{"id":16768,"date":"2024-12-17T09:44:32","date_gmt":"2024-12-17T12:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=16768"},"modified":"2024-12-17T09:44:33","modified_gmt":"2024-12-17T12:44:33","slug":"a-cor-da-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-cor-da-esperanca\/","title":{"rendered":"A cor da esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Reportagem-A-cor-da-esperanca-em-audio.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As casas de duas vizinhas que moram uma na frente da outra, na Vila dos Ferrovi\u00e1rios, em Porto Alegre, sempre tiveram em comum o fato de serem verdes. Tha\u00eds Ferreira Silva, de 34 anos, e Ana Paula Teixeira, de 44, tamb\u00e9m compartilham uma mesma hist\u00f3ria: precisaram sair de suas casas \u00e0s pressas em maio de 2024, pela primeira vez em suas vidas, devido \u00e0 maior enchente da hist\u00f3ria da cidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O bairro Humait\u00e1, onde a vila em que moram fica localizada, foi inundado. A reconstru\u00e7\u00e3o de seus lares, no entanto, n\u00e3o est\u00e1 ocorrendo no mesmo ritmo. Enquanto Tha\u00eds teve sua casa pintada novamente de verde pelo projeto Colorindo Vidas, da ONG Mistura\u00ed, Ana Paula ainda aguarda para apagar as marcas da \u00e1gua em seu lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Tha\u00eds \u00e9 estudante de publicidade e mora junto com a m\u00e3e, o pai e a av\u00f3. &#8220;Veio com tudo a \u00e1gua quando arrebentou o dique. Meu pai saiu daqui com a \u00e1gua batendo na canela&#8221;, conta a estudante. Ana Paula, diarista, dona da outra casa verde, mora com seu marido e sua filha, Isabelly. Para proteger a menina, que tem medo de chuva, Ana n\u00e3o esperou a \u00e1gua subir. Saiu de casa assim que recebeu a not\u00edcia de que outros bairros na zona norte da cidade estavam alagando. As vizinhas passaram mais de dois meses fora de casa, abrigadas por parentes e amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cEu gosto daqui porque \u00e9 tudo perto e eu conhe\u00e7o bastante gente, todo mundo se ajuda&#8221;<\/p><cite><strong>Tha\u00eds Ferreira<\/strong>, moradora da Vila dos Ferrovi\u00e1rios<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Segundo dados da <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/inundacoes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade<\/a>, o Humait\u00e1 foi o quarto bairro mais afetado pela enchente. Ao todo, 12.617 pessoas e 1.377 edifica\u00e7\u00f5es foram atingidas pelos 461 mil\u00edmetros de chuva do m\u00eas de maio. Na Vila dos Ferrovi\u00e1rios, todas as 186 resid\u00eancias ficaram embaixo d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de infraestrutura e os estragos que a enchente provocou na vila ainda s\u00e3o percept\u00edveis. Na comunidade, formada por duas longas ruas, \u00e9 vis\u00edvel o ac\u00famulo de lixo, bueiros entupidos, falta de pavimenta\u00e7\u00e3o e casas que perderam a cor. Mesmo com todos os preju\u00edzos, Tha\u00eds mant\u00e9m o carinho pelo bairro: \u201cEu gosto daqui porque \u00e9 tudo perto e eu conhe\u00e7o bastante gente, todo mundo se ajuda&#8221;. Agora, a comunidade tenta se reerguer com o aux\u00edlio de doa\u00e7\u00f5es e de projetos sociais.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>As duas casas&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Quando Tha\u00eds e Ana Paula puderam finalmente voltar para seus lares depois da enchente, o que encontraram foi um cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o. \u201cEstava tudo revirado. Uma cadeira que estava na cozinha foi parar no quarto da minha av\u00f3\u201d, relembra Tha\u00eds. As paredes ficaram todas marcadas pela \u00e1gua, como uma lembran\u00e7a da trag\u00e9dia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Paula tamb\u00e9m lamentou ver sua casa destru\u00edda, e agora verde n\u00e3o apenas pela cor da tinta das paredes, mas pelo mofo persistente ap\u00f3s tanta umidade. Sua maior dor foi ver que todos os seus pertences, e at\u00e9 mesmo os brinquedos da filha, j\u00e1 n\u00e3o tinham mais salva\u00e7\u00e3o. &#8220;Aquela \u00e1gua podre, fedida. A \u00fanica coisa que sobrou foi esse patinete&#8221;, relata, enquanto a filha pede pelo brinquedo. O patinete foi salvo porque ficou em cima de um colch\u00e3o, que boiou na \u00e1gua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1702\" data-id=\"16977\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16977\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0191-1568x1043.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1702\" data-id=\"16979\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16979\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0202-1568x1043.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1702\" data-id=\"16983\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16983\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0214-1568x1043.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"2560\" height=\"1702\" data-id=\"16984\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-scaled.jpg\" alt=\"Foto da fachada da casa de Ana Paula, com a tinta descascada, ap\u00f3s a enchente que atingiu a Vila dos Ferrovi\u00e1rios\" class=\"wp-image-16984\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0258-1568x1043.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">A casa de Ana Paula foi uma das muitas afetadas no bairro Humait\u00e1 | Fotos: Giulia Moreira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Cores que ressignificam&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com o objetivo de apagar as mem\u00f3rias f\u00edsicas da enchente nos lares do Humait\u00e1, o projeto Colorindo Vidas, da ONG Mistura\u00ed, promoveu mutir\u00f5es para pintar 150 casas at\u00e9 o Natal de 2024. A a\u00e7\u00e3o iniciou no dia 19 de outubro na Vila dos Ferrovi\u00e1rios, e a casa de Tha\u00eds foi uma das beneficiadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia da estudante recebeu tintas, materiais de pintura e o esfor\u00e7o de volunt\u00e1rios para recolorir seu lar. &#8220;Vai ser bom para recome\u00e7ar, a gente est\u00e1 vendo a casa nova, uma pintura nova, uma hist\u00f3ria nova, ent\u00e3o vai ser bem importante para gente&#8221;, afirma Tha\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de Mara Nunes, presidente da Mistura\u00ed, a pintura das casas \u00e9 essencial. \u201cQuando tu entra em casa, depois de ter passado por isso, ver a marca da \u00e1gua sempre vai te lembrar disso.&nbsp; Ent\u00e3o pensamos em colorir as casas, tanto por fora quanto por dentro\u201d, explica. Para isso, a ONG recebeu 500 mil reais dos recursos arrecadados no festival <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/salveosul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Salve o Sul<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A Mistura\u00ed teve o apoio da Associa\u00e7\u00e3o Beneficente Cultural e Esportiva dos Ferrovi\u00e1rios (ABCEFer) para mapear as casas beneficiadas. A institui\u00e7\u00e3o realizou um sorteio entre os moradores cadastrados ap\u00f3s a enchente em quatro comunidades no Humait\u00e1: Vila dos Ferrovi\u00e1rios, Vila Arco \u00cdris, Vila Santo Ant\u00f4nio e Vila Campos Verdes. Aproximadamente 80 das 186 casas da Vila dos Ferrovi\u00e1rios foram contempladas. Ao todo, a a\u00e7\u00e3o conseguiu atender 150 casas, o que significa 11% das edifica\u00e7\u00f5es afetadas pela enchente no bairro Humait\u00e1. Mara entende que este \u00e9 apenas o come\u00e7o: \u201cAcredito que muita gente vai nos procurar para pintar o restante das casas, e s\u00e3o muitas. Mas o pontap\u00e9 inicial s\u00e3o essas 150\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a casa de Tha\u00eds foi renovada com tinta verde, do outro lado da rua, Ana Paula n\u00e3o foi contemplada pelo projeto Colorindo Vidas. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil lembrar que tu trabalhou, lutou e de repente tu perdeu tudo. Eu tinha um carro, n\u00e3o est\u00e1 mais aqui. Ou eu arrumava meu carro ou minha casa, e minha prioridade \u00e9 a casa. \u00c9 tirar essas marcas feias das paredes, pela minha filha, porque ela olha e relembra.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><strong>&nbsp;<\/strong>\u201cA gente n\u00e3o pode achar que as ONGs v\u00e3o resolver um problema que \u00e9 estrutural. A sociedade civil \u00e9 um apoio\u201d&nbsp;<\/p><cite><strong>Karla Moroso<\/strong>, mestre em Arquitetura e Urbanismo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>De fato, dentro da casa de Ana Paula, ainda \u00e9 poss\u00edvel ver as marcas da enchente: na fechadura do banheiro, na parede da sala e no quarto de Isabelly. Apesar de ter recebido doa\u00e7\u00f5es, ela segue reconstruindo seu lar, tendo como prioridade as necessidades da filha. \u201cEstou at\u00e9 hoje sem TV. Ela pede para assistir, mas eu preciso de um aparelho que eu n\u00e3o tenho\u201d, diz Ana Paula. Isabelly tamb\u00e9m tem na ponta da l\u00edngua o que ainda falta em seu quarto: \u201cUm roupeiro\u201d, afirma a menina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/audio-Isabelly-roupeiro.mp3\"><\/audio><figcaption>Isabelly ainda precisa de um roupeiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c1lvaro Pedrotti, arquiteto e urbanista que participou da montagem da primeira Secretaria Especial de Habita\u00e7\u00e3o do Governo do Estado do RS, explica que, historicamente, s\u00e3o sempre os mesmos moradores que sofrem com as enchentes. &#8220;As partes baixas e mais suscet\u00edveis a alagamentos geralmente s\u00e3o ocupadas pela popula\u00e7\u00e3o menos favorecida, normalmente s\u00e3o lotes mais baratos. Esses bairros sofreram demais com a enchente de maio.\u201d Ou seja, as fam\u00edlias mais atingidas s\u00e3o justamente as que t\u00eam menos recursos para reconstruir seus lares.<\/p>\n\n\n\n<p>A arquiteta e urbanista Karla Moroso, mestre em planejamento urbano e regional, entende que, em um contexto de desigualdade social, o Estado tem papel fundamental na garantia dos direitos dessas comunidades. \u201cA gente n\u00e3o pode achar que as ONGs v\u00e3o resolver um problema que \u00e9 estrutural. A sociedade civil \u00e9 um apoio\u201d, diz a arquiteta. Para Mara, presidente da Mistura\u00ed, o poder p\u00fablico falha no seu papel. \u201c\u00c0s vezes n\u00e3o sei se o governo se faz de cego ou se [<em>acha que<\/em>] as pessoas s\u00e3o invis\u00edveis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Um novo distrito para quem?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O Humait\u00e1 \u00e9 um dos cinco bairros que fazem parte do 4\u00ba Distrito de Porto Alegre. Nos \u00faltimos anos, a regi\u00e3o se tornou a joia da coroa da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria da cidade. Em 2022, a prefeitura de Porto Alegre, sob a administra\u00e7\u00e3o do prefeito agora reeleito Sebasti\u00e3o Melo (MDB), aprovou um novo plano diretor para a \u00e1rea, o <em><a href=\"https:\/\/legislacao.portoalegre.rs.gov.br\/norma\/44398\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa +4D de Regenera\u00e7\u00e3o Urbana<\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17111\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC_0145-1568x1043.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>As marcas da enchente ainda persistem nos muros da Vila dos Ferrovi\u00e1rios | Foto: Giulia Moreira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O programa permite a utiliza\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico para a pintura de fachadas de pr\u00e9dios abandonados e de im\u00f3veis particulares de \u201crelevante interesse para recupera\u00e7\u00e3o da paisagem&#8221;. Tamb\u00e9m define como prioridade a melhoria do sistema de drenagem urbana e a recupera\u00e7\u00e3o da infraestrutura de conten\u00e7\u00e3o de cheias, que falhou na enchente de maio de 2024. Ana Paula, que ainda est\u00e1 com sua casa deteriorada, tem cr\u00edticas \u00e0 forma como essa verba vem sendo aplicada na regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o adianta vir com\u00e9rcio. Botam isso, aquilo, mas a infraestrutura do bairro n\u00e3o \u00e9 mexida em nada&#8221;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o arquiteto \u00c1lvaro, o aumento da qualidade de vida depende da forma como os investimentos s\u00e3o planejados. \u201cNuma comunidade carente, a conquista da coloca\u00e7\u00e3o de uma rede de \u00e1gua pot\u00e1vel formal, ou de uma pra\u00e7a infantil, ou da pavimenta\u00e7\u00e3o de uma rua, refor\u00e7a o senso de comunidade e produz uma enorme autoestima\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Quando eu n\u00e3o estiver mais aqui&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Tha\u00eds explica a escolha da cor verde para sua casa: &#8220;Meu pai achou uma cor bonita, sabe? Esperan\u00e7a. Ele gosta, foi ele que pintou a maior parte da casa&#8221;. A estudante relembra tamb\u00e9m que, em seu quarto, duas paredes eram pintadas de lil\u00e1s, sua cor favorita, agora cobertas pelo branco de uma nova hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Paula agradece pelas doa\u00e7\u00f5es que est\u00e1 recebendo:&nbsp; \u201cTudo que eu tenho dentro da minha casa eu ganhei&#8221;. Seu desejo \u00e9 que Isabelly possa presenciar transforma\u00e7\u00f5es efetivas na Vila dos Ferrovi\u00e1rios. \u201cSe eu n\u00e3o estiver mais aqui, que ela tenha essa melhoria, n\u00e3o passe pelo que passei desde pequena vendo as ruas alagarem\u201d, diz ela, que ainda tem esperan\u00e7a de apagar as marcas da enchente no verde da sua casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/protesto-nas-paredes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Protesto nas Paredes:<\/a><\/strong> Luzes de projetores se unem aos protestos durante a pandemia<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-refugio-residencial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ref\u00fagio Residencial:<\/a><\/strong> Empresas e poder p\u00fablico come\u00e7am a investir em moradias para idosos que buscam viver de forma independente<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As casas de duas vizinhas que moram uma na frente da outra, na Vila dos Ferrovi\u00e1rios, em Porto Alegre, sempre tiveram em comum o fato de serem verdes. 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