{"id":19515,"date":"2025-12-11T11:33:24","date_gmt":"2025-12-11T14:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=19515"},"modified":"2025-12-11T11:33:25","modified_gmt":"2025-12-11T14:33:25","slug":"um-cafe-com-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/um-cafe-com-a-morte\/","title":{"rendered":"Um caf\u00e9 com a morte"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/audio-um-cafe-com-a-morte-1.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O caminh\u00e3o subia a rua no munic\u00edpio de<strong> <a href=\"https:\/\/www.morroreuter.rs.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Morro Reuter<\/a><\/strong>, na serra ga\u00facha, estampando no para-choque o dizer: \u201cMorra com mem\u00f3rias, n\u00e3o com sonhos\u201d. In\u00eas Berti, de 66 anos, dirigia seu carro logo atr\u00e1s dele e tomou nota da frase, que h\u00e1 muito tempo \u00e9 o lema de sua vida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 36 anos, In\u00eas era casada, levava uma vida saud\u00e1vel, tinha planos e um montante de dinheiro no banco que n\u00e3o encontrava tempo para usufruir por causa do trabalho bem-sucedido como bioqu\u00edmica em uma ind\u00fastria. Segundo ela, estava na idade em que as pessoas se consideram imortais, quando recebeu o diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer de mama. \u201cFoi um baque\u201d, diz In\u00eas. \u201cUma doen\u00e7a tipo c\u00e2ncer escreve na tua frente: \u2018<strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entre-o-amor-e-o-luto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">voc\u00ea vai morrer<\/a><\/strong>\u2019. E eu era uma pessoa que nunca tinha pensado ou falado sobre morte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo de tratamento, o c\u00e2ncer entrou em remiss\u00e3o, mas voltou cerca de dez anos depois na forma de um n\u00f3dulo linf\u00e1tico. Mais tarde, quando In\u00eas tinha 51 anos, ele evoluiu para uma met\u00e1stase nos ossos e come\u00e7ou a se espalhar por outros \u00f3rg\u00e3os. Nessa \u00e9poca, ela passou a ser uma das 625 mil pacientes em cuidados paliativos no Brasil, conforme dados estimados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2024.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-id=\"20064\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20064\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1-2.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Fonte:<\/strong> Atlas Nacional de Cuidados Paliativos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" data-id=\"20063\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20063\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2-600x600.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><strong>Fonte:<\/strong> Atlas Nacional de Cuidados Paliativos<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Para a <strong><a href=\"https:\/\/www.who.int\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a> <\/strong>(OMS), toda pessoa diagnosticada com uma doen\u00e7a que amea\u00e7a a vida pode entrar em cuidados paliativos, visando o al\u00edvio do sofrimento. Essa no\u00e7\u00e3o foi criada pela m\u00e9dica brit\u00e2nica Cicely Saunders, que fundou o primeiro centro de tratamento para pacientes terminais em 1967, o<em><strong><a href=\"https:\/\/www.stchristophers.org.uk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> St. Christopher\u2019s Hospice<\/a><\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o conceito desse tipo de cuidado evoluiu para uma pr\u00e1tica interdisciplinar, que vai al\u00e9m da medicina. Segundo a m\u00e9dica paliativista e professora da <strong><a href=\"https:\/\/portal.ufpel.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade Federal de Pelotas<\/a><\/strong> (UFPel) Julieta Fripp, essa abordagem \u00e9 essencial para assegurar a qualidade de vida aos usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <strong><a href=\"https:\/\/www.pelotas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pelotas<\/a><\/strong>, Julieta lidera a <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/cuidativa\/nossa-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Cuidativa<\/strong><\/a>, um centro de refer\u00eancia regional que acolhe pessoas em cuidados paliativos encaminhadas pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), promovendo pr\u00e1ticas como acupuntura, dan\u00e7a circular e m\u00fasica. O centro tamb\u00e9m luta pela conclus\u00e3o das obras de um <em>hospice<\/em>, nos moldes do<em> St. Christopher\u2019s<\/em>, para garantir qualidade de morte. \u201cO momento da morte \u00e9 muito sofrido\u201d, lembra a pesquisadora. \u201cTu tens que controlar o sintoma, dar conforto e seguran\u00e7a para a pessoa e para a fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2>Estigmas do fim da vida<\/h2>\n\n\n\n<p>Qualidade de morte \u00e9 um tema delicado no Brasil. Nesse quesito, <a href=\"https:\/\/portal.ufpel.edu.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>em 2010, o pa\u00eds ocupava a 38\u00aa posi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, de 40, em um ranking da revista brit\u00e2nica <em>The Economist<\/em>. J\u00e1<a href=\"https:\/\/impact.economist.com\/health\/2015-quality-death-index\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong> em 2021, uma atualiza\u00e7\u00e3o colocava o Brasil no 78\u00b0 lugar<\/strong><\/a> em uma amostra de 81 pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a psicanalista Luciane Slomka, esse desempenho ocorre por causa de uma cultura que confunde cuidados paliativos com terminalidade. \u201cMuitas vezes, a fam\u00edlia fala \u2018N\u00e3o podemos desistir. Quem sabe mais um rem\u00e9dio ou o pr\u00f3ximo tratamento?\u2019\u201d, diz ela, que trabalhou por dez anos como psic\u00f3loga na oncologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e hoje \u00e9 professora na<strong> <a href=\"https:\/\/www.unisinos.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Unisinos<\/a><\/strong>. \u201cA frase que eu sempre falo em aula \u00e9: nem todo paciente em cuidados paliativos \u00e9 terminal, mas todo paciente terminal deveria estar em cuidados paliativos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a essa compreens\u00e3o que In\u00eas associa sua melhora de vida. Tornar-se uma paciente paliativa fez com que ela se reconciliasse com a ideia de morte e manifestasse seus desejos para o caso de interna\u00e7\u00f5es. Na medicina paliativa, essa pr\u00e1tica \u00e9 conhecida como Testamento Vital, ou<strong> <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/publicacoes\/estudos-legislativos\/tipos-de-estudos\/textos-para-discussao\/td320\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diretivas Antecipadas de Vontade<\/a><\/strong><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/publicacoes\/estudos-legislativos\/tipos-de-estudos\/textos-para-discussao\/td320\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> <\/a>(DAV), e oferece certa autonomia ao paciente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>In\u00eas ressalta que, desde a volta de seu c\u00e2ncer, em 2005, os cuidados paliativos a ajudaram em quatro aspectos: f\u00edsicos, psicol\u00f3gicos, sociais e espirituais. Essas esferas tamb\u00e9m s\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o central do Diagrama de Abordagem Multidimensional, recomendado como instrumento de avalia\u00e7\u00e3o do sofrimento no <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/publicacoes\/guias-e-manuais\/2023\/manual-de-cuidados-paliativos-2a-edicao\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Manual de Cuidados Paliativos<\/strong><\/a>, lan\u00e7ado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2017 e atualizado em 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao tema veio em maio de 2024, com a cria\u00e7\u00e3o da <strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2024\/maio\/ministerio-da-saude-lanca-politica-inedita-no-sus-para-cuidados-paliativos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edtica Nacional de Cuidados Paliativos<\/a><\/strong> (PNCP), que investe na forma\u00e7\u00e3o de equipes para atender pacientes nesse quadro. Mesmo com essa melhoria, o m\u00e9dico anestesiologista Wolnei Caumo ainda v\u00ea entraves no desenvolvimento da \u00e1rea no Brasil por falta de equipe, de materiais e de capacita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Respons\u00e1vel por formar futuros profissionais, ele aponta que encontrar maneiras de lidar com a morte \u00e9 um exerc\u00edcio cotidiano nesse processo. \u201cEu sempre falo aos alunos: a gente t\u00e1 fazendo o melhor, por mais do\u00eddo que seja\u201d, resume Wolnei, que \u00e9 chefe do departamento de Dor e Medicina Paliativa do Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre. \u201cEu fiz medicina para ajudar as pessoas e \u00e9 preciso manter essa tranquilidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Uma doen\u00e7a \u00e9 um tapa da vida que nos coloca em confronto com essa possibilidade da morte&#8221;<\/p><cite><strong>LUCIANE SLOMKA<\/strong>, psicanalista e professora<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Lidar com a morte tamb\u00e9m era um desafio para a psicanalista Luciane quando come\u00e7ou a trabalhar no Hospital Moinhos de Vento, em 2004. Desde a inf\u00e2ncia, carregava a quest\u00e3o: o que acontece quando a gente morre? Durante o trabalho no hospital, a pergunta persistiu. L\u00e1, observava os desafios impostos pelos atendimentos, como a centralidade da rela\u00e7\u00e3o com a dor, um dos princ\u00edpios dos cuidados paliativos e se diferencia de outras \u00e1reas da psicologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Luciane, o hospital exige uma escuta ativa, que demanda um envolvimento maior com o corpo. Al\u00e9m disso, ela lembra que, para a psican\u00e1lise, o tempo n\u00e3o existe no inconsciente, o que traz mais complexidade no trato com o paciente. \u201cA gente acha que tem todo o tempo do mundo, que vai viver muitos e muitos anos. Freud j\u00e1 dizia que no nosso inconsciente a gente tem a certeza de que \u00e9 imortal\u201d, argumenta. \u201cMas uma doen\u00e7a \u00e9 um tapa da vida, que nos coloca em confronto com essa possibilidade da morte. \u00c9 algo que nos faz refletir sobre a maneira como estamos vivendo e nos relacionando uns com os outros\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso do <em><strong><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/deathcafeportoalegre\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Death Caf\u00e9<\/a><\/strong><\/em>, um projeto itinerante e gratuito que organiza encontros mensais em Porto Alegre para discutir a tem\u00e1tica da morte de uma forma saud\u00e1vel. Iniciado na Capital em 2017 pelas paliativistas Cristiane Moro e Natalia Frizzo, o projeto segue os modelos de uma franquia internacional ativa desde o in\u00edcio dos anos 2000, que visa promover um espa\u00e7o para que pessoas do mundo todo possam falar sobre suas experi\u00eancias pessoais com a morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-4 wp-block-gallery-3 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"776\" height=\"1024\" data-id=\"19717\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-776x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19717\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-776x1024.jpg 776w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-227x300.jpg 227w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-768x1013.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-1164x1536.jpg 1164w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-1552x2048.jpg 1552w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-1568x2069.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/01_Breno-Bauer-1-scaled.jpg 1940w\" sizes=\"(max-width: 776px) 100vw, 776px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"19716\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19716\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/02_Breno-Bauer-1-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"19715\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19715\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-2048x1536.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/03_-Breno-Bauer-1568x1176.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">In\u00eas (centro) vai aos encontros do Death Caf\u00e9, que discute a morte desde 2017 na Capital e \u00e9 coordenado por Cristiane | Fotos: Breno Bauer<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um lugar de sala de aula, com temas prontos, definidos\u201d, conta Cristiane, fisioterapeuta e especialista em Gerontologia Biom\u00e9dica. \u201c\u00c9 um lugar de debate. Para al\u00e9m da morte f\u00edsica concreta, falamos da vida cotidiana, de mortes que \u00e0s vezes n\u00e3o s\u00e3o muito reconhecidas, de perdas importantes, transformadoras de vida.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o projeto recebe participantes de&nbsp; todo o&nbsp; Rio Grande do Sul. A maior parte deles s\u00e3o pessoas em cuidados paliativos e profissionais da sa\u00fade que atuam na \u00e1rea. Para Natalia, que \u00e9 psic\u00f3loga, isso ocorre porque o caf\u00e9 acolhe e d\u00e1 vaz\u00e3o aos sentimentos envolvidos nos cuidados do fim da vida. \u201cAs emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o contagiosas e de alguma forma v\u00e3o te tocar. E se voc\u00ea n\u00e3o achar um destino para elas, elas v\u00e3o te encontrar em algum momento da sua vida, voc\u00ea vai trope\u00e7ar nelas de um jeito bem mais cruel do que se tivesse tido a coragem de enfrent\u00e1-las antes\u201d, argumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos encontros, os participantes compartilham bolos e caf\u00e9, discutem a morte e oferecem um espa\u00e7o de escuta. In\u00eas, moradora de Morro Reuter, participa de alguns deles quando est\u00e1 em Porto Alegre. A compreens\u00e3o da possibilidade da morte provocou uma transforma\u00e7\u00e3o radical na sua vida. Dissolveu o casamento, largou o emprego, libertou a artista pl\u00e1stica que sempre havia reprimido, encontrou um novo companheiro, viajou mais e come\u00e7ou a ler sobre a morte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que In\u00eas, Wolnei, Luciane, Cristiane, Natalia e Julieta t\u00eam em comum \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que as pessoas morrem como vivem. In\u00eas leva isso a s\u00e9rio, por isso decidiu n\u00e3o viver s\u00f3 de sonhos, mas morrer com mem\u00f3rias, como dizia a frase que um dia viu no caminh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/depois-do-fim\/\"><strong>Depois do fim<\/strong><\/a>: Ap\u00f3s um longo per\u00edodo de isolamento social, as rela\u00e7\u00f5es humanas se tornaram uma grande inc\u00f3gnita, e o futuro permanece em aberto mesmo com as constantes adapta\u00e7\u00f5es<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entre-o-amor-e-o-luto\/\"><strong>Entre o amor e o luto<\/strong><\/a>: Noemia compartilhou quase meio s\u00e9culo de sua vida ao lado da mesma pessoa, enfrentou o fen\u00f4meno do efeito viuvez e hoje guarda com carinho as lembran\u00e7as do seu eterno namorado<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caminh\u00e3o subia a rua no munic\u00edpio de Morro Reuter, na serra ga\u00facha, estampando no para-choque o dizer: \u201cMorra com mem\u00f3rias, n\u00e3o com sonhos\u201d. 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