{"id":6934,"date":"2022-05-18T16:01:40","date_gmt":"2022-05-18T19:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=6934"},"modified":"2022-05-18T17:57:23","modified_gmt":"2022-05-18T20:57:23","slug":"omissao-e-preconceito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/omissao-e-preconceito\/","title":{"rendered":"Omiss\u00e3o e preconceito"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">&nbsp;J\u00e1 imaginou procurar um m\u00e9dico para analisar a apari\u00e7\u00e3o de um sinal na pele e, logo ap\u00f3s exames cl\u00ednicos, receber o diagn\u00f3stico de hansen\u00edase? E se nesse momento lhe proibissem de sair do consult\u00f3rio para se comunicar com seus familiares e amigos, como voc\u00ea se sentiria? Pior ainda: e se depois da not\u00edcia, voc\u00ea fosse levado \u00e0 for\u00e7a para outra cidade, no meio do mato, longe de todos que voc\u00ea ama, o que voc\u00ea faria? Acredite, isso aconteceu com muita gente e n\u00e3o faz muito tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, causada pela bact\u00e9ria Mycobacterium leprae, que pode afetar qualquer pessoa. Caracteriza-se por altera\u00e7\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o ou perda da sensibilidade t\u00e9rmica e da for\u00e7a muscular, principalmente em m\u00e3os, bra\u00e7os, p\u00e9s, pernas e olhos. Ela pode ser dolorosa e gerar incapacidades permanentes. O cont\u00e1gio se d\u00e1 pelo contato por um longo per\u00edodo com got\u00edculas da saliva ou secre\u00e7\u00e3o nasal de uma pessoa que esteja com a doen\u00e7a. Mas ela s\u00f3 \u00e9 transmitida por algu\u00e9m que n\u00e3o est\u00e1 em tratamento, e somente pessoas suscet\u00edveis s\u00e3o contagiadas.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a d\u00e9cada de 1940, n\u00e3o existia tratamento para hansen\u00edase, que era chamada de lepra, nome que foi abolido justamente pelos sentidos negativos que carregava, provocando preconceito e estigmatizando quem sofria com a doen\u00e7a. Por\u00e9m, ainda no s\u00e9culo 20, foi comprovado que a hansen\u00edase tem tratamento, e, se descoberta logo no in\u00edcio, pode ter cura e n\u00e3o deixar nenhuma sequela. Mas, at\u00e9 isso acontecer, milhares de pessoas com a doen\u00e7a foram esquecidas pela sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Os motivos do isolamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nos anos 1940, existia a convic\u00e7\u00e3o de que todas as pessoas que tinham alguma doen\u00e7a contagiosa deveriam ser isoladas da sociedade. Com essa proposta, os \u00f3rg\u00e3os de sa\u00fade, junto com os de seguran\u00e7a, tinham por dever retirar de circula\u00e7\u00e3o todas as pessoas que pudessem representar algum risco de sa\u00fade aos demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1949, o isolamento for\u00e7ado dos hansenianos virou lei federal, que vigorou at\u00e9 1986, ou seja, h\u00e1 apenas 36 anos. Por isso, quando algu\u00e9m era diagnosticado com hansen\u00edase, era levado para os centros de isolamento de suas regi\u00f5es, chamados na \u00e9poca de lepros\u00e1rios, sem poder ter nenhum contato com o mundo exterior. Esses espa\u00e7os passaram a ser concebidos como pequenas cidades, onde s\u00f3 viviam pessoas com a doen\u00e7a. No Brasil, chegaram a existir 40 lepros\u00e1rios e h\u00e1 uma estimativa de que <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/ciencia-e-saude\/noticia\/2019\/12\/20\/separados-dos-pais-que-estavam-isolados-em-leprosarios-filhos-buscam-indenizacao-na-justica.ghtml\">40 mil beb\u00eas tenham nascido em lepros\u00e1rios, sendo imediatamente separados dos pais.<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-container-2 wp-block-gallery-1 wp-block-gallery columns-2 is-cropped\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Entrada-do-lote-da-casa-dos-moradores-_-Imagem-ASCOM-Viamao.jpg\" alt=\"\" data-id=\"6938\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Entrada-do-lote-da-casa-dos-moradores-_-Imagem-ASCOM-Viamao.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=6938\" class=\"wp-image-6938\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Entrada-do-lote-da-casa-dos-moradores-_-Imagem-ASCOM-Viamao.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Entrada-do-lote-da-casa-dos-moradores-_-Imagem-ASCOM-Viamao-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" width=\"600\" height=\"434\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Cemiterio-_-Imagens_-ASCOM-Viamao-2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"6943\" data-full-url=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Cemiterio-_-Imagens_-ASCOM-Viamao-2.jpg\" data-link=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?attachment_id=6943\" class=\"wp-image-6943\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Cemiterio-_-Imagens_-ASCOM-Viamao-2.jpg 600w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Cemiterio-_-Imagens_-ASCOM-Viamao-2-300x217.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Entrada da rua onde ficavam os pacientes com hansen\u00edase e cemit\u00e9rio do Hospital Col\u00f4nia de Itapu\u00e3 | Fotos: Site da Prefeitura de Viam\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Seguindo esse projeto, o Rio Grande do Sul construiu o Hospital Col\u00f4nia de Itapu\u00e3, localizado no interior do munic\u00edpio de Itapu\u00e3, a 58 quil\u00f4metros de Porto Alegre. A institui\u00e7\u00e3o surgiu com intuito de abrigar, isolar e tratar os pacientes diagnosticados com hansen\u00edase. O local tinha desde escolas at\u00e9 cinemas e sal\u00e3o de festas. Mas o essencial, que seria o contato dos pacientes com seus familiares, era proibido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nos anos 1980, como j\u00e1 havia a constata\u00e7\u00e3o de que a doen\u00e7a poderia ser tratada, o isolamento deixou de ser indicado. O problema \u00e9 que, depois de mais de 20 anos sendo obrigadas a viver nesses locais isolados, como era o caso do Hospital Col\u00f4nia de Itapu\u00e3, essas pessoas acabaram criando la\u00e7os umas com as outras, amizades e amores.<\/p>\n\n\n\n<p>Era ali tamb\u00e9m que elas haviam trabalhado a vida inteira, e reaprender a viver fora do hospital n\u00e3o seria nada f\u00e1cil. Al\u00e9m disso, at\u00e9 os moradores da pr\u00f3pria cidade de Itapu\u00e3 tinham preconceito com os pacientes do hospital e n\u00e3o aceitavam estar nos mesmos lugares que eles. Ent\u00e3o, mesmo que a lei dos lepros\u00e1rios tivesse sido extinta, todos continuaram vivendo seguindo com as antigas normas e protocolos de seguran\u00e7a. Ou seja, mais uma vez, essas pessoas foram esquecidas, pois n\u00e3o foi constru\u00edda uma pol\u00edtica de reinser\u00e7\u00e3o do grupo na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Deslocade_HospitalColonia_IrisOzuna-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-6944\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Deslocade_HospitalColonia_IrisOzuna-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Deslocade_HospitalColonia_IrisOzuna-300x169.png 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Deslocade_HospitalColonia_IrisOzuna-768x432.png 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Deslocade_HospitalColonia_IrisOzuna.png 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Arte: Iris Ozuma<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>A dor causada pela dist\u00e2ncia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em uma manh\u00e3 de 1980, Aristides Amaral resolveu sair da cidade de S\u00e3o Borja, na regi\u00e3o sul do Rio Grande do Sul, para fazer uma consulta com um m\u00e9dico em Porto Alegre. Ele tinha 40 anos e sua esposa e duas filhas, a mais mo\u00e7a com menos de um m\u00eas, ficaram em S\u00e3o Borja. Aristides nunca mais retornou e nem conseguiu avisar a fam\u00edlia a raz\u00e3o de n\u00e3o ter conseguido voltar para casa.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&nbsp;\u201cMinha m\u00e3e sempre manteve as coisas em segredo. ela n\u00e3o falava nada, nem onde meu pai estava quando isso aconteceu \u201d<\/p><cite><strong>SUZANA AMARAL<\/strong>,  filha de  Aristides, que foi levado para o Hospital Col\u00f4nia de Itapu\u00e3 <\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Quando Therezinha ficou sabendo pelo hospital o motivo de seu esposo n\u00e3o voltar, achou que seria melhor, para proteger as meninas, n\u00e3o contar o motivo pelo qual ele n\u00e3o havia voltado. Por conta disso, ela e as filhas passaram trabalho e necessidade. Al\u00e9m disso, sofreram o preconceito de seus familiares e amigos, pois eles sabiam o porqu\u00ea do pai das meninas n\u00e3o estar com elas. \u201cA minha inf\u00e2ncia foi uma inf\u00e2ncia muito prec\u00e1ria. De tudo t\u00ednhamos pouco, mas minha m\u00e3e sempre manteve as coisas em segredo. Ela n\u00e3o falava nada, nem onde meu pai estava quando isso aconteceu\u201d, lamenta Suzana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aristides tentou fugir do Hospital Col\u00f4nia v\u00e1rias vezes para ir ao encontro de sua fam\u00edlia, mas sempre era pego pelos guardas ou pelas enfermeiras. At\u00e9 que, em uma dessas diversas tentativas, conseguiu escapar, pegar um \u00f4nibus e ir at\u00e9 S\u00e3o Borja para pelo menos visitar sua fam\u00edlia e ver como a esposa e as filhas estavam. Entretanto, quando voltou para o hospital, acabou tendo uma surpresa. \u201cQuando ele retornou, acabou sendo preso, pois l\u00e1 dentro foi constru\u00edda uma cadeia para aqueles que cometessem algum crime, ou para aqueles que tentassem fugir, pois naquela \u00e9poca n\u00e3o podia sair de l\u00e1\u201d, lembra a filha.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/de-que-forma-a-desigualdade-se-reflete-na-mesa-dos-brasileiros\/\">Nunca vi, nem comi, eu s\u00f3 ou\u00e7o falar:<\/a><\/strong>&nbsp;inseguran\u00e7a alimentar volta a assombrar brasileiros<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entenda-quem-sao-e-como-vivem-os-milionarios-do-brasil\">Quem quer ser um milion\u00e1rio?&nbsp;<\/a><\/strong>Quem s\u00e3o e como vivem os milion\u00e1rios brasileiros <\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h2><strong>O encontro com uma realidade esquecida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Quando Suzana chegou na adolesc\u00eancia, no in\u00edcio dos anos 1980, e come\u00e7aram a mudar os procedimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hansen\u00edase, sua m\u00e3e se mudou com ela e sua irm\u00e3 para a cidade de Itapu\u00e3 para ficarem mais pr\u00f3ximas de Aristides e retomarem o contato com ele, mesmo que ainda um pouco distantes. Por\u00e9m, quando se mudaram, n\u00e3o tinham onde ficar. Ent\u00e3o, por dois meses, ficaram escondidas no pr\u00e9dio do cassino que existia junto ao hospital. Naquela \u00e9poca, seu pai estava construindo uma casa na cidade de Itapu\u00e3, mas ela ainda n\u00e3o estava pronta. S\u00f3 quando a obra acabou \u00e9 que elas puderam sair do cassino.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Itapu\u00e3 ter poucos moradores, sempre que algu\u00e9m descobria que Suzana e sua irm\u00e3 eram filhas de Aristides, acabava se afastando delas, justamente por ele ser um morador do hospital. As pessoas sequer ficavam sabendo que elas n\u00e3o tinham contato direto com com o pai. \u201cFoi na minha adolesc\u00eancia que eu cheguei aqui [<em>na cidade de Itapu\u00e3<\/em>], e acabei passando por muito sufoco. As pessoas de fora do hospital, naquela \u00e9poca, n\u00e3o gostavam que eu me aproximasse delas justamente por ser filha de um \u2018leproso\u2019. Me recordo de um dia em que eu e minha irm\u00e3 fomos no baile de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e, quando chegamos, tinha duas senhoras conversando, e uma delas disse para outra: &#8216;o que a filha do leproso est\u00e1 fazendo aqui dentro?\u2019\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela fase de sua vida, Suzana j\u00e1 sabia o que a palavra \u201cleproso\u201d significava . \u201cIsso me marcou muito. At\u00e9 hoje eu guardo a m\u00e1goa dessa rejei\u00e7\u00e3o que eu tive dos moradores aqui de Itapu\u00e3.\u201d Por conta da rejei\u00e7\u00e3o que Suzana e sua fam\u00edlia sofreram por parte dos moradores da cidade, elas acabaram se aproximando cada vez mais dos pacientes do hospital, que sempre as trataram com educa\u00e7\u00e3o, carinho e respeito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs freiras do hospital come\u00e7aram a me puxar mais pro lado delas. Ent\u00e3o eu comecei a trabalhar no hospital e at\u00e9 tinha parado de estudar, porque eu fiquei t\u00e3o revoltada com aquela situa\u00e7\u00e3o vivida no baile que eu nem queria ir na escola. Eu me recusei a conviver com aquelas pessoas. At\u00e9 que depois eu voltei atr\u00e1s e voltei a estudar, mas foi muito dif\u00edcil conviver com aquelas pessoas preconceituosas\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s se formar no ensino m\u00e9dio, Suzana se especializou em enfermagem e continuou ligada ao hospital, principalmente com os pacientes, pois muitos deles eram seus amigos. Ap\u00f3s o falecimento de Aristides, Suzana e sua m\u00e3e se mudaram para a casa onde ele morava dentro da Col\u00f4nia. Mesmo depois de sua aposentadoria, Suzana permanece vivendo ali com sua m\u00e3e, se relacionando com a fam\u00edlia que a vida lhes deu. Sua irm\u00e3 se casou e foi morar em outro local.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta da discrimina\u00e7\u00e3o que pacientes e seus familiares sofreram e ainda sofrem, foi criado, em 1981, o Movimento de Reintegra\u00e7\u00e3o das Pessoas Atingidas pela Ransen\u00edase (Morhan). A entidade n\u00e3o tem fins lucrativos e busca conscientizar e informar a popula\u00e7\u00e3o sobre os direitos das pessoas atingidas pela hansen\u00edase.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"970\" height=\"700\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-16-at-13.27.40-1.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8088\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-16-at-13.27.40-1.jpeg 970w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-16-at-13.27.40-1-300x216.jpeg 300w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/WhatsApp-Image-2022-05-16-at-13.27.40-1-768x554.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 970px) 100vw, 970px\" \/><figcaption>Arte: Amanda Sokolovsky<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2><strong>A situa\u00e7\u00e3o dos moradores do hospital hoje<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Com mais de 80 anos de exist\u00eancia, o Hospital Col\u00f4nia conta atualmente com 17 pacientes curados da hansen\u00edase que ainda residem nas suas depend\u00eancias. No in\u00edcio de 2022, a Prefeitura de Viam\u00e3o e a Secretaria de Sa\u00fade do Estado abriram o processo de <a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/saude-inicia-processo-de-desinstitucionalizacao-de-pacientes-e-ex-pacientes-do-hospital-colonia-itapua\">desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o<\/a> desses moradores. Para concretizar esse projeto, o governo estadual precisar\u00e1 pagar ao munic\u00edpio quatro parcelas de mais de R$ 3 milh\u00f5es cada.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a representante da Morhan da regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, Magda Chagas, essa proposta tem uma s\u00e9rie de problemas. Um dos principais, segundo ela, \u00e9 que n\u00e3o cabe ao munic\u00edpio de Viam\u00e3o cuidar dessa desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o, mas sim, ao governo estadual, j\u00e1 que \u00e9 ele que cuida da administra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o do Movimento \u00e9 sobre como ser\u00e1 feito o acompanhamento dessas pessoas que ter\u00e3o que deixar o local. J\u00e1 que passaram a maior parte de suas vidas l\u00e1 e que t\u00eam no hospital, al\u00e9m de seus lares, tratamento cont\u00ednuo e cuidados de sa\u00fade. Essa incerteza sobre o futuro tem causado, de acordo com Magda, perturba\u00e7\u00e3o entre os pacientes e tamb\u00e9m entre os funcion\u00e1rios do local, que n\u00e3o sabem o que acontecer\u00e1 com eles. A Prefeitura de Viam\u00e3o n\u00e3o deu retorno \u00e0 reportagem da Sextante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante construirmos uma nova hist\u00f3ria para o hospital, que atenda a comunidade e que tamb\u00e9m busque a preserva\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria como repara\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria sens\u00edvel de todos os que foram exilados e esquecidos pelo Estado no passado, respeitando suas hist\u00f3rias, suas alegrias, suas dores e de seus amores\u201d, comenta Magda.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-8 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-7 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/os-sobreviventes-invisiveis-na-capital-alto-astral\/\"><strong>Sobreviventes na capital alto-astral:<\/strong> <\/a>quase quatro mil pessoas vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua em Porto Alegre<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/brasil-um-pais-da-impunidade\/\"><strong>Brasil, um pa\u00eds da impunidade<\/strong>: <\/a>familiares de v\u00edtimas de crimes contra a vida lutam para que esses casos tenham um desfecho<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por muito tempo, os pacientes de hansen\u00edase foram isolados e esquecidos pela sociedade, hoje sofrem uma nova forma de apagamento<\/p>\n","protected":false},"author":72,"featured_media":6935,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[141],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Omiss\u00e3o e preconceito &mdash; 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