{"id":16748,"date":"2024-12-17T09:41:55","date_gmt":"2024-12-17T12:41:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=16748"},"modified":"2024-12-17T09:41:56","modified_gmt":"2024-12-17T12:41:56","slug":"ecos-da-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/ecos-da-memoria\/","title":{"rendered":"Ecos da mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/MULTIMIDIA-SEXTANTE-Guilherme-e-Gustavo.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Noites de sono interrompidas por liga\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas em interfone, utens\u00edlios se movendo sozinhos, energia pesada e presen\u00e7a que se sente. Esse \u00e9 o passado e, de certa forma, o presente de Mariele Chassot, 25 anos, mestranda em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Nos dois apartamentos que j\u00e1 residiu em Porto Alegre \u2013 o atual no bairro Santana \u2013, acontecimentos inexplic\u00e1veis e sobrenaturais fizeram, e ainda fazem, parte do seu dia a dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mariele se mudou para o endere\u00e7o atual em mar\u00e7o de 2022 e diz que logo sentiu uma energia diferente no ambiente do novo lar, al\u00e9m de epis\u00f3dios em que toalhas ca\u00edam mesmo estando firmes em seus suportes e talheres se mexiam sozinhos enquanto ela cozinhava. Cerca de um m\u00eas depois, numa conversa, sua vizinha de porta revelou que o antigo morador havia morrido por overdose naquele apartamento. Mariele vive com a amiga Luciana e seu gato Zeca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA imobili\u00e1ria nunca nos avisou que algu\u00e9m teria morrido no nosso apartamento. Inicialmente fiquei com receio por uma experi\u00eancia anterior, que foi assustadora, mas com o tempo perdi o medo. Hoje em dia \u00e9 bem tranquilo, e algumas vezes at\u00e9 esque\u00e7o que temos companhia do al\u00e9m, pois j\u00e1 se tornou corriqueiro\u201d, conta Mariele.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17191\" width=\"774\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2.GustavoPinheiro-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 774px) 100vw, 774px\" \/><figcaption>Mariele j\u00e1 se acostumou com os eventos paranormais do seu cotidiano | Foto: Gustavo Pinheiro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>De acordo com a estudante, na sua antiga casa, as situa\u00e7\u00f5es eram mais extremas ainda. L\u00e1 havia portas batendo, micro-ondas ligando sozinho, al\u00e9m de barulhos altos, como de m\u00f3veis sendo arrastados e liga\u00e7\u00f5es de madrugada, vindos da resid\u00eancia de cima. Quando foi se queixar com o porteiro sobre os barulhos, ele lhe disse que o apartamento acima do dela estava vazio. Ningu\u00e9m morava ali desde que um idoso&nbsp; havia morrido dentro do lugar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mariele revela ter estrat\u00e9gias para ignorar os acontecimentos sobre-humanos. Como culpar Zeca pelos barulhos, mesmo que o gato n\u00e3o tenha acesso ao c\u00f4modo em que aconteceram. Al\u00e9m disso, desvendou a energia do apartamento em que vive com uma sess\u00e3o recente de limpeza de energia pessoal. Ela diz ter confirmado que o esp\u00edrito que habita seu lar n\u00e3o \u00e9 maligno, apenas ainda n\u00e3o est\u00e1 pronto para seguir em frente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Superando traumas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nem todos os casos s\u00e3o iguais ao de Mariele, que se adaptou e convive em harmonia num lar com fantasmas. Muitas pessoas n\u00e3o suportam as manifesta\u00e7\u00f5es e procuram ajuda, seja com sess\u00f5es de exorcismo ou com a limpeza energ\u00e9tica na casa. A <a href=\"https:\/\/www.tiktok.com\/@maeiaradeoxum\/video\/7340720495232322821\">iyalorix\u00e1<\/a> Gabriela D\u2019Aganj\u00fa, de 23 anos, atua com a segunda vertente. \u201cO primeiro passo \u00e9 identificar o que est\u00e1 causando a carga energ\u00e9tica negativa. \u00c9 comum que tenha mais de um agente. Para isso, recorremos ao jogo de b\u00fazios ou cartas. Atrav\u00e9s desses instrumentos, descobrimos as causas, as necessidades do ambiente e qual limpeza deve ser feita\u201d, garante. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16791\" width=\"565\" height=\"317\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal-1568x882.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4.arquivopessoal.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 565px) 100vw, 565px\" \/><figcaption>Jogo de b\u00fazios \u00e9 utilizado para entender as necessidades de cada lar | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ap\u00f3s o diagn\u00f3stico, \u00e9 feito o servi\u00e7o, que leva em torno de 40 minutos, dependendo do tamanho do local e da quantidade de c\u00f4modos. Em alguns casos, a limpeza precisa ser feita mais de uma vez ou periodicamente. Cansa\u00e7o maior ao chegar em casa, impress\u00e3o de ser observado, ver vultos, medo ao ficar sozinho e pesadelos frequentes s\u00e3o alguns dos sinais que indicam a necessidade do ritual de limpeza de um lar, segundo a iyalorix\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cCerta vez, limpando uma casa onde havia morrido uma pessoa, percebemos os animais extremamente agitados, pulando, se escondendo, latindo e miando\u201d<\/p><cite><strong>GABRIELA D&#8217;AGANJ\u00da<\/strong>, iyalorix\u00e1<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Naturalmente, por trabalhar diariamente com isso, Gabriela diz j\u00e1 ter presenciado cenas sobrenaturais em lares mal-assombrados. \u201cCerta vez, limpando uma casa onde havia morrido uma pessoa, percebemos os animais extremamente agitados, pulando, se escondendo, latindo e miando. O grupo que estava comigo avistou uma manifesta\u00e7\u00e3o, janelas bateram, portas se fecharam enquanto est\u00e1vamos limpando, e tamb\u00e9m ouvimos gritos\u201d, conta. Ela afirma que, ao fim da limpeza, os animais dormiram tranquilamente, e os moradores ficaram com um semblante aliviado.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3.arquivopessoal-752x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17081\" width=\"538\" height=\"733\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3.arquivopessoal-752x1024.jpg 752w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3.arquivopessoal-220x300.jpg 220w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3.arquivopessoal-768x1045.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3.arquivopessoal.jpg 1066w\" sizes=\"(max-width: 538px) 100vw, 538px\" \/><figcaption>A iyalorix\u00e1 Gabriela realiza limpezas energ\u00e9ticas nas casas das pessoas | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Ao falar sobre o impacto emocional e espiritual da pr\u00e1tica, Gabriela defende que, quando h\u00e1 envolvimento emocional, como, por exemplo, uma fam\u00edlia que perdeu seu patriarca ou matriarca e continua morando no mesmo local, o impacto das manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 bem maior, e a limpeza pode ajudar a fam\u00edlia a superar a perda. \u201cA sensa\u00e7\u00e3o de encaminhar a alma que pode estar presa ali normalmente ajuda as pessoas a seguirem em frente com a sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio e de dever cumprido\u201d, relata a iyalorix\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Uma perspectiva ps\u00edquica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos exorcismos e das limpezas energ\u00e9ticas do lar, h\u00e1 quem prefira buscar acompanhamento psicol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico para lidar com a ideia de viver num local mal-assombrado e tentar se acomodar no espa\u00e7o com epis\u00f3dios paranormais. <a href=\"https:\/\/www.emmanuelkanter.com.br\/\">Emmanuel Kanter<\/a>, psiquiatra especializado pela Funda\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria M\u00e1rio Martins, aponta que existem diferentes estrat\u00e9gias para tratar a situa\u00e7\u00e3o. Desde a abordagem comportamental, na qual se entra em contato com o ambiente de maneira progressiva, ficando mais tempo e buscando diminuir o desconforto, at\u00e9 a psican\u00e1lise, em que a pessoa entende qual o conflito inconsciente que est\u00e1 sendo representado pelo ambiente em que mora, como desaven\u00e7as familiares ou medo da morte.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001-725x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18059\" width=\"742\" height=\"1048\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001-725x1024.jpg 725w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001-212x300.jpg 212w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001-768x1085.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001-1087x1536.jpg 1087w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Documento-sem-titulo-3-1_page-0001.jpg 1242w\" sizes=\"(max-width: 742px) 100vw, 742px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Emmanuel tamb\u00e9m busca uma resposta mais cient\u00edfica para explicar tantos relatos de casas mal-assombradas ao redor do mundo. \u201cExiste um tipo de trauma descrito a partir das experi\u00eancias de pessoas que atenderam padres e similares, o chamado trauma vic\u00e1rio. Significa que podemos desenvolver respostas traum\u00e1ticas a partir de experi\u00eancias que n\u00e3o testemunhamos, mas apenas escutamos, lemos ou vimos na televis\u00e3o\u201d, explica o psiquiatra. \u201cTalvez a cren\u00e7a no sobrenatural maligno, no amaldi\u00e7oado, seja um tipo de trauma coletivo. Assim, quando um local \u00e9 dito como sendo um exemplar desse tipo de situa\u00e7\u00e3o, a resposta ocorre mesmo que nada estranho ocorra\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Emmanuel considera as viv\u00eancias e os sentimentos das pessoas que passam por esses epis\u00f3dios como manifesta\u00e7\u00f5es de estresse. Ele explica que a express\u00e3o ansiedade vem do alem\u00e3o <em>angst<\/em>, que significa temor, ou seja, medo. \u201cAssim, a resposta de ansiedade \u00e9 essencialmente uma resposta de medo. Se h\u00e1 um medo sobrenatural de alguma forma desse tipo de ambiente, com certeza vir\u00e1 a causar um tipo de resposta emocional, que vir\u00e1 de acordo com o&nbsp; hist\u00f3rico de aprendizado e temperamento de cada indiv\u00edduo.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"713\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ilustrae-mino-1024x713.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17194\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ilustrae-mino-1024x713.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ilustrae-mino-300x209.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ilustrae-mino-768x535.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ilustrae-mino.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Lorenzo Cuervo<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Fantasmas s\u00e3o a hist\u00f3ria<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mas, afinal, por que casas mal-assombradas e relatos sobrenaturais chamam tanto a aten\u00e7\u00e3o? O s\u00f3cio do Caf\u00e9 Mal-Assombrado POA, idealizador da caminhada <a href=\"https:\/\/www.portoalegremalassombrada.com.br\/\">Porto Alegre Mal-Assombrada<\/a> e m\u00fasico, Andr\u00e9 Neto, de 37 anos, defende que o fasc\u00ednio n\u00e3o come\u00e7ou agora. \u201cO primeiro conto de horror que se tem registro \u00e9 <em>O Castelo de Otranto, <\/em>o castelo como esse lar, um local de apego, de despedidas, um lugar onde as pessoas ficam presas\u201d, relata. A hist\u00f3ria foi escrita em 1764 pelo ingl\u00eas Horace Walpole.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Andr\u00e9 ainda compartilha uma mem\u00f3ria que tem da sua inf\u00e2ncia, perto da sua casa, no trajeto at\u00e9 a sua escola. Ele passava por uma casa verde antiga e sempre via uma senhora solit\u00e1ria na soleira da porta. Certa vez, passando por ali, falou para os&nbsp; amigos que aquela era uma casa mal-assombrada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEle j\u00e1 morreu, mas a cadeira ainda \u00e9 dele, mesmo morto ele ainda tem a posse, ele ainda est\u00e1 ali. Tem os seus pertences, seja cadeiras ou roupas, que ele n\u00e3o vai mais usar. De alguma forma, essa mem\u00f3ria \u00e9 o fantasma\u201d<\/p><cite><strong><strong>ANDR\u00c9 NETO<\/strong>, <\/strong>s\u00f3cio do Caf\u00e9 Mal-Assombrado POA<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u201cPassou duas horas, eu estava no recreio do col\u00e9gio e uma amiga veio correndo me contar que uma casa perto de onde eu morava era mal-assombrada, ent\u00e3o uma hist\u00f3ria que eu tinha rec\u00e9m-inventado j\u00e1 tinha se espalhado e chegado a mim novamente\u201d, conta Andr\u00e9. \u201cQuando eu olhava para aquela casa e para a velha, automaticamente, era como se eu acionasse&nbsp; um inconsciente coletivo: eu me remetia \u00e0 minha hist\u00f3ria, \u00e0 minha jornada, mesmo pequeno, sem saber ainda, sem ter vocabul\u00e1rio para definir aquilo. Eu percebia a decad\u00eancia, a finitude, o final\u201d, relembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17208\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1.GustavoPinheiro-1-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O ambiente do Caf\u00e9 Mal-Assombrado POA reproduz ares g\u00f3ticos e de mist\u00e9rio | Foto: Gustavo Pinheiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O m\u00fasico entende que a capital do Rio Grande do Sul \u00e9 um local prop\u00edcio para lugares mal-assombrados por conta do apego muito forte \u00e0 cidade desde sua funda\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas daqui s\u00e3o muito bairristas, entende? O apego \u00e0 casa, ao lar, ao meu ch\u00e3o, \u00e0 minha terra. O que \u00e9 meu \u00e9 meu, nesse local de apego. Onde as pessoas querem estar ali para sempre acaba tendo essas manifesta\u00e7\u00f5es de pessoas que morreram, mas n\u00e3o partiram.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para Andr\u00e9, fantasmas s\u00e3o mem\u00f3rias tanto de quem partiu como de quem ainda est\u00e1 neste plano. Havia na mesa da casa da sua av\u00f3 uma cadeira em que ele, ainda menino, sentava \u00e0s vezes, e ela brigava com ele por ser a cadeira do seu av\u00f4 \u2013 j\u00e1 falecido na \u00e9poca. \u201cEle j\u00e1 morreu, mas a cadeira ainda \u00e9 dele, mesmo morto ele ainda tem a posse, ele ainda est\u00e1 ali. Tem os seus pertences, seja cadeiras ou roupas, que ele n\u00e3o vai mais usar. De alguma forma, essa mem\u00f3ria \u00e9 o fantasma.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-dor-da-perda\/\">A dor da perda<\/a><\/strong> &#8211; Como as pessoas lidam com a aus\u00eancia gerada pela morte e com o medo de esquecer aqueles que partiram<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/profissao-encontrar-respostas\/\">Profiss\u00e3o: encontrar respostas<\/a><\/strong> &#8211; Ao contr\u00e1rio da fic\u00e7\u00e3o, especialistas que atuam na per\u00edcia enfrentam desafios maiores para ajudar a solucionar crimes<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noites de sono interrompidas por liga\u00e7\u00f5es est\u00e1ticas em interfone, utens\u00edlios se movendo sozinhos, energia pesada e presen\u00e7a que se sente. 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