{"id":3416,"date":"2021-11-11T19:28:00","date_gmt":"2021-11-11T22:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=3416"},"modified":"2021-11-22T08:40:58","modified_gmt":"2021-11-22T11:40:58","slug":"respeita-o-meu-orixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/respeita-o-meu-orixa\/","title":{"rendered":"Respeita o meu Orix\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Segundo o Censo Demogr\u00e1fico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\">IBGE)<\/a>, existem mais de 60 mil terreiros espalhados por todo o Rio Grande do Sul, com uma concentra\u00e7\u00e3o maior na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre. De acordo com o mesmo Censo, 1,47% da popula\u00e7\u00e3o total do estado  indicou ser de religi\u00f5es afro-brasileiras. Esse n\u00famero chega a ultrapassar os estados do Rio de Janeiro e da Bahia, com 0,89% e 0,34%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desses n\u00fameros, ainda existe preconceito com essas religi\u00f5es no Rio Grande do Sul. Motivadas principalmente pelo racismo, mas tamb\u00e9m pela ignor\u00e2ncia, muitas pessoas associam essas cren\u00e7as \u00e0 magia negra ou a cultos ao diabo. Erroneamente resumidas \u00e0 \u201cmacumba\u201d por parte da popula\u00e7\u00e3o, as religi\u00f5es de matriz africana s\u00e3o perseguidas em todo o pa\u00eds, sendo alvo de ataques em uma escala consideravelmente maior que as chamadas tradi\u00e7\u00f5es judaico-crist\u00e3s . <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mdh\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2019\/junho\/balanco-anual-disque-100-registra-mais-de-500-casos-de-discriminacao-religiosa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O balan\u00e7o referente \u00e0s den\u00fancias de discrimina\u00e7\u00e3o religiosa<\/a> divulgado pelo Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos (MMFDH),  apontou 506 casos registrados no Disque 100 (Disque Direitos Humanos) no Brasil durante o ano 2018. Os segmentos mais atingidos s\u00e3o a Umbanda (com 72 den\u00fancias) e o Candombl\u00e9 (com 47), mas h\u00e1 ainda 28 den\u00fancias relacionadas com religi\u00f5es de matrizes africanas.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>Uma origem hist\u00f3rica<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As religi\u00f5es africanas chegaram ao Rio Grande do Sul, da mesma forma que em todo Brasil, em decorr\u00eancia do tr\u00e1fico de escravos que teve in\u00edcio em meados do s\u00e9culo 16. Esses escravos vieram de v\u00e1rias regi\u00f5es da \u00c1frica, como Angola, os Congos, Gab\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 registros de negros vindos da Costa do Marfim e do Golfo de Benin. A partir de 1750, tamb\u00e9m foram trazidos escravos da regi\u00e3o de Mo\u00e7ambique e da Costa Leste da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_05.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3430\" width=\"162\" height=\"152\"\/><figcaption>Arte: Ayla Yasmin Dresch<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Sofrendo os horrores da escraviza\u00e7\u00e3o, era na religi\u00e3o que os negros buscavam um ref\u00fagio. Para manter a sua cultura viva,&nbsp; ressignificaram e recriaram valores, al\u00e9m de variadas adapta\u00e7\u00f5es da religiosidade. Para cultuarem as suas divindades, sem a repress\u00e3o dos seus senhores, encontraram no sincretismo religioso uma alternativa, usando santos cat\u00f3licos como uma forma de representar as suas entidades.<\/p>\n\n\n\n<h3><strong>O preconceito de tradi\u00e7\u00e3o racista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O preconceito com as religi\u00f5es africanas n\u00e3o \u00e9 novidade. Para Nina Fola, doutoranda em sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora sobre a tem\u00e1tica das religi\u00f5es de matriz africana, essa persegui\u00e7\u00e3o tem um fundamento racial. Segundo ela, n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de intoler\u00e2ncia, mas sim de rejei\u00e7\u00e3o dessas tradi\u00e7\u00f5es devido \u00e0 sua origem racial, que h\u00e1 s\u00e9culos \u00e9 hierarquicamente subjugada.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;H\u00e1 muitas pessoas brancas na matriz religiosa, e isso n\u00e3o as impede de sofrer o racismo religioso, o preconceito, e de vivenciar situa\u00e7\u00f5es que eram naturais somente para as pessoas pretas&#8221;<\/p><cite><strong>NINA FOLA<\/strong>, pesquisadora e soci\u00f3loga<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Nina_Fola_ArquivoPessoal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3423\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Nina_Fola_ArquivoPessoal.jpg 853w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Nina_Fola_ArquivoPessoal-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Nina_Fola_ArquivoPessoal-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Nina_Fola_ArquivoPessoal-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption>Nina Fola, cantora e pesquisadora, nasceu em uma fam\u00edlia de batuqueiros | Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Levando em conta as palavras da soci\u00f3loga, podemos tamb\u00e9m perceber que essa persegui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita somente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra \u201cComo no Rio Grande do Sul existe uma grande popula\u00e7\u00e3o branca, h\u00e1 muitas pessoas brancas na matriz religiosa, e isso n\u00e3o as impede de sofrer o racismo religioso, o preconceito, e de vivenciar situa\u00e7\u00f5es que eram naturais somente para as pessoas pretas\u201d, explica Nina, que tamb\u00e9m \u00e9 cantora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma grande pol\u00eamica tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao sacrif\u00edcio de animais em algumas religi\u00f5es de matriz africana. O debate se d\u00e1 entre o respeito a essa pr\u00e1tica e os direitos dos animais. Em 2018, ocorreu um julgamento no <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2019\/03\/28\/stf-decide-que-e-constitucional-sacrificar-animais-em-cultos-religiosos.ghtml\">Supremo Tribunal Federal (STF)<\/a> sobre o sacrif\u00edcio de animais em rituais religiosos. A a\u00e7\u00e3o chegou ao STF em um recurso interposto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul (MP\/RS) contra uma decis\u00e3o tomada pelo Tribunal de Justi\u00e7a ga\u00facho que autorizava a pr\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o a religi\u00f5es de matriz africana, desde que sem excessos e crueldade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado H\u00e9dio Silva J\u00fanior, em sua sustenta\u00e7\u00e3o oral em defesa dos sacrif\u00edcios de animais, afirmou que essa proibi\u00e7\u00e3o estava voltada somente para as religi\u00f5es de matriz africana, pois n\u00e3o se v\u00ea como\u00e7\u00e3o social quanto aos abates realizados por outras religi\u00f5es, como a judaica, que possui rituais de abate e consumo de bovinos dentro de seu contexto religioso. A pesquisadora Nina d\u00e1 tamb\u00e9m o exemplo da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de comer peixe na Semana Santa, a qual n\u00e3o se v\u00ea ningu\u00e9m criticar mesmo sabendo que h\u00e1 a matan\u00e7a e venda, em toneladas, desses animais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/que-futuro-deus-dara\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Que futuro Deus dar\u00e1?<\/a><\/strong> Entenda qual ser\u00e1 o futuro da religi\u00e3o no mundo<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-despertar-para-uma-ancestral-forma-de-ser-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Despertar para uma ancestral forma de ser brasileiro: <\/a><\/strong>a<strong> <\/strong>vida na aldeia ind\u00edgena Teko\u00e1 Anhetengu\u00e1<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3><strong>Mas, afinal, que religi\u00f5es s\u00e3o essas?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<figure class=\"wp-block-video\"><video controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Edicao-final-Video-Mariana-Guazelli-1.mp4\"><\/video><figcaption> Como umbandista, Andr\u00e9 cultua a caridade ao pr\u00f3ximo, o amor e a uni\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p>No Rio Grande do Sul, as religi\u00f5es africanas mais presentes s\u00e3o a Umbanda, a Quimbanda e o Batuque. Diferentemente das falsas ideias alimentadas pelo racismo, que associam essas tradi\u00e7\u00f5es \u00e0 magia negra e cultos ao diabo, os valores que elas cultuam s\u00e3o muito positivos. A Umbanda \u00e9 uma religi\u00e3o sincr\u00e9tica, na qual foram absorvidos conceitos africanos, ind\u00edgenas e crist\u00e3os, os quais s\u00e3o muito vis\u00edveis na sua pr\u00e1tica.  O seu marco inicial \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do Caboclo das Sete Encruzilhadas no m\u00e9dium Z\u00e9lio Fernandino de Morais, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, no Rio de Janeiro, em 1908.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Na Umbanda, s\u00e3o cultuados nove orix\u00e1s: Oxal\u00e1, Ogum, Oxossi, Xang\u00f4, Iemanj\u00e1, Oxum, Ians\u00e3, Nan\u00e3 Buruqu\u00ea e Obalua\u00ea\/Omul\u00fa. Al\u00e9m disso, no Rio Grande do Sul, tamb\u00e9m existe a presen\u00e7a dos Pretos-velhos e Caboclos, entidades n\u00e3o sincretizadas com o catolicismo. Ainda assim, essa n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o polite\u00edsta, tendo em vista que seus seguidores acreditam em um deus \u00fanico, criador de tudo, e os orix\u00e1s s\u00e3o as suas divindades. Na Umbanda, a cor mais usada \u00e9 o branco e os seus principais valores s\u00e3o o amor, a caridade e a humildade. Por seu sincretismo, n\u00e3o alimenta nenhum tipo de segregacionismo religioso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;A umbanda \u00e9 assim, ela \u00e9 caridade, ela \u00e9 luz, ela \u00e9 esperan\u00e7a, ela \u00e9 a busca de um dia de amanh\u00e3 melhor&#8221;<\/p><cite><strong>ANDR\u00c9 CAMARGO<\/strong>, cacique de Umbanda<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Para Andr\u00e9 Camargo, chefe de terreiro no Centro de Umbanda Pai Ogum Beira Mar e Pai Jo\u00e3o da Angola, em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, adepto da Umbanda e da Quimbanda, a religi\u00e3o representa tudo em sua vida. Como umbandista, ele cultua a caridade ao pr\u00f3ximo, o amor e a uni\u00e3o. \u201cDentro do meu terreiro, eu procuro preservar muito a fam\u00edlia, pai, m\u00e3e, filhos, amor em si. Eu acho que \u00e9 muito importante tu ter o amor, tu ter o respeito, e a umbanda \u00e9 assim, ela \u00e9 caridade, ela \u00e9 luz, ela \u00e9 esperan\u00e7a, ela \u00e9 a busca de um dia de amanh\u00e3 melhor\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/orixas-salvador-bahia-pxfuel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3424\" width=\"375\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/orixas-salvador-bahia-pxfuel.jpg 910w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/orixas-salvador-bahia-pxfuel-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/orixas-salvador-bahia-pxfuel-768x511.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 375px) 100vw, 375px\" \/><figcaption>Atualmente s\u00e3o cultuados 12 orix\u00e1s no Brasil, uma pequena parcela derivada das mais de 200 divindades cultuadas na \u00c1frica | Foto: Pxfuel<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Muito popular no Rio Grande do Sul, o Batuque, anteriormente denominado Na\u00e7\u00e3o, \u00e9 a vertente religiosa que mais abrange caracter\u00edsticas da cultura africana. Ele tamb\u00e9m faz parte da tr\u00edade das chamadas religi\u00f5es afro-ga\u00fachas, junto da Umbanda e da Quimbanda. No Batuque, cultua-se apenas orix\u00e1s, os quais somam um total de 12: Bar\u00e1, Ogum, Ians\u00e3, Xang\u00f4, Ibeji, Ob\u00e1, Od\u00e9\/Otim, Ossanha, Xapan\u00e3, Oxum, Iemanj\u00e1 e Oxal\u00e1. Esses orix\u00e1s seguem uma ordem, dos mais antigos para os mais novos. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o Batuque \u00e9 dividido em na\u00e7\u00f5es, sendo as mais conhecidas Oy\u00f3, Jej\u00e9, Ijex\u00e1, Cabinda e Nag\u00f4. Para o Batuque, toda pessoa nasce sob a influ\u00eancia de um orix\u00e1, recebendo em sua vida as vibra\u00e7\u00f5es e a prote\u00e7\u00e3o deste ao qual est\u00e1 naturalmente vinculado e tem o seu destino regido. Diferente da Umbanda, que n\u00e3o realiza sacrif\u00edcios de animais, nos rituais de Batuque essa pr\u00e1tica \u00e9 comum. Al\u00e9m disso, seus rituais s\u00e3o caracter\u00edsticos pela presen\u00e7a da l\u00edngua africana, em semelhan\u00e7a com o Candombl\u00e9, religi\u00e3o de matriz africana mais conhecida no pa\u00eds, por\u00e9m menos presente no estado ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_02.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3429\" width=\"165\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_02.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_02-225x300.png 225w\" sizes=\"(max-width: 165px) 100vw, 165px\" \/><figcaption> Arte: Ayla Yasmin Dresch <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para a soci\u00f3loga Nina, que al\u00e9m de pesquisadora&nbsp; \u00e9 adepta do Batuque, a religi\u00e3o \u00e9 fundamental em sua vida. \u201cEu tomo o Batuque, h\u00e1 bastante tempo, como vida. E isso \u00e9 de uma grandiosidade filos\u00f3fica mesmo, de que n\u00e3o \u00e9 somente uma pr\u00e1tica religiosa onde eu encontro respostas pra vida, pra morte, \u00e9 mais do que isso\u201d, ela afirma. Nina tem 48 anos e vem de uma fam\u00edlia de batuqueiros, tendo contato com as religi\u00f5es africanas desde pequena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Quimbanda, tamb\u00e9m conhecida como Linha Cruzada, surgiu de uma aproxima\u00e7\u00e3o do Batuque e da Umbanda, tanto que em seus templos \u00e9 comum tamb\u00e9m se cultuar essas outras duas religi\u00f5es, por\u00e9m de formas isoladas. Assim como no Batuque, seus rituais incluem o sacrif\u00edcio de animais. Em sua ess\u00eancia, a Quimbanda trabalha de uma forma mais direta com os Exus e as Pombagiras, entidades que lidam com for\u00e7as negativas, mas que nem por isso s\u00e3o malignas. Essas divindades, na cren\u00e7a de seus seguidores,&nbsp; protegem as pessoas e, como se acredita que eles sabem manipular as for\u00e7as das trevas,&nbsp; seu objetivo seria proteger os seus filhos do mal. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_06.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3431\" width=\"154\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_06.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_06-225x300.png 225w\" sizes=\"(max-width: 154px) 100vw, 154px\" \/><figcaption> Arte: Ayla Yasmin Dresch <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O Exu \u00e9 caracterizado pela sua for\u00e7a, pela masculinidade e conhecimentos m\u00edticos. \u00c9 considerado como o orix\u00e1 mensageiro e tamb\u00e9m aquele que protege, sendo normalmente aquele que efetua as limpezas espirituais. Dentro do sincretismo religioso, a sua figura foi injustamente associada \u00e0 do diabo. J\u00e1 as Pombasgiras s\u00e3o entidades que representam a feminilidade. Acredita-se que elas s\u00e3o mulheres que sofreram em suas vidas e agora buscam formas de ajudar a todos que buscam seus conselhos como \u00faltima esperan\u00e7a. Consideradas entidades de luz, n\u00e3o aceitam a degrada\u00e7\u00e3o da mulher e recriminam todo e qualquer desrespeito aos seus corpos, almas e esp\u00edritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quimbandeiro, Andr\u00e9 caracteriza a Quimbanda como aquela que encanta. \u201cOs Exus e as Pombagiras trazem a magia, trazem o brilho, o encanto, a bebida, a dan\u00e7a, que \u00e9 o que envolve. Todo mundo gosta. Hoje, se tu vai em uma festa, aquilo que te encanta \u00e9 a bebida, \u00e9 a dan\u00e7a, s\u00e3o as pessoas bem vestidas, cada um de uma maneira\u201d,&nbsp; diz o chefe de terreiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_03.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3435\" width=\"270\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_03.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_03-297x300.png 297w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_03-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><figcaption> Arte: Ayla Yasmin Dresch <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de suas diferen\u00e7as, as religi\u00f5es de matriz africana carregam uma importante semelhan\u00e7a, o conceito de comunidade. Em seus c\u00edrculos, todos s\u00e3o vistos como iguais, mas tamb\u00e9m \u00fanicos dentro de sua exist\u00eancia. \u201cA matriz africana \u00e9 comunidade, \u00e9 a diferen\u00e7a, s\u00e3o as pessoas diferentes, os pobres, os gays, as l\u00e9sbicas, \u00e9 todo mundo\u201d, define Nina. Na opini\u00e3o da soci\u00f3loga, os terreiros atraem cada vez mais pessoas&nbsp; por serem espa\u00e7os de liberdade, onde as pessoas t\u00eam a possibilidade de serem completas. \u201cS\u00e3o espa\u00e7os de consci\u00eancia\u201d, define.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Ainda assim, essas religi\u00f5es sofrem com o preconceito da popula\u00e7\u00e3o externa que, mesmo n\u00e3o tendo conhecimentos sobre as pr\u00e1ticas, se prende aos conceitos pejorativos alimentados pelo racismo. Nesse contexto, \u00e0s vezes, influ\u00eancias de outras religi\u00f5es, principalmente crist\u00e3s, podem contribuir para essa persegui\u00e7\u00e3o, como no caso do pastor Aijalon Berto, da Igreja Evang\u00e9lica Minist\u00e9rio D\u00fanamis, de Cruz de Rebou\u00e7as, no distrito de Igarassu, em Recife. Em setembro de 2020, foi prestada uma queixa contra o pastor na Secretaria de Defesa Social (SDS). O religioso havia gravado um v\u00eddeo no qual ele associa pain\u00e9is com s\u00edmbolos da cultura afro, instalados nas proximidades do Museu da Aboli\u00e7\u00e3o, em Pernambuco, a \u201crefer\u00eancias malignas e sat\u00e2nicas\u201d e a \u201desp\u00edritos das trevas\u201d. Infelizmente, as associa\u00e7\u00f5es feitas por Aijalon, ligando as religi\u00f5es de matriz africana \u00e0 feiti\u00e7aria, s\u00e3o apenas mais uma representa\u00e7\u00e3o do pensamento de muitas pessoas de fora desse c\u00edrculo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta11_Ayla_Dresch_04.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3432\" width=\"145\" height=\"143\"\/><figcaption> Arte: Ayla Yasmin Dresch <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para o chefe de terreiro Andr\u00e9, a falta de conhecimento tira do indiv\u00edduo qualquer direito de criticar essas tradi\u00e7\u00f5es: \u201cEu acho que, se tu nunca esteve dentro de um terreiro, tu n\u00e3o pode me criticar. Da mesma forma que eu n\u00e3o posso criticar a Igreja Cat\u00f3lica ou Adventista, eu n\u00e3o posso. Eu n\u00e3o sou adepto daquela religi\u00e3o, eu sou umbandista, eu conhe\u00e7o a minha religi\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo de religi\u00e3o africana continua lutando pelos seus direitos e pelo fim do racismo religioso e as suas falsas acusa\u00e7\u00f5es. \u201cAs pessoas t\u00eam que parar de fazer rela\u00e7\u00e3o da nossa tradi\u00e7\u00e3o com os par\u00e2metros do que \u00e9 certo da perspectiva crist\u00e3 cat\u00f3lica. N\u00e3o \u00e9 essa perspectiva\u201d, declara Nina.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/sera-que-ele-e\/\">Ser\u00e1 que ele \u00e9?<\/a> <\/strong>Representa\u00e7\u00e3o de personagens gays na m\u00eddia afeta a constru\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-mandato-como-instrumento-na-luta-pela-pluralidade\/\">Mandato como instrumento na luta pela pluralidade: <\/a><\/strong>a bancada negra eleita em Porto Alegre<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de invisibilizadas, as religi\u00f5es de matriz africana apresentam uma forte presen\u00e7a no estado ga\u00facho<\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":3422,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[109],"tags":[124,123],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Descubra mais sobre as religi\u00f5es de matriz africana no RS &mdash; 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