{"id":2911,"date":"2021-11-11T19:28:04","date_gmt":"2021-11-11T22:28:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=2911"},"modified":"2021-11-22T13:51:16","modified_gmt":"2021-11-22T16:51:16","slug":"ha-futuro-para-a-leitura-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/ha-futuro-para-a-leitura-no-brasil\/","title":{"rendered":"H\u00e1 futuro para a leitura no Brasil?"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>\u00c9 verdade que os homens mais antigos, os primeiros bibliotec\u00e1rios, usavam uma linguagem assaz diferente da que falamos agora;&nbsp;\u00e9 verdade que algumas milhas \u00e0 direita a l\u00edngua \u00e9 dialetal<\/em> <em>e que noventa andares mais acima \u00e9 incompreens\u00edvel.<\/em><br><strong>A Biblioteca de Babel<\/strong>,<strong> Jorge Luiz Borges<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Em setembro de 2020, foi lan\u00e7ada a quinta edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.prolivro.org.br\/5a-edicao-de-retratos-da-leitura-no-brasil-2\/apresentacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pesquisa Retratos da Leitura no Brasil<\/a>, e os resultados foram, em parte, preocupantes. De 2015 a 2019, o pa\u00eds perdeu cerca de 4,6 milh\u00f5es de leitores, e boa parte deles nas faixas et\u00e1rias de 14 a 17 anos e de 18 a 24, chegando a oito pontos percentuais de diferen\u00e7a. Mas o que isso quer dizer para o futuro da leitura no pa\u00eds? <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa realizada quadrienalmente pelo <a href=\"https:\/\/www.prolivro.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Pr\u00f3-Livro (IPL)<\/a> \u00e9 dedicada a avaliar o comportamento do leitor brasileiro, buscando contribuir para&nbsp; discuss\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem o h\u00e1bito da leitura. O estudo apontou que o n\u00famero de leitores no pa\u00eds caiu de 56% para 52% \u2014 totalizando os 4,6 milh\u00f5es. Ele considera como leitor toda pessoa que leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos \u00faltimos tr\u00eas meses antes da aplica\u00e7\u00e3o da entrevista. Os dados apontam que o brasileiro l\u00ea, em m\u00e9dia, cinco livros por ano \u2014 mas apenas dois e meio completos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados, promovida pelo Ita\u00fa Cultural, <a href=\"https:\/\/www.prolivro.org.br\/2021\/08\/16\/entrevista-com-zoara-failla\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Zoara Failla<\/a>, coordenadora da pesquisa, afirmou que a internet, redes sociais e aplicativos, como o WhatsApp, ganharam muito espa\u00e7o entre as atividades preferidas no tempo livre entre todos os entrevistados. Enquanto, em 2015, 47% alegaram utilizar internet no tempo livre, na atual pesquisa esse n\u00famero aumentou para 66%. J\u00e1 entre os entrevistados que relataram utilizar o WhatsApp, o aumento foi de 15 pontos percentuais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/infografico-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3357\" width=\"775\" height=\"825\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/infografico-1-1.png 872w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/infografico-1-1-282x300.png 282w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/infografico-1-1-768x818.png 768w\" sizes=\"(max-width: 775px) 100vw, 775px\" \/><figcaption>\u00c9 poss\u00edvel perceber a queda na porcentagem de pessoas leitoras na maioria das faixas et\u00e1rias e o aumento do uso da internet e Whatsapp entre os anos de 2015 e 2019  | Fonte: Retratos da Leitura no Brasil. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esses dados est\u00e3o relacionados, principalmente, com as faixas et\u00e1rias que tiveram maior queda percentual de leitores. Thobias Pontes Barcelos, de 16 anos, morador de Gravata\u00ed e estudante da Escola Estadual de Ensino M\u00e9dio Jos\u00e9 Maur\u00edcio, conta que o que mais gosta de fazer em seu tempo livre \u00e9 ficar no celular ou no computador consumindo v\u00eddeos e <em>podcasts<\/em>, al\u00e9m de jogar em consoles. Apesar de gostar de ler, faz isso com pouca frequ\u00eancia. \u201cO \u00faltimo livro que li faz uns dois meses, chamado <em>O homem de giz<\/em>, afirma o estudante, que est\u00e1 cursando o segundo ano do Ensino M\u00e9dio. A obra da escritora inglesa C.J. Tudor tem uma trama de suspense e assassinatos.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>O poder das influ\u00eancias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Manuela Petri, de 14 anos, se considera uma leitora voraz e conta que sua irm\u00e3 mais velha foi um dos seus exemplos para gostar de ler. Al\u00e9m disso, destaca que compartilhar a leitura com as amigas fez com que o h\u00e1bito se tornasse mais frequente. Manuela mora em Porto Alegre e est\u00e1 no nono ano do Ensino Fundamental. Ela conta que l\u00ea mais de 15 livros por ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um dos grandes fatores que influenciam a leitura: o incentivo de outras pessoas. Cerca de 34% dos entrevistados para a pesquisa do IPL disseram que algu\u00e9m os estimulou a gostar de ler, sendo a fam\u00edlia e os professores os mais citados como influenciadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor de Portugu\u00eas e Ingl\u00eas D\u00eaner Ramos, de 27 anos, sempre v\u00ea seus alunos consumindo conte\u00fados ligados \u00e0 cultura pop. \u201cCultura pop \u00e9 tudo que tem alguma l\u00f3gica midi\u00e1tica por tr\u00e1s. Eu os vejo consumindo muito m\u00eddias visuais, como animes, filmes e s\u00e9ries.&nbsp; Muitos jogam videogame no celular ou nos pr\u00f3prios consoles e computadores\u201d, explica o professor, que leciona em uma escola municipal em Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>\u201cPara incentivar os alunos a ler, \u00e9 necess\u00e1rio partir do contexto deles e do que eles gostam para ent\u00e3o fazer rela\u00e7\u00f5es com literatura \u201d <\/p><cite><strong>D\u00caNER RAMOS,<\/strong> professor de Ingl\u00eas e Portugu\u00eas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Recanto da Lagoa, em Porto Alegre<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o interesse pela leitura \u00e9 baixo. D\u00eaner relata que poucos de seus alunos, que est\u00e3o entre o sexto e o nono ano do Ensino Fundamental,&nbsp; j\u00e1 t\u00eam o h\u00e1bito de ler livros. Quando se refere a livros, destaca que n\u00e3o se trata somente de livros com textos escritos, mas tamb\u00e9m de livros com textos visuais, como mang\u00e1s e hist\u00f3rias em quadrinhos. O professor explica que os alunos s\u00f3 conseguem ter interesse pela leitura se aquilo que leem faz sentido em suas vidas. &#8220;Para incentivar os alunos a ler, \u00e9 necess\u00e1rio partir do contexto deles e do que eles gostam para ent\u00e3o fazer rela\u00e7\u00f5es com literatura&#8221;, explica. Nesse sentido, para estimular o h\u00e1bito da leitura entre seus alunos, D\u00eaner desenvolveu um projeto na escola que foi bem aceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/audio-dener-pt-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 atrav\u00e9s da intertextualidade entre grandes obras liter\u00e1rias e os conte\u00fados de interesse dos alunos que D\u00eaner constr\u00f3i, de alguma forma, o v\u00ednculo das crian\u00e7as com a leitura. Ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do seu projeto de an\u00e1lise de <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/08\/08\/cultura\/1407517187_516503.html\"><em>fanfiction<\/em><\/a>, um dos alunos lhe procurou pedindo mais indica\u00e7\u00f5es de leitura. \u201cE eu me senti muito, muito, muito bem, porque foi sensacional saber que fiz um trabalho que permitiu que aquele aluno constru\u00edsse a possibilidade de, na vida dele, entrar no mundo da leitura\u201d, comemora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Ptt-2021-09-30-at-12.05.39-mp3cut.net-1.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Ataque aos livros<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m de o Brasil estar perdendo leitores para as redes sociais e internet, \u00e9 poss\u00edvel que perca ainda mais pelos elevados valores dos livros no mercado. Todo o processo de produ\u00e7\u00e3o possui altos custos, e dois movimentos do governo federal que est\u00e3o em andamento podem prejudicar muito o com\u00e9rcio de livros: a <a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2020\/07\/24\/isencao-de-pis\/cofins-do-livro-esta-ameacada\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">unifica\u00e7\u00e3o do Pis e Cofins<\/a>, que ocasionar\u00e1, se n\u00e3o revista, uma consequente taxa\u00e7\u00e3o no produto \u2014 proibida na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988; e a <a href=\"https:\/\/www.publishnews.com.br\/materias\/2021\/07\/26\/editores-se-unem-para-ir-contra-a-privatizacao-dos-correios\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3364\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/close-up-woman-at-mailbox-with-envelope-2-1568x1046.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Correios s\u00e3o o meio de envio de milhares de livros no pa\u00eds | Foto: Freepik<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Este segundo ponto, apesar de n\u00e3o impactar diretamente no valor do livro em si, poder\u00e1 aumentar os custos da log\u00edstica de envio. Segundo Tomaz Adour, presidente da <a href=\"https:\/\/libre.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Liga Brasileira de Editoras<\/a> (Libre), existe um tipo de entrega que s\u00f3 \u00e9 aplicada para livros, chamada de Registro M\u00f3dico. Ele permite que um livro chegue em qualquer lugar do Brasil com o mesmo valor e num prazo relativamente r\u00e1pido. \u201cPor exemplo, eu posso enviar um livro para S\u00e3o Paulo e ele chegar em dois dias. Esse mesmo livro enviado para Rond\u00f4nia poder\u00e1 chegar em tr\u00eas dias e ser\u00e1 pago de R$10 a R$12, dependendo do peso\u201d, explica. Com o Registro M\u00f3dico, o valor das duas entregas utilizadas como exemplo pelo presidente da Libre atualmente \u00e9 o mesmo, independente do local de entrega.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomaz tamb\u00e9m questiona como uma empresa privada ir\u00e1 entregar um livro em uma pequena cidade de Rond\u00f4nia, por exemplo, com o mesmo custo de uma entrega em uma grande capital. Na sua opini\u00e3o, a empresa privada avaliar\u00e1 primeiro qual o custo de cada envio e o lucro que ir\u00e1 obter nas entregas, e a\u00ed calcular\u00e1 o valor que precisa cobrar para em cada uma delas. \u201cTalvez em um livro para Rond\u00f4nia o consumidor tenha de pagar R$ 50 de frete, por exemplo, que \u00e9 mais que o valor do pr\u00f3prio livro\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-forca-da-criacao-com-afeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A for\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o com afeto<\/a><\/strong>: a disciplina positiva ajuda a cultivar, ainda na inf\u00e2ncia, confian\u00e7a, autoestima e amor pr\u00f3prio<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/era-uma-vez-em-um-tempo-distante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Era uma vez em um tempo distante:<\/a><\/strong><a href=\"te: \"> <\/a>como ser\u00e3o as brincadeiras e os brinquedos no futuro<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3><strong>A import\u00e2ncia da leitura<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em seu <a href=\"https:\/\/youtu.be\/KW4sZROK5hU\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">canal no Youtube<\/a>, em um v\u00eddeo, o m\u00e9dico Drauzio Varella comentou sobre a import\u00e2ncia da leitura. Acompanhado desde a inf\u00e2ncia por esse h\u00e1bito, o m\u00e9dico, que \u00e9 amplamente conhecido no pa\u00eds por suas participa\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o e por ter escrito obras como <em>Carandiru<\/em> e <em>Prisioneira<\/em>s, come\u00e7ou com a leitura de gibis e grandes autores da l\u00edngua portuguesa. \u201cA leitura \u00e9 o mais completo de todos os exerc\u00edcios intelectuais. Quando voc\u00ea est\u00e1 lendo, estimula diversas \u00e1reas do c\u00e9rebro\u201d, afirma no v\u00eddeo. Para o m\u00e9dico, \u00e9 atrav\u00e9s da literatura que se tem acesso a uma experi\u00eancia de vida inacess\u00edvel de outras formas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta19_Talia_Luz-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2938\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta19_Talia_Luz-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta19_Talia_Luz-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta19_Talia_Luz-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta19_Talia_Luz.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Talia Prates da Luz<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>As bibliotecas comunit\u00e1rias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 alternativas para este cen\u00e1rio preocupante? Na contram\u00e3o dos \u00edndices de leitura que est\u00e3o diminuindo e das dificuldades de acesso aos livros no Brasil, est\u00e3o as bibliotecas comunit\u00e1rias, espa\u00e7os que prop\u00f5em n\u00e3o s\u00f3 a garantia de acesso \u00e0 leitura, mas \u00e0 cultura e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o para pessoas que, em grande parte das vezes, n\u00e3o possuem outras oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a pesquisa do IPL, 7% das pessoas acessam hoje livros atrav\u00e9s de bibliotecas p\u00fablicas ou comunit\u00e1rias. No pa\u00eds,&nbsp; existem diversas bibliotecas geridas e organizadas pela sociedade civil. <a href=\"https:\/\/rnbc.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Rede Nacional de Bibliotecas Comunit\u00e1rias<\/a> (RNBC),&nbsp; por exemplo, re\u00fane 115 bibliotecas em todo territ\u00f3rio brasileiro, subdivididas em outras 11 redes locais nos estados do Par\u00e1, Maranh\u00e3o, Cear\u00e1, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Trata-se de um movimento pela democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao livro, \u00e0 leitura, \u00e0 literatura e \u00e0s bibliotecas. Francine Conde Cabral, presidente da ONG Cola\u00ed Movimento de Cultura, mediadora na Biblioteca Comunit\u00e1ria Marginal Ilha do Saber,&nbsp; localizada no bairro Arquip\u00e9lago, em Porto Alegre,  diz que a rede trabalha em comunidades de extrema vulnerabilidade social, n\u00e3o s\u00f3 cuidando do acesso \u00e0 leitura, mas tamb\u00e9m como um apoio social, distribuindo cestas b\u00e1sicas e fornecendo aulas de refor\u00e7o e wi-fi. Francine \u00e9 tamb\u00e9m participante do conselho gestor da RNBC.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 2020, a rede lan\u00e7ou uma ferramenta para conectar os leitores \u00e0s bibliotecas comunit\u00e1rias: um <a href=\"https:\/\/www.mapadaleitura.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa da Leitura<\/a>. A funcionalidade permite que as pessoas encontrem as bibliotecas espalhadas pelo Brasil, possibilitando o contato virtual com espa\u00e7os de leitura dos mais diversos cantos do pa\u00eds, al\u00e9m de ter a possibilidade de acessar o f\u00f3rum do mapa e trocar experi\u00eancias com as bibliotecas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-1024x518.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2949\" width=\"785\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-1024x518.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-300x152.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-768x389.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-1536x778.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1-1568x794.png 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/reproducao-da-internet-mapa-1.png 1914w\" sizes=\"(max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><figcaption>Mapa da Leitura | Fonte: RNBC<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<h3><strong>O mundo da Lua<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com 12 anos, Lua de Oliveira, hoje com 14, fundou a <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/bibliotecamundodalua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Biblioteca Comunit\u00e1ria Mundo da Lua<\/a>, em Duque de Caxias, cidade da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Tudo come\u00e7ou ap\u00f3s perceber, em uma visita \u00e0 <a href=\"https:\/\/bienaldolivro.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bienal do livro do Rio<\/a>, que crian\u00e7as de comunidades, assim como ela, que visitavam o espa\u00e7o em passeios do col\u00e9gio, sa\u00edam de l\u00e1 sem livros por falta de dinheiro para adquiri-los. Hoje, sua biblioteca j\u00e1 tem espa\u00e7o pr\u00f3prio, e ela ajudou a fundar outras 33, sendo tr\u00eas fora do estado do Rio de Janeiro. Al\u00e9m disso, a Mundo da Lua oferece uma s\u00e9rie de atividades culturais, como aulas de dan\u00e7a, m\u00fasica, teatro, palha\u00e7aria e artesanato.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/181347271_1167040553707840_1311917682465302148_n-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2962\" width=\"405\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/181347271_1167040553707840_1311917682465302148_n-1-1.jpg 720w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/181347271_1167040553707840_1311917682465302148_n-1-1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption>Lua, de 14 anos, idealizou uma biblioteca para sua comunidade e, com o apoio dos pais, hoje apoia outras 33 bibliotecas | Foto: Facebook Lua Oliveira\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>F\u00e1tima Regina Nunes de Oliveira, de 60 anos, m\u00e3e de Lua e grande apoiadora do projeto, conta que, no come\u00e7o,&nbsp; era dif\u00edcil atrair as crian\u00e7as para a biblioteca. Mas as oficinas extras e o lanche liter\u00e1rio incentivaram a ades\u00e3o \u00e0 leitura. \u201cA gente est\u00e1 sempre inventando uma forma da crian\u00e7a ser atra\u00edda para a biblioteca, e as crian\u00e7as gostam muito disso, elas se sentem acolhidas e protegidas dentro da biblioteca, ent\u00e3o agora elas v\u00e3o para o espa\u00e7o mesmo tendo ou n\u00e3o tendo lanche\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lua j\u00e1 participou de diversos programas de televis\u00e3o e r\u00e1dio divulgando a sua iniciativa e hoje est\u00e1 escrevendo um livro para contar a hist\u00f3ria da Biblioteca Mundo da Lua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>O futuro e o presente dos livros<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcia Cavalcante, coordenadora colegiada da <a href=\"https:\/\/cirandar.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ONG Cirandar<\/a>, de Porto Alegre, diz que as bibliotecas comunit\u00e1rias n\u00e3o s\u00e3o apenas o futuro, mas tamb\u00e9m o presente para o acesso aos livros no Brasil. Trabalhando com bibliotecas h\u00e1 mais de 20 anos, compreende que o cen\u00e1rio era muito diferente do atual. \u201cHoje o livro e a leitura est\u00e3o cada vez mais presentes n\u00e3o s\u00f3 no imagin\u00e1rio, possuindo um valor simb\u00f3lico, como tamb\u00e9m fazendo parte do dia a dia das comunidades\u201d, afirma. A Cirandar tem, entre outros, o objetivo de promover a leitura entre crian\u00e7as e jovens.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, para M\u00e1rcia, atualmente h\u00e1 uma maior diversidade editorial: temos publica\u00e7\u00f5es de todos os tipos, para todos os gostos, com uma pluralidade muito grande, e isso permite que as pessoas tamb\u00e9m se enxerguem e se reconhe\u00e7am na literatura. M\u00e1rcia afirma que, apesar da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica vivida pelo pa\u00eds, as bibliotecas seguem resistindo e sendo um territ\u00f3rio f\u00e9rtil para semear o amor aos livros. \u201cVejo a\u00ed um movimento muito bonito de bibliotecas em outras cidades fora de Porto Alegre , como Eldorado do Sul, Alvorada, Cachoeirinha, Caxias do Sul, Canoas, Alegrete. Uma rede grande assim de bibliotecas que v\u00e3o se espalhando por iniciativas comunit\u00e1rias e que confirmam o interesse, curiosidade e amor ao livro e a leitura\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da for\u00e7a da internet e das dificuldades de acesso aos livros, o trabalho de professores, bibliotec\u00e1rios, profissionais da sa\u00fade e volunt\u00e1rios tem sido fundamental para manter o interesse pela leitura por pelo menos parte dos brasileiros. Como diz o professor D\u00eaner, quando o leitor percebe conex\u00e3o entre a leitura e a sua vida, ela passa a fazer sentido, e a constru\u00e7\u00e3o de conhecimento passa a ser natural e prazerosa. E esse \u00e9 um direito de todos, independente do lugar onde se vive, ou da condi\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/com-a-cabeca-no-amanha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Com a cabe\u00e7a no amanh\u00e3<\/a>:&nbsp;<\/strong>as origens do desejo de saber o que nos espera<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/como-irao-funcionar-os-espetaculos-no-futuro-durante-e-apos-a-pandemia-de-covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Palcos virtuais<\/a>:<\/strong>&nbsp;como ser\u00e3o os shows e outros eventos ap\u00f3s a pandemia?<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/sera-que-ele-e\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ser\u00e1 que ele \u00e9?<\/a> <\/strong>A representa\u00e7\u00e3o de personagens gays na m\u00eddia afeta a constru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao aumento do uso de internet e das redes sociais, os livros perderam a atratividade entre os brasileiros. 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