{"id":577,"date":"2020-11-23T18:45:00","date_gmt":"2020-11-23T21:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=577"},"modified":"2020-11-23T17:08:06","modified_gmt":"2020-11-23T20:08:06","slug":"a-agricultura-urbana-como-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-agricultura-urbana-como-solucao\/","title":{"rendered":"A agricultura urbana como solu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p><strong>Iniciativas mostram os diferentes formatos da agricultura urbana e como ela pode ajudar,<br>principalmente neste contexto de pandemia<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><strong><sup>REPORTAGEM<\/sup><br>Camila Pess\u00f4a<\/strong><br><em>camilafpessoa9@gmail.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:16px\"><strong><sup>ILUSTRA\u00c7\u00c3O<\/sup><br>Clara Santi<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Vivo rodeada de mato, mais especificamente por \u00e1rvores frut\u00edferas, hortali\u00e7as e sistemas de aproveitamento de mat\u00e9ria org\u00e2nica, como compostagem e aquaponia, que produzem alimentos para a nossa casa e tamb\u00e9m para amigos e familiares. Ao mesmo tempo, moro numa capital, Aracaju. Ou seja, eu e minha fam\u00edlia somos exemplo de quem cultiva a agricultura urbana, que, em \u00e9poca de pandemia, ganhou novos significados.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"670\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto1_Janela2_camilapessoa_CamilaPessoa-1024x670.jpg\" alt=\"Janela. Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-332\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto1_Janela2_camilapessoa_CamilaPessoa-1024x670.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto1_Janela2_camilapessoa_CamilaPessoa-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto1_Janela2_camilapessoa_CamilaPessoa-768x503.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto1_Janela2_camilapessoa_CamilaPessoa.jpg 1155w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>As \u00e1rvores,em sua maioria frut\u00edferas, deixam o quintal com uma cara de mata e dividem espa\u00e7o com galinhas, um tanque de peixes e uma horta | Foto: Camila Pess\u00f4a<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em um contexto de emerg\u00eancia, marcado pela fome e o desemprego, a agricultura urbana, em seus diversos formatos, mostra-se um caminho n\u00e3o s\u00f3 para a situa\u00e7\u00e3o atual, mas tamb\u00e9m como solu\u00e7\u00e3o de longo prazo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Foto2_hortanaminhacasa_camilapessoa_CamilaPessoa-edited.jpg\" alt=\"Horta na minha casa. Por Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-971\" width=\"675\" height=\"506.25\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Foto2_hortanaminhacasa_camilapessoa_CamilaPessoa-edited.jpg 1015w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Foto2_hortanaminhacasa_camilapessoa_CamilaPessoa-edited-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Foto2_hortanaminhacasa_camilapessoa_CamilaPessoa-edited-768x577.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1015px) 100vw, 1015px\" \/><figcaption>Tomates, capim-lim\u00e3o, hortel\u00e3, manjeric\u00e3o, mel\u00e3o e maracuj\u00e1 s\u00e3o alguns dos alimentos cultivados no nosso quintal | Foto: Camila Pess\u00f4a <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5><strong>Hortas na gera\u00e7\u00e3o de emprego<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Em 2003, nascia um projeto revolucion\u00e1rio para a \u00e9poca. O objetivo era ajudar as pessoas que n\u00e3o conseguiam se inserir no mercado formal de trabalho. A primeira op\u00e7\u00e3o era desenvolver um projeto voltado ao empreendedorismo, mas muitos n\u00e3o tinham escolaridade e experi\u00eancia profissional para manter um neg\u00f3cio. Quando o idealizador e presidente, Hans Dieter, teve uma experi\u00eancia na Europa e, l\u00e1, constatou que a terra dispon\u00edvel \u00e9 aproveitada ao m\u00e1ximo, teve uma ideia: gerar alimento e fonte de renda a partir do aproveitamento de espa\u00e7os urbanos. Assim surgiu a ONG <strong><a href=\"https:\/\/cidadessemfome.org\/pt-br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cidades sem Fome<\/a><\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto3_HortaCidadessemFome_camilapessoa_facebook.com_cidadessemfome-1024x576.jpg\" alt=\"Horta Cidade sem Fome. Pauta Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-334\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto3_HortaCidadessemFome_camilapessoa_facebook.com_cidadessemfome-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto3_HortaCidadessemFome_camilapessoa_facebook.com_cidadessemfome-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto3_HortaCidadessemFome_camilapessoa_facebook.com_cidadessemfome-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto3_HortaCidadessemFome_camilapessoa_facebook.com_cidadessemfome.jpg 1032w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Para Hans Dieter, presidente da ONG Cidades sem Fome, a iniciativa fez com que as pessoas come\u00e7assem a entender que o espa\u00e7o urbano pode ser muito mais que ind\u00fastria e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os | Foto: Facebook da Cidades sem Fome \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o constr\u00f3i hortas em espa\u00e7os urbanos da periferia de S\u00e3o Paulo, onde trabalham pessoas da comunidade ao redor. Os alimentos s\u00e3o vendidos, gerando renda para os trabalhadores, que tamb\u00e9m garantem suas vendas com parcerias com bares, restaurantes, shoppings centers e hot\u00e9is. Segundo Hans, para os parceiros \u00e9 mais interessante conseguir o alimento direto da periferia de S\u00e3o Paulo do que traz\u00ea-lo de caminh\u00e3o do interior, por centenas de quil\u00f4metros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Andrea de Freitas mantinha uma ch\u00e1cara e vivia de sua produ\u00e7\u00e3o, mas, depois de uma enchente, sua terra ficou improdutiva. Desempregada e lidando com depress\u00e3o, ela teve contato com a ONG e recebeu uma proposta de trabalho em uma das hortas. Sua sa\u00fade mental melhorou e ela diz que se sentiu valorizada. \u201cAs hortali\u00e7as s\u00e3o todas org\u00e2nicas e com um pre\u00e7o bem razo\u00e1vel, ent\u00e3o o pessoal tem elogiado bastante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia, empresas procuraram a Cidades sem Fome para contratar os servi\u00e7os e comprar hortali\u00e7as para compor bolsas de alimentos, que foram distribu\u00eddas em favelas. Observando a demanda dessas empresas por alimentos saud\u00e1veis e eficazes no combate \u00e0 fome, a ONG montou kits. Segundo Hans, mais de 2 mil bolsas de alimento com produ\u00e7\u00e3o das hortas foram distribu\u00eddas, ajudando a popula\u00e7\u00e3o e gerando recurso para manter as hortas urbanas e seus trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Construindo hortas comunit\u00e1rias&nbsp;<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>O Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST), fundado em 1997, defende o direito \u00e0 moradia e tem como principal meio de atua\u00e7\u00e3o as ocupa\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis que n\u00e3o exercem sua fun\u00e7\u00e3o social. H\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, o movimento come\u00e7ou a cultivar alimentos em algumas ocupa\u00e7\u00f5es pelo Brasil. Goi\u00e2nia e S\u00e3o Paulo s\u00e3o duas das cidades que j\u00e1 estabeleceram hortas nas ocupa\u00e7\u00f5es. De acordo com Rog\u00e9rio da Cunha, coordenador do MTST em Goi\u00e1s, na Ocupa\u00e7\u00e3o Fidel Castro, em Goi\u00e2nia, j\u00e1 existem quatro hortas. Os alimentos produzidos v\u00e3o para a cozinha coletiva e tamb\u00e9m servem para suprir necessidades dos acampados. O solo, que antes era muito seco, foi tratado para receber a horta. Eles deixaram a terra fofa, colocaram cal virgem, sal mineral e outros aditivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto4_HortadoMTSTemGoiania_camilapessoa_RogeriodaCunha.jpg\" alt=\"Horta do MTST em Goi\u00e2nia. Reportagem de Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-335\" width=\"679\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto4_HortadoMTSTemGoiania_camilapessoa_RogeriodaCunha.jpg 960w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto4_HortadoMTSTemGoiania_camilapessoa_RogeriodaCunha-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto4_HortadoMTSTemGoiania_camilapessoa_RogeriodaCunha-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><figcaption>Durante o per\u00edodo da Pandemia, a horta ajudou os moradores da Ocupa\u00e7\u00e3o Fidel Castro e seus parentes, que muitas vezes n\u00e3o tinham nada al\u00e9m de feij\u00e3o e arroz para comer | Foto: Rog\u00e9rio da Cunha \/ Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;Reza a lenda que nessa ocupa\u00e7\u00e3o que a gente conseguiu fazer a horta j\u00e1 era a terceira ou quarta tentativa. E era uma coisa j\u00e1 meio desanimada. Quando a gente chegou l\u00e1 para conversar, eles falaram \u2018olha, a gente quer horta, mas a gente sabe que aqui n\u00e3o nasce nadA&#8221;&#8217;<\/p><cite><strong>JULIANA BRUNO<\/strong>, coordenadora do grupo de hortas do MTST em S\u00e3o Paulo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo com todo o tratamento, inicialmente as plantas n\u00e3o se desenvolveram bem. Percebendo que a cozinha coletiva gerava muitos restos de alimentos, os trabalhadores decidiram fazer compostagem. Cavaram buracos e os preencheram, alternando camadas de material org\u00e2nico da cozinha, serragem e mato seco. Depois de dois meses, o material estava pronto para ser usado como adubo. Os resultados foram bons. \u201cA gente come\u00e7ou a perceber que a horta ficou mais viva, com folhas mais grossas, chegamos a ter folhas de couve com 50 cent\u00edmetros, medindo do caule at\u00e9 a ponta, tudo totalmente org\u00e2nico\u201d, explica Rog\u00e9rio. Desde ent\u00e3o, eles testaram novas t\u00e9cnicas e t\u00eam aperfei\u00e7oado o cultivo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como mostrou a experi\u00eancia em Goi\u00e2nia, uma horta nem sempre d\u00e1 certo na primeira tentativa. Na horta Chico Mendes, da Ocupa\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a Vermelha, de S\u00e3o Paulo, ocorreu o mesmo. \u201cReza a lenda que nessa ocupa\u00e7\u00e3o que a gente conseguiu fazer a horta j\u00e1 era a terceira ou quarta tentativa. E era uma coisa j\u00e1 meio desanimada. Quando a gente chegou l\u00e1 para conversar, eles falaram \u2018olha, a gente quer horta, mas a gente sabe que aqui n\u00e3o nasce nada\u2019\u201d, conta Juliana Bruno, coordenadora do grupo de hortas do MTST de S\u00e3o Paulo. \u201cTrabalhar o solo \u00e9 demorado. \u00c9 um cuidado que leva algumas semanas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando a horta supera essas dificuldades iniciais, o seu desenvolvimento traz uma s\u00e9rie de benef\u00edcios, principalmente em tempos dif\u00edceis de pandemia. A produ\u00e7\u00e3o da horta Chico Mendes serve inteiramente para alimentar as cerca de 50 fam\u00edlias acampadas e a popula\u00e7\u00e3o do entorno. Segundo Luciana Silva, coordenadora da ocupa\u00e7\u00e3o, foi no per\u00edodo da pandemia que os moradores mais precisaram de alimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds que, em 2018, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2020\/09\/17\/ibge-confirma-que-pas-voltou-ao-mapa-da-fome-em-2018-diz-pesquisador.ghtml\" target=\"_blank\"><strong>voltou ao Mapa da Fome<\/strong><\/a> e est\u00e1 numa<strong> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/d2v21prk53tg5m.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/O-Virus-da-Fome-FINAL.pdf\" target=\"_blank\">lista de pa\u00edses considerados \u201cepicentro emergente da fome extrema\u201d<\/a><\/strong> na crise causada pela pandemia de coronav\u00edrus, essas iniciativas s\u00e3o importantes. O movimento tamb\u00e9m fez uma campanha de distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas e, segundo Luciana, o alimento produzido na horta serviu para fortalecer essa alimenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto5_HortadoMTSTemSaoPaulo_CamilaPessoa_Kappaun.jpg\" alt=\"Horta do MTST em S\u00e3o Paulo. Reportagem da Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-336\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto5_HortadoMTSTemSaoPaulo_CamilaPessoa_Kappaun.jpg 960w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto5_HortadoMTSTemSaoPaulo_CamilaPessoa_Kappaun-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto5_HortadoMTSTemSaoPaulo_CamilaPessoa_Kappaun-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><figcaption>Renata Correia, participante do MTST, segura um p\u00e9 de alface roxo da primeira colheita de hortali\u00e7as da horta Chico Mendes | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o do Facebook da horta Chico Mendes\/ Divulga\u00e7\u00e3o<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5><strong>Fazendo uma horta em casa<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Isis Braga, funcion\u00e1ria da prefeitura de S\u00e3o Lu\u00eds, sempre teve horta em casa. Ela \u00e9 mineira e mora na capital maranhense h\u00e1 30 anos. Seu quintal \u00e9 relativamente pequeno, mas isso n\u00e3o a impede de ter uma horta produtiva e com muita variedade, que trouxe benef\u00edcios que v\u00e3o al\u00e9m dos alimentos saud\u00e1veis e org\u00e2nicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto6_HortadaIsis_camilapessoa_IsisBraga-1024x768.jpg\" alt=\"Foto 6: Horta da Isis. Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-337\" width=\"449\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto6_HortadaIsis_camilapessoa_IsisBraga-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto6_HortadaIsis_camilapessoa_IsisBraga-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto6_HortadaIsis_camilapessoa_IsisBraga-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto6_HortadaIsis_camilapessoa_IsisBraga.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><figcaption>Boldo, babosa, manjeric\u00e3o, r\u00facula, couve, alho por\u00f3 e or\u00e9gano s\u00e3o algumas das plantas presentes na horta de Isis | Foto: Isis Braga <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A horta ajudou Isis com problemas decorrentes da pandemia. Ela teve uma forte crise de ansiedade durante o isolamento, ap\u00f3s passar 40 dias sem sair de casa, e a horta ajudou no processo de recupera\u00e7\u00e3o e estabiliza\u00e7\u00e3o. Depois da crise, ela passou a tomar um rem\u00e9dio que demora trinta minutos para fazer efeito. Todas as manh\u00e3s, enquanto a medica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o fez efeito, ela cuida da horta para permanecer est\u00e1vel. Criar uma rotina foi tamb\u00e9m uma recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Ent\u00e3o Isis foi desenvolvendo um ritmo de cuidado com as plantas no seu dia a dia, e isso a ajudou a manter sua sa\u00fade mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito terap\u00eautico da horta em Isis tem explica\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma forma de se ocupar, de fazer a pessoa se sentir produtiva. \u201cO cultivo da horta pode ser muito bom tamb\u00e9m para as pessoas em geral que est\u00e3o passando por esses processos de ansiedade, de ruptura de contato com a vida que a pandemia provocou\u201d, diz o psic\u00f3logo e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente Andr\u00e9 Luiz Borges. No cultivo de uma horta h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o direta com algo concreto. Voc\u00ea lida com diversos elementos, como terra, \u00e1gua e sol, e precisa manter um n\u00edvel de presen\u00e7a. Andr\u00e9 diz tamb\u00e9m que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o estabelecida com o tempo: uma sequ\u00eancia de eventos a ser acompanhada e a partir da qual voc\u00ea vai avaliar os resultados do seu trabalho. Al\u00e9m disso, voc\u00ea precisa ajustar o trabalho a medida que avalia os seus resultados. Essas rela\u00e7\u00f5es podem ensinar a lidar melhor com aspectos como a espera, o cuidado e a concentra\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>E que tal incentivar tudo isso?<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, de uma muda pode crescer uma comunidade mais unida e, principalmente, bem alimentada. O projeto de doa\u00e7\u00e3o de mudas do <strong><a href=\"http:\/\/www.ipdae.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Popular de Arte e Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong> (IPDAE) no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, conseguiu fazer isso. O projeto come\u00e7ou no final de abril deste ano, quando foram distribu\u00eddas 200 mudas. Em maio, foram mais mil. O IPDAE fez um acompanhamento das pessoas que foram beneficiadas. Pediram fotos e foram \u00e0s casas delas. F\u00e1tima Flores, presidente da institui\u00e7\u00e3o, diz que as pessoas est\u00e3o motivadas a fazer suas hortas. Elas tamb\u00e9m perceberam uma necessidade de complementar sua alimenta\u00e7\u00e3o de forma mais saud\u00e1vel. \u201cSe a pessoa tem um feij\u00e3o, um arroz com couve, uma salada, uma cebolinha, um alface, um almeir\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 uma alimenta\u00e7\u00e3o rica\u201d, diz F\u00e1tima. Desenvolvendo o projeto, o instituto percebeu que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil mudar os h\u00e1bitos e atitudes das pessoas. Basta uma instiga\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto7_DoacaodeMudas_camilapessoa_JulianoBlotta-1024x682.jpg\" alt=\"Foto 7: Doa\u00e7\u00e3o de mudas. Camila Pessoa.\" class=\"wp-image-338\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto7_DoacaodeMudas_camilapessoa_JulianoBlotta-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto7_DoacaodeMudas_camilapessoa_JulianoBlotta-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto7_DoacaodeMudas_camilapessoa_JulianoBlotta-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto7_DoacaodeMudas_camilapessoa_JulianoBlotta.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>De acordo com F\u00e1tima, presidente do Instituto Popular de Arte e Educa\u00e7\u00e3o, pessoas que pegaram mudas na institui\u00e7\u00e3o no in\u00edcio do ano voltaram na \u00faltima distribui\u00e7\u00e3o para doar mudas resultantes de suas hortas | Foto: Juliano Blotta \/ Divulga\u00e7\u00e3o <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>\u201cEu ouvi de muitas pessoas: \u2018ora, pode deixar que eu vou fazer <em>[uma horta]<\/em> porque eu n\u00e3o quero passar pelo que eu passei de n\u00e3o ter uma mistura em casa\u2019\u201d<strong> <\/strong><\/p><cite><strong>F\u00c1TIMA FLORES<\/strong>, presidente do Instituto Popular de Arte e Educa\u00e7\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>No contexto de pandemia, o projeto ajudou a suprir muitas necessidades. Pessoas que est\u00e3o passando por dificuldades extremas t\u00eam a sua horta como recurso para a alimenta\u00e7\u00e3o. <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2020\/08\/20\/desemprego-diante-da-pandemia-tem-alta-de-209percent-entre-maio-e-julho-aponta-ibge.ghtml\" target=\"_blank\"><strong>Em meio a uma crise de desemprego<\/strong><\/a>, cuidar da horta \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o para as pessoas. Elas tamb\u00e9m retomaram uma pr\u00e1tica que era tradicional da Lomba do Pinheiro, que h\u00e1 cerca de 40 anos era um bairro agr\u00edcola. Al\u00e9m de se conectar com costumes de seus pais e av\u00f3s, as fam\u00edlias passaram a interagir mais entre si. A troca de receitas e mudas tamb\u00e9m ajudou a unir os moradores. As hortas serviram como ref\u00fagio, contribuindo para a sa\u00fade mental e f\u00edsica das pessoas. \u201cEu ouvi de muitas pessoas: \u2018ora, pode deixar que eu vou fazer, porque eu n\u00e3o quero passar pelo que eu passei de n\u00e3o ter uma mistura em casa\u2019\u201d, diz F\u00e1tima. As pessoas est\u00e3o procurando alternativas de alimenta\u00e7\u00e3o por causa do desemprego e da <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/consumidor\/2020-09-03\/alta-nos-precos-de-cesta-basica-superam-20-dizem-supermercados.html\" target=\"_blank\"><strong>eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os de alimentos b\u00e1sicos<\/strong><\/a>. Segundo F\u00e1tima, al\u00e9m da divulga\u00e7\u00e3o e do \u201cboca a boca\u201d, esses foram motivos para o aumento da procura por mudas durante esse per\u00edodo de pandemia. Na \u00faltima distribui\u00e7\u00e3o, em setembro, foram doadas 3 mil mudas.<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>O Espa\u00e7o n\u00e3o precisa ser no ch\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A Engenharia em Sustentabilidade Urbana (ECRA) surgiu em 2014, na cidade de S\u00e3o Paulo. O objetivo da empresa \u00e9 levar a sustentabilidade para a constru\u00e7\u00e3o civil de uma forma ating\u00edvel. Hoje, o produto principal da empresa s\u00e3o as lajes verdes, que unem paisagismo ecol\u00f3gico, produ\u00e7\u00e3o de alimentos e economia de recursos. Al\u00e9m da horta, na laje \u00e9 poss\u00edvel captar energia solar, com pain\u00e9is fotovoltaicos, e coletar \u00e1gua da chuva. \u201cA nossa ideia com a laje verde foi mostrar que uma solu\u00e7\u00e3o simples, localizada na cobertura ou na laje, poderia gerar muito mais recurso e ajudar muito mais na sustentabilidade urbana\u201d, diz Amir Musleh, s\u00f3cio diretor da empresa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto8_LajeVerde_camilapessoa_AmirMusleh.jpg\" alt=\"Foto 8: Laje Verde\" class=\"wp-image-339\" width=\"741\" height=\"556\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto8_LajeVerde_camilapessoa_AmirMusleh.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto8_LajeVerde_camilapessoa_AmirMusleh-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Foto8_LajeVerde_camilapessoa_AmirMusleh-768x576.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 741px) 100vw, 741px\" \/><figcaption>As pessoas come\u00e7aram a perceber que podem produzir o seu pr\u00f3prio alimento. Isso \u00e9 poss\u00edvel em casa, ou at\u00e9 no condom\u00ednio, unindo os moradores | Foto: Amir Musleh \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A ECRA mostra para as pessoas que \u00e9 poss\u00edvel suprir suas necessidades de hortali\u00e7as com a produ\u00e7\u00e3o em casa. \u201cAo longo de um ano, a gente fez um c\u00e1lculo de que 30 metros de laje verde produtiva com agricultura urbana vai gerar em torno de seis quilos por metro quadrado\u201d, diz Amir. Tamb\u00e9m de acordo com os c\u00e1lculos da empresa, para cada pessoa s\u00e3o necess\u00e1rios tr\u00eas metros quadrados de produ\u00e7\u00e3o. \u201cEssa propor\u00e7\u00e3o geralmente supre as pessoas do que elas gostariam de ter e evita em muitos casos de a pessoa ter que ir na feira\u201d, afirma o s\u00f3cio diretor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trazer os alimentos para mais perto do consumidor tamb\u00e9m ajuda a reduzir o desperd\u00edcio. No Brasil, metade dos alimentos que saem das planta\u00e7\u00f5es <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/valor.globo.com\/empresas\/noticia\/2014\/05\/09\/metade-da-producao-de-alimentos-no-brasil-se-perde-na-distribuicao.ghtml\" target=\"_blank\"><strong>s\u00e3o desperdi\u00e7ados na etapa de distribui\u00e7\u00e3o, transporte e abastecimento<\/strong><\/a>. Al\u00e9m disso, enquanto <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/meio-ambiente\/ultimas-noticias\/redacao\/2020\/09\/15\/em-agosto-desmatamento-na-amazonia-registra-pior-indice-em-10-anos.htm\" target=\"_blank\"><strong>se desmata cada vez mais<\/strong><\/a> para abrir \u00e1reas dispon\u00edveis para o agroneg\u00f3cio, a agricultura urbana mostra que \u00e9 poss\u00edvel produzir alimento org\u00e2nico mais pr\u00f3ximo do consumidor, que tem capacidade de suprir suas necessidades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-775\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-1536x864.png 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta-1568x882.png 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Como-fazer-a-sua-horta.png 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Acesse um <a href=\"http:\/\/planetaorganico.com.br\/site\/index.php\/guia-da-horta-organica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">guia completo&nbsp;<\/a><br><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas mostram os diferentes formatos da agricultura urbana e como ela pode ajudar,<br \/>\nprincipalmente neste contexto de pandemia.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":418,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[16,17,18,19],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A agricultura urbana como solu\u00e7\u00e3o &mdash; 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