{"id":664,"date":"2020-11-23T18:45:51","date_gmt":"2020-11-23T21:45:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=664"},"modified":"2020-11-23T17:06:42","modified_gmt":"2020-11-23T20:06:42","slug":"construindo-janelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/construindo-janelas\/","title":{"rendered":"Construindo Janelas"},"content":{"rendered":"\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p><strong>Tarefas relacionadas ao lar, inclusive constru\u00e7\u00f5es e reformas, s\u00e3o historicamente parte do papel social da mulher, mas o protagonismo na constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um fen\u00f4meno novo e crescente<\/strong><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><sup>REPORTAGEM<\/sup><\/strong><br><strong>Isabela Ribeiro<br><\/strong><em>isabelarcarraro@gmail.com<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong><sup>ILUSTRA\u00c7\u00c3O<br><\/sup>Jess Endres<br><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Com a pandemia do Covid-19, as janelas passaram a fazer ainda mais parte do nosso cotidiano, viraram narrativa, ponte entre a gente e a rua. Viraram hist\u00f3rias, projetos fotogr\u00e1ficos e reportagens de revista.&nbsp; Mas de onde v\u00eam essas janelas? De quem v\u00eam?<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos do come\u00e7o. Como fazer para instalar uma janela? \u201cTu vai abrir a espessura do tamanho da janela que tu comprou\u201d, conta Jaqueline Lima. Depois de ajustar o tamanho do v\u00e3o \u00e0 medida da janela que ser\u00e1 instalada, \u00e9 necess\u00e1rio coloc\u00e1-la na abertura da parede e, com o aux\u00edlio de um n\u00edvel, deix\u00e1-la reta. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 &#8220;chumbar&#8221; a janela com massa ou espuma expansiva. \u201cHoje em dia est\u00e3o usando mais espuma. Assim que passar 24 horas, ou o que est\u00e1 nas informa\u00e7\u00f5es da tua espuma, tu raspa com estilete [<em>os excessos de espuma]<\/em>. E faz o acabamento com os marcos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jaqueline, pedreira, 29 anos, esse \u00e9 o m\u00e9todo mais comum para instala\u00e7\u00e3o de janelas e portas. Mas atualmente existem incont\u00e1veis modelos de janelas e, portanto, incont\u00e1veis t\u00e9cnicas para instal\u00e1-las. Existe tamb\u00e9m uma cadeia produtiva imensa, que representava, em 2019, antes da pandemia e da retra\u00e7\u00e3o na economia, 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com faturamento de mais de 1 trilh\u00e3o de reais por ano de acordo com o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).  Jaqueline, inclusive, \u00e9 uma das mais de 240 mil mulheres que trabalham com constru\u00e7\u00e3o civil no pa\u00eds segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de 2018.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;No f\u00edsico n\u00e3o tem dificuldades, porque a mulher \u00e9 capaz de tudo. A mulher \u00e9 forte. Dizer que a gente n\u00e3o vai aguentar? A mulher aguenta. A mulher aguenta tudo. De dificuldade psicol\u00f3gica, de ter outra pessoa, de se relacionar com colega de trabalho, com homem&#8221;<\/p><cite><strong>JAQUELINE LIMA<\/strong>, pedreira<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-5 wp-block-gallery-4 wp-block-gallery alignwide columns-1\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x1024.jpg\" alt=\"Jaqueline. Pauta Isabela Ribeiro.\" data-id=\"656\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal\/\" class=\"wp-image-656\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/jaquelineemobra_isabelaribeiro_arquivopessoal.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">A pedreira Jaqueline (em primeiro plano) trabalha desde 2015 com constru\u00e7\u00e3o civil | Foto: Acervo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Jaqueline fez uma capacita\u00e7\u00e3o, em 2015, oferecida pela <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/mulheremconstrucao.org.br\/\" target=\"_blank\">Mulher em Constru\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>, uma ONG que forma mulheres na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil. Ela morava em Balne\u00e1rio Pinhal, mas, quatro meses depois, rec\u00e9m divorciada, mudou-se para Porto Alegre para trabalhar na \u00e1rea. <strong>\u201c<\/strong>No f\u00edsico n\u00e3o tem dificuldades, porque a mulher \u00e9 capaz de tudo. A mulher \u00e9 forte. Dizer que a gente n\u00e3o vai aguentar? A mulher aguenta. A mulher aguenta tudo<strong>. <\/strong>De dificuldade psicol\u00f3gica, de ter outra pessoa, de se relacionar com colega de trabalho, com homem.<strong>\u201d <\/strong>Embora tenha entrado para o ramo da constru\u00e7\u00e3o civil profissionalmente em 2015, a rela\u00e7\u00e3o de Jaqueline com a profiss\u00e3o \u00e9 mais antiga. Desde os 18 anos ela trabalhava como ajudante de pedreiro do tio. \u201cEle me d\u00e1 muito apoio para seguir em frente. Eu ligo para ele para pedir or\u00e7amento, ver o que ele acha, o que tem que ser feito. Todas as minhas d\u00favidas tiro com ele.\u201d Hoje os dois n\u00e3o trabalham mais juntos, mas foi ele o grande incentivador de Jaqueline. \u201cTodas as vezes que eu me machuco, eu digo para ele: \u2018ah, tu que \u00e9 o culpado do meu machucado, porque tu que me largou na constru\u00e7\u00e3o civil\u2019\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Obra sempre foi lugar de mulher<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-242x300.jpg\" alt=\"Faltava Luz. Munique Brum.\" class=\"wp-image-427\" width=\"338\" height=\"419\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-242x300.jpg 242w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-827x1024.jpg 827w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-768x951.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-1240x1536.jpg 1240w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-1653x2048.jpg 1653w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/faltava-luz-1568x1942.jpg 1568w\" sizes=\"(max-width: 338px) 100vw, 338px\" \/><figcaption>Ilustra\u00e7\u00e3o: Munique Brum<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de o debate de g\u00eanero na constru\u00e7\u00e3o civil estar ganhando foco nos \u00faltimos anos, as tarefas relacionadas ao lar, inclusive constru\u00e7\u00f5es e reformas, s\u00e3o historicamente parte do papel social da mulher. Nem sempre visto como um of\u00edcio, esses servi\u00e7os eram considerados como mais uma das obriga\u00e7\u00f5es da mulher com a sociedade, a sua casa e a sua fam\u00edlia. \u00c9 o que Luisa Duran, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora de hist\u00f3ria da arquitetura e urbanismo ressalta: \u201cTu n\u00e3o pode dizer que agora as mulheres se tornaram engenheiras. Milenarmente e em outras culturas, as mulheres s\u00e3o as donas das casas, e ser as donas quer dizer que s\u00e3o elas que fazem e consertam as casas e interferem mais que os homens.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo a casa historicamente um espa\u00e7o da mulher, o protagonismo das constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o costumava ser. \u00c9 o que algumas iniciativas, como o <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.arquitetasinvisiveis.com\/pg\" target=\"_blank\">Coletivo Arquitetas Invis\u00edveis<\/a><\/strong>, t\u00eam reivindicado. O grupo levanta dados e divulga nomes de arquitetas que tiveram a autoria de constru\u00e7\u00f5es negadas. Os trabalhos, em geral, eram atribu\u00eddos a seus esposos. Lu\u00edsa diz que essa invisibilidade \u00e9 hist\u00f3rica: \u201cHouve um apagamento das autorias das arquitetas mulheres. As mulheres \u2018an\u00f4nimas\u2019 sempre estiveram presentes na constru\u00e7\u00e3o das casas. Sempre nos deixam esquecidinhas, mas sempre estivemos l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>\u201cHouve um apagamento das autorias das arquitetas mulheres. As mulheres \u2018an\u00f4nimas\u2019 sempre estiveram presentes na constru\u00e7\u00e3o das casas. Sempre nos deixam esquecidinhas, mas sempre estivemos l\u00e1\u201d <\/p><cite><strong>LUISA DURAN<\/strong>, professora da UFRGS e pesquisadora de hist\u00f3ria da arquitetura e urbanismo<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Bia Kern, fundadora da ONG Mulher em Constru\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m acredita que a rela\u00e7\u00e3o das mulheres com a constru\u00e7\u00e3o civil n\u00e3o \u00e9 algo novo. Durante as grandes guerras, as mulheres passaram a fazer servi\u00e7os antes tidos como masculinos, como trabalhar na ind\u00fastria. \u201cE n\u00e3o somente as mulheres foram trabalhar na Ind\u00fastria. Tem uma ponte em Londres que foi destru\u00edda no per\u00edodo da guerra e os maridos n\u00e3o tinham como voltar, ent\u00e3o as mulheres foram l\u00e1 e constru\u00edram a ponte. Isso h\u00e1 mais de 100 anos.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Em reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>A ONG Mulher em Constru\u00e7\u00e3o, criada em 2006 em Canoas, no Rio Grande do Sul, busca trazer a independ\u00eancia econ\u00f4mica e devolver a autoestima e os direitos das mulheres atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o civil. Para isso, a iniciativa desenvolve em suas capacita\u00e7\u00f5es o pensamento cr\u00edtico com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sexualidade, autoestima, empoderamento e rela\u00e7\u00f5es interpessoais no local de trabalho. A iniciativa, que completa 14 anos, j\u00e1 atendeu mais de 5 mil mulheres com cursos e oficinas de capacita\u00e7\u00e3o em diferentes \u00e1reas da constru\u00e7\u00e3o civil e impactou mais de 20 mil pessoas de forma indireta.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;Toda vez que a gente estimula a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na constru\u00e7\u00e3o civil, deixamos elas prontas para outras esferas tamb\u00e9m. A partir do momento que quebra o paradigma, a mulher entende que ela \u00e9 uma cidad\u00e3 e que pode participar. O sentimento de participa\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 importante, em todos os n\u00edveis\u201d <\/p><cite><strong>BIA KERN<\/strong>, fundadora da ONG Mulher em Constru\u00e7\u00e3o<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-663\" width=\"398\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal.jpg 1080w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janeladeigreja_isabelaribeiro_arquivopessoal-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><figcaption>A aten\u00e7\u00e3o aos detalhes \u00e9 um dos diferenciais dos servi\u00e7o prestados por mulheres | Foto: Acervo Pessoal <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para Bia, levar conhecimento sobre constru\u00e7\u00e3o civil para mulheres cria uma cadeia produtiva, que estimula tamb\u00e9m suas fam\u00edlias e a sociedade atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de renda e da autonomia feminina. O espa\u00e7o de trabalho e aprendizado da ONG tamb\u00e9m \u00e9 usado como instrumento de empoderamento e enfrentamento de viol\u00eancia dom\u00e9stica: \u201cNa realidade, n\u00f3s n\u00e3o empoderamos, mas ela se empodera da situa\u00e7\u00e3o e v\u00ea que tem direitos, que ela n\u00e3o pode efetivamente ficar sofrendo ainda sob o abuso que est\u00e1 padecendo.\u201d Por isso as oficinas acabam extrapolando as quest\u00f5es da constru\u00e7\u00e3o. \u201cToda vez que a gente estimula a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na constru\u00e7\u00e3o civil, deixamos elas prontas para outras esferas tamb\u00e9m. A partir do momento que quebra o paradigma, a mulher entende que ela \u00e9 uma cidad\u00e3 e que pode participar. O sentimento de participa\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 importante,  em todos os n\u00edveis\u201d, diz Bia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Jaqueline, que \u00e9 tamb\u00e9m uma das instrutoras dos cursos da Mulher em Constru\u00e7\u00e3o, parte fundamental do empoderamento das mulheres atendidas \u00e9 estarem em um ambiente feminino. O que auxilia psicologicamente na reconstru\u00e7\u00e3o da autoestima ainda durante os cursos.&nbsp; \u201cTu passa dois dias com uma mulher, capacitando e mostrando para ela que ela \u00e9 empoderada e que ela pode; que ela n\u00e3o precisa depender de ningu\u00e9m. Levanta a autoestima da mulher entrar na constru\u00e7\u00e3o civil e se empoderar com outras mulheres.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h5><strong>Uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<p>Jaqueline acredita que uma das principais raz\u00f5es do aumento da procura por m\u00e3o de obra feminina \u00e9 a seguran\u00e7a. \u00c9 comum que os clientes fiquem muito satisfeitos com a oferta de m\u00e3o de obra exclusivamente feminina. Inclusive, \u00e9 frequente que se sintam mais confort\u00e1veis de contratar servi\u00e7os feitos por mulheres: \u201c\u00c0s vezes a gente t\u00e1 trabalhando, tem crian\u00e7a na casa e os clientes largam, deixam a gente reparando. Tem aquela confian\u00e7a de que \u00e9 uma mulher que t\u00e1 ali dentro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator que influencia a contrata\u00e7\u00e3o de mulheres na constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e o cuidado. Para Bia, isso pode ser atribu\u00eddo tanto aos seus potenciais individuais, quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o e ao comprometimento. \u201cA mulher enxerga o que est\u00e1 errado. Isso fez com que elas fossem estimuladas, claro, mas as empresas come\u00e7aram a ver que a mulher tinha esse potencial e que a for\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 o complemento principal de uma obra, ainda mais com a tecnologia de hoje.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pensando na inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e na oferta de servi\u00e7os exclusivamente femininos, foi criada a <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/tinyurl.com\/y6sqd4de\" target=\"_blank\">Casa Rosa,<\/a><\/strong> a primeira cooperativa de trabalho da constru\u00e7\u00e3o civil formada apenas por mulheres. A iniciativa \u00e9 de alunas e ex-alunas da Mulher em Constru\u00e7\u00e3o e de outras profissionais da \u00e1rea. O grupo aposta na autogest\u00e3o e autonomia, al\u00e9m da qualifica\u00e7\u00e3o profissional, para o fortalecimento das mulheres no mercado de trabalho.&nbsp;Al\u00e9m da Casa Rosa e da Mulher em Constru\u00e7\u00e3o, no Brasil existem outras organiza\u00e7\u00f5es que oferecem m\u00e3o de obra e forma\u00e7\u00e3o exclusivamente feminina. Como a mineira <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/arquiteturanaperiferia.org.br\/\" target=\"_blank\">Arquitetura na Periferia<\/a><\/strong>, que capacita mulheres em instala\u00e7\u00e3o, reforma e constru\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias casas, e a baiana <strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/tinyurl.com\/EMB1R\" target=\"_blank\">Entre Minas<\/a><\/strong>, que oferece servi\u00e7os de profissionais mulheres em reparos residenciais e marcenarias, al\u00e9m de oficinas que fortale\u00e7am a autonomia feminina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/delegaciadamulher_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-660\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/delegaciadamulher_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/delegaciadamulher_isabelaribeiro_arquivopessoal-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/delegaciadamulher_isabelaribeiro_arquivopessoal-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/delegaciadamulher_isabelaribeiro_arquivopessoal.jpg 1040w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Jaqueline (\u00e0 esquerda) e outras integrantes da ONG Mulher em Constru\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o prestado para a Delegacia da Mulher de Porto Alegre | Foto: Acervo Pessoal <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As iniciativas em constru\u00e7\u00e3o civil especializadas em m\u00e3o de obra feminina geram novas formas de renda e criam redes de apoio entre mulheres. Al\u00e9m disso, esses espa\u00e7os d\u00e3o destaque para suas viv\u00eancias e fomentam debates a respeito das realidades enfrentadas pelas mulheres na sociedade. Foram esses espa\u00e7os de reflex\u00e3o e acolhimento que fizeram Jaqueline querer transformar suas viv\u00eancias na Mulher em Constru\u00e7\u00e3o em uma nova profiss\u00e3o, n\u00e3o mais na \u00e1rea da constru\u00e7\u00e3o civil: \u201cEu tenho 29 anos e nunca pensei em fazer uma faculdade. Mas hoje a ONG me ajudou muito a pensar e a ver a realidade de outras mulheres, ent\u00e3o eu quero muito ser assistente social. Eu quero muito trabalhar com isso. Para ajudar outras mulheres na viol\u00eancia e prepar\u00e1-las para o mundo e dizer que elas t\u00eam uma rede de apoio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-683x1024.jpg\" alt=\"Isabela.\" class=\"wp-image-657\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-1568x2352.jpg 1568w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/janela_isabelaribeiro_arquivopessoal-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"(max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><figcaption>Luisa Duran, pesquisadora de hist\u00f3ria da arquitetura e urbanismo, tem o costume de fotografar janelas como esta em Laguna, SC | Foto: Lu\u00edsa Duran \/ Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tarefas relacionadas ao lar, inclusive constru\u00e7\u00f5es e reformas, s\u00e3o historicamente parte do papel social da mulher, mas o protagonismo na constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um fen\u00f4meno novo e crescente.<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":421,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[47],"tags":[31,33,34,32],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Construindo Janelas &mdash; 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