{"id":14643,"date":"2024-08-19T22:01:08","date_gmt":"2024-08-20T01:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=14643"},"modified":"2024-08-29T17:46:44","modified_gmt":"2024-08-29T20:46:44","slug":"falando-merda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/falando-merda\/","title":{"rendered":"Falando merda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/falando-merda.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>Aten\u00e7\u00e3o! Esta reportagem aborda um assunto delicado: o n\u00famero dois. A a\u00e7\u00e3o que o &#8220;dois&#8221; representa \u00e9 facilmente compreendida, por isso n\u00e3o seria necess\u00e1rio deix\u00e1-la expl\u00edcita. Mesmo assim, vamos dizer com todas as letras: estamos falando de coc\u00f4. Fezes, excremento, bosta, titica, caca. S\u00e3o muitos os apelidos que usamos como um c\u00f3digo secreto para falar de algo que todos n\u00f3s fazemos, mas que, por algum motivo, a maioria das pessoas n\u00e3o gosta de discutir abertamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema \u00e9 frequentemente ignorado, considerado desconfort\u00e1vel e embara\u00e7oso. Isso explica a popularidade do eufemismo &#8220;n\u00famero dois&#8221;, um dos nossos modos de suavizar um tema que, apesar de ser natural e inerente \u00e0 vida de quase todos os seres vivos, parece precisar ser transformado em algo mais leve.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredite ou n\u00e3o, a hist\u00f3ria por tr\u00e1s desse termo aparentemente simples n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvia. Os termos &#8220;n\u00famero um&#8221; e &#8220;n\u00famero dois&#8221; para se referir ao uso do banheiro s\u00e3o antigos e amplamente conhecidos. A explica\u00e7\u00e3o mais comum \u00e9 que &#8220;n\u00famero dois&#8221; (number two) rima com &#8220;poo&#8221; (coc\u00f4) em ingl\u00eas, tornando a associa\u00e7\u00e3o divertida e f\u00e1cil de lembrar. H\u00e1 tamb\u00e9m uma lenda urbana que esses termos surgiram em escolas, onde crian\u00e7as levantavam um ou dois dedos para indicar suas necessidades ou que o &#8220;n\u00famero dois&#8221; estava relacionado ao n\u00famero de descargas necess\u00e1rias: uma para urinar e duas para defecar. A origem exata \u00e9 incerta, mas a simplicidade e a sequ\u00eancia num\u00e9rica ajudaram na populariza\u00e7\u00e3o desses termos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXe7yEA5tH7qS-A2lyx_JNuOOBxAPNnwtYdSP-7_J-qaKuMWJUl-6WOYs9NXvjnasXOr17i_vXRRJf_M0yU3dWmUUGdKooyOi_iwywDLg1ZrFB0KtIJtZxbdXvcarzb3peXX_lNUbrAJCCL7-CBY724kx7MntuUq5iV3d1QamXwZ-7qhUi5B6DI?key=kJY3LKyngzWAHHBH9Znb3A\" alt=\"\"\/><figcaption>Defecar \u00e9 um processo&nbsp;natural, mas muitas vezes \u00e9 cercado por tabus e gera constrangimentos | Foto: Camila Mendes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2>De onde vem a vergonha?<\/h2>\n\n\n\n<p>Especialistas de diferentes \u00e1reas apontam v\u00e1rias raz\u00f5es para o tabu, que v\u00e3o desde quest\u00f5es culturais at\u00e9 aspectos psicol\u00f3gicos. Do ponto de vista cultural, a pureza espiritual est\u00e1 frequentemente associada \u00e0 limpeza f\u00edsica. Para muitos povos, a imagem e o odor de fezes, assim como a pr\u00f3pria men\u00e7\u00e3o ao assunto, podem simbolizar &#8220;sujeira e fedor&#8221; de energias e esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-rich is-provider-crowdsignal wp-block-embed-crowdsignal\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<script>var pd_tags = new Array;pd_tags[\"14238205-src\"]=\"poll-oembed-simple\";<\/script><script type=\"text\/javascript\" charset=\"utf-8\" src=\"https:\/\/secure.polldaddy.com\/p\/14238205.js\"><\/script><noscript><iframe title=\"Voc\u00ea sente desconforto ao falar sobre coc\u00f4 (fezes) em conversas?\" src=\"https:\/\/poll.fm\/14238205\/embed\" frameborder=\"0\" class=\"cs-iframe-embed\"><\/iframe><\/noscript>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 parte psicol\u00f3gica, o estigma em torno das fezes pode ser rastreado at\u00e9 em aspectos fundamentais do desenvolvimento humano, conforme descrito pelo pai da psican\u00e1lise, Sigmund Freud. Beb\u00eas, que ainda n\u00e3o possuem capacidade de reconhecer tabus sociais, atendem \u00e0s necessidades fisiol\u00f3gicas de forma natural e instintiva. Durante os primeiros anos, \u00e9 comum que as crian\u00e7as demonstrem curiosidade e at\u00e9 fasc\u00ednio por suas pr\u00f3prias fezes, sem sentir vergonha ou constrangimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14659\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG-1568x882.png 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/SaudeIntestinal_Ditto_Corpo_PNG.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, a avers\u00e3o ao tema pode surgir ainda durante a inf\u00e2ncia. \u00c9 o que explica a psicanalista ga\u00facha Juliana Marinho: &#8220;A maneira como os pais lidam com o desfralde pode criar estigmas em torno do coc\u00f4. Se os pais tratam as fezes como algo nojento, a crian\u00e7a pode internalizar essa percep\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo Juliana, isso acontece normalmente durante o desfralde, momento em que a naturalidade da crian\u00e7a com o tema pode entrar em conflito com as exig\u00eancias sociais de higiene. Algumas crian\u00e7as lidam bem com o processo, enquanto outras podem desenvolver nojo e dificuldades para realizar o ato. A abordagem tomada pelos pais tem um papel central no resultado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe o desfralde for traum\u00e1tico, a crian\u00e7a pode desenvolver problemas na vida adulta\u201d, alerta Juliana, que explica: &#8220;Se a crian\u00e7a cresce vendo o coc\u00f4 como algo nojento, isso pode gerar sentimentos de raiva e agressividade. Esses sentimentos ficam no inconsciente e influenciam o comportamento na vida adulta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2>Seu coc\u00f4 \u00e9 amigo?<\/h2>\n\n\n\n<p>Para ajudar o filho Elvis, de&nbsp; tr\u00eas anos, durante o desfralde, a cartunista ga\u00facha Mauren Veras criou o livro <em><a href=\"https:\/\/delas.ig.com.br\/filhos\/2018-03-01\/desfralde-coco-amigo.html\">Coc\u00f4 Amigo<\/a><\/em>. A artista percebeu uma escassez de recursos que abordassem o tema de forma leve e positiva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcOXxJOF9inb2Err3gAH5iy9CVNqTtDWweQPextAGglJUXK2RHtmOgbjqfXI1Es17WLkMDVGT8qKQV3QXqpz_CJtVg0_Bk-GeDhMhZzbNGQf4_agzeLtiRtNER7eHwgjNB1CZw3Hp38v5_vKDMFu9ers2m8-x8f_dfJBK7ARUyzWn6s7LDfbl0?key=kJY3LKyngzWAHHBH9Znb3A\" alt=\"\"\/><figcaption>Para facilitar a conversa, a cartunista Mauren Veras criou um livro em que o coc\u00f4 \u00e9 amigo do personagem principal, um menino de tr\u00eas anos, inspirado em seu filho | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cOs pr\u00f3prios pais, em tom de brincadeira, falam \u2018ai, que coc\u00f4 fedido\u2019. Isso j\u00e1 vai colocando uma trava na crian\u00e7a desde muito cedo\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, Mauren decidiu produzir um material que pudesse apoiar n\u00e3o apenas seu filho, mas tamb\u00e9m outras fam\u00edlias passando pela mesma fase. A hist\u00f3ria, compartilhada nas redes sociais, conquistou centenas de m\u00e3es e pais com uma abordagem divertida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO caminho \u00e9 ter essa naturaliza\u00e7\u00e3o do coc\u00f4\u201d <\/p><cite><strong>MAUREN VERAS<\/strong>, autora de <em>Coc\u00f4 Amigo<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mauren enfatiza o papel dos pais como modelos de comportamento e a import\u00e2ncia deles adotarem uma atitude positiva e descontra\u00edda em rela\u00e7\u00e3o ao assunto do coc\u00f4. \u201cO caminho \u00e9 ter essa naturaliza\u00e7\u00e3o do coc\u00f4. O desafio est\u00e1 na mudan\u00e7a da mentalidade dos pais \u2013 aproveite que \u00e9 uma coisa que a crian\u00e7a gosta, que acha engra\u00e7ado, para lidar com o assunto de forma mais aberta\u201d, explica a cartunista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva \u00e9 refor\u00e7ada pela compreens\u00e3o de que as crian\u00e7as aprendem mais com exemplos do que com palavras \u2013 n\u00e3o s\u00f3 em casa. A experi\u00eancia pessoal de Mauren durante o desfralde de seu filho influenciou n\u00e3o apenas a elabora\u00e7\u00e3o do livro, mas tamb\u00e9m incentivou a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de apoio m\u00fatuo entre pais e escola, valorizando uma abordagem l\u00fadica e positiva para aceitar esse aspecto natural do corpo humano.<\/p>\n\n\n\n<h2>Estigma que adoece<\/h2>\n\n\n\n<p>A relut\u00e2ncia em falar sobre fezes entre os adultos vai al\u00e9m do desconforto que o assunto pode causar e tem consequ\u00eancias reais para a sa\u00fade e o bem-estar. Quando se trata de sa\u00fade intestinal, a vergonha e a necessidade de enfeitar a conversa podem acabar ocultando informa\u00e7\u00f5es cruciais, e a falta de conhecimento sobre o tema pode levar sua sa\u00fade por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), <a href=\"https:\/\/www.saude.df.gov.br\/web\/guest\/w\/maio-roxo-promove-conscientiza%C3%A7%C3%A3o-e-visibilidade-das-doen%C3%A7as-inflamat%C3%B3rias-intestinais#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20Sociedade,para%20cada%20100%20mil%20habitantes.\">doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais (DIIs) afetam 100 a cada 100 mil habitantes no Brasil<\/a>. A doen\u00e7a de Crohn e a retocolite ulcerativa s\u00e3o as principais representantes das DIIs. Na regi\u00e3o sul, a concentra\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as \u00e9 ainda maior. \u201cO problema \u00e9 agravado no contexto da sociedade ga\u00facha, que possui tradi\u00e7\u00f5es machistas. \u00c9 dif\u00edcil para uma pessoa conservadora mostrar o \u00e2nus a um desconhecido e permitir ser examinado\u201d, explica o professor Paulo de Carvalho Contu, chefe do Servi\u00e7o de Coloproctologia do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre (HCPA). De acordo com o m\u00e9dico, o problema \u00e9 quase exclusivo dos adultos, que apresentam resist\u00eancia maior ao tema.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cO paciente busca ajuda m\u00e9dica s\u00f3 quando o inc\u00f4modo que os sintomas causam supera o constrangimento\u201d<\/p><cite><strong>PAULO DE CARVALHO CONTU<\/strong>, chefe do Servi\u00e7o de Coloproctologia do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Especialistas da SBCP estimam que cerca de 90% das pessoas afetadas n\u00e3o buscam orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica quando os primeiros sintomas surgem. A doen\u00e7a de Crohn habitualmente causa diarreia e c\u00f3lica abdominal, sintomas que podem facilmente ser ignorados e negligenciados pelos pacientes que preferem lidar com o inc\u00f4modo do que expor sua intimidade. Segundo o professor Contu, o pedido de ajuda costuma chegar apenas quando o quadro fica insustent\u00e1vel: \u201cO paciente busca ajuda m\u00e9dica s\u00f3 quando o inc\u00f4modo que os sintomas causam supera o constrangimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-slideshare wp-block-embed-slideshare\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Escala de Bristol - O que o formato do coc\u00f4 diz sobre a sua sa\u00fade\" src=\"https:\/\/www.slideshare.net\/slideshow\/embed_code\/key\/B5QuyZBGKVwqcQ\" width=\"427\" height=\"356\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" style=\"border:1px solid #CCC; border-width:1px; margin-bottom:5px; max-width: 100%;\" allowfullscreen> <\/iframe> <div style=\"margin-bottom:5px\"> <strong> <a href=\"https:\/\/pt.slideshare.net\/slideshow\/escala-de-bristol-o-que-o-formato-do-coco-diz-sobre-a-sua-saude\/271300516\" title=\"Escala de Bristol - O que o formato do coc\u00f4 diz sobre a sua sa\u00fade\" target=\"_blank\">Escala de Bristol &#8211; O que o formato do coc\u00f4 diz sobre a sua sa\u00fade<\/a> <\/strong> from <strong><a href=\"https:\/\/www.slideshare.net\/CarlosGriebler1\" target=\"_blank\">CarlosGriebler1<\/a><\/strong> <\/div>\n<\/div><figcaption>A Escala de Bristol ou Escala de fezes de Bristol \u00e9 uma escala m\u00e9dica destinada a classificar a forma das fezes humanas em sete categorias | Elabora\u00e7\u00e3o: Cadu Griebler<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Algumas pessoas com problemas intestinais, como a constipa\u00e7\u00e3o, ficam v\u00e1rios dias sem evacuar, mas normalmente acham que o motivo n\u00e3o \u00e9 suficiente para buscar ajuda m\u00e9dica. Entretanto, ignorar o problema pode ser um grande erro. \u201cEssa constipa\u00e7\u00e3o, se negligenciada, pode causar repercuss\u00f5es s\u00e9rias no \u00e2nus e levar ao desenvolvimento de doen\u00e7as\u201d, diz o professor do HCPA.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), o <a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/noticia\/maio-roxo-alerta-para-diagnostico-precoce-das-doencas-inflamatorias-intestinais\">diagn\u00f3stico r\u00e1pido \u00e9 primordial para iniciar o tratamento adequado precocemente<\/a>, evitando a piora do quadro e manifesta\u00e7\u00f5es mais graves.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdf3PKsUg_S_c7y-uXZsXmyEI-SoOCnzKEjpHRvkAupLot0MfTrJBoGIwrB1t_1Az2_JdAYl32zzs2T4GhhrsJ7QaLEfV-_iSnHs-JCvGwIHKuBJ-ypJX6iGbsLaWwhvdK6ZhSKWXUBJ1PxLG_voNliGK1t-mYDJnpRx5wJL2PnuJrNjjHbjg?key=kJY3LKyngzWAHHBH9Znb3A\" alt=\"\"\/><figcaption>Estima-se que&nbsp; uma em&nbsp; cada cinco pessoas no mundo sofra de dist\u00farbios gastrointestinais (DGIs), impactando significativamente sua qualidade de vida | Foto: Camila Mendes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O tabu em torno do coc\u00f4 pode n\u00e3o apenas impedir que a pessoa busque tratamento, mas tamb\u00e9m contribuir para o surgimento de problemas intestinais. Hoje, estima-se que <a href=\"https:\/\/www.hospitalsapiranga.com.br\/uma-em-cada-cinco-pessoas-sofre-de-problemas-de-saude-digestiva-mas-a-maioria-nao-busca-ajuda\/\">uma em&nbsp;cada cinco pessoas no mundo sofra de dist\u00farbios gastrointestinais<\/a> (DGIs), impactando significativamente sua qualidade de vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Contu afirma que a maioria das quest\u00f5es colo intestinais decorre de maus h\u00e1bitos alimentares e de defeca\u00e7\u00e3o \u2014 pr\u00e1ticas que a pessoa pode n\u00e3o perceber como incorretas, especialmente porque n\u00e3o \u00e9 comum trocar informa\u00e7\u00f5es sobre h\u00e1bitos de coc\u00f4 entre amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 essencial consultar um m\u00e9dico para verificar se seu intestino est\u00e1 funcionando corretamente. A consist\u00eancia do coc\u00f4, a frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es e o tempo que ficamos no vaso s\u00e3o indicadores importantes para avaliar a sa\u00fade intestinal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para superar o constrangimento, a abordagem transparente e a disposi\u00e7\u00e3o para discutir quest\u00f5es delicadas s\u00e3o passos importantes para garantir uma sa\u00fade intestinal \u00f3tima e um bem-estar geral. Um pouco de sinceridade e uma dose de bom humor podem transformar um desconforto em uma oportunidade para uma vida mais saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-paciencia-da-espera\/\">A paci\u00eancia da espera<\/a><\/strong>: Antes e depois de um transplante, o tempo \u00e9 pe\u00e7a-chave para quem quer viver. Encontrar um doador \u00e9 o ponto de partida para o transplantado se reencontrar ap\u00f3s a doa\u00e7\u00e3o<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/de-que-forma-a-desigualdade-se-reflete-na-mesa-dos-brasileiros\/\">Nunca vi, nem comi, eu s\u00f3 ou\u00e7o falar<\/a><\/strong>: Depois de conseguir sair do Mapa da Fome da ONU, o Brasil parece ter embarcado em um retrocesso sem fim, que faz com que a inseguran\u00e7a alimentar volte a bater recordes mesmo em um pa\u00eds que produz tantos alimentos<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aten\u00e7\u00e3o! Esta reportagem aborda um assunto delicado: o n\u00famero dois. A a\u00e7\u00e3o que o &#8220;dois&#8221; representa \u00e9 facilmente compreendida, por isso n\u00e3o seria necess\u00e1rio deix\u00e1-la expl\u00edcita. Mesmo assim, vamos dizer com todas as letras: estamos falando de coc\u00f4. Fezes, excremento, bosta, titica, caca. 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