{"id":16774,"date":"2024-12-17T09:35:03","date_gmt":"2024-12-17T12:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=16774"},"modified":"2025-10-28T10:41:13","modified_gmt":"2025-10-28T13:41:13","slug":"decididas-a-transformar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/decididas-a-transformar\/","title":{"rendered":"Decididas a transformar"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/SEXTANTE_Fabiana.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Foi aos nove anos que Creuza Maria Oliveira, hoje com 67, come\u00e7ou a cuidar da casa dos outros. Ap\u00f3s a morte do pai, sua m\u00e3e permitiu que ela fosse da zona rural para Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, cidade do rec\u00f4ncavo baiano, para ser criada por uma fam\u00edlia abastada. \u201cAquela hist\u00f3ria que o pessoal ia no interior, pegava uma menina, especialmente as negras, dizendo que ia criar e botar na escola\u201d, lembra Creuza.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O trabalho dom\u00e9stico e de cuidados n\u00e3o remunerado foi realizado durante o que restou de sua inf\u00e2ncia e por toda a adolesc\u00eancia. S\u00f3 aos 20 anos, j\u00e1 morando em Salvador, que ela teve a carteira assinada pela primeira vez. N\u00e3o havia valor fixo do sal\u00e1rio a ser pago; f\u00e9rias e horas extras remuneradas eram aleat\u00f3rias. O \u00fanico direito garantido foi a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. \u201cNa verdade, eu nem sabia que existia direito de carteira assinada\u201d, conta Creuza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos 1980, Creuza escutou em seu radinho uma entrevista que transformaria sua trajet\u00f3ria. Uma candidata a vereadora falava que atuaria em defesa das trabalhadoras dom\u00e9sticas e convidava para uma reuni\u00e3o. \u201cPela primeira vez, eu estava ouvindo algu\u00e9m dizer que ia me defender\u201d, conta Creuza. Na reuni\u00e3o, havia apenas uma professora e mais quatro dom\u00e9sticas, mas a experi\u00eancia para Creuza foi positiva. \u201cEu gostei da conversa. A professora explicou que o objetivo era discutir os direitos das trabalhadoras dom\u00e9sticas. Em breve ia ser elaborada uma nova constitui\u00e7\u00e3o do Brasil e era importante que n\u00f3s estiv\u00e9ssemos organizadas para sermos inclu\u00eddas\u201d, lembra. Esse passou a ser o seu objetivo de vida: \u201cFiquei encantada de saber que existiam outros grupos se organizando no pa\u00eds. L\u00e1 eu ouvi que casa de patroa n\u00e3o era nossa casa, que patr\u00e3o e patroa n\u00e3o eram a nossa fam\u00edlia e que a gente tinha que lutar para ter nossa moradia, ter nossos direitos garantidos\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"432\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Creuza-Oliveira-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17265\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Creuza-Oliveira-1.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Creuza-Oliveira-1-300x169.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Primeira trabalhadora dom\u00e9stica a receber t\u00edtulo de Doutora Honoris Causa no pa\u00eds, Creuza faz quest\u00e3o de carregar na mem\u00f3ria e no discurso os nomes das mulheres que pavimentaram o caminho de conquistas por direitos para as trabalhadoras dom\u00e9sticas | Foto: Acervo Fenatrad<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Creuza passou a se aquilombar com as trabalhadoras de outros estados, principalmente as de Pernambuco, em um movimento pela dignidade do trabalho dom\u00e9stico que se espalhava pelo Brasil. Ela criou a <a href=\"https:\/\/sindomesticoba.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">primeira associa\u00e7\u00e3o da categoria<\/a> no estado da Bahia e foi aplaudida de p\u00e9 ao receber o t\u00edtulo de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=q5jilqCsuRw\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia<\/a>, em novembro de 2023.&nbsp; Atual presidente de honra da <a href=\"https:\/\/fenatrad.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Federa\u00e7\u00e3o Nacional das Trabalhadoras Dom\u00e9sticas<\/a> (FENATRAD), Creuza divide o reconhecimento com suas parceiras de luta.&nbsp; \u201cEsse t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 meu\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Perman\u00eancias e avan\u00e7os<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Nacional por Amostra por Domic\u00edlio (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), em dezembro de 2023, apontou que h\u00e1 cerca de seis milh\u00f5es de trabalhadores dom\u00e9sticos&nbsp; no pa\u00eds. Hoje, mais de 130 anos ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, 90% dessas pessoas s\u00e3o mulheres, em sua maioria negras, com idade m\u00e9dia de 49 anos. Apenas um ter\u00e7o tem carteira assinada, com remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. O desafio da informalidade evidencia a necessidade de implementa\u00e7\u00e3o efetiva dos direitos j\u00e1 previstos em lei e a valida\u00e7\u00e3o de outras demandas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"762\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/infografico-72-dpi.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17248\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/infografico-72-dpi.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/infografico-72-dpi-300x223.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/infografico-72-dpi-768x572.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Uma trajet\u00f3ria de luta e resist\u00eancia por amparo legal e reconhecimento do trabalho dom\u00e9stico |  Arte: Laura Tonial <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Desde a primeira reuni\u00e3o de trabalhadoras da qual participou, Creuza gostou de saber que ela tinha direito a um lar. Isso lhe motivou a ser uma das articuladoras do conjunto habitacional 27 de Abril, considerado um marco na pol\u00edtica habitacional do pa\u00eds. Feito para abrigar exclusivamente trabalhadoras dom\u00e9sticas com renda familiar de zero a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, o conjunto foi inaugurado em 2012, no bairro do Cabula, em Salvador. Os 80 apartamentos, t\u00eam dois quartos, cozinha, banheiro e \u00e1rea de servi\u00e7o. \u201cA gente sabe que esse conjunto habitacional \u00e9 uma gota d&#8217;\u00e1gua num oceano. Mas, para n\u00f3s, \u00e9 uma coisa hist\u00f3rica, muito importante na pol\u00edtica p\u00fablica\u201d, diz Creuza.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cCresci vendo minha m\u00e3e lutar para garantir o m\u00ednimo, e isso me fez querer transformar essa realidade para outras mulheres\u201d<\/p><cite><strong>J\u00c9SSICA MIRANDA PINHEIRO,<\/strong> advogada<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17253\" width=\"517\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-1200x800.jpeg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02-1568x1045.jpeg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/3-Arquivo-pessoal-Jessica-Miranda-02.jpeg 1599w\" sizes=\"(max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><figcaption>A advogada J\u00e9ssica defende os direitos das trabalhadoras dom\u00e9sticas, inspirada em sua m\u00e3e | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Filha de Mira Pinheiro, trabalhadora dom\u00e9stica por cerca de 30 anos, J\u00e9ssica Miranda Pinheiro, de 35, tamb\u00e9m defende os direitos da categoria. Ela \u00e9 advogada e coordenadora da \u00e1rea de trabalho dom\u00e9stico remunerado da Themis, institui\u00e7\u00e3o que atua na capital ga\u00facha na defesa da dignidade das mulheres. J\u00e9ssica auxilia na promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, como o desenvolvimento de tecnologias que facilitem o acesso dessas profissionais \u00e0 justi\u00e7a. \u201cCresci vendo minha m\u00e3e lutar para garantir o m\u00ednimo, e isso me fez querer transformar essa realidade para outras mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17251\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/4-Fabiana-Sasi-9-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O aplicativo Laudelina facilita o acesso das trabalhadoras dom\u00e9sticas a informa\u00e7\u00f5es trabalhistas | Foto: Fabiana Sasi<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>J\u00e9ssica diz que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a ferramenta mais poderosa na luta por justi\u00e7a. \u201cNosso trabalho \u00e9 garantir que essas mulheres conhe\u00e7am e possam reivindicar o que \u00e9 delas por direito\u201d, explica. Entre as iniciativas da <a href=\"https:\/\/themis.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Themis<\/a>, a advogada destaca o <a href=\"https:\/\/laudelina.com.br\/start\/onboarding\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aplicativo Laudelina<\/a>, que visa facilitar o acesso a informa\u00e7\u00f5es trabalhistas e jur\u00eddicas para as dom\u00e9sticas O nome da ferramenta \u00e9 uma homenagem a Laudelina de Campos Melo, ativista do movimento negro que criou em 1936, na cidade de Campinas, em S\u00e3o Paulo, a primeira associa\u00e7\u00e3o de trabalhadoras dom\u00e9sticas no Brasil.&nbsp;O uso de tecnologias, como mensagens de \u00e1udio, foi pensado para superar as barreiras da alfabetiza\u00e7\u00e3o. \u201cEssas mulheres usam muito o <em>WhatsApp<\/em> para se comunicar e tamb\u00e9m ouvem r\u00e1dio enquanto trabalham. Percebemos que o \u00e1udio poderia ser uma forma eficiente de levar informa\u00e7\u00e3o a elas\u201d, conta J\u00e9ssica. A plataforma permite que as trabalhadoras fa\u00e7am c\u00e1lculos de sal\u00e1rios, consultem direitos e efetuem den\u00fancias, algo fundamental numa categoria em que abusos s\u00e3o frequentes\u200b. <\/p>\n\n\n\n<p>A Themis tamb\u00e9m forma promotoras legais populares, mulheres que s\u00e3o preparadas para defender os direitos das trabalhadoras dom\u00e9sticas em suas comunidades. \u201cMuitas trabalhadoras n\u00e3o sabem que t\u00eam direitos. Precisam ser as protagonistas das suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias e ocupar espa\u00e7os de poder\u201d, enfatiza J\u00e9ssica.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Pra onde vai, valente?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Gabriela Valente, de 42 anos, entra no sagu\u00e3o do Instituto Caldeira, no 4\u00ba Distrito, em Porto Alegre. Com tran\u00e7as e um blazer verde que traz o tom de esperan\u00e7a, \u00e9 a mediadora do painel \u201cMulheres que reconstroem\u201d. Junto a ela, est\u00e3o outras mulheres moradoras da Restinga, um dos bairros com maior n\u00famero de pessoas negras da cidade. \u00c9 l\u00e1 que Gabriela mora desde os 18 anos, na mesma casa que sua m\u00e3e adquiriu na aposentadoria com o dinheiro de 50 anos de labuta como trabalhadora dom\u00e9stica. Em 2019, Gabi, como prefere ser chamada, criou a <a href=\"https:\/\/gabivalente.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sua Casa Mais Limpa<\/a>, empresa de servi\u00e7os de limpeza, treinamentos, palestras e mentorias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seu trabalho foi dando t\u00e3o certo que, em 2023, Gabi participou como empreendedora social na ExpoFavela, feira que busca impulsionar neg\u00f3cios com origem nas periferias brasileiras. Ela garantiu um lugar na etapa nacional, ficando entre os dez melhores modelos empresariais com seu projeto Escola da Diarista, empresa que procura desfazer preconceitos e melhorar a qualidade do servi\u00e7o de limpeza, oferecendo cursos gratuitos de capacita\u00e7\u00e3o para mulheres da comunidade. \u201cN\u00e3o \u00e9 sobre fazer com que todo mundo seja diarista. \u00c9 que quem quiser escolher saiba o valor que ela tem, que cobre, valorize e fa\u00e7a os outros valorizarem o trabalho dela, que seja uma profiss\u00e3o digna e respeitada como qualquer outra\u201d, refor\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-17264\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A-1568x882.png 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Manuelle-Dias-66-A.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A valentia \u00e9 um componente da identidade de Gabriela e das trabalhadoras que lutam por dignidade | Foto: Manuelle Dias<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apoiada na mem\u00f3ria da m\u00e3e, Din\u00e1 Valente, Gabriela segue sua trajet\u00f3ria criando meios para dar suporte \u00e0s diaristas. Para reduzir o trabalho mec\u00e2nico durante os processos de limpeza, ela foi convidada a assinar um produto multiuso com o sobrenome que herdou: Valente. \u201cTer um produto com o nome que est\u00e1 tatuado em mim tem um peso gigantesco na minha vida. Eu precisei ser valente de verdade em muitos momentos da minha vida, principalmente construindo todo esse trabalho que fa\u00e7o como diarista. As coisas continuam acontecendo, e a gente tem que ter for\u00e7a para ir l\u00e1 e bater de frente, para tentar mudar a realidade da profiss\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>A estranha mania de ter f\u00e9 na vida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A idade de Gabi equivale quase ao mesmo tempo de ativismo de Creuza. Uma no Rio Grande do Sul, outra na Bahia: ambas buscando de forma distinta dignificar o trabalho dom\u00e9stico. Duas profissionais que demonstram que, apesar do lugar de servid\u00e3o que a sociedade brasileira insiste em atribuir \u00e0s mulheres negras, \u00e9 poss\u00edvel, em coletividade, com const\u00e2ncia e acreditando em si mesmas, criar novas realidades.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e9ssica aponta que as trabalhadoras dom\u00e9sticas t\u00eam marcadores sociais de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe. Seja atrav\u00e9s do r\u00e1dio, de uma assembleia ou pela tela de um celular, a difus\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a ferramenta que efetivamente tem contribu\u00eddo para essa transforma\u00e7\u00e3o coletiva. \u201cEssas mulheres organizadas, conhecedoras dos seus direitos, empoderadas, t\u00eam uma pot\u00eancia de mudan\u00e7a social muito grande. Elas s\u00e3o verdadeiras revolucion\u00e1rias\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-3 is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"685\" data-id=\"17417\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-17417\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/2-Manuelle-Dias-2048x1371.jpg 2048w, 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