{"id":3727,"date":"2021-10-29T20:34:02","date_gmt":"2021-10-29T23:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=3727"},"modified":"2021-11-22T15:54:01","modified_gmt":"2021-11-22T18:54:01","slug":"o-brasil-deixou-de-ser-uma-colonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/o-brasil-deixou-de-ser-uma-colonia\/","title":{"rendered":"O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-audio alignfull\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MUSICA-1.mp3\"><\/audio><figcaption> Oriente &#8211; Brasil Col\u00f4nia [Nissin, F\u00e1bio Brazza , Sant, Sid, Gog]<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">At\u00e9 o momento do grito de liberdade proferido \u00e0s margens do Rio Ipiranga, ainda que os registros documentais apontem controv\u00e9rsias sobre essa perip\u00e9cia, uma sequ\u00eancia de eventos foram determinantes para este novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria brasileira. H\u00e1 nos registros que o ano de 1822 foi o passaporte para a independ\u00eancia do pa\u00eds. A nossa trajet\u00f3ria, contudo, n\u00e3o necessariamente segue uma linha cronol\u00f3gica retida em suas datas, mas sim uma concilia\u00e7\u00e3o entre o presente e o passado que se fundem ao corpo social e permanecem na nossa cultura, comportamento, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Afinal, pregressos h\u00e1 quase dois s\u00e9culos,&nbsp;deixamos o nosso passado colonial para tr\u00e1s?<\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser uma armadilha tentadora, \u00e0 primeira vista, enunciar um corriqueiro sim ou n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 incomum, na verdade, por vezes atrelarmos a nossa origem de explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura social que conhecemos hoje.&nbsp; Para colocar em uma balan\u00e7a o peso dos resqu\u00edcios do nosso passado com as decis\u00f5es contempor\u00e2neas, \u00e9 preciso um certo medidor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil Colonial, que deu largada no ano de 1530 com a iniciativa da Coroa Portuguesa de explorar o potencial econ\u00f4mico da recente descoberta, amparou-se em uma estrutura formada em tr\u00eas eixos para pendurar. O trip\u00e9 da monocultura, latif\u00fandio e escravid\u00e3o esteve intrinsecamente ligado ao \u00eaxito do sistema vivo por quase 300 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery columns-3 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"3732\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1.jpeg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3732\" class=\"wp-image-3732\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1.jpeg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-1-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"374\" height=\"283\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-1.gif\" alt=\"\" data-id=\"3733\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/2-1.gif\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3733\" class=\"wp-image-3733\"\/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"728\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-1024x728.jpg\" alt=\"\" data-id=\"3734\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-scaled.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=3734\" class=\"wp-image-3734\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-1024x728.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-768x546.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-1536x1092.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-2048x1456.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-1568x1115.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\"><em>V\u00e1rias obras representam a chegada dos portugueses e sua instala\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio<\/em> brasileiro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Como aponta F\u00e1bio Kuhn, pesquisador e professor de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), temos, pelos menos, tr\u00eas heran\u00e7as que emergiram em nossa forma de se relacionar. Segundo o historiador, podemos observar, nos dias atuais, v\u00ednculos descendentes do nosso embri\u00e3o luso-brasileiro que chegaram com as caravelas. \u00c9 importante ressaltar, no entanto, que a contemporaneidade \u00e9 formada por uma soma de fatores n\u00e3o apenas do passado colonial, mas tamb\u00e9m com as decis\u00f5es que atravessam a nossa hist\u00f3ria ao longo do seu percurso.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p><strong>\u201c<\/strong>A sociedade brasileira \u00e9 altamente violenta, n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero de homic\u00eddios, mas pela forma generalizada que ocorre. Existe um grande risco em viver no Brasil<strong>\u201d<\/strong><\/p><cite><strong>F\u00c1BIO KUHN, <\/strong>historiador<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A primeira delas \u00e9 a viol\u00eancia. De acordo com o pesquisador, por sua forma operacional de sistema, a col\u00f4nia brasileira era alimentada para seu funcionamento pela brutalidade e opress\u00e3o. Os n\u00fameros recentes mostram que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds onde a popula\u00e7\u00e3o tem o mais alto grau de medo da viol\u00eancia, segundo o Global Peace Index (GPI) de 2021. A pesquisa, elaborada anualmente pelo <a href=\"https:\/\/www.rotary.org\/pt\/institute-economics-and-peace\">Instituto para Economia e Paz<\/a>, sediado na Austr\u00e1lia, mostrou que quase 83% dos brasileiros temem ser v\u00edtimas de um crime violento.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo ponto trazido pelo pesquisador \u00e9 a desigualdade social. Como explica F\u00e1bio, a sociedade colonial era profundamente hierarquizada, tendo uma min\u00fascula elite que dominava e concentrava os bens. No Brasil, isso n\u00e3o mudou. A na\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 continua sendo um dos pa\u00edses mais desiguais do mundo, como est\u00e1 piorando: em 2020, seguindo uma tend\u00eancia mundial acelerada pela pandemia do novo coronav\u00edrus, a concentra\u00e7\u00e3o de renda aumentou no pa\u00eds e, com isso, atingiu o pior n\u00edvel em pelo menos duas d\u00e9cadas. \u00c9 o que mostram n\u00fameros da edi\u00e7\u00e3o de 2021 do <a href=\"https:\/\/www.credit-suisse.com\/about-us\/en\/reports-research\/global-wealth-report.html\">relat\u00f3rio sobre riqueza global<\/a> feito pelo banco Credit Suisse. Em 2020, quase a metade da riqueza do pa\u00eds, 49,6%, foi toda para a m\u00e3o do 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o. Em 2019, eles detinham 46,9%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto, o professor ressalta que a desigualdade social n\u00e3o \u00e9, necessariamente, um problema estrutural, mas um ponto existente em todos os pa\u00edses. Isso acontece porque a  sociedade comporta diferentes atividades, capazes de gerar resultados diversos quanto ao impacto financeiro e necessidade mercadol\u00f3gica. Ou seja, depende do quanto cada for\u00e7a de trabalho, produto ou servi\u00e7o possui oferta e demanda, fatores diretamente ligados \u00e0 cultura e aos resultados econ\u00f4micos de cada pa\u00eds. Apesar disso, a desigualdade social pode se tornar um grande problema, \u00e0 medida que vemos a amplifica\u00e7\u00e3o da pobreza ou extrema-pobreza. A partir deste ponto, a desigualdade passa de uma exist\u00eancia natural para um processo a ser minimizado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma terceira caracter\u00edstica, associada ao cen\u00e1rio escravocrata, \u00e9 o racismo estrutural. Segundo o pesquisador, \u00e9 percept\u00edvel que, ainda, h\u00e1 muita dificuldade de ascens\u00e3o e mobilidade social, limitadas como consequ\u00eancias diretas do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual conjuntura carrega efeitos atrelados aos anos de coer\u00e7\u00e3o violenta trazidos pelo trabalho for\u00e7ado, em converg\u00eancia com a&nbsp; aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o ou ressarcimento pelo setor privado. \u201cExiste um mito do brasileiro cordial, mas n\u00f3s n\u00e3o somos diferentes, o nosso racismo \u00e9 mitigado e disfar\u00e7ado. Ser negro no Brasil \u00e9 um desafio, pois a pessoa precisa se afirmar n\u00e3o apenas pelas suas capacidades, mas para superar o preconceito enraizado\u201d, pondera F\u00e1bio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/-bplM40Dr_IO5_SUe8kei-zLr6j2O1NM3HUu1IhqL2IplfMfVT_Weu1sFRJy5yqe6NLjSZdoMFJGM-Jb2TEBOfHnTYoumZlthHfJV--WrLLIBv5HJoB-OAekFOxALLO4ia8kDTJA\" alt=\"\"\/><figcaption>Obra<em> de Jean-Baptiste Debret <\/em> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:50%\">\n<p>Os elementos elencados pelo professor  se relacionam diretamente ao trip\u00e9 basilar da sociedade colonial.&nbsp; Os vest\u00edgios da monocultura, o latif\u00fandio e a escravid\u00e3o podem estar mais presentes na nossa vida hoje do que imaginamos.&nbsp; <\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entenda-quem-sao-e-como-vivem-os-milionarios-do-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Quem quer ser um milion\u00e1rio?<\/a> <\/strong>Quem s\u00e3o e como vivem os milion\u00e1rios brasileiros<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-construcao-da-identidade-cultural-pelas-fronteiras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>A constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural pelas Fronteiras:<\/strong> <\/a>a influ\u00eancia dos pa\u00edses vizinhos no Brasil<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<h3><strong>A origem da concentra\u00e7\u00e3o de terras<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil mensurar o n\u00edvel de diferen\u00e7as econ\u00f4micas dentro de um pa\u00eds,&nbsp; mas um indicador frequentemente usado por especialistas \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de terras. O Brasil \u00e9 apontado mundialmente por seu grande ac\u00famulo de territ\u00f3rios para uma parcela diminuta da sociedade, e este pode ser um dos pontos mais dif\u00edceis de mudar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o \u00faltimo <a href=\"https:\/\/censos.ibge.gov.br\/agro\/2017\/\">Censo Agropecu\u00e1rio do pa\u00eds<\/a>, realizado em 2017,  apenas cerca de 1% dos propriet\u00e1rios de terra controla quase 50% da \u00e1rea rural do pa\u00eds. Por outro lado, os estabelecimentos com \u00e1reas menores de10 hectares (cada hectare equivale a um campo de futebol) representam metade das propriedades rurais, mas controlam apenas 2% da \u00e1rea total.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor S\u00e9rgio Sauer, soci\u00f3logo e docente da Universidade de Bras\u00edlia (UNB), explica que esse processo ocorre desde as primeiras interven\u00e7\u00f5es da Coroa Portuguesa, gerando a origem dos latif\u00fandios. Em 1536, Lisboa decidiu dividir o territ\u00f3rio brasileiro em grandes faixas de terras que iam do litoral at\u00e9 a linha imagin\u00e1ria determinada pelo <a href=\"https:\/\/www.historia-brasil.com\/colonia\/tordesilhas.htm\">Tratado de Tordesilhas<\/a>. As chamadas Capitanias Heredit\u00e1rias foram doadas a representantes da nobreza e aos militares.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cAl\u00e9m do aspecto econ\u00f4mico e produtivo, historicamente, a propriedade \u00e9 um elemento central do poder pol\u00edtico. Uma redistribui\u00e7\u00e3o de terras significa uma redistribui\u00e7\u00e3o de poder\u201d&nbsp;<\/p><cite><strong><strong>S\u00c9RGIO SAUER, <\/strong><\/strong>soci\u00f3logo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Em v\u00e3o, ao longo do tempo, uma s\u00e9rie de medidas legais foram tomadas tentando equilibrar esta balan\u00e7a. Somente em 1950 que a distribui\u00e7\u00e3o de propriedades rurais come\u00e7ou a ser debatida em sociedade, a partir do desenvolvimento industrial e do aumento da urbaniza\u00e7\u00e3o, quando o pa\u00eds deixou de ser apenas agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 estabeleceu o direito \u00e0 Uni\u00e3o de desapropriar terras particulares para fins de reforma agr\u00e1ria. O debate ficou estagnado, e o professor S\u00e9rgio explica o porqu\u00ea no \u00e1udio a seguir:  <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Prof-Sergio-Reforma-Agraria-1.mp3-AUDIO-1-OK-1.mp3\"><\/audio><figcaption> S\u00e9rgio Sauer, soci\u00f3logo e docente da Universidade de Bras\u00edlia (UNB) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), grupo ativista da causa,&nbsp; busca fundamentalmente a redistribui\u00e7\u00e3o das terras improdutivas. Nesse sentido, a <a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/155571402\/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a> de 1988 prev\u00ea em seu artigo <a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/topicos\/10657347\/artigo-184-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988\">184<\/a> que: \u201cCompete \u00e0 Uni\u00e3o desapropriar por interesse social, para fins de reforma agr\u00e1ria, o im\u00f3vel rural que n\u00e3o esteja cumprindo sua fun\u00e7\u00e3o social\u201d.<em> <\/em>Apesar disso, as barreiras centrais no processo de reforma agr\u00e1ria brasileiro s\u00e3o as&nbsp; irregularidades e a baixa fiscaliza\u00e7\u00e3o. Segundo <a href=\"https:\/\/cd.jusbrasil.com.br\/noticias\/323615331\/relatorio-do-tcu-sobre-indicios-de-irregularidades-na-reforma-agraria-divide-opinioes\">relat\u00f3rio do TCU<\/a>, o valor de terras ocupadas com suspeita de irregularidades soma 159 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um campo filos\u00f3fico do debate, h\u00e1 correntes que apontam sobre o direito inviol\u00e1vel \u00e0 propriedade e criticam o discurso de reforma agr\u00e1ria moderno, como \u00e9 feito pelo MST e suas consequ\u00eancias \u00e0 viola\u00e7\u00e3o de propriedade, alegando que trazem como resultados o aumento de conflitos e da viol\u00eancia no campo, sem necessariamente trazer melhores resultados. H\u00e1 relatos, ao longo dos anos, de invas\u00f5es por grupos sociais em terras apontadas como produtivas, vandalismo e animais abatidos pelo movimento, gerando uma guerra de narrativas entre os propriet\u00e1rios das terras e seus aspirantes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-9 wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container\">\n<h3><strong>O pa\u00eds de um produto s\u00f3<\/strong><\/h3>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que o Brasil n\u00e3o produz hoje somente um item agr\u00edcola, mas se destaca pelas&nbsp; monoculturas, que se caracterizam pela produ\u00e7\u00e3o de apenas um produto em uma grande extens\u00e3o de terra. Marca registrada do per\u00edodo de explora\u00e7\u00e3o, as planta\u00e7\u00f5es de uma mercadoria remontam ao per\u00edodo colonial e parecem seguir como uma fundamental estrat\u00e9gia econ\u00f4mica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, as pot\u00eancias europeias praticavam nas col\u00f4nias as <em>plantations<\/em> de exporta\u00e7\u00e3o, sustentado pelo trip\u00e9 que assina a era da explora\u00e7\u00e3o extrativa. Naquela \u00e9poca, havia o monocultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e na regi\u00e3o da Zona da Mata, no Nordeste do pa\u00eds, onde foi mais acentuado e iam direto, como alvo, para o continente europeu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull\"><img src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/yhvb_qciCJ9TDoC-KwwvMDDdlHZ7euGevp7P-5G7YlSueBXylnToEX2yzNawNI3c68r4KF27eC4tOEpwpemY9E0vt82jdMcXeio0SqRxgk5NXvCRFe_HtFhqegbSw__OW3QTDBgf\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Brasil segue insistindo nesse modelo de produ\u00e7\u00e3o, sem majoritariamente propiciar um valor agregado que potencialize os ganhos por produto e retire o pa\u00eds como ref\u00e9m da escala prim\u00e1ria &#8211; uma caracter\u00edstica bastante observada por pa\u00edses ainda em desenvolvimento. Grande percentual do PIB brasileiro est\u00e1 interligado com os resultados alcan\u00e7ados pelo agroneg\u00f3cio. Os campos movimentam a economia do pa\u00eds como nenhuma outra atividade parece capaz de superar t\u00e3o cedo. \u201c\u00c9 importante n\u00e3o negarmos as ra\u00edzes, mas tamb\u00e9m n\u00e3o atribuir todo o problema ao passado. Por isso \u00e9 preciso, quando olhamos os processos mais recentes, os modelos e as pol\u00edticas de desenvolvimento para o campo, saber que elas s\u00e3o respons\u00e1veis pela manuten\u00e7\u00e3o do sistema. Erros e problemas da atualidade\u201d, opina S\u00e9rgio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A aposta para a principal fonte de renda dos produtores rurais \u00e9 a soja. Ap\u00f3s temporadas batendo recordes atr\u00e1s de recordes em exporta\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7ou o primeiro lugar nas exporta\u00e7\u00f5es no ano passado, com 126 milh\u00f5es de toneladas produzidas e 84 milh\u00f5es exportadas. O Brasil \u00e9 um gigante no campo, responde hoje por 50% do com\u00e9rcio mundial de soja. Mas, como no passado, pouco da produ\u00e7\u00e3o fica no pa\u00eds. De acordo com dados divulgados pela <a href=\"https:\/\/blog.syngentadigital.ag\/voce-sabia-para-onde-vai-soja-produzida-no-brasil\/\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/a>, em 2019, por exemplo, dos 113, 923 milh\u00f5es de toneladas produzidas, menos da metade permanecia no pa\u00eds, correspondendo a 47,281 milh\u00f5es de toneladas de soja para o consumo interno em gr\u00e3os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esses n\u00fameros t\u00eam um pre\u00e7o. Para expandir o plantio, quando se chega ao m\u00e1ximo de efici\u00eancia de uma lavoura amparada na tecnologia, \u00e9 necess\u00e1rio ampliar a \u00e1rea agricult\u00e1vel. Os conflitos entre ind\u00edgenas e os senhores de terras (ou aspirantes) nunca teve o cessar fogo. Mais uma vez, a campe\u00e3 em expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola dever\u00e1 ser a regi\u00e3o Norte. Al\u00e9m disso, cultivar um \u00fanico produto significa substituir a cobertura vegetal original do local, normalmente formada por muitas plantas, o que \u00e9 considerada uma pr\u00e1tica danosa ao solo.&nbsp;O soci\u00f3logo S\u00e9rgio, ainda, analisa a continuidade desses embates:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Audio-2-sergio-OK.mp3\"><\/audio><figcaption>  S\u00e9rgio Sauer, soci\u00f3logo e docente da Universidade de Bras\u00edlia (UNB)  <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>Tempos sombrios sem liberdade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Entre os piores feitos cometidos na hist\u00f3ria humana est\u00e1 a escravid\u00e3o. No Brasil, ela foi institucionalizada e usada como ferramenta para sustentar um sistema cruel, hediondo e que sequestrou um dos bens mais preciosos de um indiv\u00edduo: a liberdade. S\u00e3o 130 anos passados do ato de proibi\u00e7\u00e3o integral da pr\u00e1tica, ap\u00f3s d\u00e9cadas de legisla\u00e7\u00f5es que engatinham neste sentido, um tempo ainda curto para cicatrizar todas as feridas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-12 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-10 wp-block-column\">\n<p> Logo no in\u00edcio do projeto predat\u00f3rio na regi\u00e3o \u201cdescoberta\u201d pelos portugueses, o trabalho for\u00e7ado foi uma arma erguida pelos colonizadores. Primeiro os nativos, depois africanos trazidos contra a sua vontade para um outro continente pelos navios negreiros. A comercializa\u00e7\u00e3o da vida humana foi um neg\u00f3cio que ajudou a faturar fortunas ao longo de tr\u00eas s\u00e9culos. <\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-11 wp-block-column\">\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"680\" height=\"453\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Obra-de-Johann-Moritz-Rugendas..jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3737\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Obra-de-Johann-Moritz-Rugendas..jpeg 680w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Obra-de-Johann-Moritz-Rugendas.-300x200.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption><em> Obra de Johann Moritz Rugendas<\/em><br><\/figcaption><\/figure><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Ao longo dos 300 anos de exist\u00eancia do tr\u00e1fico negreiro, cerca de <a href=\"https:\/\/contrapoder.net\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/SCHWARCZ-_-GOMES-2018.-Dicion%C3%A1rio-da-escravid%C3%A3o-e-liberdade.pdf\">4,8 milh\u00f5es de africanos foram trazidos para o Brasil<\/a>, o que significa que nosso pa\u00eds foi o que mais recebeu africanos para&nbsp;serem escravizados ao longo de tr\u00eas s\u00e9culos em todo o continente americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Como explica Maria Helena Pereira Toledo Machado, docente do curso de Hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), ap\u00f3s o decreto de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, n\u00e3o houve nenhum movimento de pol\u00edticas p\u00fablicas para integrar essas pessoas ao mercado de trabalho e ao corpo social. Tampouco donos de escravos estavam dispostos a colaborar, tamb\u00e9m sentindo-se lesados pela perda de sua ent\u00e3o propriedade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista com Maria Helena Toledo Machado (V\u00eddeo Sextante)\" width=\"750\" height=\"422\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rnuj7fJIfh0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption> Entrevista com Maria Helena Toledo Machado, docente do curso de Hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas como esse passado recente ainda afeta o Brasil? A dificuldade \u00e9 que nem sempre conseguimos mensurar os dados com precis\u00e3o. Por exemplo, o n\u00famero de vezes que um candidato negro foi desfavorecido na escolha de um cargo em disputa com um candidato branco por uma mesma vaga; mapear as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia direcionadas por outros grupos de pessoas n\u00e3o negras ou por uma for\u00e7a Estatal (abuso de autoridade policial) que geram constrangimento, sentimento de revolta e, em casos mais graves, danos f\u00edsicos ou morte por conta da cor da pele; entre outras situa\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O desafio mora a\u00ed para reverter este cen\u00e1rio, quando temos informa\u00e7\u00f5es imprecisas da realidade para corrigi-las. \u00c9 um sentimento vivido diariamente por pessoas negras no Brasil e no mundo. Ainda sim, temos dados mensur\u00e1veis mais facilmente que mostram que pessoas pretas e pardas ocupam menos espa\u00e7os de poder no pa\u00eds. H\u00e1 tamb\u00e9m uma taxa menor no grau de escolaridade e de renda, mesmo sendo consideradas a maior parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os n\u00fameros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (<a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/pnad\/\">PNAD<\/a> ) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"https:\/\/exame.com\/noticias-sobre\/ibge\/\">IBGE<\/a>), em 2015, os negros e pardos representavam 54% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, mas sua participa\u00e7\u00e3o no grupo dos 10% mais pobres era muito maior: 75%. No grupo do 1% mais rico da popula\u00e7\u00e3o, a porcentagem de negros e pardos \u00e9 de apenas 17,8%. <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cO Brasil j\u00e1 foi o pa\u00eds do futuro, hoje ele \u00e9 o pa\u00eds do atraso\u201d<\/p><cite><strong>MARIA HELENA TOLEDO, <\/strong>historiadora<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A pobreza, a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o que afetam os negros no Brasil s\u00e3o um reflexo direto de um pa\u00eds que normalizou o preconceito contra esse grupo e o deixou \u00e0 margem da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialista em hist\u00f3ria social da escravid\u00e3o, aboli\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o, Maria Helena pontua que o racismo, embora tenha a presen\u00e7a ainda de forma muito latente no nosso meio social, coube tamb\u00e9m a nossa sociedade vigente uma s\u00e9rie de escolhas que poderiam transpor ou perpetuar o passado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Maraia-Helena-audio-2-OK.mp3\"><\/audio><figcaption>Entrevista com Maria Helena Toledo Machado, docente do curso de Hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3><strong>O que tudo isso pode nos dizer do Brasil de hoje?<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"936\" height=\"589\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta16_Ayla_Dresch_02.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3729\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta16_Ayla_Dresch_02.png 936w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta16_Ayla_Dresch_02-300x189.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Pauta16_Ayla_Dresch_02-768x483.png 768w\" sizes=\"(max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><figcaption>Arte:  <strong>Ayla Dresch<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por mais que tenhamos sido alertados, h\u00e1 alguns s\u00e9culos, que a diferen\u00e7a entre o veneno e o rem\u00e9dio est\u00e1 na dosagem, parece mais tang\u00edvel culpabilizar um in\u00edcio corruptivo e defeituoso para justificar \u00edndices vergonhosos. Do contr\u00e1rio, caberia a n\u00f3s a responsabilidade por hoje, como aponta o IBGE, termos um quarto da popula\u00e7\u00e3o brasileira vivendo em situa\u00e7\u00e3o de pobreza ou extrema-pobreza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Colocando em uma lupa todo o percurso da hist\u00f3ria brasileira, alicer\u00e7ada pelo trip\u00e9 da sociedade colonial formado por latif\u00fandio, monocultura e escravid\u00e3o, estamos procurando a cura para o sintoma e n\u00e3o para a doen\u00e7a. De fato, como dizem os entrevistados, a desigualdade no Brasil foi um processo aprofundado pela condu\u00e7\u00e3o do sistema pol\u00edtico ao longo da hist\u00f3ria. A desigualdade amplificada vivida pelo pa\u00eds, no entanto, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o do problema real: a pobreza.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 sinal de que ainda n\u00e3o aprendemos a li\u00e7\u00e3o de casa, com quase 500 anos que nos separam do in\u00edcio do Brasil Colonial e, ainda assim, acompanhamos os resqu\u00edcios da viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e abismo econ\u00f4mico generalizado no pa\u00eds.&nbsp; N\u00e3o s\u00f3 por culpa do passado, mas de n\u00f3s mesmos ainda hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-15 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-13 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-14 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/es-mae-gentil\/\">\u00c9s m\u00e3e gentil:<\/a> <\/strong>o que faz com que estrangeiros escolham migrar para o Brasil<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/respeita-o-meu-orixa\/\"><strong>Respeita o meu Orix\u00e1<\/strong>: <\/a>religi\u00f5es de matriz africana apresentam uma forte presen\u00e7a no estado ga\u00facho<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasil-refugio\/\">Brasil ref\u00fagio:<\/a> <\/strong>as pol\u00edticas nacionais em rela\u00e7\u00e3o aos refugiados<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 que ponto o nosso passado colonial \u00e9 s\u00f3 uma mem\u00f3ria ou se aproxima da nossa sociedade como a conhecemos hoje<\/p>\n","protected":false},"author":48,"featured_media":3728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"57-post-template.php","format":"standard","meta":[],"categories":[109],"tags":[133,132,137,135,136],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O Brasil deixou de ser uma col\u00f4nia? 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