-768x559.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-1536x1118.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-2048x1490.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/1.-Tango-1-1568x1141.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Os tangueiros Marlise e Valentin dan\u00e7am em par desde 2005 e se tornaram um casal em 2006. Hoje, eles s\u00e3o donos e professores da Tanguera Est\u00fadio de Danza, em Porto Alegre | Foto: B\u00e1rbara Bertoncini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>Um olhar fala mais que mil palavras<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m acontece quando H\u00e9lida e Luiz Marcelo, ou Marcelinho, como prefere ser chamado, entram na avenida. No entanto, n\u00e3o basta agu\u00e7ar os ouvidos para compreend\u00ea-la, pois ela n\u00e3o pode ser escutada, somente vista. \u201cMestre-sala e porta-bandeira n\u00e3o podem conversar na avenida, apenas pelo olhar\u201d, esclarece H\u00e9lida. \u00c9 dessa forma que ela e o parceiro se comunicam para al\u00e9m da coreografia e decidem quais ser\u00e3o os pr\u00f3ximos passos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEnquanto tem um corpo falando, tem outro escutando. Se ele estiver atento, vai conseguir responder. E a\u00ed a gente tem o primeiro contato, o primeiro di\u00e1logo da dan\u00e7a em pares\u201d<\/p><cite><strong>DAIANE OLIVEIRA<\/strong>, pesquisadora de dan\u00e7a de sal\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Trata-se do di\u00e1logo n\u00e3o-verbal que acontece entre dois corpos durante a dan\u00e7a. Daiane conta que essa din\u00e2mica ocorre atrav\u00e9s de um sistema de condu\u00e7\u00e3o e resposta, no qual h\u00e1 o condutor e o conduzido. Funciona como uma conversa, na qual um corpo fala e o outro escuta. Na condu\u00e7\u00e3o, o condutor comunica suas inten\u00e7\u00f5es ao parceiro atrav\u00e9s de sinais sutis transmitidos pelo contato f\u00edsico, como o toque das m\u00e3os, movimento dos bra\u00e7os e a postura corporal. \u201cLevantou a m\u00e3o \u00e9 giro; posicionou o corpo, acompanha\u201d, detalha a especialista. Na resposta, o conduzido deve estar atento aos sinais transmitidos para responder de forma r\u00e1pida. \u201cEnquanto tem um corpo falando, tem outro escutando. Se ele estiver atento, vai conseguir responder. E a\u00ed a gente tem o primeiro contato, o primeiro di\u00e1logo da dan\u00e7a em pares\u201d, revela Daiane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Marlise e Valentin, dan\u00e7ar tango \u00e9 como falar qualquer idioma. A dan\u00e7arina relata que, para conversar em diferentes l\u00ednguas, \u00e9 necess\u00e1rio conhecer a estrutura lingu\u00edstica, dominar o l\u00e9xico e a fon\u00e9tica de cada uma delas. \u201cTodas as dan\u00e7as de sal\u00e3o v\u00e3o por este caminho tamb\u00e9m. Elas t\u00eam uma estrutura, um vocabul\u00e1rio, que s\u00e3o os movimentos, e a forma de comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a fon\u00e9tica\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-4 wp-block-gallery-3 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"679\" data-id=\"14603\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-1024x679.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14603\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-1536x1018.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-2048x1358.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Tango-1-1568x1039.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"14596\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14596\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Tango-1-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Marlise e Valentin dialogam de forma n\u00e3o-verbal enquanto dan\u00e7am e acreditam que, para dan\u00e7ar bem, \u00e9 necess\u00e1rio compreender o vocabul\u00e1rio da dan\u00e7a e as caracter\u00edsticas de cada dan\u00e7arino, chamadas por Marlise de &#8220;sotaques&#8221; |  Fotos: B\u00e1rbara Bertoncini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas seja pelo olhar, pelo contato ou pela movimenta\u00e7\u00e3o, essa comunica\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do respeito e da compreens\u00e3o entre o par. A chave para isso \u00e9 entender as individualidades e os limites do parceiro, at\u00e9 onde o corpo do outro pode chegar de forma f\u00edsica e emocional. \u201cA cada momento, a cada ano que passa, essa conjun\u00e7\u00e3o, essa intimidade corporal que a gente vai criando dentro da dan\u00e7a, vai ficando cada vez melhor\u201d, orgulha-se Marcelinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-6 wp-block-gallery-5 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"686\" data-id=\"14599\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-1024x686.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14599\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/3.-Samba-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"656\" data-id=\"14598\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-1024x656.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14598\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-1024x656.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-768x492.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-1536x985.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-2048x1313.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/2.-Samba-1568x1005.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">H\u00e9lida e Marcelinho acreditam que o respeito \u00e9 o caminho para o di\u00e1logo n\u00e3o-verbal entre o par e colocam isso em pr\u00e1tica em todos os ensaios e apresenta\u00e7\u00f5es | Fotos: B\u00e1rbara Bertoncini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>A dama e o cavalheiro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Historicamente, a estrutura da dan\u00e7a a dois \u00e9 representada pelo masculino, que conduz como cavalheiro, e pelo feminino, que responde como dama. Essa din\u00e2mica de g\u00eanero foi perpetuada ao longo dos s\u00e9culos e ainda existe nos dias atuais. Por\u00e9m, engana-se quem pensa que a conex\u00e3o durante a dan\u00e7a s\u00f3 pode acontecer entre homens e mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\">\n<p>Com o avan\u00e7o de movimentos sobre igualdade e inclus\u00e3o, muitos dan\u00e7arinos, professores e comunidades de dan\u00e7a come\u00e7aram a questionar e modificar essas normas. De acordo com Daiane, at\u00e9 mesmo os termos \u201cdamas\u201d e \u201ccavalheiros\u201d n\u00e3o s\u00e3o mais considerados usuais. \u201cCome\u00e7ou a ficar n\u00e3o muito positivo falar cavalheiro e dama, porque eu poderia ter um par de meninas ou um par de meninos na turma de dan\u00e7a\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de ruptura com os estere\u00f3tipos definidos pelo tango tradicional \u00e9 o tango <em>queer<\/em>, modalidade frequentemente dan\u00e7ada em Buenos Aires, que permite que todas as pessoas assumam qualquer papel na dan\u00e7a. Marlise e Valentin acreditam nessas novas tend\u00eancias e relatam que fazem uso delas no ensino do tango. A dan\u00e7arina criou, inclusive, um projeto intitulado <em>Mulheres Condutoras no Tango<\/em>, no qual ensina \u00e0s alunas a arte de conduzir.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2-576x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15534\" width=\"454\" height=\"807\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2-576x1024.jpeg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2-768x1365.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2-864x1536.jpeg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/WhatsApp-Image-2024-08-14-at-23.51.32-2.jpeg 900w\" sizes=\"(max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>No samba, por outro lado, o debate de g\u00eanero ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o evolu\u00eddo. \u201cA gente tem o tango <em>queer<\/em>, mas a gente n\u00e3o tem o samba <em>queer<\/em>. \u00c9 menos comum a gente ver a quest\u00e3o do g\u00eanero no samba\u201d, avalia Daiane. A pesquisadora ressalta, no entanto, que a evolu\u00e7\u00e3o e o debate de g\u00eanero podem ocorrer de forma semelhante para qualquer dan\u00e7a: \u201cO caminho \u00e9 o mesmo: \u00e9 dan\u00e7ar em par, dan\u00e7ar a dois, dan\u00e7ar junto, dan\u00e7ar de forma social\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando essa din\u00e2mica \u00e9 compreendida, os dan\u00e7arinos conseguem, enfim, se conectar e dan\u00e7ar como se fossem uma mesma pessoa. \u201cE quando isso \u00e9 verdadeiro, o p\u00fablico tamb\u00e9m se conecta. Ent\u00e3o, a gente diz assim: \u2018na dan\u00e7a de sal\u00e3o, um mais um \u00e9 um\u2019, porque eu tenho que estar inteira, ele tem que estar inteiro para que o par esteja inteiro\u201d,&nbsp; afirma Marlise.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2>Baila comigo<\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Horizontal-1.mp4\"><\/video><figcaption>Entrevistados falam sobre dan\u00e7a em pares e import\u00e2ncia da troca entre os dan\u00e7arinos  | V\u00eddeo: Cibele Alexandre<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-12 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-11 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/corpo-tem-sotaque\/\"><strong>Corpo tem sotaque<\/strong>:<\/a> A dan\u00e7a afro carrega em seus movimentos corporais identidade, ancestralidade e senso de comunidade. 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