{"id":7007,"date":"2022-05-18T16:01:39","date_gmt":"2022-05-18T19:01:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/?p=7007"},"modified":"2022-05-18T18:29:38","modified_gmt":"2022-05-18T21:29:38","slug":"a-dor-da-perda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/a-dor-da-perda\/","title":{"rendered":"A dor da perda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">\u201cO medo de esquecer caracter\u00edsticas da minha filha foi praticamente instant\u00e2neo. Quando eu cheguei em casa, eu busquei imprimir fotos dela, porque eu n\u00e3o conseguia dormir sem olhar para ela\u201d, conta Tatiana Maffini, de 41 anos, sobre o momento ap\u00f3s o sepultamento da sua filha Helena, que faleceu com 17 dias de vida, em 2012. A dor da perda para aqueles que ficam \u00e9 complexa, e a ang\u00fastia de perder lembran\u00e7as de quem partiu \u00e9 algo recorrente nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p>A morte \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana, mas se habituar \u00e0 aus\u00eancia de algu\u00e9m pode n\u00e3o ser f\u00e1cil. Ao longo da vida, as pessoas estabelecem rela\u00e7\u00f5es fortes entre si, como aquelas com pais, filhos, av\u00f3s, netos, irm\u00e3os, amigos, maridos e esposas. Quando esses v\u00ednculos presenciais s\u00e3o rompidos, emo\u00e7\u00f5es profundas s\u00e3o evocadas pela perda, e \u00e9 um momento em que o luto precisa ser elaborado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-45596113\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a> encomendado em 2018 pelo Sindicato dos Cemit\u00e9rios e Cremat\u00f3rios Particulares do Brasil (Sincep) e realizado pelo Studio Ideias, 82,4% dos brasileiros acham que n\u00e3o tem nada mais sofrido do que a dor da perda de algu\u00e9m. A pesquisa, que mapeia a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o acerca de assuntos relacionados \u00e0 morte, tamb\u00e9m apresenta que os sentimentos mais associados a esse tema s\u00e3o a tristeza (63%), a dor (55%), a saudade (55%), o sofrimento (51%) e o medo (44%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falar sobre a morte e os sentimentos que permeiam uma perda significativa ainda \u00e9 um tabu. A passagem do tempo \u00e9 inevit\u00e1vel, e o esquecimento de certas viv\u00eancias acontece de maneira natural. Encontrar formas de manter v\u00ednculos com quem morreu \u00e9 um caminho percorrido pelas pessoas que experienciam esse processo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-3 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-1 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-2 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/por-que-esquecemos\/\"><strong>Por que esquecemos?<\/strong>&nbsp;<\/a>Como a ci\u00eancia explica recorda\u00e7\u00f5es perdidas, momentos esquecidos e mem\u00f3rias falsas<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/por-que-temos-lapsos-de-memoria\/\"><strong>Por que temos lapsos de mem\u00f3ria?<\/strong>&nbsp;<\/a>A ci\u00eancia por tr\u00e1s do esquecimento e da fixa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<h2><strong>Elabora\u00e7\u00e3o da perda<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ilustracao-Sofia-Kerr.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7015\" width=\"336\" height=\"411\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ilustracao-Sofia-Kerr.jpeg 587w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Ilustracao-Sofia-Kerr-245x300.jpeg 245w\" sizes=\"(max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><figcaption>Arte: Sofia Kerr<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O processo do luto \u00e9 composto de um conjunto de rea\u00e7\u00f5es diante de uma perda e pode se manifestar de diferentes maneiras para cada indiv\u00edduo. Embora aconte\u00e7a com todas as pessoas, como esse processo \u00e9 singular, o tempo \u00e9 vari\u00e1vel e, em alguns casos, pode durar anos. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que ele nunca termina, mesmo com o passar do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para possibilitar a compreens\u00e3o desse processo, ele pode ser dividido, de maneira simplificada, em quatro fases. A primeira \u00e9 o choque, que tem dura\u00e7\u00e3o de algumas horas ou semanas e pode vir acompanhada de manifesta\u00e7\u00f5es de desespero ou de raiva. Depois vem o desejo e a busca da figura perdida, que pode durar meses ou anos, e \u00e9 quando dois processos contradit\u00f3rios coexistem: a realidade da perda e a esperan\u00e7a de um reencontro. A desorganiza\u00e7\u00e3o e o desespero s\u00e3o sentimentos presentes na terceira fase, que \u00e9 quando a raiva persiste, impedindo a aceita\u00e7\u00e3o da morte. Finalmente, a quarta fase \u00e9 a de organiza\u00e7\u00e3o, em que ocorre a aceita\u00e7\u00e3o da perda definitiva e a constata\u00e7\u00e3o de que uma nova vida precisa ser come\u00e7ada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A professora do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro-fundadora do <a href=\"http:\/\/www.lemipusp.com.br\/\">Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Morte (LEM)<\/a> Maria J\u00falia Kov\u00e1cs explica que as pessoas t\u00eam formas muito peculiares de lidar com as situa\u00e7\u00f5es de perdas. \u201cElas v\u00e3o escolher maneiras de enfrentamento que v\u00e3o ajud\u00e1-las a viver o processo do luto. Ent\u00e3o, para algumas pessoas, \u00e9 importante ficar lembrando, recordando, ter mem\u00f3rias. E, para outras, esse processo pode perturbar\u201d, diz Maria J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;Os v\u00ednculos que se rompem s\u00e3o os v\u00ednculos presenciais, mas a gente mant\u00e9m os v\u00ednculos na nossa mem\u00f3ria e na nossa lembran\u00e7a&#8221;<\/p><cite><strong>MARIA J\u00daLIA KOV\u00c1CS<\/strong>, membro-fundadora do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre a Morte (LEM)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A professora esclarece que, quando se tem uma rela\u00e7\u00e3o significativa com algu\u00e9m, dificilmente as pessoas esquecem aqueles que morreram. Os indiv\u00edduos que partiram se mant\u00eam presentes de alguma forma, \u00e0s vezes mais ou \u00e0s vezes menos. Apesar de existir o medo do esquecimento, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que ele aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a perda de uma pessoa pr\u00f3xima, as recorda\u00e7\u00f5es assumem um papel significativo na manuten\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es. \u201cAs lembran\u00e7as ajudam no sentido de a gente poder ter a pessoa sempre presente no nosso cora\u00e7\u00e3o, na nossa imagina\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 muito importante, porque os v\u00ednculos que se rompem s\u00e3o os v\u00ednculos presenciais, mas a gente mant\u00e9m os v\u00ednculos na nossa mem\u00f3ria e na nossa lembran\u00e7a\u201d, destaca Maria J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Integra\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia na vida cotidiana<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A alegria da chegada t\u00e3o desejada da filha foi interrompida de maneira brusca. Tatiana perdeu Helena \u00e0 espera de um leito de UTI neonatal, por conta de um problema card\u00edaco diagnosticado no per\u00edodo p\u00f3s-parto. A conviv\u00eancia durou pouco tempo, mas os v\u00ednculos estabelecidos permanecem at\u00e9 hoje. Ela conta que, inicialmente, a ang\u00fastia para tentar manter recorda\u00e7\u00f5es da filha era muito maior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu guardei uma s\u00e9rie de coisas da Helena, tipo hipogl\u00f3s e itens assim, que eu n\u00e3o vou utilizar. Eu ainda tenho o talco que ela usou, o shampoo que eu usava nela, que me remete bastante ao cheiro dela, que \u00e9 uma coisa que ativa muito a minha mem\u00f3ria\u201d, relata Tatiana. As fotos e os v\u00eddeos tamb\u00e9m ajudaram nesse processo, mas ela menciona que, \u00e0s vezes, ao olhar para esses materiais, surge a d\u00favida do que \u00e9 mem\u00f3ria de fato dela e o que \u00e9 mem\u00f3ria criada a partir desses recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas lembran\u00e7as, inevitavelmente, ficaram menos n\u00edtidas ao longo dos anos. \u201cQuando eu olho para as fotos da Helena, eu j\u00e1 n\u00e3o lembro o toque da pele dela.\u201d Como j\u00e1 faz dez anos da morte da filha, Tatiana diz que muita coisa foi reorganizada nesse per\u00edodo, e o medo do esquecimento foi uma delas. \u201cHoje, amadureceu muita coisa, eu j\u00e1 n\u00e3o tenho mais essa ang\u00fastia. A conex\u00e3o que eu tenho com ela \u00e9 dentro de mim, n\u00e3o \u00e9 uma coisa externa\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-style-default\"><p>&#8220;A gente n\u00e3o supera. A gente se adapta, integra aquilo na nossa vida e vive junto com isso. Essas lembran\u00e7as me ajudam a pensar que ela esteve viva um dia e que a gente teve uma rela\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p><cite><strong>TATIANA MAFFINI<\/strong>, m\u00e3e da Helena<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Tatiana-Maffini-770x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7011\" width=\"323\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Tatiana-Maffini-770x1024.jpg 770w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Tatiana-Maffini-226x300.jpg 226w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Tatiana-Maffini-768x1021.jpg 768w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Tatiana-Maffini.jpg 853w\" sizes=\"(max-width: 323px) 100vw, 323px\" \/><figcaption>Tatiana criou a ONG Amada Helena, que auxilia m\u00e3es e pais que perderam os filhos | Foto: Arquivo pessoal <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A dor foi transformada em ajuda direcionada a m\u00e3es e pais que perderam seus filhos. A <a href=\"https:\/\/amada-helena.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amada Helena<\/a> foi criada em 2013, em um primeiro momento com um trabalho voltado \u00e0 luta por mais leitos de UTI neonatal. Devido \u00e0 car\u00eancia de projetos para falar sobre o luto parental no Rio Grande do Sul, a ONG passou a abordar essa tem\u00e1tica e a promover encontros e acolhimentos aos pais enlutados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tatiana, que tamb\u00e9m tem outros dois filhos, destaca que as recorda\u00e7\u00f5es da filha fazem com que ela se mantenha presente no cotidiano da fam\u00edlia. \u201cA gente n\u00e3o supera. A gente se adapta, integra aquilo na nossa vida e vive junto com isso. Essas lembran\u00e7as me ajudam a pensar que ela esteve viva um dia e que a gente teve uma rela\u00e7\u00e3o. E que eu sou m\u00e3e dela, principalmente isso. Independentemente de onde ela esteja ou do que aconteceu, ela veio a esse mundo atrav\u00e9s de mim e isso nada vai mudar&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>V\u00ednculo n\u00e3o \u00e9 sobre presen\u00e7a f\u00edsica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como Tatiana, a psic\u00f3loga mineira Gl\u00e1ucia Tavares, de 67 anos, tamb\u00e9m perdeu a filha. Em 1998, Camile faleceu em um acidente de carro, quando tinha 18 anos. O impacto da morte da filha gerou a necessidade de desenvolver um trabalho tanto pessoal quanto familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLidar com a aus\u00eancia do ente querido \u00e9 algo que est\u00e1 muito presente. E, muitas vezes, um dos meus grandes medos era esse: eu vou esquecer o tom de voz, eu vou esquecer a fisionomia, eu vou esquecer as caracter\u00edsticas f\u00edsicas que nos mant\u00eam aqui?\u201d, relata Gl\u00e1ucia. Ela conta que h\u00e1 algo interessante nesse processo, porque, ao lado desse medo, as pessoas desenvolvem um outro idioma, um idioma da sensibilidade, n\u00e3o da mat\u00e9ria palp\u00e1vel, concreta, mas da rela\u00e7\u00e3o amorosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, esse temor foi e est\u00e1 sendo substitu\u00eddo por uma sensa\u00e7\u00e3o, por uma vibra\u00e7\u00e3o, por uma energia de conex\u00e3o, que nos mant\u00e9m ligadas, a mim, a minha filha, ao meu marido, a minha fam\u00edlia\u201d, diz Gl\u00e1ucia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Glaucia-Tavares.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7014\" width=\"291\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Glaucia-Tavares.jpg 364w, https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/Glaucia-Tavares-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 291px) 100vw, 291px\" \/><figcaption>Gl\u00e1ucia transformou a dor da perda em uma rede de suporte \u00e0queles que perderam algu\u00e9m, a API | Foto: Arquivo pessoal <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Compartilhar os sentimentos e as viv\u00eancias experienciados diante da perda foi o jeito encontrado para integrar a dor da aus\u00eancia. H\u00e1 quase 24 anos, Gl\u00e1ucia e seu marido Eduardo Tavares, de 72 anos, inauguraram a <a href=\"http:\/\/redeapi.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Associa\u00e7\u00e3o de Perdas Irrepar\u00e1veis (API)<\/a>, grupo que presta apoio a pessoas enlutadas. No in\u00edcio, o trabalho era focado naqueles que haviam perdido filhos, mas, com o passar do tempo, foi transformado em uma rede de suporte \u00e0queles que perderam algum ente querido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNos v\u00e1rios enlutados com quem a gente trabalha, muitas vezes vem esse temor de esquecer e at\u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de muito desconforto. \u00c0 medida que o tempo vai passando, a gente vai entendendo que existe uma saudade que a gente fala que \u00e9 t\u00f3xica, que \u00e9 querer o que n\u00e3o tem mais, mas existe uma forma de conex\u00e3o que a gente pode manter e que, mesmo passado tantos anos, ela n\u00e3o deixa de existir\u201d, explica Gl\u00e1ucia. Nesse sentido, ela fala que o luto n\u00e3o \u00e9 algo que se supera e que tem prazo de validade. A perda \u00e9 do f\u00edsico, mas os v\u00ednculos amorosos, afetivos e simb\u00f3licos se mant\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<h2><strong>Ressignifica\u00e7\u00e3o do passado no presente<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A restaura\u00e7\u00e3o da vida diante da aus\u00eancia das pessoas que morreram faz parte do processo do luto. Encontrar modos de integrar a perda no cotidiano, descobrir novas possibilidades de v\u00ednculo e receber apoio s\u00e3o fatores importantes para aqueles que passam por uma perda significativa viverem a situa\u00e7\u00e3o atual, no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias vividas no passado, no entanto, n\u00e3o devem ser ignoradas ou esquecidas. A professora aponta que existe uma tend\u00eancia de as pessoas dizerem em alguns momentos que n\u00e3o se pode ficar pensando em quem foi perdido, mas, do ponto de vista da psicologia, isso n\u00e3o \u00e9 algo indicado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO interessante \u00e9 que o passado possa ser ressignificado na vida presente. Lembrar n\u00e3o quer dizer ficar preso ao passado. Lembrar quer dizer manter a mem\u00f3ria e a lembran\u00e7a dessa pessoa viva na nossa imagina\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o \u00e9 o tempo todo, \u00e9 em determinadas circunst\u00e2ncias. Ter as lembran\u00e7as do passado \u00e9 muito importante, pois elas fazem parte da nossa hist\u00f3ria\u201d, destaca Maria J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<p>As lembran\u00e7as s\u00e3o aquilo que, de certa forma, fazem com que as pessoas que partiram se mantenham presentes no mundo dos vivos. Afinal, as recorda\u00e7\u00f5es s\u00e3o formas de presen\u00e7a, e, apesar do medo inicial de esquec\u00ea-las, elas permanecem em diferentes graus em cada um que j\u00e1 perdeu algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-6 wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-container-4 wp-block-column\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<h3 class=\"has-text-align-left\">LEIA MAIS<\/h3>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-container-5 wp-block-column\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<ul><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/entre-as-memorias-lembrar-pelos-sentidos\/\"><\/a><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/doenca-do-seculo\/\">Doen\u00e7a do s\u00e9culo?<\/a><\/strong>\u00a0<\/strong>Por que haver\u00e3o cada vez mais pessoas deprimidas<\/li><li><strong><a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/sextante\/depois-do-fim\/\">Depois do fim:<\/a><\/strong>\u00a0o futuro das rela\u00e7\u00f5es humanas est\u00e1 uma grande inc\u00f3gnita, mesmo com as constantes adapta\u00e7\u00f5es<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-default\"\/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como as pessoas lidam com a aus\u00eancia gerada pela morte e com o medo de esquecer aqueles que partiram<\/p>\n","protected":false},"author":73,"featured_media":7008,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[141],"tags":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.6.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Como as pessoas lidam com o medo de esquecer aqueles que morreram &mdash; 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