{"id":3386,"date":"2021-11-11T19:27:55","date_gmt":"2021-11-11T22:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=3386"},"modified":"2021-11-22T16:40:01","modified_gmt":"2021-11-22T19:40:01","slug":"brasis-da-irlanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasis-da-irlanda\/","title":{"rendered":"Brasis na Irlanda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Voc\u00ea vai morar no exterior e acaba se deparando com muitos \u201cBrasis\u201d que ainda n\u00e3o havia conhecido. Voc\u00ea imaginava que iria passar o tempo todo falando outro idioma, mas escuta g\u00edrias e sotaques brasileiros diferentes que nunca tinha ouvido quando morava no Brasil. Voc\u00ea se d\u00e1 conta de que esses \u201cBrasis\u201d ajudam uns aos outros diariamente \u2014 essa \u00e9 a realidade de muitos brasileiros e brasileiras que decidiram ir tentar a vida ou simplesmente viver por um tempo na Irlanda.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de brasileiros que residem na Irlanda vem crescendo consideravelmente: em 2006, o <a href=\"https:\/\/www.cso.ie\/en\/census\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Estat\u00edstica Irland\u00eas<\/a> apontava que somente 4.338 brasileiros residiam no pa\u00eds. Em 2011, esse n\u00famero j\u00e1 havia duplicado. No \u00faltimo <a href=\"https:\/\/www.cso.ie\/en\/census\/2016censusforms\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">censo oficial irland\u00eas<\/a>, realizado em 2016, os brasileiros ultrapassavam 13 mil. Hoje, estima-se que mais de 30 mil brasileiros residam na Irlanda, de acordo com dados da empresa de interc\u00e2mbio<a href=\"https:\/\/www.edublin.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> E-<\/a><a href=\"https:\/\/www.edublin.com.br\/\">Dublin. <\/a>A maioria vai para estudar ingl\u00eas, com um visto de estudante, o qual oferece a possibilidade de trabalho e dura oito meses, podendo ser renovado apenas duas vezes.  &#8220;Muitos nem conheciam muito sobre a Irlanda antes, j\u00e1 que geralmente escutamos mais sobre os Estados Unidos e Inglaterra no Brasil\u201d, diz Eduardo Giansante, fundador da E-Dublin.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>\u201cBRASIS\u201d QUE SE MISTURAM<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"690\" height=\"388\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta8_Julia_Krise.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-3403\"\/><figcaption>Arte: Julia Krise<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Sobretudo no centro da capital Dublin, ao longo dos \u00faltimos 20 anos, formou-se na Irlanda uma grande comunidade de brasileiros, que frequentam locais comuns, fazem redes de contatos, dividem habita\u00e7\u00e3o e interagem entre si diariamente. \u201cEu nunca teria conhecido tantos brasileiros de outros estados no Brasil\u201d, conta a carioca Mayara Regalo, de 28 anos, que trabalhava como engenheira de produ\u00e7\u00e3o no Brasil e h\u00e1 dois anos vive na Irlanda atuando como bab\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cA gente acaba conhecendo muita coisa diferente do nosso pa\u00eds. G\u00edria principalmente, express\u00f5es que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 acostumado a falar. Eu sou do Rio, mas agora falo \u2018mano\u2019 a cada cinco palavras e \u2018uai\u2019 a cada 10\u201d<\/p><cite><strong>MAYARA REGALO<\/strong>, que reside na Irlanda h\u00e1 dois anos<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"272\" height=\"400\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Mayara-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4555\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Mayara-1.png 272w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Mayara-1-204x300.png 204w\" sizes=\"(max-width: 272px) 100vw, 272px\" \/><figcaption>Mayara (\u00e0 direita) no Saint Patrick&#8217;s Day, data festiva na Irlanda | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mayara conta como, l\u00e1, acabou conhecendo outros \u201cBrasis\u201d: \u201cConheci muita gente de S\u00e3o Paulo, de Minas e do Sul tamb\u00e9m. A gente acaba conhecendo muita coisa diferente do nosso pa\u00eds. G\u00edria principalmente, express\u00f5es que voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 acostumado a falar. Eu sou do Rio, mas agora falo &#8216;mano&#8217; a cada cinco palavras e &#8216;uai&#8217; a cada 10\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A carioca fala que muitos brasileiros compartilham quarto ou habita\u00e7\u00e3o, o que gera uma troca entre diferentes culin\u00e1rias do Brasil. \u201cVoc\u00ea aprende novas comidas tamb\u00e9m, geralmente quando mora junto. No Rio de Janeiro, a gente faz vinagrete com tomate, cebola e piment\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, ningu\u00e9m come vinagrete com piment\u00e3o. No Rio, a gente come muito feij\u00e3o preto. Em S\u00e3o Paulo, rola muito feij\u00e3o marrom. \u00c0s vezes, voc\u00ea t\u00e1 aqui na Irlanda, que \u00e9 muito pequena comparada com o Brasil, e se d\u00e1 conta do qu\u00e3o grande o Brasil \u00e9. Nosso pa\u00eds tem uma diversidade muito grande.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27-577x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4557\" width=\"299\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27-577x1024.jpeg 577w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27-169x300.jpeg 169w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27-768x1364.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27-865x1536.jpeg 865w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-06-at-13.56.27.jpeg 1005w\" sizes=\"(max-width: 299px) 100vw, 299px\" \/><figcaption>Ver\u00f4nica trabalhou como &#8220;plaqueira&#8221;  na Grafton Street, rua mais movimentada de Dublin | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A vitoriense Ver\u00f4nica Lemos, de 58 anos, mudou-se para a Irlanda em 2012, porque seu filho morava l\u00e1 e n\u00e3o tinha previs\u00e3o de volta. Como j\u00e1 estava aposentada e gosta de desafios, resolveu arriscar. Ver\u00f4nica conta que, por n\u00e3o falar nada de ingl\u00eas quando chegou, foi muito ajudada por outros brasileiros ao longo do primeiro ano. \u201cOs meus dois primeiros empregos eu consegui por indica\u00e7\u00e3o de amigos brasileiros. Eu n\u00e3o conseguia trabalho porque n\u00e3o tinha ingl\u00eas.\u201d Foi uma brasileira de Manaus quem a ajudou a conseguir seu primeiro emprego na Irlanda, como faxineira. Ela conta tamb\u00e9m que foi gra\u00e7as a um ga\u00facho de Porto Alegre que arranjou seu segundo emprego, segurando uma placa de propaganda na rua para um sal\u00e3o de beleza, no qual permaneceu por mais de tr\u00eas anos. \u201c\u00c9 uma comunidade muito unida, que se ajuda muito para qualquer coisa. Temos v\u00e1rios \u2018classificados&#8217; de brasileiros na Irlanda e em Dublin no Facebook, com gente de todo o Brasil\u201d, comenta Ver\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Adley Mota, de 31 anos e natural de S\u00e3o Paulo, era comiss\u00e1rio de bordo no Brasil, mas neste ano completa nove anos vivendo na Irlanda, onde trabalha com tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Ele conta que existem muitos perfis de brasileiros morando l\u00e1. \u201cA gente encontra desde brasileiros do interior, de lugares de ch\u00e3o batido mesmo, at\u00e9 galera de cidades grandes, como Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte. Voc\u00ea encontra desde gente que tem dinheiro e \u00e9 sustentada pelos pais, que vem estudar algo e n\u00e3o precisa nem trabalhar, at\u00e9 um pessoal que vende tudo que tinha no Brasil pra tentar uma vida melhor aqui.\u201d Adley acredita, no entanto, que, por mais diversos que sejam, os brasileiros possuem algo em comum: \u201cEm qualquer lugar que voc\u00ea for, voc\u00ea vai encontrar um brasileiro tentando ajudar voc\u00ea. Seja pra pegar o <em>bus<\/em>, ou se voc\u00ea t\u00e1 perdido, seja na prefeitura, na fila pra fazer o GNIB [<em>documento de identidade<\/em>]. Claro, voc\u00ea encontra gente m\u00e1 em tudo que \u00e9 lugar, mas em geral os brasileiros t\u00eam isso em comum, de querer ajudar uns aos outros, como em um sentimento de comunidade\u201d. Ali\u00e1s, foi um amigo brasileiro que ele conheceu l\u00e1 quem o apresentou para a polonesa Joanna Szymoniak, sua atual esposa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"514\" height=\"500\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Adley-1-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4560\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Adley-1-2.png 514w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Adley-1-2-300x292.png 300w\" sizes=\"(max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><figcaption>Adley, com sua esposa polonesa Joanna, apresentada a ele por um amigo brasileiro  Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>De fato, existem diferentes hist\u00f3rias de brasileiros que v\u00e3o para a Irlanda,&nbsp; que se cruzam e acabam deixando marcas uns nos outros. Fernando Unanu\u00ea, de 31 anos, deixou Porto Alegre em 2015 para estudar Ingl\u00eas em Dublin e retornar em 2016. No mesmo ano, acabou conhecendo sua atual namorada, Luiza Malschitzky, de Manaus. Por sua causa, est\u00e1 na Irlanda at\u00e9 hoje. \u201cAs nossas situa\u00e7\u00f5es eram muito diferentes\u201d, afirma. Enquanto Fernando pretendia ficar na Irlanda por um tempo determinado, Luiza tinha outros planos. \u201cEla j\u00e1 veio sem previs\u00e3o de volta. Ela queria encontrar um trabalho e ver o que acontecia, de repente estudar algo depois. Enquanto eu vim com tudo planejado, ela simplesmente n\u00e3o tinha planejado quase nada. Acho que foi por isso que me apaixonei, al\u00e9m do sotaque, \u00e9 claro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando e Luiza se conheceram no \u201cForr\u00f3 dos Domingos\u201d, que acontecia no terceiro andar de um t\u00edpico bar irland\u00eas no centro de Dublin. L\u00e1, todo domingo, havia aulas gratuitas de forr\u00f3, prosseguidas por um baile. \u201c\u00c9 muito doido pensar isso, que um bar de m\u00fasica <em>irish<\/em> colocou um espa\u00e7o para forr\u00f3, de tantos brasileiros que tem aqui. \u00c9 gente de tudo que \u00e9 canto do Brasil, mais um monte de irlandeses, e gente do mundo todo na verdade. Uns j\u00e1 sabem dan\u00e7ar, mas tem v\u00e1rios que s\u00e3o perdidos que nem eu. A Luiza dan\u00e7a bem e ia sempre l\u00e1. Conheci ela assim. Agora dan\u00e7o direitinho at\u00e9.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"651\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/the-grand-social-dublin.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3400\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/the-grand-social-dublin.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasis-da-irlanda\/the-grand-social-dublin\/\" class=\"wp-image-3400\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/the-grand-social-dublin.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/the-grand-social-dublin-276x300.jpg 276w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">\u00a0Espa\u00e7o cultural no centro de Dublin, onde pessoas de todos os cantos do mundo se encontram nos bailes de forr\u00f3 | Foto: thelist.ie<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"691\" height=\"817\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-08-at-18.17.50-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"4561\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-08-at-18.17.50-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasis-da-irlanda\/whatsapp-image-2021-11-08-at-18-17-50-1\/\" class=\"wp-image-4561\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-08-at-18.17.50-1.jpeg 691w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/WhatsApp-Image-2021-11-08-at-18.17.50-1-254x300.jpeg 254w\" sizes=\"(max-width: 691px) 100vw, 691px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Fernando e Luiza se conheceram na Irlanda e namoram at\u00e9 hoje | Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>SAUDADES, M\u00c1S RECORDA\u00c7\u00d5ES E APRENDIZADOS<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Brasileiros e brasileiras que moram na Irlanda falam do que sentem mais falta, do que sentem menos falta e o que aprenderam sobre o Brasil na Irlanda:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h5>do que sentem mais falta do Brasil?<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Mayara<\/strong>: \u201cEu sinto muito falta da minha fam\u00edlia e do clima do Rio de Janeiro, porque aqui \u00e9 muito frio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver\u00f4nica<\/strong>: \u201cAcho que de ser nativo do lugar, sabe? A sensa\u00e7\u00e3o de estar em casa \u00e9 diferente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adley<\/strong>: \u201cFam\u00edlia, sem d\u00favida, e do calor das pessoas. Acho que os brasileiros, de qualquer estado que sejam, s\u00e3o mais carinhosos do que o pessoal daqui.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernando<\/strong>: \u201cSinto falta de alguns amigos de inf\u00e2ncia, porque acabo vendo eles s\u00f3 uma vez por ano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5>Do que sentem menos falta do Brasil?<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Mayara<\/strong>: \u201cViol\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver\u00f4nica:<\/strong> \u201cAcho que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds mais perigoso pra gente viver. E tamb\u00e9m \u00e9 mais dif\u00edcil voc\u00ea viver bem com os sal\u00e1rios de l\u00e1. Por exemplo, \u00e9 complicado viver com o sal\u00e1rio m\u00ednimo em Recife. Aqui na Irlanda, a gente consegue uma vida boa com o valor da hora m\u00ednima, trabalhando umas 30 horas [<em>na semana<\/em>], isso n\u00e3o existe no Brasil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adley<\/strong>: \u201cO que eu menos sinto falta do Brasil \u00e9 a viol\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernando<\/strong>: \u201cUma coisa que eu acho ruim \u00e9 que \u00e9 muito caro para viajar dentro do Brasil. Por exemplo, para ir de Porto Alegre para Salvador, tu paga uma fortuna. Aqui a gente consegue conhecer outros pa\u00edses da Europa por um pre\u00e7o melhor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h5>o que aprenderam na irlanda sobre o brasil?<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Mayara<\/strong>: \u201cAprendi que, se voc\u00ea v\u00ea um grupo de v\u00e1rios brasileiros no centro de Dublin, voc\u00ea n\u00e3o tem ideia de onde \u00e9 o grupo, porque a gente \u00e9 muito diverso mesmo. Aprendi a fazer chimarr\u00e3o, porque tinha uma <em>flatmate<\/em> [<em>colega de habita\u00e7\u00e3o<\/em>] ga\u00facha, que infelizmente j\u00e1 voltou pro Brasil. At\u00e9 hoje tomo nos \u2018findes\u2019 com um pessoal do trabalho no [<em>parque<\/em>] Stephens Green.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ver\u00f4nica<\/strong>: \u201cEu me dei conta de que \u00e9 engra\u00e7ado que no Brasil inteiro praticamente se fala portugu\u00eas. Porque \u00e9 muito grande e, mesmo assim, tem um s\u00f3 idioma. Quando voc\u00ea pensa, tem uns pa\u00edses aqui da Europa que s\u00e3o t\u00e3o pequenos e tem v\u00e1rios idiomas. Voc\u00ea cruza uma parte da Espanha, B\u00e9lgica\u2026 Su\u00ed\u00e7a tamb\u00e9m, e, dependendo, j\u00e1 troca o idioma. Nossa, o Brasil \u00e9 enorme, e todo mundo fala portugu\u00eas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adley<\/strong>: \u201cEu j\u00e1 sabia que existia capoeira, mas n\u00e3o conhecia de verdade. Eu comecei a jogar capoeira aqui em Dublin, por causa de um amigo de Curitiba que era profissional no Brasil e me apresentou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fernando<\/strong>: \u201cAprendi com minha namorada [<em>de Manaus<\/em>] que no ver\u00e3o chove todos os dias l\u00e1 e que \u00e9 calor o ano inteiro. N\u00e3o \u00e9 que nem no Sul, que muda bastante o clima no ver\u00e3o e inverno.\u201d<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-lado-de-la\/\">O lado de l\u00e1<\/a>:<\/strong> c<\/strong>omo a pandemia dificultou a vida de quem precisava cruzar a fronteira<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-construcao-da-identidade-cultural-pelas-fronteiras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural pelas Fronteiras:<\/a> <\/strong>a influ\u00eancia dos pa\u00edses vizinhos no Brasil<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3>BRASILEIROS NA IRLANDA<\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem-3-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3417\" width=\"786\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem-3-1-1.jpg 678w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Imagem-3-1-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 786px) 100vw, 786px\" \/><figcaption> &nbsp;Grupo de brasileiros em Dublin, em um evento de rock no Fibber Magees Pub | Foto: Gustavo Bandeira <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A empresa de interc\u00e2mbios E-Dublin realiza uma pesquisa anual com v\u00e1rios brasileiros que residem na Irlanda. Os dados a seguir se referem \u00e0 pesquisa realizada em 2020:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>55% t\u00eam menos de 30 anos<\/li><li>10% t\u00eam 40 anos ou mais<\/li><li>29,9 \u00e9 a m\u00e9dia de idade dos brasileiros na Irlanda<\/li><li>A maioria dos brasileiros \u00e9 solteira<\/li><li>Dos brasileiros at\u00e9 25 anos, 60% s\u00e3o estudantes<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"has-text-align-left\">BRASILEIROS MUNDO AFORA<\/h3>\n\n\n\n<p>Embora o n\u00famero de brasileiros que residem na Irlanda venha crescendo significativamente, o pa\u00eds ainda n\u00e3o se encontra entre os 10 pa\u00edses estrangeiros com mais brasileiros. Os Estados Unidos est\u00e3o em primeiro lugar, seguidos por Portugal e Paraguai, de acordo com os \u00faltimos dados oficiais do<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mre\/pt-br\/assuntos\/portal-consular\/arquivos\/ComunidadeBrasileira2020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Portal Itamaraty<\/a>, referentes ao ano de 2020. Confira a lista completa dos 10 pa\u00edses com as maiores comunidades brasileiras:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"676\" height=\"472\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dez-maiores-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3391\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dez-maiores-1.png 676w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/dez-maiores-1-300x209.png 300w\" sizes=\"(max-width: 676px) 100vw, 676px\" \/><figcaption>Fonte: Portal Itamaraty<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m de acordo com dados oficiais do portal, exceto pelo per\u00edodo entre 2010 e 2012, o n\u00famero de brasileiros vivendo fora do Brasil vem crescendo. Confira o gr\u00e1fico:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"534\" height=\"332\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/No-exterior.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3392\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/No-exterior.png 534w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/No-exterior-300x187.png 300w\" sizes=\"(max-width: 534px) 100vw, 534px\" \/><figcaption>Fonte: Portal Itamaraty<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mayaras, Ver\u00f4nicas, Adleys, Fernandos e tantos outros brasileiros que se aventuram a viver fora do seu pa\u00eds de origem acabam n\u00e3o somente levando um pouco do Brasil para fora, mas tamb\u00e9m compartilhando seus \u201cBrasis\u201d entre si. Cada um leva um pouco de suas ra\u00edzes culturais, suas hist\u00f3rias, seus h\u00e1bitos, o que permite uma troca interessante. Conhecer outros brasileiros nos faz enxergar o qu\u00e3o diversos somos, e o qu\u00e3o bonito isso \u00e9. Diferentes entre si, mas todos brasileiros para o mundo. Brasileiros que vivem diariamente como uma comunidade, que se fortalece na uni\u00e3o, nas similaridades e tamb\u00e9m nas diferen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasil-refugio\/\">Brasil ref\u00fagio:<\/a><\/strong> as pol\u00edticas nacionais em rela\u00e7\u00e3o aos refugiados<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/es-mae-gentil\/\">\u00c9s m\u00e3e gentil:<\/a><\/strong> o que faz com que estrangeiros escolham migrar para o Brasil<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasileiros e brasileiras de estados e culturas diferentes, que nunca teriam se conhecido no Brasil, acabam cruzando seus caminhos e se ajudando na Irlanda<\/p>\n","protected":false},"author":40,"featured_media":4929,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"57-post-template.php","format":"standard","meta":[],"categories":[109],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Brasis na Irlanda &mdash; 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