{"id":1698,"date":"2021-05-12T15:17:19","date_gmt":"2021-05-12T18:17:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=1698"},"modified":"2021-11-22T13:41:33","modified_gmt":"2021-11-22T16:41:33","slug":"doenca-do-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/","title":{"rendered":"Doen\u00e7a do s\u00e9culo?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Voc\u00ea provavelmente conhece algu\u00e9m que tenha depress\u00e3o, mesmo que n\u00e3o saiba. A impress\u00e3o de que a doen\u00e7a tem se tornado cada vez mais comum na sociedade se comprova em n\u00fameros. A pr\u00f3pria Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) elenca a sa\u00fade mental como prioridade absoluta para os pr\u00f3ximos anos e j\u00e1 considera a depress\u00e3o, descrita como \u201cestado melanc\u00f3lico\u201d desde seus primeiros registros na Gr\u00e9cia Antiga, a doen\u00e7a mais incapacitante do planeta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.paho.org\/bra\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5354:aumenta-o-numero-de-pessoas-com-depressao-no-mundo&amp;Itemid=839)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Em um relat\u00f3rio de 2017<\/strong><\/a>, o \u00f3rg\u00e3o revelou que a doen\u00e7a afeta 322 milh\u00f5es de pessoas no mundo, quase a popula\u00e7\u00e3o inteira dos Estados Unidos. No Brasil, s\u00e3o 11,5 milh\u00f5es. Aqui, ali\u00e1s, a preval\u00eancia \u00e9 mais alta do que no resto do mundo: 5,8% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 acometida, ante 4,4% de m\u00e9dia global. Em 2030, ainda de acordo com a OMS, a depress\u00e3o dever\u00e1 ser a doen\u00e7a mais comum de todo o planeta. Uma \u00faltima compara\u00e7\u00e3o: entre 2005 e 2015, o aumento do n\u00famero de casos da doen\u00e7a foi de 20%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"958\" height=\"538\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-1.jpg\" alt=\"Mapa-m\u00fandi desenhado com p\u00edlulas de rem\u00e9dios\" class=\"wp-image-1711\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-1.jpg 958w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-1-768x431.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 958px) 100vw, 958px\" \/><figcaption>A doen\u00e7a afeta 322 milh\u00f5es de pessoas no mundo | Arte: Jukka Niittymaa \/ Pixabay <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Mas por que, afinal, a doen\u00e7a est\u00e1 aumentando?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Como esclarece a psiquiatra Bibiana Cad\u00f3, de Porto Alegre, formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e com especializa\u00e7\u00e3o em Psiquiatria pela Funda\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria M\u00e1rio Martins, a depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial. Por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel elencar um \u00fanico motivo para o aumento de sua incid\u00eancia. A psic\u00f3loga Andrea Cardoso, de S\u00e3o Paulo, especialista em futurismo e que aborda o tema em seu perfil do Instagram @futurosx, explica&nbsp;que a depress\u00e3o pode ter causas bioqu\u00edmicas (subst\u00e2ncias qu\u00edmicas no c\u00e9rebro), gen\u00e9ticas (hist\u00f3rico familiar), de personalidade (baixa autoestima, estresse ou pessimismo), ambientais (como exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, neglig\u00eancia, abuso ou pobreza) ou ainda situacionais (separa\u00e7\u00e3o conjugal, perda de emprego, morte).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das hip\u00f3teses para o aumento de casos \u00e9 a de que houve uma melhora na capacidade de diagn\u00f3stico, consequ\u00eancia de um maior conhecimento acumulado sobre a doen\u00e7a. Outro fator apontado por Bibiana \u00e9 o estresse, ocasionado por rotinas com ac\u00famulos de tarefas e altas cargas hor\u00e1rias de trabalho, al\u00e9m de muitas horas gastas em transporte, com pouco tempo para o lazer. Esse estilo de vida, que priva o indiv\u00edduo do tempo para si, para a vida em comunidade e para a conviv\u00eancia familiar, acaba por gerar agravos \u00e0 sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cEm geral, a sociedade tem vivido uma busca material fren\u00e9tica e experienciado uma falta de sentido e de prop\u00f3sito na vida, o que tamb\u00e9m pode contribuir para a depress\u00e3o\u201d<\/p><cite><strong>ANDREA CARDOSO<\/strong>, psic\u00f3loga<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, fatores socioecon\u00f4micos, como dificuldade de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura e \u00e0 sa\u00fade, tamb\u00e9m contribuem para o aumento de casos da doen\u00e7a. S\u00e3o diversos os estudos que apontam para uma maior preval\u00eancia de depress\u00e3o em pessoas mais pobres. Uma<strong> <a href=\"https:\/\/blogs.oglobo.globo.com\/a-hora-da-ciencia\/post\/mais-pobreza-causa-aumento-de-depressao-e-ansiedade.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">reportagem do jornal O Globo<\/a><\/strong>, publicada em janeiro deste ano, relatou dados de uma pesquisa que afirma que os transtornos mentais, como ansiedade e depress\u00e3o, s\u00e3o 1,5 a 3 vezes mais frequentes nas pessoas com menor renda. Temas como desemprego, desigualdade social ou excesso de trabalho favorecem o cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FururodaDepressao_LuizaGriebeler.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-1713\" width=\"600\"\/><figcaption>Arte: Lui Griebeler<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cEm geral, a sociedade tem vivido uma busca material fren\u00e9tica e experienciado uma falta de sentido e de prop\u00f3sito na vida, o que tamb\u00e9m pode contribuir para a depress\u00e3o\u201d, resume Andrea.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Como a pandemia pode influenciar esse aumento?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong><\/strong>A porto-alegrense Ana Maria*, de 26 anos, desenvolveu um quadro leve de depress\u00e3o na pandemia. Ela, que j\u00e1 vinha de uma trajet\u00f3ria de tr\u00eas anos de terapia resolvendo quest\u00f5es pontuais sobre a vida profissional e pessoal, viu tudo o que tinha trabalhado com a psic\u00f3loga ir por \u00e1gua abaixo com a chegada do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por ficar dentro de casa, acabei me isolando muito mais, e o conv\u00edvio social \u00e9&nbsp; superimportante para mim. Perder a rotina do dia a dia e n\u00e3o conviver com os meus colegas de trabalho foi dif\u00edcil, mais a preocupa\u00e7\u00e3o de minha fam\u00edlia adoecer. Tudo isso faz com que a gente fique muito mal da cabe\u00e7a. S\u00e3o v\u00e1rios pontos que me pegaram de vez, acho que n\u00e3o sou a \u00fanica. Todo mundo sentiu um pouco, mas algumas pessoas t\u00eam mais flexibilidade para lidar e tentar manter a vida o mais pr\u00f3ximo do normal. Mas&nbsp; enxergo que eu n\u00e3o consegui&#8221;, conta ela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/depois-do-fim\/\">Depois do fim<\/a>:<\/strong> o futuro das rela\u00e7\u00f5es humanas ap\u00f3s o longo per\u00edodo de isolamento social<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-trabalho-do-amanha\/\">O trabalho do amanh\u00e3<\/a>: <\/strong>tend\u00eancias indicam poss\u00edveis caminhos para o universo trabalhista<\/li><\/ul>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Carolina*, de 22&nbsp; anos, de Canoas, conta ter ido &#8220;do oito ao oitenta&#8221; na pandemia. No in\u00edcio, usou o tempo a mais em casa para se dedicar aos estudos, fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos e ler. Por\u00e9m, conforme o tempo foi passando, viu a motiva\u00e7\u00e3o diminuir.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o conseguia mais estudar direito, comecei a perder foco total para assistir \u00e0 aula, ler livros. As coisas que antes me enchiam os olhos j\u00e1 n\u00e3o me motivavam mais, acho que principalmente por conta dessa incerteza com o futuro, de ficar com medo pelos outros\u201d, relata. \u201cFui me fechando em uma bolha de negatividade que s\u00f3 me afundou. Chegou em um ponto que eu n\u00e3o conseguia mais levantar da cama e n\u00e3o via sentido em mais nada do que eu estava fazendo.&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao consultar um psiquiatra, Carolina foi ent\u00e3o diagnosticada com depress\u00e3o e ansiedade generalizada e iniciou o tratamento com medica\u00e7\u00e3o. Para ela, a pior parte da doen\u00e7a \u00e9 como as pessoas ao seu redor n\u00e3o sabem lidar com o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o conseguem ter paci\u00eancia, n\u00e3o conseguem entender porqu\u00ea a gente est\u00e1 diferente. Se tu consegue te abrir, acaba ouvindo: \u2018Ah, isso \u00e9 besteira\u2019, \u2018Tu tens tudo, est\u00e1s reclamando de qu\u00ea?\u201d, \u2018Olha para tua volta, tem gente passando fome\u2019, \u2018N\u00e3o fica assim, \u00e9 s\u00f3 pensar em outra coisa, pensa positivo\u2019. Isso foi o que eu mais ouvi, e de pessoas muito pr\u00f3ximas. Eram momentos que dava vontade de chorar muito e em que eu at\u00e9 me sentia culpada, me questionava por que eu estava assim\u201d, desabafa. \u201cN\u00e3o tem como chegar para uma pessoa com c\u00e2ncer e falar: \u2018Fica bem, regenera as c\u00e9lulas\u2019. \u00c9 a mesma coisa falar para uma pessoa com depress\u00e3o pensar positivo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o, completamos um ano de pandemia de covid-19 no Brasil &#8211; e&nbsp; enfrentamos o pior momento da doen\u00e7a no pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o. Esse fator tamb\u00e9m precisa ser levado em considera\u00e7\u00e3o quando falamos de sa\u00fade mental. Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) encontrou, em uma pesquisa com cinco mil cidad\u00e3os, uma incid\u00eancia de sintomas de depress\u00e3o quatro vezes maior em 2020 do que a observada na mesma amostra em 2019, conforme publicou a <strong><a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/mente-saudavel\/nova-era-no-combate-a-depressao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> revista Veja<\/a><\/strong> em dezembro do ano passado. J\u00e1 um <strong><a href=\"https:\/\/www.covidpsiq.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo realizado de forma online pelo Departamento de Neuropsiquiatria da <\/a><\/strong> UFSM apontou um aumento de 40% na intensidade dos sintomas de depress\u00e3o nos indiv\u00edduos que participaram das tr\u00eas primeiras etapas da pesquisa, que entrevistou 6,5 mil pessoas maiores de 18 anos em todo o Brasil para avaliar como est\u00e1 a sa\u00fade mental dos brasileiros frente ao coronav\u00edrus. A \u00faltima fase do estudo foi conclu\u00edda em fevereiro deste ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cEstudos t\u00eam mostrado uma correla\u00e7\u00e3o entre as infec\u00e7\u00f5es por covid e agravamento e in\u00edcio de quadros de sa\u00fade mental&#8221;<\/p><cite><strong>BIBIANA CAD\u00d3<\/strong>, psiquiatra<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O primeiro ponto a ser observado, \u00e9 claro, \u00e9 o isolamento. A psiquiatra Bibiana destaca que a necessidade de isolamento, al\u00e9m de privar o indiv\u00edduo de ter seus contatos sociais, o que por si s\u00f3 impacta muito na sa\u00fade mental,  fez com que muitas pessoas tivessem suas redes de apoio diminu\u00eddas. Por exemplo, m\u00e3es que, antes da pandemia, podiam contar com a ajuda da escola e dos familiares, tiveram que se virar sozinhas neste per\u00edodo. O impacto econ\u00f4mico tamb\u00e9m \u00e9 um dos grandes culpados pelos preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade mental, e a ang\u00fastia iminente da morte favorece o contexto de aumento de casos. A psiquiatra acrescenta ainda que a pr\u00f3pria covid-19 pode propiciar o desenvolvimento de epis\u00f3dios de depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstudos t\u00eam mostrado uma correla\u00e7\u00e3o entre as infec\u00e7\u00f5es por covid e agravamento e in\u00edcio de quadros de sa\u00fade mental. Os dados ainda est\u00e3o sendo estudados e analisados, mas j\u00e1 jogam luz sobre o assunto\u201d, destaca Bibiana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, \u00e9 claro, tem o luto. No in\u00edcio de abril de 2021, chegamos \u00e0 triste marca de 350 mil mortes no Brasil. Ou seja, s\u00e3o 350 mil fam\u00edlias que sofrem a perda de um ente querido, lembra a psiquiatra. Isso obviamente ter\u00e1 um impacto na sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o em geral. A Secretaria Especial de Previd\u00eancia e Trabalho divulgou&nbsp; que, em 2020, <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/previdencia\/pt-br\/acesso-a-informacao\/dados-abertos\/previdencia-social-regime-geral-inss\/arquivos\/beps122020_final.pdf)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">houve um recorde de 576,6 mil concess\u00f5es de aux\u00edlio-doen\u00e7a e aposentadorias por invalidez devido a transtornos mentais e comportamentais<\/a><\/strong>. O n\u00famero \u00e9 26% maior do que o registrado em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o tem como prever exatamente qual \u00e9 o impacto, mas j\u00e1 conseguimos nos dar conta de que vai ser negativo e de que teremos de lidar com isso nos pr\u00f3ximos anos\u201d, conclui a psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"708\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-1024x708.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o com palavras relacionadas \u00e0 depress\u00e3o\" class=\"wp-image-1714\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-1024x708.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-768x531.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-1536x1062.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-2048x1415.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/FuturodaDepressao_gabiberwanger-1568x1084.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Gabi Berwanger<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga Andrea, as marcas psicol\u00f3gicas da pandemia poder\u00e3o durar mais do que as f\u00edsicas. \u201cMesmo que nossos corpos se recuperem e a vacina nos proteja, as feridas emocionais ficar\u00e3o por muito tempo\u201d, opina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga tamb\u00e9m ressalta que beb\u00eas e crian\u00e7as de at\u00e9 cinco anos foram ainda mais impactados por n\u00e3o estarem em contato com outras crian\u00e7as, porque essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o desenvolvimento das habilidades sociais, cognitivas e sens\u00f3rio-motoras. Por isso, ainda n\u00e3o se sabe os efeitos do isolamento nesses casos, que j\u00e1 \u00e9 uma nova preocupa\u00e7\u00e3o para a psicologia. Al\u00e9m disso, a pandemia deixou seu impacto na gera\u00e7\u00e3o de idosos que, devido ao isolamento e \u00e0 exclus\u00e3o digital, tem se sentido cada vez mais sozinha.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/com-a-cabeca-no-amanha\/\">Com a cabe\u00e7a no amanh\u00e3:<\/a> <\/strong>as origens do desejo de saber o que nos espera<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/transporte-do-futuro-e-sustentavel-eletrico-e-coletivo\/\">Velozes e cautelosos:<\/a> <\/strong>os meios de transporte do futuro buscam unir efici\u00eancia e sustentabilidade<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Por outro lado, lembra Andrea, a pandemia trouxe uma acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e digital e obrigou a sociedade a repensar seus h\u00e1bitos, comportamentos e rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPais e filhos desenvolveram suas rela\u00e7\u00f5es no cotidiano de suas casas. Escolas foram convidadas a repensar seus m\u00e9todos de ensino-aprendizagem. Profissionais a se reinventarem e a se adaptarem ao <em>home office<\/em>. Pequenos empres\u00e1rios se renderam \u00e0s vendas online, e os consumidores, \u00e0s compras pela internet. Na psicologia, crescemos muito no atendimento online e comprovamos a efici\u00eancia da psicoterapia para a maioria dos casos, ainda que \u00e0 dist\u00e2ncia. A ci\u00eancia e a tecnologia deram saltos no ano de 2020, e muitas pesquisas ganharam velocidade. A pr\u00f3pria vacina nos mostrou na pr\u00e1tica essa acelera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Como j\u00e1 dizia Darwin: n\u00e3o \u00e9 o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta \u00e0s mudan\u00e7as\u201d, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-secondary-background-color has-secondary-color is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<h3><strong>De que forma a sociedade pode evoluir para acolher melhor pessoas depressivas?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-2-1024x767.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de uma mulher consolando outra\" class=\"wp-image-1712\" width=\"401\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-2-1024x767.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-2-768x575.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-2.jpg 1439w\" sizes=\"(max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><figcaption>A rede de apoio estar informada faz toda a diferen\u00e7a no tratamento do paciente<br>Arte: Serena Wong \/ Pixabay <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>A psic\u00f3loga Andrea elenca tr\u00eas principais pontos para uma melhor conviv\u00eancia com pessoas diagnosticadas com depress\u00e3o, que ser\u00e3o ainda mais importantes nos pr\u00f3ximos anos:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Conhecimento<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aprender as causas, sintomas e tratamentos da doen\u00e7a. A rede de apoio estar informada faz toda a diferen\u00e7a no tratamento do paciente, aponta Andrea. \u201cNa psicologia, chamamos de \u2018psicoeducar\u2019 o paciente, familiares e amigos pr\u00f3ximos\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Acolhimento<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o diminuir o que a pessoa est\u00e1 sentindo. No senso comum, as pessoas ainda tratam a depress\u00e3o como \u201cfrescura\u201d ou \u201cpregui\u00e7a\u201d, quando n\u00e3o diminuem o sentimento, falando que \u201cn\u00e3o \u00e9 nada, logo vai passar\u201d. Esse tipo de comportamento prejudica ainda mais a condi\u00e7\u00e3o do paciente, que n\u00e3o se sente acreditado e acolhido em seu sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Escuta<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dar&nbsp; espa\u00e7o para a pessoa deprimida se expressar. E, mais do que isso, incentiv\u00e1-la a falar. Muitas vezes, a pessoa pode estar desanimada, sem vontade de iniciar um di\u00e1logo, ou ainda muito negativa. Mesmo assim, \u00e9 importante ouvir e acolher&nbsp; seu sentimento e evitar coment\u00e1rios do tipo: \u201cVoc\u00ea est\u00e1 muito pessimista, vamos levantar esse astral\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs pessoas depressivas t\u00eam dificuldade em expressar palavras positivas que n\u00e3o representam seu estado interno. Ou, se forem positivas, podem estar mascarando seus sentimentos, o que \u00e9 pior ainda\u201d, ressalta a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a psic\u00f3loga tamb\u00e9m frisa a import\u00e2ncia da sociedade trabalhar na preven\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o, desenvolvendo informa\u00e7\u00f5es sobre o tema, ensinando a popula\u00e7\u00e3o a identificar sinais iniciais de um estado depressivo. Al\u00e9m disso, o incentivo a atividades e exerc\u00edcios, como respira\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o, podem contribuir para o abrandamento dos quadros.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-secondary-background-color has-secondary-color is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<p><em>*Os nomes foram trocados para preservar a identidade das fontes<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a depress\u00e3o dever\u00e1 ser a doen\u00e7a mais comum do mundo em 2030<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":1715,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[101,50,44,49,102],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Por que haver\u00e3o cada vez mais pessoas deprimidas? &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a depress\u00e3o dever\u00e1 ser a doen\u00e7a mais comum do mundo em 2030\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Por que haver\u00e3o cada vez mais pessoas deprimidas?\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, a depress\u00e3o dever\u00e1 ser a doen\u00e7a mais comum do mundo em 2030\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Sextante\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-05-12T18:17:19+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-11-22T16:41:33+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/sextante-1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"958\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"538\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Lu\u00edsa Tessuto\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Lu\u00edsa Tessuto\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"10 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\"},\"author\":{\"name\":\"Lu\u00edsa Tessuto\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/85cf5a53c792830e68f37846889a32d5\"},\"headline\":\"Doen\u00e7a do s\u00e9culo?\",\"datePublished\":\"2021-05-12T18:17:19+00:00\",\"dateModified\":\"2021-11-22T16:41:33+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\"},\"wordCount\":2278,\"commentCount\":2,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization\"},\"keywords\":[\"depress\u00e3o\",\"futuro\",\"pandemia\",\"reportagem\",\"sa\u00fade mental\"],\"articleSection\":[\"Sextante 56\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\",\"name\":\"Por que haver\u00e3o cada vez mais pessoas deprimidas? 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