{"id":3104,"date":"2021-11-11T19:27:58","date_gmt":"2021-11-11T22:27:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=3104"},"modified":"2021-11-22T11:58:04","modified_gmt":"2021-11-22T14:58:04","slug":"a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/","title":{"rendered":"A voz de quem precisa falar mais alto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">O feminismo \u00e9 um movimento que precisa ser entendido no plural: feminismos. Dessa forma, estamos afirmando a multiplicidade das mulheres que moldam esse movimento atrav\u00e9s de diferentes perspectivas. Delineado pelos direitos humanos, o feminismo n\u00e3o \u00e9 o oposto do machismo, j\u00e1 que o machismo \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social que naturaliza as viol\u00eancias e opress\u00f5es sofridas pelas mulheres. Os feminismos, por sua vez, comp\u00f5em&nbsp; um movimento social que luta pela igualdade. Embora o debate sobre essas tem\u00e1ticas venha aumentando, n\u00e3o s\u00e3o todas as mulheres que se identificam com o movimento, e ele n\u00e3o chega de forma igual em todos os cantos do Brasil. Nas cidades do interior, a caminhada para conscientiza\u00e7\u00e3o sobre as reivindica\u00e7\u00f5es feministas ainda est\u00e1 no in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa <a href=\"http:\/\/media.folha.uol.com.br\/datafolha\/2019\/04\/15\/0ccf1b7f5f71464e482dfa38406ec34efem.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mulheres, Viol\u00eancia e Feminismo<\/a>, de 2019, feita pelo Jornal Folha de S. Paulo e pelo Instituto de Pesquisas Datafolha, mostra que 38% das mulheres com 16 anos ou mais se consideram feministas no Brasil, enquanto a parcela que rejeita se associar ao movimento \u00e9 de 56%. \u201cQuem criou a maioria das narrativas das hist\u00f3rias sobre feminismo e as feministas ao longo da hist\u00f3ria foram autores machistas, ent\u00e3o n\u00e3o me surpreende que as mulheres se sintam pouco representadas pelo feminismo\u201d, explica Joanna Burigo, comunicadora social. Mestre em G\u00eanero, M\u00eddia e Cultura, ela tamb\u00e9m \u00e9 fundadora da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/casadamaejoannaCDMJ\/?eid=ARCPKLyjFMrryHGTcyiTC0wrS3u32DJAEBrh6TQo8aE_5DAhYTnBWFTA-f_-TR51a_F_WNQRjj6do3o1&amp;timeline_context_item_type=intro_card_work&amp;timeline_context_item_source=827050067&amp;fref=tag\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Casa da M\u00e3e Joanna<\/a>, um projeto de m\u00eddia coletiva que tem a proposta de apresentar e representar a multiplicidade de discursos feministas, distribuindo conte\u00fados originais e curados em um website e nas redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo <a href=\"https:\/\/catarinas.info\/eleicoes-2020-o-avanco-dos-corpos-que-formam-o-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O ava<\/a><em><a href=\"https:\/\/catarinas.info\/eleicoes-2020-o-avanco-dos-corpos-que-formam-o-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00e7o dos corpos que formam o Brasil<\/a>, <\/em>sobre as elei\u00e7\u00f5es de 2020, \u00e9 apresentada uma an\u00e1lise que indica que esse foi um pleito hist\u00f3rico, resultando na maior diversidade nos quadros de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica institucional no Brasil. Joanna, uma das autoras, conseguiu perceber com esse estudo que o feminismo est\u00e1 chegando, timidamente, nas pequenas cidades, principalmente pela internet. \u201cAs mulheres do interior est\u00e3o de uma maneira ou de outra se articulando. O atravessamento que as redes sociais fizeram na comunica\u00e7\u00e3o social nos \u00faltimos tempos deu uma diminu\u00edda nessa dist\u00e2ncia que muitas pessoas tinham do conhecimento formal feminista\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapeamento realizado pela professora de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) Rayza Sarmento, que resultou no artigo <em><a href=\"https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/ojs2\/index.php\/rsulacp\/article\/view\/20245\/13274#\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ativismo Feminista Online: mapeando eixos de atua\u00e7\u00e3o<\/a>, <\/em>aponta tamb\u00e9m para a import\u00e2ncia das redes sociais para o movimento feminista. A pesquisa indica que a forma de circula\u00e7\u00e3o desses debates no campo da internet, sob a perspectiva do online,  alterou de forma significativa a agenda feminista. Antes das redes, muitas mulheres s\u00f3 tinham contato com os conceitos e com o vocabul\u00e1rio do feminismo quando deixavam suas cidades do interior para estudar nas capitais, principalmente nas universidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Rayza tra\u00e7ou sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica com \u00eanfase na pesquisa em comunica\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica e g\u00eanero. Para entender como o ativismo online chega at\u00e9 os pequenos centros, confira no v\u00eddeo abaixo a entrevista que a cientista pol\u00edtica concedeu \u00e0 revista Sextante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Feminismos fora dos grandes centros - entrevista com Rayza Sarmento\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rhBskD-0hfQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Os feminismos aos poucos ecoam&nbsp; nas ruas e bairros das pequenas cidades do pa\u00eds. No&nbsp; estado mais ao sul do mapa, fica o munic\u00edpio de Buti\u00e1, com cerca de 22 mil habitantes, localizado a 84 km de Porto Alegre. Ali, mulheres descobrem brechas e colocam os feminismos como tema central do debate. Foi a partir da cria\u00e7\u00e3o de grupos de discuss\u00e3o que mulheres butiaenses passaram a trocar experi\u00eancias e se apoiarem. Elas querem criar seus filhos com uma perspectiva de igualdade de g\u00eanero, e querem tamb\u00e9m compartilhar suas pr\u00f3prias viv\u00eancias, ampliando sua vis\u00e3o sobre como as mulheres pretas e as mulheres trans, por exemplo, s\u00e3o atravessadas pelo machismo, mas tamb\u00e9m pelo racismo e pela transfobia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3>Sonho antigo<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cO \u00fanico feminismo poss\u00edvel, dentro de um conceito de igualdade, \u00e9 a gente poder perceber as diferen\u00e7as e os pontos de partida de cada mulher e de cada homem, porque feminismo n\u00e3o \u00e9 sobre mulheres, \u00e9 sobre pessoas, \u00e9 sobre como educar homens e mulheres, como educar as crian\u00e7as\u201d, diz a psic\u00f3loga Renata Pf\u00fctze. A ativista do movimento feminista, de 41 anos, cresceu em Buti\u00e1, mas, como outras mulheres, s\u00f3 foi ter o primeiro contato com o tema quando ingressou na faculdade de Psicologia, em 1998, na Ulbra, em Canoas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Renata, o processo de entendimento do que \u00e9 o feminismo veio atrav\u00e9s do estudo, dentro da universidade. Depois de ter contato com conceitos como o de direitos humanos, ela fez o movimento de retorno. Em 2006, decidiu se&nbsp; conectar com outras mulheres butiaenses e propor esse debate na sua cidade natal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cSe tu n\u00e3o olhar embaixo do tapete, tu n\u00e3o vai varrer nunca, porque tu n\u00e3o sabe que est\u00e1 sujo. Esse \u00e9 o movimento, a gente est\u00e1 levantando o tapete e est\u00e1 apavorada com a sujeira que tem l\u00e1 embaixo\u201d<\/p><cite> <strong>RENATA PF\u00dcTZE<\/strong>, ativista feminista <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Levar um tema t\u00e3o complexo para Buti\u00e1 era uma meta antiga da psic\u00f3loga. O grupo Movimento Debate Feminista foi criado, em 2018, na tentativa de institucionalizar essa discuss\u00e3o. \u201cSe tu n\u00e3o olhar embaixo do tapete, tu n\u00e3o vai varrer nunca, porque tu n\u00e3o sabe que est\u00e1 sujo, esse \u00e9 o movimento, a gente est\u00e1 levantando o tapete e est\u00e1 apavorada com a sujeira que tem l\u00e1 embaixo\u201d, diz Renata.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo, no entanto, ainda n\u00e3o conseguiu articular um debate mais amplo com a comunidade da cidade. At\u00e9 agora, as discuss\u00f5es s\u00e3o feitas somente entre as sete mulheres que comp\u00f5em o movimento criado por Renata, e a pandemia dificultou mais ainda a expans\u00e3o do grupo. Elas ainda n\u00e3o contam com uma periodicidade certa para os encontros, mesmo que virtuais. A maior parte das discuss\u00f5es \u00e9 feita a partir de situa\u00e7\u00f5es que vivenciam ou assuntos que irrompem nas redes sociais. A solu\u00e7\u00e3o encontrada para manter o debate s\u00e3o as conversas por trocas de mensagens no grupo do WhatsApp, em que essas mulheres encontram um espa\u00e7o de escuta e acolhimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que exista esse espa\u00e7o de troca, o movimento na forma literal da palavra fica em segundo plano. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil o engajamento das mulheres para tamb\u00e9m serem parceiras no sentido de levar o debate. Eu n\u00e3o posso fazer uma revolu\u00e7\u00e3o sozinha e n\u00e3o vejo, ainda, muita perspectiva de parceria\u201d, lamenta Renata. Mas ela n\u00e3o est\u00e1 sozinha, pois v\u00e1rias mulheres de Buti\u00e1 est\u00e3o tendo contato com os feminismos e levando os ensinamentos do movimento para suas vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery columns-4 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Renata-Pfutze-576x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3163\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Renata-Pfutze.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3163\" class=\"wp-image-3163\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Renata-Pfutze-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Renata-Pfutze-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Renata-Pfutze.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"576\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana-576x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3162\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3162\" class=\"wp-image-3162\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana-576x1024.jpg 576w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana-169x300.jpg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana-768x1366.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana-864x1536.jpg 864w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Mirella-Sant_ana.jpg 899w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-768x1024.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3160\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3160\" class=\"wp-image-3160\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-1568x2091.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-Oliveira-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros-768x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"3161\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3161\" class=\"wp-image-3161\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Helena-Medeiros.jpeg 1200w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Da esquerda para direita: Renata Pf\u00fctze, Mirella Sant&#8217;ana, Fernanda Oliveira e Helena Medeiros, de Buti\u00e1, se identificam com o movimento feminista | Fotos: Arquivos pessoais<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Fora da bolha<\/h3>\n\n\n\n<p>Mirella Sant\u2019ana, de 28 anos, tamb\u00e9m&nbsp;viveu uma transforma\u00e7\u00e3o em sua vida quando saiu de Buti\u00e1 para estudar Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-RS), em Porto Alegre. \u201cEu comecei a ter contato com o feminismo quando eu sa\u00ed da minha bolha do Buti\u00e1, quando eu comecei a estudar, quando eu comecei a conhecer pessoas de outros lugares, com estilo de vida completamente diferentes do meu, mas que se combinavam em algumas coisas\u201d, lembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Foi na diversidade de pessoas e estilos de vidas que tinham algumas similaridades com sua viv\u00eancia que se acendeu a luz do feminismo dentro da professora de nata\u00e7\u00e3o. \u201cEu comecei a refletir sobre os esfor\u00e7os que a mulher tem que fazer,&nbsp; sobre as coisas que a gente tem que pensar mais. Por exemplo, estudar de noite era meio tenso, porque voc\u00ea sempre est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o que sente mais receios por ser mulher\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/CeciliaMarques_Sextante56.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-3164\" width=\"328\" height=\"328\"\/><figcaption>Arte: Cecilia Marques<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o com os feminismos aflora a partir dos pensamentos e conceitos sobre o movimento que s\u00e3o passados na oralidade, principalmente por pessoas do seu conv\u00edvio. \u201cEu tenho buscado muitas refer\u00eancias de mulheres que trabalham essa pauta, ou mulheres que incentivam outras mulheres a come\u00e7ar a pensar em uma perspectiva mais ampla, o que \u00e9 ser mulher, dos nossos desafios, mas, principalmente das nossas potencialidades\u201d, explica Mirella.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura de obras de intelectuais feministas tamb\u00e9m aproximaram Mirella do conceito e do entendimento das quest\u00f5es de g\u00eanero. \u201cRecentemente eu iniciei uma leitura de uma mulher feminista que demorou muitos anos para ser reconhecida como uma mulher com uma fala potente, que tinha outras quest\u00f5es a serem apresentadas&#8221;, diz a professora.  <em>Their Eyes Were Watching God<\/em>, escrito pela antrop\u00f3loga estadunidense Zora Neale Hurston, teve sua primeira publica\u00e7\u00e3o em 18 de setembro de 1937, nos Estados Unidos. S\u00f3 em 2021 foi traduzido e lan\u00e7ado no Brasil, pela Editora Record, com o t\u00edtulo <em>Seus Olhos viam Deus<\/em>.&nbsp;&#8220;\u00c9 o meu livro de cabeceira\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mirella enxerga o feminismo como um divisor de \u00e1guas na sua vida para que passasse a valorizar a sua liberdade. \u201cSe sentir uma mulher livre \u00e9 uma coisa muito forte e, a partir disso, voc\u00ea se abre pra sonhar, se olhar no espelho e se reconhecer\u201d, encerra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-luta-para-menstruar-em-paz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A luta para menstruar em paz:<\/a><\/strong> a complexa realidade de quem sofre de pobreza menstrual<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/corpos-e-almas-livres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Corpos e almas livres: <\/a><\/strong>uma incr\u00edvel e turbulenta jornada em busca do amor-pr\u00f3prio<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3>Liberdade e afeto<\/h3>\n\n\n\n<p>Ainda antes de conhecer o movimento feminista, Fernanda de Oliveira, de 33 anos, tamb\u00e9m de Buti\u00e1, passou por momentos em que&nbsp; precisou se impor para ter seus direitos preservados. \u201cA primeira situa\u00e7\u00e3o em que uma mulher precisa ser feminista \u00e9 quando ela sofre a primeira decep\u00e7\u00e3o amorosa, o primeiro relacionamento abusivo. \u00d3bvio que eu passei por isso, como muitas mulheres passaram, e ali eu decidi, passou o primeiro e deu\u201d, lembra. Saiba como ela rompeu esse ciclo de viol\u00eancia no \u00e1udio abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Fernanda-relacionamento.mp3\"><\/audio><figcaption>Depoimento de Fernanda de Oliveira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino com seu primeiro namorado, com quem vivia uma rela\u00e7\u00e3o abusiva, Fernanda, \u00e0 \u00e9poca com 16 anos, levou tempo para conseguir superar o que havia passado. \u201cEu tive outros namorados depois desse t\u00e9rmino, mas eu sofri muito at\u00e9 pra conseguir estruturar uma nova rela\u00e7\u00e3o\u201d, relembra. Aos 18 anos, conheceu seu atual marido, Roger Oliveira Marinho, com quem tem tr\u00eas filhos: Manuella , Pietro e Kael.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O empoderamento sempre esteve presente em sua vida, mas os feminismos, como conceitos que est\u00e3o englobados pelos direitos humanos, come\u00e7aram a fazer parte do vocabul\u00e1rio da cabeleireira depois de superar as viol\u00eancias que aprendeu a desnaturalizar. \u201cUm dia eu sa\u00ed de mini-blusa e minissaia &#8211; que nem era t\u00e3o minissaia -, e ele [<em>o marido<\/em>] simplesmente disse pra mim que eu tinha que trocar de roupa, e eu disse: \u2018n\u00e3o, no meu corpo sou eu quem mando, eu uso o que eu quiser\u201d, conta. Quando aconteceu esse epis\u00f3dio, ela e Roger ainda namoravam, e Fernanda tinha 18 anos. A for\u00e7a que ela conquistou a partir do seu primeiro relacionamento fez com que ela n\u00e3o aceitasse mais comportamentos machistas, e ela at\u00e9 conseguiu mudar o pensamento do seu atual marido. \u201cO Roger \u00e9 muito cabe\u00e7a dura, mas comigo n\u00e3o tem essa, o corpo \u00e9 meu\u201d, exclama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fernanda procura educar seus filhos, tanto os meninos quanto a menina, para crescerem feministas. Ela come\u00e7ou dentro de casa, designando responsabilidades iguais para os tr\u00eas. \u201cEu trabalho, principalmente com os guris, essa quest\u00e3o. A gente conversa sobre a estrutura de casa. Eles t\u00eam que lavar as cuecas, lavar a lou\u00e7a, fazer um arroz, varrer a casa\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com a&nbsp; filha, que tende a tomar toda a responsabilidade para si. Por ser bem organizada, Manuella quer fazer tudo a seu modo. Ainda assim, Fernanda&nbsp; insiste que todos devem realizar suas tarefas. \u201cEla fala: \u2018sai daqui que eu vou fazer o arroz, e eu falo: \u2018n\u00e3o, todo mundo vai fazer, n\u00f3s vivemos em uma comunidade familiar\u201d, completa. O pai trabalha durante a semana em Pantano Grande, a 42,5 km de Buti\u00e1, mas, sempre que est\u00e1 em casa, nos finais de semana ou feriados, tamb\u00e9m \u00e9 introduzido nessa comunidade e contribui com os afazeres dom\u00e9sticos para n\u00e3o s\u00f3 cobrar dos filhos a participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o da casa, mas tamb\u00e9m ser um exemplo para eles.<\/p>\n\n\n\n<h3>Constru\u00e7\u00e3o de si<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cEu n\u00e3o sou perfeita, estou aprendendo ainda, praticamente nasci em 2019, mas tenho 40 anos.\u201d \u00c9 assim que Helena Medeiros, metal\u00fargica e uma mulher trans, se apresenta. Moradora de Buti\u00e1, ela precisou passar por um processo de autoconsci\u00eancia para se aceitar e se reconhecer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cUma coisa que eu morro de medo \u00e9 algum dia ir num shopping e n\u00e3o poder ir ao banheiro&#8221;<\/p><cite> <strong>HELENA MEDEIROS<\/strong>, metal\u00fargica e mulher trans <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>O seu primeiro contato com o feminismo foi quando ela se assumiu como uma mulher trans, h\u00e1 tr\u00eas anos. At\u00e9 ent\u00e3o, esse debate n\u00e3o era o centro da conversa com os amigos, no trabalho e nos espa\u00e7os em que circula. \u201cEu fiquei totalmente assustada, porque eu n\u00e3o tinha essa vis\u00e3o de como o mundo \u00e9 machista e agora tenho\u201d, conta. Helena percebe o preconceito que existe com as mulheres, e mais ainda com as mulheres trans, em situa\u00e7\u00f5es banais, do dia a dia. \u201cUma coisa que eu morro de medo \u00e9 algum dia ir num shopping e n\u00e3o poder ir ao banheiro&#8221;, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Associar a palavra trans a sua exist\u00eancia tamb\u00e9m n\u00e3o foi um processo f\u00e1cil. Lidar com o preconceito da sociedade com as pessoas da comunidade LGBTQIAP+ foi um desafio para aceitar a si pr\u00f3pria. \u201cVeio tudo ao mesmo tempo. Eu segurei minhas emo\u00e7\u00f5es por tanto tempo que tem dias que eu fico insuport\u00e1vel\u201d, brinca. \u201cEu demorei muito pra me tornar essa mulher madura. Eu n\u00e3o passei pelas fases que todas voc\u00eas passaram, que levaram anos. Eu tive que, em meses, lidar com todas as fases\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"478\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_02-1024x478.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3155\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_02-1024x478.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_02-300x140.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_02-768x359.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_02.jpg 1267w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Dandara Coutinho<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3>Particularidades, interseccionalidade e confronto<\/h3>\n\n\n\n<p>Os feminismos como movimento plural s\u00e3o formados por diversos pontos de converg\u00eancia e outros de diverg\u00eancia. \u201cO que existem s\u00e3o perspectivas. Dentro dos feminismos, existe uma diversidade bem grande tanto acad\u00eamica quanto de exist\u00eancia, de experi\u00eancia de vida, e nenhuma dessas experi\u00eancias \u00e9 menos feminista do que as outras\u201d, aponta a pesquisadora Joanna.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cExistem intersec\u00e7\u00f5es e colabora\u00e7\u00f5es muito prof\u00edcuas dentro dos feminismos, mas existem tamb\u00e9m intersec\u00e7\u00f5es que geram embates bastante problem\u00e1ticos, como alguns feminismos, por exemplo, que&nbsp; excluem trabalhadoras sexuais e&nbsp; mulheres trans\u201d&nbsp;<\/p><cite> <strong>JOANNA BURIGO<\/strong>, pesquisadora e fundadora da Casa da M\u00e3e Joanna <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os feminismos que se confrontam causam atritos que dividem as mulheres e fogem do prop\u00f3sito de lutar pelos direitos humanos. \u201cExistem intersec\u00e7\u00f5es e colabora\u00e7\u00f5es muito prof\u00edcuas dentro dos feminismos, mas existem tamb\u00e9m intersec\u00e7\u00f5es que geram embates bastante problem\u00e1ticos, como alguns feminismos, por exemplo, que excluem trabalhadoras sexuais e mulheres trans. Essas intersec\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o levadas adiante de forma a beneficiar todas as mulheres e, \u00e0s vezes, elas&nbsp; geram atritos entre os grupos feministas\u201d, diz Joanna.<\/p>\n\n\n\n<p>A igualdade est\u00e1 no olhar para as diferen\u00e7as. Ao falar em mulher ou no feminino, o debate se concentra na multiplicidade das pessoas e nas diversas condi\u00e7\u00f5es. O lugar de cada um na pir\u00e2mide social \u00e9 diferente, e \u00e9 por isso que ningu\u00e9m parte da mesma condi\u00e7\u00e3o. \u201cO oceano \u00e9 o mesmo, mas est\u00e1 cada um em um barco diferente. Tem uns num iate, tem uns num navio e tem gente a nado ainda. O pessoal que est\u00e1 a nado vai ficando para tr\u00e1s de uma forma que, se a gente realmente se diz feminista, defensora dos direitos humanos, n\u00e3o pode deixar essas pessoas a nadar enquanto a gente tem remo, enquanto a gente tem motor\u201d, exemplifica a ativista Renata. O que essas mulheres butiaenses t\u00eam feito \u00e9 remar, tentando resgatar as mulheres, principalmente as que vivem longe dos grandes centros, que ainda n\u00e3o perceberam o quanto os feminismos podem ser importantes para as suas vidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/prezi.com\/view\/k3pZBmINzixkF7Xf8i7T\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" width=\"1013\" height=\"573\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/organograma.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3168\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/organograma.png 1013w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/organograma-300x170.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/organograma-768x434.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1013px) 100vw, 1013px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/um-pe-no-lar-e-o-outro-na-carreira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Um p\u00e9 no lar e o outro na carreira:<\/a><\/strong> o dilema das mulheres brasileiras e a (in)cans\u00e1vel busca por dar conta de tudo<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-forca-da-criacao-com-afeto\/\">A for\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o com afeto:<\/a><\/strong> disciplina positiva ativa a cultivar confian\u00e7a, autoestima e amor pr\u00f3prio em crian\u00e7as<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso<\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":3156,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"57-post-template.php","format":"standard","meta":[],"categories":[109],"tags":[113,115,114],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Sextante\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-11-11T22:27:58+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-11-22T14:58:04+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_01.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"876\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"618\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Karoline Costa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@revistasextante\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Karoline Costa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\"},\"author\":{\"name\":\"Karoline Costa\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/cc1ff2d2825386100d249e4314ba9341\"},\"headline\":\"A voz de quem precisa falar mais alto\",\"datePublished\":\"2021-11-11T22:27:58+00:00\",\"dateModified\":\"2021-11-22T14:58:04+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\"},\"wordCount\":2786,\"commentCount\":2,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization\"},\"keywords\":[\"feminismos\",\"movimento feminista\",\"pequenos centros\"],\"articleSection\":[\"Sextante 57\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\",\"name\":\"Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#website\"},\"datePublished\":\"2021-11-11T22:27:58+00:00\",\"dateModified\":\"2021-11-22T14:58:04+00:00\",\"description\":\"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A voz de quem precisa falar mais alto\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/\",\"name\":\"Sextante\",\"description\":\"\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization\",\"name\":\"Revista Sextante\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/\",\"sameAs\":[\"https:\/\/www.instagram.com\/revistasextante\/\",\"https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs\",\"https:\/\/twitter.com\/revistasextante\"],\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/logo_azul1simbolobranco-scaled.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/logo_azul1simbolobranco-scaled.jpg\",\"width\":2554,\"height\":2560,\"caption\":\"Revista Sextante\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/cc1ff2d2825386100d249e4314ba9341\",\"name\":\"Karoline Costa\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/85cffa7ba736b2d68cf76276b5145419?s=96&d=retro&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/85cffa7ba736b2d68cf76276b5145419?s=96&d=retro&r=g\",\"caption\":\"Karoline Costa\"},\"url\":\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/author\/karoline-costadsgmail-com\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante","description":"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante","og_description":"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso","og_url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/","og_site_name":"Sextante","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs","article_published_time":"2021-11-11T22:27:58+00:00","article_modified_time":"2021-11-22T14:58:04+00:00","og_image":[{"width":876,"height":618,"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta6_Dandara_Coutinho_01.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Karoline Costa","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@revistasextante","twitter_site":"@revistasextante","twitter_misc":{"Escrito por":"Karoline Costa","Est. tempo de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/"},"author":{"name":"Karoline Costa","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/cc1ff2d2825386100d249e4314ba9341"},"headline":"A voz de quem precisa falar mais alto","datePublished":"2021-11-11T22:27:58+00:00","dateModified":"2021-11-22T14:58:04+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/"},"wordCount":2786,"commentCount":2,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization"},"keywords":["feminismos","movimento feminista","pequenos centros"],"articleSection":["Sextante 57"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/","name":"Mulheres do interior se articulam para ampliar o debate feminista &mdash; Sextante","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#website"},"datePublished":"2021-11-11T22:27:58+00:00","dateModified":"2021-11-22T14:58:04+00:00","description":"Ainda que de forma t\u00edmida, o movimento feminista nas pequenas cidades mostra sinais de avan\u00e7o. Buti\u00e1 \u00e9 um exemplo disso","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-voz-de-quem-precisa-falar-mais-alto\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A voz de quem precisa falar mais alto"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#website","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/","name":"Sextante","description":"","publisher":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#organization","name":"Revista Sextante","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/","sameAs":["https:\/\/www.instagram.com\/revistasextante\/","https:\/\/www.facebook.com\/sextanteufrgs","https:\/\/twitter.com\/revistasextante"],"logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/logo_azul1simbolobranco-scaled.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/logo_azul1simbolobranco-scaled.jpg","width":2554,"height":2560,"caption":"Revista Sextante"},"image":{"@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/cc1ff2d2825386100d249e4314ba9341","name":"Karoline Costa","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/85cffa7ba736b2d68cf76276b5145419?s=96&d=retro&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/85cffa7ba736b2d68cf76276b5145419?s=96&d=retro&r=g","caption":"Karoline Costa"},"url":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/author\/karoline-costadsgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3104"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/users\/38"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3104"}],"version-history":[{"count":45,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6612,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3104\/revisions\/6612"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3156"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}