{"id":3589,"date":"2021-10-26T15:00:53","date_gmt":"2021-10-26T18:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=3589"},"modified":"2021-11-22T16:46:33","modified_gmt":"2021-11-22T19:46:33","slug":"o-mandato-como-instrumento-na-luta-pela-pluralidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-mandato-como-instrumento-na-luta-pela-pluralidade\/","title":{"rendered":"Afronte ao status quo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Ampliar a voz da&nbsp; periferia e pressionar o poder p\u00fablico por mudan\u00e7as s\u00e3o objetivos de alguns dos novos vereadores da capital ga\u00facha. A apelidada \u201cbancada negra\u201d chegou h\u00e1 pouco no poder pol\u00edtico mas veio para fazer barulho e mobiliza\u00e7\u00e3o social na C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre. Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Daiana Santos (PC do B) e Bruna Rodrigues (PC do B) conquistaram expressivas vota\u00e7\u00f5es na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, e, por esse motivo, podemos considerar essa uma elei\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. A bancada negra, que ganhou esse nome nas redes sociais ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o municipal de 2020, \u00e9 composta por jovens negros e negras que est\u00e3o em contato direto com os movimentos sociais da periferia. \u00c9 um perfil que destoa daquele que tradicionalmente ocupou a C\u00e2mara Municipal, homens brancos de meia idade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Matheus Gomes tem 30 anos, \u00e9 historiador e tamb\u00e9m ativista h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Est\u00e1 inserido em diferentes coletivos, como o Afronte, o N\u00f3s Por N\u00f3s Solidariedade e o Movimento Negro Unificado. Com 9.869 votos, foi o quinto vereador mais votado. Para uma boa parcela dos vereadores, no entanto, essas qualifica\u00e7\u00f5es parecem n\u00e3o importar. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p> \u201cH\u00e1 uma resist\u00eancia muito grande da maioria dos vereadores em reconhecer a legitimidade dessa bancada negra. Ent\u00e3o eles tentam fazer com que a din\u00e2mica da casa tenha o m\u00ednimo de interfer\u00eancia pela nossa presen\u00e7a, o que \u00e9 negar a import\u00e2ncia da pauta antirracista\u201d <\/p><cite><strong>MATHEUS GOMES<\/strong>, vereador, historiador e ativista do movimento negro <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>\u00c9 ineg\u00e1vel a import\u00e2ncia hist\u00f3rica desse aumento&nbsp; de representatividade, mas o caminho ainda \u00e9 longo e \u00e1rduo. A bancada negra e o bloco de oposi\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara como um todo s\u00e3o uma minoria que, nas vota\u00e7\u00f5es de projetos, acaba por ser esmagada pela maioria que normalmente caminha de m\u00e3os dadas com o prefeito Sebasti\u00e3o Melo (PMDB). Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de vota\u00e7\u00f5es que se faz pol\u00edtica, e Matheus v\u00ea em seu mandato uma ferramenta para dar espa\u00e7o na C\u00e2mara para os movimentos sociais perif\u00e9ricos, frequentemente exclu\u00eddos do debate p\u00fablico. Matheus cita um exemplo: \u201cN\u00f3s realizamos o lan\u00e7amento da Frente Parlamentar Pela Seguran\u00e7a Alimentar, junto com representa\u00e7\u00f5es de cozinhas comunit\u00e1rias, a Coaliz\u00e3o Negra por Direitos e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, dentro da casa, para discutir o problema da fome em Porto Alegre. Foi uma iniciativa da bancada negra. De fato temos essa preocupa\u00e7\u00e3o, de uma luta por ter mais representa\u00e7\u00e3o, trazer para c\u00e1 esses movimentos que n\u00e3o tinham espa\u00e7o&nbsp; at\u00e9 ent\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/vitimas-do-clima\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">V\u00edtimas do clima: <\/a><\/strong>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se tornam um novo fator para o aumento da desigualdade<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-que-guardam-as-periferias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que guardam as periferias<\/a><\/strong>: zonas perif\u00e9ricas demonstram um grande potencial para o futuro<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>Matheus destaca a import\u00e2ncia do trabalho de base nas comunidades. Isso envolve lidar com os problemas cotidianos, em regi\u00f5es tradicionalmente esquecidas pelo poder p\u00fablico. E, acima de tudo, nesse processo desenvolver uma maior consci\u00eancia pol\u00edtica de classe, discutir temas como viol\u00eancia policial, educa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o popular. Os mandatos, nessa perspectiva, s\u00e3o instrumentos de politiza\u00e7\u00e3o e debate nas comunidades, capazes de gerar a mobiliza\u00e7\u00e3o social necess\u00e1ria para pressionar por grandes mudan\u00e7as. \u201cA gente faz o nosso mandato, e muitas vezes n\u00e3o aparecem as nossas a\u00e7\u00f5es, mas porque a gente est\u00e1 atuando junto \u00e0s comunidades, junto \u00e0s associa\u00e7\u00f5es de moradores, junto aos coletivos que est\u00e3o ali, se auto-organizando, dando estrutura, marcando reuni\u00e3o com a prefeitura. A gente est\u00e1 num trabalho intenso de mobiliza\u00e7\u00e3o popular.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A vereadora Karen Santos, de 32 anos, teve a maior vota\u00e7\u00e3o de todo o pleito de 2020, com 15.702 votos. Participa do coletivo Alicerce e \u00e9 professora de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Tamb\u00e9m faz parte da Frente Quilombola h\u00e1 mais de 10 anos. Ela acredita que o papel de um parlamentar deve ser o da constru\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o o da substitui\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais. Karen v\u00ea o&nbsp; mandato como um instrumento para lutar, pressionar o poder p\u00fablico e informar a sociedade. Ela alerta que, no atual sistema de democracia representativa, a sociedade acaba&nbsp; por debater apenas sobre representatividade e votos, e o debate pol\u00edtico e a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre tem\u00e1ticas importantes acabam ficando de fora do espa\u00e7o p\u00fablico. \u201cA&nbsp; gente, enquanto mandato, acha isso tudo uma pol\u00edtica muito limitante, tanto no sentido do desenvolvimento da consci\u00eancia da classe trabalhadora, como tamb\u00e9m para momentos como esse, onde n\u00e3o somos maioria, e n\u00e3o temos uma retaguarda ciente, politizada e organizada\u201d,&nbsp; diz Karen. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p> \u201cBoa parte das decis\u00f5es da C\u00e2mara s\u00e3o tomadas antes mesmo de come\u00e7ar a decis\u00e3o do projeto. E \u00e9 isso que preciso falar para meu povo. Pois meu povo foi educado dentro dessa democracia representativa, burguesa, institucional. \u00c9 lesado por ela o tempo inteiro. Mas n\u00e3o reconhece ela como um fator limitante. Ent\u00e3o precisamos avan\u00e7ar, qualificar qual democracia queremos\u201d <\/p><cite><strong>KAREN SANTOS, <\/strong> vereadora mais votada em 2020 na cidade de Porto Alegre<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-5 wp-block-gallery-4 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"682\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48-682x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"3593\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-mandato-como-instrumento-na-luta-pela-pluralidade\/whatsapp-image-2021-09-30-at-16-32-48\/\" class=\"wp-image-3593\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48-682x1024.jpeg 682w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-09-30-at-16.32.48.jpeg 853w\" sizes=\"(max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Vereador Matheus Gomes<br>Foto: Anderson Balbinot<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16-1024x1024.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"3596\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-mandato-como-instrumento-na-luta-pela-pluralidade\/whatsapp-image-2021-10-01-at-11-14-16\/\" class=\"wp-image-3596\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16-1024x1024.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16-300x300.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16-768x768.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/WhatsApp-Image-2021-10-01-at-11.14.16.jpeg 1224w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Vereadora Karen Santos<br>Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h3>Incluindo o povo no debate pol\u00edtico<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Alfredo Alejandro Gugliano \u00e9 doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Sociologia pela Universidad Complutense de Madrid (UCM) e professor do departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O pesquisador defende a exist\u00eancia de espa\u00e7os nos quais a sociedade possa discutir e definir pol\u00edticas p\u00fablicas e lamenta o abandono que ocorreu nas \u00faltimas duas gest\u00f5es em Porto Alegre do Or\u00e7amento Participativo (OP), na sua opini\u00e3o, uma das mais reconhecidas experi\u00eancias mundiais de inclus\u00e3o da cidadania na vida pol\u00edtica da cidade. O OP \u00e9 um processo pelo qual a popula\u00e7\u00e3o decide a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos em obras e servi\u00e7os que ser\u00e3o executados pela administra\u00e7\u00e3o municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas al\u00e9m dos mecanismos de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 nas institui\u00e7\u00f5es, Alfredo diz que a pol\u00edtica e a democracia deveriam estar mais presentes no cotidiano: \u201cQui\u00e7\u00e1 o grande limite da democracia representativa seja que ela transmite a ideia de que a democracia se limita \u00e0 interven\u00e7\u00e3o institucional, alguns inclusive restringem o tema ao n\u00edvel estatal. Particularmente, me identifico com a ideia &#8211; especialmente importante entre as intelectuais e militantes feministas &#8211; de que o pessoal \u00e9 pol\u00edtico, logo, a democracia deveria fazer parte da nossa vida cotidiana e das nossas rela\u00e7\u00f5es sociais. Pensando ao encontro do grande educador John Dewey, a democracia deveria ser um modo de vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia da covid-19 dificultou o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o social e o debate pol\u00edtico entre&nbsp; os cidad\u00e3os e cidad\u00e3s e seus representantes na casa do povo.&nbsp; A maior parte das audi\u00eancias passaram a ser de forma remota, e a exclus\u00e3o digital \u00e9 uma realidade em Porto Alegre. Soma-se a isso os hor\u00e1rios inacess\u00edveis em que as sess\u00f5es ocorrem e o pr\u00f3prio ritmo de vida fren\u00e9tico das pessoas. Mas Karen tem esperan\u00e7a em dias de maior mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: \u201cAs campanhas foram at\u00e9 que massificadas, com bastante panfletagem e muito p\u00e9 nas comunidades, mas faz falta tu conseguir aglutinar as pessoas para debater, organizar assembleias. E isso a\u00ed, com o avan\u00e7ar da vacina\u00e7\u00e3o, acho que a gente vai conseguir pensar qual \u00e9 o papel frente ao governo Melo, como vamos pressionar, como fizemos durante [<em>a gest\u00e3o do<\/em>] Marchezan. Mas agora est\u00e1 bem dif\u00edcil e bem limitado o acesso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conex\u00e3o com a Frente Quilombola, a vereadora e seu coletivo ajudam as comunidades quilombolas a reivindicar seus direitos perante o poder p\u00fablico. Isso se d\u00e1 tanto pela via protocolar, com ajuda do seu mandato, como pela organiza\u00e7\u00e3o social, e envolve inclusive&nbsp; quest\u00f5es mais cotidianas. Karen exemplifica contando que l\u00edderes do Quilombo dos Machado querem que a prefeitura tape os buracos da comunidade e coloque brita para a pracinha das crian\u00e7as e pedem ajuda dela nessa reivindica\u00e7\u00e3o.&nbsp; Mas existem tamb\u00e9m as quest\u00f5es mais amplas. \u201cUma das batalhas que a gente vai enfrentar, que vai ser bem grande, \u00e9 a titula\u00e7\u00e3o dos quilombos urbanos. O munic\u00edpio tem o poder de fazer a desapropria\u00e7\u00e3o daquelas terras, e isso \u00e9 algo que a gente quer enfrentar este ano ainda. A gente t\u00e1 pensando tamb\u00e9m qual a melhor correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para isso acontecer. Porque n\u00e3o adianta nada tu ter o melhor projeto do mundo, botar para votar e ele ser derrotado\u201d, conta Karen.<\/p>\n\n\n\n<p>Laura Sito, de 29 anos, fez hist\u00f3ria ao assumir interinamente a presid\u00eancia da C\u00e2mara, assim se tornando a primeira mulher negra no cargo. Laura \u00e9 jornalista e municip\u00e1ria, milita desde&nbsp;a adolesc\u00eancia e \u00e9 m\u00e3e. Conquistou 5.390 votos e foi a d\u00e9cima candidata mais votada entre todos do pleito de 2020. Daiana Santos, de 39 anos, foi a primeira vereadora LGBTQIA+ assumida eleita em Porto Alegre. Tem experi\u00eancia como sanitarista, educadora social e promotora em Sa\u00fade da Popula\u00e7\u00e3o Negra. \u00c9 idealizadora e coordenadora do Fundo das Mulheres POA, projeto social que atende mulheres chefes de fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Bruna Rodrigues tem 33 anos, \u00e9 m\u00e3e e estudante do curso de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e Social da UFRGS. Em sua bagagem pol\u00edtica consta a presid\u00eancia da Uni\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es de Moradores de POA (Uampa), de onde obteve vasta experi\u00eancia e vis\u00e3o acerca da realidade das comunidades que vivem em ocupa\u00e7\u00f5es e vilas da capital. Nasceu e foi criada na Vila Cruzeiro, filha de uma trabalhadora dom\u00e9stica e gari.<\/p>\n\n\n\n<p>O pleito de 2020 representou uma modifica\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a dentro da C\u00e2mara Municipal de Porto Alegre. Embora n\u00e3o seja&nbsp; maioria, a bancada negra chama aten\u00e7\u00e3o para um cen\u00e1rio novo, onde grupos que n\u00e3o tinham representa\u00e7\u00e3o proporcional na C\u00e2mara se mostraram fortalecidos. Com isso, novas tem\u00e1ticas passaram a ser discutidas. Aragon \u00c9rico Dasso J\u00fanior, doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) e professor de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na UFRGS, conclui: \u201cHaver\u00e1 com certeza e j\u00e1 vem havendo uma diversifica\u00e7\u00e3o, uma diversidade, uma pluralidade de tem\u00e1ticas novas sendo objeto de pauta, \u00e2ngulos de observa\u00e7\u00e3o diferente. \u00c9 importante pensar em uma bancada negra e jovem como uma ruptura com o status quo de representa\u00e7\u00e3o branca masculina, majoritariamente. Ent\u00e3o, mesmo que ainda como minoria, e mesmo que perdendo vota\u00e7\u00f5es, [<em>esses vereadores<\/em>] v\u00e3o marcar posi\u00e7\u00e3o, v\u00e3o fazer enfrentamento, v\u00e3o estabelecer interlocu\u00e7\u00e3o\u201d. A nova composi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara, portanto, \u00e9 s\u00f3 o in\u00edcio de uma mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta14_Julia_Duarte.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3599\" width=\"600\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta14_Julia_Duarte.png 800w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta14_Julia_Duarte-300x300.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta14_Julia_Duarte-150x150.png 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta14_Julia_Duarte-768x768.png 768w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption>Arte: Julia Duarte<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/respeita-o-meu-orixa\/\">Respeita o meu Orix\u00e1: <\/a><\/strong>religi\u00f5es de matriz africana apresentam uma forte presen\u00e7a no estado ga\u00facho<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-despertar-para-uma-ancestral-forma-de-ser-brasileiro\/\">Despertar para uma ancestral forma de ser brasileiro:<\/a><\/strong> a vida na aldeia ind\u00edgena Teko\u00e1 Anhetengu\u00e1<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bancada negra na C\u00e2mara Municipal, mesmo ainda estando em minoria, pode contribuir e muito para o debate pol\u00edtico em Porto Alegre<\/p>\n","protected":false},"author":46,"featured_media":3590,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"57-post-template.php","format":"standard","meta":[],"categories":[109],"tags":[131,130,128,69,129],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A luta pela pluralidade da bancada negra de Porto Alegre &mdash; 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