{"id":1659,"date":"2021-05-14T09:11:35","date_gmt":"2021-05-14T12:11:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=1659"},"modified":"2021-11-22T13:47:46","modified_gmt":"2021-11-22T16:47:46","slug":"toca-um-techno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/","title":{"rendered":"Toca um Techno!"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">H\u00e1 pouco mais de um ano, a crise do coronav\u00edrus produziu uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as de maneira quase impositiva sobre a sociedade e, com certeza, irrevers\u00edveis. Aderimos \u00e0s m\u00e1scaras, ao distanciamento e, sobretudo, ao isolamento social. N\u00e3o de s\u00fabito, mas de forma paulatina, o recrudescimento da crise imp\u00f4s novos h\u00e1bitos \u00e0s vidas das pessoas em qualquer que seja sua esfera. Al\u00e9m disso, nos vimos diante da necessidade de refletir sobre a import\u00e2ncia da arte, do entretenimento e da cultura. Afinal, com o confinamento dentro de nossas casas, o que sobraria n\u00e3o fossem os filmes, livros e m\u00fasicas?<\/p>\n\n\n\n<p>Volta e meia, ap\u00f3s esbarrarmos entre uma parede e outra, nos enxergamos sentados diante de uma tela. Na verdade, nesses \u00faltimos meses, a rendi\u00e7\u00e3o para as telas tornou-se somente uma quest\u00e3o de tempo. E, assim, a repeti\u00e7\u00e3o desse ato tornou-se h\u00e1bito, e o h\u00e1bito, pela for\u00e7a das conven\u00e7\u00f5es sociais, fez-se costume \u2014 servi\u00e7os de <em>streaming<\/em> est\u00e3o substituindo os cinemas; as <em>lives<\/em>, substituindo os shows; e o consumo de m\u00fasica est\u00e1 em plena ascens\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/como-irao-funcionar-os-espetaculos-no-futuro-durante-e-apos-a-pandemia-de-covid-19\/\">Palcos virtuais<\/a>:<\/strong> como ser\u00e3o os shows e outros eventos ap\u00f3s a pandemia?<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Diante de tantas mudan\u00e7as, \u00e9 comum nos perguntarmos o que vai acontecer no futuro na \u00e1rea da cultura. As respostas para essa pergunta geralmente possuem um cunho especulativo, mas, no caso da m\u00fasica, o que tomamos por futuro j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo, e as respostas s\u00e3o menos abstratas e mais diretas. Ainda assim, se quisermos compreender tal quest\u00e3o, precisamos nos debru\u00e7ar nas tend\u00eancias de consumo e, tamb\u00e9m, analisar a produ\u00e7\u00e3o musical.<\/p>\n\n\n\n<h3><br><strong>Spotify e o Mood Economy<\/strong>&nbsp;<\/h3>\n\n\n\n<p>Atualmente, o maior servi\u00e7o de <em>streaming<\/em> de m\u00fasica do mundo \u00e9 o Spotify, que conta com mais de 50 milh\u00f5es de faixas em todo seu acervo. E n\u00e3o para por a\u00ed, segundo o CEO do Spotify, Daniel Ek, s\u00e3o adicionadas mais de 40 mil novas faixas ao servi\u00e7o de <em>streaming <\/em>todos os dias. Mas o que isso quer dizer? Do ponto de vista de quem consome, existe uma tend\u00eancia \u2014 se at\u00e9 2020 a busca por g\u00eaneros musicais era a predominante, atualmente 71,5% dos jovens <a href=\"https:\/\/www.flowcreativecore.com\/futuro\"><strong>entrevistados pela pesquisa da Flow Creative Core<\/strong><\/a> dizem que escolhem suas m\u00fasicas por <em>mood<\/em>, ou estado de esp\u00edrito. M\u00fasicas para animar e m\u00fasicas para relaxar s\u00e3o os <em>moods<\/em> mais escolhidos. Al\u00e9m disso, o pr\u00f3prio Spotify realizou <a href=\"https:\/\/www.flowcreativecore.com\/futuro\"><strong>um levantamento<\/strong><\/a> que mostra um aumento de 25% na busca por m\u00fasicas <em>mindfullness<\/em> e medita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia \u2014 o que coincide com um aumento na busca por produtos de yoga de 154%. Ou seja, esse \u00e9 um fen\u00f4meno que n\u00e3o se restringe somente \u00e0 m\u00fasica, que \u00e9 o <em>Mood Economy<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-1024x683.jpg\" alt=\"Legenda Foto:  PARA TODOS VEREM: Foto mostra um produtor musical em seu est\u00fadio de m\u00fasica, rodeado de controladoras midi, mesas e caixas de som.  \" class=\"wp-image-1677\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Os produtores musicais precisam se adaptar aos novos cen\u00e1rios que a tecnologia proporciona | Foto: Unsplash \/ Fabio Jesman<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 produ\u00e7\u00e3o musical, a resposta sobre o futuro&nbsp; requer mais cuidado. Isso porque nos deparamos com algumas quest\u00f5es t\u00e9cnicas que envolvem padronagem musical, masteriza\u00e7\u00e3o do som e requisitos comerciais. Nesse sentido, M\u00e1rio Arruda, que \u00e9 m\u00fasico, produtor musical e compositor da banda Superv\u00e3o, de S\u00e3o Leopoldo, al\u00e9m de doutorando na \u00e1rea de Cultura e Significa\u00e7\u00e3o, conta sobre esse processo: \u201cEntrar no Spotify n\u00e3o garante nada. Quem mais circula nessa plataforma \u00e9 quem consegue alcan\u00e7ar o padr\u00e3o musical dela e que tem uma sonoridade clara para os g\u00eaneros musicais existentes. O Spotify tem padr\u00f5es espec\u00edficos de masteriza\u00e7\u00e3o e playlists pr\u00f3prias calcadas em g\u00eaneros musicais. Quando algu\u00e9m submete uma m\u00fasica para a avalia\u00e7\u00e3o do Spotify, a primeira a\u00e7\u00e3o \u00e9 enquadrar a m\u00fasica em um g\u00eanero musical e em um <em>mood<\/em>. Com essas informa\u00e7\u00f5es, a m\u00fasica \u00e9 enviada para editores de playlists, que avaliam pl\u00e1stica e tecnicamente a can\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de escuta humana e de escuta computadorizada, podendo ou n\u00e3o adicion\u00e1-la nas playlists que administram\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>A desigualdade no mundo dos Streamings&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Ainda pelo ponto de vista do produtor, temos uma outra quest\u00e3o complexa: a desigualdade nos servi\u00e7os de <em>streaming<\/em>. Segundo <a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/pro\/news\/top-1-percent-streaming-1055005\/\"><strong>dados da empresa Alpha Data com a revista <em>Rolling Stone<\/em><\/strong><\/a>, apenas 1% dos artistas que est\u00e3o no Spotify s\u00e3o respons\u00e1veis por 90% das audi\u00e7\u00f5es. Esse n\u00famero nos faz pensar sobre as 40 mil faixas adicionadas todos os dias. Afinal, temos condi\u00e7\u00f5es diferentes de produ\u00e7\u00e3o musical. Segundo o professor de Produ\u00e7\u00e3o Fonogr\u00e1fica do Instituto Federal do Rio Grande do Sul&nbsp; (IFRS) Marcelo Bergamin Conter, a capta\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas podem ser feitas em casa, mas a masteriza\u00e7\u00e3o e mixagem precisam ser feitas geralmente em est\u00fadio profissional. \u201cO que \u00e9 necess\u00e1rio, pois alguns canais como Youtube e Spotify t\u00eam requisitos. Voc\u00ea pode mixar e masterizar em casa com uma boa qualidade, mas um profissional vai ser capaz de deixar a m\u00fasica soar bem nos diferentes canais.\u201d Dessa forma, de acordo com ele, os instrumentos ficam hierarquicamente organizados, e a m\u00fasica ir\u00e1 rodar de acordo com a est\u00e9tica atual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, grande parte dos artistas da cena independente da m\u00fasica ainda possuem certa dificuldade de obter visibilidade e acabam recorrendo a outros <em>streamings<\/em> que possuem mais chances de serem ouvidos. S\u00e3o aqueles em que encontramos a m\u00fasica independente, <em>underground<\/em> e experimental, como o Soundcloud e o Bandcamp. Outro debate que vem tomando cada vez mais corpo acerca da produ\u00e7\u00e3o musical \u00e9 quanto ao volume \u201csonoro\u201d das m\u00fasicas. <a href=\"https:\/\/blog.echonest.com\/post\/62248127937\/the-loudness-war-is-real-and-we-can-prove-it-with\"><strong>Um estudo realizado pela companhia Echo Nest<\/strong><\/a> baseado numa an\u00e1lise das cinco mil m\u00fasicas mais famosas que foram ao ar desde 1950 at\u00e9 2010 chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o volume cresceu 39% nos \u00faltimos 20 anos. Trata-se da <em>Loudness Wa<\/em>r, ou guerra do barulho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"923\" height=\"800\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-2-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1675\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-2-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI.jpeg 923w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-2-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-300x260.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-2-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-768x666.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 923px) 100vw, 923px\" \/><figcaption>Arte: N\u00edcolas Mollardi<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;O produtor fonogr\u00e1fico Valmor Pedretti, que assina seu trabalho como \u201cFu_k The Zeitgeist\u201d, concorda com a exist\u00eancia dessa guerra e explica como ela come\u00e7ou e o que tem sido feito para evitar seu avan\u00e7o: \u201cEssa escalada come\u00e7ou ali pela virada do mil\u00eanio, quando cada produtor tentava fazer com que sua m\u00fasica soasse mais alta no r\u00e1dio do que todas as outras, usando t\u00e9cnicas de compress\u00e3o. Isso foi achatando a varia\u00e7\u00e3o din\u00e2mica nas m\u00fasicas\u201d.&nbsp; Essa varia\u00e7\u00e3o \u00e9 a diferen\u00e7a de volume entre os pontos mais calmos e mais agitados de uma faixa. Isso&nbsp; resultou no estabelecimento de uma regulamenta\u00e7\u00e3o de <em>loudness<\/em>\u201d. Ou seja, de volumes adequados para as m\u00fasicas. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cHoje em dia, arquivos que s\u00e3o colocados no Youtube ou Spotify passam por uma avalia\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica autom\u00e1tica que for\u00e7a o volume pra baixo caso exceda o limiar determinado. J\u00e1 na televis\u00e3o, arquivos que excederem o padr\u00e3o determinado sequer s\u00e3o aceitos para veicular\u201d<\/p><cite> <strong>VALMOR PEDRETTI<\/strong>, produtor fonogr\u00e1fico<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h3><strong>A dicotomia: m\u00fasica comercial versus m\u00fasica independente<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com certeza, as possibilidades t\u00e9cnicas de se produzir m\u00fasica de maneira independente aumentaram, e, embora exista a quest\u00e3o da desigualdade na divulga\u00e7\u00e3o dessas m\u00fasicas, os produtores independentes parecem n\u00e3o recuar. Dessa forma, assinala-se para o debate sobre o futuro da m\u00fasica, a velha dicotomia entre a m\u00fasica comercial, em geral produzida nos grandes est\u00fadios, e a m\u00fasica independente ou <em>underground<\/em>. Enquanto uma se configura segundo seu grande potencial de alcance de audi\u00eancias, a outra tem grande import\u00e2ncia na experimenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o raro encontramos algumas cr\u00edticas pendendo para um ou outro polo. Contudo, faz-se necess\u00e1rio o comedimento e a pondera\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise dessa dicotomia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">leia mais<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/ate-onde-ira-a-expressao-da-alma\/\">At\u00e9 onde ir\u00e1 a express\u00e3o da alma<\/a>: <\/strong>como ser\u00e1 a nossa rela\u00e7\u00e3o com a arte depois da pandemia?<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>&nbsp;Nesse sentido, Gabriel Gobbi, artista e produtor fonogr\u00e1fico de Porto Alegre, fala da seguinte forma sobre essa dicotomia: \u201cUma coisa independe da outra, acho que n\u00e3o faz sentido. E precisamos separar a arte do <em>business<\/em> e entender que existem muitas m\u00fasicas boas que n\u00e3o viraram sucesso por causa de uma m\u00e1 promo\u00e7\u00e3o ou falta de projeto, e temos m\u00fasicas medianas que cederam milhares de d\u00f3lares por causa de boas estrat\u00e9gias de marketing e outras coisas que acompanham a m\u00fasica, como uma pessoa famosa que a canta, ou um clipe hil\u00e1rio\u201d. Ele diz que, nesse sentido, ainda h\u00e1 quem alimente o debate da m\u00fasica independente versus m\u00fasica comercial com a argumenta\u00e7\u00e3o de que existe uma homogeneiza\u00e7\u00e3o do discurso musical nas can\u00e7\u00f5es pop e de que elas estariam se tornando simples e iguais umas \u00e0s outras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Marcelo diz que esse tipo de argumenta\u00e7\u00e3o \u00e9 abomin\u00e1vel, mas acredita que o debate faz sentido, desde que sua proposta seja a do avan\u00e7o da m\u00fasica. Sobre o pop, o professor relata que o g\u00eanero acaba seguindo essa estrutura espec\u00edfica. \u201cE a riqueza do pop est\u00e1 na expans\u00e3o de timbres.\u201d Ainda no que diz respeito ao debate, Marcelo pontua o lugar de fala de cada polo da discuss\u00e3o: &#8220;O independente sempre foi um espa\u00e7o de vanguardas \u2014 Ramones, Nirvana, house, techno, raves, rock, blues e jazz. Quando o jazz surgiu, para os elitistas, se tratava de &#8216;m\u00fasica ligeira&#8217;, como Adorno [<em>fil\u00f3sofo e compositor alem\u00e3o<\/em>] chamava. A dicotomia podemos pensar da seguinte forma: o <em>mainstream<\/em> como aparelho de estado ideol\u00f3gico, e o independente, como revolucion\u00e1rio. Dessa forma, o capitalismo vai incorporar processos do<em> underground<\/em> e traduzir segundo seus termos. Como exemplo, o Nirvana surge numa casa <em>underground <\/em>e assina com um baita selo, e o <em>mainstream,<\/em> como aparelho de estado que \u00e9,&nbsp; incorpora isso pra ele\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-3-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1676\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-3-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-3-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-3-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Ilustracao-3-NICOLAS-JORGE-MOLLARDI.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: N\u00edcolas Mollardi<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nunca houve tanto espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o musical. Ao mesmo tempo, parece nunca ter havido tanta concorr\u00eancia tamb\u00e9m. Aos produtores que est\u00e3o entrando nesse mercado, s\u00e3o in\u00fameras as possibilidades t\u00e9cnicas, e uma audi\u00eancia volumosa com grande potencial de consumo futuro. Ainda assim, temos um novo imperativo, a necessidade de encaixar t\u00e9cnica e discursivamente as can\u00e7\u00f5es segundo os padr\u00f5es de cada <em>streaming<\/em>, pensando em quest\u00f5es como a narrativa musical e o<em> mood <\/em>ao qual ela pertence.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com as novas tecnologias do processo de produ\u00e7\u00e3o musical, os produtores precisam estar mais atentos aos processos t\u00e9cnicos da atividade<\/p>\n","protected":false},"author":31,"featured_media":1674,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[50,58,99,49,100,76],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O que saber antes de entrar no mercado de produ\u00e7\u00e3o musical &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Com as novas tecnologias do processo de produ\u00e7\u00e3o musical, os produtores precisam estar mais atentos aos processos t\u00e9cnicos da atividade\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Toca um Techno!\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Com as novas tecnologias do processo de produ\u00e7\u00e3o musical, os produtores precisam estar mais atentos aos processos t\u00e9cnicos da atividade\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Sextante\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-05-14T12:11:35+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-11-22T16:47:46+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Copia-de-jesman-fabio-1zwJqd5cNys-unsplash-scaled.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"2560\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1707\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Vitor Prado\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Vitor Prado\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"8 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\"},\"author\":{\"name\":\"Vitor Prado\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/1d399b4ed8adc5bbbc494e7c94be08ab\"},\"headline\":\"Toca um Techno!\",\"datePublished\":\"2021-05-14T12:11:35+00:00\",\"dateModified\":\"2021-11-22T16:47:46+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\"},\"wordCount\":1762,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization\"},\"keywords\":[\"futuro\",\"m\u00fasica\",\"produ\u00e7\u00e3o musical\",\"reportagem\",\"streaming\",\"tecnologia\"],\"articleSection\":[\"Sextante 56\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/toca-um-techno\/\",\"name\":\"O que saber antes de entrar no mercado de produ\u00e7\u00e3o musical &mdash; 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