{"id":18406,"date":"2025-07-08T16:14:23","date_gmt":"2025-07-08T19:14:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=18406"},"modified":"2025-07-08T16:14:24","modified_gmt":"2025-07-08T19:14:24","slug":"a-chamada-dos-machado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-chamada-dos-machado\/","title":{"rendered":"A chamada dos Machado"},"content":{"rendered":"\n<p>Adolescentes carregam tambores at\u00e9 um galp\u00e3o que aos poucos tamb\u00e9m se preenche de crian\u00e7as. Algumas est\u00e3o ali pela primeira vez. S\u00e1bado \u00e9 dia de aprender o maculel\u00ea, uma dan\u00e7a afro-brasileira e ind\u00edgena que simula uma luta com bast\u00f5es de madeira. O professor Jamaica ensina com o corpo, a voz e a mem\u00f3ria. A meninada, atenta aos seus comandos, inicia o ritmo: um, dois, tr\u00eas, quatro, um, dois tr\u00eas quatro\u2026 \u201c\u00d4 boa noite pra quem \u00e9 de boa noite, \u00f4 bom dia pra quem \u00e9 de bom dia, a ben\u00e7\u00e3o, meu papai, a ben\u00e7\u00e3o, Maculel\u00ea \u00e9 o rei da valentia.\u201d\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apelido de Lu\u00eds Rog\u00e9rio Machado, de 44 anos, Jamaica \u00e9 uma lideran\u00e7a do quilombo. Sua voz ecoa sob o telhado de zinco. Com a objetividade de quem traz a hist\u00f3ria na ponta da l\u00edngua, vai direto ao ponto. \u201cTua pergunta \u00e9 como era escravid\u00e3o de antes pra escravid\u00e3o de agora, \u00e9 isso? Mais camuflada, n\u00e9? Antes eles escancaravam mais, iam l\u00e1, te matavam e pronto. Hoje, te prendem e te matam dizendo que \u00e9 a lei.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lugar de prote\u00e7\u00e3o e identidade negra, desde os tempos de Palmares, quilombo n\u00e3o se reduz a sua tradu\u00e7\u00e3o literal como acampamento ou local de pouso. \u00c9 a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica de um experiente l\u00edder militar, \u00e9 movimento h\u00e1bil de um mestre capoeirista, sabedoria ancestral em meio \u00e0 guerra contra a escravid\u00e3o, seja a colonial ou a moderna. Nasceu sem permiss\u00e3o legal, mas com a legitimidade de quem luta pela vida. Esses territ\u00f3rios eram, antes de proclamada a rep\u00fablica brasileira, um pa\u00eds. Existiram e resistiram com sua pr\u00f3pria cultura, s\u00edmbolos e armas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18438\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/1_Theo-Dalla-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>O atabaque faz parte das aulas de maculel\u00ea e capoeira | Foto: Theo Dalla<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO Quilombo \u00e9 simples. A nossa sobreviv\u00eancia \u00e9 a nossa ancestralidade e identidade mantidas. \u00c9 o nosso tronco. N\u00f3s somos daqui, estamos aqui, somos assim e pronto. Somos o que veio de raiz. O que nos deixou nossa av\u00f3, bisav\u00f3, tatarav\u00f3, o que preto velho deixou, Zumbi e Dandara deixaram. A nossa trajet\u00f3ria \u00e9 ser a gente\u201d, resume Jamaica.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Sobre_a_terra\"><strong>Sobre a terra<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil tem 8.441 localidades quilombolas. Desse total, apenas 147 s\u00e3o tituladas, cerca de 1%. No papel, 1,3 milh\u00e3o de brasileiros se reconhecem como quilombolas, mas poucos t\u00eam seus territ\u00f3rios garantidos. Mais de 95% ainda esperam o aval jur\u00eddico daquilo que j\u00e1 existe h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es. No caso do Quilombo dos Machado, que abriga 265 fam\u00edlias, essa guerra j\u00e1 dura mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p>Emigrada do interior ga\u00facho na d\u00e9cada de 1970, a fam\u00edlia de Jamaica, assim como a de tantas outras, foi parar na periferia de Porto Alegre, no Sarandi. Ele e seus amigos&nbsp; praticavam, desde crian\u00e7a, capoeira no terreno cheio de maric\u00e1s floridos ao lado de casa. Enquanto o Sarandi se tornou um dos bairros mais populosos da capital, aquela terra \u00famida e espinhosa entre as vilas Respeito e Minuano foi, em 2013, reivindicada como territ\u00f3rio quilombola.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"713\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ILUSTRAE_Quilombo-Machado_Corpo-Materia-713x1024.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-18502\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ILUSTRAE_Quilombo-Machado_Corpo-Materia-713x1024.gif 713w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ILUSTRAE_Quilombo-Machado_Corpo-Materia-209x300.gif 209w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/ILUSTRAE_Quilombo-Machado_Corpo-Materia-768x1104.gif 768w\" sizes=\"(max-width: 713px) 100vw, 713px\" \/><figcaption>Arte: \u00cdtalo Teixeira<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Os Machado t\u00eam reconhecimento da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares desde 2014 e aguardam que o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) avance com o Relat\u00f3rio T\u00e9cnico de Identifica\u00e7\u00e3o e Delimita\u00e7\u00e3o (RTID), que determina o tamanho do territ\u00f3rio. Segundo Sebasti\u00e3o Henrique Lima, chefe do Setor de Regulariza\u00e7\u00e3o de Territ\u00f3rios Quilombolas do Incra, o \u00f3rg\u00e3o pretende apresent\u00e1-lo em junho. \u201cEm Porto Alegre, o processo da comunidade Machado \u00e9 o que est\u00e1 em est\u00e1gio mais avan\u00e7ado.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo um direito constitucional, o processo de titula\u00e7\u00e3o de um quilombo \u00e9 lento e frequentemente interrompido por disputas jur\u00eddicas e pol\u00edticas. Quando conclu\u00edda, a titula\u00e7\u00e3o garante seguran\u00e7a jur\u00eddica e acesso a pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e financiamento para projetos produtivos. Tamb\u00e9m impede remo\u00e7\u00f5es for\u00e7adas e reconhece oficialmente a ocupa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da terra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que mais mata \u00e9 o poder da caneta\u201d, resume Jamaica. \u201cA caneta assina: tem que acabar com o Jamaica, com a Jeneci, com o Sandro, com esse pessoal porque eles est\u00e3o ali. Foi o que aconteceu com Zumbi, com Tereza de Benguela e com outros v\u00e1rios que tentaram deixar a ancestralidade para que a gente pudesse estar aqui hoje batendo no peito e dizendo que \u00e9 quilombola.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18464\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_F-1-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A casa de Jamaica tamb\u00e9m \u00e9 sede do Quilombo | Foto: Theo Dalla<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 id=\"O_tempo_da_ginga\"><strong>O tempo da ginga<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na espera pela resposta do Incra, os Machado fazem uma chamada. Na capoeira, a chamada \u00e9 como uma pausa no jogo. \u00c9 o momento da aproxima\u00e7\u00e3o, o instante em que os capoeiristas se medem, trocam olhares e gestos, como quem testa o terreno antes do confronto. N\u00e3o se trata de um descanso, mas de uma dan\u00e7a silenciosa e tensa, onde cada movimento carrega o peso da inten\u00e7\u00e3o. A chamada \u00e9, antes de tudo, uma estrat\u00e9gia. Um capoeirista se aproxima, observa o outro, testa a sua rea\u00e7\u00e3o, sente o ritmo, como se buscasse uma brecha na defesa. Pode ser uma abertura para o ataque ou um truque para uma armadilha. \u00c9 um convite, mas tamb\u00e9m um aviso. Na guerra contra o opressor, \u00e9 uma arma indispens\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201c<em>A capoeira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corpo. Ela \u00e9 principalmente estrat\u00e9gia. Ela j\u00e1 existia nas senzalas, antes dos quilombos, pra fortalecer essa luta<\/em>\u201d<\/p><cite><strong>JAMAICA<\/strong>, lideran\u00e7a do Quilombo dos Machado<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A capoeira foi um dos principais instrumentos de autoprote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra escravizada durante o per\u00edodo colonial, n\u00e3o s\u00f3 por seus movimentos de luta corporal, mas por toda a cosmovis\u00e3o&nbsp; que ela carrega. \u201cA capoeira n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 corpo. Ela \u00e9 principalmente estrat\u00e9gia. Ela j\u00e1 existia nas senzalas, antes dos quilombos, pra fortalecer essa luta. \u2018Como vamos sair daqui e ter a gingada do dia a dia pra sobreviver?\u2019 A\u00ed foram criados os quilombos.\u201d Tal qual Palmares, o Quilombo dos Machado nasceu e resiste assim: com ginga.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A chamada dos Machado - Por Theo Dalla e Jos\u00e9 Thiago\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PT6cZ0YsF28?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>V\u00eddeo: A chamada dos Machado<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse jogo de corpos e mentes tamb\u00e9m \u00e9, em certo sentido, o que define a atual fase do Quilombo dos Machado. \u201cAt\u00e9 hoje a capoeira \u00e9 utilizada no dia a dia pra pensar, por exemplo, quando a gente vai atacar, quando vamos defender&nbsp; e quando vamos fazer uma chamada. Nesse momento, o Quilombo dos Machado est\u00e1 numa chamada\u201d, compara Jamaica. \u00c0 espera, ainda sem o golpe definitivo, mas atento a cada movimento ao seu redor, o quilombo se prepara para avan\u00e7ar, enquanto os pr\u00f3ximos passos \u2013 tanto nas ruas do Sarandi quanto nos corredores burocr\u00e1ticos do Estado \u2013 s\u00e3o avaliados com a precis\u00e3o de um mestre capoeirista que observa o oponente. O jogo est\u00e1 prestes a retomar.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Da_raiz_ao_fruto\"><strong>Da raiz ao fruto<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Lu\u00eds Henrike Lemos, de 12 anos, saboreia uma bergamota ap\u00f3s a aula de maculel\u00ea. Ele \u00e9 uma das crian\u00e7as que frequenta as aulas h\u00e1 mais tempo e recebe os mais novos. \u201cEu gosto de brincar, correr, fazer tudo, maculel\u00ea, capoeira. Eu sou quilombola por estar aqui, por causa da minha cor que as pessoas fazem muito racismo. Eu me acho quilombola e eu vou sempre ajudar eles a lutar pra n\u00e3o acontecer mais racismo.\u201d Lu\u00eds&nbsp; relata ter sofrido racismo na escola por parte de um colega de classe, mas n\u00e3o quis prestar queixa na pol\u00edcia. \u201cN\u00e3o queria ver ele sofrer com isso. Minha m\u00e3e chamou a m\u00e3e dele no <em>whats<\/em> para resolver. E ele nem era branco, era moreninho.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ru\u00eddo supers\u00f4nico de um avi\u00e3o em decolagem interrompe a fala de Lu\u00eds. O barulho \u00e9 recorrente, de dez em dez minutos; quando muito, de 20 em 20. \u201cA gente j\u00e1 t\u00e1 acostumado, mas na \u00e9poca da enchente tinha mais sil\u00eancio\u201d, recorda o menino. Ele se interessa pela c\u00e2mera, come\u00e7a a tirar fotos do quilombo e a nos entrevistar. Pergunta quais s\u00e3o nossos maiores sonhos. Quando devolvemos a pergunta, ele diz que o seu \u00e9 ter um cavalo e um s\u00edtio. \u201cPorque eu tamb\u00e9m gosto de viver como um ga\u00facho, s\u00f3 n\u00e3o sei onde eu vou botar [<em>o cavalo<\/em>], mas \u00e9 isso que eu quero.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18514\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/4_Theo-Dalla-2-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18515\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/3_Theo-Dalla-4-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Lucas (\u00e0 esquerda) \u00e9 filho das lideran\u00e7as; Lu\u00eds Henrike (\u00e0 direita) sonha em viver como ga\u00facho | Foto: Theo Dalla<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Para Lucas Machado, de 13 anos, o quilombo \u00e9 mais do que o lugar onde vive. \u201c\u00c9 a minha grande fam\u00edlia\u201d, resume. Filho de Jamaica e Tamires da Silva Antunes, tamb\u00e9m lideran\u00e7a do quilombo, aprendeu desde cedo que o ch\u00e3o onde pisa \u00e9 um territ\u00f3rio em disputa e entende a responsabilidade que carrega: \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil tamb\u00e9m. Eu t\u00f4 sempre com eles, lutando por a\u00ed, caminhando, porque a gente vai pra frente, mas tamb\u00e9m tem que dar dois passos pra tr\u00e1s\u201d. Ainda assim, h\u00e1 motivos para celebrar. \u201cEu me orgulho dos meus pais. A gente faz muita festa pras crian\u00e7as. Ser quilombola \u00e9 muito bom. Brincar, sorrir, t\u00e1 junto com a fam\u00edlia. Quilombo \u00e9 isso. Vale muito a pena morar aqui e ver as crian\u00e7as sorrindo. \u00c9 tudo pra mim.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No quilombo, o tempo n\u00e3o corre \u2013 ele gira, como roda de capoeira. A mem\u00f3ria pulsa no ch\u00e3o, no som do atabaque, no brilho das crian\u00e7as que aprendem a lutar brincando. A cada passo, o quilombo costura o passado e o presente com o fio da ancestralidade. E mesmo quando amea\u00e7ados, \u00e9 a raiz que vence: n\u00e3o a que se enterra, mas a que insiste em crescer. O Quilombo dos Machado est\u00e1 na chamada \u2013 atento, inteiro, respirando fundo antes de avan\u00e7ar. E quando avan\u00e7ar, ser\u00e1 com a for\u00e7a de quem nunca saiu do lugar de onde sempre pertenceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18432\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/FOTO_A-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Crian\u00e7as do Quilombo dos Machado aprendem o maculel\u00ea | Foto: Theo Dalla<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column is-vertically-aligned-top\">\n<h2 id=\"LEIA_MAIS\">LEIA <\/h2>\n\n\n\n<h2 id=\"LEIA_MAIS\">(E ESCUTE) MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/da-areia-a-resistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Da areia \u00e0 resist\u00eancia:<\/a> Quilombo Areal da Baronesa busca manter hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00f5es vivas em um espa\u00e7o marcado por disputa imobili\u00e1ria em Porto Alegre<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/uma-colonia-africana-em-porto-alegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Uma Col\u00f4nia Africana em Porto Alegre:<\/a> moderniza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o de Porto Alegre apaga territ\u00f3rios negros dos espa\u00e7os f\u00edsicos e mem\u00f3ria da cidade<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: A CHAMADA DOS MACHADO\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/playlist\/155tg8ZL9nxvr4dnAI85fE?si=7NtKPChzQaqeNzed-Hf2yA&#038;pi=jV-YkLw1TJiPQ&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe> \n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Quilombo dos Machado, em Porto Alegre, \u00e9 um espa\u00e7o de resist\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o da identidade negra, onde a capoeira e o maculel\u00ea s\u00e3o express\u00f5es culturais fundamentais para a sobreviv\u00eancia e a luta contra a opress\u00e3o. Sob a lideran\u00e7a de Lu\u00eds Rog\u00e9rio Machado (Jamaica), a comunidade quilombola, reconhecida pela Funda\u00e7\u00e3o Palmares, aguarda a titula\u00e7\u00e3o oficial de seu territ\u00f3rio, um processo lento e marcado por disputas jur\u00eddicas. Apesar das dificuldades, os moradores, especialmente as crian\u00e7as, mant\u00eam vivas as tradi\u00e7\u00f5es ancestrais e a luta pela justi\u00e7a, reconhecendo que sua for\u00e7a est\u00e1 na preserva\u00e7\u00e3o de sua cultura e na uni\u00e3o diante das adversidades. 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