{"id":20600,"date":"2026-07-03T13:58:07","date_gmt":"2026-07-03T16:58:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=20600"},"modified":"2026-07-29T22:46:31","modified_gmt":"2026-07-30T01:46:31","slug":"minha-mae-esta-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/minha-mae-esta-na-lua\/","title":{"rendered":"Minha m\u00e3e est\u00e1 na Lua"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/audiodescricaominhamaeestanalua.mp3\"><\/audio><figcaption>Ou\u00e7a a reportagem<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na madrugada de 30 de mar\u00e7o de 1981, Liliane de Grammont, com um ano e oito meses, dormia na casa do pai enquanto sua m\u00e3e, a cantora Eliane de Grammont, se apresentava no caf\u00e9 Belle \u00c9poque, em S\u00e3o Paulo. Aos 26 anos, Eliane tentava retomar sua carreira ap\u00f3s encerrar o relacionamento abusivo com o ex-marido, o cantor Lindomar Castilho, autor do sucesso <em>Voc\u00ea \u00c9 Doida Demais<\/em> e pai de Liliane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, entre os versos da can\u00e7\u00e3o <em>Jo\u00e3o e Maria<\/em>, de Chico Buarque, os planos de Eliane foram interrompidos: Lindomar entrou no local e, com um rev\u00f3lver calibre 38, efetuou cinco disparos contra ela. Um deles atingiu seu peito. A artista foi socorrida, mas morreu a caminho do hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eliane se tornou mais uma v\u00edtima de um crime que sequer possu\u00eda tipifica\u00e7\u00e3o penal espec\u00edfica na \u00e9poca, uma vez que a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13104.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei do Feminic\u00eddio (Lei 13.104)<\/a> seria sancionada apenas em 2015. J\u00e1 Lindomar se tornou r\u00e9u, sendo condenado, em 1984, a 12 anos de pris\u00e3o. E a filha do casal, Liliane, se tornou \u00f3rf\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Esse tamb\u00e9m \u00e9 o caso de ao menos 41 crian\u00e7as e adolescentes que perderam suas m\u00e3es para o feminic\u00eddio at\u00e9 maio de 2026 no Rio Grande do Sul, segundo dados disponibilizados pelo <a href=\"https:\/\/www.mprs.mp.br\/areas\/criminal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento \u00e0s V\u00edtimas (Caocrim) <\/a>do <a href=\"https:\/\/www.mprs.mp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado (MPRS)<\/a>. No per\u00edodo, 36 mulheres foram v\u00edtimas desse crime no Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"Dan\u00e7ando_com_a_dor\"><strong>Dan\u00e7ando com a dor<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Aos 47 anos, Liliane, conhecida como Lili, \u00e9 diretora art\u00edstica da Companhia de Dan\u00e7a de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, em S\u00e3o Paulo. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e, core\u00f3grafa, graduada em psicologia e p\u00f3s-graduada em direitos humanos. Ainda crian\u00e7a, descobriu que era uma \u00f3rf\u00e3 do feminic\u00eddio ap\u00f3s uma de suas primas, durante uma briga, dizer: \u201cVoc\u00ea nem sabe que foi seu pai que matou sua m\u00e3e!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, Lili acreditava que o crime havia sido cometido por um ladr\u00e3o. Apesar do julgamento de Lindomar Castilho ter sido televisionado na \u00e9poca e ter incitado protestos populares, a av\u00f3 materna de Lili, a compositora Elena de Grammont, escolheu n\u00e3o revelar \u00e0 neta que Lindomar era o autor do feminic\u00eddio para n\u00e3o prejudicar a rela\u00e7\u00e3o de Lili com o pai.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"645\" height=\"388\" data-id=\"20926\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0034-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20926\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0034-1-1.jpg 645w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0034-1-1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"614\" data-id=\"20925\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0036-1-1-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20925\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0036-1-1-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0036-1-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0036-1-1-768x460.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0036-1-1.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"604\" height=\"404\" data-id=\"20927\"  src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0035-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20927\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0035-1-1.jpg 604w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG-20260609-WA0035-1-1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 604px) 100vw, 604px\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">O feminic\u00eddio de Eliane de Grammont incitou protestos populares na cidade de S\u00e3o Paulo | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A explica\u00e7\u00e3o que a av\u00f3, respons\u00e1vel legal de Lili, lhe oferecia, era l\u00fadica. Elena escolhia estimular a imagina\u00e7\u00e3o da neta como uma forma de abrigar o luto. \u201cEla falava que a minha m\u00e3e estava na Lua. Que eu poderia colocar uma escada para subir at\u00e9 l\u00e1\u201d, lembra Lili.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ela descobriu a verdade, o impacto apareceu de forma silenciosa. \u201cContam que eu era uma crian\u00e7a danada, corria, eu era um furac\u00e3o e, depois disso, eu fiquei quietinha, boazinha, me deprimi por dentro\u201d, relembra. Altera\u00e7\u00f5es no comportamento, segundo a psic\u00f3loga infantil Jacqueline Amorim, s\u00e3o comuns em crian\u00e7as que enfrentam o luto. Os sintomas, no entanto, s\u00e3o diversos e podem oscilar entre dificuldades escolares, agressividade, tristeza ou des\u00e2nimo excessivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, por\u00e9m, a quietude de Lili deu lugar \u00e0 dan\u00e7a. Aos 13 anos, ela encontrou no bal\u00e9 uma forma de expressar o que n\u00e3o conseguia dizer. Para ela, a arte ocupou um espa\u00e7o t\u00e3o fundamental quanto o acompanhamento terap\u00eautico no processo de entender e enfrentar seu trauma. \u201cA dan\u00e7a me salvou\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"750\" height=\"553\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-2_Arquivo-pessoal.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20704\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-2_Arquivo-pessoal.jpeg 750w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-2_Arquivo-pessoal-300x221.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption>Lindomar Castilho, Lili de Grammont e Eliane de Grammont, em uma de suas poucas fotos juntos | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As marcas deixadas pelo feminic\u00eddio, contudo, permanecem. Para Jacqueline, perder a m\u00e3e j\u00e1 \u00e9, por si s\u00f3, um dos eventos mais devastadores que podem existir no desenvolvimento emocional infantil. Quando a causa dessa morte \u00e9 violenta, o impacto \u00e9 ainda pior e seus efeitos podem reverberar ao longo da vida. \u201cAp\u00f3s o trauma, \u00e9 como se houvesse uma ruptura da confian\u00e7a b\u00e1sica da crian\u00e7a com o mundo\u201d, explica. Essa quebra, de acordo com a psic\u00f3loga, pode influenciar a forma como essas crian\u00e7as constroem v\u00ednculos na vida adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Lili conhece bem essa consequ\u00eancia. \u201cPor muitos anos eu preferi n\u00e3o amar. Eu n\u00e3o queria ser m\u00e3e. Eu tinha medo de ser m\u00e3e e morrer\u201d, revela. Ao longo da sua vida, a core\u00f3grafa evitava falar sobre o caso que envolvia seus pais. Mas, em 2020, decidiu contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria ap\u00f3s ler uma reportagem sobre a quantidade de crian\u00e7as que perderam suas m\u00e3es para o feminic\u00eddio naquele ano. Desde ent\u00e3o, passou a se dedicar a a\u00e7\u00f5es de ativismo voltadas \u00e0 visibilidade dos \u00f3rf\u00e3os, defendendo o apoio psicol\u00f3gico, a cria\u00e7\u00e3o de um Centro de Refer\u00eancia aos \u00d3rf\u00e3os de Feminic\u00eddio (Crof) e a mudan\u00e7a na mentalidade coletiva.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>\u201cUma morte por feminic\u00eddio \u00e9 uma morte social. \u00c9 uma morte anunciada\u201d<\/p><cite><strong>LILI DE GRAMMONT<\/strong>, \u00f3rf\u00e3 do feminic\u00eddio<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, Lili passou a refletir sobre os fatores sociais que levam \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. Para ela, muitas m\u00fasicas e filmes populares ajudam a naturalizar comportamentos mis\u00f3ginos e, consequentemente, contribuem para o aumento dos feminic\u00eddios. Ela cita como exemplo o verso \u201cSe te agarro com outro, te mato! Te mando algumas flores e depois escapo\u201d, cantado por Sidney Magal apenas quatro anos antes do assassinato de Eliane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora d\u00e9cadas tenham se passado desde o crime, Lili acredita que a misoginia continuou presente na sociedade e assumiu novas formas. Se antes ela aparecia em m\u00fasicas e filmes, hoje tamb\u00e9m se espalha pela internet. \u00c9 nesse contexto que surge a \u201cmachosfera\u201d, termo que se refere a comunidades online que promovem o conceito de superioridade masculina. Segundo Lili, esse tipo de conte\u00fado contribui para formar uma nova gera\u00e7\u00e3o de jovens que cultivam o \u00f3dio contra as mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a diretora art\u00edstica, esse cen\u00e1rio mostra que a viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 resultado de uma estrutura social que normaliza abusos e falha em interromp\u00ea-los. \u201cUma morte por feminic\u00eddio \u00e9 uma morte social. \u00c9 uma morte anunciada, \u00e9 uma morte que poderia ser evitada\u201d, afirma. Romper esse ciclo exige mudan\u00e7as culturais, bem como pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes na preven\u00e7\u00e3o e no enfrentamento do crime. Essa realidade, entretanto, ainda est\u00e1 distante.<\/p>\n\n\n\n<h2 id=\"As_crian\u00e7as_que_ficam\"><strong>As crian\u00e7as que ficam<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No Rio Grande do Sul, existem iniciativas voltadas ao combate do feminic\u00eddio e ao acolhimento dos \u00f3rf\u00e3os. Uma delas \u00e9 o projeto <em><a href=\"https:\/\/www.defensoria.rs.def.br\/criancas-e-adolescentes-orfaos-do-feminicidio-terao-atendimento-especial-a-partir-de-projeto-da-defensoria-publica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vidas Que Ficam<\/a><\/em>, criado em 2025 pelo N\u00facleo de Defesa da Crian\u00e7a e do Adolescente (Nudeca) da <a href=\"https:\/\/www.defensoria.rs.def.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Defensoria P\u00fablica do Estado (DPE\/RS)<\/a>. Entre as suas atribui\u00e7\u00f5es, est\u00e3o a regulariza\u00e7\u00e3o da guarda e o encaminhamento dos pedidos de pens\u00e3o especial para os filhos das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>A defensora p\u00fablica Paula Sim\u00f5es, dirigente do N\u00facleo, afirma que a iniciativa tem como principal objetivo dar visibilidade aos \u00f3rf\u00e3os. O projeto atua de forma ativa, buscando e iniciando o contato com as fam\u00edlias impactadas pelo feminic\u00eddio. Todavia, ela ressalta que iniciativas isoladas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para enfrentar o problema. \u00c9 necess\u00e1rio promover uma cultura baseada na igualdade e no respeito \u00e0s mulheres. \u201cAinda h\u00e1 muito a fazer para que haja uma nova cultura de respeito, de rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis\u201d, avalia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta aos \u00edndices alarmantes de feminic\u00eddio no estado, foi anunciada a recria\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.mulher.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Secretaria da Mulher do Rio Grande do Sul (SDM)<\/a> em junho de 2025 \u2014 o \u00f3rg\u00e3o estava inativo h\u00e1 uma d\u00e9cada. J\u00e1 em mar\u00e7o deste ano, foi lan\u00e7ado o <a href=\"https:\/\/www.mulher.rs.gov.br\/programa-estadual-de-protecao-e-promocao-dos-direitos-das-mulheres\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Estadual de Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos das Mulheres<\/a> pelo governo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>A SDM foi contatada pela reportagem e afirmou em nota que \u201cest\u00e1 amplamente comprometida com a prote\u00e7\u00e3o das mulheres em todo o territ\u00f3rio ga\u00facho\u201d, salientando que trabalha em parceria com a <a href=\"https:\/\/www.ssp.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SSP)<\/a> e a DPE\/RS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, at\u00e9 o m\u00eas de maio de 2026, os feminic\u00eddios no Rio Grande do Sul apresentaram um aumento de 20% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2025, conforme levantamento da <em>Sextante<\/em> a partir de dados da <a href=\"https:\/\/www.pc.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edcia Civil<\/a>. Quando a apura\u00e7\u00e3o desta reportagem come\u00e7ou, em mar\u00e7o de 2026, 20 mulheres haviam sido v\u00edtimas do crime. No final de maio, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do texto, o n\u00famero aumentou para 36. Com isso, cresceram tamb\u00e9m as hist\u00f3rias de inf\u00e2ncias marcadas pelo trauma.<a href=\"\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21295\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1-1568x882.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/graficos-sextante-1.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fonte: Pol\u00edcia Civil RS e SSP\/RS | Infogr\u00e1fico: J\u00falia Cristofoli Campos e Laura Costa Bender<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 por essas crian\u00e7as que Lili continua transformando sua dor em ativismo. D\u00e9cadas depois do assassinato de Eliane, a menina que acreditava que a m\u00e3e estava na Lua busca por mem\u00f3ria, justi\u00e7a e cuidado com os \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio. Hoje, Lili tenta impedir que outras crian\u00e7as cres\u00e7am procurando suas m\u00e3es no c\u00e9u. \u201cPor que eu fa\u00e7o isso? Porque se eu n\u00e3o fizer, vai doer mais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20711\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-1200x800.jpg 1200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal-1568x1045.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Foto-3_Arquivo-pessoal.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Liliane se dedica a palestras de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o machismo, a viol\u00eancia contra mulher e a vida dos \u00f3rf\u00e3os do feminic\u00eddio | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-ultimate-post-wrapper ultp-block-520e5e\"><div class=\"ultp-wrapper-block\">\n<h5><strong>Onde buscar ajuda<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/ligue180\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Central de Atendimento \u00e0 Mulher (180) <\/a>\u2013 Canal gratuito e sigiloso para orienta\u00e7\u00e3o, acolhimento, registro de den\u00fancias e encaminhamento \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o.<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.delegaciaonline.rs.gov.br\/dol\/#!\/index\/main\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Delegacia Online da Mulher<\/a> \u2013 Permite registrar ocorr\u00eancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica, amea\u00e7a, inj\u00faria, difama\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e outros crimes sem sair de casa. O servi\u00e7o est\u00e1 dispon\u00edvel 24 horas por meio da Delegacia Online da Pol\u00edcia Civil do RS.<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.brigadamilitar.rs.gov.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edcia Militar (190) <\/a>\u2013 Deve ser acionada em situa\u00e7\u00f5es de risco imediato ou emerg\u00eancia.<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.defensoria.rs.def.br\/crdh\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Refer\u00eancia em Direitos Humanos da Defensoria P\u00fablica do RS<\/a> \u2013 Oferece orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica gratuita pelo telefone 0800-644-5556.<\/li><li><a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sites\/default\/files\/usu_doc\/cartadeservicos\/Endere%C3%A7os%20CTs%20para%20Carta.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conselho Tutelar <\/a>&#8211; Deve ser acionado quando crian\u00e7as e adolescentes necessitarem de prote\u00e7\u00e3o, acolhimento ou acompanhamento ap\u00f3s a perda da m\u00e3e em decorr\u00eancia do feminic\u00eddio.<\/li><li><a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/sites\/default\/files\/usu_doc\/cartadeservicos\/fones_e_locais_FASC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CRAS e CREAS<\/a> &#8211; Prestam apoio psicossocial, acompanhamento familiar e encaminhamento para benef\u00edcios e servi\u00e7os de assist\u00eancia social.<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.defensoria.rs.def.br\/inicial\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Vidas que Ficam (Defensoria P\u00fablica do RS)<\/a> \u2013 Auxilia familiares e respons\u00e1veis na garantia de direitos, acesso a benef\u00edcios, guarda de menores e demais medidas de prote\u00e7\u00e3o. Atendimento pelo telefone 0800-642-3225 ou pelo e-mail ouvidoria@defensoria.rs.def.br.<\/li><\/ul>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\">\n<h2>LEIA MAIS<\/h2>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-despertar-de-um-recomeco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O despertar de um recome\u00e7o<\/a><\/strong>: Com a ajuda de casas de abrigo, mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia ganham a chance de reconstruir suas vidas de forma independente<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/excecoes-a-regra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra<\/a><\/strong>: Sem dados oficiais sobre identidade de g\u00eanero, o Brasil ignora a pr\u00f3pria viol\u00eancia. 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