{"id":636,"date":"2020-11-23T18:45:43","date_gmt":"2020-11-23T21:45:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=636"},"modified":"2020-11-23T17:06:51","modified_gmt":"2020-11-23T20:06:51","slug":"da-terra-ao-prato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/da-terra-ao-prato\/","title":{"rendered":"Da terra ao prato"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p><strong>Oferecer alimentos acess\u00edveis com distribui\u00e7\u00e3o em diversos pontos da cidade \u00e9 o principal objetivo das feiras na capital ga\u00facha. Com a Covid-19, as novas regras de opera\u00e7\u00e3o&nbsp; mudaram o dia a dia de quem trabalha e de quem frequenta esses locais<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:18px\"><strong><sup>REPORTAGEM<\/sup><\/strong><br><strong>Fernanda Peron<br><\/strong><em>speronfernanda@gmail.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:18px\"><strong><sup>ILUSTRA\u00c7\u00c3O<br><\/sup>Borga<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">De acordo com a Prefeitura de Porto Alegre, existem 35 Feiras Modelos com 92 feirantes e sete Mercad\u00f5es do Produtor com 106 vendedores, al\u00e9m de briques, hortomercados e feiras ecol\u00f3gicas que acontecem toda semana em<strong> <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?hl=en&amp;mid=14SUtH0GAHNdB5rZUwmIdUZYid68&amp;ll=-30.101516999999994%2C-51.229371&amp;z=12\" target=\"_blank\">diversos pontos da cidade<\/a><\/strong>. A engenheira agr\u00f4noma e chefe do Setor de Feiras da Coordena\u00e7\u00e3o de Fomento a Atividades (CFA), vinculada \u00e0 Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econ\u00f4mico (SMDE), Frydda Leonardi Monteiro, aponta a relev\u00e2ncia dessas atividades no dia a dia da capital ga\u00facha. \u201cAs feiras de hortifrutigranjeiros s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia no que tange ao abastecimento da cidade. Por serem realizadas em diferentes bairros, ocorre a descentraliza\u00e7\u00e3o da comercializa\u00e7\u00e3o e, com isso, a facilidade da chegada de produtos aos consumidores.\u201d O Largo Zumbi dos Palmares, tamb\u00e9m chamado de Largo da Epatur, na Cidade Baixa, recebe a Feira Modelo, nas ter\u00e7as-feiras, e o Mercad\u00e3o do Produtor, aos s\u00e1bados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/embed?mid=14SUtH0GAHNdB5rZUwmIdUZYid68&amp;hl=en\" width=\"640\" height=\"480\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>Da janela da minha casa, d\u00e1 para ver essa feira. Toda ter\u00e7a-feira \u00e0 tarde e todo s\u00e1bado de manh\u00e3, as barracas laranjas se armam e se enchem de vegetais, p\u00e3es, cores e pessoas. Considerada como servi\u00e7o essencial, a feira \u00e9 um escape, um respiro ao ar livre na semana de isolamento, mas tamb\u00e9m um assombro nos momentos em que fica lotada. Ela representa ao mesmo tempo a liberdade da rua e o medo de uma doen\u00e7a que j\u00e1 tirou a vida de milhares de brasileiros. Mas a feira \u00e9 tamb\u00e9m uma boa alternativa para o bolso. Durante a pandemia do coronav\u00edrus, os alimentos b\u00e1sicos subiram de pre\u00e7o: com a alta do d\u00f3lar, as ind\u00fastrias est\u00e3o exportando mais e vendendo menos para o mercado interno. E comprar direto do produtor ajuda tanto quem produz quanto no bolso de quem consome.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>&#8220;Com a pandemia, sobrou tempo, e eu consegui passar a ir. Tem tamb\u00e9m a quest\u00e3o financeira. Al\u00e9m de ser mais barato, as coisas duram mais e se joga menos fora. Politicamente tamb\u00e9m acho mais interessante, porque aproxima o consumidor do produtor, al\u00e9m de fortalecer a agricultura familiar e local&#8221;<\/p><cite><strong>ISABELA BALCONI<\/strong>, estudante de publicidade que retomou o h\u00e1bito de ir \u00e0 feira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Com o in\u00edcio da pandemia, novos frequentadores redescobriram esse estilo de compras, como Isabela Balconi, que cresceu acompanhando sua m\u00e3e na feira ecol\u00f3gica da Reden\u00e7\u00e3o. Agora, com 23 anos e depois do in\u00edcio da quarentena, adquiriu novamente esse h\u00e1bito. \u201cCom a pandemia, sobrou tempo, e eu consegui passar a ir. Tem tamb\u00e9m a quest\u00e3o financeira. Al\u00e9m de ser mais barato, as coisas duram mais e se joga menos fora. Politicamente tamb\u00e9m acho mais interessante, porque aproxima o consumidor do produtor, al\u00e9m de fortalecer a agricultura familiar e local\u201d, pontua a estudante de Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) .<\/p>\n\n\n\n<p>Se para Isabela a feira foi uma redescoberta de um h\u00e1bito antigo, para Ana Carolina Amin Molossi, de 19 anos, significou a adapta\u00e7\u00e3o de uma rotina que j\u00e1 existia. A estudante de cursinho pr\u00e9-vestibular costuma frequentar a feira do Largo Zumbi dos Palmares desde antes do in\u00edcio da pandemia e tamb\u00e9m preza pelo n\u00e3o desperd\u00edcio. \u201cVou nas ter\u00e7as-feiras, no hor\u00e1rio de menor circula\u00e7\u00e3o. Assim, consigo comprar aquilo que como em uma semana e n\u00e3o estraga nada, al\u00e9m de que \u00e9 a minha sa\u00edda para dar uma caminhadinha e ver gente\u201d, aponta Ana Carolina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x683.jpg\" alt=\"Feira de noite. Pauta da Fernanda.\" class=\"wp-image-403\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-2_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Nas ter\u00e7as-feiras, as barracas laranjas seguem vendendo produtos at\u00e9 o in\u00edcio da noite | Foto: Fernanda Peron<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h5><strong>Novas regras<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A pandemia mudou tamb\u00e9m as medidas de seguran\u00e7a adotadas nesses locais. Cada tenda, de acordo com as regras estabelecidas pela prefeitura <a href=\"http:\/\/dopaonlineupload.procempa.com.br\/dopaonlineupload\/3588_ce_298701_1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>no artigo 2\u00ba do decreto 20709\/2020<\/strong><\/a>, deve ter um distanciamento m\u00ednimo de cinco metros entre si e preservar a dist\u00e2ncia de um metro e meio entre cada pessoa, seja na intera\u00e7\u00e3o entre vendedor e consumidor ou entre os frequentadores que aguardam na fila. Al\u00e9m disso, os feirantes devem oferecer \u00e1lcool 70% e a degusta\u00e7\u00e3o ou consumo de alimentos na \u00e1rea da feira est\u00e3o proibidos. As bancas que disponibilizam produtos prontos para consumo precisam utilizar acr\u00edlico ou pl\u00e1stico protetor. Tamb\u00e9m devem ser disponibilizados espa\u00e7os para higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os com \u00e1gua, detergente e \u00e1lcool. \u201cN\u00e3o lembro de ver gente sem m\u00e1scara, s\u00f3 fazendo o uso indevido, sem tapar o nariz ou parte da boca. \u00c0s vezes tem bastante gente e fica dif\u00edcil manter a dist\u00e2ncia, mas, na medida do poss\u00edvel, acredito que o pessoal se esfor\u00e7a para cumprir as recomenda\u00e7\u00f5es\u201d, pontua Isabela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a estudante Ana Carolina, ainda \u00e9 um momento de desconfian\u00e7a: \u201cPercebi que as pessoas se aglomeram, ficam muito juntas na hora de pegar frutas, tento evitar e espero dar uma esvaziada. Ao mesmo tempo que para mim \u00e9 um momento bom, porque eu saio de casa, me sinto muito nervosa, porque tem muita gente. E eu cuido, cuido de mim, mas eu n\u00e3o posso ter total confian\u00e7a de que as outras pessoas est\u00e3o tendo o mesmo cuidado que eu, ent\u00e3o fico nervosa\u201d, confessa.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Isabela, que inicialmente fazia as compras no menor tempo poss\u00edvel, segurando o nervosismo, hoje j\u00e1 v\u00ea a feira mais como uma possibilidade de passeio. \u201cAgora eu tenho que sair mais vezes de casa, porque estou trabalhando na rua. N\u00e3o levo muito mais tempo para fazer as compras, mas aproveito pra pegar um solzinho quando d\u00e1. Tamb\u00e9m tenho levado minha cachorra junto, ent\u00e3o, enquanto meu companheiro escolhe as coisas, a gente d\u00e1 uma caminhada pelas ruas pr\u00f3ximas\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem vende, al\u00e9m de ter que cumprir regras do decreto municipal, tamb\u00e9m segue medidas de prote\u00e7\u00e3o antes mesmo de come\u00e7ar a feira. Tais Leandro, 47 anos e feirante h\u00e1 15, explica que o produto deve chegar em seguran\u00e7a para o consumidor. \u201cNa hora que chega da Ceasa, passamos \u00e1lcool nas caixas antes de colocar no caminh\u00e3o, e as coisas que a gente carrega de casa s\u00e3o todas higienizadas com \u00e1lcool\u201d, assegura.<\/p>\n\n\n\n<h5>Novas rotinas<\/h5>\n\n\n\n<p>Quem circula pelas feiras no Largo Zumbi dos Palmares pode n\u00e3o perceber, mas aqueles que est\u00e3o sempre por l\u00e1 &#8211; desde a hora que come\u00e7am as montagens das tendas at\u00e9 a hora de dar partida no caminh\u00e3o &#8211; acreditam que o p\u00fablico vem retornando aos poucos. \u201cNo come\u00e7o da pandemia, o p\u00fablico tinha diminu\u00eddo bastante, mas nas \u00faltimas quatro semanas a gente nota que est\u00e1 voltando quase ao normal\u201d, observa Tais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right\"><p>\u201cAs feiras nunca pararam de funcionar, e as pessoas preferiram do que ir em supermercado, porque funcionam em locais abertos. Teve bastante sistema de entrega tamb\u00e9m, principalmente para os clientes mais idosos\u201d<\/p><cite><strong>FRYDDA LEONARDI MONTEIRO<\/strong>, engenheira agr\u00f4noma e chefe do Setor de Feiras da Coordena\u00e7\u00e3o de Fomento a Atividades de Porto Alegre<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A&nbsp;engenheira agr\u00f4noma Frydda avalia que n\u00e3o houve uma grande altera\u00e7\u00e3o no fluxo de p\u00fablico. \u201cEm feiras maiores, como Medianeira e Epatur <em>[Largo Zumbi dos Palmares]<\/em>, temos uma circula\u00e7\u00e3o de 800 a mil pessoas aproximadamente, em todo o per\u00edodo de funcionamento\u201d, analisa. Mesmo nas primeiras semanas do isolamento, esse n\u00famero se manteve. \u201cAs feiras nunca pararam de funcionar, e as pessoas preferiram do que ir em supermercado, porque funcionam em locais abertos. Teve bastante sistema de entrega tamb\u00e9m, principalmente para os clientes mais idosos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com tanta gente circulando, para quem trabalha na feira, o movimento n\u00e3o tem sido t\u00e3o bom. Neiva Bobsin Ulrich tem 55 anos e h\u00e1 quase 30 atua nessa atividade. Na Feira Modelo, as hortifrutis saem direto da sua lavoura para o consumidor. \u201cTivemos que diminuir a produ\u00e7\u00e3o, mas, mesmo assim, n\u00e3o se consegue vender\u201d, conta a feirante. E acrescenta: \u201cAs pessoas n\u00e3o t\u00eam mais trabalho, n\u00e3o t\u00eam sal\u00e1rio e, com isso, n\u00e3o v\u00e3o \u00e0s feiras por falta de dinheiro\u201d. Nas suas bancas, a estimativa \u00e9 que as vendas ca\u00edram cerca de 40% no per\u00edodo de pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da Neiva n\u00e3o \u00e9 isolado. A feirante Tais, al\u00e9m de diminuir a produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m observou alta nos pre\u00e7os dos alimentos que precisa comprar de outros produtores para oferecer na feira. Para ela, a queda no movimento teve consequ\u00eancias: precisou dispensar alguns dos funcion\u00e1rios. \u201cA gente teve muita perda, foi bem complicado. T\u00ednhamos bancas que trabalhavam com seis funcion\u00e1rios e hoje est\u00e3o trabalhando com tr\u00eas. Mesmo sendo regime de <em>freelance<\/em>, eles sentem, porque \u00e9 um servi\u00e7o de tr\u00eas, quatro vezes na semana\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x683.jpg\" alt=\"Vista da feira. Pauta da Fernanda Peron.\" class=\"wp-image-405\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-4_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1568x1045.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>A feira de s\u00e1bado sendo desmontada no in\u00edcio da tarde depois de uma manh\u00e3 de chuva | Foto: Fernanda Peron<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Se para quem vende hortifrutis o movimento pareceu despencar, na banca de latic\u00ednios e embutidos de Valci Maschmann, 62 anos, as vendas n\u00e3o ca\u00edram tanto. \u201cNo meu ramo, conseguimos manter todos os funcion\u00e1rios da banca. Quando teve rod\u00edzio <em>[nos primeiros meses de isolamento social]<\/em>, o faturamento reduziu, porque a cada tr\u00eas semanas a gente vinha duas e falhava uma, assim baixou 33% praticamente\u201d, pondera. Por outro lado, Valci percebe que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos como os derivados de leite ficou mais cara e o valor reflete no consumidor. \u201cAs pessoas n\u00e3o deixam de comprar, mas compram menos. Quem levava um quilo de queijo antes, agora leva meio quilo\u201d, constata.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com todos os cuidados, tanto dos feirantes quanto dos frequentadores, a exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 um fator de preocupa\u00e7\u00e3o para quem trabalha nas tendas. \u201cA gente continua se cuidando e esperando que acabe, porque a gente trabalha o dia todo nervoso e nunca t\u00e1 tranquilo com o que pode acontecer. A gente t\u00e1 sempre exposto ao perigo, cuidando cada vez mais e cada vez mais preocupado\u201d, ressalta Valci. Para Tais, o sentimento \u00e9 parecido. \u201cA minha esperan\u00e7a \u00e9 que saia logo a vacina e volte tudo ao normal. Nunca esperei vivenciar isso\u201d, revela.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-5 wp-block-gallery-4 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"687\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x687.jpg\" alt=\"Foto da janela. Fernanda Peron.\" data-id=\"406\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/janela-foto-horizontal_fernandaperon_creditofernandaperon\/\" class=\"wp-image-406\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-1024x687.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-768x515.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Janela-Foto-Horizontal_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron.jpg 1037w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FOTO-3_FernandaPeron_CreditoFernandaPeron-683x1024.jpg\" alt=\"Foto da janela. 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