{"id":16763,"date":"2024-12-17T09:38:14","date_gmt":"2024-12-17T12:38:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=16763"},"modified":"2024-12-23T16:55:11","modified_gmt":"2024-12-23T19:55:11","slug":"entre-aguas-e-raizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entre-aguas-e-raizes\/","title":{"rendered":"Entre \u00e1guas e ra\u00edzes"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/audio-reportagem-entre-aguas-e-raizes.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De um balde, em cima do trapiche de madeira que adentra o lago, Imaculada de Oliveira tira o lambari que iria dar de presente \u00e0 gar\u00e7a que estava \u00e0 espreita. No instinto de fugir e tentar voltar para a \u00e1gua, o peixe se debate e consegue se desvencilhar. Tentar voltar para casa n\u00e3o \u00e9 uma rotina s\u00f3 dos peixes nas ilhas que formam o bairro Arquip\u00e9lago de Porto Alegre, mas de muitos moradores, como Imaculada, que vive na Ilha Grande dos Marinheiros h\u00e1 mais de 30 anos. Ela j\u00e1 perdeu sua casa duas vezes, mas retornou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acostumados \u00e0s tempestades que enchem os rios e o lago Gua\u00edba, os mais de seis mil habitantes das ilhas do bairro nunca haviam visto uma enchente como a de maio de 2024, que destruiu casas, escolas e postos de sa\u00fade. \u201cSe tu falasse no ano passado <em>[2023]<\/em> que ia dar uma enchente maior que a de 1941, iriam mandar te internar\u201d, relata Valter Bastos, que vive h\u00e1 50 anos na ilha da Pintada. Muitos ainda n\u00e3o conseguiram voltar; outros voltaram \u00e0s mesmas casas, agora ainda mais precarizadas, que submergiram nas \u00e1guas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Concei\u00e7\u00e3o e sua gar\u00e7a\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sCuz0iGB2UI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Concei\u00e7\u00e3o mostra como costuma alimentar sua parceira, a gar\u00e7a<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"Muitos_rios_e_um_lago\"><strong>Muitos rios e um lago<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma delimita\u00e7\u00e3o formal como bairro n\u00e3o \u00e9 suficiente para descrever o local e a identidade de quem vive nas por\u00e7\u00f5es de terra que se erguem do lago Gua\u00edba. Formado pelas \u00e1guas dos rios Gravata\u00ed, Jacu\u00ed, Ca\u00ed e Sinos, o Gua\u00edba \u00e9 t\u00e3o complexo que se comporta ora como lago, ora como um rio. Sua imensid\u00e3o de 496 quil\u00f4metros quadrados drena um ter\u00e7o de todas as \u00e1guas do territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os moradores, o que importa \u00e9 em qual das ilhas voc\u00ea mora, como se cada uma tivesse seu pr\u00f3prio gent\u00edlico. Por l\u00e1, al\u00e9m das esta\u00e7\u00f5es do ano, \u00e9 o regime das \u00e1guas que demarca a passagem do tempo. A conviv\u00eancia com o lago sujeito a cheias faz os moradores classificarem o bairro como um misto de para\u00edso com tempestade, em que as perdas materiais s\u00e3o uma possibilidade constante. Entre setembro de 2023 e maio de 2024, as ilhas foram mais \u201ctempestade\u201d: ocorreram&nbsp; tr\u00eas enchentes no per\u00edodo, que alagaram as casas de Imaculada e Valter. A Porto Alegre metropolitana n\u00e3o enxergou o que ocorria no bairro insular. Al\u00e9m de ser uma conten\u00e7\u00e3o contra cheias, o Muro da Mau\u00e1, localizado no Centro, simboliza tamb\u00e9m a separa\u00e7\u00e3o que a cidade tem das ilhas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O solo arenoso e \u00famido da regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apropriado para a constru\u00e7\u00e3o civil e dificulta o surgimento de vegeta\u00e7\u00e3o. Ainda assim, parece oferecer as condi\u00e7\u00f5es ideais para o enraizamento de quem por l\u00e1 ousa se estabelecer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16891\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4_Thiago-Soria-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A nova ponte do Gua\u00edba liga Porto Alegre \u00e0 regi\u00e3o das ilhas | Foto: Thiago S\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"Peixe_fora_d\u2019\u00e1gua_e_p\u00e1ssaro_na_gaiola\">Peixe fora d\u2019\u00e1gua e p\u00e1ssaro na gaiola<\/h2>\n\n\n\n<p>Moradores do mesmo bairro, mas separados por dez quil\u00f4metros, Imaculada, de 57 anos, e Valter, de 72, n\u00e3o se conhecem, mas dividem experi\u00eancias e sentimentos como se fossem vizinhos de porta. O contato com a natureza, a rela\u00e7\u00e3o com a pesca e os la\u00e7os criados na comunidade s\u00e3o alguns dos argumentos compartilhados que embasam o amor pelas ilhas. \u201c\u00c9 para\u00edso\u201d. Assim ambos respondem quando perguntados sobre como \u00e9 viver por l\u00e1. Sobre sair do local, rapidamente dizem n\u00e3o, pois \u00e9 onde se identificam.<\/p>\n\n\n\n<p>Instigados a refletir sobre o porqu\u00ea de tamanho apego, os dois parecem combinar at\u00e9 mesmo as met\u00e1foras, trazendo o exemplo de animais e seus habitats. \u201cComo \u00e9 que eu vou tirar um peixe de um rio e colocar em uma po\u00e7a de \u00e1gua? Ele vai morrer, sabe?\u201d, compara Imaculada. Valter relaciona sua decis\u00e3o com uma ave adaptada ao viveiro. \u201c\u00c9 que nem passarinho, tu deixa ele preso dez, 20 anos na gaiola. Tu solta e ele fica na volta. Est\u00e3o todas as ra\u00edzes aqui.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p> \u201cN\u00e3o \u00e9 a parede que produz um lar e um sujeito. O que produz um lar s\u00e3o essas constru\u00e7\u00f5es coletivas comunit\u00e1rias\u201d<\/p><cite><strong>CAROLINA DOS REIS<\/strong>, psic\u00f3loga e professora da UFRGS<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a esse elo vital, Imaculada usa o exemplo de vizinhos idosos que tiveram de deixar a regi\u00e3o e acabaram falecendo, mas que poderiam viver muito mais se tivessem permanecido, como uma flor que n\u00e3o se adapta ao novo vaso e perece. Sabendo da import\u00e2ncia de suas ra\u00edzes, Gecy d\u2019\u00c1vila, sogra de Valter, n\u00e3o abriu m\u00e3o de retornar para sua casinha na beira do lago aos 89 anos. T\u00e3o logo p\u00f4de, fez quest\u00e3o de voltar para sua fam\u00edlia, rotina e vizinhan\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16883\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-2048x1153.jpeg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3_Eduardo-Ely-1568x882.jpeg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Sogra de Walter, Gecy, de 89 anos, n\u00e3o abriu m\u00e3o de voltar para sua casa depois da enchente | Foto: Eduardo Ely<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Carolina dos Reis, professora no Departamento de Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a cidade \u00e9 respons\u00e1vel por produzir subjetividades e modos de viver que, no caso da ilha, s\u00e3o marcados por redes de apoio. \u201cN\u00e3o \u00e9 a parede que produz um lar e um sujeito. O que produz um lar s\u00e3o essas constru\u00e7\u00f5es coletivas comunit\u00e1rias.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Um tabo\u00e3o em cima do outro forma a rampa de entrada da casa de madeira de Imaculada, firmada sob palanques a uma altura consider\u00e1vel do ch\u00e3o. Dentro, os utens\u00edlios est\u00e3o erguidos. Na \u00e9poca de chuva, espera-se que a \u00e1gua suba em algum momento. \u00c0 frente, uma bela vista, um barco e uma cadeira para admirar a paisagem e pescar. \u201cLar \u00e9 ter onde morar. \u00c9 poder morar dignamente, porque eu moro dignamente, gra\u00e7as a Deus, eu tenho a minha casa, ent\u00e3o isso eu chamo de lar, sabe?\u201d, reflete ela, que nasceu ribeirinha no Amazonas e se mudou para a ilha dos Marinheiros no fim da d\u00e9cada de 1980. <\/p>\n\n\n\n<p>A simplicidade n\u00e3o dispensa conforto. Com televis\u00e3o, internet e luz, a moradora consegue ficar tranquila em seu quarto quando o clima n\u00e3o a deixa aproveitar a natureza. Por\u00e9m, o lugar que mais a faz se sentir em casa, curiosamente, \u00e9 fora dela. A beira do Gua\u00edba \u00e9 o lar de Imaculada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16830\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2_Thiago-Soria-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Imaculada improvisou uma rampa elevada para manter o acesso \u00e0 casa mesmo com cheias | Foto: Thiago S\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"Depois_da_tempestade\"><strong>Depois da tempestade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Historicamente, a regi\u00e3o das ilhas \u00e9 marcada por enchentes. Apesar disso, os moradores nunca tinham presenciado uma como a de maio de 2024. Eles exercitam uma ant\u00edtese entre o apego e o desapego, por vezes abrindo m\u00e3o de bens, mas nunca da morada na ilha. \u201cTeve uma vez que eu disse que eu gostava mais das minhas plantas do que da minha pr\u00f3pria casa. E a gente perdeu at\u00e9 as plantas na enchente. Mas nada que n\u00e3o se reconstrua. Se a gente est\u00e1 vivo, o material a gente rep\u00f5e\u201d, desabafa Imaculada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que muitas das infraestruturas a comunidade n\u00e3o consegue recuperar sozinha. Na Ilha dos Marinheiros, por exemplo, a \u00fanica Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) est\u00e1 fechada. O acesso aos servi\u00e7os de \u00e1gua e luz s\u00e3o parciais. A pr\u00f3pria cota de inunda\u00e7\u00e3o da cidade de Porto Alegre desconsidera as ilhas: a medi\u00e7\u00e3o de alerta se inicia em dois metros e meio, mas a partir de dois metros a \u00e1gua j\u00e1 avan\u00e7a sobre o bairro Arquip\u00e9lago. Com a destrui\u00e7\u00e3o causada pela enchente hist\u00f3rica de maio, o contexto de precariedade e de risco aumentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O governo federal concedeu aos atingidos o direito de realizar uma compra assistida pela Caixa Econ\u00f4mica Federal. Pelo programa, os moradores podem adquirir um novo im\u00f3vel at\u00e9 200 mil reais, mas longe das \u00e1reas alag\u00e1veis. Foram divulgadas tr\u00eas listas de beneficiados entre setembro e outubro de 2024, mas a presen\u00e7a de interessados foi baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>O urbanista, arquiteto e ativista Leonardo Brawl defende que outra solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel seria a de investir em melhores tecnologias para as casas dos moradores, como palafitas mais altas e seguras, o que sairia mais barato do que a compra de um im\u00f3vel novo. \u201cOs moradores sabem como \u00e9 o seu dia a dia e quais s\u00e3o as necessidades mais urgentes\u201d, diz. A professora Carolina concorda. Segundo ela, quando se trata das pol\u00edticas de habita\u00e7\u00e3o de uma cidade, \u00e9 preciso pensar tamb\u00e9m em subjetividades. As op\u00e7\u00f5es dadas aos moradores n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o o jeito que eles sabem \u2013 e querem \u2013 viver. \u00c9 a constru\u00e7\u00e3o de um modo de vida que precisa ser minimamente preservado no novo local, o que n\u00e3o \u00e9 garantido pela compra assistida e explica a baixa ades\u00e3o ao programa. \u201cModifica tudo na vida da pessoa. \u00c9 o vizinho, \u00e9 o amigo, \u00e9 o colega, \u00e9 o transporte\u201d, acrescenta Valter.<\/p>\n\n\n\n<p>No imagin\u00e1rio popular, ilha \u00e9 pensada como um local de passagens breves, como f\u00e9rias e viagens, ou for\u00e7adas, como pris\u00f5es ou naufr\u00e1gios. Para os moradores das ilhas de Porto Alegre, ela \u00e9 um lar definitivo. Nem rural, nem urbano, insular. Assim se forma uma identidade informal para quem v\u00ea de fora, mas natural para quem l\u00e1 est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\">\n<h2 id=\"LEIA_MAIS\">LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/vitimas-do-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>V\u00edtimas do clima:<\/strong><\/a> Para as comunidades que carecem de direitos b\u00e1sicos, eventos extremos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se tornam um novo fator para o aumento da desigualdade<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-despertar-para-uma-ancestral-forma-de-ser-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>O despertar para uma ancestral forma de ser brasileiro:<\/strong><\/a> Cultura Mbya Guarani, preservada na aldeia ind\u00edgena Teko\u00e1 Anhetengu\u00e1, \u00e9 compartilhada com a cidade que cresce ao seu redor<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores do Bairro Arquip\u00e9lago em Porto Alegre enfrentam desafios di\u00e1rios para morarem nas ilhas, e a \u00e1gua do lago Gua\u00edba \u00e9 elemento central em suas vidas<\/p>\n","protected":false},"author":186,"featured_media":17453,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[386],"tags":[399,400,233],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Bairro Arquip\u00e9lago de Porto Alegre: enchentes hist\u00f3ricas e a resist\u00eancia dos moradores &mdash; 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