{"id":19508,"date":"2025-12-11T11:33:10","date_gmt":"2025-12-11T14:33:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=19508"},"modified":"2025-12-11T11:33:12","modified_gmt":"2025-12-11T14:33:12","slug":"marcas-sonoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/marcas-sonoras\/","title":{"rendered":"Marcas sonoras"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;A cada dia, cerca de 100 mil m\u00fasicas s\u00e3o lan\u00e7adas mundialmente nas plataformas de <em>streaming<\/em>. Essa quantidade equivale a todas as m\u00fasicas produzidas no mundo no ano inteiro de 1989. Os dados foram divulgados por Will Page, antigo economista-chefe do Spotify, em entrevista para o site <em>MusicRadar<\/em>. V\u00e1rias rela\u00e7\u00f5es podem ser feitas entre a m\u00fasica e o tempo, desde os intervalos entre as notas e a capacidade que uma can\u00e7\u00e3o tem de sobreviver at\u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos e do p\u00fablico ao r\u00e1pido avan\u00e7o tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilberto Oliveira, professor musical h\u00e1 37 anos e m\u00fasico profissional h\u00e1 mais de 40, acredita que a tecnologia n\u00e3o atrapalha, mas sim contribui para a criatividade art\u00edstica. Nascido em Rio Grande, no litoral sul do estado ga\u00facho, cresceu em uma fam\u00edlia que valorizava muito a arte, sendo nutrido por ela desde a inf\u00e2ncia. Autodidata, j\u00e1 tocava antes mesmo de fazer um curso de viol\u00e3o cl\u00e1ssico para poder dar aulas.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19788\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/12_GuilhermeVivan-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Gilberto acredita que os m\u00fasicos devem estar em constante atualiza\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas tecnologias | Foto: Guilherme Vivan<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Apesar disso, Gilberto avalia que a internet tamb\u00e9m exige tempo de dedica\u00e7\u00e3o para a gest\u00e3o da carreira. \u201cTu tem que estar disposto a postar todos os dias, produzir todos os dias, e isso leva tempo. A maior parte dos m\u00fasicos n\u00e3o tem perfil para trabalhar na internet.\u201d Com a acelera\u00e7\u00e3o no fluxo das informa\u00e7\u00f5es e a din\u00e2mica das redes sociais e plataformas de <em>streaming<\/em>, o trabalho musical tamb\u00e9m sofre impactos constantes. \u201c\u00c9 tudo na press\u00e3o\u201d, conta, admitindo que quem n\u00e3o consegue acompanhar, n\u00e3o sobrevive na profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19779\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/19_GuilhermeVivan-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>O m\u00fasico compara a dura\u00e7\u00e3o das musicas de sua gera\u00e7\u00e3o com as feitas atualmente | Foto: Guilherme Vivan<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Gilberto relata que foi incentivado a se atualizar por seus alunos, representantes de uma gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasceu imersa na internet. \u201cA gente v\u00ea grandes m\u00fasicos que param no tempo\u201d, observa. O artista enxerga a desatualiza\u00e7\u00e3o como um entrave para a forma como os m\u00fasicos ir\u00e3o se comunicar com o p\u00fablico e acessar as novidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Improviso - Gilberto Oliveira\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hJGZP8cFCVw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Computador, instrumentos e pedais de distor\u00e7\u00e3o para guitarra s\u00e3o alguns dos equipamentos que Gilberto utiliza para trabalhar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 id=\"M\u00fasica_e_tecnologia_entre_gera\u00e7\u00f5es\"><strong>M\u00fasica e tecnologia entre gera\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Conforme <a href=\"https:\/\/rollingstone.com.br\/musica\/quanto-tempo-uma-musica-tem-para-convencer-o-ouvinte-hoje-em-dia-segundo-estudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa<\/a> realizada em 2023, na Universidade de Nova York, com 650 ouvintes apresentados a 250 m\u00fasicas, foram necess\u00e1rios em torno de cinco segundos de m\u00fasica para que cada participante decidisse se gostava ou n\u00e3o daquilo que escutava. Alternar entre uma m\u00fasica e outra \u00e9 um recurso comum que encontra pot\u00eancia nas plataformas de streaming. \u201cSou de uma gera\u00e7\u00e3o que compunha uma m\u00fasica de sete minutos e as pessoas ouviam uma m\u00fasica de sete minutos\u201d, lembra Gilberto. \u201cHoje, a exig\u00eancia \u00e9 de dois minutos no m\u00e1ximo para contar uma hist\u00f3ria.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro <a href=\"https:\/\/ucladatares.medium.com\/spotify-trends-analysis-129c8a31cf04\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles, analisou 160 mil faixas do Spotify e constatou que, de 2010 para 2020, as m\u00fasicas tiveram uma queda na dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de quatro minutos e 19 segundos para tr\u00eas minutos e 17 segundos. Um dado curioso \u00e9 que hoje elas t\u00eam um tempo m\u00e9dio semelhante ao das m\u00fasicas dos anos 1930. A pesquisa destaca que, naquela \u00e9poca, as m\u00fasicas eram mais curtas devido a limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Hoje, mesmo com a possibilidade de produzir m\u00fasicas extensas, as novas gera\u00e7\u00f5es t\u00eam optado por ouvir m\u00fasicas curtas.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Porto_Alegre,_anos_\"><strong>Porto Alegre, anos 70<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mas se a tecnologia \u00e9 capaz de influenciar no tamanho das m\u00fasicas, os momentos hist\u00f3ricos s\u00e3o um dos principais respons\u00e1veis por seus conte\u00fados. Nelson Coelho de Castro, de 71 anos, compositor, cantor e produtor musical porto-alegrense, afirma que a \u00fanica sa\u00edda para conseguir gravar na d\u00e9cada de 1970 era ir para S\u00e3o Paulo ou para o Rio de Janeiro. Em 1979, contrariando o costume de boa parte dos artistas que migravam para o Sudeste em busca de melhores oportunidades no ramo, Nelson lan\u00e7ou seu primeiro compacto, <em>Faz a cabe\u00e7a<\/em>. Dois anos depois, produziu seu primeiro disco independente, chamado <em>Juntos<\/em>. Para o artista, a m\u00fasica de Porto Alegre n\u00e3o foi estruturada a partir de grandes gravadoras, mas sim de \u201cpalafitas rom\u00e2nticas\u201d, no sentido de que a arte era enriquecida pelas a\u00e7\u00f5es coletivas, contando com alguns acasos e explorando os meios que a cidade proporcionava.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Z\u00e9 - Aquele Tempo do Julinho\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/track\/0sfjzYygLPXctFZfkkUOoT?si=hvzTdsO8SGaeMnojJYQu-A&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cTem m\u00fasicas que s\u00e3o cronistas, que s\u00e3o fotografias. A m\u00fasica <em>Z\u00e9<\/em>, por exemplo, era de um tempo rom\u00e2ntico, apesar da Ditadura\u201d<\/p><cite><strong>NELSON COELHO DE CASTRO<\/strong>, m\u00fasico e compositor<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Relembrando a d\u00e9cada de 70, Nelson comenta sobre uma forte uni\u00e3o dos estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que consumiam e movimentavam parte da cultura local. Ele cita a m\u00fasica <em>Z\u00e9<\/em>, que comp\u00f4s como o relato de um assassinato de um estudante ocorrido no Julinho, apelido de um col\u00e9gio da Capital, conhecido pelo forte movimento estudantil durante a Ditadura. \u201cTem m\u00fasicas que s\u00e3o cronistas, que s\u00e3o fotografias. A m\u00fasica <em>Z\u00e9<\/em>, por exemplo, era de um tempo rom\u00e2ntico, apesar da Ditadura.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"760\" height=\"540\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1_nelson_coelho_de_castro-11171328-1.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19870\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1_nelson_coelho_de_castro-11171328-1.webp 760w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1_nelson_coelho_de_castro-11171328-1-300x213.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><figcaption>Para Nelson Coelho de Castro, vivemos para deixar saudade | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Nelson acredita que hoje, em Porto Alegre, al\u00e9m da dispers\u00e3o dos universit\u00e1rios e do enfraquecimento dos diret\u00f3rios estudantis, os eventos culturais t\u00eam sido impactados pelo preconceito de classes mais altas e pelo desinteresse do poder p\u00fablico em fomentar a cultura. O m\u00fasico destaca, no entanto, que algumas de suas m\u00fasicas se transformaram com a passagem do tempo e sobreviveram. Essas, segundo Nelson, s\u00e3o as que falam sobre sentimentos como a paix\u00e3o e o amor, em uma forma de \u201cpoesia universal\u201d que se transforma e se mant\u00e9m atual. \u201cElas n\u00e3o s\u00e3o f\u00f3bicas ao tempo\u201d, define.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Uma_nova_e_saudosa_perspectiva\"><strong>Uma nova e saudosa perspectiva<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Bruno Corr\u00eaa, de 25 anos, conhecido como Mec7, \u00e9 estudante de gradua\u00e7\u00e3o em Dan\u00e7a na UFRGS e DJ. Bruno toca em eventos como o Afrojams e a BatukBaile, espa\u00e7os de fomento para p\u00fablicos, artistas e ritmos negros, onde foca sua perspectiva musical no <em>funk<\/em> e em vertentes como a <em>black music<\/em> e o <em>pop<\/em>. Apesar de se relacionar com sonoridades muito atuais, ele considera as obras do passado importantes como refer\u00eancias para o seu processo de composi\u00e7\u00e3o. \u201cIsso \u00e9 at\u00e9 algo que eu fico me policiando um pouco, porque eu gosto muito de m\u00fasica antiga, muito mais do que as atuais, talvez, t\u00e1 ligado? Mas eu tamb\u00e9m gosto de me atualizar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"685\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19872\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-2048x1371.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/31_Ignacio-Cordeiro-1568x1050.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Unindo o antigo ao novo, Mec7 explora ritmos musicais diversos | Foto: Ign\u00e1cio Cordeiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O DJ ouve, em m\u00e9dia, 12 horas de m\u00fasica por dia. Pesquisa ritmos como o <em>disco<\/em> e o <em>pop<\/em> dos anos 2000, assim como <em>boogie <\/em>e<em> house<\/em>, g\u00eaneros eletr\u00f4nicos que t\u00eam o <em>blues <\/em>entre suas ra\u00edzes. \u201cEu posso dizer que eu bebo bastante na fonte do que j\u00e1 passou, mas tento trazer isso de uma forma mais minha, pros dias de hoje\u201d, explica. \u201cMisturo o antigo com o <em>funk<\/em> de agora.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de estudar m\u00fasicas de diferentes \u00e9pocas, Bruno tamb\u00e9m percebe em seu trabalho uma outra rela\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas com o tempo. Ele diz que existe um senso comum entre os DJs de que o <em>setlist<\/em>, a sequ\u00eancia de m\u00fasicas na noite, possui diferentes etapas. No come\u00e7o, eles apresentam para a pista o que vai ser tocado, subindo a intensidade gradualmente. No meio, a intensidade diminui para que as pessoas recuperem o f\u00f4lego, e, no fim, as m\u00fasicas se encaminham para um ritmo mais explosivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"DJ MEC7 - Performance\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VwXWC1hCM6A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>A experi\u00eancia sensorial entre DJ e p\u00fablico \u00e9 marcada pela sensibilidade entre esses dois agentes.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-1024x693.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19767\" width=\"539\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-1024x693.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-768x520.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-1536x1040.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-2048x1386.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Ignacio-Cordeiro-1568x1061.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><figcaption>Por meio da m\u00fasica, o encontro entre Bruno e Nelson atravessa d\u00e9cadas e estilos diferentes | Foto: Ign\u00e1cio Cordeiro<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Bruno reflete sobre o passado de outros artistas negros que tiveram muita resist\u00eancia e hoje impactam o caminho que ele trilha. O DJ deseja trabalhar de um modo diferente, reinventando-se para que seu p\u00fablico encontre novas formas de ouvir m\u00fasica, de dan\u00e7ar e de pensar. Nesse sentido, procura fazer com que as pessoas se permitam estar presentes, no \u201cagora\u201d, sem pensar em quando determinada m\u00fasica ir\u00e1 tocar ou em fazer v\u00eddeos apenas para postar nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"O_que_torna_uma_m\u00fasica_atemporal?\"><strong>O que torna uma m\u00fasica atemporal?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para o DJ Mec7, a m\u00fasica se torna atemporal quando atravessa barreiras, gera\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os. A sobreviv\u00eancia de uma can\u00e7\u00e3o, para Bruno, est\u00e1 vinculada ao territ\u00f3rio onde ela ecoou antes e onde ser\u00e1 tocada depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando exemplos de m\u00fasicos que performam pelo mundo inteiro, como Rosa Passos, Chico C\u00e9sar e Fil\u00f3 Machado, o professor Gilberto justifica que a maneira como esses artistas encaram sua pr\u00f3pria realidade, \u00e0 revelia dos holofotes midi\u00e1ticos, faz com que criem m\u00fasicas atemporais. \u201cOs nossos grandes artistas, com relev\u00e2ncia, querem contar uma hist\u00f3ria, fazer uma cr\u00edtica, falar de amor sem precisar dizer especificamente do que eles est\u00e3o falando. Fica tudo nas entrelinhas e entenda quem quiser.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nelson Coelho de Castro critica a superficialidade de m\u00fasicas curtas, segundo ele, feitas pensando exclusivamente no lucro. Vincula a essas a express\u00e3o \u201cobsolesc\u00eancia programada\u201d. Por outro lado, afirma que algumas m\u00fasicas n\u00e3o t\u00eam medo do tempo e perduram. O compositor fala que vivemos para produzir momentos de saudade. Seria na saudade, ent\u00e3o, que moraria sua m\u00fasica atemporal?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Bandeira Estandarte - Gilberto Oliveira\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2tDGcqyVZYc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption>Cada can\u00e7\u00e3o traz a marca daquilo que veio antes, assim, tamb\u00e9m deixa sua impress\u00e3o nas can\u00e7\u00f5es que vir\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Bandeira Estandarte\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/track\/4A0I9cS63FupfvDtfZes7v?si=a64d2efd7bdf4d3e&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/donde-esta-mi-lugar-en-el-mundo\/\"><strong>\u00bfD\u00f3nde est\u00e1 mi lugar en el mundo?<\/strong><\/a>: A hist\u00f3ria de um grupo de migrantes e sua comunidade formada a partir de uma banda de rock<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-construcao-da-identidade-cultural-pelas-fronteiras\/\"><strong>Na borda do mapa<\/strong><\/a>: Como os brasileiros que vivem em regi\u00f5es fronteiri\u00e7as s\u00e3o influenciados culturalmente pelos pa\u00edses vizinhos<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;A cada dia, cerca de 100 mil m\u00fasicas s\u00e3o lan\u00e7adas mundialmente nas plataformas de streaming. 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